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Os líderes iranianos emergem confiantes e com novas cartas na manga

Apesar dos danos materiais (infraestrutura destruída, economia mais enfraquecida e perdas de líderes), o regime e seus sobreviventes projetam força por estes motivos principais:

  • Sobrevivência como vitória simbólica: Para um regime que se via sob ameaça existencial, resistir a mais de um mês de ataques de duas potências nucleares (EUA e Israel) sem colapsar internamente é interpretado como um triunfo. Sobreviver à “decapitação” da liderança e manter o controle do país é visto como prova de resiliência.
  • Nova alavanca estratégica: o Estreito de Ormuz: Durante a guerra, o Irã demonstrou capacidade de perturbar o fluxo de petróleo global ao ameaçar/minar o estreito. Mesmo com o cessar-fogo, o Irã mantém controle parcial e impõe “restrições” (navios precisam coordenar com forças iranianas). Isso dá poder de barganha em negociações — algo que não existia antes com a mesma intensidade. Especialistas destacam que isso se tornou uma “fonte de leverage muito efetiva”.
  • Postura maximalista nas negociações: Em vez de se mostrar conciliatório, o Irã entra nas conversas com uma lista de demandas ambiciosas (incluindo fim de sanções, compensações e garantias contra futuros ataques). De acordo com o New York Times, líderes como Mohsen Rezaei (assessor militar) afirmam que não haverá cessar-fogo duradouro sem essas concessões. O novo líder Mojtaba Khamenei reforçou o uso do bloqueio de Ormuz como ferramenta de pressão.
  • Consolidação interna e endurecimento ideológico: A morte de Khamenei (pai) e de figuras mais pragmáticas pode ter fortalecido alas mais radicais. O regime manteve o controle sobre a Guarda Revolucionária (IRGC) e usou a guerra para reprimir dissidência interna. Aparecimentos públicos de líderes em manifestações pró-regime foram usados para projetar confiança.
  • Realidade por trás da narrativaDanificados, mas não derrotados: A capacidade militar convencional do Irã sofreu golpes graves. No entanto, a estratégia assimétrica (mísseis, drones, proxies e controle de chokepoints marítimos) permitiu que o regime “jogasse” mesmo enfraquecido.
  • Cessar-fogo frágil: Há relatos de violações, desacordos sobre o Líbano e ameaças de Trump de usar “força sem precedentes” se o Irã não cumprir. Israel segue atacando alvos no Líbano, o que pode complicar tudo.
  • Perspectivas diferentes: Do lado iraniano, a sobrevivência + nova alavanca = posição fortalecida para negociar. Do lado ocidental/israelense, o regime está mais isolado, com infraestrutura nuclear e militar degradada, mas sem o colapso esperado (o que frustrou parcialmente os objetivos iniciais de “regime change”).

Em resumo, os líderes iranianos estão “devastados” em termos de perdas humanas e materiais, mas “confiantes” porque transformaram a sobrevivência em narrativa de resistência e ganharam uma carta nova e poderosa (Ormuz). Isso os permite negociar de forma mais agressiva do que se esperava após o início da guerra.


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Que áudio é esse que o Delegado Waldir promete revelar para implodir o governo Bolsonaro?

“Eu vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele.”

A pergunta é: a que gravação o deputado Delegado Waldir se refere?  Parece que o delegado tem um áudio comprometedor como carta na manga contra Bolsonaro.

O Brasil já sabe que a cria de Bolsonaro no PSL não é coesa e nem poderia ser. Ali não vingou ninguém com a mínima sombra de ética ou fidelidade, sequer algo que se pareça com decência.

Essa quantidade de políticos se digladiando dentro do partido é o laboratório daquilo que eles fizeram, unidos, na eleição para se elegerem e, na sequência, elegerem Bolsonaro. Ou seja, todos sabem tudo de todos ou quase tudo.

O fato é que o Delegado Waldir ameaçou Bolsonaro com a gravação como uma bala de prata saída da garrucha que carrega na cintura. Como não foi contestado por ninguém na hora em que chamou Bolsonaro de Vagabundo, é porque ele tem razão nas duas coisas, melhor dizendo, ele tem bala para dizer o que disse.

Seja como for, nunca a pintura do Brasil submundo floresceu tanto dentro da república. Primeiro, porque foi transplantada a milícia para dentro do governo, em quantidade e qualidade. Segundo, porque o baixo clero, substituindo o PSDB, mostra a escultura grega que os próprios tucanos esculpiram contra si e contra o país no golpe de Estado contra Dilma e na mexida dos pauzinhos filiando-se à Lava Jato na prisão de Lula.

Na realidade, Bolsonaro está diante de um impasse, depois que, certamente ouviu a gravação com a ameaça do Delegado Waldir, e não tem saída ou é fim de carreira. Se responder com ênfase à tal ameaça, corre o risco de levar um bate pronto na lata. Se vacilar, sua frouxidão o colocará numa condição de submito, subpresidente e subvalentão, o que antecipa e muito sua morte política.

 

*Carlos Henrique Machado Freitas