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Presidente do CPMI do INSS, Carlos Viana, comprou avião de R$ 330 mil por R$ 1,5 milhão

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), desembolsou R$ 1,5 milhão na compra de um avião por meio da Fazenda Salto Grande Ltda., empresa da qual é sócio-administrador. Documentos mostram que o valor pago pela aeronave é 4,5 vezes superior ao registrado na negociação anterior, realizada três anos antes, quando o mesmo modelo havia sido vendido por R$ 330 mil.

Segundo o Metrópoles, a aeronave adquirida por Viana é um EMB-810D (Seneca III), prefixo PTR-VD, fabricado em 1984 e utilizado para voos privados de pequeno porte. A compra foi realizada em abril de 2025 e quitada seis meses depois.

A Fazenda Salto Grande, responsável pela aquisição, está localizada em Verdelândia, no norte de Minas Gerais, e possui capital social de R$ 400 mil, segundo dados da Receita Federal. Em 2024, o senador declarou patrimônio de R$ 3,5 milhões.

O histórico do avião revela sucessivas transações ao longo das décadas, com valores significativamente inferiores ao pago por Viana. Após circular por diferentes proprietários desde 1984, a aeronave foi vendida por R$ 330 mil em setembro de 2022, antes de ser adquirida pelo senador por R$ 1,5 milhão em 2025.

Além da compra do avião, documentos também indicam que Carlos Viana destinou R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares a uma fundação ligada à Igreja Batista da Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão. Segundo a apuração, os repasses foram feitos à Fundação Oasis, braço social da igreja.

Um dos envios ocorreu em 2019, quando Viana destinou R$ 1,5 milhão à Prefeitura de Belo Horizonte, com destinação específica para a Fundação Oasis. Outros repasses identificados incluem R$ 1,47 milhão em 2023 e R$ 650,9 mil em 2025, destinados à unidade da fundação em Capim Branco, na Região Metropolitana da capital mineira.

“Ao longo do histórico das atividades sociais da Fundação Oasis, os projetos têm como princípios básicos a garantia da primazia do bem-estar da família, como elemento-chave para a proteção e a socialização dos proprietários, por meio da transmissão do capital cultural, do capital econômico e ético, que determina a Carta Maior de nosso País, a Constituição Federal de 1988”, diz o site da Fundação Oasis.

Os repasses ocorrem em meio à atuação do senador na CPMI do INSS, onde ele preside os trabalhos da comissão. Segundo a coluna, Viana tem atuado para blindar a Igreja da Lagoinha nas investigações conduzidas pelo colegiado. DCM.


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Dino manda presidente da CPI do INSS explicar envio de R$ 3,6 milhões à Lagoinha

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o presidente da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), preste esclarecimentos sobre o envio de emendas parlamentares para entidades ligadas à Igreja Lagoinha, do bolsonarista André Valadão. A cobrança ocorre em meio ao aumento da tensão entre o colegiado e a Corte, que tem anulado decisões aprovadas pela comissão.

A solicitação foi feita no âmbito de uma ação que trata do cumprimento da decisão do Supremo que, em dezembro de 2022, determinou maior transparência e rastreabilidade na destinação de emendas parlamentares. O objetivo é verificar se os repasses seguiram as regras estabelecidas pela Corte.

O questionamento envolve o envio de R$ 3,6 milhões para a Fundação Oasis, entidade ligada à igreja frequentada pelo senador. Parlamentares afirmaram ao Supremo que o repasse pode violar princípios constitucionais.

Segundo a petição, a destinação dos recursos “viola frontalmente princípios de impessoalidade e transparência”. O documento também argumenta que o uso da presidência da CPI para interferir em apurações relacionadas às entidades beneficiadas seria irregular.

“O uso da presidência de comissão parlamentar para bloquear investigações sobre entidades beneficiárias de emendas próprias configura instrumentalização de posição institucional para fins privados”, afirmaram os deputados Henrique Vieira (PSOL-RJ) e Rogério Correia (PT-MG).

Os parlamentares ainda apontaram possível desvio de finalidade na aplicação das verbas. Para eles, o padrão de encaminhamento das emendas indicaria favorecimento político. “A emenda não serve ao interesse público, mas ao interesse de manutenção do vínculo político-financeiro entre o parlamentar e as entidades investigadas”, afirmaram.

Durante sessão da CPI nesta semana, Viana respondeu às acusações e negou irregularidades. “Todas as verbas que eu enviei para a fundação ligada à igreja que eu frequento foram enviadas para as prefeituras e fiscalizadas pelo Ministério Público. Doei para uma fundação que recupera pessoas e continuarei doando”, declarou.

O episódio ocorre no momento em que a CPI do INSS enfrenta sucessivas decisões do STF que invalidaram requerimentos aprovados pela comissão. Integrantes do colegiado alegam que as decisões têm dificultado o andamento das investigações e reduzido o prazo para conclusão dos trabalhos.

A comissão chegou a recorrer ao Supremo para tentar obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a prorrogar o funcionamento da CPI. O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, que será responsável por analisar a solicitação., segundo o DCM.


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PF envia inquérito ao STF após obter anotação que cita senadores Rodrigo Pacheco e Carlos Viana

A investigação da Polícia Federal da Operação Rejeito, sobre um esquema de corrupção no setor da mineração, foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) neste mês de outubro por causa da apreensão de um conjunto de anotações que citam dois senadores de Minas Gerais: o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD) e o atual presidente da CPI do INSS, Carlos Viana (Podemos).

Procurado, Pacheco disse que não pode comentar sobre “papel manuscrito de autoria incerta”. Um dos cotados para a vaga do ministro Luís Roberto Barroso no STF, o senador disse estranhar o “vazamento” das informações agora “sem nenhum critério e lastro em prova”.

Já Viana disse que a única ligação com a Vale é um pedido de prisão que fez a um ex-presidente da empresa. “O resto é especulação ou mentira”, afirmou à reportagem.

Esses documentos foram extraídos pela PF em diálogos do celular do delegado federal Rodrigo Teixeira, preso na operação deflagrada em 17 de setembro, por suspeita de favorecer indevidamente empresários da mineração em troca de exercer influência em órgãos públicos. As mensagens contendo fotos dos manuscritos foram enviadas em 2021.

A Operação Rejeito investiga um esquema de corrupção de servidores públicos por empresários da mineração. Na deflagração, foram presos um diretor da Agência Nacional da Mineração (ANMP), integrantes de órgãos ambientais do governo de Minas e empresários.

As anotações extraídas pela PF têm nomes de diversos personagens e uma breve descrição da atuação deles

Para a PF, os desenhos representam uma espécie de organograma do esquema de corrupção na mineração. As anotações descrevem a atuação de alvos investigados na Operação Rejeito e citam órgãos públicos onde cada um teria influência ou atuação.

No topo do desenho, consta o nome do senador Rodrigo Pacheco, mas sem nenhuma descrição sobre sua atuação. Uma linha vincula Pacheco ao empresário da mineração João Alberto Lages, preso na operação. Ele é ex-deputado estadual de Minas Gerais pelo MDB e foi aliado político de Pacheco na época em que se candidatou. A defesa de Lages não se manifestou

Uma outra página do desenho vincula o nome de Pacheco a uma atuação no Tribunal de Justiça de Minas Gerais e no Tribunal Regional Federal (TRF), mas sem dar detalhes.

O nome do outro parlamentar mineiro aparece em outra página, do lado esquerdo, dentro da seguinte frase: “Existe alguma ligação/esquema do senador Carlos Viana com a Vale”. Ao Estadão, Viana afirmou que a única ligação com a Vale foi ter pedido a prisão de Fábio Schvartsman, ex-presidente da empresa, no âmbito da investigação da CPI de Brumadinho.

Para a PF, esses manuscritos podem indicar suspeitas da participação de políticos no esquema de corrupção da mineração em Minas Gerais. As citações, porém, foram consideradas “superficiais” pelos investigadores, mas eles decidiram remeter o inquérito ao STF por precaução para evitar alguma nulidade por causa dessas menções. O material está sob análise do ministro Dias Toffoli, que ainda não proferiu decisão.

“Nas interlocuções entre o DPF Rodrigo Teixeira e sua esposa Daniella Wandeck, foram encontrados três manuscritos, enviados por Daniella, que aparentemente mapeiam todo o esquema de corrupção perpetrado por servidores públicos e possivelmente políticos no estado de Minas Gerais, diz o relatório de análise da PF.

No material enviado a Toffoli, também foram encontradas menções a deputados federais nos diálogos dos investigados, que tiveram seus celulares apreendidos. O ministro ainda analisa se, com essas citações, o caso deverá tramitar no STF ou se retornará à primeira instância.

*Estadão/Uol


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