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Empresa de Paulo Figueiredo vai à falência e deixa prejuízo de R$ 400 milhões a fundos de pensão

A Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência da LSH Barra Empreendimentos Imobiliários, empresa que teve como CEO o influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo e que ficou conhecida por anunciar a construção de um hotel da rede de Donald Trump na Barra da Tijuca.

A decisão coloca um ponto final em um empreendimento que nunca entregou o retorno prometido aos investidores e deixa um prejuízo estimado em quase R$ 200 milhões para fundos de pensão e institutos de previdência que financiaram o projeto. Em valores corrigidos, as perdas chegam a aproximadamente R$ 400 milhões.

As informações são do jornalista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles.

Entre 2014 e 2016, o Fundo de Investimentos e Participações (FIP) LSH recebeu aportes de dez Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), incluindo os fundos de Tocantins, Campinas e Campos dos Goytacazes. O fundo de pensão dos funcionários do Serpro (Serpros) também investiu R$ 56 milhões no empreendimento.

Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o projeto foi sustentado por uma operação fraudulenta baseada na supervalorização das cotas do fundo e no desvio sistemático de recursos para beneficiar seus idealizadores.

Condenação da CVM

Em dezembro de 2024, o colegiado da CVM condenou Paulo Figueiredo por irregularidades praticadas durante sua gestão como CEO e sócio desenvolvedor da LSH Barra.

De acordo com o voto do relator João Accioly, aprovado por unanimidade, Figueiredo teria utilizado contratos com empresas prestadoras de serviços fictícias para retirar recursos da companhia. Entre as empresas apontadas pela autarquia estão a Polaris e a Great Wall, das quais ele era sócio.

A investigação também concluiu que houve uma transferência indevida de riqueza estimada em cerca de R$ 400 milhões dos investidores institucionais para os sócios fundadores Paulo Figueiredo, Arthur Soares, conhecido como “Rei Arthur”, e Ricardo Rodrigues, o “Ricardo Gordo”.

Segundo a CVM, avaliações artificiais inflaram o valor do empreendimento, permitindo que os sócios vendessem suas participações por preços muito superiores ao valor real para fundos de previdência que desconheciam a situação financeira do projeto.

Pelas infrações, Paulo Figueiredo recebeu multas que somam R$ 81 milhões — R$ 54 milhões pelos desvios de recursos e R$ 27 milhões pela sobrevalorização dos ativos. Ricardo Rodrigues foi multado em R$ 53 milhões.

Paulo Figueiredo também chegou a ser denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção ativa, gestão fraudulenta, desvio de recursos de instituição financeira e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Circus Maximus.

Entretanto, em março de 2022, a 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região trancou a ação penal. Os desembargadores entenderam que a denúncia não descrevia de forma específica condutas criminosas atribuídas ao ex-CEO, fundamentando-se principalmente no cargo que ele ocupava. A defesa também destacou depoimento de Ricardo Rodrigues afirmando que Figueiredo não participava das negociações nem do pagamento de propinas.

Hotel perdeu a marca Trump e empreendimento fracassou

O hotel foi inaugurado em 2016 com apenas 75 dos 170 quartos previstos e acabou perdendo a marca Trump antes mesmo da eleição de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos. De acordo com o DCM, o grupo do empresário retirou sua bandeira do projeto por considerar que o empreendimento estava inacabado e abaixo dos padrões de luxo previstos.

Atualmente vivendo nos Estados Unidos, Paulo Figueiredo atua politicamente ao lado do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro. Procurado pelo Metrópoles, ele não respondeu aos questionamentos.


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Política

Governo Lula faz 12 mil prisões e impõe prejuízo de R$ 2 bi ao crime organizado

Balanço aponta, ainda, para a apreensão de mais de mil armas e 30 mil munições, além de 3 mil prisões relacionadas à violência contra a mulher

A intensificação do combate ao crime organizado por parte do governo Lula resultou em R$ 2 bilhões de prejuízos estimados às facções e 12,3 mil pessoas presas, segundo o mais recente balanço divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública nesta sexta-feira (26).

Os resultados fazem parte do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em maio. As ações envolvem o trabalho coordenado de forças federais, estaduais e municipais em todo o território nacional.

Na frente de asfixia financeira, um dos principais eixos do programa, as ações já levaram à apreensão de R$ 706 milhões em bens, além do bloqueio de R$ 320 milhões em ativos e da apreensão de 115 toneladas de drogas. Também foram aplicados R$ 12,7 milhões em multas e recuperados R$ 6,9 milhões em tributos, retirando recursos que financiavam a atuação das organizações criminosas.

Além disso, foram retiradas de circulação 266 armas longas, 606 armas curtas, 289 armas artesanais, quase 30 mil munições, explosivos e diversos acessórios utilizados pelas organizações criminosas.
Para viabilizar tais ações, foram mobilizados cerca de 15,8 mil profissionais de segurança pública em 11 operações nacionais.

“O crime organizado não será enfrentado apenas com prisões. Precisamos retirar sua capacidade financeira, impedir a circulação de armas, fortalecer o sistema prisional e integrar inteligência, investigação e controle financeiro. Quando atacamos o patrimônio das organizações criminosas, retiramos o oxigênio que mantém essas estruturas funcionando”, declarou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

Violência contra a mulher

Outra importante frente de atuação é a proteção às mulheres. Segundo o MJSP, até o momento, as ações integradas já resultaram em 3.062 prisões relacionadas à violência contra a mulher, além da realização de 2.731 ações educativas presenciais, 455 ações de conscientização nas redes sociais e do alcance de mais de 51 mil pessoas em atividades de prevenção em todo o País.

Dados recém-divulgados também pelo MJSP mostram que, nos meses de abril e maio, o número de casos de feminicídio teve uma queda de 11,45% no País, na comparação com igual período de 2025, passando de 262 para 232 vítimas, o que significa 30 mulheres assassinadas por questões de gênero a menos.

Tais ações também fazem parte do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em fevereiro deste ano. Vermelho.


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Saúde

Pesquisa confirma prejuízos de memória em infectados por covid-19

Agência Brasil – Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) descobriram que a proteína Spike do SARS-CoV-2, quando injetada no cérebro de camundongos, induz alterações de memória. Essas mudanças ocorrem de forma tardia, em torno de 20 a 30 dias após a infecção, tal como acontece com seres humanos infectados pelo vírus da covid-19.

“Imita bem o que acontece na doença. Quando isso ocorre, a gente está na frente de um bom modelo experimental”, disse nesta segunda-feira (10) à Agência Brasil a neurocientista Claudia Figueiredo, da Faculdade de Farmácia da UFRJ, uma das líderes da pesquisa. O artigo foi publicado no periódico internacional Cell Report.

Pesquisas clínicas com pacientes que tiveram covid-19 mostraram que, depois que passa a fase aguda da doença, eles têm um prejuízo da memória que aparece meses depois. Segundo Claudia Figueiredo, o experimento mostrou que não era necessário ter o vírus replicado nos camundongos, mas bastava a proteína estar disponível no cérebro para causar prejuízo de memória.

“A gente avançou na caracterização do mecanismo. E isso é superimportante porque, quando a gente descobre o mecanismo, abre portas para fazer terapias mais direcionadas”. Para a avaliação da função de memória dos camundongos, os pesquisadores usaram diferentes estratégias comportamentais, incluindo testes de reconhecimento de padrões e do labirinto aquático.

Bloqueio

Ao mesmo tempo, os 25 pesquisadores das duas instituições identificaram moléculas que, quando estão inibidas, não há esse prejuízo de memória. Para bloquear as moléculas que causavam as perdas de memória, foram usados animais geneticamente modificados que tinham deleção, ou remoção, de uma proteína.

“Nós vimos que animais que tinham uma deleção nessa via não desenvolviam o prejuízo de memória. Foi usado então um inibidor dessa via e viu-se que, quando se inibe a via, a proteína Spike não exerce essa patogênese sobre a memória, através dessa proteína. Essa descoberta pode ser um caminho para a prevenção desse prejuízo de memória”, explicou Claudia.

A neurocientista informou que já existem medicamentos no mercado, usados para tratar artrite reumatoide, que poderiam ser testados em pacientes com covid-19 ou que já tiveram a doença, para ver se é possível prevenir essa perda de memória. “Pode ser uma situação de reposicionar fármaco”, apontou. Ela advertiu, no entanto, que para que esses medicamentos sejam usados em seres humanos, é preciso que se realizem ensaios clínicos nos pacientes.

Testes clínicos

A ideia, a partir de agora, é que outros grupos de cientistas que trabalham com pesquisa clínica se dediquem a testar essas ferramentas, para que fiquem disponíveis para os pacientes, uma vez que os fármacos disponíveis no mercado para outras doenças já passaram pela fase de avaliação de toxicidade.

“Deve ser testado em pacientes que tiveram covid e têm maior chance de desenvolver prejuízo de memória ou em pessoas que têm fatores de risco para desenvolverem essas perdas de memória”. Segundo Claudia Figueiredo, é importante que os testes sejam feitos logo depois de o paciente ter covid-19, como maneira de prevenir. “Não dá para esperar o prejuízo de memória se instalar”, ressaltou.

O estudo foi financiado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) e pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino.

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Política

Após privatização, Eletrobras registra prejuízo e anuncia demissões

Gigante do setor elétrico divulgou primeiro balanço após ser privatizada e números mostram não só lucro menor no ano da venda, como prejuízo no último trimestre de 2022.

Segundo a Forum, a Eletrobras, maior empresa do setor elétrico da América Latina, registrou prejuízo logo após ser privatizada pelo governo Bolsonaro. Antes estatal, pelo fato de que o Estado brasileiro era o acionista majoritário, a companhia foi vendida ao capital privado em junho em 2022 por R$ 33,7 bilhões – à época era avaliada em R$ 67 bilhões – e agora o governo possui apenas um representante na direção da empresa, com 40% das ações.

Em balanço encaminhado aos investidores nesta terça-feira (14) – o primeiro após a privatização -, a Eletrobras informa que registrou lucro líquido de R$ 3,638 bilhões em 2022, índice que é 36% menor que os R$ 5,714 registrados em 2021. No último trimestre de 2022, isto é, logo após ser vendida, a empresa registrou prejuízo de R$ 479 milhões, enquanto no mesmo período em 2021, quando a companhia ainda era estatal, houve R$ 610 milhões de lucro líquido.

Segundo o informe, o lucro menor em 2022 e o prejuízo no último trimestre se deram por conta do Plano de Demissão Voluntária, encampado em dezembro de 2022 (6 meses após a privatização), pela provisão de R$ 2,5 bilhões para a Amazonas Energia e também “pela deflação ocorrida no período, que resultou em uma redução de R$ 1.675 milhões nas receitas de transmissão”.

O atual presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, anunciou após a divulgação do balanço, em teleconferência com analistas, que até abril deverá ser encampado um novo Plano de Demissão Voluntária que atingirá 20% dos 14 mil funcionários da empresa.

Lula quer rever contrato

Durante encontro com jornalistas da mídia independente em fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o contrato de privatização da Eletrobras e anunciou que colocaria a Advocacia-Geral da União (AGU) para atuar com relação ao tema. Segundo o mandatário, a venda da empresa pelo governo Bolsonaro foi “quase que uma bandidagem”.

“Foi feito quase que uma bandidagem para que o governo não volte a adquirir maioria na Eletrobras. Nós, inclusive, possivelmente o advogado-geral da União, [ele] vai entrar na Justiça para que a gente possa rever esse contrato leonino contra o governo”, declarou.

O presidente disse ainda que o fato do governo possuir, atualmente, possuir 40% das ações da Eletrobras e só ter uma pessoa participando da direção da empresa é algo “irracional” e “maquiavélico”. “Nós não podemos aceitar. […] Se amanhã tiver interesse de comprar as ações, as ações para o governo valem 3 vezes mais do que o valor normal para outro candidato”, declarou, sinalizando que, “se a economia crescer”, seu governo pode vir a comprar ações para voltar a ser o acionista majoritário da gigante do setor elétrico.

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Economia

Banco Central registra prejuízo de R$ 298,5 bi em 2022

O Banco Central do Brasil, comandado por Roberto Campos Neto, registrou um resultado negativo de R$ 298,5 bilhões em 2022. De acordo com a instituição, o prejuízo foi causado principalmente pela variação cambial no período. O balanço financeiro que relata o resultado foi aprovado nesta quinta-feira (16), pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelo próprio presidente do banco, pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e pela ministra do Planejamento, Simone Tebet.

“Essa correção cambial explica R$ 165,8 bilhões do prejuízo do BC no ano passado. E a reavaliação da carteira explica outros R$ 136,3 bilhões negativos, devido à alta de juros nos Estados Unidos e no mundo”, destacou o chefe do Departamento de Contabilidade, Orçamento e Execução Financeira do Banco Central, Ailton de Aquino Santos. “Esse resultado negativo chama atenção, mas temos US$ 325 bilhões na carteira. Além disso, o ganho de R$ 79,771 bilhões com operações de swaps compensou um pouco esse resultado.”

R$ 179,1 bilhões do prejuízo total será coberto mediante reversão de reserva de resultado e R$ 82,8 bilhões serão cobertos por redução do patrimônio institucional do Banco Central. No entanto, outros R$ 36,6 bilhões terão que ser cobertos pelo Tesouro Nacional. Santos argumenta: “É importante ressaltar que, no ano passado entregamos quase R$ 72 bilhões ao Tesouro. Esse resultado negativo de agora tem uma magnitude baixa em relação ao que já foi repassado para o Tesouro nos últimos anos”.

Quando o Banco Central tem resultado positivo em seu balanço, uma parcela é transferida ao Tesouro Nacional. A transferência é financeira e não tem impacto fiscal direto, mas é utilizada para o pagamento de juros e abatimento de dívida. Já o lucro com reservas e operações cambiais é destinado à reserva de resultados do patrimônio líquido do BC. Já quando o resultado do BC é negativo, o prejuízo é compensado pelos recursos existentes na reserva de resultado e pela redução do patrimônio líquido da instituição, limitado a 1,5% do ativo total do banco. Somente quando essas duas medidas não forem suficientes para cobrir o prejuízo, o Tesouro então emite títulos públicos em favor da autoridade monetária.

*Com DCM

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