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Estou me deliciando

Outro dia me perguntaram o que eu achava da situação atual da família Bolsonaro. A pergunta veio com aquele tom de quem já antecipa a resposta e espera uma indignação previsível. Respondi sem hesitar:

— Estou me deliciando.

Eles não entenderam de imediato. Mas a imagem que me veio à mente foi cristalina: Flávio Bolsonaro sem camisa, ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, apontado pela Polícia Federal como chefe de milícia privada e operador de esquemas de intimidação ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro. Os dois, em um deck de piscina do Hotel Fasano, em Ipanema. A foto foi submetida a verificações técnicas e não apresentou sinais de fraude ou manipulação por IA.

Esse episódio não está isolado. As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público têm revelado, com insistência incômoda, as conexões entre aliados políticos e financiadores do clã Bolsonaro com o crime organizado. Contatos com o Comando Vermelho, repasses milionários de uma produtora do filme biográfico para empresas sob suspeita de lavagem de dinheiro do PCC, agendas compartilhadas, material de campanha…

O ex-secretário Gutemberg Fonseca, indicado político de Flávio, aparece em gravações e áudios citado em reuniões com membros da facção. O ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva (TH Joias), que dividia agendas e estrutura de campanha com Flávio, foi preso na Operação Zargun por tráfico de armas e lavagem de dinheiro para organizações criminosas. Tudo isso vem à tona agora, como contas que chegam com juros.

E ainda há o vídeo recente em que o próprio Flávio declara em termos de faccionado, com todas as letras, que se Michelle não fosse sua madrasta, ele já teria “estancado” a crise. Um deslize que expõe rachaduras familiares e o tamanho do desconforto interno.

Não pensei, naquele momento, no tarifaço imposto ao Brasil por Trump, Rubio e companhia. Nem no Pix, no SUS ou na CLT. Não foi necessário. Os fatos recentes já falavam por si.

Tudo isso me remeteu a 2018. Eu conversava com quem quisesse ouvir, compartilhava documentos, dados, alertas. Tentava mostrar quem eram os Bolsonaro. Paguei um preço alto por isso. Fui chamado de “negro imundo”, “safado”, “coitado abandonado”, “desprezado”, “sem ninguém”. Sugeriram que eu me recolhesse à minha insignificância, pois nem Lula nem Bolsonaro sabiam da minha existência. Quase fui linchado virtualmente. Faltou pouco para o linchamento físico em praça pública.

Só eu sei o que passei.

Hoje não guardo raiva nem mágoa. Guardo, sim, o direito de sentir um prazer profundo, um regozijo intenso e quase visceral com o que está acontecendo. Não é alegria com o sofrimento alheio. É o sabor amargo-doce da consequência. É ver a história, que muitos quiseram calar, finalmente cobrar sua conta — com juros e correção.

Estou me deliciando. E não peço desculpas por isso.


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Rio: PF prende desembargador, e Rodrigo Bacellar é alvo de buscas

Macário Judice Neto, desembargador que relata o caso TH Joias no TRF-2, foi preso na manhã desta terça (16/12) durante operação da PF no Rio

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (16/12), no Rio de Janeiro, a Operação Unha e Carne 2, que investiga o vazamento de informações sigilosas que favorecem o Comando Vermelho. Desta vez, um dos alvos é o desembargador Macário Ramos Judice Neto (foto em destaque), que relata o caso de Thiago Raimundo dos Santos, o TH Joias, no TRF-2. Judice Neto foi preso.

O deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), é novamente alvo de buscas nesta terça. Preso na primeira fase da Unha e Carne, ele foi solto pelo plenário da Alerj e ficou livre da cadeia, mediante uso de tornozeleira eletrônica.

Segundo a PF, Judice Neto vazou informações sobre a operação contra o ex-deputado TH Joias em setembro, de acordo com mensagens que estariam no aparelho celular de Bacellar, apreendido durante sua prisão.

A Unha e Carne investiga a atuação de agentes públicos no vazamento de informações sigilosas que provocou a obstrução de outra apuração, realizada no âmbito da Operação Zargun, deflagrada em setembro.

Os policiais cumpriram um mandado de prisão e 10 de busca e apreensão, expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Também há buscas no Espírito Santo.

TH Joias está preso por ligação com a facção Comando Vermelho.

Atuação polêmica
Em 2023, Macário Ramos Judice Neto voltou à magistratura e foi promovido a desembargador depois de estar afastado por 17 anos devido à sua atuação polêmica como juiz federal no Espírito Santo. O afastamento por quase duas décadas deu-se com base em denúncias do MPF.

O primeiro afastamento foi determinado pelo TRF-2 em 2005, em ação penal que apurava a suposta participação de Macário em esquema de venda de sentenças. Agora, o desembargador está preso na sede da PF do Rio de Janeiro.

Flávia Judice, mulher de Macário Judice Neto, atuava no gabinete da diretoria-geral da Alerj até o início do mês passado, quando a investigação que mira o ex-deputado estadual já estava em curso.

ADPF das Favelas
A ação desta terça se insere no contexto da decisão do STF no âmbito do julgamento da ADPF nº 635/RJ (ADPF das Favelas), que, dentre outras providências, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e as suas conexões com agentes públicos.

Da Alerj à cadeia
As investigações que levaram TH Joias à cadeia apontaram que ele utilizava seu cargo na Alerj para favorecer as ações criminosas da facção Comando Vermelho (CV).

TH teria viabilizado a compra e a venda de drogas, além de fuzis e armas antidrones. Os equipamentos teriam sido destinados ao Complexo do Alemão.

À época, a ação policial foi deflagrada pela Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Rio (MPRJ) e a Polícia Civil, por meio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco-RJ).

A ação policial cumpriu 18 mandados de prisão e 22 de busca, além do sequestro de R$ 40 milhões em bens.

Veja outros investigados:

Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, tesoureiro do CV, responsável por movimentar R$ 120 milhões em cinco anos;
Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, liderança da facção;
Alessandro Pitombeira Carracena, ex-subsecretário estadual, suspeito de interferir em ações policiais a pedido de criminosos;

De acordo com Laura Braga, Metrópoles, policiais militares e um delegado federal investigados por fornecer proteção e informações privilegiadas ao grupo.


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Claudio Castro entra na mira da Polícia Federal

As relações incestuosas entre o fornecedor de armas para o Comando Vermelho e o PL, partido de Bolsonaro, e a facção criminosa, parece que tem conexões não em um único lugar como a Alerj, tudo indica que há uma ligação de Claudio Castro na proteção ao Comando Vermelho.

Para os investigadores da Polícia Federal, ato do governador do RJ teria ajudado a manter elos de políticos com a facção.

Segundo o Estadão, que procurou o governo do RJ e a Alerj, o jornal aguarda retorno.

O que realmente está na mira da PF, e é considerada a primeira digital do chefe do estado fluminense, é o despacho do governador Claudio Castro sobre os tentáculos do Comando Vermelho dentro do Palácio Guanabara.

O ato, assinado por Castro, de estalão, obrigou a publicação de uma edição extraordinária do Diário Oficial do estado em 3 de setembro deste ano, na tarde do dia em que o ex-deputado TH Joias, Thiego Raimundo dos Santos Silva havia sido preso pela PF por lavagem de dinheiro, compra de armas e drones e relações pessoais suspeitas com o cefe da facção.

Nesse mesmo per[iodo, Claudio Castro exonerou às pressas o então secretário estadual de Esporte e Lazer, Rafael Picciani.

Com a prisão do suplente na manhã de 3 de setembro, Rafael Picciani formalizou o pedido pela sua exoneração da secretaria, tendo sido acolhido pelo governador Claudio Castro exatamente para garantir o afastamento imediato de TH Joias.

A manobra, segundo fontes ouvidas pelo Estadão, tinha como objetivo forçar a saída do cargo de TH Joias, evitando assim que a Alerj fosse obrigada a votar a manutenção ou relqaxamento da prisão, como mandam as regras do estado.

No dia de toda a movimentação, Castro foi às redes sociais falar sobre a manobra, hoje, vista como suspeita pela Polícia Federal. Disse ele:

“Por minha determinação, o deputado estadual, Rafael Picciani está retornan do ao seu mandato na Assembleia Legislativa, ele substitui o deputado estadual TH Joias, preso hoje em ação conjunta das Polícias, Civil, Federal e Ministério Público.”

Detalhe, o governador Claudio Castro aparece ao lado de TH Joias em fotos pela internet.

Moraes, que determinou a prisão de Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj, nesta terça (3), dá a entender que todo o trâmite endossado e assinado por Castro, tenha relação com a necessidedade degarantir votos para 2026.

Por fim, Moraes determinou ao governo do Rio o fornecimento de todas as informações de acesso aos sistemas oline oficiais que tramitaram documentos referentes à exoneração de Picciani do cargo de secretário de estado, com horário, usuário responsável, logins de acesso e demais formas de acessos disponíveis.

Moraes mandou ainda que a imprensa oficial do estaqdo forneça dados e horários referentes ao pedido para a criação da edição extraordinária do dia 3 de setembro.


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