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CV e PCC terroristas: Itamaraty admite risco de ação militar dos EUA no Brasil

Em documento, Itamaraty diz que classificação de CV e PCC como terroristas pode resultar em ação militar dos EUA em território brasileiro

Em um documento assinado pelo próprio chanceler Mauro Vieira, o Itamaraty admitiu o temor de os Estados Unidos utilizarem a força militar no Brasil por causa da classificação do Comando Vermelho (CV) e do PCC como organizações terroristas.

A informação consta em uma resposta do Itamaraty a um pedido de informação feito pela Câmara. No documento, o chanceler admite que a decisão dos EUA de classificar as duas facções como terroristas pode resultar em uma ação militar em território brasileiro.

“A referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional“, diz Vieira.

De acordo com Igor Gadelha, Metrópoles, o chanceler ressalta que não houve comunicação formal do governo americano sobre a decisão. Segundo ele, a medida foi um “ato unilateral” dos EUA, o que desobriga o Brasil a se manifestar formalmente sobre o assunto.

“O processo estadunidense de designação de facções criminosas como organizações terroristas é ato unilateral que, portanto, não requer manifestação formal do governo brasileiro. Ainda assim, o governo brasileiro tem externado sua oposição a essa medida”, afirma.

Riscos ao Brasil
Além de uma eventual ação militar em território brasileiro, o chanceler lista outros problemas que a decisão pode acarretar. Segundo ele, a classificação pode ter “impactos relevantes tanto no plano econômico quanto no da soberania nacional”.

“A designação pode servir para que autoridades estadunidenses apliquem medidas administrativas e judiciais de caráter unilateral e extraterritorial contra pessoas, empresas ou organizações brasileiras, inclusive contra aquelas sem vínculos diretos com os EUA ou cuja ligação com os grupos designados seja indireta ou meramente involuntária. Adicionalmente, tal aplicação pode ocorrer com amplo grau de discricionariedade, dada a amplitude dos termos adotados na legislação de contraterrorismo daquele país, com sérias possibilidades de implicações para cidadãos brasileiros nos planos financeiro, migratório e penal”, explica o chanceler.


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‘Pior cenário’: o temor de empresários após EUA designarem PCC e CV como terroristas

A decisão do governo dos Estados Unidos de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas tem provocado preocupação entre empresários e executivos de diversos setores da economia brasileira. Segundo reportagem da revista Exame, representantes dos segmentos financeiro, industrial, energético e varejista avaliam que a medida pode gerar consequências econômicas amplas e até mesmo efeitos contrários aos pretendidos no combate ao crime organizado.

Cinco empresários e executivos ouvidos sob condição de anonimato afirmaram que a classificação das facções como organizações terroristas abre espaço para um cenário de aumento de custos operacionais, endurecimento de regras de compliance e eventual aplicação de sanções contra empresas e instituições brasileiras sem vínculo direto com atividades criminosas.

O Departamento de Estado dos EUA anunciou que PCC e CV passarão oficialmente a integrar a lista de organizações terroristas em 5 de junho. A decisão foi tomada após articulações realizadas nos Estados Unidos pelos irmãos Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro junto a autoridades americanas. O governo brasileiro criticou a medida, classificando-a como uma interferência na soberania nacional e ressaltando que já desenvolve ações de combate ao crime organizado.

Temor de sanções e aumento de controles

Segundo a Exame, uma das principais preocupações do setor privado é que a nova classificação permita que empresas brasileiras sejam alvo de restrições econômicas ou diplomáticas, mesmo sem participação direta em atividades ilícitas.

Executivos do setor financeiro afirmam que bancos, cooperativas de crédito e fintechs poderão ampliar seus mecanismos preventivos para evitar riscos de punições internacionais. Entre as medidas cogitadas estariam critérios mais rígidos para abertura e manutenção de contas, o que poderia dificultar o acesso de parte da população ao sistema financeiro formal.

Também existe preocupação com possíveis impactos sobre o Pix. O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro já é alvo de críticas de autoridades americanas e integra discussões conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que investiga práticas consideradas potencialmente prejudiciais à concorrência de empresas americanas do setor de pagamentos.

Relações comerciais sob escrutínio

Outro receio manifestado por empresários é a possibilidade de sanções atingirem companhias que tenham realizado, mesmo de forma indireta ou ocasional, transações com pessoas ou empresas posteriormente associadas a organizações criminosas.

Segundo a matéria, a crescente sofisticação das redes financeiras ligadas ao crime organizado torna difícil identificar previamente eventuais conexões entre investidores, fundos e atividades ilícitas. Nesse contexto, executivos argumentam que punições contra instituições financeiras poderiam gerar efeitos econômicos significativos sem necessariamente enfraquecer as facções.

Preocupação com uso político das sanções

Fontes ouvidas pela revista também demonstraram preocupação com a possibilidade de instrumentos destinados ao combate ao terrorismo serem utilizados de forma política. De acordo com o DCM, como exemplo, citaram a aplicação de sanções dos Estados Unidos contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, em 2025, por meio da chamada Lei Magnitsky.

Na avaliação de parte do empresariado, o uso ampliado desse tipo de mecanismo pode aumentar a insegurança jurídica e afetar investimentos e negócios no Brasil.

Apesar das preocupações, os executivos consultados pela Exame evitam se manifestar publicamente sobre o tema. Segundo a reportagem, muitos temem que críticas à decisão do governo americano sejam interpretadas como defesa ou tolerância em relação às facções criminosas, em um ambiente político altamente polarizado.


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Em pacto com bolsonarismo, Trump põe Brasil no foco de sua ‘guerra’ pela América Latina

Decisão de designar PCC e CV como terroristas é parte da estratégia da Casa Branca de controle militar na América Latina

Com Flávio Bolsonaro e a extrema direita brasileira, o governo de Donald Trump anuncia que designarão os grupos criminosos PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras, abrindo o caminho para adotar sanções e mesmo medidas militares contra os criminosos. Ao classificar os grupos como terroristas, o governo dos EUA também transforma suas bases e operações em alvos legítimos de um ataque militar, mesmo em território estrangeiro, e transforma o Brasil no foco de sua doutrina de controle da América Latina.

Nos últimos meses, documentos da Casa Branca explicitaram que havia uma intenção deliberada de militarizar a região e colocar os cartéis como foco do combate contra o terrorismo internacional. Combater o PCC e o CV, portanto, passou a ser apenas um argumento para chegar a esses objetivos.

Pela doutrina americana, o combate ao terrorismo internacional justifica ações em qualquer parte do mundo, inclusive violando a soberania de países.

Para representantes do alto escalão do Palácio do Planalto, a decisão de Trump agora coloca o Brasil como alvo de sua “guerra”.

Bomba atômica
A decisão une, no fundo, os interesses bolsonaristas à estratégia militar de Trump. O gesto foi interpretado pelo governo brasileiro como uma tentativa de Flávio Bolsonaro de usar uma ‘bomba atômica’ para salvar sua candidatura para presidente e tentar, assim, enterrar a crise envolvendo sua relação com Daniel Vorcaro.

O recurso à designação do crime organizado como grupos terroristas ainda é a esperança do bolsonarismo para obrigar o país inteiro a debater a nova realidade no cenário político nacional, deixando suas polêmicas em segundo plano.

O trunfo de Flávio foi ainda visto como uma manobra para se apresentar como a suposta liderança para tratar de crime organizado e ainda sufoca outros nomes da direita que, diante de sua crise com Vorcaro, esperavam que ele abandonasse a corrida.

Para o governo brasileiro, porém, o gesto é tanto uma ingerência na eleição brasileira como uma violação da soberania.

Flávio Bolsonaro não tinha viagem planejada para os EUA. Mas, diante dos questionamentos até mesmo por aliados sobre a viabilidade de sua candidatura, o filho do ex-presidente tentou um “tudo ou nada” em Washington.

Com o anúncio, o PCC e o CV entraram numa lista que já inclui mais de uma dezena de outras organizações criminosas da região. São elas:

México: Cartel de Sinaloa, Cartel Jalisco Nova Geração , Cartel do Golfo, Los Zetas;
Colômbia: Clã do Golfo;
Haiti: G9 e Família;
Equador: Los Choneros.

A decisão ainda corre o risco de abalar a suposta “boa química” que existiria entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O combate ao crime organizado foi um dos principais pontos da reunião entre os dois líderes, há duas semanas.

Mas uma decisão dessa natureza ameaça descarrilhar o trabalho diplomático de aproximação. O governo brasileiro acreditava que havia neutralizado o risco ao propor um programa conjunto para lidar com o crime organizado.

A pauta não se limita ao combate ao crime. Entre diplomatas, o tema é também um instrumento político de pressão. A classificação como terroristas era uma reivindicação de bolsonaristas que, ao colocar o tema como centro da relação com o Brasil, buscam o envolvimento direto do governo Trump na agenda doméstica do país.

Flávio Bolsonaro chegou a sugerir a necessidade de uma ação americana em território brasileiro. Ele recebeu uma delegação americana ainda em 2025 para debater o tema e deu seu sinal favorável à medida. Um suposto dossiê ainda foi preparado pelo governo de Cláudio Castro, no Rio de Janeiro, e mandado para a Casa Branca, com detalhes sobre os grupos criminosos.

Dentro do governo, existe ainda a suspeita de que informações possam ter sido passadas pelo ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagem, e que hoje vive nos EUA.

Ao ICL Notícias, a chefia da Polícia Federal confirmou que sequer aceitou receber essa delegação do Departamento de Estado norte-americano, em 2025, que queria convencer o Brasil a também classificar os grupos como terroristas. A delegação acabou sendo recebida pelo Ministério da Justiça e pelo Itamaraty e, em ambos, ouviu que o Brasil não seguiria na mesma linha.

Em 2025, um informe do Departamento de Estado norte-americano obtido pela reportagem indicou que “a organização criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC) e cartéis do México e da Colômbia intensificaram suas atividades na Bolívia”. “Esses atores representam novos e significativos desafios para o controle do narcotráfico na Bolívia”, disse.

Num outro trecho, o informa aponta que “as organizações transnacionais de narcotráfico, especialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC), representam a principal ameaça à segurança nacional do Brasil”. “Segundo a Polícia Federal (PF), o PCC opera em 22 dos 27 estados brasileiros e atua em pelo menos 16 países ao redor do mundo, incluindo os Estados Unidos”, apontou.

Alvo militar e sanções
Um dos temores das autoridades brasileiras é de que, com a designação, as operações do PCC e do CV se transformem em alvos legítimos de ataques militares dos EUA.

Semanas depois de designar grupos colombianos como terroristas, o governo Trump intensificou os ataques contra barcos na costa do país sul-americano.

Nas últimas semanas, o governo Trump lançou ofensivas contra o narcotráfico no México e no Equador. Em ambos, o discurso foi de que se tratou de uma operação conjunta. Mas, entre latino-americanos, a “cooperação” é apenas uma forma de os governos locais se justificarem diante de suas populações.

Trump ainda sinalizou seu interesse em transformar o tema do narcotráfico num instrumento de controle da região. O americano, ao lado de uma dezena de países latino-americanos em março, anunciou a criação de uma “aliança” militar contra os grupos criminosos.

Seu discurso foi revelador. Num certo momento, ele explicou que fará com o narcotráfico o mesmo que os EUA fizeram com o Estado Islâmico. Ou seja, bombardear em territórios estrangeiros.

Em um tom de brincadeira, ele ainda avisou aos demais presidentes da região: “vocês querem mísseis? Posso também bombardear. Esses mísseis são precisos”.

*Jamil Chade/ICL

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EUA manda aviso ao Brasil sobre ofensiva que fará contra CV e PCC

O governo dos Estados Unidos enviou recado ao presidente do Banco Central do Brasil sobre ofensiva que pretende fazer contra as facções

O governo dos Estados Unidos (EUA) enviou recado ao presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, sobre ofensiva que pretende fazer contra as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em reunião com Galípolo, autoridades norte-americanas avisaram que Washington caminha para classificar CV e PCC como organizações terroristas, a despeito da resistência da administração Lula. O Departamento de Estado argumenta que esses grupos movimentam grandes quantias por meio de lavagem de dinheiro e que o aumento do rigor, por meio da nova classificação, facilitará a asfixia financeira.

Somente o Brasil foi avisado com antecedência, tendo em vista que há países que não foram informados previamente sobre a medida. O México, por exemplo, não recebeu tal comunicado antes de a Casa Branca classificar seis grandes cartéis como terroristas.

Isso permite o congelamento imediato de ativos em solo americano e proíbe qualquer entidade ou indivíduo sob jurisdição dos EUA de fornecer suporte material, o que cria barreira para a utilização do sistema bancário global por essas facções.

O Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça e Segurança Pública tradicionalmente defendem que o enfrentamento ao crime organizado deve ser tratado sob a ótica da cooperação policial, a abordagem de Washington eleva a questão ao nível de ameaça à segurança nacional.

A resistência do governo Lula consiste na preocupação de que tal classificação possa abrir precedentes para intervenções externas ou sanções indiretas que afetem a soberania nacional, a economia doméstica e o setor de turismo.


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EUA pedem que Brasil receba estrangeiros presos e cobra plano contra PCC e CV

Transferência de presos seguiria modelo de El Salvador; demanda faz parte de proposta de cooperação em segurança a ser anunciada em visita de Lula à Casa Branca

O governo Trump propôs que o Brasil receba em prisões brasileiras os estrangeiros capturados nos EUA, tal como faz El Salvador em sua penitenciária de alta segurança Cecot. A demanda faz parte da proposta americana de cooperação em combate a organizações criminosas transnacionais em negociação entre os dois governos. A cooperação seria o grande anúncio da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o americano Donald Trump. A visita estava programada para março, mas só deve sair em abril.

Os EUA também querem que o Brasil apresente ao governo americano um plano para acabar com o PCC, o CV, o Hezbollah e as organizações criminosas chinesas em solo brasileiro, segundo um alto funcionário americano informou à reportagem. O governo Trump pede também que o Brasil compartilhe com autoridades americanas informações, incluindo dados biométricos, de estrangeiros buscando refúgio e refugiados no país. Isso seria parte de medidas para combater a criminalidade transnacional e bloquear a imigração em massa passando por portos e fronteiras brasileiros.

As demandas fazem parte da contraproposta enviada pelos americanos em resposta ao plano de cooperação apresentado pelo governo brasileiro. A cooperação foi sugerida pelo presidente Lula a Trump durante telefonema no ano passado que selou a trégua das tensões entre os dois países em decorrência do tarifaço.

Plano proposto
O Brasil havia proposto um plano de combate ao crime transnacional com quatro pontos principais. Um deles era cooperação para combater a lavagem de dinheiro, mirando criminosos brasileiros que transferem recursos para empresas de fachada no estado de Delaware, espécie de paraíso fiscal nos EUA. Outro era bloqueio de ativos nos EUA provenientes de recursos ilícitos de brasileiros que cometeram crimes no Brasil, com aumento de cooperação entre a Receita Federal e o Internal Revenue Service. Também aumentar a colaboração entre autoridades alfandegárias e apertar a fiscalização no tráfico de armas que abastecem facções como CV e PCC e intensificar o intercâmbio de informações sobre transações em criptoativos.

As demandas americanas foram feitas em resposta à proposta brasileira e não foram aceitas pelo Brasil, que está em processo de negociação com as autoridades dos EUA. Os funcionários dos dois governos correm contra o tempo para fechar uma proposta aceitável para os dois países para ser apresentada pelos dois presidentes na visita a Washington.

De acordo com Patrícia Campos Mello, ICL, o governo brasileiro tenta evitar que os EUA anunciem a designação do CV e do PCC como organizações terroristas. De acordo com reportagem do UOL, Washington já decidiu classificar as facções como terroristas.

Visão de Lula e futuro
Na visão do governo Lula, a designação abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro. O governo teme ainda a exploração política do tema pelos bolsonaristas durante a campanha eleitoral.

Desde segunda-feira (9), o presidente se dedica a reuniões em busca de uma alternativa à proposta americana, que, segundo aliados do petista, abriria brecha legal para intervenções dos EUA em território brasileiro. O governo teme ainda a exploração política dos bolsonaristas e tenta traçar uma estratégia de comunicação para explicar por que resiste à ideia.

Como a Folha de S.Paulo mostrou em uma série de reportagens, o CV e o PCC já estão presentes em todos os estados brasileiros e exercem hegemonia em ao menos 13 deles. As facções também expandiram sua atuação para além das fronteiras: o CV mantém negócios com ao menos oito países da América Latina, enquanto o PCC tem presença em ao menos 16 nações.


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EUA devem classificar PCC e CV como organizações terroristas, o que abre temor de intervenção no Brasil

Nova designação “legitimaria” operações militares dos EUA em solo brasileiro

O governo dos Estados Unidos prepara a classificação das facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida, que pode ser anunciada nos próximos dias pelo Departamento de Estado, abre caminho para sanções econômicas e levanta preocupações sobre a possibilidade de operações militares norte-americanas que atinjam território brasileiro.

Segundo informações divulgadas inicialmente pela colunista Mariana Sanches, do UOL, e confirmadas por diferentes fontes ligadas ao governo dos EUA, o processo técnico que sustenta a decisão já teria sido concluído dentro da administração norte-americana. Restariam agora etapas políticas e burocráticas para formalizar a inclusão das facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).

A classificação implica uma série de medidas automáticas por parte de Washington. Entre elas estão o congelamento de ativos de integrantes das organizações sob jurisdição norte-americana, a exclusão dessas redes do sistema financeiro dos Estados Unidos e a proibição de qualquer forma de “apoio material” por cidadãos ou empresas do país.

Temor de intervenção no Brasil
Além das sanções financeiras, o enquadramento traz consequências diplomáticas e estratégicas. Ao considerar grupos criminosos como organizações terroristas, o governo norte-americano passa a tratar suas bases e estruturas operacionais como potenciais alvos legítimos de ações militares, inclusive fora de seu território — o que gera apreensão em autoridades brasileiras.

No Brasil, o tema já chegou ao Palácio do Planalto. O governo brasileiro foi alertado sobre o avanço da proposta e tenta reabrir canais de diálogo com Washington. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, teria sido informado sobre a discussão durante agenda recente na capital norte-americana e buscava contato com o secretário de Estado, Marco Rubio, para tratar do assunto.

Diplomatas avaliam que a medida pode comprometer tentativas recentes de aproximação entre os dois governos. O combate ao crime organizado vinha sendo tratado como uma possível pauta de cooperação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em um encontro que chegou a ser cogitado para ocorrer entre março e abril. A adoção unilateral da classificação, no entanto, pode tensionar a relação bilateral.

Nos bastidores, a discussão sobre o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas é conduzida há meses dentro da administração norte-americana. Participam do debate autoridades como o subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Christopher Landau, além de integrantes da equipe de política antidrogas do governo.

A iniciativa também tem implicações para empresas e cidadãos. Companhias que atuam em regiões onde essas organizações operam podem passar a enfrentar riscos legais ampliados, incluindo sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC). O órgão já alertou empresas sobre os riscos de realizar negócios em países onde cartéis classificados como terroristas estão presentes.

A possível designação também se insere em uma estratégia mais ampla da administração Trump de tratar o narcotráfico como uma ameaça equivalente ao terrorismo internacional. Em discursos recentes, o presidente norte-americano chegou a mencionar a possibilidade de realizar ataques contra cartéis fora do território dos Estados Unidos, uma abordagem que especialistas apontam como juridicamente controversa.

Se confirmada, a inclusão do PCC e do CV colocaria as facções brasileiras em uma lista que já reúne organizações criminosas de outros países da América Latina, como cartéis mexicanos e grupos armados da Colômbia e do Haiti.

Autoridades brasileiras temem que a decisão seja usada como instrumento de pressão política sobre o país e amplie o debate sobre a presença ou atuação direta de forças norte-americanas na região.


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Dosimetria é mais eficaz que PCC e CV para tirar criminosos da cadeia

O PCC, o CV e outras facções criminosas, vez ou outra executam seus planos mirabolantes para tentar libertar criminosos das prisões. Quando conseguem, retiram algumas poucas almas. O crime organizado tem muito a aprender com o Congresso Nacional, que no intuito de reduzir a pena dos que tentaram golpe de Estado, também pode tirar da cadeia quem cometeu crimes comuns com violência ou grave ameaça. E de baciada. É a promoção da xepa do final do ano: peça para reduzir a pena de um ex-presidente e de generais e ganhe também a de quem cometeu crimes sexuais.

Milhares de pessoas vão hoje às ruas em atos de todo o país contra o PL da Dosimetria, que, sob a justificativa de beneficiar os peixes pequenos do 8 de janeiro de 2023, quer mesmo é tirar Jair Bolsonaro, generais estrelados e outros artífices da tentativa de golpe do xilindró. Em uma clara afronta à Justiça, que ainda nem terminou os julgamentos da intentona.

O caminho adotado para isso na Câmara dos Deputados foi aplicar mudanças na progressão do cumprimento da pena – o que, na prática, encurta a estada na prisão não apenas de quem tentou golpe de Estado, mas de quem foi condenado por atos libidinosos, corrupção, coação de testemunhas, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, atentados contra serviços públicos e contra a organização do trabalho, entre outros.

Não é detalhe. É o coração do projeto.

Com isso, parlamentares mostram que nunca defenderam cadeia dura para bandidos, mas para um tipo de bandido, aquele que não é de sua estimação.

As ruas hoje não pedem vingança. Pedem limite. Pedem que o Congresso não transforme a lei penal em moeda de troca para resolver o problema jurídico de um ex-presidente condenado por tentativa de golpe. Pedem que a exceção não vire regra, nem a regra vire piada.

Se o PL da Dosimetria passar, não será um acidente legislativo. Será uma escolha consciente: soltar Bolsonaro mesmo que, para isso, seja preciso abrir a porta da cadeia para quem colocou a vida de outras pessoas em risco. E ensinar, mais uma vez, que no Brasil a lei pode até ser cega, mas, quando convém aos poderosos, ela também aprende a fechar os olhos.

Por fim, um desabafo: tem sido comovente a quantidade de deputados e senadores citando que a massa que participou do 8 de janeiro de 2023 precisa de um tratamento diferenciado. Tentam fazer crer que foram condenados por pichar estátua ou furtar uma réplica da Constituição, quando esses atos apenas colocaram essas pessoas na cena do crime. Punição por pichar estátua é irrisória, o grosso foi por atacar as sedes dos Três Poderes e ajudar em tentativa de golpe de Estado.

Muitos dos que, nas redes e no parlamento, dizem que isso é injusto bateram palmas quando um policial militar matou com 11 tiros pelas costas um jovem que furtou pacotes de sabão líquido em São Paulo. A impressão é que a extrema direita descobriu a ideia de dosimetria de pena somente após a tentativa de golpe de Estado. Mas quem já furtou comida ou bens de valores insignificantes tem outra impressão: que a decisão sobre a pena depende da cor da pele e da classe social.

Para que a discussão sobre tamanho de penas não seja hipócrita, precisamos debater o que acontece com na sociedade e que boa parte dos autointitulados homens e mulheres de bem não dá a mínima. Pois há uma parcela que acha injusto punir alguém por tentativa de golpe de Estado, mas aceita a pena de morte informal a quem furta Omo líquido.

São muitos os casos de pessoas condenadas por roubar comida. Isso quando não rola pena capital. Dois homens foram torturados por cinco seguranças do supermercado UniSuper, em Canoas (RS), diante do gerente e do subgerente da loja, após tentarem furtar duas peças de carne. Vítima das piores agressões, um homem negro foi colocado em coma induzido no hospital com fraturas no rosto e na cabeça. E um tio e um sobrinho, que furtaram carne de uma unidade do Atakadão Atakarejo, em Salvador, foram encontrados mortos com sinais de tortura e marcas de tiro.

Ninguém está defendendo quem erra ou comete crimes. O que está em jogo aqui é que tipo de Estado e de sociedade que estamos nos tornando ao acreditarmos que punições severas para coisas ridículas (mesmo reincidentes) têm função pedagógica enquanto defende-se impunidade para ataques à democracia. Desde quando a República passou a valer menos do que acém com osso?

Dois homens furtaram um macaco velho de carro, dois galões de plástico vazios e menos de um litro de óleo diesel e foram condenados, um a 10 meses e 20 dias, outro a 2 anos e 26 dias de prisão. A 1ª Turma do STF, a mesma que julgou os líderes da conspiração golpista, rejeitou, em 2023, a aplicação do princípio da insignificância aos dois em itens avaliados em R$ 100 e manteve as condenações.

*Leonardo Sakamoto/Uol


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Os barões da direita que estiularam a criação do CV e PCC, podem abrir a boca para falar em Segurança Pública?

N

Essa elite conservadora, que domina a política e a economia brasileira há décadas, não tem a menor autoridade moral ou factual para abrir a boca sobre segurança pública sem ser confrontados com sua própria história de cumplicidade e incompetência.

Comando Vermelho no Rio: Fundado nos anos 1970 no Instituto Penal Cândido Mendes (Ilha Grande), o grupo começou como “Falange Vermelha” – uma autodefesa contra torturas e chacinas estatais.

Em 1979, uma carnificina no presídio (matança de detentos pela ditadura) acelerou a expansão.

Hoje, o CV domina favelas e rotas de tráfico porque, lá atrás, a direita falhou miseravelmente e a semente foi plantada pela ditadura.

PCC em SP: Criado em 1993 na Casa de Custódia de Taubaté, logo após o Massacre do Carandiru (1992), onde o governo de direita de São Paulo matou 111 presos indefesos.

O PCC surgiu como “autodefesa” contra abusos prisionais, adotando o lema “Paz, Justiça e Liberdade” (copiado do CV)

Fundadores como Geleião e Cesinha coordenaram ataques a prédios públicos pra vingar as violações estatais.

Esses “barões” – generais, coronéis e elites econômicas que sustentaram a ditadura – criaram o caldo de cultura pro crime organizado.

Sem a repressão brutal e a superlotação intencional, não haveria CV nem PCC.

E quem herda essa herança?
Governos de direita em RJ e SP, que deixaram as facções crescerem por décadas.

O crescimento das facções debaixo do nariz da direita no poder.

SP e RJ, berços do PCC e CV, são governados por forças conservadoras há mais de 30 anos (PSDB em SP desde 1995, com pit stops em direita radical; PMDB/PL no RJ).

Resultado?

Facções que faturam bilhões (R$ 1 bi/ano só o PCC, segundo investigações da PF) e se infiltram em tudo: polícia, política e até a Faria Lima.

Infiltração atual

O PCC lava dinheiro via privatizações (fundos e empresas estatais vendidas pros “barões”), financia campanhas (investigações da PF mostram “banco” da facção pra candidatos) e opera na Faria Lima – o coração financeiro da elite de direita.
A hipocrisia de hoje

Discurso de segurança sem ação real

Esses “barões” de Tarcísio (SP) a Cláudio Castro (RJ) e Caiado (GO) – posam de heróis anti-crime, mas sabotam soluções sistêmicas.

Consórcio da Paz: Lançado em novembro/2025 por governadores de direita, é puro teatro eleitoral pra 2026.

Ignora a PEC da Segurança Pública do governo federal (que cria integração nacional e banco de dados contra facções), porque isso ameaça seus feudos infiltrados.

Projeto anti-terrorismo
Defendem classificar PCC e CV como “terroristas” pra endurecer penas, mas resistem a medidas que atinjam lavagem de dinheiro ou privatarias. Por que será?

No Paraguai e Argentina (governos de direita), já usam isso para justificar intervenções na fronteira – e aqui pode abrir porta para o intervencionismo de Trump, como Gleisi Hoffmann alertou.

Resultados? Zero!

Violência explode (guerra PCC vs. CV na Amazônia matou centenas em 2025), mas o foco é em “perseguir maconheiro e pobre”.
Não querem desmantelar finanças.

Privatizações viram atalho pro crime: R$ 146 bi movimentados por facções em 2022 via combustível, ouro e cigarros ilegais.

Conclusão
Hora de desmascarar o circo
Não, eles não podem falar em Segurança Pública sem rir na cara da população brasileira.

Soluções reais?
Atacar finanças (congelar contas de facções), integrar inteligência (PEC federal) e investir em prevenção social – não mais chacinas que só radicalizam.

Se a escumalha liberal quer falar, que assumam.

O monstro que combatem é filho deles.

Caso contrário, calem a boca e saiam do picadeiro eleitoreiro!


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O que mudou no Rio depois da carnificina de Claudio Castro?

Nada! Rigorosamente nada!

Reduziu o consumo de drogas na favela ou no asfalto após a chacina?

Não, não há evidências de redução no consumo de drogas em lugar nenhum.

Pelo contrário, relatos e apreensões indicam que o tráfico continua ativo, com rotas de abastecimento intactas e distribuição de drogas prosseguindo apesar das mortes e prisões no Complexo do Alemão e da Penha.

Sem Queda no Consumo

O consumo não reduziu (estimado em 10t/mês pré-operação), e rotas de reabastecimento (ex.: 30 pistolas de SP em 12/11) indicam retomada rápida.

O impacto no faturamento é “ínfimo” para desarticular o CV, segundo o subsecretário de inteligência da PM-RJ (audiência no Senado, 5/11).

Faturamento Bilionário

Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2025) estima que facções como CV e PCC geraram R$146,8 bilhões em 2022 com ilícitos — quase 10x mais que cocaína (R$15 bi ou ~US$2,8 bi).

No RJ, o CV usa drogas como pilar principal, mas diversifica (extorsão, armas), com o Rio como “abrigo para chefes nacionais”

O histórico de expansão do CV (com mais dinheiro circulando) sugere que o mercado se recupera sem perdas duradouras, perpetuando lucros bilionários.

Para redução real, especialistas (ex.: Observatório de Segurança) defendem foco em finanças e inteligência federal, não só repressão letal.

A chacina de Cláudio Castro chamada “Operação Contenção”, realizada em 28 de outubro de 2025 nos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Os Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, continuam dominados pelo Comando Vermelho (CV), mesmo após a megaoperação policial, com barricada, com tudo.

Ou seja, a operação de Claudio Castro, simplesmente não desmantelou o controle territorial do CV.

Relatos de moradores, denúncias ao Disque Denúncia e ações policiais recentes indicam que o tráfico retomou rotinas, com barricadas, monitoramento via câmeras e movimentação de armas.

Uma semana após a ação, moradores relatam que a rotina voltou, mas com sangue nas ruas e trauma psicológico.

Escolas e comércios reabriram, mas barricadas do CV persistem em acessos, e há relatos de “recolher obrigatório” imposto pela facção em áreas específicas.

O Globo (7/11) descreve bandidos mantendo bases na Serra da Misericórdia (mata que separa Alemão e Penha), onde 60+ corpos foram encontrados durante a operação.

QG Nacional do CV
Os complexos (26 comunidades, ~112 mil moradores) são o “quartel-general” do CV desde os anos 1990, coordenando decisões para outros estados (BA, GO, PA, AM, MA).

A operação matou 12 lideranças regionais de fora do RJ, mas o núcleo fluminense, incluindo treinamentos de guerrilha e distribuição de drogas, segue operacional.

Tudo não passou de um grande espetáculo. Nada se moveu em prol do estado do Rio de janeiro e sua população. Já Claudio Castro segue fazendo coreto político em cima dos caixões para sua candidatura ao Senado.


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Favela não produz drogas e muito menos armas. Como chegam lá sem interceptação da polícia?

A imensa maioria das drogas vendidas nas favelas cariocas pelo CV vem de cartel da Colômbia.

Mais de 70% das armas pesadas que o CV usa vem dos EUA.

Ou seja, há um longo caminho a se percorrer no asfalto, ar e mar pra que armas e drogas cheguem nas favelas.

Por que isso não é interceptado antes de chegar ao destino?

O avião da FAB da comitiva presidencial de Bolsonaro a caminho do Japão foi interceptado com 39 quilos de pasta de cocaína pura na passagem da aeronave pela Espanha, em que o piloto foi preso e condenado e a droga apreendida.

O que tem na Espanha que não tem no Brasil que a droga é descoberta antes da chegada a seu destino?

Não matariam absolutamente ninguém em favela se os estados tivessem essa preocupação e eficácia.

Mas isso não se converte em votos, menos ainda interessa a quem de fato opera essa logística para a travessia da origem ao destino das drogas e armas.

Pior, ninguém toca nessa questão crucial.

Por que não Interceptam a droga antes de chegar na favela? Está claro.
menos corpos, menos votos, menos manchetes.

Por isso, ninguém toca no assunto.

Conclusão: Interceptar na origem exige combater corrupção e perder palanque. Matar na favela é mais barato e midiático. Ninguém quer mudar.


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