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Crime organizado, carimbo de terrorista

Casa Branca classifica o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações que propagam o terror, e abre caminho para ações unilaterais de forças de segurança dos EUA. Para Celso Amorim, ato é “pretexto para intervenção”

Em nota oficial, Marco Rubio afirma que os EUA vão usar “todas as ferramentas disponíveis para garantir a segurança do povo americano”

O governo dos Estados Unidos (EUA) decidiu denominar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como “organizações terroristas estrangeiras”. O ato é similar ao adotado pela Casa Branca para classificar quadrilhas ligadas ao narcotráfico no México e na Venezuela como grupos que praticam o terror a nível internacional. A decisão foi emitida por meio de um comunicado assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, um dos principais nomes do governo do presidente Donald Trump.

“O Comando Vermelho e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, eles comandam milhares de integrantes e orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, autoridades públicas e civis. Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, alcançando toda a nossa região e, também, o nosso país”, sustenta Rubio, na nota.

O instrumento utilizado pelo governo norte-americano para definir os grupos como terroristas é a Ordem Executiva 13.224 — editada pelo presidente George W. Bush logo após o ataque ao World Trade Center, em setembro de 2001. O objetivo da norma é facilitar a ação dos Estados Unidos para desmantelar grupos terroristas fora das fronteiras do país, mas que geram uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia” dos EUA.

Ainda de acordo com a nota publicada ontem, o Departamento de Estado informou que o governo Trump seguirá utilizando “todas as ferramentas disponíveis” para proteger a nação e os interesses de segurança nacional do país, “mantendo drogas ilícitas fora de nossas ruas e interrompendo as fontes de receita que financiam narcoterroristas violentos”. A medida entra em vigor, oficialmente, em 5 de junho.

Amorim responde
No Brasil, não houve resposta oficial do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o fechamento desta edição. Mesmo assim, o assessor-chefe da Assessoria Especial do presidente, Celso Amorim, comentou sobre a medida no Fórum Internacional de Segurança, em Moscou, na Rússia. Segundo ele, a iniciativa norte-americana pode servir de “pretexto para intervenção” no Brasil, reforçando a preocupação já manifestada pelo próprio Lula e outros membros do governo.

“Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socioeconômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável”, afirmou o secretário.

*Correio Braziliense

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Em carta, democratas pedem que EUA não classifiquem facções como terroristas

Documento enviado ao governo cita risco de interferência nas eleições brasileiras e relembra apoio dos EUA à ditadura após o golpe de 1964

Parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado Marco Rubio pedindo que o governo de Donald Trump não classifique o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. O documento foi encaminhado na véspera da reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

A carta foi liderada pelo deputado James P. McGovern, copresidente da Comissão Tom Lantos de Direitos Humanos da Câmara dos Representantes dos EUA, e assinada por outros seis parlamentares democratas: Greg Casar, Sydney Kamlager-Dove, Jan Schakowsky, Nydia Velázquez, Delia Ramirez e Rashida Tlaib.

No documento, os parlamentares afirmam que as facções brasileiras representam ameaça regional, possuem atuação transnacional e estão envolvidas em crimes ambientais, violência e expansão de atividades ilícitas em países da América do Sul. Apesar disso, argumentam que a classificação como organizações terroristas poderia gerar efeitos políticos e diplomáticos graves.

“Estamos preocupados com o uso excessivo e a instrumentalização das classificações de organizações terroristas estrangeiras sem que seja atendido o limite legal claro para atividades terroristas”, afirmam os deputados.

De acordo com Cleber Lourenço e Jamil Chade, ICL, a carta também cita preocupação com o uso político da medida durante o período eleitoral brasileiro. Segundo os parlamentares, existe temor de que a classificação das facções seja utilizada “para influenciar inadequadamente as eleições” no Brasil.

Os deputados relacionam essa preocupação ao histórico de intervenção dos Estados Unidos no país e mencionam explicitamente o apoio americano à ditadura militar instaurada após o golpe de 1964.

“Essa preocupação é ampliada pela longa e preocupante história de intervenção dos EUA no Brasil, incluindo o apoio documentado dos EUA à ditadura militar após o golpe de 1964”, diz o documento.

O texto também faz referência às sanções aplicadas anteriormente contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe relacionada às eleições de 2022.

Segundo os parlamentares democratas, o governo Trump já teria utilizado mecanismos de sanção para interferir em assuntos internos brasileiros. A carta afirma que, embora as sanções contra Moraes tenham sido revertidas após mediação diplomática, ainda há preocupação com a postura do governo americano em relação ao Brasil.

O principal articulador da carta, James McGovern, é um dos parlamentares mais ligados às pautas de direitos humanos dentro do Partido Democrata e copresidente da Comissão Tom Lantos de Direitos Humanos da Câmara dos Representantes dos EUA. McGovern atua há décadas em temas ligados à política externa americana, direitos humanos e sanções internacionais.

O deputado também esteve entre os parlamentares democratas que criticaram o uso político da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras. Em outra ofensiva recente, McGovern questionou a utilização de mecanismos internacionais de sanção contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, classificando a medida como uma forma de pressão política sobre instituições brasileiras.

A Lei Magnitsky é uma legislação americana utilizada para impor sanções internacionais contra pessoas acusadas de corrupção ou violações graves de direitos humanos. Embora McGovern não seja autor formal da lei, ele é historicamente ligado às articulações do Congresso americano em temas relacionados a sanções internacionais e responsabilização por violações de direitos humanos.

No documento, os parlamentares defendem que o combate ao crime organizado seja realizado por meio de cooperação diplomática, integração entre forças policiais, investigações financeiras e acordos multilaterais internacionais.

A carta também pede que os Estados Unidos ampliem ações de combate ao tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro, tráfico humano e narcotráfico, além de reforçar investimentos em fortalecimento institucional e combate à corrupção.

Os parlamentares ainda solicitam que o Departamento de Estado apresente ao Congresso americano todas as evidências que eventualmente justificariam uma classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas antes de qualquer decisão formal.

A eventual classificação das facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras ampliaria significativamente o alcance de medidas internacionais contra integrantes, financiadores e estruturas ligadas aos grupos, permitindo aplicação de sanções financeiras, restrições internacionais e ampliação da cooperação operacional entre agências de segurança.

O envio da carta ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas envolvendo o governo Trump, o STF e setores do governo brasileiro, além da aproximação do calendário eleitoral de 2026.

A carta enviada por congressistas de peso da ala democrata foi comemorada no Palácio do Planalto. Para membros do governo, ela “desmascara” as reais intenções tanto de Donald Trump como dos bolsonaristas em qualificar os grupos criminosos como entidades terroristas: um eventual envolvimento e abalo nas eleições de 2026.

Parte central da visita de Lula nesta quinta-feira é a de estabelecer uma linha vermelha sobre o que é aceitável e o que o Brasil não irá tolerar no que se refere à inferência em assuntos domésticos.

Durante a reunião, o governo irá declarar abertamente que não existem terroristas no país e convidar Trump a colaborar na luta contra o “andar de cima” do crime organizado no Brasil. De fato, uma proposta foi apresentada no final de abril nesse sentido.

Para o governo Lula, a carta dos democratas é ainda uma tentativa de criar um curto-circuito na influência de bolsonaristas no governo americano. Ao receber de parlamentares americanos o alerta — e não de um governo estrangeiro — a esperança é de que a administração Trump possa dar outro peso para os argumentos.

Por fim, membros no Planalto estimam que a carta é uma sinalização também para a elite política americana e opinião pública sobre o caráter autoritário de Trump, ao citar o golpe de estado de 1964 no Brasil.


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Política

Claudio Castro entra na mira da Polícia Federal

As relações incestuosas entre o fornecedor de armas para o Comando Vermelho e o PL, partido de Bolsonaro, e a facção criminosa, parece que tem conexões não em um único lugar como a Alerj, tudo indica que há uma ligação de Claudio Castro na proteção ao Comando Vermelho.

Para os investigadores da Polícia Federal, ato do governador do RJ teria ajudado a manter elos de políticos com a facção.

Segundo o Estadão, que procurou o governo do RJ e a Alerj, o jornal aguarda retorno.

O que realmente está na mira da PF, e é considerada a primeira digital do chefe do estado fluminense, é o despacho do governador Claudio Castro sobre os tentáculos do Comando Vermelho dentro do Palácio Guanabara.

O ato, assinado por Castro, de estalão, obrigou a publicação de uma edição extraordinária do Diário Oficial do estado em 3 de setembro deste ano, na tarde do dia em que o ex-deputado TH Joias, Thiego Raimundo dos Santos Silva havia sido preso pela PF por lavagem de dinheiro, compra de armas e drones e relações pessoais suspeitas com o cefe da facção.

Nesse mesmo per[iodo, Claudio Castro exonerou às pressas o então secretário estadual de Esporte e Lazer, Rafael Picciani.

Com a prisão do suplente na manhã de 3 de setembro, Rafael Picciani formalizou o pedido pela sua exoneração da secretaria, tendo sido acolhido pelo governador Claudio Castro exatamente para garantir o afastamento imediato de TH Joias.

A manobra, segundo fontes ouvidas pelo Estadão, tinha como objetivo forçar a saída do cargo de TH Joias, evitando assim que a Alerj fosse obrigada a votar a manutenção ou relqaxamento da prisão, como mandam as regras do estado.

No dia de toda a movimentação, Castro foi às redes sociais falar sobre a manobra, hoje, vista como suspeita pela Polícia Federal. Disse ele:

“Por minha determinação, o deputado estadual, Rafael Picciani está retornan do ao seu mandato na Assembleia Legislativa, ele substitui o deputado estadual TH Joias, preso hoje em ação conjunta das Polícias, Civil, Federal e Ministério Público.”

Detalhe, o governador Claudio Castro aparece ao lado de TH Joias em fotos pela internet.

Moraes, que determinou a prisão de Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj, nesta terça (3), dá a entender que todo o trâmite endossado e assinado por Castro, tenha relação com a necessidedade degarantir votos para 2026.

Por fim, Moraes determinou ao governo do Rio o fornecimento de todas as informações de acesso aos sistemas oline oficiais que tramitaram documentos referentes à exoneração de Picciani do cargo de secretário de estado, com horário, usuário responsável, logins de acesso e demais formas de acessos disponíveis.

Moraes mandou ainda que a imprensa oficial do estaqdo forneça dados e horários referentes ao pedido para a criação da edição extraordinária do dia 3 de setembro.


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A megaoperação com 130 mortes que pretendia capturar Doca, chefe do CV, falhou. Ele fugiu

A operação policial realizada nos dias 28 e 29 nos complexos do Alemão e da Penha, teve como principal objetivo a prisão de Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca” ou “Urso”, apontado como uma das lideranças mais poderosas do Comando Vermelho (CV) em liberdade na rua.

Ele é considerado o “número 2” da facção, abaixo apenas de figuras como Marcinho VP e Fernandinho Beira-Mar (ambos presos em presídios federais).

A ação, batizada de Operação Contenção, resultou nesse retumbante fracasso, nesse que era o principal objetivo específico, com Doca conseguindo fugir da região, apesar de estar presente no momento da incursão policial.

Tudo como antes nas terras de Abrantes.

Que sucesso da chacina arrotado por Claudio Castro é esse?

De acordo com o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, “Não conseguimos pegar o Doca”, confirmando que o chefe fugiu pela Serra da Misericórdia ao avistar os agentes. Inteligência policial indicava sua presença na área, mas ele escapou em meio ao caos.


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