3 de outubro de 2021
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O ex-juiz Sergio Moro e procuradores da Operação Lava Jato acertaram atos processuais e, em conversas secretas pelo Telegram, estabeleceram acordos sobre como proceder denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, meses antes da apresentação formal dos casos.

Essas afirmações, com trechos das conversas, fazem parte de uma reclamação que a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva submeteu ao STF, ao solicitar que o restante da informação de operações da Polícia Federal fosse liberado.

Um dos elementos centrais seria um entendimento entre Moro e os procuradores. “A análise preliminar, segundo eles, confirmariam que o então juiz SERGIO MORO e os procuradores da República integrantes da “Lava Jato” efetivamente combinavam a prática de atos processuais — e, por isso mesmo, também praticavam atos de natureza processual — no aplicativo Telegram”, disse.

“Até mesmo a denúncia foi elaborada pelo MPF sob a orientação do então juiz SERGIO MORO, como se verifica, exemplificativamente, no trecho abaixo — que envolve um dos chats em que o então juiz SERGIO MORO conversava secretamente com o procurador da República DELTAN DALLAGNOL”, apontam. Procurado, Moro indicou que não iria comentar.

Na conversa, pode-se ler uma pergunta de Moro ao chefe dos procuradores às 13:47 do dia 23 de fevereiro de 2016: “Vcs entendem que já tem uma denúncia sólida o suficiente?”.

“Sim”, respondeu Dallagnol, quase uma hora depois. “Na parte do crime antecedente, colocaremos que o esquema Petrobras era um esquema partidário de compra de apoio parlamentar, como no Mensalão, mas mediante indicações políticas usadas para arrecadar propina para enriquecimento ilícito e financiamento de campanhas”, disse.

“Com a saída de JD (José Dirceu) da Casa Civil, o esquema só se perpetuou porque havia alguém acima dele na direção”, disse.

No outro trecho, ele avisa: “estamos trabalhando com a colaboração de Pedro Correa, que dirá que Lula sabia da arrecadar via PRC”, numa referência a Paulo Roberto Costa. No texto, Dallagnol conta como levantamentos sobre das palestras estão ocorrendo.

“Quanto à lavagem, denunciaremos os pagamentos da Odebrecht e OAS no sítio, apartamento e mudança”, explicou. “Em linhas gerais, seria isso”.

“Descreveremos o esquema Petrobras como esquema de partido, que se perpetua mesmo com a saída das pessoas de posição de governo, como Pedro Correa e JD. Falaremos que mesmo com a saída do JD o esquema continuou, o que indica líder acima”, voltou a dizer. “Desde mensalão, não teria como estar iludido quanto à forma de indicação política e arrecadação de recursos, que não eram para Caixa 2, mas, mais do que isso, ele comandava.”, afirmou. Ainda em outro momento, ele complementa sobre Lula: “ele era o líder máximo”.

Dias depois, em 4 de março, Moro decretou a condução coercitiva do ex-presidente. Mas a denúncia da Lava Jato contra Lula só seria apresentada sete meses depois.

Em 2019, o site The Intercept Brasil revelou conversas entre os procuradores e o ex-juiz, expondo os bastidores da maior operação anticorrupção do Brasil. Neste caso, o material sob sigilo no STF revela uma nova dimensão das conversas, indicando, segundo a defesa, como denúncias teriam sido costuradas antes de serem apresentadas.

A novidade, no novo material, é ainda o envio de detalhes por parte dos procuradores ao ex-juiz sobre as evidências encontradas, inclusive em contas no exterior.

A denúncia tenta anular as sentenças contra seu cliente, sob a justificativa de que Moro não foi imparcial.

Acesso pelo STF

No final de 2020, o ministro Ricardo Lewandowski concedeu à defesa do ex-presidente o material apreendido na Operação Spoofing – investigação contra hackers que invadiram celulares dos procuradores da força-tarefa da Lava Jato.

Naquele momento, 740 gigabytes de informação foram repassadas aos advogados. Mas, segundo os advogados Cristiano Zanin e Valeska Martins, essa informação não representava a totalidade da operação e seria necessário obter todos os sete terabytes de dados.

Para mostrar ao STF a importância do acesso à integra, os advogados submeteram informações aos ministros que revelam trechos do que já conseguiram identificar na primeira remessa de informações.

E, nela, consta um documento encontrado num arquivo que teria sido salvo por Deltan Dallagnol, procurador que atuou como chefe da Operação Lava Jato.

“Em análise preliminar de cerca 10% dos 740GB fornecidos, é possível desde já constatar, para além da escancarada ausência de equidistância que deveria haver entre juiz e partes, por exemplo: (i) a efetiva existência de troca de correspondência entre a “Força Tarefa da Lava Jato” e outros países que participaram, direta ou indiretamente, do Acordo de Leniência da Odebrecht, como, por exemplo, autoridades dos Estados Unidos da América e da Suíça; (ii) documentos e informações que configuram quebra da cadeia de custódia relacionados aos sistemas da Odebrecht; e (iii) a busca selvagem e a lavagem de provas pelos órgãos de persecução, com a ciência e anuência do juízo de piso”, alertam.

No que se refere à cooperação internacional, a troca de informações entre Moro e Dallagnol também aparece nas conversas. No final de 2015, por exemplo, os dois tratam de visitas de procuradores suíços que deveriam ser mantidas em sigilo.

Ao tratar do caso, o procurador conta ao juiz o fato de que os dados que estavam sendo repassado a eles se referirem a contas no exterior. Moro então pergunta: “Mas o beneficiário é JS?. Trata-se do marqueteiro João Santana, ligado ao PT. Dallagnol confirma.

*Jamil Chade/Uol

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Celeste Silveira

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1 COMMENTS

  1. Afonso Schroeder Posted on 29 de janeiro de 2021 at 14:02

    Dois criminosos, descumpridores da CF/88, perseguidores das ESQUERDAS, laranjas de alguns “empresários”, são mentirosos comprovados também pela INTERCEPT de Glenn E. Greenwald cadeia já a estes dois criminosos ex-juiz Moro e Dallagnol.

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