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O que Nardes sabe sobre o dinheiro do agronegócio que financiou o golpe?

No dia 20 de novembro de 2022, oito dias após a reunião realizada na casa do general Braga Netto [em 12/11/2022] para planejar os assassinatos de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes, o ministro do TCU João Augusto Nardes transmitiu uma mensagem em áudio para lideranças do agronegócio – pode ser escutado aqui, e a transcrição pode ser lida aqui.

Na mensagem, Nardes explicou aos ruralistas: “falei longamente com o time do Bolsonaro essa semana”.

E relatou que “está acontecendo um movimento muito forte nas casernas. Eu acho que é questão de horas, dias, no máximo uma semana ou duas, ou talvez menos que isso, que vai acontecer um desenlace bastante forte na nação. [De consequências] imprevisíveis”.

Demonstrando conhecimento sobre o plano conspirativo em andamento, ele profetizou que “a situação para o futuro da nação poderá se desencadear de forma positiva, apesar desse principal conflito que deveremos ter nos próximos dias ou nas próximas horas”.

Com tintas dramáticas, disse que “os próximos dias serão nebulosos, o que vai acontecer de desdobramentos não se sabe, mas certamente teremos desdobramentos muito fortes nos próximos dias”.

Este “pior momento que a nação vai viver” só não acontecerá, Nardes previu, caso “haja uma capitulação por parte de alguns integrantes importantes e dirigentes, porque tudo se sente que vai pra um conflito social na nação brasileira”.

No depoimento à PF em novembro de 2024, o tenente-coronel Mauro Cid revelou que na reunião na casa do general Braga Netto os militares discutiram justamente as ações para causar caos e apreensão.

Os integrantes da organização criminosa liderada por Bolsonaro entendiam que era preciso “fazer alguma coisa para que haja uma mobilização de massa, que haja alguma ação que tenha repercussão, que faça que o Exército tenha que fazer uma coisa …”.

Cid esclareceu que o dinheiro para financiar as ações criminosas foi “obtido junto ao pessoal do agronegócio”, e foi “entregue numa sacola de vinho” para o próprio general Braga Netto.

“A gente sabia que o pessoal do agro tava sempre ali, trazendo manifestante e tudo. [E] teve essa parte do financiamento”, ele disse, acrescentando que “os grupos do agro estavam muito ouriçados para fazer uma ação mais contundente”.

É difícil crer que tenha sido apenas coincidência a cronologia de acontecimentos envolvendo a transmissão da mensagem do Nardes para ruralistas no dia 20/11/2022 prevendo “um desenlace bastante forte na nação”, e os desdobramentos graves dos atos planejados na casa do general Braga Netto oito dias antes, em 12/11/2022.

São notórios e históricos os vínculos de Nardes tanto com os militares, como com o segmento reacionário e extremista do agronegócio.

A trajetória político-parlamentar de Nardes foi inteiramente nos partidos que sucederam a ARENA, partido alicerce da ditadura militar. No áudio, Nardes até se jactou: “eu tive na época [anos 1980] conversando com Ernesto Geisel, com os líderes da época, João Figueiredo […]”.

Nardes foi correligionário de Bolsonaro nas siglas autoritárias e pró-ditadura. Além da identidade ideológica, eles estabeleceram laços de cumplicidade e confiança.

No seu sétimo dia de governo, no dia 7 de janeiro de 2019, numa das suas primeiras agendas oficiais, Bolsonaro recebeu Nardes para “falar de governança”.

Na mensagem aos aliados, Nardes também relembrou os vínculos com o setor agro-golpista: –“quando lá atrás negociamos a securitização, eu era o líder da bancada ruralista, articulei a reunião em 17 Estados pra colocar 20.000 pessoas em Brasília em 1999”, disse.

E relembrou, com nostalgia terrorista, que “queimamos máquinas, tratores, fizemos um escarcéu …” – cenário semelhante aos atentados terroristas que incendiaram e quase explodiram Brasília nos dias 12 e 24 de dezembro de 2022.

É intrigante que até hoje, apesar do áudio comprometedor e de todas as “coincidências”, nem o TCU, nem a PGR, nem a PF tenham investigado o ministro Nardes, que no áudio admitiu que “eu conheço todos os líderes e sei da importância do agro”, e também disse ter “muitas informações, especialmente para o grupo do agro, mas eu acho que é o grande momento baseado no que falou esse caminhoneiro lá de Sinop, de que é necessário acordar todo o Brasil”.

Nardes poderia, portanto, ajudar a esclarecer a origem do dinheiro do “time do agro” entregue ao general Braga Netto, assim como a ligação do agronegócio com o empreendimento golpista.

Uma investigação policial com acesso aos sigilos telemáticos deste ministro do TCU pode elucidar outras dimensões da atuação da organização criminosa que atentou contra o Estado de Direito.

A apuração pode, inclusive, constatar o papel do próprio Augusto Nardes como ator oculto da engrenagem golpista.

Mesmo como ministro do Tribunal de Contas, fazia política partidária e conclamava a sociedade a “acordar, despertar, ter fé e crença, como nós tivemos lá em 15 [2015]”, disse, referindo-se ao impeachment fraudulento da presidente Dilma com a tese farsesca das pedadalas fiscais que ele inventou para o golpe de 2016 conduzido por Cunha, Aécio e Temer.

*Jeferson Miola/Viomundo

*Imagem em destaque: Bira Dantas

 

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A Santa Dançou

Michelle viu suas costas largas atrofiarem assim que perdeu o trono palaciano.

Sua manopla de aço derreteu e caiu.

Suas mãos gigantes pela luva coberta de lâminas de ferro da armadura de toda-poderosa, deu lugar a um sufoco caquético de mãos vazias e atrofiadas.

Agora que o caldo entornou de vez, a santa viu seu trono desabar e se revoltou.

Ela, mais que ninguém, sabe que, sem Bolsonaro no comando do cangaço, a sua cabeça estará a prêmio também.

Mauro Cid ainda entrega a Michelle por trás da máscara de casta e diz que ela era, ao lado de Eduardo Bolsonaro, comandante-chefe do batalhão mais fascista e violento, acabou dando nova ordem as coisas e ela se tornou ao menos suspeita de integrar a cúpula pesada da tentativa do golpe.

Além de se colocar como uma espécie de consultora de Bolsonaro nos assuntos do golpe, a própria pura, sem maldades e religiosa, revelou-se uma medusa.

O que vem por aí contra ela ainda é uma incógnita, mas, depois que o banquete Bolsonaro for degustado, é bem provável que ela entre no cardápio da PGR como sobremesa. A ver

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BICHADO! Líderes da direita criticam insistência de Bolsonaro na eleição de 2026

Não há a mínima chance de Bolsonaro restaurar sua liderança depois que seu chão ficou mole com a denúncia da PGR.

Se tem gente que sabe bem sobre os intermúndios do golpe, comandado por Bolsonaro e sabe Deus lá mais o quê, é sua ex-tropa no Ca ongresso.

O mundo de Bolsonaro ficou caótico. Essa escumalha cheira carniça de longe e Bolsonaro, politicamente, virou uma.

O pior ainda está por vir

Bolsonaro está politicamente bichado e ninguém quer saber de se contaminar com sua toxidade letal.

Nos bastidores da direita ex-bolsonarista, diz-se abertamente da inconveniente presença de Bolsonaro na foto oficial dos reaças.

O limbo é seu lugar de conquista. Bolsonaro é hoje considerado maçã podre na própria cúpula.

Ruim sem ele, pior com ele.

Bolsonaro virou galho fraco na disputa política. Está sarcopênico e fora de combate.

Ninguém quer carregar o poltrão.

Bolsonaro é um perdedor e ninguém de sua falange quer saber de se queimar com um Indivíduo medroso, covarde, sem coragem; frouxo, fraco.

No mundo do crime é assim que funciona e Bolsonaro, hoje, não é nem sombra do “mestre” que foi até sua derrota para Lula e, agora, bichado e deteriorado com a denúncia da PGR

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“Com o fortalecimento da agricultura familiar, preços dos alimentos começam a cair”, diz Edegar Pretto

Com medidas estruturais e incentivo à agricultura familiar, governo aposta na queda dos preços e segurança alimentar

O presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, destacou as mudanças estruturais promovidas pelo governo federal para garantir maior segurança alimentar à população brasileira. Segundo ele, a retomada do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o fortalecimento da agricultura familiar são fundamentais para reduzir os preços dos alimentos e impulsionar a economia. 247.

“A gente aumenta a oferta e isso não é uma mágica que você faz. Não é algo trivial mudar toda uma política agrícola”, afirmou Pretto. Ele explicou que a produção de alimentos básicos, como arroz e feijão, só cresce quando há incentivos e políticas públicas que garantam crédito acessível e segurança de comercialização aos pequenos produtores. “O agricultor familiar agora tem um Plano Safra específico, com mais de R$ 80 bilhões em crédito e juros reduzidos. Para quem produz feijão e arroz, a taxa caiu para 3% ao ano e, se for produção orgânica, é 2% ao ano”, detalhou.

Com esse cenário mais favorável, segundo Pretto, os agricultores voltaram a investir em alimentos essenciais ao mercado interno, equilibrando os preços. “Já aparece baixando o preço do arroz, do feijão, do milho, dos óleos e do leite. Isso é fruto de uma oferta maior, porque agora é economicamente vantajoso para o agricultor produzir esses itens”, ressaltou.

Exportação e impacto na carne

Apesar dos avanços no setor agrícola, Pretto apontou desafios que ainda afetam os preços da carne no Brasil. “O dólar se potencializou e nossa carne, que foi produzida em grande escala, teve recorde de exportação. O boi vivo está indo embora, e a carne está cara no mercado interno”, lamentou. Para ele, o fortalecimento do poder de compra do trabalhador tem um papel importante nesse contexto. “O salário mínimo agora aumenta todo ano acima da inflação, e o trabalhador com mais dinheiro no bolso não vai fazer viagem para a Europa. Ele vai no supermercado, na farmácia, na loja. Ele compra mais, gasta mais”, explicou, destacando o ciclo virtuoso da economia.

Combate ao desperdício e sustentabilidade

Outro ponto abordado pelo presidente da Conab foi o desperdício de alimentos nos entrepostos comerciais. Pretto revelou que o governo federal contratou a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) para estruturar um projeto de reaproveitamento de alimentos descartados nas Centrais de Abastecimento (Ceasas). “Milhares de toneladas de comida boa acabam indo para o lixo porque têm uma pinta a mais ou uma casca machucada. Isso não pode acontecer”, disse.

O projeto prevê a instalação de biodigestores para transformar resíduos orgânicos em energia e insumos para a agricultura sustentável. “Já falei sobre isso com a presidenta Dilma, que nos garantiu que não faltará recurso para estruturar esse projeto”, afirmou Pretto, acrescentando que a iniciativa deve ser implementada ainda em 2025.

Fortalecimento da Conab e estoques estratégicos

Pretto também denunciou o sucateamento da Conab durante o governo Bolsonaro, que zerou os estoques estratégicos de alimentos e fechou 30% da capacidade de armazenamento da companhia. Para reverter esse quadro, o governo Lula ampliou investimentos no setor, incluindo uma parceria com a Itaipu Binacional, que destinou R$ 55 milhões para a recuperação de armazéns no Paraná e no Mato Grosso do Sul. Além disso, um acordo com o BNDES prevê a modernização da estrutura da Conab, permitindo um aumento na capacidade de armazenagem para 1,2 milhão de toneladas.

Com os investimentos, a Conab já iniciou a recomposição dos estoques de grãos. “Compramos 361 mil toneladas de milho e já começamos a estocar arroz e trigo. Depois de 11 anos, o governo federal volta a ter estoque de trigo”, comemorou Pretto. Ele enfatizou que o objetivo é garantir maior segurança alimentar para a população e estabilizar os preços em momentos de crise. “Se o preço baixa para o agricultor, a gente compra, paga um preço melhor e deixa estocado. Quando o preço sobe nas prateleiras, conseguimos colocar o produto no mercado e equilibrar o valor para os consumidores.”

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Os inelegíveis

Marçal e Bolsonaro, não necessariamente nessa ordem estão inelegíveis por oito anos.
Na verdade, entre eles não há nenhuma divergência fundamental.
Os dois valiosos paladinos da direita nativa poderiam ter laços familiares e Marçal assumir o posto de 05 na corja do Vivendas da Barra.
Cada qual com sua lista interminável de mentiras tentaram criar fórmulas novas na política e deu no que deu.
Os dois espertos dançaram. Oito anos de ilegibilidade na proa.
O passado dos dois é impressionantemente pequenino.
Moralmente, não dá para comentar.
Marçal, condenado por trapacear velhinhos roubando suas contas e, Bolsonaro, preso e condenado à expulsão do Exército.
Antes porém, já tinha sido preso por garimpo criminoso.
O romance entre os dois é típico da malandragem.
Um enfolhado no outro, como árvores com raízes no mal.
Os dois, agora, estão liquidados, carta fora do baralho e, quem ainda se juntar a eles, estará inapelavelmente assinando a sua morte política.
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Transações em moeda local e cooperação em saúde: conheça as prioridades do Brasil na presidência dos Brics

Na próxima semana, será realizada a primeira reunião de sherpas dos países membros do bloco, em Brasília (DF).

Transações em moeda local e cooperação em saúde: conheça as prioridades do Brasil na presidência dos Brics
Cúpula do Brics na África do Sul, em 2023 – Ricardo Stuckert/PR

A cooperação Sul-Sul, o fortalecimento do multilateralismo e a reforma do sistema de governança global, além da definição de um calendário de prioridades para a presidência brasileira, farão parte dos debates da primeira reunião de representantes, os chamados “sherpas”, dos países que fazem parte dos Brics, e que ocorrerá em Brasília (DF) entre os dias 25 e 26 de fevereiro.

Na manhã desta sexta-feira (21), o secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério de Relações Exteriores (MRE), o embaixador Maurício Lyrio, apresentou os principais temas que farão parte das mesas de diálogo. Desde janeiro, o Brasil assumiu a presidência rotativa do bloco, composto também por Rússia, Índia, China e África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Indonésia e Emirados Árabes Unidos.

“E uma reunião inicial, dos sherpas, portanto, é a reunião de apresentação das prioridades, de mapear um pouco como será a presidência até a cúpula prevista para 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro, mas também depois, porque haverá algumas poucas reuniões no calendário depois. Portanto, essa primeira reunião tem o objetivo de traçar o panorama de como será a cúpula”, declarou o embaixador.

Serão sete sessões, começando pela abertura do encontro, no dia 25 de fevereiro, que terá a participação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e uma segunda sessão especial, com a participação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ainda a ser confirmada. As cinco reuniões seguintes serão temáticas, listadas a seguir:

Cooperação em saúde

O embaixador Lyrio disse que o principal tema da presidência brasileira à frente do bloco é a cooperação em saúde. Da mesma forma, como o Brasil priorizou o tema do combate à fome na presidência rotativa do G20, no Brics, o país vai propor ações multilaterais para a erradicação das doenças para as quais já existe profilaxia. O tema foi destaque do programa Repórter SUS do Brasil de Fato neste mês.

“O Brasil quer lançar uma parceria global para a erradicação de doenças socialmente determinadas e doenças tropicais negligenciadas, que incidem mais sobre os países em desenvolvimento. Não são a prioridade mais altas da indústria farmacêutica internacionais”, disse Lyrio.

Segundo o embaixador, o Ministério da Saúde brasileiro deverá apresentar aos sherpas estudos sobre a incidências dessas doenças e propostas de ações para o cumprimento da meta. A iniciativa acontece no momento que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retirada do país da Organização Mundial da Saúde (OMS), um dos principais órgãos multilaterais do mundo, vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU).

Mudanças no clima

Segundo o embaixador Maurício Lyrio, o foco das discussões sobre as mudanças climáticas será o aumento do financiamento dos países ricos voltado a ações de mitigação dos efeitos do aquecimento global nos países em desenvolvimento.

As necessidades globais não são de centenas de bilhões de dólares, são de trilhões. E as necessidades avaliadas hoje são de US$ 1,3 trilhão para o enfrentamento à mudança do clima”, declarou. “O valor de Baku ficou muito aquém disso”, completou o sherpas brasileiro, mencionando o acordo fechado durante a COP 29, na capital do Azerbaijão, em 2024, que estabeleceu a meta de “pelo menos US$ 300 bilhões por ano” até 2035.

Lyrio lembrou que o Brasil sediará a próxima Cúpula do Clima, a COP 30, no segundo semestre deste ano, e nesse sentido, os países do Brics pretendem discutir uma posição conjunta para fortalecer a necessidade de ampliação do financiamento. “Países em desenvolvimento e emergentes não ficaram satisfeitos com o acordo de Baku. Em relação ao financiamento dos países para o enfrentamento à mudança do clima, os resultados foram modestos, então há um interesse dos países do Brics de reforçar a coordenação durante a presidência do Brasil para levar uma posição conjunta sobre a questão de financiamento do combate à mudança do clima.”

*BdF

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Da direita só sobraram a grande mídia e a Faria Lima

Sem ilusões, o jogo de 2026 já começou para a oligarquia prometendo marcação cerrada contra Lula.

O lema é, “do pescoço pra cima, é tudo canela”

O tribunal dos oligarcas tropicais vem com tudo para cima do presidente Lula para tentar impedir sua reeleição.

O projeto neofascista não tem início e muito menos fim com Bolsonaro.

Esse foi apenas uma mula usada pelas forças reacionárias para devolver o Brasil à barbárie neoliberal.

O enfrentamento a isso terá que ser feito nas ruas com todas as forças políticas de esquerda e movimentos sociais.

A oligarquia virá com as milícias do racismo, as vertentes mais baixas do obscurantismo, sabotando o que der para, no fim, sabotar no governo Lula, mas principalmente a campanha de sua reeleição.

Boa parte desse roteiro foi consubstanciado na agenda da “Ponte para o abismo” social, trabalhista e político.

O jogo será pesado, uma guerra intestina travada pela mídia e pela Faria Lima contra a sociedade brasileira.

Por isso a candidatura à reeleição de Lula se afirma como a única capaz de impedir a cristalização desse bloco reacionário em um novo ciclo de governo neofascista.

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Escatológico, Bolsonaro disfarça medo de ser preso

Qualquer Freud de botequim sabe o que está por trás da frase “caguei para prisão”. O Analista de Bagé também explica tudo isso.

A primeira reação pública do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre a denúncia da PGR — e a possível condenação no STF —, foi escatológica: “Caguei para a prisão”, disse no encontro de Comunicação do PL, nesta quinta-feira (20/03), em Brasília.

Qualquer Sigmund Freud de botequim, caso desse cronista envelhecido nos barris dos Bip Bips da vida, sabe que a frase entrega o mais retumbante temor do encarceramento.

A fala nos remete, de certa maneira, à fase anal estudada pelo pai da psicanálise: o ingovernável controle esfincteriano, a retenção forçada, o autoritarismo de uma eventual prisão de ventre, entre outras especulações com origem na infância.

Levamos em conta, no repertório do botequim, as internações do célebre paciente, conhecido por austeras dificuldades digestivas, segundo diagnósticos oficiais dos melhores hospitais de Brasília e São Paulo.

Desta vez, note-se, não se pode sequer culpar o inocente camarão do litoral catarinense, como em 2022, ainda no exercício da Presidência da República. Indigesta foi a denúncia do procurador-geral Paulo Gonet, autêntico sarapatel vencido para as pretensões de um enfezado contumaz.

Uma dose de memoriol é importante. Para lembrar que o “caguei” não é novidade. Durante a pandemia de covid-19, o ex-presidente também recorreu à saída escatológica. No que obrigou o médico e então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a soltar um parecer oportuno:

“Isso aí é o álibi que muita gente quer para terceirizar sua responsabilidade. O presidente, o filho (Eduardo) têm um certo tropismo por essa região anal”, declarou o ex-ministro em entrevista.

Toda vez que a realidade aperta, o capitão golpista recorre ao verbo que remete ao suposto relaxamento do esfíncter (obrigado, de novo, Sigmund!), apesar de um expressão facial que mostra um velho político militar enfezado.

“Caguei para a prisão”, portanto, é uma tentativa desesperada do alívio que deveras não sente.

Chega, porém, desta nossa escuta psicanalítica de boteco. Prefiro endereçar o paciente aos cuidados de autêntico profissional do ramo.

Ainda no início de 2020, o escritor Luis Fernando Veríssimo, em entrevista a Roberto Dias (da Folha), indicou o seu “Analista de Bagé” para o presidente, no auge das suas patadas no “cercadinho” do Palácio da Alvorada.

“O Analista receberia o Bolsonaro com um joelhaço, para inveja de muita gente”, disse o cronista.

O joelhaço, segundo o “freudiano barbaridade” do interior gaúcho, consiste em uma técnica heterodoxa para curar frescuras e mimimis. Tudo sob o olhar perverso da bela recepcionista e assistente Lindaura.

Mais ortodoxo que caixa de Maizena, o analista diria que o famoso paciente está mais medroso que cascudo atravessando galinheiro. Melhor: mais nervoso que potro com mosca no ouvido, como também se fala nos melhores bares e bolichos da querida Rainha da Fronteira.

*Xico Sá/ICL

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Lula: ‘Comida barata é minha obsessão’

Presidente reafirma compromisso com controle da inflação e exalta crescimento econômico dos últimos dois anos: “dizem que tenho sorte”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou nesta sexta-feira (21) o compromisso do governo federal para controlar a inflação e baratear os alimentos para a população. Em discurso durante a cerimônia de assinatura da concessão do porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, Lula destacou o crescimento econômico do país durante o seu terceiro mandato.

“Qual foi a vez que o Brasil cresceu mais de 7,5%? Quando eu deixei a Presidência da República, a economia brasileira crescia 7,5%, a massa salarial era maior, o salário mínimo era maior.Quando eu deixei a Presidência a gente vendia 3,8 milhões de carros por ano. Quando eu voltei a gente só vendia 1,6 milhão, metade do que a gente produzia há 15 anos, e já voltamos 2,8 milhões. Se Deus quiser vamos chegar a 3,8 milhões, porque eu quero é o dinheiro circulando no meio do povo. O pobre é que faz a economia crescer. Quando ele tem um pouco de recurso ele não deposita no banco. Ele vai comprar coisas para sua família, comida, roupa”, disse.

Lula defendeu que a população pobre tenha acesso à alimentos de qualidade por um preço baixo e falou sobre os efeitos da inflação na vida dos brasileiros. “Tem gente que acha que pobre não gosta de coisa boa, que a gente gosta de comer coisa estragada, que a gente gosta de ir na xepa. A gente gosta de comer do melhor, a gente quer comer bem, quer comer carne, frango, peixe. Por isso eu tenho a obsessão de fazer o alimento barato, para que vocês possam comprar. Eu já vivi com inflação a 80% ao mês. Eu recebia o salário, corria no atacadista, comprava mais papel higiênico do que eu ia utilizar. E comprava por quê? Para o meu salário não ser corroído, e é isso que eu quero evitar”, explicou.

Por fim, o presidente voltou a afirmar que o governo precisa garantir a distribuição igualitária do crescimento econômico. “Por isso tenho orgulho de dizer que depois que eu deixei a Presidência em 2010, pode perguntar para economia, a imprensa pode pesquisar, a economia nunca mais havia crescido acima de 3%. Eles dizem que eu tenho sorte. Eu voltei e já crescemos a 3,5%, vamos crescer a 3,8% e vamos continuar crescendo. E mais importante do que crescer é distribuir o crescimento, para que o povo possa melhorar de vida, possa viver melhor, comer mais”, declarou Lula.

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preço do ovo um absurdo, diz Lula que vai chamar atacadistas para discutir inflação dos alimentos

O presidente mencionou especificamente o mercado de ovos, ressaltando que os Estados Unidos passaram a importar o produto brasileiro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (20) que pretende convocar atacadistas para uma reunião no governo federal com o objetivo de buscar alternativas para reduzir os preços dos alimentos no Brasil. Em entrevista à rádio Tupi FM, do Rio de Janeiro, Lula expressou sua preocupação com o aumento dos custos para o consumidor e destacou que considera “absurdo” o preço atual de uma cartela de 30 ovos, que pode chegar a R$ 40.

“Vamos ter que fazer reunião com atacadistas para pensarmos juntos alternativas para baixar o custo dos alimentos. O fato de estar vendendo produto em dólar, que está alto, não significa que tem que colocar no preço do brasileiro o mesmo que ele exporta”, afirmou o presidente. Lula destacou que a alta nos preços está relacionada às exportações e à cotação da moeda estrangeira, enfatizando que o mercado interno não pode ser prejudicado por essa dinâmica.

O presidente mencionou especificamente o mercado de ovos, ressaltando que os Estados Unidos passaram a importar o produto brasileiro, o que tem contribuído para a pressão sobre os preços no Brasil. “Estamos conversando com os empresários para que continuem exportando, mas não pode faltar para o povo brasileiro. Não se pode colocar o mesmo preço que você exporta. Quando me disseram que uma caixa de 30 ovos estava R$ 40, achei um absurdo. No momento que estamos vivendo, não conseguimos controlar o preço do dia para noite”, disse Lula.

A declaração do presidente ocorre em um momento em que o Brasil enfrenta oscilações nos preços dos alimentos devido a uma combinação de fatores, incluindo crises climáticas e aumento da demanda externa. Lula destacou que condições climáticas extremas, como estiagens, incêndios florestais e chuvas intensas, têm impactado diretamente a produção agropecuária, elevando o custo de produtos como o café.

Apesar desse cenário desafiador, Lula ressaltou os esforços do Ministério da Agricultura para expandir mercados de exportação sem comprometer o abastecimento interno. “O Brasil está preparado para fornecer alimento ao mundo sem permitir que isso afete o preço [interno]. Não podemos aumentar o preço aqui dentro por causa do preço lá fora. O mundo quer comer e o Brasil pode ceder alimentos sem precisar desmatar nada”, afirmou.

A entrevista também ocorre às vésperas da visita de Lula ao Rio de Janeiro, onde participará da assinatura do contrato de concessão do terminal portuário ITG02, em Itaguaí. O empreendimento, arrematado pela Cedro Participações S.A. em leilão realizado em dezembro de 2024, receberá investimentos de R$ 3,58 bilhões e é considerado um marco para o setor portuário do estado. Com 247.