26 de novembro de 2020
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O escritor Lira Neto, autor das biografias “Getúlio”, “Padre Cícero” e “Maysa”, entre outras obras, disse nesta quinta-feira (28) em sua página no Twitter que a frase atribuída a Deltan Dallagnol na reportagem da Vaza Jato sobre os vazamentos seletivos da força-tarefa à mídia para pressionar investigados parece ter sido inspirada no livro “Manual do Inquisidor”.

“A frase de @deltanmd, ‘Ir lá e dizer que ele perderá tudo. Colocar ele de joelhos e oferecer redenção’, revelada pelo @TheInterceptBr, parece diretamente inspirada em dois trechos do ‘Manual do Inquisidor’, publicada em 1578”, tuitou Lira.

O escritor citou trechos da obra – escrita por Nicolau Eymerich por volta de 1376, que foi revista e ampliada por Francisco de la Peña em 1578 – que serviu como uma espécie de manual de procedimentos dos tribunais de inquisição da Igreja Católica.

“Se o acusado teimar em negar o crime, deverá o interrogador dizer […] que desagrada o ter que se ver obrigado a deixá-lo apodrecer na prisão, que bem desejava tirar a limpo toda a verdade da sua boca a fim de o poder mandar embora”, tuitou Lira, seguido de um novo tuíte.

“Poderá o Inquisidor valer-se de semelhante manha, com o fim de descobrir a verdade? […] Conquanto uma tal forma de fingimento seja desaprovada por Juliano Clarius e outros jurisconsultos, julgo que dela se poderá usar no tribunal da Inquisição”.

Manual da Inquisição

A edição brasileira do “Manual do Inquisidor” foi prefaciado por Leonardo Boff, que indaga logo no início.

“Ao se terminar a leitura do Manual dos Inquisidores, a primeira reação é de perplexidade e de espanto: como é possível tanta desuma­nidade dentro do cristianismo e em nome do cristianismo?”, pergunta.

Em um texto esclarecedor sobre a obra, Boff diz que os sonhos originais da proposta cristã são de ilimitada generosidade e lança nova indagação ao final.

“Deus é pai com características de mãe; todos são filhos e filhas de Deus; o Verbo ilumina cada pessoa que vem a este mundo; a redenção resgata toda a humanidade; e o arco-íris da benevolência divina cobre todas as ca­beças e o universo inteiro. Como se passa deste sonho para o pesadelo da Inquisição?”

De joelhos

Na conversa divulgada pela Vaza Jato, Dallagnol escreve a um repórter do Estadão vazando um caso da Lava Jato e pergunta se ele tinha interesse em publicar a história.

Depois que a reportagem foi publicada, Dallagnol comenta em chat com procuradores que a estratégia, a partir dessa divulgação, seria dizer ao investigado que ele “perderia tudo” e “colocar ele de joelhos e oferecer redenção”, em tentativa de fazer com que ele delatasse outras pessoas.

 

*Por Lira Neto

Celeste Silveira

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