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Política

Sob o governo Bolsonaro, endividamento das famílias explodiu, aponta Dieese

Estudo mostra que escolhas da gestão bolsonarista, agravadas pela pandemia, levaram a um salto recorde de famílias endividadas entre 2019 e 2022

O Brasil saiu do governo Jair Bolsonaro (PL) mais desigual, mais vulnerável e dramaticamente mais endividado. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da Confederação Nacional do Comércio (Peic-CNC), analisados pelo Dieese, mostram que a deterioração ocorreu sobretudo entre 2019 e 2022.

O estudo contraria a narrativa de recuperação econômica acelerada após a pandemia. Em vez de retomada, o País viveu a expansão de um modelo em que o crédito caro virou instrumento de sobrevivência.

Segundo a Peic-CNC, o percentual de famílias endividadas saltou de 58,9% em dezembro de 2018 para 78% em dezembro de 2022, um aumento recorde de 19,1 pontos percentuais em apenas quatro anos. Nenhum outro governo da série histórica produziu avanço tão intenso e rápido.

No terceiro ano do governo Lula, por exemplo, o crescimento do endividamento foi inferior a três pontos percentuais. A atual gestão lançou programas voltados diretamente à renegociação de dívidas, como o Desenrola Brasil, criado em 2023, e o Novo Desenrola, anunciado neste mês.

Quando a dívida virou política econômica

A explosão do endividamento durante o governo Bolsonaro foi resultado de uma “tempestade perfeita”, formada pela combinação de pandemia, perda de renda, inflação elevada, precarização do trabalho e expansão do crédito caro. Em 2020, a Covid-19 paralisou economias no mundo inteiro. Parte do choque econômico foi global e atingiu todos os países.

Mas, no caso brasileiro, a confluência entre inflação persistente, juros elevados e recuperação baseada em informalidade ampliou os efeitos sobre as famílias. Enquanto alguns países ampliaram proteção social e sustentação da renda, o Brasil entrou na crise já fragilizado por desemprego elevado, informalidade crescente e baixo dinamismo econômico.

Sob pressão do Congresso e dos movimentos sociais, Bolsonaro lançou o auxílio emergencial de R$ 600. A medida teve papel importante na redução temporária da pobreza. Só que bancos e financeiras, ávidos por lucros, aproveitaram o cenário de fragilidade social para ampliar rapidamente a oferta de consignado, cartão de crédito e empréstimos pessoais para uma população cuja renda seguia extremamente instável.

A expansão agressiva do crédito, somada à posterior redução da proteção social, ajudou a empurrar uma parcela crescente das famílias para ciclos permanentes de endividamento. Quando inflação e desemprego ainda pressionavam os mais pobres, o auxílio emergencial foi gradualmente reduzido – para R$ 300 e, depois, para R$ 200. Muitas famílias passaram a contratar uma dívida para pagar outra.

O crédito substituiu o salário

As regressões no mercado de trabalho – que pioraram após a reforma trabalhista, de 2017, e a reforma da Previdência, em 2019 – aprofundaram a instabilidade. Grande parte dos empregos criados era informal, precária ou de baixa remuneração. A condução econômica do período, em plena crise sanitária, contribuiu para consolidar uma recuperação baseada na “uberização” do trabalho.

A informalidade empurrou trabalhadores para uma rotina sem carteira assinada, sem estabilidade e com renda oscilando mês a mês. Sem acesso a linhas mais baratas de crédito, esse contingente passou a depender do rotativo do cartão e de financeiras com juros abusivos. Qualquer imprevisto, como uma doença ou um aluguel atrasado, podia se transformar em dívida impagável.

Ao mesmo tempo, o custo de vida disparava. A inflação de 2021 atingiu 10,06%, a maior desde 2015. O índice pressionou os itens mais consumidos pelas famílias de renda baixa, como alimentos, combustíveis, gás de cozinha e energia elétrica. Mesmo trabalhadores empregados passaram a não conseguir fechar as contas no fim do mês.

O crédito deixou de financiar consumo extraordinário e passou a bancar supermercado, aluguel, remédios e despesas básicas. Era a armadilha clássica do superendividamento: famílias pegavam empréstimos para pagar parcelas anteriores e, pouco depois, precisavam de novos empréstimos para cobrir juros acumulados.

A armadilha dos juros

O problema foi agravado pelo choque de juros iniciado em 2021. Sob comando de Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, o Banco Central promoveu um dos ciclos de alta da Selic mais agressivos da história recente. A taxa básica saltou de 2% ao ano, em março de 2021, para 13,75% em agosto de 2022.

A escalada dos juros encareceu brutalmente o crédito ao consumidor. Entre 2020 e 2022, os juros médios cobrados das famílias passaram de 41,5% para 52,1% ao ano. No crédito rotativo do cartão, algumas modalidades ultrapassavam 400% anuais. O Brasil já operava uma das estruturas bancárias mais caras do mundo. Com inflação elevada e alta acelerada da Selic, o endividamento virou uma bomba-relógio social.

Outro fenômeno importante foi a financeirização crescente da vida cotidiana. Bancos digitais, fintechs e plataformas online ampliaram enormemente a oferta de empréstimos rápidos e fáceis, muitas vezes acompanhados de pouca transparência sobre juros efetivos.

Nos últimos anos de Bolsonaro no poder, sobreveio um elemento adicional: o avanço das apostas online. As “bets” passaram a capturar parcela importante da renda popular, especialmente entre jovens e trabalhadores precarizados. Essas apostas venderam a ilusão de renda extra num ambiente já marcado por sufoco financeiro.

Enquanto isso, o discurso oficial seguia baseado em indicadores macroeconômicos isolados para sustentar a ideia de prosperidade. Mas crédito abundante, combinado com juros abusivos e inflação elevada, produziu dependência financeira.

Legado invisível

O estudo do Dieese ajuda a pôr o debate em bases concretas. O endividamento não explodiu porque os brasileiros “gastaram demais”. A dívida cresceu porque o salário deixou de sustentar padrões mínimos de vida.

Entre 2019 e 2022, o governo Bolsonaro administrou a crise social da pandemia por meio de transferências temporárias e expansão do crédito, mas sem reconstruir emprego estável, política salarial consistente ou proteção social duradoura. O resultado foi uma economia sustentada artificialmente pelo endividamento das famílias.

Nem a recuperação parcial do emprego foi suficiente para aliviar o peso de parcelas, renegociações e juros sobre juros. Em setembro de 2022, a um mês das eleições presidenciais que deram a vitória para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80,3% das famílias com renda de até dez salários mínimos estavam endividadas.

De acordo com o Dieese, este é um dos principais legados sociais do bolsonarismo: a consolidação de um modelo em que o crédito caro compensava temporariamente a perda de renda – até que a conta chegasse. Foi um ciclo em que os brasileiros não enriqueceram, não empreenderam e não ascenderam socialmente. Segundo o Vermelho, apenas aprenderam a sobreviver parcelando o presente enquanto o futuro chegava cobrado em juros.


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Economia

Roberto Campos Neto e o terrorismo monetário

É papel do Banco Central administrar as expectativas de mercado, mas o que o presidente da instituição faz é o oposto.

É papel do Banco Central administrar as expectativas do mercado. Administrar expectativas significa atuar para acalmar mercados, reduzir volatilidades, trazer a calma. O que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, faz é o oposto. Diariamente ele procura minimizar as boas notícias, manter o mercado em permanente estados de nervos em relação a dragões de uma inflação que ninguém vê.

Pode ser ignorância. Campos Neto nunca foi reconhecido pelo brilho intelectual. Mais provável é que faça parte da ofensiva bolsonarista para desestabilizar o governo Lula ou, no mínimo, diminuir a possibilidade de vitória em 2026.

Não é normal e o próprio mercado está se dando conta desse terrorismo. Até o jornal Valor Econômico, em geral mais sóbrio, embarcou nessa neurose criada por Campos Neto e deu uma manchete terrorista, atribuindo mudanças do mercado a falas de Gabriel Galípolo – provável sucessor de Campos Neto – em um momento em que as curvas de juros do Brasil espelhavam fielmente as dos Estados Unidos.

Campos Neto vai se desmoralizar por si só. Já há setores bolsonaristas do mercado entendendo que esse terrorismo prejudica a todos. Mas ainda vai fazer muito estrago.

Luis Nassif/GGN

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Política

O movimento para Roberto Campos Neto concorrer ao Planalto em 2026

Ainda embrionário, há um movimento para que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, saia candidato ao Planalto 2026.

Ao ser perguntado, Campos Neto nega qualquer intenção, mas na Faria Lima e entre ex-ministros de Jair Bolsonaro o plano seria lançá-lo como uma novidade da direita na política, diz Guilherme Amado, Metrópoles

Para ser viável, a candidatura teria que ganhar o apoio de Jair Bolsonaro. E interlocutores do ex-presidente garantem que a chance é zero.

 

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Economia

Lula: “presidente do BC precisa explicar ao povo por que mantém taxa de juros de 13,75% em um país com inflação de 5%”

“A inflação está baixando, o dólar está caindo. Apenas os juros precisam baixar, porque não tem explicação”, afirmou o presidente.

Na segunda edição do “Conversa com o presidente”, nesta segunda-feira (19), o presidente Lula (PT) voltou a criticar o atual patamar da taxa básica de juros do Brasil, mantida pelo Banco Central em 13,75% ao ano, informa o 247.

Ele exaltou as melhoras econômicas do país, principalmente a queda da inflação, e reafirmou não haver motivos para juros tão altos. “Durante a campanha eu falava: ‘nós vamos abrasileirar o preço dos combustíveis, porque não tem explicação o Brasil ter preço internacional’. Começou a acontecer. Vai acontecer no combustível, vai acontecer no gás e vai acontecer em muitas outras coisas. Os alimentos estão baixando, a carne abaixou – já abaixou 27% em alguns lugares a carne -, o ovo, o óleo de soja abaixou. As coisas estão abaixando e é preciso abaixar muito mais”.

O presidente cobrou que Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, explique à população as razões para o elevado patamar da Selic. “A inflação está baixando, o dólar está caindo. Apenas os juros precisam baixar, porque também não tem explicação. O presidente do Banco Central precisa explicar, não a mim, que já sei porque ele não baixa, ao povo brasileiro e ao Senado, que o elegeu, porque ele mantém essa taxa de juros de 13,75% em um país que está com uma inflação anual de 5%”.

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Opinião

E agora, Campos Neto, qual será a desculpa?

Roberto Campos Neto, o escapulário bolsonarista do sistema financeiro, age como cão de guarda dos banqueiros e rentistas. Afinal, foi para isso que deram o golpe em Dilma e operaram sistematicamente para que Lula fosse preso em 2018 pelas mãos de Sergio Moro sem qualquer prova de crime.

A autonomia que Campos Neto tem diante dos banqueiros é de sempre balançar a cabeça para baixo e para cima como um servo da banca, adestrado para servir aos senhores da terra.

Hoje, sai a notícia de que o mercado vê o PIB maior e reduz  expectativa de inflação para 2023.

O próprio Banco Central divulga o relatório Focus, IPCA em queda 5,42%, PIB em alta de 1,84%.

O mercado está fazendo o L? Não, ele está sendo mercado e admitindo que o governo Lula, como nos seus dois mandatos anteriores, que lhe renderam o recorde de 87% de aprovação, já está sendo visto num horizonte bem mais próximo.

Então, fica a pergunta, que “desculpa” técnica o sabotador bolsonarista, Roberto Campos Neto, dará para continuar enchendo as burras dos banqueiros e rentistas às custas do suor e sangue do povo brasileiro?

Até quando os parasitas e vermes do sistema financeiro sugarão o povo?

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Opinião

Não haveria neoliberalismo se não existisse a mídia

Bem antes da guerra de narrativa virar modinha, o escândalo da manipulação econômica, nesse país, foi levada a ferro e fogo.

Nossos “estadistas fardados” absolutamente sem miolos no cérebro, cercaram-se de penduricalhos miseráveis, do ponto de vista econômico, daí a bancarrota, a horrível miséria do povo brasileiro. Miséria tanta que uma massa de segregados foi jogada a um favelamento inédito no Brasil.

Na verdade, a grande massa do povo perdeu por inteiro qualquer sentido de civilização, tal a involução que a ditadura trouxe a esse país. No entanto, não sem motivos, foi na ditadura militar que proliferaram teorias jocosas de ministros da Economia ou da Fazenda que jamais ofereceram por escrito ao menos uma doutrina que lhes rendesse fama para que as futuras gerações os estudassem.

Não por acaso o maior bravateiro, arrogante, foi Roberto Campos, vovô do atual do atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Foi ele quem se destacou entre as primeiras criaturas de rabo que dirigiram a economia brasileira, no seu caso, Campos era um piadista de carreira. Por isso, em sua inepta passagem pela pasta da Economia, só deixou piadinhas de salão contra a esquerda.

Na realidade, a administração pública, quando esteve nas mãos da direita, isto é, dirigida a transformar os ricos em milionários, a nação foi jogada aos urubus, mas a mídia vendia esses economistas como verdadeiros cientistas, que tinham na palma da mão a sabedoria de como plantar e colher as safras da evolução econômica, queimando milhões e milhões e dólares do FMI, deixando o país numa escandalosa roubada de desgerenciamento.

o tapa-olho da mídia resolvia tudo. Não se falava em crise, ou seja, em hiperinflação, não existia problema econômico, enquanto milhões de brasileiros eram jogados no limbo, numa concepção curiosa de ciência.

Na verdade, os homens da ciência econômica eram verdadeiras bestas que apoiaram as piores formas de exploração humana, desgraçando a vida do povo, transformando a vida dos pobres num inferno.

Em pleno 2023, Roberto Campos Neto, o netinho querido do Roberto, mostrou-se absolutamente perdido para rebater a crítica de Lula sobre a taxa de juros e ficou desnudado em pleno Roda Viva, que tinha embarcado na defesa de que, para os pobres, juros bons eram juros altos. Essa teoria foi tirada de subsolo do cérebro dessas figuras famosas da economia, que ninguém conhece, para dar aquelas explicações ininteligíveis.

Mas a essência desse texto não é oferecer adjetivos amontoados e enganadores que fazem jorrar preciosas substâncias fedorentas quando abrem a boca, na mídia, para defender um monte de besteiras, como se fosse alguém sincero e responsável.

Sim, porque o último refúgio dos patifes da economia brasileira sempre foi a mídia.

De fato, a mídia criou uma constituição neoliberal, que sempre comprou como verdade os maiores absurdos econômicos do Brasil, vide as privatizações da era FHC, que levariam o Brasil às terras de Alice no país das maravilhas, na base do tudo ficará perfeito depois da entrega das estatais.

O resultado, todos sabem, o Brasil ficou praticamente impedido de desenvolver sua indústria para atender a interesses ocultos que funcionavam com um piscar de olhos.

Não é de se estranhar que a Folha, uma das principais compradoras do perpétuo pensamento do mercado, cravou que a crítica de Lula aos juros altos do BC eram infundadas e que os maravilhosos juros de 13,75%, impostos pelo BC, eram o maior achado.

Ou seja, comprou a delinquência “conceitual” do presidente do Banco Central, Campos Neto.

Hoje, alguns milhões de brasileiros, na própria Folha, estão lendo que tudo não passa de um conto de fadas e que o melhor a se fazer agora é prestar mais atenção ao que Lula criticou.

Agora, borbulha na imprensa artigos críticos à taxa de juros que tanto animou os reinos, vegetal e animal, diante da formidável queda da atividade econômica, do endividamento recorde das famílias e o consequente recorde de inadimplência.

Agora, a mídia exige a queda substancial dos juros no próximo Copom.

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Economia

Banco Central registra prejuízo de R$ 298,5 bi em 2022

O Banco Central do Brasil, comandado por Roberto Campos Neto, registrou um resultado negativo de R$ 298,5 bilhões em 2022. De acordo com a instituição, o prejuízo foi causado principalmente pela variação cambial no período. O balanço financeiro que relata o resultado foi aprovado nesta quinta-feira (16), pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelo próprio presidente do banco, pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e pela ministra do Planejamento, Simone Tebet.

“Essa correção cambial explica R$ 165,8 bilhões do prejuízo do BC no ano passado. E a reavaliação da carteira explica outros R$ 136,3 bilhões negativos, devido à alta de juros nos Estados Unidos e no mundo”, destacou o chefe do Departamento de Contabilidade, Orçamento e Execução Financeira do Banco Central, Ailton de Aquino Santos. “Esse resultado negativo chama atenção, mas temos US$ 325 bilhões na carteira. Além disso, o ganho de R$ 79,771 bilhões com operações de swaps compensou um pouco esse resultado.”

R$ 179,1 bilhões do prejuízo total será coberto mediante reversão de reserva de resultado e R$ 82,8 bilhões serão cobertos por redução do patrimônio institucional do Banco Central. No entanto, outros R$ 36,6 bilhões terão que ser cobertos pelo Tesouro Nacional. Santos argumenta: “É importante ressaltar que, no ano passado entregamos quase R$ 72 bilhões ao Tesouro. Esse resultado negativo de agora tem uma magnitude baixa em relação ao que já foi repassado para o Tesouro nos últimos anos”.

Quando o Banco Central tem resultado positivo em seu balanço, uma parcela é transferida ao Tesouro Nacional. A transferência é financeira e não tem impacto fiscal direto, mas é utilizada para o pagamento de juros e abatimento de dívida. Já o lucro com reservas e operações cambiais é destinado à reserva de resultados do patrimônio líquido do BC. Já quando o resultado do BC é negativo, o prejuízo é compensado pelos recursos existentes na reserva de resultado e pela redução do patrimônio líquido da instituição, limitado a 1,5% do ativo total do banco. Somente quando essas duas medidas não forem suficientes para cobrir o prejuízo, o Tesouro então emite títulos públicos em favor da autoridade monetária.

*Com DCM

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Opinião

Lula tratorou o bibelô do sistema financeiro, Roberto Campos Neto

Lula foi direto ao ponto na questão central da economia brasileira. Ele colocou o dedo na ferida dessa escandalosa taxa de juros tocada pela batuta do presidente do BC, Roberto Campos Neto.

A princípio, a mando do baronato do dinheiro grosso, a mídia fez a leitura do que é especialista, digo, leitura de 1ª série primária, para defender a ferro e fogo essa lógica pornográfica que só tem serventia a um sistema inútil para a sociedade, descabido para o país, mas extremamente conveniente aos rentistas.

O incômodo que Lula causou foi de significativa presteza para o Brasil e o povo brasileiro, extorquidos pelo sistema que acostumamos chamar de mão invisível do mercado, mas que é tocado por pessoas de carne e osso e, por isso mesmo bambearam com a fala potente e fundamental de Lula.

Ou seja, Lula deixou bem claro que não voltou para fazer gênero, mas para governar e cobrou definição de uma política do Banco Central que tem que prestar contas à sociedade e não aos punguistas do sistema financeiro, que enxergam o brasileiro como um batedor de carteiras enxerga sua vítima.

Agora há uma aglomeração de críticos ao BC na mídia, porque ninguém aguenta mais a prática de furtos de um sistema financeiro bandalha, despudorado, que se comporta de maneira indecorosa, totalmente dissociado da realidade do país.

Pois bem, o intocável, Roberto Campos Neto, na era Bolsonaro, era recatado, do lar, um pudico, um casto para cumprir a função cínica de cupido entre os lucros estratosféricos dos urubus financeiristas com o bolso dos brasileiros sem jamais enfrentar um inconveniente.

Foi aí que Lula entrou em campo para honrar a dignidade do povo brasileiro e denunciar a política indecente do BC, que não apresenta nada de técnico de um sistema degenerado em que a lasciva presidência do Banco Central sempre cerrou fileira.

Lula quis saber o que tem no subsolo desse mundo reservado aos ricos, e foi exatamente aí que a terra de Campos Neto tremeu, mostrando que ele tem plena consciência de que os juros são obscenos.

Logo após sua entrevista no Roda Viva, Campos Neto viu as críticas a essa depravada política do BC se agigantarem, de maneira intensa e ferrenha.

O fato é que Lula teve a coragem de, num frio realismo, adotar uma fala dura cobrando do presidente do BC uma atitude nacional, não admitindo um regime de mentiras adotado como técnica de economia.

A fala de Lula teve a eficiência de um trator que deixou Campos Neto sem rumo.

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Opinião

Roberto Campos Neto não respondeu por que o Brasil tem os juros mais altos do mundo?

Vera Magalhães e sua, já famosa imparcialidade, escreveu um artigo hoje em O Globo, dizendo que, no Roda Viva, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, ergueu bandeira branca, e perguntou, PT aceitará?

A lista de bobagens que Vera escreve em seu artigo se choca com as críticas pesadas que o presidente do BC recebeu no twitter, logo após a entrevista, que buscou flexibilizar todos os engodos e contradições do moço.

Quem assistiu à entrevista, viu o cientista econômico soltar balões para consumo interno, ou seja, para emagrecer as políticas sociais do governo Lula e seguir o roteiro do próprio bolsonarismo, do qual ele é parte.

Aliás, num daqueles lapsos, Campos Neto, que arrota independência, soluçou que tomava bronca de Bolsonaro quando recebia no BC opositores do governo.

Um sujeito que leva cola, bem ao estilo Bolsonaro, tem a cara de pau de ler respostas, é quem já sabia de antemão o teor das perguntas, pode dizer que sabe o que está fazendo quando adiciona arrogância em sua fala, afirmando que não vai baixar nenhuma taxa de juros, quando, no passo seguinte, responde de maneira evasiva, marota uma questão central?

Quando perguntado por que não são divulgados os nomes das empresas que têm autorização para o comércio de ouro com o Banco Central sem nenhum monitoramento, Campos responde, não sei responder essa pergunta, deve ter uma regra, porque somos transparentes.

Essa resposta é um gigantesco insulto à inteligência dos brasileiros, porque, numa única linha, ela é absolutamente contraditória. Campos diz que comanda um sistema transparente, mas não sabe responder a essa pergunta, e ainda diz que deve ter uma regra?

O fato é que Campos Neto tem aquela sensibilidade social de um elefante pisando em ovos.

Segundo o próprio, o Pix, que ele julga ser mais importante que a invenção da roda, é uma agenda de responsabilidade social, e dá uma explicação inacreditável: facilita que os garotos possam vender doces na rua.

Campos Neto, como se sabe, é um office boy dos bancos dentro do Banco Central, daí a defesa sobre qualquer pergunta em qualquer lugar que tem da mídia 24 horas por dia.

Qualquer crítica à taxa de juros do BC é vista pela grande mídia como ameaça à democracia.

Ficou claro, no entanto, que ele vai tentar a todo custo, impedir que Lula tire o Brasil dessa lama em que ele e Paulo Guedes e Bolsonaro jogaram o país.

Cada dia fica mais vivo que o sujeito, que tem a cara de pau de dizer que tem uma postura independente, indo votar com a camisa da seleção, fugindo da pergunta se realmente usou a camisa bolsonarista, além de não ter independência coisa nenhuma, mostra-se muito mais escorpiônico.

André Lara Resende tem sido um duro crítico dos juros altos do BC e, portanto, um dos pais do Real, afirmou que o Brasil pode enfrentar recessão séria, se mantiver os juros nas alturas. Mas o Roda Viva de Vera Magalhães é o Roda Viva de Vera Magalhães, é um pensamento alinhado com o antipetismo que compra qualquer gororoba que siga nessa direção e, lógico, preparou sua bancada com a cara da dona da festa.

A mídia, que é uma espécie de tribunal pró-sistema financeiro, arrumou hoje um jeito de reinterpretar a entrevista de Campos no Roda Viva com uma maquiagem que deixou a cara do sujeito ainda mais borrada.

O fato é que Campos Neto chegou com seu clichê pronto, dizendo que, mudar meta de inflação agora, terá efeito contrário ao desejado.

E o que isso quer dizer além de nada? Quer dizer o principal, que Roberto Campos Neto, presidente do BC, ficou sentado confortavelmente na cadeira central do Roda Viva durante duas horas sem responder a principal pergunta que os brasileiros estão fazendo, por que o Brasil tem os juros mais altos do planeta?

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Opinião

A marca de batom na cueca de Campos Neto

Florestan Fernandes Jr*

Em 29 de abril de 2021, toma posse o primeiro presidente do “tal” Banco Central autônomo, justamente Roberto Campos Neto, que já comandava o BC por indicação de Paulo Guedes e teve seu mandato prorrogado por Bolsonaro até dezembro de 2023.

Na prática, ao entrar em vigor no meio do mandato de Bolsonaro, a lei Complementar 179/2021 permitiu ao ex-presidente da República, mesmo estando fora do poder, continuar determinando a política monetária do país.

A estratégia é perfeita, não fossem os deslizes de Campos Neto na sua ligação umbilical com a extrema-direita bolsonarista. Deixou-se fotografar em manifestações com a camisa amarela, participou ativamente da reeleição de seu “chefe” e era ativista num grupo de WhatsApp dos ministros de Bolsonaro.

Hoje (13/02), a coluna de Guilherme Amado no Metrópoles publica a prova incontestável dessa relação despudorada de Roberto Campos Neto com Bolsonaro, a marca indelével de sua adesão apaixonada ao projeto político bolsonarista.

Durante a campanha eleitoral do ano passado, o presidente do “BC Independente” fazia previsões estatísticas em grupo de WhatsApp que garantiam a vitória de seu dileto candidato, cuja reeleição era dada como certa por Campos Neto. Mais do que eleitor, entusiasta da campanha, o atual presidente do BC alimentava animadamente a Confraria dos vilões da democracia.

Toda essa situação é extremamente preocupante. Seja porque ficou evidente que Campos Neto não é capaz de demonstrar ou mesmo inspirar a necessária postura de independência política e econômica que o cargo exige; seja porque já dá para cravar que o presidente do BC anda longe da expertise em projeções e estatísticas… lembrando que a função do BC é a de prever os riscos de inflação e determinar a taxa de juros adequada para o controle da nossa economia.

Pelo seu próprio histórico de parcialidade política e econômica, não existe mais a imparcialidade fundamental para manter Campos Neto na presidência do BC. Não resta outra saída ao presidente Lula senão encaminhar imediatamente denúncia ao Senado Federal pedindo a substituição imediata de Campos Neto, antes que seja tarde demais e o quadro de recessão que se avizinha se torne irreversível.

*Com 247

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