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Lula anuncia R$ 909 milhões para reforma agrária e agricultura familiar

Pacote inclui crédito para produção de leite, desapropriações, assistência técnica e primeira agroindústria de leite em pó em cooperativa de assentados em SP

O governo Lula anunciou nesta segunda-feira (27), em Andradina (SP), um pacote superior a R$ 909 milhões em medidas estruturantes para a reforma agrária e a agricultura familiar. Com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e da ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, as ações integram crédito rural subsidiado, desapropriações de terras, assistência técnica, agroindustrialização e segurança alimentar. É o maior conjunto de investimentos no campo popular anunciado pelo governo em 2026.

A reforma agrária do século 21

As medidas anunciadas fazem parte do Programa Terra da Gente, criado em 2024 com o objetivo de ampliar o acesso à terra e estruturar uma reforma agrária produtiva e sustentável. Em três anos de governo, o programa já incluiu cerca de 230 mil famílias na reforma agrária, com a destinação de 27 mil lotes e a criação ou reconhecimento de 144 assentamentos em todo o país. Para garantir que essas famílias tenham condições reais de produzir, foram pagos mais de R$ 1,7 bilhão em crédito de instalação para aproximadamente 78 mil famílias assentadas — assegurando moradia, infraestrutura e início da atividade produtiva.

Nesta segunda, foram assinados dois novos decretos de desapropriação por interesse social. O primeiro abrange a Fazenda Sítio Boa Vista, em Americana (SP), com 103,45 hectares destinados a cerca de 70 famílias, onde será criado o Projeto de Desenvolvimento Sustentável Milton Santos. O segundo contempla a Fazenda Caraúbas, em Santa Quitéria (CE), com expressivos 3.130,91 hectares e potencial para beneficiar 48 famílias. Ambas as áreas serão incorporadas ao sistema nacional de assentamentos voltados à produção sustentável.

A ministra Fernanda Machiaveli traduziu em palavras o modelo de reforma agrária que o governo defende: “É uma reforma agrária que gera renda, que tem acesso a maquinários e implementos agrícolas, que produz bioinsumos, que faz restauro ambiental, que produz agrofloresta, que trabalha com a agroecologia, que estimula a transição agroecológica, que cuida dos nossos recursos naturais. Essa reforma agrária traz bem viver para o rural brasileiro, para o povo do campo, para os homens e mulheres que acordam debaixo de sol, debaixo de chuva e trabalham para produzir o alimento saudável que chega nas mesas do povo brasileiro.”

Pronaf Mais Leite: tecnologia para quem mais precisa

O maior investimento do pacote é o Pronaf Mais Leite: R$ 450 milhões em crédito rural subsidiado estruturados a partir do Programa Nacional de Transferência de Embriões da Agricultura Familiar, lançado no último Plano Safra. A iniciativa democratiza o acesso a uma tecnologia de melhoramento genético dos rebanhos que, até então, era um privilégio do agronegócio. Nesse sentido, a produção por animal pode saltar de uma média de 3 a 8 litros de leite por dia para patamares entre 15 e 30 litros — multiplicando a renda do pequeno produtor sem necessidade de expandir áreas de pasto.

O contexto justifica o investimento. O Brasil é um dos maiores produtores de leite do mundo, com cerca de 1,17 milhão de propriedades rurais dedicadas à atividade. Dessas, aproximadamente 950 mil pertencem à agricultura familiar, responsável por mais da metade da produção nacional. Como afirmou a ministra Machiaveli, “o leite é uma cadeia produtiva constituída majoritariamente nas pequenas propriedades dos assentamentos da reforma agrária e nas propriedades da agricultura familiar.”

Para acessar o crédito, o produtor deve procurar sua cooperativa ou uma instituição financeira e elaborar o projeto de financiamento. As principais linhas disponíveis são o Pronaf Mais Alimentos, com juros de 3% ao ano e limite de até R$ 250 mil por produtor; o Pronaf A, voltado a assentados da reforma agrária, com juros de 0,5% ao ano e teto de R$ 50 mil; e o Pronaf B, direcionado a pequenos produtores de baixa renda, também com 0,5% ao ano e limite de R$ 12 mil. Para cooperativas, destacam-se o Pronaf Mais Alimentos — com até R$ 8 milhões a 3% — o InvestAgro–Renovagro, com até R$ 5 milhões a 8,5% ao ano, e uma nova linha de crédito do Pronaf voltada exclusivamente a cooperativas de leite, com R$ 150 milhões em recursos disponíveis.

A Coapar e o poder da luta coletiva

Um dos momentos mais carregados de significado político foi a assinatura do contrato de R$ 15 milhões entre o governo federal, o Banco do Brasil e a Coapar — Cooperativa de Produção, Industrialização e Comercialização Agropecuária dos Assentados e Agricultores Familiares da Região Noroeste do Estado de São Paulo. O investimento viabilizará a construção da primeira fábrica de leite em pó do estado, com capacidade para processar 25 mil litros de leite fluído por dia, substituindo a produção hoje terceirizada e agregando valor diretamente na cooperativa.

Alckmin celebrou o feito com entusiasmo: “Eu estive aqui há quatro anos e vi o quanto a Coapar cresceu, fabricando queijo, iogurte, manteiga e agora será a primeira fábrica a produzir leite em pó no nosso estado. A Coapar é um exemplo de sucesso. Aqui ficam duas lições: a do associativismo e a do cooperativismo.”

O vice-presidente da Coapar, Lourival Placido de Paula, lembrou as origens humildes e a força da resistência coletiva: “A Coapar é a resistência dos pequenos, daqueles que não têm nada. Todos em assentamento, para resistir contra os grandes e mostrar que unidos, juntos, podemos muito mais.”

O representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Gilmar Mauro, foi direto ao situar historicamente aquele momento: “Se hoje estamos produzindo comida para o povo brasileiro, é sempre bom lembrar: tudo isso começou com a ocupação do latifúndio.”

Assistência técnica, leite solidário e crédito para assentados

O pacote vai além do crédito produtivo. O Ministério do Desenvolvimento Agrário, por meio da Anater, lançou um edital de R$ 28,5 milhões para Assistência Técnica e Extensão Rural voltada ao setor leiteiro, beneficiando diretamente 4.050 famílias em todo o território nacional. O programa está dividido em 27 lotes, cobrindo todos os estados e o Distrito Federal, com prazo de execução de 18 meses e prioridade para assentados da reforma agrária, comunidades tradicionais e pescadores artesanais.

Também foi anunciada a destinação de R$ 100 milhões em leite em pó adquirido via Programa de Aquisição de Alimentos para as Cozinhas Solidárias — conectando diretamente a produção da agricultura familiar às políticas de segurança alimentar nas periferias do país.

Para os assentados, foram liberados mais de R$ 155 milhões em créditos para mais de 9 mil beneficiários em todo o Brasil. Somente em São Paulo, R$ 24,5 milhões em créditos de fomento e habitação atenderão 794 famílias assentadas.

Oito décadas de crédito em três anos

Os números acumulados desde 2023 revelam a dimensão da transformação em curso. O Pronaf disponibilizou R$ 33,9 bilhões em financiamentos para a cadeia produtiva do leite, distribuídos em cerca de 777,7 mil operações — sendo R$ 20,2 bilhões para custeio da produção, R$ 12,6 bilhões para investimentos produtivos e cerca de R$ 1 bilhão para industrialização. Em relação ao período anterior, o volume de crédito para a atividade cresceu 81%.

Os anúncios desta segunda reafirmam, com números concretos, a aposta do governo Lula na integração entre acesso à terra, produção cooperativa, agroindustrialização e assistência técnica como pilares de soberania alimentar e desenvolvimento territorial. É a demonstração de que a reforma agrária do século 21 não se faz apenas com a distribuição de lotes — mas com tecnologia, crédito, cooperativismo e o compromisso de que o campo que alimenta o Brasil seja também o campo que prospera.

*com informações do Governo Federal/Vermelho


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Política

Lula anuncia R$ 2,7 bilhões para impulsionar ações de reforma agrária

Recursos envolvem a criação de assentamentos e a aquisição de novas áreas, além da oferta de crédito e do fortalecimento da educação no campo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o aporte de R$ 2,7 bilhões em recursos para incrementar ações voltadas à reforma agrária, tais como a criação de assentamentos e a aquisição de novas áreas, além da oferta de crédito e do fortalecimento da educação no campo.

“Quando tomei posse em 2023, chamei o ministro da Reforma Agrária e a presidência do Incra e disse a eles que eu desejava um levantamento de todas as terras no Brasil possíveis de serem disponibilizadas para a reforma agrária: aquelas que estavam em conflito, as que estavam sendo adjudicadas, aquelas em que era necessário desapropriar, comprar ou fazer acordo, para que a gente pudesse fazer o máximo possível de assentamentos”, salientou Lula.

A fala e o anúncio das medidas ocorreram durante o encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador (BA), na sexta-feira (23).

De acordo com o governo, com as novas ações, 6,3 mil famílias serão atendidas por meio da compra de terras. Outras 73,6 mil terão acesso a créditos habitacionais e de inclusão produtiva, no valor de R$ 1,78 bilhão.

Compõe o plano a desapropriação de imóveis rurais nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte. No Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (27) foram publicados sete decretos que declaram de interesse social, para fins de desapropriação destinada à reforma agrária, seis fazendas e um horto nesses estados.

Na sexta, também foi anunciada a criação de dez novos assentamentos, com destaque para áreas no Pará, Paraíba, Goiás e Sergipe, além de um acordo judicial no Paraná, que envolve R$ 584 milhões para regularizar mais de 32 mil hectares e beneficiar 1,9 mil famílias.

No que diz respeito aos créditos habitacionais, no mesmo dia foi formalizado contrato com a Caixa Econômica Federal para a disponibilização de R$ 1,015 bilhão nesta modalidade para atender cerca de 10 mil famílias.

Ao mesmo tempo, outros R$ 717 milhões do Orçamento Geral da União serão destinados ao crédito de instalação do Incra, voltado a outras 60 mil famílias em todo o país.

Ainda de acordo com o governo, o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) terá um aumento orçamentário de 25% neste ano, chegando a quase R$ 62 milhões.

Sobre iniciativas nessa área, o presidente destacou: “Tenho fé em Deus de que essas crianças haverão de ter uma qualidade de vida melhor do que a que tivemos, mais educação do que nós, e que sejam mais respeitadas do que nós”.

Compromisso com a reforma agrária

O ato marcou os 42 anos de existência do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Por isso, em sua fala, Lula também enfatizou o papel da entidade na defesa da reforma agrária, dos direitos do povo do campo, da alimentação saudável e do manejo da terra com respeito ao meio ambiente.

“Companheiros da direção dos sem-terra, muito obrigado pela existência de vocês. Se não fossem vocês, o Brasil possivelmente não teria chegado aonde chegou”, declarou Lula.

Na avaliação do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, esse conjunto de medidas reforça o compromisso do atual governo com a distribuição de terra e com uma política agrária que garanta alimentação saudável e ambientalmente equilibrada.

Ele lembrou que, após o desmonte dos governo anteriores, Lula recriou o ministério em 2023, contratou 700 servidores para o Incra e retomou o programa de reforma agrária.

Além disso, o ministrou salientou: “Em três anos, temos deflação de alimentos no país. É o compromisso do presidente Lula com a soberania alimentar. Reforma agrária para o presidente é terra, mas também é desenvolvimento, produção de alimentos, agroecologia, cooperativas, mecanização e apoio à chegada do mercado dos produtos da agricultura familiar. Quanto mais reforma agrária tivermos, menos fome e menos desigualdade social nós teremos no nosso país”, afirmou Teixeira.


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Mídia abutre não quer crescimento, nem alimento barato

Mídia corporativa ignora reaquecimento da economia e relativiza avanços do PIB, reforçando narrativas pessimistas para minar a confiança, escreve Aquiles Lins.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 3,4% em 2024, alcançando R$ 11,7 trilhões. Trata-se do melhor resultado desde 2021, impulsionado pelo avanço da Indústria (3,3%) e dos Serviços (3,7%). O investimento cresceu 7,3%, e o consumo das famílias, responsável pela maior parte da demanda, teve uma alta expressiva de 4,8%. Ainda assim, a cobertura da mídia corporativa sobre esses dados se concentrou em vieses negativos, embalados no falso manto da objetividade, omitindo deliberadamente os sinais de reaquecimento da economia.

Os títulos das notícias sobre o PIB seguiram um padrão: os avanços eram apresentados com conjunções adversativas que relativizavam os ganhos. “PIB cresce 3,4%, mas desacelera no último trimestre”, enfatizaram diversos veículos. O que deveria ser uma celebração de um país que se reergue após a pandemia e anos de estagnação é transformado em um discurso de desalento.

A indústria, além de crescer, gerou empregos com melhores salários. A construção civil, que foi destruída pelos efeitos da Lava Jato, teve um crescimento de 4,3%. Isso mostra um cenário de expansão e dinamismo econômico, especialmente com o aumento da oferta de crédito. Mas para a mídia inimiga do crescimento, como Folha, Globo e Estado, o crédito deve ficar caro e restrito.

Outro exemplo de manipulação da percepção pública foi a decisão do governo federal de zerar o Imposto de Importação de nove produtos alimentícios considerados essenciais, como azeite, carnes, açúcar e café. A medida busca ampliar a oferta e reduzir os preços ao consumidor, beneficiando principalmente as camadas mais pobres da população. Durante a entrega de 12.297 lotes de terra da reforma agrária para famílias de 138 assentamentos rurais de 24 estados do país, o presidente Luiz iinácio Lula da Silva disse que o governo está aginda conta a alta dos alimentos que não descarta “atitudes mais drásticas”.

No entanto, a imprensa corporativa preferiu tratar esta informação com ceticismo, sugerindo que os impactos de zerar imposto de importação serão irrelevantes ou que a isenção beneficiará apenas importadores. O fato de que a redução de impostos sobre alimentos básicos é uma das formas mais diretas de aliviar a inflação, por aumentar a oferta, é solenemente ignorado.

A omissão não é casual. Ao insistir em narrativas pessimistas mesmo diante de indicadores positivos, a mídia cumpre um papel político: minar a confiança na economia, desestimular investimentos e criar um ambiente de insatisfação que favorece determinados interesses da direita. Não se trata de exigir uma imprensa chapa-branca ou acrítica, mas de reconhecer que a mídia hegemônica tem um projeto de poder e atua de forma seletiva para promover seus interesses. O Brasil cresce, os investimentos aumentam, e o consumo das famílias segue forte. Mas, para a mídia abutre, nada disso importa. Seu negacionismo econômico é um entrave ao progresso e um desserviço à população.

*Aquiles Lins/247

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Programa Terra da Gente: Ampliando a Reforma Agrária, governo Lula anuncia entrega de 12 mil lotes

Lula participa de evento em Minas Gerais e anuncia investimentos bilionários em créditos, educação e desenvolvimento rural.

O governo federal oficializa, nesta sexta-feira (7), um amplo pacote de medidas voltadas para a reforma agrária, durante evento no Complexo Ariadnópolis, em Campo do Meio (MG). A cerimônia, que contará com a presença do presidente Lula (PT), marca a entrega de 12.297 lotes para famílias acampadas em 138 assentamentos rurais espalhados por 24 estados. No total, são 385 mil hectares de terras destinadas à produção agrícola familiar e à inclusão produtiva.

O programa Terra da Gente também receberá um reforço financeiro significativo. O governo anunciará um investimento de R$ 1,6 bilhão em 2025 para o Crédito Instalação, destinado à construção de moradias, apoio inicial aos assentados e incentivo à participação de jovens e mulheres na reforma agrária. A expectativa é de que pelo menos 18 mil famílias sejam contempladas com novas residências. Além disso, será autorizada uma nova rodada do Pronaf A, com liberação de créditos de até R$ 50 mil e juros reduzidos entre 0,5% e 1,5% ao ano.

Outro investimento de peso será feito no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que receberá R$ 1,1 bilhão. Entre 2023 e 2024, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) adquiriu 249 mil toneladas de alimentos de cooperativas e associações, sendo que 26% dos fornecedores eram assentados da reforma agrária. A tendência é que a compra de produtos desses pequenos agricultores aumente em 2025.

Novos decretos para reforma agrária – Durante a cerimônia, Lula assinará sete decretos que reconhecem como de interesse social 13.307 hectares de terras para fins de reforma agrária, beneficiando cerca de 800 famílias. Os decretos abrangem propriedades em diferentes estados, incluindo as fazendas Ariadnópolis (3.182 ha), Mata Caxambu (248 ha) e Potreiro (204 ha), todas localizadas no Complexo Ariadnópolis, em Minas Gerais. Outras áreas beneficiadas estão em Pau-d’Arco (PA), Formosa (GO), Barbosa Ferraz (PR) e Cruz Alta (RS), somando um investimento de R$ 189 milhões.

A reforma agrária também contará com a criação de novos projetos de assentamento, graças a um investimento de R$ 383 milhões, contemplando 528 famílias. Os projetos estão distribuídos em municípios como Alcobaça (BA), Teixeira de Freitas (BA), Goiana (PE), Pirapora (MG), Castro (PR), Muquém de São Francisco (BA), Primavera do Leste (MT) e Marabá (PA).

Regularização de dívidas e incentivos produtivos – Outro destaque do evento será a assinatura de contratos de renegociação de dívidas do programa Desenrola Rural, que oferece descontos de até 96% para assentados da reforma agrária refinanciarem seus débitos. Essa medida busca facilitar o acesso ao crédito e evitar que agricultores familiares fiquem inadimplentes.

Também serão entregues 243 títulos de terras pelo Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), totalizando investimentos de R$ 53,7 milhões. Além disso, dez famílias assentadas nos estados de Tocantins, Mato Grosso, Bahia, Pará e Acre receberão títulos definitivos no âmbito do Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA). Com 247.

Parcerias para fomentar produção e tecnologia – Durante o evento, o governo assinará dois acordos estratégicos. O primeiro será firmado com a Itaipu Binacional, garantindo um benefício de R$ 4,6 mil para cada uma das 2,5 mil famílias acampadas em situação de vulnerabilidade, voltado a investimentos produtivos. O segundo acordo será com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), destinando R$ 15 milhões para o desenvolvimento de bioinsumos e mecanização da agricultura familiar.

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Governo prevê R$ 450 milhões em compra de terras para reforma agrária até fim do ano

Cerca de R$ 200 milhões já foram usados para a compra de terra

O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, revelou que o governo federal deve investir R$ 450 milhões em terras compradas para reforma agrária, em uma das iniciativas do programa Terra da Gente. A informação foi revelada pela Folha de S. Paulo.

Cerca de R$ 200 milhões já foram usados para a compra de terra e o restante será liberado em breve, segundo Teixeira. O governo também começou a destinar terras públicas para a reforma agrária.

“Então nós vamos chegar a R$ 450 milhões até o final do ano nessa prateleira de compra de terras”, diz Paulo Teixeira.

O ministro disse, ainda, que o governo “achou” quase R$ 700 milhões em recursos de 2000, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, que se somarão a R$ 300 milhões em créditos que aguardam aprovação pelo Congresso. Os recursos serão utilizados como crédito de instalação para assentados.

Governo
Duas outras medidas do programa ainda dependem do Ministério da Fazenda para andar. Uma é a adjudicação de terras, ou seja, a transferência de imóveis de grandes devedores da União para serem destinados à reforma agrária. O ministro quer estabelecer um valor de R$ 700 milhões por ano para essa prateleira.

Também há a iniciativa para as terras que estão em patrimônio do Banco do Brasil.

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No Abril Vermelho, jornada do MST reforça importância da reforma agrária no combate à fome

Dia 17 de abril relembra os 21 trabalhadores rurais assassinados pela polícia militar no Massacre de Eldorado do Carajás (PA), em 1996.

Sob o lema ‘Ocupar para o Brasil alimentar’, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se organiza em todo o país para ações da Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, que acontece durante o chamado Abril Vermelho e conta com marchas, ocupações, atividades de formação, solidariedade e enfrentamento à concentração de terras no país.

O mês massifica as ações dos movimentos sociais do campo e tem como marco o dia 17 de abril, quando é celebrado o Dia Internacional de Luta Camponesa. O dia relembra os 21 trabalhadores rurais assassinados pela polícia militar no Massacre de Eldorado do Carajás, em 1996, no estado do Pará.

O movimento aponta a reforma agrária como alternativa urgente e necessária para a produção de alimentos saudáveis para a população do campo e da cidade, para combater a fome, e avançar no desenvolvimento do país, no contexto agrário, social, econômico e político.

“A jornada nacional de abril desse ano traz como lema ‘ocupar para o Brasil alimentar’, entendendo que só a reforma agrária é capaz de acabar com a fome no nosso país e apontar a urgência e a necessidade de o Estado brasileiro realizar a reforma agrária”, explica a dirigente nacional do MST, Margarida Maria.

A jornada ganha ainda mais força entre trabalhadores e trabalhadoras considerando que este é o terceiro ano seguido que o governo federal não destina terras para a reforma agrária, intensificando os conflitos no campo, e as desigualdades socais.

“Os trabalhadores do campo e da cidade estarão nesse debate de poder construir uma jornada nacional com várias ações, em todos os estados, para que possamos dialogar com a sociedade que só podemos contribuir no combate à fome se a terra for democratizada para todos e todas que vivem no campo”, complementa Margarida.

No estado do Pará, a jornada tem um caráter ainda mais intenso, com o Acampamento Pedagógico da Juventude Sem Terra – Oziel Alves, que todos os anos é erguido na Curva do S, local onde aconteceu o massacre e hoje é Patrimônio Histórico e Cultural do estado.

“Oziel era um jovem de 17 anos na época, brutalmente assassinado pela polícia na Curva do S, então o acampamento carrega hoje o nome de Oziel por trazer esse caráter de juventude, de um jovem rebelde, que não se submetia a esse projeto de morte colocado pelo Estado sobre os povos que lutam pelos seus direitos. Então [é] uma rebeldia, mas uma rebeldia revolucionária”, explica o dirigente da Juventude do MST do Pará, Romario Rodrigues.

Acampamento do MST reúne familiares de mártires do Massacre de Eldorado dos Carajás

*ICL

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Governo aguarda Congresso para montar programa de reforma agrária

Governo Lula anunciou a integrantes do MST que lançará programa nacional de reforma agrária; gesto abre caminho para desocupações.

O governo Lula avisou a parlamentares que só planejará um programa nacional de reforma agrária depois que o Congresso confirmar o novo desenho da Esplanada dos Ministérios. Os parlamentares têm até o fim de maio para votar a reestruturação dos ministérios, feita por meio de uma medida provisória, diz Guilherme Amado, Metrópoles

Um dos impasses do texto é a definição dos órgãos que serão controlados pelo novo Ministério do Desenvolvimento Agrário, como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O Ministério da Agricultura tenta evitar uma desidratação maior ainda da pasta, que perdeu espaço também para o Ministério da Pesca.

Depois que o desenho da Esplanada dos Ministérios for sacramentado, o Ministério do Desenvolvimento Agrário começará a estruturar um programa nacional de reforma agrária.

Anunciado na última semana a interlocutores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o programa abre caminho para que o movimento desocupe áreas em Pernambuco e no Espírito Santo. Essas ocupações trazem desgaste ao governo, especialmente entre grandes empresários do setor agropecuário.

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Brasil

Michael Hudson: “vocês estão vivendo o equivalente a uma sociedade feudal, mas em vez de latifundiários, vocês têm financistas”

“Não vejo como o Brasil pode sair disso. Quando Lula planejou algo para o povo, foi derrubado com a ajuda americana para implantar uma ditadura”, diz o economista dos EUA.

Por Cesar Calejon, 247 – Com base em uma entrevista exclusiva realizada com Michael Hudson, economista norte-americano, professor de economia na Universidade do Missouri do Kansas, pesquisador do Levy Economics Institute do Bard College e autor do livro The Destiny of Civilization: finance capitalism, industrial capitalism or socialism, que foi lançado em inglês no último mês de maio, esta matéria está dividida em três partes.

Na primeira, Hudson explica de forma simples os três conceitos centrais da sua obra: o capitalismo industrial, o capitalismo financeiro e o socialismo. Na segunda, fala sobre o conceito de Guerra Fria 2.0 e, por fim, considera a atual condição do Brasil no cenário geopolítico global em face das eleições presidenciais de outubro.

“No capitalismo industrial, os atores-chave são empregadores que contratam o trabalho por salários para efetivarem a produção que vendem e a maior parte do lucro é convertida em mais e mais investimento de capital para contratar mais mão de obra para aumentar o investimento e aumentar a produtividade e a produção”, explica o economista.

Segundo ele, “(…) não é isso que ocorre hoje sob o capitalismo financeiro. Hoje, 92% dos ganhos corporativos em termos de fluxo de caixa nos Estados Unidos são gastos na recompra de ações ou no pagamento de seus dividendos para aumentar o preço das ações. Portanto, as corporações não ganham mais dinheiro contratando mão de obra para produzir bens (ou serviços) para vender com lucro, elas meio que vivem do que investiram no passado e gastam os lucros que obtêm para aumentar os preços das ações para ganhar dinheiro com as finanças”.

Para Hudosn, esse mecanismo caracteriza um modelo de engenharia financeira e não engenharia industrial. “E o que o socialismo quer fazer, e estou pensando no socialismo chinês, é, na verdade, financiar o capitalismo com características americanas de um século atrás. É como a Alemanha ficou rica, como a América construiu a sua indústria. Essencialmente, os governos dos estados gastam dinheiro em infraestrutura pública para reduzir o custo dos salários para os investidores industriais. A ideia dos investidores industriais, no final do século 19, era pagar o mínimo possível de salários, mas sabendo que o trabalho precisaria ser remunerado com altos salários para ser mais produtivo”, ressalta o autor.

“Trabalhadores bem alimentados, bem educados e que têm acesso ao lazer são mais produtivos. Então, eles pensaram como pagar menos pelo trabalho. A resposta era minimizar o custo de vida e, para isso, foi necessária uma série de coisas, mas, principalmente, livrar-se da classe latifundiária. O capitalismo industrial foi revolucionário nisso, porque Adam Smith, John Stuart Mill, Ricardo, Marx e todos os pensadores do século 19 queriam uma reforma política para acabar com o domínio da classe latifundiária”, prossegue Hudson.

Ainda de acordo com ele, “(…) o capitalismo financeiro foi o que destruiu o capitalismo industrial nos Estados Unidos e está fazendo o mesmo na Europa e em outras partes do mundo. O objetivo do socialismo é recuperar o conflito de classes para lidar com essa questão da renda não auferida”.

Guerra Fria 2.0: a classe rentista financeira ocidental contra o Sul Global

“Hoje a classe bancária na América e na Europa está assumindo o papel que os governos tiveram no século 19 sob o capitalismo industrial. Isso é uma mudança no planejamento. As economias de livre mercado de hoje são economias centralmente planejadas pelos bancos e não pelos governos e são planejadas contra os interesses do trabalho e das indústrias”, explica o economista.

Hudson argumenta que Wall Street, nos Estados Unidos, e a cidade de Londres, bem como todos os rentistas financeiros ao redor do mundo enfrentam hoje um grande problema: agora que as indústrias europeias e americanas estão fora do mercado, não são competitivas e foram desmanteladas, a China e outros países que não são financeirizados estão avançando.

“Então os Estados Unidos dizem ‘como vamos tornar o mundo seguro para nossos investidores? Como podemos ter nossos bancos dominando o mundo se existem outros países que não permitem que os bancos privados dominem o mundo, mas cujo governo cria bancos e dinheiro como utilidades públicas, como fazem na China?’ A China cria dinheiro que é realmente gasto na economia para construir ferrovias de alta velocidade, fornecer assistência médica, construir moradias e não aumentar os preços das ações e não apoiar o mercado de ações. Esse é um modelo que é uma ameaça para a América”, pondera o autor.

Para ele, “(…) um dia os americanos podem dizer ‘por que não nos livramos dos bilionários? Por que não damos dinheiro aos trabalhadores em vez dos bilionários?’ Essa é uma ideia assustadora para Wall Street, porque eles emprestam todo o dinheiro. Eles querem liderar o trabalho apenas deixando-o na subsistência e olham para a China e seu socialismo como uma ameaça existencial e sentem que precisam destruí-lo de alguma forma. O problema é que eles não conseguem descobrir como fazer isso”, complementa Hudson.
O Brasil, o jogo geopolítico global e as eleições de outubro

“Eu me encontrei com o presidente (João Goulart) que foi derrubado pelos Estados Unidos no início dos anos 1960 e ele descreveu como ele foi derrubado e como, basicamente, os bancos haviam assumido o controle. Cerca de 6 ou 7 anos atrás, o seu Conselho de Assessores Econômicos me trouxe para o Brasil para conhecê-los. Eles me explicaram que o problema com Lula era que lhe disseram que ele só poderia concorrer e ganhar a eleição se concordasse em deixar os bancos brasileiros no controle”, lembra Hudson.

O economista estadunidense também começou a trabalhar como consultor do World’s Sovereign Debt Fund, na década de 1990. “Naquela época, o Brasil pagava 45% de juros anuais sobre seus títulos. A Merrill Lynch percorreu os Estados Unidos tentando vendê-los (os títulos) para os americanos. 45% de juros! Ninguém chegaria perto disso. Eles foram para a Europa e tentaram vendê-los. Isso é um grande retorno. Ninguém os quis. Por fim, a Merrill Lynch passou por seu escritório em Brasília e quem comprou toda a dívida externa brasileira em dólar? Os banqueiros centrais brasileiros e todas as famílias ricas do Brasil. (…) Então a dívida externa do Brasil está vinculada à sua própria classe alta, sua própria classe financeira, que basicamente dirige o país”, enfatiza Hudson.

“E assim, a classe financeira, hoje, no Brasil, desempenha os papéis que os latifundiários faziam no feudalismo. Vocês estão vivendo no equivalente a uma sociedade feudal, mas em vez de latifundiários, vocês têm financistas, oligarcas e monopolistas administrando o país. Todos eles vivem de uma forma econômica ou de outra: juros, renda da terra, renda dos recursos naturais, renda do monopólio e todos esses tipos de renda. Então todos os recursos do país são direcionados para essa classe rentista que sequer precisa de mais dinheiro. E a única maneira de se livrar deles seria uma revolução, mas essa classe rentista sabe disso e tem o apoio dos Estados Unidos como uma oligarquia cliente e não vejo como o Brasil pode sair disso. Quando Lula planejou algo para o povo, foi derrubado com a ajuda americana para implantar uma ditadura do terceiro mundo na forma de Jair Bolsonaro”, explica o autor.

Para Hudson, a única forma de desmontar este processo é por meio da construção de uma filosofia econômica diferente. “O grande inimigo do desenvolvimento do Brasil tem sido o Banco Mundial. Desde o início, nas décadas de 1950 e 1960, o Banco Mundial disse ao Brasil que faria empréstimos para vocês, mas só faria empréstimos em moeda estrangeira. E vocês só poderiam pagar os empréstimos via exportações. Há uma coisa que vocês não poderiam fazer e se vocês fizessem isso, eles iriam matá-los. Vocês não podem cultivar a sua própria comida, ou haveria uma revolução. Vocês não devem cultivar seus alimentos, mas comprar seus grãos e alimentos dos Estados Unidos”.

Ele prossegue: “(…) vocês devem se concentrar na exportação para não competir com os Estados Unidos e não devem fazer uma reforma agrária. Vocês devem ter grandes plantações e agricultura, plantações tropicais para exportar, mas não alimentos. Essa era a condição absoluta. Então, se você ler a missão do Banco Mundial ao Brasil, diz que o país precisa de reforma agrária e gastos com moeda nacional para promover a agricultura familiar e local como os Estados Unidos, para fornecer educação agrícola, sementes, sistemas de transporte, contudo, o Banco Mundial disse que vocês não poderiam fazer isso porque, se vocês cultivassem seus próprios alimentos, não seriam um mercado para os Estados Unidos. As pessoas pensam nos EUA e em uma economia industrial, mas seus principais produtos de exportação por décadas têm sido a agricultura. Então, se você tentar cultivar sua própria comida e se livrar dessa classe rentista e bilionários, os EUA vão impor sanções ao Brasil e tentar matá-lo de fome. A única defesa que o Brasil tem é cultivar seus próprios alimentos. É por isso que China, Rússia e outros países estão percebendo que para desdolarizar o mundo e libertá-lo do capitalismo financeiro é necessária uma alternativa ao Banco Mundial”.

Hudson aponta que o Sul Global precisa de seu próprio fundo monetário e todo um conjunto de instituições espelho para se opor à filosofia predatória usada pelos Estados Unidos e à estratégia de subdesenvolvimento conduzida pelos Estados Unidos, principalmente.

“China e Rússia podem simplesmente mostrar por exemplo. Eles podem mostrar pelo seu sucesso. Neste verão e outono (no hemisfério Norte), acredito que a maior parte do Sul Global terá uma crise: os preços do petróleo e da energia estão subindo. Você está tendo os preços dos alimentos subindo. Isso é projetado pelos Estados Unidos nas sanções que o presidente Biden impôs contra a Rússia. É a inflação de Biden”, diz Hudson.

Ao mesmo tempo, conforme a interpretação dele, o Federal Reserve vai tornar os dólares muito mais caros para os países estrangeiros comprarem com sua própria moeda.

“O Brasil e outros países da América Latina têm enormes dívidas externas vencidas. Como esses países poderão importar energia e alimentos e ainda pagarem as suas dívidas? Algo deverá ceder. Você tem a Rússia e a China dizendo que estão dispostas a exportar alimentos e energia, mas isso contradiz os interesses dos EUA e, portanto, os interesses daqueles oligarcas que governam o Brasil e querem permanecer no poder sob a proteção dos EUA. Será que a população brasileira vai passar fome no escuro, sem comida ou energia, e deixar o seu padrão de vida cair se endividando e perdendo suas casas? Ou será que, de alguma forma, deverá agir politicamente para não pagar a dívida externa? Essa classe dominante vai dizer que o país precisa pagar a dívida. O que eles não dirão, porém, é que suas classes superiores são as proprietárias desses fundos, que estão localizados, principalmente, em offshores ocultas no exterior. Essa é a atual guerra de classes que está acontecendo no Brasil e vai realmente ganhar força nos próximos meses”, reitera o autor.

Por fim, Hudson afirma que “(…) a classe bancária tentará manter Lula em rédea curta. Ele sabe que foi derrubado antes pela interferência corrupta (dos EUA) e terá que encontrar uma maneira de se proteger, mas precisará do apoio de alguns elementos do exército, porque no final vai ser sobre quem controla a violência. Ele terá que limpar o exército e, em um certo ponto, terá que enfrentar as classes altas como o próprio inimigo interno do Brasil, o que é extremamente difícil de se fazer sem sofrer um golpe de estado”, conclui o economista. militar na Finlândia e na Suécia

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