Em meio a colapso de Trump nas pesquisas
Sob pressão dos Estados Unidos, que seguem reforçando sua presença militar na região, o Irã nomeou através de porta-vozes quatro alvos que poderiam mergulhar o mundo em uma depressão econômica.
Se Israel e os EUA retomarem o conflito, o principal objetivo de Teerã será fechar o estreito de Bab al-Mandeb, através dos houthis do Iêmen, negando acesso ao mar Vermelho e passagem pelo canal de Suez.
Hoje, 30% dos contêineres utilizados pela navegação comercial do planeta passam por Suez.
Teerã também incluiu na lista a Aramco, a estatal saudita que é a maior empresa de petróleo e gás do planeta.
Hoje, ela segue exportando petróleo através de um oleoduto que liga suas refinarias ao porto industrial de Yanbu, no mar Vermelho, que o Irã também incluiu na lista de alvos.
Finalmente, o Irã afirmou que pretende atacar o segundo maior porto de combustíveis do mundo, o de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, localizado estrategicamente no golfo de Omã.
Êxodo do Golfo Pérsico
Se cumpridas as promessas, as monarquias do Golfo Pérsico aliadas dos Estados Unidos poderiam entrar em colapso econômico, com possível êxodo populacional para a Jordânia e o Iraque.
É que a primavera está acabando no Golfo Pérsico. Os termômetros começam a subir em maio. Em 2025, Dubai registrou oficialmente 51,6 graus centígrados no dia 25 de maio.
A interrupção no fornecimento de energia ou o ataque a plantas de dessalinização podem afetar gravemente a população civil.
Arábia Saudita, Catar, Emirados, Kuwait, Bahrein e Omã se abastecem através de 400 usinas que processam água do mar.
Todas estão ao alcance de drones e mísseis do Irã.
Sob bloqueio naval e com a possível tomada militar de algumas ilhas pelos Estados Unidos, Teerã tem bons motivos para negociar, mas pode causar imensos danos.
O país demonstrou resiliência às duas ofensivas conjuntas de Israel e Estados Unidos.
Trump vai mal das pernas
O calcanhar de Aquiles de Donald Trump é o impacto de um conflito prolongado na economia.
Nesta segunda-feira, 20, o preço médio da gasolina nos EUA está no equivalente a R$ 5 reais o litro, podendo chegar a R$ 7,25 na Califórnia, segundo a Forum.
Isso pesa no bolso do consumidor. Os estadunidenses dirigem em média mais de 20 mil quilômetros por pessoa/ano.
Há previsão de que em algumas semanas haja falta de querosene de aviação, da qual os Estados Unidos dependem fortemente — cerca de 30% de todo o tráfego aéreo global.
Além disso, agricultores de todo o planeta estão pagando mais caro pelos fertilizantes, com impacto no preço da cesta básica.
A inflação nos EUA bateu em 0,9% em março, com uma taxa anualizada de 3,3%, a maior até agora do governo Trump. Com a criação de apenas 116 mil empregos em 2025, é possível que a economia dos EUA entre em recessão antes do final do ano.
Em outubro, Trump enfrenta eleições de meio de mandato em que corre o risco de perder controle da Câmara e até mesmo do Senado.
No domingo, 19, a rede estadunidense NBC divulgou pesquisa mostrando que Trump tem apenas 37% de aprovação, com dois terços dos entrevistados condenando o descontrole da inflação e a guerra contra o Irã.
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