22 de outubro de 2020
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OS NOVOS ISENTOS E A CRISE MUNDIAL

Marcelo Guimarães Lima

Aqueles que apoiaram Bolsonaro, ativa ou passivamente, nas eleições passadas, principalmente os membros da classe média brasileira, tem hoje uma curiosa reação ao mais que evidente impasse nacional e ao papel do líder da extrema direita brasileira na gênese e no agravamento da crise social, política e econômica no Brasil, refletindo a realidade da crise do sistema mundial hoje.

Quando o tema é a incompetência, a enorme ignorância e vulgaridade e, digamos diretamente, a agressividade, a maldade destrutiva antinacional e antipopular do amigo e protetor de milicianos, hoje no papel que lhe foi confiado de representante dos interesses da classe dominante brasileira, os recém-convertidos “isentões” tentam por todos os meios mudar de assunto.

Discorrem em termos genéricos sobre a gravidade do momento e protestam contra uma suposta “fulanização” da crise, contra a polarização, na qual tiveram parte ativa consumindo e replicando com satisfação os ataques constantes da mídia monopolizada do Brasil a Lula e Dilma, ao “PT” genérico, aos “comunistas” em geral, sendo alimentados e alimentando a histeria oportunista e reacionária, as aberrações lógicas e éticas que, naturalizadas pela televisão, os jornais e parte das redes sociais, passaram a ser a atmosfera cotidiana da vida no país, preparando e consolidando o golpe de 2016.

Face ao desastre longamente anunciado e hoje escancarado do (des)governo Bolsonaro, muitos dos novos “isentos” apelam ao nobre sentimento nacional, apelam a um patriotismo vago, incolor e inodoro, apelam à compaixão genérica e passiva para com os “outros”, a massa desfavorecida que o golpe de 2016 e, na sequência, o desgoverno Bolsonaro atacou de modo vil e cruel (assim como atacou trabalhadores e a própria classe média) e continuará atacando até onde a crise permitir e usando a crise para aprofundar um projeto de antissociedade e antinação ao estilo Tatcher-Reagan-Pinochet. Projeto “renovado”, aprofundado e adaptado ao novo século, mas que não nega sua origem histórica no período, tão “longínquo” e tão próximo, das ditaduras militares na América Latina sob a hegemonia e o suporte ativo dos EUA.

Tais apelos à “responsabilidade” e “neutralidade partidária” tem por finalidade evidente isentar de responsabilidade real os novos viúvos e viúvas do bolsonarismo, isentar os “isentões” e assim salvaguardar seus sentimentos e convicções profundas, reiterar o seu amor-próprio que não pode de modo algum ser abalado, confirmar, ainda que seja “clandestinamente” dado o novo contexto, as certezas absolutas de quem duvida de tudo que possa contradizer minimamente seus preconceitos. Certezas desnudadas hoje pela realidade da crise, mas que devem ser guardadas para uso público quando novas oportunidades surgirem.

Unem-se neste processo de um lado a covardia, de outro a má-fé. Receita de desastre na vida pessoal de todos e qualquer um, aqui sim, independente de determinações outras, de partidarismos reais ou imaginários, cor dos olhos, estilos de vestimentas, etc, etc.

A crise brasileira é parte da crise mundial: crise estrutural, crise do sistema, ou seja, crise das formas de vida hoje impostas mundialmente por uma minoria de beneficiários. A atual pandemia do coronavírus, unindo-se à fragilidade da economia global em perigo de desintegração, veio desnudar o ponto de inflexão no qual nos encontramos. A crise mundial exige soluções locais: a raiz das soluções globais está nas iniciativas de todos e cada um.

Uma sociedade não pode seguir por muito tempo em períodos críticos ignorando ou fingindo ignorar suas reais mazelas, tentando adiar as escolhas que a realidade exige sob pena de sofrimentos ainda maiores dos que os temidos conscientemente, os que se evidenciam em toda mudança. Aos novos isentos lembramos que a sua neutralidade imaginária é engajamento de fato na continuidade da crise. Ou escolhemos um caminho novo para todos, mais justo e racional, ou nos serão impostas formas de vida ainda mais excludentes que as atuais.

Os desafios, as dificuldades, as mudanças que a realidade impõe na vida de cada um e na vida das sociedades tem um custo proporcional à coragem das iniciativas de fato para enfrentá-las, para mudar a vida e nos transformarmos a nós mesmos – ao mesmo tempo condição para e resultado da transformação da realidade.

Celeste Silveira

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6 COMMENTS

  1. Ruy Posted on 9 de abril de 2020 at 02:15

    Ah, vá a merda, Lima. Não pode ver o desastre que acompanhava o então candidato Oranoslob, não venha agora banca de ignorante de onde foi que você e 57mi outros erraram. Palhaçada. Tinha um professor, mais hábil, concorrendo com o seu presidente.

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  2. Pingback: Vídeo de Lima Duarte sobre Bolsonaro: Onde foi que nós erramos? – Antropofagista | THE DARK SIDE OF THE MOON...
  3. Magda ferreira santos Posted on 9 de abril de 2020 at 13:40

    EU TENHO CERTEZA QUE NÃO ERREI, MUITO PELO CONTRARIO, MAS QUEM ACREDITOU NO IMBECIL, COM RAIVA DE UM GOVERNO MARAVILHOSO DO PT, MERECE AGORA ROER A CULPA, IMBECIL!!

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  4. Lelia Machado Rocha Posted on 9 de abril de 2020 at 18:53

    Nós, vírgula … jamais votaria nesse homem que antes ser eleito já demonstrava sua loucura , enaltecia o torturador, vivia fazendo gestos com arma na mao. Só gente bem ignorante para acreditar no discurso dele. Me poupe …

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  5. João Mezzomo Posted on 9 de abril de 2020 at 23:00

    Esse Lima Duarte é um ignorante que se acha, além de ser um canastrão que só sabe reapresentar a si mesmo. Zeca Diabo em múltiplas versões….

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  6. Mara Emilia Gomes Goncalves Posted on 10 de abril de 2020 at 13:21

    Evoca Florestan, Cândido, Guarniere e Boal,…. Porque não conclamou os seus pares de outrora: Aécio, Fernando Henrique e a Regina Duarte? é um picareta esse Lima… Quer dizer que foi assim enganadinho? Foi não, e quando Regina soltar o pum do palhaço sinta-se o próprio!

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