Categorias
Mundo

‘Judiciário israelense é parte do sistema de repressão aos palestinos’, afirma ex-preso político

Salah Hammouri vive atualmente na França, para onde foi exilado em 2022; antes disso, passou uma década de sua vida entrando e saindo das prisões israelenses

O advogado palestino-francês Salah Hammouri passou uma década de sua vida entrando e saindo das prisões israelenses. Sua primeira detenção foi em 2001, quando ele tinha 16 anos, por colar cartazes pró-palestina nos muros de Jerusalém.

Filho de pai palestino e mãe francesa, Hammouri está exilado na França, após ser deportado em 2022. Desde então, utiliza sua vivência para denunciar o colonialismo e defender a autodeterminação do povo palestino.

Hammouri integra desde 2016 a Addameer, uma das mais respeitadas organizações de direitos humanos defensoras dos prisioneiros políticos palestinos. Segundo ele, um milhão de palestinos já passaram pelos cárceres israelenses. “Isso significa 40% da população”, disse.

A Opera Mundi, ele destacou que os mecanismos de repressão ao povo palestino são estruturantes do Sistema Judiciário israelense. “Não estamos diante de um Estado democrático, mas de um Estado onde todos esses mecanismos, incluindo o poder judicial e os tribunais, fazem parte de um sistema de repressão contra o povo palestino”, afirmou.

Salah Hammouri: eu tinha 16 anos quando fui acusado de participar do Movimento da Juventude da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), por ter colado cartazes e pichado slogans de resistência. Nós éramos jovens estudantes de uma escola francesa em Jerusalém. Eu nasci em 1985, sou filho de pai palestino e mãe francesa.

Em dezembro de 2000, eu fui baleado abaixo do joelho e foi impossível tirar essa bala da minha perna. No ano seguinte, fui preso pelo Exército israelense. Eu passei 60 dias sob duros interrogatórios e conduzido a uma prisão de jovens, praticamente crianças, palestinos.

Éramos 80 crianças em condições de detenção bastante difíceis. Na lei de Israel, uma criança palestina pode ser julgada a partir dos 12 anos. Eu fiquei cinco meses preso e fui libertado em fevereiro de 2002. Então, eu voltei para o ensino médio e, no final de 2003, prestei o vestibular e entrei na faculdade de Belém.

Um ano depois, eu estava cursando sociologia quando fui novamente preso, mas em uma detenção administrativa, garantida por uma lei ainda da colonização britânica, anterior a 1948, que permite o Exército israelense prender qualquer palestino por um período de um a seis meses.

A lei permite que as pessoas sejam presas sem ter o direito de saber as razões da sua detenção. Eu permaneci quatro meses e meio detido sem saber o porquê. Não há advogados, nem julgamentos, nada. O prisioneiro, simplesmente, não tem acesso ao processo.

Isso é generalizado?

É uma situação permanente. Os palestinos, em geral, são julgados pela lei militar, ou seja, por tribunais militares ilegais. Os de Jerusalém, em tribunais civis, mas em condições distintas no caso dos prisioneiros políticos. De modo geral, o sistema judicial israelense faz parte dos meios da repressão contra o povo palestino.

Desde 1967 até hoje, 1 milhão de palestinos passaram pelas prisões israelenses, o que significa que pelo menos 40% da sociedade passou pelas prisões israelenses. Não estamos diante de um Estado democrático, mas de um Estado onde todos esses mecanismos, incluindo o poder judicial e os tribunais, fazem parte de um sistema de repressão contra o povo palestino.

‘Cerca de 1 milhão de palestinos, 40% da população, já passou pelas prisões israelenses’, afirma advogado

Houve mudanças após o 7 de outubro?

Eu fui deportado da Palestina para a França em 2022 e não tenho mais o direito de retornar. Mas sei que as condições de detenção dos presos políticos após 7 de outubro ficaram muito difíceis.

Há meios de tortura extremamente duros, por exemplo, existem relatos de mulheres e homens que foram violentados durante os interrogatórios. Os prisioneiros palestinos são mortos nessas prisões devido às torturas. Desde 7 de outubro, 98 foram assassinados nestas condições. Até agora, a maioria dos advogados não têm o direito de visitá-los, nem a Cruz Vermelha pode mais entrar.

Israel está debatendo a aprovação da pena de morte para os prisioneiros classificados como ‘terroristas’. Como você avalia isso?

No dia 3 de novembro, o Conselho de Segurança do Knesset [Parlamento israelense] discutiu o assunto e votou pela pena de morte dos prisioneiros. São necessárias mais duas votações para que ela seja aprovada e penso que isso será aprovada.

Por causa dessa votação, a pena de morte afetará centenas de prisioneiros. A lei será um meio legal para Israel matar cada vez mais os palestinos nas prisões.

A sociedade israelense aprova essa medida? Existe algum movimento contra?

A maioria da sociedade israelense está ciente da lei, do que se passa em Gaza e dos genocídios. Eles apoiam o governo porque é uma sociedade de extrema direita, e acredito que haverá maioria no Congresso para apoiar a pena de morte dos prisioneiros palestinos.

No momento, [Benjamin] Netanyahu é o político mais forte do país. Haverá eleições no ano que vem, mas por enquanto ele tem apoio de Donald Trump, dos países ocidentais, como a França, Itália e a Alemanha. É um político forte, mas nós veremos nas próximas eleições o que vai acontecer com ele.

Como você avalia o chamado ‘plano de paz’ de Trump?

O Plano de Trump não é um plano de paz. As Nações Unidas e o Conselho de Segurança aprovaram a resolução dias atrás, autorizando o plano. O que eles querem é impor um mandato norte-americano e das forças internacionais sobre a Palestina. É uma nova forma de ocupação do território que pertence aos palestinos.

A resolução é vergonhosa porque não leva em consideração direitos históricos do povo palestino, como o da autodeterminação. Ela não fala sobre as colonizações, a libertação dos prisioneiros palestinos, sobre Jerusalém. É uma resolução colonial que os Estados Unidos vão impor ao mundo no lugar das determinações do direito internacional.

Como você vê a reação da União Europeia e dos países árabes?

O governo europeu, principalmente a França, desde o início do genocídio em curso, não saíram do horizonte e da perspectiva dos Estados Unidos. Esses países são mais ou menos controlados pela economia e política norte-americana. Eles tentam fazer manobras aqui e ali, mas elas são pequenas e não servem para alterar a dominação norte-americana.

A Europa segue claramente os passos dos Estados Unidos, especialmente agora, após a aliança entre o mundo árabe e os Estados Unidos, especialmente a Arábia Saudita, como vimos durante a visita de Ben Salman a Nova York.

Em termos da população, nós estamos acompanhamos os protestos e movimentos populares na Europa, que vive entre a ascensão da extrema direita e a esquerda. Espero que possamos continuar lutando na Europa.

Em relação aos países árabes e sauditas, eles são reacionários e apoiaram o genocídio em curso. Há exceções como o Líbano, e não todo o país, o Iêmen e um pouco o Iraque, que estava com a resistência palestina. O resto dos países árabes, porém, apoiaram o genocídio e alguns até trabalharam para remover o bloqueio que as forças do Iêmen impuseram ao Estado de Israel. São regimes totalmente ligados aos Estados Unidos e Israel.

E internamente? Como você vê a resistência do Hamas e os próximos passos?

A questão é a resistência do povo palestino, não é a questão do Hamas. Isso tem que ser dito claramente. Nós, como povo palestino, temos o direito de resistir ao ocupante israelense e é nosso dever resistir ao ocupante israelense. Isso foi expresso nos anos 60 e 70 pela esquerda palestina e seus aliados.

O mais importante agora é pensar no futuro: como o povo palestino se organizará para resistir ao ocupante israelense e, também, para estabelecer uma ligação com os movimentos internacionais de solidariedade e os povos ao redor do mundo. Os movimentos sociais e políticos que apoiam e são solidários com o povo palestino têm um importante papel a desempenhar na resistência e solidariedade à luta palestina.

Enquanto o direito internacional estiver nas mãos dos Estados Unidos e das forças ocidentais, ele será mal utilizado. Os países do Sul Global, como Brasil, África do Sul e outros, precisam fazer valer as determinações do direito internacional, que exige o respeito à autodeterminação dos povos e, acima de tudo, o direito de retorno do povo palestino a suas terras.

É preciso não aceitar que esse direito esteja nas mãos dos Estados Unidos e dos israelenses, que fazem dele o que bem entendem.

Qual sua mensagem para o Brasil?

É preciso dizer, em primeiro lugar, que há um prisioneiro brasileiro-palestino chamado Islam Hamed, que está na prisão há 20 anos. É preciso obrigar o governo brasileiro a obter a sua libertação.

Segundo, é preciso que o Brasil interrompa toda a cooperação com as empresas israelenses, porque essa cooperação continua, especialmente na questão do carvão. Em terceiro lugar, é preciso que o país imponha um efetivo embargo contra as armas israelenses.

E, por fim, é preciso dizer ao povo brasileiro que precisamos lutar juntos contra o sionismo, porque o sionismo é um racismo que prejudica o povo palestino, mas também afeta o povo brasileiro.

*Opera Mundi


Queridos leitores,
Nosso blog é um espaço dedicado a compartilhar conhecimento, ideias e histórias que inspiram. Para continuarmos criando conteúdo de qualidade e mantendo este projeto vivo, contamos com o seu apoio! Se você gosta do que fazemos, considere contribuir com uma pequena doação. Cada gesto faz a diferença e nos ajuda a crescer. Pix: 45013993768. Agradecemos de coração o seu apoio.


Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/profile.php?id=100070790366110

Siga-nos no Whatsapp: https://chat.whatsapp.com/GvuXvoe7xtqB1XJliMvNOX

Siga-nos no X: https://x.com/Antropofagista

Siga-no no Instagram: https://www.instagram.com/blogantropofagista?igsh=YzljYTk1ODg3

Categorias
Política

Polícia de Tarcísio reprime violentamente manifestação contra privatização da CPTM

Ato dos manifestantes iniciou na quinta-feira e o objetivo é anular o leilão das linhas.

A sede da Secretaria de Transportes de São Paulo foi palco de um protesto contra a privatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM, nesta quinta-feira (27). O ato, organizado pelo movimento Não Privatiza e composto por familiares e amigos de ferroviários, denunciava os impactos da concessão para os trabalhadores e a população. A manifestação terminou com forte repressão policial e relatos de violência contra os participantes.

O leilão dessas linhas está marcado para amanhã, sexta-feira (28), e os manifestantes buscam anular ou adiar a decisão. Apesar da mobilização, o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas, já declarou que pretende seguir com as concessões mesmo diante de uma possível greve.

Violência policial e falta de diálogo
A manifestação expôs a forma como o governo do estado lida com a mobilização popular. Segundo os organizadores, o ato na Secretaria de Transportes tinha como objetivo buscar diálogo com o governo. No entanto, os manifestantes foram alvo de violenta repressão policial. “A polícia agrediu companheiros, jogou gás de pimenta e bombas de borracha na população que passava na rua. Uma mulher foi puxada pelo cabelo e arrastada”, relatou Roseli Simão, que participou da mobilização.

Os manifestantes também criticaram a falta de transparência e a ausência de consulta popular sobre a privatização. “Se a empresa foi construída com o dinheiro dos trabalhadores, deveríamos ter o direito de decidir se queremos vendê-la ou não. Pedimos um plebiscito, mas não tivemos resposta.”

privatização

O impacto da privatização para os trabalhadores
Segundo a liderança da ocupação, a privatização das linhas trará consequências graves para a classe trabalhadora. Um dos principais pontos levantados é o aumento do desemprego, já que, historicamente, empresas privadas que assumem serviços públicos realizam cortes massivos de funcionários. “Eles vão demitir sem se importar se o trabalhador é velho, se tem problema de saúde ou se precisa do convênio médico. Esses trabalhadores vão engrossar a lista de desempregados e de pessoas passando fome”, afirmou Roseli Simão, líder do movimento.

Além disso, os manifestantes alertam para a precarização do serviço, caso seja feita a privatização. “A empresa que compra a CPTM não está interessada em servir a classe trabalhadora, está interessada apenas no lucro”, afirmou a liderança. Ela citou exemplos de outras privatizações, como a Enel e a Sabesp, que, segundo ela, pioraram a qualidade dos serviços prestados. “Hoje a conta de luz está mais cara e o fornecimento de energia é instável. Na Sabesp, em áreas mais pobres, a água muitas vezes não chega.”

Outro ponto destacado foi o impacto da privatização no dia a dia dos trabalhadores que dependem do transporte público.

“Com a piora no serviço, os atrasos serão mais frequentes, e o patrão não quer saber se o trem teve problema. Ele quer o trabalhador lá na hora. Se começar a chegar atrasado, será demitido, principalmente as mulheres, que são as primeiras a serem mandadas embora.” completou Roseli.

Apesar da repressão, os manifestantes afirmam que seguirão mobilizados. “Hoje à noite teremos uma assembleia dos ferroviários e não vamos recuar. Ainda há a possibilidade de impedir o leilão e até rever outras privatizações já feitas”, declarou Roseli Simão.

*ICL

Categorias
Mundo

Gás, caminhões hidrantes e balas de borracha: Polícia argentina avança com repressão a aposentados e torcedores

Há detidos e feridos. Manifestantes incendiaram um carro e uma moto da polícia de Buenos Aires. O Ministério da Segurança mobilizou mais de mil agentes.

C5N – Forças de segurança reprimiram com gás lacrimogêneo, cassetetes e empurrões aposentados e torcedores que protestavam nesta quarta-feira nos arredores do Congresso contra o ajuste do governo de Javier Milei. Há registros de detidos e feridos.

O Ministério da Segurança, liderado por Patricia Bullrich, organizou a operação “antipiquete” com cerca de mil agentes de diferentes forças federais fortemente equipados. Também foram mobilizados caminhões hidrantes e a polícia motorizada.

Embora a manifestação estivesse marcada para as 17h, às 15h a Praça do Congresso já estava lotada de aposentados e torcedores de vários clubes do país. Foi nesse momento que começaram os primeiros momentos de tensão, quando os agentes impediram os manifestantes de descerem para a Avenida Entre Ríos.

“Olhem onde estamos. Eles é que estão bloqueando a rua”, disse um torcedor do Independiente, mostrando que os manifestantes estavam na calçada da praça, enquanto a polícia fechava a avenida.

Embora a manifestação estivesse marcada para as 17h, às 15h a Praça do Congresso já estava lotada de aposentados e torcedores de vários clubes do país. Foi nesse momento que começaram os primeiros momentos de tensão, quando os agentes impediram os manifestantes de descerem para a Avenida Entre Ríos.

“Olhem onde estamos. Eles é que estão bloqueando a rua”, disse um torcedor do Independiente, mostrando que os manifestantes estavam na calçada da praça, enquanto a polícia fechava a avenida.

Por volta das 16h, os agentes começaram a empurrar e lançar gás de pimenta sobre um grupo de torcedores e aposentados que tentavam bloquear a Avenida Rivadavia. Com as mesmas táticas, agentes da Gendarmeria liberaram o trânsito na Avenida Callao.

Categorias
Uncategorized

Vídeos – Repressão: indígenas são recebidos com bombas na Funai em Brasília

Mais de 35 povos originários encampam na capital federal uma mobilização pacífica contra projeto que retira seus direitos, mas foram atacados pela Polícia Militar.

Centenas de indígenas que participam nesta quarta-feira (16) do “Levante Pela Terra” em Brasília, uma mobilização pacífica contra um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados que dificulta a demarcação de terras, foram reprimidos pela Polícia Militar.

Representantes de mais de 35 povos originários, com o apoio da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), marchavam na capital federal e esperavam ser recebidos por um representante da Fundação Nacional do Índio (Funai), mas a tropa de choque da PM cercou o prédio da entidade e atacou os manifestantes com bombas de efeito moral e spray de pimenta.

“Um grande retrocesso que estamos sofrendo! Um órgão que deveria defender nossos direitos e interesses, agora nos ataca”, escreveu, pelas redes sociais, a líder indígena Sonia Guajajara, que é coordenadora executiva da Apib.

A PM informou que “os índios partiram em confronto contra a linha de contenção, inclusive, atirando flechas contra os policiais, sendo necessário o uso de gás para retomada do terreno”, versão que é rechaçada pelos representantes dos povos originários, que garantem o tom pacífico da manifestação.

“A Funai tem o dever constitucional de nos defender e respeitar. Não é o que vem acontecendo. A Funai tem sido utilizada pelo governo Bolsonaro para coagir lideranças e retirar nossos direitos, para abrir as terras indígenas para invasores. Estamos sendo proibidos de entrar na nossa própria casa como se fôssemos um perigo. O perigo está lá dentro”, afirmou o líder indígena Tiago Mbya Guarani.

Até a publicação desta matéria, os indígenas ainda não tinham sido recebidos por nenhum representante da Funai. Eles seguem em frente ao prédio da entidade, cercado por policiais.

Retirada de direitos

A mobilização “Levante pela Terra” se dá, principalmente, pela tramitação na Câmara do Projeto de Lei 490/2007 que, segundo a Apib, “representa um novo Genocídio aos povos indígenas”.

“O PL é inconstitucional e pode acabar com as demarcações das Terras Indígenas no Brasil, possibilitando a abertura dos territórios para explorações predatórias. Além do PL 490 outras propostas anti-indígenas e que representam uma ameaça ao meio ambiente estão em pauta no Congresso”, diz a entidade.

Confira, abaixo, a agenda de reivindicações dos povos orginários.

1. Retirada definitiva do Projeto de Lei 490/2007 da pauta de votação da CCJ e arquivamento do mesmo;

2. Arquivamento do PL 2633/2020, conhecido como o PL da Grilagem, da pauta de votação do Congresso Nacional

3. Arquivamento do PL 984/2019, que pretende cortar o Parque Nacional do Iguaçu e outras Unidades de Conservação com estradas.

4. Arquivamento PDL 177/2021 que autorizaria o Presidente da República a abandonar a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)

5. Arquivamento PL 191/2020 que autoriza a exploração das terras indígenas por grandes projetos de infraestrutura e mineração.

*Com informações da Forum

Siga-nos no Whatsapp: https://chat.whatsapp.com/H61txRpTVWc7W7yyCu0frt

Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/Blog-Antropofagista-Jornalismo-103163282002200

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica: Agência 0197
Operação: 013
Poupança: 56322-0
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450.139.937-68

PIX: 45013993768
Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Mundo

Caos no Peru: ministros renunciam, há repressão e manifestantes mortos

Imprensa local reporta ao menos dois mortos em Lima, mas há também relatos de desaparecidos, entre os que se manifestavam contra governo que assumiu após destituição de Vizcarra, considerado ilegítimo.

A crise política iniciada no Peru após destituição do ex-presidente Martín Vizcarra teve seu dia mais sangrento – ao menos até agora – neste sábado (9), em que os protestos em Lima e outras grandes cidades do país, novamente massivos, foram cruelmente atacados pelas forças de segurança do país, com resultados a lamentar: ao menos duas pessoas faleceram na capital do país e há vários relatos de desaparecidos.

Nas redes sociais, várias organizações reclamaram de uso indiscriminado de gás lacrimogêneo e balas de dispersão (de chumbinho, chamadas “perdigones”) por parte das forças policiais peruanas, e algumas organizações civis, especialmente a Defensoria Pública do Peru, utilizaram as redes sociais para mostrar imagens comprovando que os ataques policiais se iniciaram em meio a uma manifestação pacífica, reforçando o caráter autoritário da ação.

Até o momento há dois casos confirmados de pessoas mortas como resultado da repressão policial. Ambos seriam estudantes de entre 23 e 25 anos de idade e seriam estudantes universitários – as organizações estudantis peruanas estão entre as que mais fortemente têm mobilizado pessoas para os protestos. Contudo, também há dezenas de relatos de pessoas desaparecidas nas redes sociais, e também a partir de denúncias formais realizadas pela Defensoria Pública e outras organizações de defesa dos direitos humanos.

Tais protestos marcaram o sexto dia seguido de manifestações desde a destituição do agora ex-presidente Martín Vizcarra, definida pelo Congresso na segunda-feira (9), em ação considerada como um golpe de Estado parlamentar por grande parte da população, que considera ilegítimo o novo governo que assumiu desde então, liderado por Manuel Merino – que era justamente o presidente do Congresso, e que liderou a votação na que Vizcarra foi destituído.

 

*Com informações da Forum

Siga-nos no Whastapp: https://chat.whatsapp.com/FDoG2xe9I48B3msJOYudM8

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica: Agência 0197
Operação: 013
Poupança: 56322-0
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450.139.937-68
Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Uncategorized

Veias abertas: Greve geral na Colômbia e repressão em Bogotá

Esquadrão Móvel Antidistúrbios da Polícia Nacional da Colômbia jogou bombas de gás lacrimogêneo para tentar liberar o corredor Transmilênio na capital; militares estão nas ruas.

A Colômbia enfrenta nesta quinta-feira (21/11) uma greve geral, convocada por sindicatos e movimentos sociais, contra reformas planejadas pelo governo do presidente Iván Duque. Os primeiros protestos foram reprimidos pela Polícia Nacional, em especial em Bogotá.

A paralisação deve durar todo o dia e se estender pelas maiores cidades do país. Além da capital, há mobilizações já iniciadas em Medellín e outros municípios do departamento de Antioquia, Bucaramanga e Barranquilla, com mais movimentações e marchas previstas para a tarde.

Na capital, o serviço de ônibus Transmilênio está interrompido em alguns trechos e, segundo a Caracol Noticias, o Esquadrão Móvel Antidistúrbios da Polícia Nacional da Colômbia jogou bombas de gás lacrimogêneo para tentar liberar o corredor de transporte público na região de Suba, ao norte da cidade.

Outra manifestação, que fecha a Autopista Sur, via que corta a cidade de norte a sul, está sendo acompanhada pela polícia, armada com bombas de efeito moral e escudos.

Em Cali, no interior do país, manifestantes se concentram no setor conhecido como Sameco, também no norte da cidade. Eles queimaram pneus e fecharam a via que cruza a região. De acordo com El Tiempo, a movimentação na cidade começou por volta das 5h da manhã (7h em Brasília) e deve se estender para todas as regiões da cidade, com concentrações em frente à sede da prefeitura e nas entradas do município.

Militares

Duque ordenou, na semana passada, que militares (camuflados e armados com fuzis) fossem às ruas de Bogotá para “ajudar” a Polícia Nacional, segundo disse, à Caracol Notícias, o major Luis Fernando Barco. ““Que nossa gente da capital, do centro de Bogotá se dê conta de que o Exército Nacional da Colômbia está em Bogotá e está acompanhando a Polícia Nacional”, afirmou.

Na noite desta quarta (20/11), em discurso na TV, Duque disse que seu governo “escuta” os manifestantes e que ir às ruas é um direito. “Sabemos que são muitos os desafios que, como país, temos que superar. Que são válidas muitas das aspirações sociais e que temos problemas que, ao longo da história, envelheceram mal. Por isso, trabalhamos de dia e de noite para encontrar alternativas e superar os obstáculos, como temos feito como nação ao longo de nossa história”, disse.

Demandas

Os grevistas têm 10 demandas principais para o governo:

  • Contra a reforma trabalhista, que atinge de forma estrutural as condições de trabalho, permitindo a maior flexibilização por meio de contratos por horas, redução do salário mínimo, implementação de um salário diferencial, com menor valor para jovens com menos de 25 anos, extinção dos direitos em caso de demissões e simplificação na demissão de trabalhadores;
  • Contra a reforma das pensões, que tramita a possibilidade da eliminação da pensão como direito trabalhadores. Além disso, o governo busca converter a Colpensiones, atual administradora colombiana de pensões, em um fundo privado que permita o pagamento de pensões com valores abaixo do mínimo.
  • Contra a exploração financeira, que tenta eliminar o controle estatal direto sob o capital das empresas financeiras estatais, com isso também ocorreria um ataque direto às condições de trabalho dessas entidades.
  • Contra a privatização. O governo especula privatizar a Ecopetrol, Cenit (filial de Ecopetrol transporte de hidrocarbonetos e a empresa de energia Interconexión Eléctrica S. A. (ISA), empresas de energia regionais e todas aquelas onde a participação do Estado é abaixo de 50%.
  • Contra a corrupção que atinge a estrutura política colombiana. Os casos de corrupção mais citados no país são: Odebretch com o Caminho do Sol, Navelena, Carrossel da toga, Reficar, Fedegan e Universidade do Distrito.
  • Contra a taxa nacional, que irá aumentar em 35% para os estratos 4.5 e 6 do país em benefício da Eletricaribe, empresa de serviço de distribuição e comercialização de energia elétrica na Costa Caribe.
  • Contra a reforma tributária, que visa reduzir impostos sobre grandes corporações e multinacionais, ao mesmo tempo que impõe novas taxas para a classe média e os trabalhadores.
  • Por um salário mínimo que permita uma vida decente e o sustento familiar.
  • Pelo cumprimento dos acordos que o governo nacional firmou com os funcionários do estado e estudantes e dos compromissos com os agricultores e povos indígenas.
  • Pela a defesa do protesto social. Atualmente o governo desestimula e restringe atos e protestos sociais, além de criminalizar e estigmatizar lideranças e participante de mobilizações.

 

 

*Com informações do Ópera Mundi

 

Categorias
Uncategorized

Vídeo: A fúria do povo chileno contra a repressão das Forças Armadas

Os depoimentos e os vídeos que chegam do Chile impressionam pela garra do povo no enfrentamento às forças de repressão do governo de Sebastián Piñera. Não só o povo não sai das ruas até que o elefante dourado do neoliberalismo caia, como o presidente, fazendo o povo subir cada vez mais a fervura contra os repressores.

O explosivo ataque da população contra o veículo militar mostra que a insurreição chilena está disposta a ir até as últimas consequências para impor a sua vontade diante da tirania, não aceitando mais ser escrava de um sistema neoliberal imposto pela ditadura de Pinochet.

Mediante a fúria do povo, inteiramente tomado por um espírito de combate impressionante que domina as cenas das manifestações, pode-se projetar que há uma ruptura total não só com o governo, mas também com o mercado. O que, certamente, contagiará toda a América Latina.

O vídeo abaixo é emocionante, porque mistura a indispensável força do povo nas ruas com sua resiliência e coragem diante da desordem neoliberal que arruinou com o povo.

 

*Da redação