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ONGs acusam Israel de roubar órgãos de cadáveres palestinos em Gaza

Israel também retém cadáveres de palestinos como moeda de troca, recusando devolução dos corpos às famílias das vítimas para negociações futuras.

Ao negar o direito de enterrar entes queridos, Israel inflige a angústia do luto sem fim. Uma prática de décadas que ONGs de defesa dos direitos humanos descrevem como uma tentativa de controlar e punir as famílias palestinas. Muitos corpos estão enterrados em valas comuns como indigentes e outros estão esquecidos congelados em necrotérios.

As autoridades israelenses afirmam que esta política é necessária para evitar supostos tumultos e protestos durante os funerais de palestinos mortos por Israel. O regime israelense também usa a mesma tática de tratamento com mortos que são suspeitos de terem participado de ataques contra Israel, usando os seus cadáveres como barganha de negociações com líderes palestinos.

Israel é o único país do mundo que tem uma política de confisco e moeda de troca de restos mortais humanos, o que constitui uma grave violação do direito internacional e dos direitos humanos.

O diretor do hospital Al-Shifa, a maior unidade de saúde de Gaza, recentemente atacada e invadida pelo exército israelense, afirma que as IDF sequestraram corpos palestinos.

O número estarrecedor de mortos na Faixa de Gaza devido à invasão militar de Israel colapsou hospitais e cemitérios, fazendo com que palestinos fossem enterrados em valas comuns. À luz desta selvageria, a recusa de Israel em devolver os corpos dos mortos, deu contornos ainda mais sombrios a esta guerra.

Em junho de 1967, durante a Terceira Guerra Árabe-Israelense, Israel ocupou a Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza. Neste contexto, militares israelenses enterraram soldados árabes e prisioneiros de guerra em valas comuns. Estes mortos não foram identificados até hoje, e as suas famílias foram condenadas ao luto e à procura incessantes.

Os cemitérios de números são locais dentro de Israel em zonas militares fechadas. Estas sepulturas anônimas, são identificadas por números. Ao longo das décadas, o exército continuou enterrando palestinos nestes cemitérios ou reteve os corpos até que as famílias aceitassem várias restrições para os respectivos funerais. O ‘Estado’ de Israel argumenta que manifestações em funerais representam uma ameaça à segurança nacional.

De 2007 a 2015, Israel interrompeu a prática de reter os corpos. Nesse ínterim, surgiram outras revoltas palestinas, muitas vezes referida como a “intifada das facas”. Durante este período, os palestinos atacaram esporádica e individualmente militares, policiais e colonos com facas e armas artesanais. Centenas de palestinos foram mortos e os seus corpos foram frequentemente confiscados às famílias.

Desde 2015, os corpos destes palestinos assassinados têm sido mantidos em gavetas do necrotério no Instituto Forense Abu Kabir, perto de Tel Aviv. O total é agora de 135, e os corpos que foram devolvidos às famílias foram sujeitos a condições rigorosas.

Em alguns casos, as famílias são informadas de que os seus entes queridos mortos devem ser enterrados longe das suas casas. Em 2018, o governo israelense, pela primeira vez, aprovou uma resolução que afirmava que os corpos dos palestinianos associados ao Hamas e à Jihad Islâmica, ou daqueles envolvidos em ataques particularmente dramáticos contra israelitas, deveriam ser retidos. De acordo com o grupo de direitos humanos israelense B’Tselem, manter os corpos dos palestinos como moeda de troca para futuras negociações é uma prática antiga em Israel.

As famílias dos falecidos também enfrentam uma série de complexidades jurídicas. Sem uma certidão de óbito, as viúvas não conseguem seguir em frente com as suas vidas e casar novamente. Se os seus maridos assassinados eram responsáveis pelo sustento da família, a conta bancária fica congelada, deixando as viúvas sem acesso a fundos, enquanto os direitos de herança também são negados. Esta prisão post mortem de corpos foi entendida pelos palestinos como sendo uma criminalização para além da morte. Os palestinos se referem a estes cadáveres detidos por Israel como “mártires detidos” ou “prisioneiros mártires”.

Colhendo órgãos

Há relatos antigos de corpos palestinos serem devolvidos faltando órgãos das vítimas. Em 2015, numa carta ao embaixador britânico Matthew Rycroft, Ex-representante permanente do Reino Unido na ONU, o principal delegado palestino nas Nações Unidas, Riyad Mansour, descreveu o que disse ser a colheita de partes de corpos de palestinos mortos pelas forças israelenses.

No cemitério dos números, há algo de obscuro, visto que muitos dos corpos que deveriam estar lá, não estão. Em outras covas há partes misturadas de diferentes indivíduos. A ausência destes corpos é mais uma evidência que dá suporte aos relatos de longa data de que os cadáveres palestinos podem ter sido usados para tráfico de órgãos ou doados a universidades de medicina israelenses para que os estudantes treinassem nos corpos.

O ex-chefe do Instituto Forense Abu Kabir, chegou a admitir que o exército havia retirado pele, córneas, válvulas cardíacas e ossos dos corpos de palestinos e trabalhadores estrangeiros durante a década de 1990. A prática muitas vezes ocorria sem o consentimento dos familiares do falecido. Muitos palestinos também alegaram que os corpos de jovens que foram apreendidos na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza foram devolvidos às suas famílias com órgãos desaparecidos.

O EuroMed Human Rights Monitor disse no dia 26 de novembro que tinha “preocupações” sobre o possível roubo de órgãos de cadáveres palestinos, na sequência de relatos de profissionais da saúde em Gaza que examinaram alguns corpos depois de terem sido liberados por Israel. Os médicos teriam encontrado falta de órgãos vitais, como fígado, rins e coração, além de córneas, o que o EuroMed Monitor chamou de evidência de possível roubo de órgãos. Eles também alegaram que Israel exumou e confiscou cadáveres de uma vala comum que foi cavada há mais de 10 dias num pátio em al-Shifa.

No livro Over Their Dead Bodies, da médica israelense Meir Weiss, diz que órgãos foram retirados de palestinos mortos entre 1996 e 2002 e utilizados em investigação médica em universidades israelenses e transplantados para corpos de pacientes israelenses.

Uma polêmica investigação de uma emissora de televisão israelense em 2014 incluiu confissões de autoridades de que a pele foi retirada dos corpos de palestinos e trabalhadores africanos mortos para tratar israelenses, como soldados com queimaduras.

Israel é considerado o maior centro de tráfico global de órgãos humanos, de acordo com uma investigação de 2008 da rede norte-americana CNN. A Quarta Convenção de Genebra de 1949, que Israel não ratificou, exige que os militares respeitem a dignidade dos mortos, incluindo a prevenção da destruição, mutilação ou qualquer tratamento desrespeitoso dos seus corpos. Para os palestinos, os cemitérios são espaços sagrados que não são apenas um lugar para lamentar os mortos, mas também um registro da história e pertencimento geracional e geográfico.

*Gerciane Oliveira/Opera Mundi

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Mundo

“Extermínio de crianças por Israel é nazista. Repito, NAZISTA”, diz presidente colombiano

Gustavo Petro se referia a um ataque israelense em Deir el-Balah, na Faixa de Gaza.

O presidente colombiano, Gustavo Petro, voltou a fazer duras críticas a Israel por conta do bombardeio indiscriminado contra a Faixa de Gaza, qalificando as ações do regime como nazistas.

“Eles dizem que isso não é nazista. Mesmo que a consciência ocidental não goste destes fatos, o extermínio de 5.300 meninos e meninas palestinos é nazista, repito NAZISTA”, escreveu Petro na rede social X.

A postagem faz menção a um ataque israelense em Deir el-Balah, no centro de Gaza. Quase 200 pessoas foram mortas em menos de dois dias desde o reinício dos ataques de Israel a Gaza, segundo a emissora Al Jazeera.

 

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Política

Trabalhistas históricos, liderados por Vivaldo Barbosa, recriam o PTB: “O que Brizola não conseguiu, nós conseguimos”

O PTB de Leonel Brizola, inspirado no trabalhismo de Alberto Pasqualini, está de redivivo. Um grupo de nacionalistas históricos, liderados pelo ex-deputado Vivaldo Barbosa, conseguiu semana passada registrar em cartório a recriação da legenda, que havia sido extinta após ter sido incorporada ao Patriota por não atingir a cláusula de barreira nas eleições de 2022.

A homologação da fusão, em 9 de novembro passado, abriu caminho para refundação da sigla que havia sido capturada pela direita e ultimamente era controlada pelo ex-deputado Roberto Jefferson. Com senso de oportunidade e discrição, duzentos e doze trabalhistas de 20 estados (acima do número mínimo de 110) registraram em cartório e no TSE o novo estatuto do PTB.

“O que Brizola lutou, sonhou, mas não conseguiu, nós conseguimos. Em nome dele. O trabalhismo de verdade está de volta”, comemorou Vivaldo Barbosa.

O grupo agora tem até dois anos para colher no mínimo 500 mil assinaturas (0,5% dos votos dados nas últimas eleições à Câmara dos Deputados) para consolidar a recriação da legenda. Já com dirigentes provisórios por todo o País, o partido só poderá participar do processo eleitoral após cumprir essa exigência do TSE.

Em carta aos filiados, o partido se declara alinhado ao presidente Lula e às bandeiras de centro-esquerda do trabalhismo histórico.

Leia a íntegra do documento:

“Nós, trabalhistas, nacionalistas, brizolistas, juntos com outros de bem, refundamos o PARTIDO TRABBALHISTA BRASILEIRO – PTB, no último dia 10, registramos em cartório no último dia 29 e hoje, dia 1º de dezembro, o TSE nos reconheceu e nos autorizou a consolidar sua fundação.

O que Brizola lutou, sonhou, mas não conseguiu, nós conseguimos. Em nome dele.

O trabalhismo de verdade está de volta.

O trabalhismo foi o que melhor fez pelo Brasil e pelo povo brasileiro: legislação trabalhista, Previdência Social, as estatais estratégicas, a construção do Estado Nacional e a visão da soberania, a ideia do desenvolvimentismo para demonstrar que o povo brasileiro é capaz de superar o atraso.

Estes continuam a ser os desafios do Brasil de hoje e os caminhos do povo brasileiro. Firmamos nossa herança e nos vinculamos aos melhores momentos do Brasil, ao mesmo tempo que somos atuais e estamos mergulhados no presente para melhor construir o futuro.

Rendemos homenagens a Getúlio Vargas, a Joao Goulart e, em especial, a Leonel Brizola, que veio até nós e com quem convivemos e assimilamos seus grandes ideais, sua compreensão do Brasil e o bem do povo brasileiro, e a tantos outros.

Afirmamos nossa ligação à liderança do Presidente Lula e o que ele representa na vida política atual.

Convocamos a todos para que se juntem a nós, pois a luta do nosso povo é grande e estaremos ao seu lado. Compreendam que tivemos que trabalhar com reservas nesse período.

Saudações trabalhistas, saudações do novo PTB.

VIVALDO BARBOSA

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Mundo

Israel mata mais de 200 pessoas em primeiro dia de ofensiva a Gaza após trégua

Meios locais reportam bombardeios israelenses contra bairros das regiões central e oriental do território palestino, nos quais também se registrou cerca de 600 pessoas feridas.

Mais de 200 pessoas morreram na Faixa de Gaza na sequência dos bombardeios israelenses que recomeçaram nesta sexta-feira (01/12) após o fim da trégua entre Israel e o Hamas, relata a Al Arabiya, citando dados fornecidos pelo Ministério da Saúde de Gaza.

Jornais locais que estão no centro do conflito informaram que um dia após o reinício das hostilidades, cerca de 600 palestinos ficaram feridos.

Segundo a agência de notícias WAFA, as forças israelenses estão atacando bairros de Khan Yunis. A Força Aérea de Israel aviação realizou uma série de ataques em Al-Qarara, a nordeste de Khan Yunis, e destruiu completamente quatro casas. Eles também bombardearam várias mesquitas no sul da Palestina, acrescentou o veículo.

As Forças de Defesa de Israel (IDF) relataram que num dia atacaram mais de 400 alvos na Faixa de Gaza, acrescentando que os seus caças atingiram mais de 50 alvos em Khan Younis.

Ao mesmo tempo, as tropas israelenses dispararam fogo de artilharia e realizaram ataques aéreos no norte da Palestina. Gaza também foi bombardeada pelas forças navais israelenses.

As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram nesta sexta-feira que o movimento Hamas “violou a pausa operacional e também disparou contra território israelita” .

“As IDF retomaram o combate contra a organização terrorista Hamas na Faixa de Gaza”, relataram. Neste contexto, aviões de combate do Exército de Israel atacaram os territórios palestinos.

*Opera Mundi

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Brasil

Colapso em mina de Maceió é ‘evento inédito no mundo’ e consequências não podem ser mensuradas, diz prefeitura

O último boletim divulgado pela Defesa Civil do município apontou que o solo do bairro Mutange tem cedido 1 centímetro por hora.

Em um novo comunicado divulgado nas redes sociais, a prefeitura de Maceió (AL) informou que a série de fenômenos que pode levar ao colapso uma mina de sal-gema, localizada no bairro Mutange, é um “evento inédito no mundo” e que, por isso, “até o momento não é possível mensurar todas as consequências do fato”. O último boletim divulgado pela Defesa Civil do município apontou que o solo da região tem cedido 0,7 centímetro por hora.

Apesar de a erosão ter desacelerado em cerca de 0,3 centímetros/hora em comparação ao boletim divulgado na sexta-feira, a situação permanece crítica. Um novo sismo com magnitude de 0,89 a cerca de 300 metros de profundidade foi registrado no local, na madrugada deste sábado. A Defesa Civil permanece em alerta máximo devido ao risco iminente de colapso da mina, que está na região do antigo campo do CSA.

Em 24h, solo cedeu 13 cm
Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, além da quantidade elevada de abalos, foi observada que a profundidade dos sismos se tornava mais rasa, indicando uma possível movimentação em direção à superfície.

A Defesa Civil de Maceió informou, na manhã deste sábado (02), que o solo afundou 13 centímetros nas últimas 24 horas.

“Por precaução, a recomendação é clara: a população não deve transitar na área desocupada até uma nova atualização da Defesa Civil, enquanto medidas de controle e monitoramento são aplicadas para reduzir o perigo. A equipe de análise da Defesa Civil ressalta que essas informações são baseadas em dados contínuos, incluindo análises sísmicas”, informou o órgão.

Usado na indústria química na fabricação de PVC, o sal-gema é extraído do subsolo através de perfurações que podem atingir mais de mil metros, nível no qual o material pode ser encontrado. Escavados os buracos, são injetados neles água. Ao atingir o sal-gema, cria-se uma mistura, como um salmoura.

Como é a extração do sal gema — Foto: Arte O GLOBO

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Política

O movimento para Roberto Campos Neto concorrer ao Planalto em 2026

Ainda embrionário, há um movimento para que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, saia candidato ao Planalto 2026.

Ao ser perguntado, Campos Neto nega qualquer intenção, mas na Faria Lima e entre ex-ministros de Jair Bolsonaro o plano seria lançá-lo como uma novidade da direita na política, diz Guilherme Amado, Metrópoles

Para ser viável, a candidatura teria que ganhar o apoio de Jair Bolsonaro. E interlocutores do ex-presidente garantem que a chance é zero.

 

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Mundo

Assista à íntegra da entrevista do presidente Lula à Al Jazeera, com legendas

Presidente criticou Benjamin Netanyahu, pelo genocídio em Gaza, e Joe Biden pela apatia diante dos crimes de Israel.

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma importante entrevista ao canal Al Jazeera, em que criticou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pelo genocídio que está promovendo contra o povo palestino, na Faixa de Gaza, e o presidente estadunidense Joe Biden pela apatia diante dos crimes de Israel. Assista na íntegra, com legendas:

*Com 247

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Mundo

Irã abandona negociações da COP28 em protesto contra Israel

Chanceler iraniano já havia alertado que presença de representantes israelenses deveria ser ‘seriamente considerada’ diante dos ‘crimes de guerra cometidos pelos sionistas’ em Gaza.

A delegação do Irã abandonou as negociações da COP28, em Dubai, nesta sexta-feira (01/12) em protesto contra a presença da delegação israelense nas conversações.

O ministro da Energia do Irã, Ali Akbar Mehrabian, mencionou que a presença de representantes de Israel é “contrária aos objetivos e diretrizes” da conferência.

O chefe da delegação de Teerã ainda comentou que o país quer aproveitar a COP28 para lançar luz sobre a situação na Faixa de Gaza, que já soma mais de 16 mil vítimas devido aos ataques israelenses.

Hossein Amirabdollahian, ministro das Relações Exteriores do Irã, já havia dito ao seu homólogo dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah bin Zayed Al Nahyan, que era contra a presença da delegação de Israel.

Na conversa, Amirabdollahian disse que “a presença de funcionários do regime de ocupação israelense nesta conferência, no que diz respeito ao recente genocídio e aos crimes de guerra cometidos pelos sionistas, é digna de séria consideração”.

O chanceler iraniano também cobrou que os países islâmicos continuem com os esforços para que os “crimes de guerra do regime sionista” sejam cessados, além de garantir o envio de mais ajuda humanitária para Gaza.

Amirabdollahian ainda instou que o Conselho de Segurança das Nações Unidas, incapaz até o momento de gerar uma solução para o conflito “emita uma resolução eficaz, a fim de cumprir os seus deveres para com o povo palestino”.

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Política

Lula critica primeiro-ministro de Israel: “é de extrema direita” e “pensa que os palestinos não significam nada”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por causa do conflito na Faixa de Gaza. Em entrevista para a emissora do Catar Al Jazeera, Lula chamou Netanyahu de “líder extremista, de extrema direita, sem sensibilidade com os problemas humanos dos palestinos” e cobrou o presidente dos EUA, Joe Biden, que exija de Israel o fim dos ataques. Lula também afirmou que está em curso em Gaza não uma guerra convencional, e sim um “genocídio”.

Lula disse que Netanyahu “pensa que os palestinos não significam nada” e que “ele precisa aprender que os palestinos precisam ser respeitados, suas terras demarcadas”. O presidente também questionou a postura de Biden, que considerou “o presidente do país mais importante do mundo”. “Não consigo entender como o Biden não cobrasse de Israel o fim da guerra. Eles influenciam muito Israel e poderiam ter parado a guerra”, disse.

Lula defendeu a criação de um Estado palestino independente e criticou a falta de governança no mundo. Ele disse que o Conselho de Segurança da ONU não é mais respeitado e que os membros permanentes decidem ir para guerra sem consultar ninguém. “Essa guerra é reflexo da insanidade, um grupo comete um ato terrorista e o Estado que faz algo ainda mais sério que o ato terrorista, há mais de 16 mil mortos, 6.500 crianças, 35.000 feridos. Hospitais destruídos. Se a ONU tivesse força, teríamos a solução de dois Estados. Mas desde 1947 não há paz”, disse Lula.

Lula ainda afirmou que a resposta de Israel ao ataque “terrorista” de 7 de outubro do Hamas foi ainda mais séria: “Eu critico o Hamas e sei que Israel tem o direito de se defender, mas isso não significa matar mulheres, crianças e inocentes. Não jogue bombas quando você não sabe quem está lá”.

“A guerra não leva a nada, só gera mais ódio. Precisamos sentar com Israel e os palestinos para cobrar a implementação da resolução de 1947”, disse Lula.

 

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‘Esta é uma guerra contra as crianças’, diz porta-voz da Unicef em Gaza

Em vídeo publicado em suas redes sociais, James Elder mostrou situação dramática de menores refugiados em um hospital durante retomada da ofensiva israelense ao território palestino.

“A humanidade desistiu das crianças de Gaza?”, perguntou o porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), nesta sexta-feira (01/12), quando o exército israelense decidiu retomar os ataques na Faixa de Gaza nas primeiras horas do dia, reiniciando novos e intensos bombardeios aéreos contra o povo palestino. Segundo James Elder, a guerra em Gaza é uma “guerra contra as crianças”.

Dentro de um hospital superlotado da região, sem capacidade de receber mais pessoas, o porta-voz do órgão fez duras críticas com relação à impotência da comunidade internacional, ao afirmar que “a falta de ação daqueles que têm influência está permitindo o assassinato de crianças”.

Elder chegou a explicar o drama enfrentado nas instalações hospitalares e pelas equipes de saúde no território, especialmente no que diz respeito ao atendimento de crianças, uma vez que tratar lesões como queimaduras e fraturas está se tornando cada vez mais difícil: “aceitar o sacrifício das crianças em Gaza significa que a humanidade desistiu”.

m outro momento do vídeo, o porta-voz mencionou que um recente ataque aéreo a 50 metros do “maior hospital que ainda está em funcionamento” no território:

“Este hospital simplesmente não pode receber mais crianças feridas de guerra, há crianças por toda parte. Essas crianças estão dormindo. Havia uma bomba literalmente a 50 metros daqui”, desabafou em um vídeo publicado pela plataforma X (ex-Twitter), antes de descrever as feridas sofridas pelas crianças durante o ataque de Israel.

‘Um cemitério para milhares de crianças’
Gaza é um “cemitério de crianças”, afirmou Elder, em comunicado à imprensa, há um mês, quando os ataques israelenses ganharam intensidade sob a prerrogativa de “eliminar o Hamas”. Na ocasião, o funcionário descreveu que “Gaza se tornou um cemitério para milhares de crianças”, acrescentado que o território é “um verdadeiro inferno a todos”.

O bloqueio de direitos básicos à sobrevivência humana como água, por parte de Israel, deixando sob risco a vida de mais de um milhão de crianças palestinas por problemas de desidratação, foi uma das questões abordadas por Elder.

“Nosso maior medo era o número de crianças mortas se tornando dezenas, depois centenas e, finalmente, milhares, foi concretizado em apenas duas semanas”, lamentou o porta-voz da Unicef, que exigiu o fim dos bloqueios israelenses no território.

“Sem cessar-fogo – nem água, nem medicamentos, nem libertação das crianças sequestradas – avançaremos em direção a desastres maiores que vão seguir atingindo crianças inocentes”, declarou o funcionário do fundo ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).

As negociações entre o Estado de Israel e o movimento de resistência palestina Hamas sobre a trégua na Faixa de Gaza continuam sendo mediadas pelo Catar e o Egito.

Nesta quinta-feira (30/11), ambas as partes concordaram em estender a pausa humanitária pelo oitavo dia, mas sem nenhuma confirmação oficial. A trégua expirou nesta sexta-feira (01/12). Pouco depois, Israel voltou a atacar Gaza, com uma série de bombardeios.

O porta-voz do Ministério da Saúde em Gaza confirmou que pelo menos 60 pessoas foram atingidas pelo exército comandado por Tel Aviv desde que a trégua expirou.

*Opera Mundi