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Cadeirante sem assistência, comida estragada e falta de remédios: Condepe aponta cenário crítico em penitenciária de SP

Em resposta, governo de Tarcísio de Freitas desmente as acusações, mas familiares de presos confirmam péssimas condições

Geladeira de remédios sem medicamentos, presos feridos sem tratamento, comida armazenada em locais sem refrigeração, celas superlotadas, comida feita em ambiente insalubre e um cadeirante entregue aos cuidados dos próprios presos. Esse foi o cenário encontrado por agentes do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) em visita à Penitenciária Estadual Joaquim Fonseca Lopes, de Parelheiros, no extremo sul de São Paulo, administrada pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

As fotos, cedidas ao Brasil de Fato com exclusividade, mostram presos com roupas imundas cozinhando as refeições que serão servidas nas unidades. Nas fotos feitas pelo Condepe é possível ver, também, comida armazenada em áreas sem refrigeração. Quilos de linguiça aparecem empilhados em um espaço sem qualquer ventilação.

O presidente do Condepe, Adilson Santiago, que conduziu a visita técnica ao local, afirma que havia vestígio de que parte dos alimentos poderia estar estragada. “Quando chegamos, a situação era aquelas registradas nas imagens. Um local insalubre e péssimo armazenamento da comida, um cheiro horrível. Era terrível, insuportável. É ali que são alimentados os presos.”

Nas imagens, vemos celas precárias, com presos amontoados, com fios que servem para prender duas pias fixas na parede e camas improvisadas no alto das instalações. Em uma das imagens, um homem paraplégico está sendo carregado por outro custodiado, enquanto sua cadeira de rodas estava em outra cela, trancada e isolada.

“Era um cadeirante, a ele faltava fralda, pomada para assadura e estava dentro de uma cela superlotada, que cabiam dez, mas tinha 30 custodiados. Obviamente, você não coloca um cadeirante numa cela comum, ele precisaria ter um tratamento diferente. Eram os presos que cuidavam desse preso”, alerta Santiago.

Nas dependências da Penitenciária Joaquim Fonseca Lopes há uma geladeira na enfermaria. Na porta, um aviso: Medicamentos. Porém, quando os agentes do Condepe abriram a porta, não havia remédios.

“Os medicamentos que vimos eram ínfimos para a população carcerária. Não tem remédio. Nada. Se tiver algo, é um remédio para dor de cabeça, mas os presos não conseguem acessar, são privados”, encerra Santiago, o presidente do Condepe.

Geladeira que deveria armazenar medicamos esta vazia no momento da visita do Condepe

Geladeira que deveria armazenar medicamos estava vazia no momento da visita do Condepe. | Crédito: Condepe

Mortes e insalubridade

A visita técnica do Condepe Penitenciária ASP Joaquim Fonseca Lopes, ocasião em que foram feitas as fotos, aconteceu em junho de 2025. As imagens foram liberadas agora, por ocasião do lançamento do relatório produzido pela entidade para a audiência pública que tratou da precariedade do sistema carcerário paulista, que ocorreu no dia 9 de março de 2026, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo.

O relatório escancara um cenário de “insalubridade” no sistema carcerário, como classifica o Condepe. O documento mostra que um preso morre a cada 19 horas dentro das penitenciárias paulistas. São 4.189 pessoas que morreram sob custódia do Estado nos presídios de São Paulo, entre 2015 e 2023.

O cenário de abandono se confirma principalmente na área da Saúde. Ao todo, 22.814 atendimentos de emergência não foram feitos por falta de escolta policial para acompanhar os presos até a unidade hospitalar.

O relatório foi encaminhado à Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) pelo Condepe e o órgão pediu uma audiência com a secretaria para falar sobre a precariedade dos presídios paulistas. Adilson Santiago afirma que o governo de São Paulo tem ignorado todas as tentativas de contato do órgão.

Cadeira de rodas do preso com deficiência física estava trancada em outro espaço da unidade prisional

Cadeira de rodas do preso com deficiência física estava trancada em outro espaço da unidade prisional. | Crédito: Condepe

Confirmação

O Brasil de Fato procurou parentes de pessoas que estão presas na Penitenciária Joaquim Fonseca Lopes para confirmar as informações. Adelaide, que terá seu nome verdadeiro ocultado por receio de que seu filho sofra represálias dentro da unidade, afirma que as condições dentro do presídio seguem as mesmas.

Seu filho está preso desde meados de 2024 e tem sofrido com problemas de saúde, mas ainda não há um diagnóstico. Adelaide afirma que tem sido comum encontrar o filho com febre nas visitas que faz aos finais de semana.

“Os policiais o levavam para a enfermaria, mas lá só tem uma ajudante de enfermagem que media a pressão e o mandava de volta para a cela. A unidade agendou uma consulta por vídeo com um especialista que ele espera desde que entrou no sistema em 2024 e que até hoje não aconteceu”, afirmou Adelaide.

Ainda de acordo com a mãe, há outros casos de negligência, como dois jovens que estão com tuberculose, dividindo a mesma cela com outros presos. “Vi um rapaz que teve um furúnculo no joelho que virou infecção com bicho por negligência e ele acabou perdendo a perna. Outro que colocou pinos e eles estão para fora. Um senhor com câncer na bexiga usando bolsa de colostomia que não é trocada.”

Para tentar driblar a segurança e falta de remédios na unidade, Adelaide afirma tem colocado “antibiótico em uma garrafinha com óleo para tempero de salada, deixo desmanchar e acrescento dipirona para ele ir tomando durante a semana e cessar a febre”.

Um outro familiar, que será chamado de Arnaldo, disse que seu irmão tem tido crises de intoxicação alimentar. “Ele diz que a comida lá sempre cheira muito mal e tem gosto azedo.”

Arnaldo também confirmou que, quando pede remédios, o irmão não tem sucesso. “Eles dizem que vão mandar, mas nunca chega o medicamento que ele precisa e fica dias passando mal na cela. Os guardas dizem que não tem remédio pra ele, que é ‘só Deus na causa dele’.”

Preso com deficiência física é carregado dentro da cela

Preso com deficiência física é carregado dentro da cela. | Crédito: Foto: Condepe

Outro lado

Ao Brasil de Fato, a SAP afirmou que “as imagens foram registradas há quase um ano e não condizem com o contexto atual da Penitenciária de Parelheiros, que passa por reformas. É improcedente a alegação de que presos com deficiência estariam sem acesso a cadeiras de rodas, uma vez que o presídio conta com cela específica adaptada, cadeiras de rodas e outros meios auxiliares necessários”.

Ainda de acordo com a secretaria, “a cozinha da penitenciária passa por reforma para aprimoramento do espaço, com previsão para conclusão em 90 dias. O presídio dispõe de câmaras frias em funcionamento, assegurando a adequada conservação dos alimentos estocados”.

Sobre as condições das roupas dos presos que trabalham na cozinha, a SAP disse que os presos recebem um kit extra de uniforme. Mas a secretaria se isenta de responsabilidade sobre a manutenção da cozinha. “As limpezas da roupa e do local são de responsabilidade do custodiado”, explica a pasta.

Por fim, sobre os alimentos armazenados, a SAP justificou. “A foto que, supostamente, retrata alimentos sem refrigeração é de comidas que chegaram e seriam consumidas no preparo das refeições do dia. Tendo em vista que, na época, a cozinha da unidade preparava a alimentação para três presídios diferentes.

Linguiça e demais alimentos estocados em sala sem ventilação e refrigeração, segundo o Condepe. Presidente do órgão relatou um cheiro “insuportável” no local. | Crédito: Condepe

Preso mostra as condições de sua roupa. Ele integra a equipe que cozinha as refeições servidas na unidade

Preso mostra as condições de sua roupa. Ele integra a equipe que cozinha as refeições servidas na unidade. | Crédito: Condepe

*Brasil de Fato


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Das pessoas mortas pela polícia de Dória, 99% são pobres e, desses, 65% são negros

O governador João Doria não aprovou o nome de Benedito Mariano para o cargo de Ouvidor de Polícia.

Mariano foi o mais votado na lista tríplice estabelecida pelo Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), mas o governador é quem tem a palavra final e Doria decidiu por nomear o último colocado.

Benedito Mariano era o atual ouvidor. Ele esteve à frente do mais recente relatório da Ouvidoria das Polícias de SP que revelou o aumento da letalidade policial em quase 12% durante o ano passado.

A polícia matou 716 pessoas em 2019, contra 642 em 2018.

Mariano é também um forte crítico do fato de 97% dos casos de crimes cometidos por policiais serem investigados pelos próprios batalhões aos quais pertencem, e não pela Corregedoria.

Consciente de seu papel, Mariano tem em mãos o dado que expõe a natureza perversa dos métodos policiais. Das pessoas mortas por policiais, 99% são pobres e, desses, 65% são negros.

Ele expõe esses dados. Precisa explicar mais do porque da decisão do governador?

Durante a campanha, Doria já tinha dito que sua polícia seria matadora. O massacre em Paraisópolis está aí para confirmar. E outros 707 cadáveres também.

O discurso alinhado com Bolsonaro e Witzel injetou um ânimo extra e brutal nas tropas. Basta prestar atenção ao tanto de casos registrados em vídeo desde que essa turma assumiu o poder.

Não, a culpa não é dos celulares. Vide os números que confirmam o crescimento de óbitos.

Mesmo quando não mata, a polícia hoje parece movida a ódio a tal ponto de ser capaz de subir na barriga de uma mulher grávida de 5 meses e espancá-la. A primeira reação de Doria foi acusar a mulher que passou por esse ato hediondo porque estava filmando uma abordagem.

Uma grávida de 5 meses fez o policial agir daquela forma por “escusável medo, surpresa ou violenta emoção”?

Não é a primeira vez que um governador tucano ignora a votação feita pela lista tríplice do Condepe e bota pra escanteio quem faz marcação cerrada na afronta aos direitos humanos e nas práticas discriminatórias das polícias.

Em 2015, o então governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não levou em conta o fato do advogado Ariel de Castro Alves ter sido o mais votado.

Ariel é coordenador estadual do Movimento Nacional de Direitos Humanos, integra o Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Condeca). Além de já ter sido membro do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e secretário geral do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe). Esse é o currículo.

Alckmin, assim como Doria, optou pelo último mais votado, um advogado da turma religiosa. Era membro da arquidiocese paulista.

“É lamentável que o governador João Doria não tenha reconduzido o ouvidor de Polícia Benedito Mariano. Certamente a atuação combativa do atual ouvidor diante da crescente violência policial favoreceu essa decisão do governador.

O novo ouvidor, o advogado Elizeu Soares Lopes, tem currículo e condições para também fazer um bom mandato à frente da Ouvidoria”, declarou Ariel de Castro Alves que fez mais um alerta: o órgão nunca teve uma ouvidora geral mulher.

Agora é rezar para que Ariel tenha razão e o novo ouvidor faça um bom trabalho e, sobretudo, faça frente aos ataques nefastos de quem deseja mesmo acabar com a Ouvidoria, caso do deputado Frederico D’Avila, do PSL.

Embora seu projeto de extinguir a Ouvidoria da polícia tenha sido considerado inconstitucional, ele permanece lutando para intimidar a atuação do Condepe.

É dele o projeto que prevê reduzir os representantes da sociedade civil na entidade e inserir ali integrantes das polícias Civil e Militar.

Raposa tomando conta do galinheiro. João Doria certamente gosta da ideia.

 

 

*Mauro Donato – DCM

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Notícia

Nove mortos pisoteados em Baile Funk durante uma ação violenta da PM em SP

O AI-5 nas favelas e periferias do Brasil segue mais firme do que nunca, ainda mais tendo um governo fascista com o de Bolsonaro e Moro, o ministro da permissão para matar pretos e pobres no comando da política de segurança que tem verdadeira tara por seu excludente de ilicitude.

Segundo matéria do jornal extra, Sobe para nove o número de mortos por pisoteamento em baile funk em São Paulo.

Nove pessoas pessoas foram mortas por pisoteamento durante uma operação policial num baile funk na comunidade de Paraisópolis, na região Sul de São Paulo , na madrugada deste domingo, dia 1. Outras sete foram socorridas com lesões no AMA (Assistência Médica Ambulatorial) de Paraisópolis, segundo a Segurança da Segurança Pública de São Paulo (SSP). As informações iniciais davam conta de oito mortos e dois feridos.

Segundo a nota da SSP, policiais do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) realizavam a Operação Pancadão na região quando dois homens em uma motocicleta atiraram contra os agentes. A moto teria fugido em direção ao baile funk, efetuando disparos, o que ocasionou tumulto entre os frequentadores do evento. No local, segundo estimativas da PM, havia cerca de 5 mil pessoas.

As nove pessoas que morreram pisoteadas chegaram a ser levadas à Unidade de Pronto Atendimento e ao Pronto Socorro do Hospital do Campo Limpo, mas não resistiram.

Num vídeo gravado por frequentadores do baile, duas vítimas aparecem estiradas no chão enquanto jovens tentam socorrê-las. Uma mulher se aproxima e pede que arrastem uma delas para outro lugar. “A perna dele tem pino, arrasta ele para lá”, diz ela. Em outros dois registros, é possível ouvir tiros de bala de borracha.

Para o advogado Ariel de Castro Alves, conselheiro do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe), tudo indica que a as mortes são resultado de excesso policial.

— Aparentemente, foi uma ação desastrosa da PM que gerou tumulto e mortes — disse Alves.

Ainda segundo a polícia, ao adentrarem as ruas para dar apoio, as equipes policiais foram recebidas com pedradas e garrafadas. Os agentes revidaram com munições químicas para dispersão e começou uma correria.

O caso está sendo registrado no 89º Distrito Policial (Jardim Taboão). A Polícia Militar instaurou inquérito policial militar (IPM) para apurar todas as circunstâncias relativas ao fato.

O baile

O pancadão de Paraisópolis, conhecido como Baile da 17, já é tradicional na comunidade. Neste ano, o evento completou seu nono aniversário. O baile ocorre sempre na rua e reúne milhares de pessoas, a maioria de fora do bairro. Moradores de cidades vizinhas chegam em excursões para o baile na capital.

 

 

*Com informações do Extra