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CV e PCC terroristas: Itamaraty admite risco de ação militar dos EUA no Brasil

Em documento, Itamaraty diz que classificação de CV e PCC como terroristas pode resultar em ação militar dos EUA em território brasileiro

Em um documento assinado pelo próprio chanceler Mauro Vieira, o Itamaraty admitiu o temor de os Estados Unidos utilizarem a força militar no Brasil por causa da classificação do Comando Vermelho (CV) e do PCC como organizações terroristas.

A informação consta em uma resposta do Itamaraty a um pedido de informação feito pela Câmara. No documento, o chanceler admite que a decisão dos EUA de classificar as duas facções como terroristas pode resultar em uma ação militar em território brasileiro.

“A referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional“, diz Vieira.

De acordo com Igor Gadelha, Metrópoles, o chanceler ressalta que não houve comunicação formal do governo americano sobre a decisão. Segundo ele, a medida foi um “ato unilateral” dos EUA, o que desobriga o Brasil a se manifestar formalmente sobre o assunto.

“O processo estadunidense de designação de facções criminosas como organizações terroristas é ato unilateral que, portanto, não requer manifestação formal do governo brasileiro. Ainda assim, o governo brasileiro tem externado sua oposição a essa medida”, afirma.

Riscos ao Brasil
Além de uma eventual ação militar em território brasileiro, o chanceler lista outros problemas que a decisão pode acarretar. Segundo ele, a classificação pode ter “impactos relevantes tanto no plano econômico quanto no da soberania nacional”.

“A designação pode servir para que autoridades estadunidenses apliquem medidas administrativas e judiciais de caráter unilateral e extraterritorial contra pessoas, empresas ou organizações brasileiras, inclusive contra aquelas sem vínculos diretos com os EUA ou cuja ligação com os grupos designados seja indireta ou meramente involuntária. Adicionalmente, tal aplicação pode ocorrer com amplo grau de discricionariedade, dada a amplitude dos termos adotados na legislação de contraterrorismo daquele país, com sérias possibilidades de implicações para cidadãos brasileiros nos planos financeiro, migratório e penal”, explica o chanceler.


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Política

Governo Tarcísio contratou empresa investigada por suspeita de elo com o PCC

Contrato da CPTM foi assinado no mesmo período em que a Operação Carbono Oculto era deflagrada; empresa manteve negócios com outros órgãos do governo paulista

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), vinculada ao governo Tarcísio de Freitas, formalizou em agosto de 2025 um contrato com a Rede Sol Fuel Distribuidora, empresa investigada por suspeitas de ligação com estruturas financeiras apuradas na Operação Carbono Oculto, investigação que mira esquemas de lavagem de dinheiro e supostas conexões com o PCC.

O contrato da CPTM foi assinado no período em que a operação se tornava pública.

Documentos obtidos pela reportagem mostram que o Contrato PE10425-01, destinado ao fornecimento de gasolina à estatal ferroviária, foi assinado entre os dias 25 e 29 de agosto de 2025. O acordo prevê o fornecimento de 25 mil litros de combustível durante 720 dias e possui valor estimado de R$ 162,2 mil.

Embora o contrato da CPTM tenha valor relativamente reduzido, ele foi formalizado no momento em que a investigação já produzia seus primeiros desdobramentos públicos.

Levantamento realizado pelo ICL mostra, porém, que a relação comercial da empresa com o governo paulista vai muito além da CPTM.

Os documentos identificados pela reportagem apontam que a Rede Sol acumulou ao menos R$ 66,8 milhões em contratos e aditivos com órgãos do governo de São Paulo entre 2023 e 2025.

Contrato milionário nas travessias litorâneas
O principal vínculo comercial da empresa com o Estado foi firmado em fevereiro de 2024.

O Departamento Hidroviário, vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, assinou o Contrato nº 10/2024/DH com a Rede Sol para o fornecimento de óleo diesel marítimo e aditivos destinados às embarcações que operam nas travessias litorâneas paulistas.

O valor inicial do contrato foi de R$ 63.678.457,50.

Em abril de 2025, o governo paulista autorizou reajuste contratual após a empresa não aceitar proposta de redução do índice de correção apresentada pela administração estadual. O apostilamento autorizou despesa adicional estimada em R$ 1.183.873,20.

Poucas semanas depois, em maio de 2025, o Estado assinou o primeiro termo aditivo do contrato, elevando seu valor para R$ 66.638.140,50 e prorrogando sua vigência até agosto de 2026.

Em julho de 2025, já durante o avanço das investigações, a Secretaria de Meio Ambiente publicou portaria designando os fiscais responsáveis pela execução do contrato.

Contratos em diferentes áreas do governo
A documentação obtida pela reportagem mostra que a empresa também manteve relações comerciais com outros órgãos estaduais.

Em dezembro de 2023, a Polícia Militar do Estado de São Paulo adjudicou itens de pregão eletrônico à empresa em procedimento conduzido pelo Comando de Policiamento do Interior Nove.

Em maio de 2024, o Instituto de Zootecnia, vinculado à Secretaria de Agricultura, homologou aquisição de óleo diesel da empresa no valor de R$ 57,7 mil.

Em agosto de 2025, nova homologação da Secretaria de Agricultura destinou R$ 23,4 mil à empresa para aquisição de óleo diesel.

Já em novembro de 2024, o Hospital Guilherme Álvaro, da Secretaria da Saúde, homologou compra de óleo diesel para geradores no valor de R$ 18.930.

Contrato da CPTM foi assinado durante a operação
Foi nesse contexto que a CPTM formalizou seu contrato. As assinaturas dos representantes da estatal ocorreram entre os dias 28 e 29 de agosto de 2025. O diretor-presidente da empresa havia assinado o contrato em 25 de agosto.

A contratação ocorreu durante o período em que a Operação Carbono Oculto já se tornava pública e produzia seus primeiros efeitos.

O contrato prevê fornecimento parcelado de combustível ao almoxarifado da companhia na Lapa, em São Paulo, mediante ordens de fornecimento emitidas pela estatal.

O preço do combustível seria calculado com base na média semanal da Agência Nacional do Petróleo (ANP), aplicando-se desconto de 8,1% oferecido pela empresa.

Contrato prevê exigências de integridade
A própria documentação da licitação estabelece uma série de exigências relacionadas à integridade da empresa contratada.

A Rede Sol assinou declaração formal comprometendo-se a cumprir as normas anticorrupção, os códigos de conduta da CPTM e as políticas de integridade da companhia. A empresa também declarou que não realizaria pagamentos indevidos ou práticas fraudulentas.

O contrato determina ainda que a distribuidora mantenha, durante toda a execução do ajuste, as condições de habilitação exigidas na licitação.

Os pagamentos também ficam condicionados à inexistência de registros no Cadin estadual.

Histórico de apurações
A Rede Sol também aparece em um procedimento instaurado pelo Ministério Público de São Paulo.

O procedimento nº 42.0334.0000002/2023-0, em tramitação na Promotoria de Justiça de Mauá, trata de apuração relacionada a improbidade administrativa e supostas irregularidades em procedimento licitatório envolvendo a empresa.

A existência do procedimento antecede em cerca de dois anos a formalização do contrato da CPTM.

Outros contratos com o governo paulista
Embora o foco da reportagem seja o contrato da CPTM, a documentação levantada pelo ICL mostra que a relação comercial da empresa com o governo paulista vai além da estatal ferroviária.

A Rede Sol aparece em atos publicados no Diário Oficial envolvendo:

  • Secretaria de Agricultura e Abastecimento;
  • Secretaria da Saúde;
  • Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística;
  • Departamento Hidroviário.

A empresa também figura em contratos, aditamentos, apostilamentos e homologações publicados entre 2024 e 2025.

Entre os atos identificados estão o Contrato nº 10/2024 do Departamento Hidroviário, seus posteriores apostilamentos e aditamentos, além de aquisições de óleo diesel por diferentes órgãos estaduais.

Os documentos indicam que a empresa manteve relações comerciais contínuas com diversas áreas da administração paulista durante o período em que as investigações sobre o setor de combustíveis avançavam.

Perguntas sem resposta
O ICL Notícias encaminhou questionamentos à CPTM e ao governo do Estado de São Paulo.

A reportagem perguntou se a companhia ou a administração estadual tinham conhecimento das investigações envolvendo a empresa quando o contrato foi formalizado.

Também foram solicitados esclarecimentos sobre eventual análise de integridade ou compliance após a operação; consultas à Secretaria de Transportes Metropolitanos; comunicação com órgãos de controle; abertura de procedimentos internos; reavaliação do contrato; e eventual impacto das investigações sobre as condições de habilitação da empresa.

A reportagem também questionou se a coincidência temporal entre a formalização do contrato e a Operação Carbono Oculto produziu algum tipo de avaliação de risco dentro da administração estadual.

Até a publicação desta reportagem, a CPTM e o governo de São Paulo não haviam se manifestado. O espaço segue aberto.

Contrato permanece em vigor
A vigência do contrato é de 720 dias e a execução ocorre por meio de ordens de fornecimento emitidas pela companhia. O gestor designado pela CPTM é o gerente de logística Leandro Capergiani Moreira, responsável pelo acompanhamento do ajuste e pela interlocução com a empresa contratada.

A principal questão levantada pela documentação analisada pela reportagem não diz respeito ao valor do contrato, mas ao momento de sua formalização: a estatal paulista concluiu a contratação justamente quando a investigação que atingia o setor de combustíveis passava a se tornar pública e a produzir seus primeiros desdobramentos.

Empresa nega vínculos com investigação
A Rede Sol já negou publicamente qualquer relação financeira ou societária com o fundo Mabruk II e com empresas citadas nas investigações que atingiram o setor de combustíveis.

Em nota divulgada em junho deste ano, a companhia afirmou ser “absolutamente inverídica” a informação de que teria mantido relação financeira, econômica ou negocial com o fundo ou com outros agentes mencionados na operação.

A empresa informou que realizou, em novembro de 2023, uma emissão de notas comerciais no valor de R$ 30 milhões, operação que, segundo a companhia, foi conduzida de forma regular e em conformidade com a legislação.

A distribuidora também negou ter emitido debêntures no valor de R$ 190 milhões e afirmou que jamais manteve qualquer relação com o Mabruk II ou com organizações criminosas.

Segundo a nota, todas as informações financeiras relacionadas às operações encontram-se registradas nas demonstrações financeiras auditadas da companhia.

A empresa afirmou ainda que “jamais manteve qualquer relação com o Fundo Mabruk II e, sobretudo, jamais teve ou terá qualquer vínculo com o crime organizado”.

A companhia também sustenta que eventual associação de seu nome ao fundo decorre de interpretação equivocada das investigações.

*Cleber Lourenço/ICL


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‘Pior cenário’: o temor de empresários após EUA designarem PCC e CV como terroristas

A decisão do governo dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas tem provocado preocupação entre empresários e executivos de diversos setores da economia brasileira. Segundo reportagem da revista Exame, representantes dos segmentos financeiro, industrial, energético e varejista avaliam que a medida pode gerar consequências econômicas amplas e até mesmo efeitos contrários aos pretendidos no combate ao crime organizado.

Cinco empresários e executivos ouvidos sob condição de anonimato afirmaram que a classificação das facções como organizações terroristas abre espaço para um cenário de aumento de custos operacionais, endurecimento de regras de compliance e eventual aplicação de sanções contra empresas e instituições brasileiras sem vínculo direto com atividades criminosas.

O Departamento de Estado dos EUA anunciou que PCC e CV passarão oficialmente a integrar a lista de organizações terroristas em 5 de junho. A decisão foi tomada após articulações realizadas nos Estados Unidos pelos irmãos Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro junto a autoridades americanas. O governo brasileiro criticou a medida, classificando-a como uma interferência na soberania nacional e ressaltando que já desenvolve ações de combate ao crime organizado.

Temor de sanções e aumento de controles

Segundo a Exame, uma das principais preocupações do setor privado é que a nova classificação permita que empresas brasileiras sejam alvo de restrições econômicas ou diplomáticas, mesmo sem participação direta em atividades ilícitas.

Executivos do setor financeiro afirmam que bancos, cooperativas de crédito e fintechs poderão ampliar seus mecanismos preventivos para evitar riscos de punições internacionais. Entre as medidas cogitadas estariam critérios mais rígidos para abertura e manutenção de contas, o que poderia dificultar o acesso de parte da população ao sistema financeiro formal.

Também existe preocupação com possíveis impactos sobre o Pix. O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro já é alvo de críticas de autoridades americanas e integra discussões conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que investiga práticas consideradas potencialmente prejudiciais à concorrência de empresas americanas do setor de pagamentos.

Relações comerciais sob escrutínio

Outro receio manifestado por empresários é a possibilidade de sanções atingirem companhias que tenham realizado, mesmo de forma indireta ou ocasional, transações com pessoas ou empresas posteriormente associadas a organizações criminosas.

Segundo a matéria, a crescente sofisticação das redes financeiras ligadas ao crime organizado torna difícil identificar previamente eventuais conexões entre investidores, fundos e atividades ilícitas. Nesse contexto, executivos argumentam que punições contra instituições financeiras poderiam gerar efeitos econômicos significativos sem necessariamente enfraquecer as facções.

Preocupação com uso político das sanções

Fontes ouvidas pela revista também demonstraram preocupação com a possibilidade de instrumentos destinados ao combate ao terrorismo serem utilizados de forma política. De acordo com o DCM, como exemplo, citaram a aplicação de sanções dos Estados Unidos contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, em 2025, por meio da chamada Lei Magnitsky.

Na avaliação de parte do empresariado, o uso ampliado desse tipo de mecanismo pode aumentar a insegurança jurídica e afetar investimentos e negócios no Brasil.

Apesar das preocupações, os executivos consultados pela Exame evitam se manifestar publicamente sobre o tema. Segundo a reportagem, muitos temem que críticas à decisão do governo americano sejam interpretadas como defesa ou tolerância em relação às facções criminosas, em um ambiente político altamente polarizado.


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O PCC que atormenta Trump, é o Partido Comunista Chinês

Os Estados Unidos são, disparado, o país que mais consome e comercializa drogas no mundo. Ou seja, o maior consumo absoluto e financeiro está justamente lá.

O país, presidido por Donald Trump, é o principal destino financeiro do narcotráfico global. Conforme dados compilados pelo Escritório das Nações Unidas sobre drogas e crime organizado, os EUA enfrentam uma grave crise de saúde pública.

O consumo de fentanil e outros sintéticos gera um mercado de bilhões de dólares e altos índices de overdose.

Os EUA são, historicamente, considerados o maior mercado consumidor de drogas ilícitas no mundo em valores econômicos e volume absluto. O país também lidera o comércio financeiro do narcotráfico pelo alto poder aquisitivo da população e pela forte demanda por opióides sintéticos, como fentanil e cocaína.

O cenário global do tráfico e consumo divide-se de forma específica entre consumo proporcional e comercialização e os EUA são o líder de todos esses quesitos.

Por isso, terceirizam a produção para o México e Colômbia e pulverizam a distribuição das drogas por todo o território norte-americano debaixo das barbas da CIA, do FBI, etc.

Se os EUA não conseguem resolver esse gigantesco comércio e consumo dentro do próprio território, como quer resolver essa questão em país alheio?

Aliás, essa é a principal crítica feita por especialistas em segurança pública e relações internacionais à política externa dos EUA.

É de fato uma estrondosa contradição entre suas ações internas e externas.

A tal guerra às drogas, que os americanos fantasiam, é uma balela estratégica para se meter em outros países, impondo sanções econômicas e classificando grupos estrangeiros como terroristas, como faz agora com o Brasil.

Na verdade, no caso brasileiro, além do olho gordo de Trump nas terras raras, na Amazônia, no petróleo e até mesmo na água, a China, a maior parceira comercial do Brasil, tendo o nosso país como principal destino de seus investimentos, que chegam a 10%, é o grande calcanhar de Aquiles dos EUA.

Pouco ou nada adianta Trump ficar nesse cerca frango para impedir a China de continuar a tratorar a economia americana, porque não tem capacidade nenhuma de disputar o mercado global com ela.

Os problemas são muitos e se acumulam e detonam o próprio mandato de Trump, que hoje vê a inflação americana crescer, a economia estagnar e, logicamente, sua rejeição explodir, tendo apenas 32% de aprovação.

Para os americanos, o demônio é muito mais feio que o próprio pinta.

Mas a coisa não para por aí, para Trump seguir tentando ficar de pé com o populismo que lhe é peculiar, sua situação política fica cada vez pior, sobretudo com o fracasso da política de tarifas, que não aterou em nada positivamente os números da economia americana, somado à humilhante derrota da bradada super potência para o Irã, tendo que sair do país persa com o rabo entre as pernas.

E se não pode militarmente com o Irã, que fará com a China.

Que fique claro que o problema de Trump não é o PCC brasileiro (Primeiro Comando da Capital), mas sim, o PCC chinês (Partido Comunista Chinês), que avança de forma cada vez mais acelerada em Inteligência Artificial, transição energética, semicondutores e domínio do mercado global de veículos elétricos, pressionando a liderança tecnológica de Washington.

Ou seja, não tem nada de Flavio, comparsa de narcomilicianos e outros bichos soltos com relações pesadas com o PCC nativo e com o Comando Vermelho.


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Em pacto com bolsonarismo, Trump põe Brasil no foco de sua ‘guerra’ pela América Latina

Decisão de designar PCC e CV como terroristas é parte da estratégia da Casa Branca de controle militar na América Latina

Com Flávio Bolsonaro e a extrema direita brasileira, o governo de Donald Trump anuncia que designarão os grupos criminosos PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras, abrindo o caminho para adotar sanções e mesmo medidas militares contra os criminosos. Ao classificar os grupos como terroristas, o governo dos EUA também transforma suas bases e operações em alvos legítimos de um ataque militar, mesmo em território estrangeiro, e transforma o Brasil no foco de sua doutrina de controle da América Latina.

Nos últimos meses, documentos da Casa Branca explicitaram que havia uma intenção deliberada de militarizar a região e colocar os cartéis como foco do combate contra o terrorismo internacional. Combater o PCC e o CV, portanto, passou a ser apenas um argumento para chegar a esses objetivos.

Pela doutrina americana, o combate ao terrorismo internacional justifica ações em qualquer parte do mundo, inclusive violando a soberania de países.

Para representantes do alto escalão do Palácio do Planalto, a decisão de Trump agora coloca o Brasil como alvo de sua “guerra”.

Bomba atômica
A decisão une, no fundo, os interesses bolsonaristas à estratégia militar de Trump. O gesto foi interpretado pelo governo brasileiro como uma tentativa de Flávio Bolsonaro de usar uma ‘bomba atômica’ para salvar sua candidatura para presidente e tentar, assim, enterrar a crise envolvendo sua relação com Daniel Vorcaro.

O recurso à designação do crime organizado como grupos terroristas ainda é a esperança do bolsonarismo para obrigar o país inteiro a debater a nova realidade no cenário político nacional, deixando suas polêmicas em segundo plano.

O trunfo de Flávio foi ainda visto como uma manobra para se apresentar como a suposta liderança para tratar de crime organizado e ainda sufoca outros nomes da direita que, diante de sua crise com Vorcaro, esperavam que ele abandonasse a corrida.

Para o governo brasileiro, porém, o gesto é tanto uma ingerência na eleição brasileira como uma violação da soberania.

Flávio Bolsonaro não tinha viagem planejada para os EUA. Mas, diante dos questionamentos até mesmo por aliados sobre a viabilidade de sua candidatura, o filho do ex-presidente tentou um “tudo ou nada” em Washington.

Com o anúncio, o PCC e o CV entraram numa lista que já inclui mais de uma dezena de outras organizações criminosas da região. São elas:

México: Cartel de Sinaloa, Cartel Jalisco Nova Geração , Cartel do Golfo, Los Zetas;
Colômbia: Clã do Golfo;
Haiti: G9 e Família;
Equador: Los Choneros.

A decisão ainda corre o risco de abalar a suposta “boa química” que existiria entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O combate ao crime organizado foi um dos principais pontos da reunião entre os dois líderes, há duas semanas.

Mas uma decisão dessa natureza ameaça descarrilhar o trabalho diplomático de aproximação. O governo brasileiro acreditava que havia neutralizado o risco ao propor um programa conjunto para lidar com o crime organizado.

A pauta não se limita ao combate ao crime. Entre diplomatas, o tema é também um instrumento político de pressão. A classificação como terroristas era uma reivindicação de bolsonaristas que, ao colocar o tema como centro da relação com o Brasil, buscam o envolvimento direto do governo Trump na agenda doméstica do país.

Flávio Bolsonaro chegou a sugerir a necessidade de uma ação americana em território brasileiro. Ele recebeu uma delegação americana ainda em 2025 para debater o tema e deu seu sinal favorável à medida. Um suposto dossiê ainda foi preparado pelo governo de Cláudio Castro, no Rio de Janeiro, e mandado para a Casa Branca, com detalhes sobre os grupos criminosos.

Dentro do governo, existe ainda a suspeita de que informações possam ter sido passadas pelo ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem, e que hoje vive nos EUA.

Ao ICL Notícias, a chefia da Polícia Federal confirmou que sequer aceitou receber essa delegação do Departamento de Estado norte-americano, em 2025, que queria convencer o Brasil a também classificar os grupos como terroristas. A delegação acabou sendo recebida pelo Ministério da Justiça e pelo Itamaraty e, em ambos, ouviu que o Brasil não seguiria na mesma linha.

Em 2025, um informe do Departamento de Estado norte-americano obtido pela reportagem indicou que “a organização criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC) e cartéis do México e da Colômbia intensificaram suas atividades na Bolívia”. “Esses atores representam novos e significativos desafios para o controle do narcotráfico na Bolívia”, disse.

Num outro trecho, o informa aponta que “as organizações transnacionais de narcotráfico, especialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC), representam a principal ameaça à segurança nacional do Brasil”. “Segundo a Polícia Federal (PF), o PCC opera em 22 dos 27 estados brasileiros e atua em pelo menos 16 países ao redor do mundo, incluindo os Estados Unidos”, apontou.

Alvo militar e sanções
Um dos temores das autoridades brasileiras é de que, com a designação, as operações do PCC e do CV se transformem em alvos legítimos de ataques militares dos EUA.

Semanas depois de designar grupos colombianos como terroristas, o governo Trump intensificou os ataques contra barcos na costa do país sul-americano.

Nas últimas semanas, o governo Trump lançou ofensivas contra o narcotráfico no México e no Equador. Em ambos, o discurso foi de que se tratou de uma operação conjunta. Mas, entre latino-americanos, a “cooperação” é apenas uma forma de os governos locais se justificarem diante de suas populações.

Trump ainda sinalizou seu interesse em transformar o tema do narcotráfico num instrumento de controle da região. O americano, ao lado de uma dezena de países latino-americanos em março, anunciou a criação de uma “aliança” militar contra os grupos criminosos.

Seu discurso foi revelador. Num certo momento, ele explicou que fará com o narcotráfico o mesmo que os EUA fizeram com o Estado Islâmico. Ou seja, bombardear em territórios estrangeiros.

Em um tom de brincadeira, ele ainda avisou aos demais presidentes da região: “vocês querem mísseis? Posso também bombardear. Esses mísseis são precisos”.

*Jamil Chade/ICL

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Crime organizado, carimbo de terrorista

Casa Branca classifica o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações que propagam o terror, e abre caminho para ações unilaterais de forças de segurança dos EUA. Para Celso Amorim, ato é “pretexto para intervenção”

Em nota oficial, Marco Rubio afirma que os EUA vão usar “todas as ferramentas disponíveis para garantir a segurança do povo americano”

O governo dos Estados Unidos (EUA) decidiu denominar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como “organizações terroristas estrangeiras”. O ato é similar ao adotado pela Casa Branca para classificar quadrilhas ligadas ao narcotráfico no México e na Venezuela como grupos que praticam o terror a nível internacional. A decisão foi emitida por meio de um comunicado assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, um dos principais nomes do governo do presidente Donald Trump.

“O Comando Vermelho e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, eles comandam milhares de integrantes e orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis. Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, alcançando toda a nossa região e, também, o nosso país”, sustenta Rubio, na nota.

O instrumento utilizado pelo governo norte-americano para definir os grupos como terroristas é a Ordem Executiva 13.224 — editada pelo presidente George W. Bush logo após o ataque ao World Trade Center, em setembro de 2001. O objetivo da norma é facilitar a ação dos Estados Unidos para desmantelar grupos terroristas fora das fronteiras do país, mas que geram uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia” dos EUA.

Ainda de acordo com a nota publicada ontem, o Departamento de Estado informou que o governo Trump seguirá utilizando “todas as ferramentas disponíveis” para proteger a nação e os interesses de segurança nacional do país, “mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo as fontes de receita que financiam narcoterroristas violentos”. A medida entra em vigor, oficialmente, em 5 de junho.

Amorim responde
No Brasil, não houve resposta oficial do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o fechamento desta edição. Mesmo assim, o assessor-chefe da Assessoria Especial do presidente, Celso Amorim, comentou sobre a medida no Fórum Internacional de Segurança, em Moscou, na Rússia. Segundo ele, a iniciativa norte-americana pode servir de “pretexto para intervenção” no Brasil, reforçando a preocupação já manifestada pelo próprio Lula e outros membros do governo.

“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável”, afirmou o secretário.

*Correio Braziliense

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EUA manda aviso ao Brasil sobre ofensiva que fará contra CV e PCC

O governo dos Estados Unidos enviou recado ao presidente do Banco Central do Brasil sobre ofensiva que pretende fazer contra as facções

O governo dos Estados Unidos (EUA) enviou recado ao presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, sobre ofensiva que pretende fazer contra as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em reunião com Galípolo, autoridades norte-americanas avisaram que Washington caminha para classificar CV e PCC como organizações terroristas, a despeito da resistência da administração Lula. O Departamento de Estado argumenta que esses grupos movimentam grandes quantias por meio de lavagem de dinheiro e que o aumento do rigor, por meio da nova classificação, facilitará a asfixia financeira.

Somente o Brasil foi avisado com antecedência, tendo em vista que há países que não foram informados previamente sobre a medida. O México, por exemplo, não recebeu tal comunicado antes de a Casa Branca classificar seis grandes cartéis como terroristas.

Isso permite o congelamento imediato de ativos em solo americano e proíbe qualquer entidade ou indivíduo sob jurisdição dos EUA de fornecer suporte material, o que cria barreira para a utilização do sistema bancário global por essas facções.

O Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça e Segurança Pública tradicionalmente defendem que o enfrentamento ao crime organizado deve ser tratado sob a ótica da cooperação policial, a abordagem de Washington eleva a questão ao nível de ameaça à segurança nacional.

A resistência do governo Lula consiste na preocupação de que tal classificação possa abrir precedentes para intervenções externas ou sanções indiretas que afetem a soberania nacional, a economia doméstica e o setor de turismo.


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Política

Tarcísio jantou e tirou fotos com empresário do funk preso por ligação com PCC

O encontro ocorreu em 2025, em meio a articulações políticas do atual governador de São Paulo

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) participou de um jantar e tirou fotos com o empresário do funk Rodrigo Inácio de Lima Oliveira, da GR6 Explode, preso na terça-feira (15) na Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, que mirou um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).

“Nosso país estaria muito melhor se tivéssemos mais pessoas como você. Que cara f*!”, escreveu Oliveira no Instagram, na ocasião, ao publicar uma série de fotos com o governador.

O jantar ocorreu em 12 de agosto do ano passado, na casa do cantor Latino. O músico, apoiador do governador, buscava aproximar Tarcísio de empresários do ramo do entretenimento e de outros setores. Foram servidos carneiro e vinho.

A reportagem procurou Tarcísio para falar sobre o encontro, mas ainda não teve resposta.

A assessoria de imprensa do Palácio dos Bandeirantes foi procurada por e-mail e por telefone por volta das 13h, com pedido de posicionamento do governador. Por telefone, a assessoria informou que enviaria uma resposta até as 14h, prazo solicitado pela reportagem, o que não ocorreu.

A Secretaria de Comunicação também foi procurada por mensagem via WhatsApp, às 12h50, mas não respondeu.

Segundo a PF, a Operação Narco Fluxo teve o objetivo de “desarticular associação criminosa voltada à movimentação ilícita de valores mediante criptoativos no Brasil e no exterior”.

Oliveira e outros empresários do funk foram alvos da operação devido à suspeita de que agenciariam artistas que ocultariam valores do tráfico.

Os principais alvos da ação de terça-feira foram os músicos MC Ryan e MC Poze do Rodo, cujas defesas negam as acusações. “O volume financeiro movimentado pelo grupo ultrapassa R$ 1,6 bilhão”, disse a PF. A defesa de Oliveira contesta a acusação, dizendo que os repasses do empresário aos demais alvos da operação se referiram a pagamentos decorrentes de sua atividade musical.

Mais de 200 policiais federais cumpriram 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos. A prisão de Oliveira foi confirmada pela Folha com sua defesa.

Na ocasião do encontro entre Tarcísio e Oliveira, o governador era cotado como um possível candidato à Presidência. “Quanta honra poder receber o nosso (quem sabe!) futuro presidente e atual governador de SP aqui em casa numa noite tão agradável, ao lado de amigos e empresários. Foi épico!!”, escreveu Latino, que também publicou fotos do jantar.

Embora Tarcísio negasse, seus aliados, na época, viam em encontros dessa natureza tentativas de viabilizar sua candidatura presidencial, em uma aproximação com possíveis apoiadores — o governador era criticado por bolsonaristas.

Uma semana antes, em 7 de agosto, o governador havia ido a Brasília e visitado o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que estava em prisão domiciliar e, no mesmo dia, ao lado dos governadores de oposição, fez um discurso cobrando ações do governo Lula (PT) contra o tarifaço imposto ao Brasil, naquele período, por Donald Trump.

Em dezembro, Bolsonaro indicou seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como seu candidato, e Tarcísio reafirmou que disputaria a reeleição em São Paulo.

Oliveira tentou entrar na política em 2016, quando foi candidato a vereador na capital paulista pelo extinto PSL (partido que se fundiu ao DEM em 2021 para formar o União Brasil) e, em 2024, pediu votos para Ricardo Nunes (MDB) em São Paulo.

O empresário é defendido pelos advogados criminalistas José Luis Oliveira Lima e Bruno Dallari Oliveira Lima.

Por meio de nota, sua defesa afirma que “no âmbito da Operação Narco Fluxo, os valores e transações financeiras mencionados referem-se a relações comerciais lícitas e regulares, inerentes à atividade empresarial da companhia, todas devidamente formalizadas e respaldadas por contratos e documentação fiscal”.

“A GR6 e seu sócio reiteram que não houve a prática de qualquer ato ilícito e seguem à disposição das autoridades competentes, colaborando integralmente com a investigação e prestando os esclarecimentos necessários”, segue o texto.

“Rodrigo Oliveira e a GR6 reafirmam, ainda, seu compromisso com a legalidade, a transparência e a condução ética e responsável de suas atividades”, conclui a nota.


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Política

O esgoto do clã Bolsonaro: PT aciona TSE contra Flávio e Carlos Bolsonaro por vídeos que ligam Lula ao PCC

O Partido dos Trabalhadores (PT), por meio da Federação Brasil da Esperança, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o senador Flávio Bolsonaro, o agora ex-vereador Carlos Bolsonaro e o Partido Liberal (PL). A ação, protocolada nesta segunda-feira (16), trata de três vídeos publicados nas redes sociais que associam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os conteúdos foram divulgados pelos irmãos Bolsonaro e pelo PL no Instagram em 10 de março. Segundo a federação, os vídeos apresentam acusações sem base factual.

O pedido inclui a concessão de liminar para retirada imediata dos conteúdos no prazo de 24 horas. Além disso, a ação solicita a aplicação de multa aos responsáveis pelas postagens. Pela legislação eleitoral, casos de propaganda antecipada podem resultar em penalidades entre R$ 5 mil e R$ 30 mil, sendo requerido o valor máximo.

A representação também menciona que um dos vídeos reutiliza um áudio de 2019 já analisado pela Justiça Eleitoral, que não comprovou ligação entre o PT e organizações criminosas.

Governo Lula no combate ao crime organizado
A representação também ressalta que a estratégia de desinformação ignora a realidade das políticas públicas adotadas pelo governo Lula no combate ao crime organizado. Dados apresentados na ação apontam que operações da Polícia Federal desmobilizaram mais de R$ 9,6 bilhões em ativos do crime organizado apenas em 2025, além de um prejuízo acumulado superior a R$ 20 bilhões às organizações criminosas desde o início da atual gestão.

A petição cita ainda a ampliação de investimentos em segurança pública, com mais de R$ 3 bilhões destinados aos fundos nacionais de segurança e do sistema penitenciário, bem como o reforço das operações de repressão ao tráfico e ao contrabando nas fronteiras e rodovias federais.

Para a federação, esses dados evidenciam que a narrativa propagada nos vídeos não apenas é falsa, mas contradiz frontalmente as ações concretas do governo federal no enfrentamento ao crime organizado.

Os advogados também argumentam que campanhas de desinformação como essa prejudicam o próprio funcionamento da democracia, pois contaminam o debate público com acusações sem base factual. Ao difundir informações falsas em larga escala, afirmam, acabam criando “realidades paralelas” que impedem que o eleitor forme sua opinião com base em fatos.

*PT


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Brasil Mundo

EUA pedem que Brasil receba estrangeiros presos e cobra plano contra PCC e CV

Transferência de presos seguiria modelo de El Salvador; demanda faz parte de proposta de cooperação em segurança a ser anunciada em visita de Lula à Casa Branca

O governo Trump propôs que o Brasil receba em prisões brasileiras os estrangeiros capturados nos EUA, tal como faz El Salvador em sua penitenciária de alta segurança Cecot. A demanda faz parte da proposta americana de cooperação em combate a organizações criminosas transnacionais em negociação entre os dois governos. A cooperação seria o grande anúncio da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o americano Donald Trump. A visita estava programada para março, mas só deve sair em abril.

Os EUA também querem que o Brasil apresente ao governo americano um plano para acabar com o PCC, o CV, o Hezbollah e as organizações criminosas chinesas em solo brasileiro, segundo um alto funcionário americano informou à reportagem. O governo Trump pede também que o Brasil compartilhe com autoridades americanas informações, incluindo dados biométricos, de estrangeiros buscando refúgio e refugiados no país. Isso seria parte de medidas para combater a criminalidade transnacional e bloquear a imigração em massa passando por portos e fronteiras brasileiros.

As demandas fazem parte da contraproposta enviada pelos americanos em resposta ao plano de cooperação apresentado pelo governo brasileiro. A cooperação foi sugerida pelo presidente Lula a Trump durante telefonema no ano passado que selou a trégua das tensões entre os dois países em decorrência do tarifaço.

Plano proposto
O Brasil havia proposto um plano de combate ao crime transnacional com quatro pontos principais. Um deles era cooperação para combater a lavagem de dinheiro, mirando criminosos brasileiros que transferem recursos para empresas de fachada no estado de Delaware, espécie de paraíso fiscal nos EUA. Outro era bloqueio de ativos nos EUA provenientes de recursos ilícitos de brasileiros que cometeram crimes no Brasil, com aumento de cooperação entre a Receita Federal e o Internal Revenue Service. Também aumentar a colaboração entre autoridades alfandegárias e apertar a fiscalização no tráfico de armas que abastecem facções como CV e PCC e intensificar o intercâmbio de informações sobre transações em criptoativos.

As demandas americanas foram feitas em resposta à proposta brasileira e não foram aceitas pelo Brasil, que está em processo de negociação com as autoridades dos EUA. Os funcionários dos dois governos correm contra o tempo para fechar uma proposta aceitável para os dois países para ser apresentada pelos dois presidentes na visita a Washington.

De acordo com Patrícia Campos Mello, ICL, o governo brasileiro tenta evitar que os EUA anunciem a designação do CV e do PCC como organizações terroristas. De acordo com reportagem do UOL, Washington já decidiu classificar as facções como terroristas.

Visão de Lula e futuro
Na visão do governo Lula, a designação abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro. O governo teme ainda a exploração política do tema pelos bolsonaristas durante a campanha eleitoral.

Desde segunda-feira (9), o presidente se dedica a reuniões em busca de uma alternativa à proposta americana, que, segundo aliados do petista, abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro. O governo teme ainda a exploração política dos bolsonaristas e tenta traçar uma estratégia de comunicação para explicar por que resiste à ideia.

Como a Folha de S.Paulo mostrou em uma série de reportagens, o CV e o PCC já estão presentes em todos os estados brasileiros e exercem hegemonia em ao menos 13 deles. As facções também expandiram sua atuação para além das fronteiras: o CV mantém negócios com ao menos oito países da América Latina, enquanto o PCC tem presença em ao menos 16 nações.


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