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Cotidiano

El Niño se torna grande ameaça SP com caos climático ao unir fogo, temporal e seca

Chuva acima da média no início do inverno sinaliza fenômeno, mas período crítico virá a partir de setembro

A chuva acima da média em São Paulo neste início de inverno, contrariando a expectativa de uma estação mais seca e quente, é só uma amostra da diversidade climática que a metrópole deverá encarar com a chegada do El Niño.

Se no contexto nacional as principais características do fenômeno são chuvas mais intensas no Sul e estiagem prolongada no Norte e Nordeste, a posição da capital paulista em uma zona de transição a coloca diante da possibilidade de experimentar os dois cenários.

Os quase cem milímetros de precipitação registrados em 24 horas entre a tarde da última terça (23) e a manhã de quarta (24) –mais da metade do esperado para junho– pode ser observado como uma amostra do que o fenômeno pode fazer ao intensificar os chamados jatos de alto nível.

Essa corrente de vento muito forte em elevadíssimas alturas, ao ganhar ainda mais força, carrega mais chuvas para o Sul e também para o Sudeste, segundo o meteorologista Enver Ramirez, chefe da Divisão de Previsão de Tempo e Clima do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Isso não significa que vai chover mais, pois o El Niño não costuma alterar exageradamente o volume anual médio de precipitações na cidade, que é de aproximadamente 1.400 milímetros. Mas há uma mudança no padrão.

Chuvas mais suaves que se estendem por vários dias tendem a se tornar mais raras, dando lugar a pancadas concentradas em pontos específicos.

Esse padrão de temporais é o que mais contribui para ocorrências de alagamentos e transbordamentos em áreas urbanas densamente ocupadas, diz Michael Pantera, meteorologista do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas) da Prefeitura de São Paulo.

O período mais crítico é esperado para o final da primavera, quando a infraestrutura urbana será testada por ondas de calor e por temporais que tendem a chegar acompanhados de vendavais.

Diante dessa perspectiva, 13 áreas da prefeitura que atuam em um plano de prevenção de chuvas foram incumbidas de apresentar ainda em agosto –antes do ápice do fenômeno, a partir de setembro– suas estratégias para lidar com o El Niño, segundo a coordenadora do grupo, Isabel Silveira Camargo, que é engenheira florestal da Secretaria de Mudanças Climáticas do município.

A coordenadora do plano contra os efeitos dos temporais destaca que a limpeza de cursos d’água e poda de árvores são consideradas primordiais para mitigar riscos de inundações e acidentes.

Antes de chegar à temporada de vento e chuva, porém, moradores de capital e de outras regiões do estado ainda podem enfrentar dias de calor intenso, baixa umidade e qualidade do ar comprometida pela fumaça de incêndios em florestas e plantações, a exemplo dos ocorridos em 2024 em quase todo o interior paulista também por influência da última ocorrência do El Niño.

Impacto na saúde
Os efeitos da degradação do ar têm consequências diretas para a saúde pública, afirma a médica Evangelina Araújo, diretora do Instituto Ar. Ela diz que as queimadas, mesmo em áreas distantes, Amazônia e Pantanal, produzem poluentes com partículas extremamente pequenas.

O material é capaz de atravessar a barreira respiratória e atingir a corrente sanguínea, aumentando a incidência de infartos e acidentes vasculares cerebrais em idosos.

Gestantes, crianças e idosos são os grupos mais vulneráveis à poluição extrema, segundo a médica.

Para tentar se antecipar ao espalhamento das queimadas, o Governo do Estado de São Paulo anunciou que usará inteligência artificial para analisar dados meteorológicos, além de utilizar o sistema de câmeras em rodovias para localizar focos em áreas de floresta.

Abastecimento de água
Além de ondas de calor durante o inverno, um dos efeitos possíveis do El Niño é o atraso no início da estação chuvosa, que normalmente tem início em outubro.

Em um cenário pessimista, essa combinação de tempo quente e falta de precipitações pode resultar em redução acentuada dos níveis dos reservatórios que abastecem a metrópole.

Há poucos dias, o governo paulista anunciou que o sistema Cantareira, o mais importante do conjunto de represas da Grande São Paulo, será uma espécie de novo gatilho para que o governo adote medidas mais rigorosas para economizar água.

Caso o nível do Cantareira fique proporcionalmente abaixo dos demais, a redução de pressão do bombeamento noturno poderá durar mais horas. Atualmente a redução de pressão é aplicada por dez horas durante a noite.

Considerando também ações de prevenção a enchentes, como a construção de piscinões e desassoreamentos de rios importantes como o Tietê, o governo de São Paulo também diz ter investido R$ 25 bilhões no seu plano de resiliência hídrica.

Apesar do cenário de alerta, Fernando Dornelles, professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, pondera que a magnitude de um El Niño não é uma indicação certeira de que o país enfrentará grandes tragédias, especialmente as provocadas por eventos tão atípicos quanto as grandes cheias que atingiram Porto Alegre e centenas de municípios gaúchos recentemente.

Ele afirma que, embora a probabilidade de inundações aumente durante o fenômeno, a chance de um evento catastrófico ocorrer permanece estatisticamente pequena.

Dornelles defende que o foco das autoridades deve estar no reforço da capacidade de enfrentamento a desastres por meio de treinamentos e simulados, aprimorando as respostas da Defesa Civil.

*ICL


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Política

Bueiro em chamas: Eduardo Bolsonaro dá o comando para Paulo Figueiredo para atacar Damares, que reage: “venha se tiver coragem”

Damares acusou falta de “coragem” do grupo de Eduardo Bolsonaro, que “fica atrás de um computador” nos EUA, e convidou Paulo Figueiredo, que pode ser preso se voltar ao Brasil, para visitar seu gabinete: “aqui as batalhas são reais”.

Comandando uma espécie de gabinete do ódio para atacar quaisquer aliados que sinalizem deixar as fileiras da pré-candidatura do irmão Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) escalou seus fiéis escudeiros, Paulo Figueiredo e Allan dos Santos, para iniciar ataques contra a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que tem se mostrado indecisa em meio à guerra dos filhos de Jair Bolsonaro (PL) contra a madrasta, Michelle Bolsonaro (PL).

Indagada se comparecerá a um evento de Flávio Bolsonaro com mulheres conservadoras, marcado para a próxima quarta-feira (1º), Damares saiu pela tangente e disse estar “orando”, para decidir se vai ou não.

A indefinição foi motivo para início dos ataques coordenados por Eduardo Bolsonaro, que colocou seus influenciadores para atacar Michelle e aliados, enquanto evita confrontar diretamente a madrasta, seguindo a estratégia desenhada pelo irmão, Flávio.

Em meio ao fogo contra Michelle, Allan dos Santos compartilhou uma publicação da aliada que se autoproclama “Negona de Bolsonaro” ironizando: “Damares você nem deveria ir, não faz falta nenhuma. Não abraçou a indicação do meu amigo Flávio. Marque uma “oração” e um chá com a Leila e Eliziane. A militância, as tias do zap, os tios do churrasco e os jovens estão segurando as pontas. O povo brasileiro não tem tempo pra Koul doce”.

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Damares desafia Paulo Figueiredo
Cúmplice de Eduardo Bolsonaro na conspiração contra o Brasil, Figueiredo também foi à rede X lançar ironias sobre a indecisão da senadora aliada.

“Se fosse da Janja ou da Maria do Rosário, estariam todas unidas, certo?”, indagou ao compartilhar publicação dizendo que “Damares Alves ainda não decidiu se vai ao encontro de Flávio Bolsonaro com mulheres conservadoras”. Forum.


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Política

Governo Lula faz 12 mil prisões e impõe prejuízo de R$ 2 bi ao crime organizado

Balanço aponta, ainda, para a apreensão de mais de mil armas e 30 mil munições, além de 3 mil prisões relacionadas à violência contra a mulher

A intensificação do combate ao crime organizado por parte do governo Lula resultou em R$ 2 bilhões de prejuízos estimados às facções e 12,3 mil pessoas presas, segundo o mais recente balanço divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública nesta sexta-feira (26).

Os resultados fazem parte do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em maio. As ações envolvem o trabalho coordenado de forças federais, estaduais e municipais em todo o território nacional.

Na frente de asfixia financeira, um dos principais eixos do programa, as ações já levaram à apreensão de R$ 706 milhões em bens, além do bloqueio de R$ 320 milhões em ativos e da apreensão de 115 toneladas de drogas. Também foram aplicados R$ 12,7 milhões em multas e recuperados R$ 6,9 milhões em tributos, retirando recursos que financiavam a atuação das organizações criminosas.

Além disso, foram retiradas de circulação 266 armas longas, 606 armas curtas, 289 armas artesanais, quase 30 mil munições, explosivos e diversos acessórios utilizados pelas organizações criminosas.
Para viabilizar tais ações, foram mobilizados cerca de 15,8 mil profissionais de segurança pública em 11 operações nacionais.

“O crime organizado não será enfrentado apenas com prisões. Precisamos retirar sua capacidade financeira, impedir a circulação de armas, fortalecer o sistema prisional e integrar inteligência, investigação e controle financeiro. Quando atacamos o patrimônio das organizações criminosas, retiramos o oxigênio que mantém essas estruturas funcionando”, declarou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

Violência contra a mulher

Outra importante frente de atuação é a proteção às mulheres. Segundo o MJSP, até o momento, as ações integradas já resultaram em 3.062 prisões relacionadas à violência contra a mulher, além da realização de 2.731 ações educativas presenciais, 455 ações de conscientização nas redes sociais e do alcance de mais de 51 mil pessoas em atividades de prevenção em todo o País.

Dados recém-divulgados também pelo MJSP mostram que, nos meses de abril e maio, o número de casos de feminicídio teve uma queda de 11,45% no País, na comparação com igual período de 2025, passando de 262 para 232 vítimas, o que significa 30 mulheres assassinadas por questões de gênero a menos.

Tais ações também fazem parte do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em fevereiro deste ano. Vermelho.


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Política

Flávio Bolsonaro faltou 43% das votações nominais do Senado este ano

Presidenciável faltou a mais do que o dobro da média dos demais senadores nas 49 deliberações nominais de 2026

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou de votar em 43% das deliberações nominais do Senado neste ano, de acordo com levantamento da Folha nos registros da Casa. O pré-candidato à Presidência é o quinto parlamentar, empatado com outros quatro, que mais deixou de registrar seu voto nas 49 matérias analisadas até o dia 22 de junho.

Votações nominais ocorrem quando os senadores precisam registrar seu voto sobre uma proposta. Foram descartadas as votações simbólicas, em que não é possível checar o voto de cada senador ou mesmo se ele efetivamente estava no plenário ou online (em sessões semipresenciais) durante a sessão.

O levantamento considera as votações nas quais os senadores marcaram presença, mas não votaram, ou nas quais não compareceram. Não entram nesse cálculo ausências justificadas por motivos de saúde, missões oficiais, atividade política, licença-paternidade ou por outros dispositivos.

Seguindo esse critério, a média de ausência de registro de voto dos 81 senadores é de 20%. Houve votações nominais em 14 sessões do Senado entre os dias 24 de fevereiro e 16 de junho.

Flávio Bolsonaro estava presente, mas não registrou voto, por exemplo, na análise da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que institui a Política Nacional de Apoio à Atividade de Transporte Rodoviário Profissional e do projeto de lei complementar que adequou o Orçamento à nova licença-paternidade.

O senador também registrou presença na sessão, mas não votou o projeto que autoriza ao governo usar verba do Funpen (Fundo Penitenciário Nacional) para a formação e capacitação continuada dos servidores do sistema penitenciário nacional e dos policiais penais.

O pré-candidato faltou a sessão em que foram votadas indicações de diversas autoridades, como de embaixadores e do novo presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Otto Lobo. Ele também não compareceu à sessão em que foi aprovada lei que isenta entidades filantrópicas de pagar Imposto de Renda e outros tributos federais.

Desde dezembro, quando foi escolhido pré-candidato a presidente pelo pai, Jair Bolsonaro, o senador do PL-RJ tem tido uma agenda intensa de compromissos relacionado à pré-campanha. Já fez viagens aos Estados Unidos e tem percorrido o Brasil para atos com apoiadores e aliados, além de reuniões para definir palanques regionais. Ele também planeja encontro com o presidente Javier Milei na Argentina.

Flávio foi procurado por meio de sua assessoria de imprensa na sexta (26) por email e telefone, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.

O senador Romário (PL-RJ) foi quem mais deixou de registrar sua posição em votações nominais em 2026. Ele se ausentou em 20 das 38 votações em que estava como titular do mandato. Seu suplente, Bruno Bonetti (PL), assumiu a titularidade de dezembro passado a abril deste ano.

O ex-jogador de futebol continua como titular do mandato, apesar de estar na América do Norte para comentar a Copa do Mundo pela CazéTV. O evento acontece no Canadá, Estados Unidos e México e vai até o dia 19 de julho. A previsão é que as votações do Senado durante esse período, se ocorrerem, aconteçam de maneira semipresencial, pelo celular.

Flávio Bolsonaro é um dos cinco senadores com maiores percentuais de faltas

Depois de Romário, o senador Wilder Moraes (PL-GO) aparece com o maior registro de ausências. Pré-candidato ao Governo de Goiás, ele deixou de votar em 24 deliberações nominais, 49% do total. Em seguida, há um empate no terceiro lugar: tanto Angelo Coronel (Republicanos-BA) quanto Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) não votaram em 47% das nominais.

Dessa forma, Flávio Bolsonaro está num empate quíntuplo no quinto lugar do ranking de ausências em votações. Ele não participou em 43% dessas deliberações, assim como Cleitinho (Republicanos-MG), Eduardo Gomes (PL-TO), Professora Dorinha Seabra (União Brasil-TO) e Wellington Fagundes (PL-MT).

O ranking dos dez mais ausentes em votações nominais é fechado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). Ele faltou a 20 das 49 votações deste ano (41%). O Senado possui 81 parlamentares.

Flávio não responde sobre faltas
O gabinete de Romário afirmou, diferentemente do que mostram os dados, que ele levou falta em apenas duas sessões. “Em uma ele registrou e não votou, pois voltou pro estado (15/04), e em outra ele estava fora do país (20/05)”, disse em nota.

A equipe de Dorinha Seabra afirmou que “as votações mencionadas ocorreram em dias nos quais a senadora cumpria agenda institucional previamente agendada, tanto em Brasília quanto no Tocantins”.

“A atuação parlamentar vai muito além das votações em plenário. O mandato também é exercido por meio da articulação de políticas públicas, atendimento aos municípios, reuniões institucionais, atividades que a senadora desempenha diariamente”, diz a nota.

Já Angelo Coronel disse que não registrou faltas e que as ausências foram “formalmente comunicadas e justificadas à Secretaria-Geral da Mesa, geralmente em dias em que esteve atendendo autoridades municipais em Salvador”.

A equipe do parlamentar baiano afirmou que ele votou todas as PECs e projetos de lei, se ausentando somente em indicações de autoridades. “Essas votações, portanto, não se referiam a projetos de leis, medidas provisórias ou vetos, por exemplo”, respondeu em nota.

Wellington Fagundes afirmou, por meio de sua assessoria, que “mantém uma atuação parlamentar intensa, com apresentação e relatoria de projetos, participação em comissões, audiências públicas e agendas institucionais”. Ele destacou que, como presidente da Frenlogi (Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura) e líder do bloco formado por PL e Novo, tem “funções que frequentemente envolvem compromissos institucionais em Brasília e fora da capital federal”.

Já o gabinete de Cleitinho afirma que o senador estava presente nos 177 projetos votados até maio, contando as votações simbólicas, destacando que estava no Senado mesmo quando deixou de votar.

Ele diz que, nos dias em que esteva presente, mas não votou, aconteceram as marchas dos vereadores e dos prefeitos em Brasília. Dessa forma, ele avaliou que, como Minas Gerais tem 853 municípios, deveria atender os políticos locais que estavam em seu gabinete.

Além de Flávio, as equipes dos senadores Renan Calheiros, Wilder Moraes e Eduardo Gomes foram procuradas por telefone, mas não responderam até a publicação desta reportagem. Oriovisto Guimarães afirmou que não iria comentar.

*ICL


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Política

É só apontar para a Papudinha: Bolsonaro tem piora na saúde em meio à guerra entre Flávio e Michelle

É muito descaramento!

Ex-presidente corre o risco de voltar ao sistema penitenciário após a descoberta de uma arma sua em poder de um de seus seguranças

Oex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que segue em prisão domiciliar, teve uma piora no quadro de saúde, de acordo com documento protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (26).

No documento assinado pelo cardiologista Brasil Ramos Caiado, o ex-presidente tem apresentado quadro de “picos hipertensivos” e precisou receber doses extras de medicação. A informação consta no relatório semanal de Jair Bolsonaro enviado ao STF.

“Do ponto de vista cardiológico, o paciente apresentou, no decorrer da semana, picos hipertensivos moderados, sendo prontamente controlados com doses extras da medicação em uso. Ausculta cardíaca normal, ausculta pulmonar com alteração residual na base do pulmão esquerdo”, diz o relatório médico do ex-presidente.

A piora no quadro de saúde de Jair Bolsonaro ocorre em meio à guerra de seu filho Flávio Bolsonaro com Michelle. A ex-primeira-dama publicou um vídeo em que acusa Flávio de ataques machistas. A publicação caiu feito uma bomba na pré-campanha presidencial do senador.

Bolsonaro vive neste momento o risco de voltar à prisão após um de seus seguranças ser pego numa blitz com uma arma sua. O ministro Alexandre de Moraes pediu manifestação à Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o caso, se mantém o ex-presidente em prisão domiciliar ou se o manda de volta para o sistema penitenciário.

Antes de mandar Bolsonaro de volta à prisão, Moraes pede manifestação da PGR
A apreensão de uma pistola registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro levou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a pedir, nesta quarta-feira (24), uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). O objetivo é avaliar se o episódio pode ter impacto nas condições da prisão domiciliar do ex-mandatário.

Na decisão, Moraes citou a Lei de Execuções Penais. O trecho mencionado prevê que comete falta grave o condenado que possui, de forma indevida, instrumento capaz de colocar em risco a integridade física de terceiros. Com isso, o ministro quer saber se a presença da arma durante o cumprimento da medida cautelar pode gerar consequências para Bolsonaro.

A apreensão da pistola
O caso ganhou repercussão após a apreensão de uma pistola Glock calibre 9 mm durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal, realizada na última segunda-feira (15). A arma, registrada em nome do ex-presidente, estava no carro de um militar responsável por sua segurança. Ela foi recolhida por não estar acompanhada do certificado de registro.

Em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal, Bolsonaro reconheceu ser o proprietário da pistola. Segundo documento enviado ao STF, ele afirmou que a arma permanecia em sua residência enquanto cumpre prisão domiciliar. Também teria dito que não poderia ficar desarmado porque havia “três mulheres em casa”.

Depoimento sob sigilo
A oitiva foi conduzida pelo delegado Thiago Boeing, da 17ª Delegacia de Polícia. O policial permaneceu por cerca de 40 minutos no condomínio onde Bolsonaro mora. Em nota, a Polícia Civil informou que o ex-presidente respondeu a todas as perguntas, mas destacou que o conteúdo do depoimento está sob sigilo.

O advogado Paulo Cunha Bueno acompanhou a oitiva. Segundo ele, Bolsonaro repetiu a versão já apresentada ao Supremo. A defesa sustenta que o ex-presidente apenas pediu a um militar da equipe de segurança que verificasse o funcionamento da arma, após suspeitar de uma falha. Também nega que tenha determinado a retirada da pistola para conserto.

Paulo Bueno afirmou ainda que as medidas impostas a Bolsonaro não incluíam a entrega das armas registradas em seu nome. Por isso, considera improvável que o episódio influencie uma eventual decisão de Moraes sobre a manutenção da prisão domiciliar.

Pistola com militar da GSI
A pistola apreendida estava em poder de um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), atualmente vinculado à Casa Civil. O órgão é responsável pela segurança dos ex-presidentes da República. O caso é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal e acompanhado pelo STF.

Especialistas apontam que o episódio pode resultar em sanções administrativas. De acordo com a Forum, também avaliam a possibilidade de questionamentos com base no Estatuto do Desarmamento, a depender das conclusões das investigações.


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Política

PF conclui que Flávio Bolsonaro cometeu calúnia contra Lula nas redes

A Polícia Federal (PF) concluiu nesta sexta-feira (26) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cometeu o crime de calúnia contra o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em postagem nas redes sociais.

A conclusão da PF consta no relatório final do inquérito aberto pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar o caso.

A ação se trata da postagem feita por Flávio na rede social X, no dia 3 de janeiro deste ano, quando o ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro foi capturado pelos Estados Unidos.

Na publicação, o senador declarou: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”.

Na avaliação da PF, o senador imputou falsamente ao presidente os crimes citados.

“Fica claro, portanto, que o senador Flavio Bolsonaro, através de sua postagem, imputou falsamente ao presidente Lula o cometimento dos crimes de tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de arma e lavagem de dinheiro, crimes estes expressamente tipificados em nosso ordenamento jurídico”, disse a PF.

Após encerrar a investigação, a PF enviou o caso para providências do Supremo. O próximo passo será a remessa para a Procuradoria-Geral da República (PGR).

A Agência Brasil entrou em contato com a assessoria de Flávio Bolsonaro e aguarda retorno. O espaço está aberto para manifestação.

*Agência Brasil

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Onde há fumaça: Entorno de Flávio Bolsonaro reage a rumores de desistência, ‘Zero chance’

Aliados negam categoricamente qualquer possibilidade de recuo e dizem que essa hipótese é estimulada por grupo ligado a Michelle e adversários da direita

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro tem enfrentado um burburinho em Brasília de que o filho do ex-presidente pode desistir da disputa pelo Planalto.

O entorno do senador atribui a disseminação dessa hipótese a outras candidaturas do campo da direita e ao grupo político de Michelle Bolsonaro. A possibilidade, porém, é tratada como inexistente pelos aliados.

“Zero chance”, disse à coluna um senador do PL próximo de Flávio.

“Não faz o menor sentido. Flávio já superou momentos muito mais delicados”, afirmou outro parlamentar da legenda, citando a repercussão do áudio em que o senador cobra dinheiro de Daniel Vorcaro.

“Jamais desistiria. Nunca sequer cogitou”, emendou uma terceira fonte da campanha.

De acordo com Diego Amorim, PlatôBR, a avaliação na pré-campanha é que Flávio já respondeu ao vídeo divulgado por Michelle nesta semana e que, a partir de agora, a estratégia é voltar o foco para os ataques ao PT e reforçar a mensagem de que o pré-candidato “está empatado com Lula”.


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Carta de Flavio Bolsonaro ao Secretário de Estado dos EUA revela que ele, se eleito, colocará seu governo à disposição deles

Frase estarrecedora foi enviada ao secretário de Estado Marco Rubio; nenhum governo brasileiro foi capaz disto, nem os militares

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou, no início de junho, uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Aparentemente, o objetivo principal era pedir que o governo Donald Trump desistisse de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. Por trás disto, no entanto, há no texto uma sabujice sem precedentes, um projeto de submissão política e econômica nunca antes vistos em nenhum governo do Brasil.

No último parágrafo do texto, o filho de Jair Bolsonaro simplesmente se compromete a colocar “à disposição dos EUA” sua equipe de transição. Veja abaixo:

“Como já afirmei, estou confiante de que serei eleito presidente do Brasil em outubro. Caso essa seja a vontade do meu povo, estou preparado para colocar imediatamente minha equipe de transição à disposição de seu governo, para que possamos concluir, o mais rapidamente possível, um amplo acordo de comércio e investimentos benéfico para ambas as nações –baseado em livre mercado, respeito mútuo e na aliança estratégica que nossos povos merecem”, escreveu Flávio.

Submissão
A iniciativa foi recebida com forte reação de integrantes do governo Lula, parlamentares da esquerda e setores da diplomacia brasileira. A oferta foi classificada como incompatível com a tradição de autonomia da política externa brasileira.

Críticos argumentam que a disposição de compartilhar estruturas de transição governamental com uma potência estrangeira antes mesmo da realização das eleições representa uma quebra de protocolo institucional e uma demonstração de subordinação política aos interesses de Washington.

A resposta de Rubio
A resposta de Rubio acabou ampliando o constrangimento político para Flávio Bolsonaro. Embora tenha agradecido o apoio brasileiro à classificação das facções criminosas como organizações terroristas, o secretário reafirmou integralmente a posição da administração Trump favorável às tarifas contra o Brasil.

“O embaixador Jamieson Greer deixou claro que nós permanecemos com diferenças substanciais em relação à solução das irregularidades apontadas nesta investigação”, escreveu Rubio, ao citar divergências relacionadas ao comércio digital, aos sistemas de pagamento eletrônico — incluindo o Pix —, à propriedade intelectual, ao acesso ao mercado de etanol e ao combate ao desmatamento ilegal.

Estratégia política fracassada
A carta foi enviada após uma série de reuniões realizadas por Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, no fim de maio, quando o senador buscava projetar sua imagem internacional e fortalecer sua pré-candidatura presidencial.

A estratégia, no entanto, acabou produzindo o efeito oposto ao esperado. Dias depois da visita, o governo americano anunciou a conclusão das investigações comerciais que propõem novas sanções contra o Brasil. No mesmo dia, Donald Trump publicou uma fotografia ao lado de Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca, ampliando as acusações de interferência eleitoral e associando diretamente o senador à política de pressão econômica contra o país.

Para críticos do parlamentar, o episódio revelou uma contradição política: ao mesmo tempo em que buscava demonstrar proximidade com a Casa Branca, Flávio passou a ser cobrado por não conseguir impedir medidas que podem prejudicar exportadores e setores produtivos brasileiros.

Nem o apoio político garantiu recuo dos EUA
Apesar de elogiar o “otimismo eleitoral” do senador e agradecer sua disposição para construir uma ponte política entre Brasília e Washington, Rubio deixou claro que os Estados Unidos trabalharão com “os líderes escolhidos pelo povo brasileiro”, independentemente do resultado eleitoral.

Na resposta fica claro que, apesar da afinidade ideológica entre o bolsonarismo e o trumpismo, Washington não pretende flexibilizar sua agenda comercial em troca de alinhamentos políticos ou promessas de cooperação futura.

Na prática, a carta que pretendia afastar Flávio Bolsonaro da responsabilidade política pelo tarifaço acabou reforçando o fato. A família tentou, de fato, utilizar sua proximidade com Donald Trump para influenciar disputas internas brasileiras sem obter qualquer resultado concreto para impedir as sanções econômicas contra o país. Forum.


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Política

Lula retoma obra de fábrica de fertilizantes paralisada há 12 anos

Com investimento de R$ 5 bilhões, UFN-3 em Três Lagoas (MS) deve entrar em operação até 2029 e elevar a produção nacional de ureia, reduzindo a dependência de importações

O presidente Lula esteve nesta quinta-feira (25) na cerimônia de retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN-3), em Três Lagoas (MS). O empreendimento da Petrobras é estratégico para ampliar a produção nacional de fertilizantes, o que permite fortalecer a segurança alimentar do país, com a redução da necessidade de importação de produtos cruciais para a agricultura.

São cerca de R$ 5 bilhões em investimentos para a unidade, paralisada desde 2015, entrar em produção como parte da retomada de investimentos da Petrobras até 2030. O investimento conta com recursos do Novo PAC (Plano de Aceleração do Crescimento).

Em seu discurso, Lula disse que não abre mão de debater estrategicamente o papel da Petrobras para o país.

“Eu estou orgulhoso porque eu ainda sonho que a gente vai ter, não sei quando, mas a gente vai ter acima de setenta por cento de todo fertilizante que nós precisamos nesse país. Porque um país jamais será soberano se ele não for dono de sua produção”, afirmou.

Leia mais: Brasil busca suprir 35% do mercado interno de fertilizantes

O presidente ainda criticou os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, que adotaram uma agenda privatista e entreguista para as principais empresas nacionais.

“Não tem explicação porque uma empresa desta magnitude, que ia produzir fertilizante para ajudar no barateamento e na qualidade dos alimentos produzidos nesse país, ficou parada doze anos. Uma coisa é não começar. Não se começa por várias razões: porque não quer fazer, porque não tem projeto, porque não tem dinheiro. Outra coisa é começar, ter dinheiro, projeto e necessidade, mas quando chega a quase 85% da estrutura, de repente as obras param e ficam doze anos paradas. E o Brasil pagando preços absurdos de fertilizante que poderiam ser produzidos”, criticou Lula.

A presidenta da Petrobras, Magda Chambriard, destacou que o país e a estatal saíram de uma produção que não existia para produzir 25% da demanda nacional por fertilizantes em menos de um ano e que chegará a 35% com a UFN-3.

“A Petrobras segue crescendo. Nesse primeiro trimestre, só para vocês terem uma ideia, a Petrobras investiu no Brasil R$ 26,8 bilhões. A gente cresce porque nós estamos investindo. É 25,6% a mais do que investimos no mesmo período do ano passado”, disse Chambriard, que destacou que a estatal produz cerca de 31% de toda a energia primária consumida no país.

Leia mais: Petrobras investe R$ 72,5 bilhões em Sergipe e gera 28 mil empregos

Na ocasião, a ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, que já foi prefeita de Três Lagoas, confirmou que será pré-candidata ao Senado pelo estado de São Paulo, por indicação do presidente Lula. Também estiveram presentes no ato o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli.

De acordo com a Petrobras, as obras na Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 irão gerar cerca de 8 mil postos de trabalho diretos e indiretos. Quando a planta entrar em operação, em 2029 [Magda acredita que poderá ser um ano antes, em 2028], serão produzidas 3.600 toneladas diárias de ureia granulada e 2.200 toneladas diárias de amônia. Em um ano, serão produzidos 1,3 milhão de toneladas de ureia, o que equivale a 16% da demanda brasileira.

A retomada da UFN-3 faz parte da estratégia da Petrobras e do governo Lula, que compreende outras três unidades: Fafen-BA, Fafen-SE e ANSA. Com todas as quatro fábricas em operação, o país produzirá cerca de 35% da ureia que consome, antes da retomada dessas unidades, o país dependia totalmente de importações

Com a guerra entre Ucrânia e Rússia, o preço do insumo disparou nos últimos anos e expôs países dependentes de importação. Para reverter esse cenário e fortalecer a soberania nacional, o presidente Lula adotou a iniciativa para fazer o setor de fertilizantes voltar a produzir no país, contrariando a lógica entreguista que paralisou obras e vendeu patrimônios nacionais adotada nos governos Temer-Bolsonaro.


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