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Votação consistente de Marta pode ajudar Boulos em Parelheiros e Grajaú

Dados eleitorais mostram sobreposição de votos entre Marta e o PT na periferia, mas ex-prefeita tem vantagem no extremo sul da capital, que é reduto de Nunes.

Com um eleitorado consolidado na periferia de São Paulo, Marta Suplicy (PT) pode ajudar Guilherme Boulos (PSOL) a expandir sua votação sobretudo em Parelheiros e no Grajaú, na zona sul, onde ela ou o candidato apoiado por ela se sobressaíram nas últimas eleições municipais —e onde o prefeito Ricardo Nunes (MDB) tem sua base eleitoral.

Prefeita de São Paulo de 2001 a 2004, Marta se filiou ao PT nesta sexta-feira (2) para ser vice de Boulos em ato com a presença do presidente Lula (PT) e do ex-prefeito e atual ministro Fernando Haddad.

Resultados eleitorais analisados pela Folha, com base nos dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mostram que, como apontam adversários do psolista, há certa sobreposição nos votos de Marta e do PT, que historicamente se concentraram nos extremos da cidade, regiões que Boulos conquistou no segundo turno de 2020, aliado aos petistas, mas não no primeiro, segundo a Folha.

De qualquer forma, Marta estabeleceu uma vantagem numérica constante, inclusive superior aos petistas, entre os eleitores de Parelheiros e Grajaú —que representam 4,76% do eleitorado da capital, segundo dados do pleito de 2022.

“De alguma maneira, Marta agrega, não dá para dizer que não agrega. Ter vencido nessas regiões desde 2000 é um indício, sem dúvida, da força eleitoral dela. Por mais que mude o contexto eleitoral, é uma presença que se mantém”, diz o cientista político Marco Antonio Teixeira, da FGV.

Na opinião do especialista, o volume de votos em Grajaú e Parelheiros não é desprezível. O primeiro ato público de Boulos e Marta juntos será justamente em Parelheiros.

Reduto de Marta, a periferia da zona sul é também a área de atuação e, portanto, de maior competição entre os principais pré-candidatos —Boulos, Nunes e Tabata Amaral (PSB).

O psolista mora no Campo Limpo, e a pessebista cresceu na Vila Missionária, onde ainda mora sua mãe. Já o prefeito, que mora em Interlagos, concentra seus eleitores em Parelheiros, Grajaú e Capela do Socorro.

As últimas eleições dão pistas sobre o efeito de Marta na votação de Boulos, mas a comparação deve levar em conta os diferentes contextos e postulantes em cada pleito. Além disso, marqueteiros ouvidos pela reportagem opinam que, em geral, os candidatos a vice, condição que Marta ocupa agora, não alteram de forma significativa o resultado dos candidatos a prefeito.

Como cabeça de chapa, Marta venceu em Parelheiros e Grajaú em 2000, 2004 e 2008. Haddad, disputando no PT, venceu em 2012. Em 2016, eles foram adversários —ela concorreu pelo MDB e ele pelo PT, mas foi Marta quem venceu no extremo sul, com quase o dobro de votos dele, no único turno do pleito.

Naquele ano, com o PT combalido pela Lava Jato e pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT), João Doria, então no PSDB, se elegeu no primeiro turno com 53,29% dos votos —Haddad ficou em segundo lugar (16,7%), e Marta em quarto (10,1%).

O então tucano venceu em todos os distritos, menos nos redutos de Marta: Parelheiros (37,2% a 28,2%) e Grajaú (31,6% a 30,6%, resultado apertado).

No primeiro turno de 2020, Bruno Covas (PSDB), candidato apoiado por Marta, teve mais votos (72,3 mil) nessas duas regiões do que Boulos (48,2 mil) e o petista Jilmar Tatto (53,6 mil). De dentro do Martamóvel, caminhonete com paredes transparentes, ela fez campanha para o tucano nos dois bairros protegida da pandemia de Covid-19.

Os resultados nessas regiões são influenciados pela atuação dos vereadores locais, especialmente Milton Leite (União Brasil), que estabeleceu um reinado na zona sul e atuou a favor de Covas em 2020. A família Tatto, por sua vez, também é uma força eleitoral que trabalha pelo PT na mesma área.

O próprio Nunes, como candidato a vereador em 2016 e a vice em 2020, fez campanha para Marta e Covas, respectivamente, na sua região. Marco Antonio Teixeira, porém, afirma que o mérito da votação é mais da ex-prefeita do que do atual prefeito, que “era um ilustre desconhecido”.

O cientista político ressalta ainda a variação dos cenários em cada eleição —em 2016, Marta concorria pelo MDB, fazendo oposição ao PT, partido que viu seu eleitorado na cidade minguar para praticamente a metade entre os primeiros turnos de 2012 e 2016. Agora, ao contrário de 2020, Lula e o PT estão reabilitados na capital, onde ele venceu com 53,5% em 2022.

Aliados de Nunes e mesmo integrantes da equipe de Boulos dizem não acreditar que Marta possa agregar ao psolista mais eleitores do que os que ele já alcança com o PT. Adversários da ex-prefeita lembram que ela não conseguiu se reeleger, sofrendo derrotas em 2004, 2008 e 2016.

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Política

Lula e o Santos-Guarujá: como vai funcionar o primeiro túnel submerso da América Latina

O empreendimento prevê uma ciclovia, passagem para pedestres e três faixas de rolamento por sentido, sendo uma adaptável ao VLT; tempo de travessia entre as cidades deve diminuir 50 minutos.

Esperado há pelo menos 100 anos, o túnel que vai ligar as cidades de Santos e Guarujá vai sair das pranchetas para virar realidade. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) divulgaram nesta sexta-feira (2) a parceria para a execução das obras do primeiro túnel imerso da América Latina, diz O Globo.

Serão três faixas de rolamento por sentido, além de uma ciclovia e passagem para pedestres — Foto: Divulgação

O projeto prevê a ligação seca entre Santos e Guarujá, com extensão total de 1,5 km, por meio de um túnel imerso de 870 metros, que passará por baixo do canal que abriga o porto mais movimentado do Brasil. Serão três faixas de rolamento por sentido, sendo uma adaptável para receber o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de uma ciclovia e passagem para pedestres.

Via para pedestres será compartilhada com a ciclovia — Foto: Divulgação

O desafio para construir o túnel submerso é grande: serão seis módulos pré-moldados com concreto armado, a uma profundidade mínima de 21 metros. Eles serão construídos em uma doca seca e transportados por flutuação até o local onde o leito do canal será preparado. Assim, os módulos serão imersos, encaixados e fixados para concluir a estrutura, sem interromper o tráfego de navios no canal.

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Ministério da Educação reajusta piso de professores da educação básica para R$ 4.580,57

De acordo com o texto, o piso é válido para profissionais do ensino público, com jornada de no mínimo 40 horas semanais.

O Ministério da Educação reajustou nesta quinta-feira o piso salarial nacional de professores da educação básica para R$ 4.580,57. O texto oficializando a medida foi publicado no Diário Oficial da União.

O reajuste representa um aumento de 3,62%. Em 2023, o piso era de R$4.420,55.

A lei que determina o reajuste anual do piso salarial dos professores de educação básica vigora desde 2008. De acordo com o texto, o piso é válido para profissionais do ensino público, com jornada de no mínimo 40 horas semanais.

No último ano, o reajuste foi de cerca de 15% em relação a 2022, quando o piso era de R$ 3.845,63.

Na ocasião, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que a valorização dos profissionais da educação é “fator determinante para o crescimento do nosso país”.

 

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Primeira lista com nomes de autoridades vigiadas pelo sistema espião da Abin paralela é divulgada; confira abaixo

Ministros do Supremo Tribunal Federal, senadores da República, ministros do governo, além de alguns opositores estão incluídos.

O jornalista Tulio Amâncio, da Band, obteve a lista de algumas autoridades vigiadas com o uso do sistema espião da chamada Abin Paralela. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), senadores da República, ministros do governo, além de alguns opositores.

Veja a lista inicial:

  • Abraham Weintraub;
  • Anderson Torres;
  • Flávia Arruda;
  • General Carlos Alberto dos Santos Cruz;
  • Kim Kataguiri;
  • Alexandre Frota;
  • Rodrigo Maia;
  • Otto Alencar;
  • Soraya Thronicke;
  • Renan Calheiros;
  • Rogério Carvalho;
  • Omar Aziz;
  • Humberto Costa;
  • Randolfe Rodrigues;
  • Simone Tebet;
  • Alessandro Vieira;
  • Luís Roberto Barroso;
  • Gilmar Mendes;
  • Alexandre de Moraes;
  • João Dória;
  • Camilo Santana.
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Mundo

2023: o ano mais sangrento já vivido pelos palestinos da Cisjordânia

Na Cisjordânia, governada pela Autoridade Nacional Palestina, os ataques de colonos e soldados israelenses prosseguem, com o número de crianças mortas duplicando desde 2022.

A segunda Nakba prossegue em ritmo acelerado na Cisjordânia, com níveis de violência sem precedentes perpetrada tanto pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) como pelos colonos israelenses. O escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) alertou para o fato de Israel estar impondo um estado de “terror constante” na Cisjordânia em razão da força do Estado israelense e à violência dos colonos.

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) disse que 2023 foi o ano mais mortal para os palestinos na Cisjordânia desde que começou a registrar vítimas em 2005. Cerca de 300 palestinos foram mortos na Cisjordânia entre 7 de outubro e 10 de janeiro. O pior ano da história em termos de mortes de crianças.

O Peace Now, um grupo de defensores israelenses, relatou um “aumento sem precedentes da atividade de colonização na Cisjordânia”, que os colonos realizam geralmente com o apoio das Forças de Defesa de Israel (IDF). Um grande número de assentamentos viola terrenos privados palestinos. Até hoje, foram criados nove novos assentamentos e 18 estradas ilegais foram pavimentadas, além de haver um “novo fenômeno de colonos que fecham as vias de tráfego palestinas contra ordens militares”.

300 ataques de colonos desde 7 de outubro

Desde 7 de outubro, foram registrados mais de 300 ataques de colonos israelenses, nos quais estes “ameaçam palestinos com armas de fogo, vandalizam as suas propriedades, obstruem [o acesso à água potável], arruínam as suas [oliveiras]… roubam os seus pertences”, além de atacá-los fisicamente. A violência dos colonos obrigou mais de 1,2 mil palestinos a abandonar as suas casas.

Embora Israel não tenha aprovado oficialmente estes assentamentos, de acordo com o relatório do ACNUDH divulgado recentemente, os colonos estão expandindo os assentamentos com o apoio político dos principais ministros do governo mais direitista de Israel até hoje. Em 24 de dezembro, o gabinete de Israel aprovou 75 milhões de shekels israelenses (20 milhões de dólares americanos) para fortificar 70 assentamentos na Cisjordânia, apesar de eles serem reconhecidos como ilegais.

Esta medida viola de forma flagrante a Resolução 2334 do Conselho de Segurança da ONU de 2016, que considerou os assentamentos de Israel, já naquela época, como uma “violação flagrante do direito internacional” e exigiu que a expansão fosse interrompida de acordo com as Convenções de Genebra. É evidente que o governo israelense e muitos dos seus cidadãos não se importam nem respeitam quaisquer tratados ou acordos, uma vez que continuam com a limpeza étnica do povo palestino de suas terras.

Drones assassinam jovens

Além disso, as IDF têm realizado constantes incursões, perseguições e ataques a várias cidades, vilas e campos de refugiados da Cisjordânia para atingir preventivamente aquilo que chamam de “células terroristas”. Durante o seu ataque ao campo de refugiados de Balata, as IDF dispararam recentemente diretamente contra ambulâncias, para impedir que chegassem aos civis feridos. No sul da Cisjordânia, as IDF dispararam gás lacrimogêneo contra jovens que resistiam aos ataques ilegais.

As IDF têm como alvo habitual os jovens, e recentemente mataram Yousef Nader Suleiman Idrees, de 16 anos, que estava sentado perto da área onde os confrontos estavam ocorrendo. Os israelenses também realizam ataques com drones contra palestinos inocentes. No dia 7 de janeiro, ataques com drones mataram sete palestinos, quatro deles irmãos, que estavam a caminho do trabalho em Jenin.

Israel também tem como alvo os palestinos nos postos de controle, onde são impostas restrições de movimento sufocantes e discriminatórias. O mesmo se aplica ao direito de culto dos palestinos da Cisjordânia, a quem se nega cada vez mais acesso à mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental, especialmente para as orações de sexta-feira, onde normalmente 50 mil pessoas comparecem. Recentemente, a polícia israelense atacou os fiéis perto de Al-Aqsa com água de esgoto.

IDF / WikiCommons
Ataque das Forças de Defesa de Israel ao acampamento de Jenin, em janeiro de 2023
O número de crianças vitimadas duplicou e 880 pessoas foram presas

Enquanto enfrentam humilhantes derrotas militares e operacionais em Gaza, as Forças de Defesa de Israel conduzem operações contra os mais vulneráveis na Cisjordânia. A UNICEF informa que o número de crianças mortas duplicou desde 2022, com 83 crianças mortas e 576 feridos e detidos. O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou que “as violações documentadas no [relatório do ACNUDH] repetem o padrão e a natureza das violações relatadas no passado no contexto da prolongada ocupação israelense… a intensidade da violência e da repressão é algo que não se via há anos”.

Os terríveis ataques das IDF são complementados pelas suas detenções arbitrárias em massa de palestinos sob acusações forjadas. Muitos são depois detidos em regime de detenção administrativa sem sequer uma acusação. As IDF prendem preventivamente cerca de 60 palestinos por dia, e há atualmente mais de 5.730 detidos. Desde o início de 2024, quase 230 palestinos foram presos na Cisjordânia.

O ACNUDH descreve as detenções: “abusos físicos e psicológicos e humilhações por parte das [IDF], incluindo violência sexual e de gênero contra homens e mulheres”, de modo que o próprio processo de detenção equivale à tortura.

No dia 20 de novembro, as IDF prenderam cerca de 880 crianças palestinas, uma prática brutal tornada possível pela persistente desumanização do povo palestino por parte dos israelenses como “animais”. As condições são tão terríveis que Luay Al-Taweel, de Hebron, recentemente libertado, descreveu a prisão sionista em Negev como uma “cópia exata das prisões de Abu Ghraib e Guantânamo, ambas ‘símbolos notórios’ das violações dos direitos humanos cometidas pelos EUA”.

O povo se defende

Apesar do terror constante e dos ataques devastadores das IDF e dos colonos, os palestinos da Cisjordânia convocaram uma greve geral no começo de janeiro para protestar contra o assassinato do líder do Hamas e das Brigadas Al-Qassam, Saleh Al-Arouri, por parte de Israel. A greve abrangeu empresas, universidades e escritórios públicos e privados, liderada por uma coalizão de facções palestinas. Ismat Shakhshir, membro da Secretaria Geral da União Geral das Mulheres Palestinas, descreveu os assassinatos como “medidas desesperadas” devido à “incapacidade da ocupação de avançar em Gaza”.

Os combatentes da resistência em Nablus, Jenin, Ariha e em outras áreas continuam repelindo a violência israelense, apesar da falta de equipamento militar avançado. O alto oficial político do Hamas, Husam Badran, afirmou que “a resistência em Jenin e em toda a Cisjordânia quebrará a arrogância da ocupação [israelense]”.

Uma agressão israelense-americana

Enquanto as evidência de agressão flagrante e ilegal e as baixas atingem níveis sem precedentes, os EUA continuam dando poder ao governo israelense para levar adiante sua agenda genocida, ao mesmo tempo em que oferecem condenações frouxas para preservarem as aparências. Na ONU, os EUA bloquearam os apelos a um cessar-fogo, mesmo depois de o artigo 99.º da Carta das Nações Unidas, raramente utilizado, ter sido invocado para alertar para uma “catástrofe humana iminente” em Gaza.

Ainda em dezembro, o governo Biden apresentou um projeto de lei sobre segurança nacional, que inclui mais 10,1 bilhões de dólares em ajuda militar incondicional a Israel, e contornou duas vezes o Congresso para enviar imediatamente armas e munições a Israel.

Esta não é apenas uma guerra israelense, é uma guerra israelense-americana. Washington é também um perpetrador de genocídio e totalmente responsável por todos os ferimentos e mortes tornados possíveis pelas armas e pelo apoio político dos EUA.

*SAMEENA RAHMAN/Opera Mundi

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Política

PF adia depoimento de Bolsonaro e muda local após convocação para ato

A Polícia Federal (PF) adiou o depoimento de Jair Bolsonaro sobre a suposta importunação a uma baleia em São Sebastião, litoral de SP.

A Polícia Federal (PF) adiou os depoimentos de Jair Bolsonaro e Fabio Wajngarten sobre a suposta importunação a uma baleia, no litoral paulista. As oitivas estavam previstas para ocorrer na próxima quarta-feira (7/2), mas foram reagendadas para o fim do mês (27/2), diz Paulo Cappelli, Metrópoles.

O local do depoimento também foi alterado e não será mais em São Sebastião, município em que o ex-presidente se aproximou da jubarte com um jet ski. A PF transferiu a oitiva para a capital de São Paulo.

Nesta quinta-feira (1/2), a coluna antecipou que a PF em SP havia mapeado o planejamento de manifestação pró-Bolsonaro nas proximidades da acanhada delegacia de São Sebastião no dia 7. Hoje, o próprio ex-presidente convocou, nas redes sociais, seus apoiadores a comparecerem ao ato.

Advogado do ex-presidente, Fabio Wajngarten também foi intimado a depor pela PF por acompanhar Bolsonaro na viagem em que ele se aproximou da baleia com a moto aquática.

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Investigação

Indícios mostram que Jair Bolsonaro recebeu informações da ‘Abin Paralela’

Segundo a PF, dossiês e documentos produzidos pela agência eram impressos e entregues ao Palácio do Planalto.

A Polícia Federal já identificou indícios de que o ex-presidente Jair Bolsonaro seria um dos destinatários das informações do esquema de espionagem ilegal na Abin (Agência Brasileira de Inteligência) sob a gestão do ex-diretor Alexandre Ramagem.

Esses elementos foram apresentados à PGR (Procuradoria-Geral da República) e ao STF (Supremo Tribunal Federal) e serão aprofundados nas próximas diligências, a partir das novas provas colhidas nas buscas contra Ramagem e contra Carlos Bolsonaro, o filho 02 do ex-presidente.

As provas colhidas até o momento, de acordo com a investigação da PF, indicam que dossiês e documentos produzidos pela Abin paralela eram impressos e entregues ao Palácio do Planalto durante a gestão presidencial de Jair Bolsonaro.

Essas informações também se somam às provas apuradas em um inquérito anterior, sobre as interferências indevidas de Bolsonaro na Polícia Federal durante seu período como presidente da República.

A descoberta de que Ramagem imprimiu, em fevereiro de 2020, duas listas de inquéritos eleitorais em tramitação na PF do Rio de Janeiro reforça as suspeitas de ilegalidade nas pressões feitas por Jair Bolsonaro para ter o controle da Superintendência da PF do Rio naquele mesmo período. Por isso, a investigação aponta indícios de que Ramagem abasteceu Jair Bolsonaro com informações da PF do Rio.

As listas de inquéritos, de natureza sigilosa, teriam sido repassadas a Ramagem por algum integrante da PF do Rio de Janeiro. Os investigadores vão analisar os acessos feitos ao sistema da própria Polícia Federal para identificar a origem da informação.

Também na época, a PF do Rio de Janeiro conduzia um inquérito eleitoral sobre as declarações de bens do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ao fim do caso, a PF concluiu que não houve crime.

Além disso, a Abin de Ramagem intensificou o uso de um sistema de monitoramento, o First Mile, no período eleitoral de 2020. De acordo com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, em um universo de 60 mil consultas ao sistema, a metade ocorreu nesse período. Isso, de acordo com a investigação, indica a instrumentalização da Abin para fins eleitorais de interesse do núcleo político.

A PF também apura se o então ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, tinha conhecimento e deu o aval para as operações de espionagem ilegal conduzidas por Ramagem. Por isso, ele foi intimado para prestar depoimento.

Além das informações sobre inquéritos no Rio de Janeiro, os dossiês impressos encontrados em buscas e apreensões — sobre o assassinato de Marielle Franco, por exemplo — são indícios, segundo investigadores, de que o material era produzido para destinatários fora da Abin, possivelmente no Palácio do Planalto.

Bolsonaro pressionou PF
Em agosto de 2019, Bolsonaro anunciou publicamente que iria trocar o superintendente da PF do Rio, Ricardo Saadi, e tentou escolher o nome do novo superintendente.

As declarações geraram uma crise com a corporação e o então ministro da Justiça, Sergio Moro. Saadi deixou o cargo, mas a cadeira permaneceu vaga por cerca de três meses, até a nomeação do delegado Carlos Henrique Sousa para o posto, em novembro daquele ano, escolhido pelo comando da PF.

As pressões de Bolsonaro sobre a PF, entretanto, continuaram. Por isso, em abril de 2020, o então ministro da Justiça Sergio Moro pediu demissão e disse que Bolsonaro queria obter informações sobre investigações em andamento na corporação.

“O presidente me disse mais de uma vez, expressamente, que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, que ele pudesse colher relatórios de inteligência, seja diretor, seja superintendente. E realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação”, disse Sergio Moro, no seu anúncio de demissão do governo Bolsonaro em abril de 2020.

Em uma reunião ministerial de abril de 2020, Bolsonaro chegou a verbalizar seu desejo de trocar o superintendente da PF do Rio para blindar amigos e familiares.

“Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”, disse Jair Bolsonaro na referida reunião.

Depois disso, a PF abriu um inquérito a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) para apurar possíveis crimes, como a suspeita de que Bolsonaro queria trocar o superintendente do Rio para proteger amigos e familiares. A PF concluiu o caso apontando que não houve prática de crime, e a PGR pediu arquivamento, mas o relator, ministro Alexandre de Moraes, ainda não decidiu sobre esse arquivamento.

Esses novos indícios obtidos no inquérito sobre a Abin podem ser usados pelos investigadores para retomar essa linha de apuração.

A PF apura se Bolsonaro se baseou em informações fornecidas por Ramagem para chegar à conclusão de que o superintendente do Rio estaria perseguindo sua família e amigos.

Outro Lado
Procurada, a defesa de Jair Bolsonaro não se manifestou sobre o assunto. Em uma transmissão ao vivo para seus seguidores feita no último domingo, Bolsonaro chamou de “narrativa” a investigação sobre o assunto e disse que Ramagem era “um cara fantástico”. A defesa de Ramagem não retornou aos contatos.

 

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Brasil tem mais templos religiosos do que hospitais e escolas juntos; Região Norte lidera com 459 para cada 100 mil habitantes

Novos dados do Censo 2022 divulgados pelo IBGE mostram que país tem 580 mil estabelecimentos religiosos (de todos os tipos). Já o número de instituições de ensino é de 264 mil e de unidades de saúde, 248 mil.

O Brasil tem mais estabelecimentos religiosos do que o total somado de instituições de ensino e de saúde. É o que mostram os novos dados do Censo 2022 divulgados nesta sexta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). São, em média, 286 igrejas para cada 100 mil habitantes do país.

Pela primeira vez, o IBGE mapeou todas as coordenadas geográficas e os tipos de edificações que compõem os 111 milhões de endereços do Brasil cadastrados durante a pesquisa.

O Censo entende como estabelecimento religioso igrejas, templos, sinagogas e terreiros, por exemplo, de todas as religiões.

  • Estabelecimentos religiosos (igrejas, templos e outros): 579,7 mil – 286 para cada 100 mil habitantes
  • Estabelecimento de ensino (escolas, creches, universidades): 264,4 mil – 130 para cada 100 mil habitantes
  • Estabelecimento de saúde (hospitais, clínicas, pronto socorro): 247,5 mil – 122 para cada 100 mil habitantes

Veja no mapa abaixo:

Estabelecimentos religiosos para cada 100 mil habitantes no país
São considerados os endereços de todas as religiões: igrejas, templos, sinagogas, terreiros, entre outros.

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Política

É chegada a hora de a Justiça sair pra pescar peixes graúdos

Os bolsonaro saíram pra pescar, em plena segunda-feira, às seis e pouco da matina.

Veja você.

E foram em cardume, num comboio naval que incluiu um barco e duas motos aquáticas.

Por que tão cedo?, perguntavam uns desconfiados curiosos.

Ora, todos sabemos, desde os bíblicos tempos, que a madruga é o melhor horário para a pescaria.

Os peixinhos, vulneráveis porque ainda insones, espreguiçam-se, bocejam e, depois de escovarem os dentes, saem em busca do café da manhã.

É espetar uma minhoca na ponta do anzol, botar um cigarrim de palha no canto da boca e esperar a fisgada.

Nesse meio tempo, aprecia-se o silêncio marulhento daquela imensidão azul,

Ouve-se o alarido das gaivotas a esfregar as asas no vento,

Avista-se uma gigante jubarte a passear com um filhote,

Fotografa-se um golfinho rotador dando acrobáticos giros no ar.

É silêncio, solidão e cerveja.

Mas veja como é ilusória a paz do pescador de segundas-feiras.

Enquanto carluxo se distraía com uma vara na mão, os federa baculejavam o seu cafofo.

Reviravam gavetas, levantavam colchões e espremiam creme dental em busca de vestígios criminosos.

Chegaram mesmo a encontrar uma estranhíssima sacola de lingeries no quarto do cabeçorra.

Só a sacola, nada dentro.

Suspeita-se de que ali estava a farda de pescaria de carluxo.

A vara ele pode ter comprado numa sexy shop.

Pois bem, o horário, como vimos, era propício para a pescaria.

As embarcações, como se deduz, estavam equipadas com os mais modernos equipamentos para a prática de uma fashion fishing.

E o mar, como sempre, estava tranquilo e majestosamente piscoso.

Qualquer caiçara com uma humilde vara de bambu e um anzol remendado, diante de um cenário desses, não voltaria pra casa de mãos abanando.

Pois num é que os nossos diligentes pescadores chegaram à praia sem trazer um único peixe.

Uma escama, uma espinha, nada.

O que nos remete a joão 21, onde lemos que pedro e seus amiguinhos saíram para uma pescaria, “todos subiram no barco, mas naquela noite não pescaram nada”.

Há controvérsias.

As imagens sugerem que jair trazia no ventre a mesma baleia que engolira o jonas bíblico.

Há quem diga que isso é história de pescador.

Mas há, ainda, algo mais mais curioso;

Carluxo, que parece um mero, voltou da pescaria a nado, deixando o jet na casa de um bróder.

Ora, esse bracejar mar a fora levantou suspeita.

Acredita-se que a rede que os pescadores lançaram ao mar já estava cheia de peixes graúdos.

Tratou-se, portanto, de uma pescaria reversa.

O fundo do mar de angra, nesse momento, pode estar repleto de equipamentos eletrônicos.

Espera-se que um bom escafandrista, escarafunchando o pélago marinho, encontre a lan house de carluxo nas obscuras profundezas abissais.

E que Xandão, fantasiado de poseidon, com uma barba rélvica e um tridente afiado, espete o rabo desses mitômanos vigaristas.

É chegada a hora da justiça sair pra pescar, e que não retorne mais com os bagrinhos de sempre, queremos os peixes grandes.

Palavra da salvação.

Lelê Teles é jornalista, roteirista e mestre em Cinema e Narrativas Sociais pela Universidade Federal de Sergipe (UFS)

*Viomundo

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Mundo

Avião militar com prisioneiros ucranianos foi abatido por míssil dos EUA, diz Putin

Presidente russo admite que Ucrânia pode ter derrubado avião por acidente, mas disse que ‘ainda assim é crime’.

O presidente russo, Vladimir Putin, declarou nesta quarta-feira (31/01) que o avião militar Il-76 que transportava prisioneiros de guerra ucranianos foi abatido por um sistema de mísseis norte-americano Patriot.

“O avião foi abatido – isso já foi estabelecido com certeza – pelo sistema americano Patriot. Uma perícia já estabeleceu isso”, disse ele.

Na semana passada um avião de transporte militar russo Il-76 caiu na região de Belgorod em 24 de janeiro. O Ministério da Defesa russo disse que havia 65 prisioneiros de guerra ucranianos e nove militares russos a bordo. Todos morreram. O Ministério da Defesa russo e o Comitê de Investigação afirmam que o avião foi abatido por dois mísseis antiaéreos vindos do território da região de Kharkov.

A Direção Principal do Ministério da Defesa da Ucrânia confirmou que naquele dia deveria ocorrer uma troca de prisioneiros, mas que teria sido cancelada. Kiev não confirmou nem o ataque com mísseis ao Il-76, nem que houvesse prisioneiros ucranianos a bordo. O presidente ucraniano, Volodmyr Zelensky, disse que a Ucrânia insistiria em uma investigação internacional.

Putin, por sua vez, também afirmou que a Rússia insiste que seja realizada uma investigação internacional, mas, segundo ele, não há voluntários de organizações internacionais.

“Digo oficialmente: pedimos que enviem especialistas internacionais e façam essa análise, avaliem as evidências materiais disponíveis de que o avião foi abatido pelo sistema Patriot”, enfatizou.

Ao mesmo tempo, Putin admitiu que as Forças Armadas Ucranianas poderiam ter abatido o avião por negligência. “As forças armadas ucranianas abateram o nosso avião, que transportava 65 dos seus próprios militares destinados à troca. Vocês perguntam por que eles fizeram isso. Não sei. Não entendo”, disse Putin, durante uma reunião com membros do gabinete.

O presidente russo também acrescentou que mesmo que o avião tenha sido abatido acidentalmente, “ainda é um crime” por conta da negligência.

Rússia e Ucrânia conseguem nova troca de prisioneiros

Após a interrupção das conversações para a troca de prisioneiros de guerra com a queda do avião militar russo Il-76, Moscou e Kiev voltaram a relatar uma grande troca de soldados capturados nesta quarta-feira (31).

Primeiramente, o Ministério da Defesa russo relatou a troca, afirmando 195 militares russos foram devolvidos e, em troca, “exatamente 195 prisioneiros de guerra das Forças Armadas Ucranianas” também foram transferidos neste 31 de janeiro como resultado das negociações.

Posteriormente, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, confirmou a troca, mas citou um número diferente, afirmando que 207 prisioneiros ucranianos foram liberados.

*Opera Mundi