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Quando a régua da mídia muda conforme o sobrenome

Há uma pergunta incômoda que a imprensa brasileira deveria responder: por que o rigor jornalístico que hoje é aplicado a Lulinha, muitas vezes a partir de ilações, suspeitas e associações sem comprovação, não foi usado com a mesma intensidade quando parentes de Fernando Henrique Cardoso ocupavam posições relevantes no Estado ou orbitavam negócios estratégicos?

O caso de FHC não é uma invenção recente. Durante seu governo, a própria imprensa registrou a contratação de sua filha Luciana Cardoso como assessora do Palácio do Planalto. Em 1995, uma decisão judicial suspendeu a nomeação, apontando possível violação ao princípio constitucional da moralidade e questionando a prática de nepotismo.

Também havia o genro, David Zylbersztajn, casado com Beatriz Cardoso. Antes mesmo de FHC assumir a Presidência, Zylbersztajn ocupava a Secretaria de Energia de São Paulo e depois, no governo tucano, tornou-se diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo. A própria imprensa da época registrava o parentesco e sua atuação na área energética.

E é justamente aí que a memória seletiva da mídia merece ser questionada.

Porque estamos falando de um período em que o governo FHC promoveu uma profunda transformação do papel do Estado, com privatizações, abertura a grupos estrangeiros e mudanças estruturais no setor energético. A Petrobras esteve no centro desse projeto. Em 2000, a estatal chegou a anunciar a mudança de sua marca para Petrobrax, iniciativa atribuída à gestão de Henri Philippe Reichstul. A mudança havia recebido aval de FHC, segundo relatos da época, mas foi abandonada depois da enorme reação pública. O episódio custou R$ 700 mil à Petrobras.

O ponto político não é afirmar, sem provas, que determinado parente tenha cometido crime. O ponto é outro: se parentes do presidente estavam envolvidos em posições estratégicas do Estado, isso deveria provocar o mesmo escrutínio jornalístico que hoje se pretende impor a qualquer atividade empresarial de um filho de presidente.

E há uma diferença fundamental entre investigar e condenar por manchete.

Se existem documentos, contratos, relações empresariais ou indícios concretos envolvendo Lulinha, que sejam investigados. Mas jornalismo não pode funcionar à base de “vamos insinuar primeiro e procurar a prova depois”. Tampouco pode transformar parentesco em prova de crime quando o personagem é adversário e, simultaneamente, tratar como mera coincidência quando o sobrenome pertence ao campo político tradicionalmente protegido por determinados veículos.

A questão, portanto, não é pedir tratamento privilegiado para Lulinha. É exigir isonomia.

Se a família de um presidente é assunto de interesse público quando Lula está no poder, também era quando FHC estava no Planalto. Se o filho de Lula pode ser transformado diariamente em personagem central de suspeitas ainda sem comprovação, por que os parentes de FHC não receberam o mesmo tratamento editorial quando estavam próximos de setores estratégicos do governo?

E há uma ironia histórica impossível de ignorar: enquanto hoje determinados setores da imprensa fazem enorme esforço para transformar qualquer menção a Lulinha em escândalo político, o episódio da Petrobrax ficou para a história como símbolo de uma época em que até o nome da Petrobras foi colocado em discussão sob o argumento de facilitar sua internacionalização. A proposta foi apresentada como estratégia de expansão internacional; críticos, por sua vez, viram nela mais um sinal do projeto de desnacionalização da companhia.

É justamente essa comparação que incomoda.

Não se trata de defender Lulinha. Trata-se de defender uma regra única. Filho de presidente não pode ser tratado como culpado por associação, assim como genro, filha ou qualquer outro parente de presidente não deve ser blindado pelo silêncio, pela suavização das manchetes ou pela transformação de fatos politicamente desconfortáveis em notas de rodapé.

A imprensa tem todo o direito — e o dever — de investigar os filhos dos poderosos. Mas precisa investigar todos os poderosos.

Caso contrário, deixa de ser jornalismo fiscalizador e passa a funcionar como uma espécie de tribunal de exceção editorial: severíssimo com uns, compreensivo com outros.

E essa talvez seja a pergunta mais importante de todas: o problema da mídia é realmente o parentesco com o poder ou apenas o parentesco com o poder de quem ela não gosta?

E Lulinha sequer é candidato a cargo eletivo ou tem emprego no governo do seu pai.


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O sobrenome Bolsonaro, hoje, causa azia coletiva no Brasil

Isso é o que as pesquisas mostram tal o nível de rejeição.

Não há arruda possível para estancar esse olhar enviesado que o povo tem desse sobrenome.

Não importa o figurino ou o manequim, falou em Bolsonaro, falou em gastura, repulsa, meleca, aversão, e por aí vai.

Pode enfiar um dentro do outro, que o resultado, na sociedade, será uma inebriável antipatia.

Eca, é a palavra chave como resposta à citação desse sobrenome inominável.

Bolsonaro, hoje, é um código negativo, capaz de produzir uma azia mortal.

Seja Jair, Flavio, Carlos, Eduardo, o esquisito Jair Renan e a casta Michelle, ninguém, nesse bonde dos horrores, tem menos de 65% de rejeição.

Ora. se na própria alma do Centrão hoje é bolsonarista, está instalada uma crise, um território movediço e pastichento da direita.

Ou seja, o bolsonarismo é avacalhante.

É como se o Brasil tivesse acordado com uma ressaca política que não passa, que irrita, que produz uma sensação de encosto eterno.

O sobrenome Bolsonaro é tóxico!

Antes, candidatos emprestavam o sobrenome para surfar na onda.
Em 2022, 37 usaram “Bolsonaro” na urna

Hoje? É risco de cassação ou linchamento virtual.

No fim, essa azia é sintoma de um país que não digeriu 2018-2022.
Uns golfam, outros vomitam e outros tantos têm diarreia ou pipriri gangorra quando ouvem falar no sobrenome Bolsonaro.

Em síntese, o sobrenome Bolsonaro, foi de onda reacionária a um tsunami de rejeição.

Abrir um jornal e dar de cara com esse sobrenome, é como abrir a tampa do esgoto, tal bafio que causa.


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