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Política

A hipocrisia da mídia, que já espancou a democracia, tenta acabar com ela por asfixia

Há momentos em que a hipocrisia deixa de ser apenas um vício editorial e passa a representar um risco concreto para a própria democracia. Quando veículos que deveriam exercer o papel de fiscalizar o poder escolhem seletivamente o que denunciar, o que esconder e contra quem direcionar seus holofotes, a imprensa deixa de cumprir sua função pública e passa a interferir no debate político.

O problema não está em criticar governos, partidos ou candidatos. Isso faz parte da democracia. O problema começa quando a régua muda conforme o personagem. Um fato grave que seria manchete contra um adversário desaparece quando envolve um aliado; uma denúncia recebe tratamento explosivo de um lado e silêncio constrangedor do outro; uma polêmica é transformada em escândalo quando interessa e em nota de rodapé quando incomoda.

Essa seletividade corrói a confiança pública. E uma democracia não sobrevive apenas de eleições, ela precisa de informação confiável, pluralidade, transparência e imprensa disposta a confrontar todos os poderes — inclusive aqueles que lhe são próximos.

Mas no Brasil, a grande mídia tem seu lado, sempre o mesmo, contra os pobres, contra os desvalidos. Com isso, manipula as eleições.

A mídia brasileira já cometeu erros históricos que tiveram consequências políticas profundas. Repetir a mesma lógica, agora sob novas embalagens e com novos personagens, significa brincar perigosamente com uma instituição que pertence à sociedade, não aos seus donos, acionistas ou interesses circunstanciais.

Quando a imprensa abandona a coerência para escolher quem merece ser investigado, quem merece ser protegido e quem deve ser destruído, ela não está apenas narrando a disputa política. Está ajudando a moldá-la.

Pior, compara o incomparável. Entre Lula e Flavio Bolsonaro, não há termo de comparação.

E é justamente aí que mora o perigo, uma mídia que já espancou a democracia pode, pela omissão, pela seletividade e pelo duplo padrão, contribuir para algo ainda mais grave — a sua morte por asfixia.


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Política

Entrevista do Lula hoje no Flow Podcast durante o debate presidencial da Globo

O presidente Lula (PT) dará entrevista ao Flow Podcast nesta quinta (1º), às 20:45h, no mesmo horário do debate presidencial promovido pela Globo. O petista já comunicou à emissora que não participará do encontro televisivo, enquanto o podcast confirmou sua presença nas redes sociais.

A decisão repete a estratégia adotada na data do debate da Band, quando Lula concedeu uma entrevista exclusiva à Record. A campanha do presidente tem priorizado aparições em formatos nos quais ele responde a perguntas sem a dinâmica de confronto direto do debate.

Aliados de Lula avaliam que os debates podem desgastar sua imagem porque os adversários concentrariam críticas contra o presidente. Na leitura do grupo, o tempo limitado para respostas dificultaria rebater todos os ataques durante o programa.

Com Lula fora do estúdio da Globo, integrantes da campanha esperam que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se torne o principal alvo dos demais participantes e precise responder aos ataques e questionamentos dos concorrentes.

Lula chegou a considerar comparecer ao programa, mas a tendência de ausência ganhou força entre seus aliados nos últimos dias. O grupo defendia que o presidente poderia ficar isolado diante das investidas dos outros candidatos.

O Flow Podcast anunciou nas redes sociais que receberá Lula no horário reservado ao debate da Globo. A entrevista coloca o presidente em uma plataforma digital de grande alcance, fora da programação tradicional da televisão.

A escolha pelo podcast mantém a campanha de Lula em uma linha já usada no confronto marcado pela Band: substituir o debate por uma entrevista exclusiva em outro veículo de comunicação.


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Política

Mendonça recua sobre Tabet e é derrotado na tentativa de censura ampla sobre posts de Aparecida

André Mendonça teve de recuar no caso do post de Antonio Tabet. Depois de inicialmente defender a retirada da publicação, o ministro mudou seu voto e reconheceu que, diante da ambiguidade do texto, deveria prevalecer a liberdade de expressão.

O recuo não aconteceu no vazio. Durante o julgamento, divergências entre os ministros colocaram em xeque o alcance da decisão original, que havia provocado a retirada de um grande número de publicações relacionadas à polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida.

No fim, o TSE estabeleceu uma distinção importante: uma coisa é atribuir como fato a Flávio Bolsonaro uma proposta concreta de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil; outra, bem diferente, é uma manifestação política ou crítica que não faz essa afirmação factual.

Foi justamente nessa segunda categoria que o post de Tabet acabou protegido. Mendonça, que inicialmente havia determinado sua retirada, precisou reajustar o próprio voto para permitir que a publicação voltasse ao ar.

A imagem que fica é politicamente contundente: a tentativa de transformar uma controvérsia eleitoral em uma varredura geral de manifestações sobre Aparecida encontrou limites dentro do próprio tribunal. E, no caso específico de Tabet, Mendonça terminou fazendo exatamente o contrário do que havia determinado inicialmente: recuou.

A liberdade de expressão prevaleceu sobre uma interpretação ampliada da ordem de remoção. E Tabet, pela terceira vez, recolocou o post no ar.


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Política

Pau de galinheiro: Como emendas de Flávio Bolsonaro financiaram ONGs fantasmas

Emendas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) financiaram pagamentos a uma entidade classificada pela Receita Federal como “inexistente de fato” e a empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeita de fraude em licitações de equipamentos balísticos. Desde 2020, o parlamentar teve mais de R$ 300 milhões reservados no Orçamento federal para indicações de recursos.

O candidato à Presidência afirmou ao Uol que ele e sua equipe não indicam empresas para receber os valores. “A atuação do gabinete limita-se às atribuições institucionais relacionadas à indicação das emendas”, disse, acrescentando que as contratações cabem aos beneficiários e que eventuais irregularidades devem ser apuradas por órgãos de controle.

Em 2024, o senador destinou R$ 3,1 milhões para a atenção básica de saúde de Mesquita, município do Rio de Janeiro governado pelo PL. Desse total, R$ 666 mil foram pagos em agosto de 2025 ao Instituto de Medicina e Projeto (IMP).

A Receita Federal enquadrou o IMP em junho de 2026 como “inexistente de fato”. Em documento, o órgão apontou razões que indicariam que a empresa foi constituída para a prática de fraude fiscal, inclusive em benefício de terceiras empresas.

Jorge Miranda, prefeito de Mesquita (RJ) até 2024, ao lado de Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

TCE-RJ apontou suspeitas em contratos do IMP com Mesquita
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro acompanha a atuação do instituto desde 2024. Mesquita firmou contratos que superaram R$ 580 milhões com a entidade entre 2019 e o fim de 2024 para a gestão da saúde pública. Em acórdão de 2025, o tribunal citou ausência de estudos técnicos antes da transferência da gestão e indícios de conluio na concorrência vencida pelo IMP.

O acórdão também registrou que uma pessoa que assinava documentos da entidade havia morrido em 2017. A Prefeitura de Mesquita declarou o instituto inidôneo por dois anos, rescindiu os contratos e aplicou multa de R$ 3 milhões após processo administrativo. A administração municipal informou que encaminhou o caso ao Ministério Público e disse que manteve os serviços temporariamente para evitar interrupção no atendimento à população.

Recursos indicados por Flávio também entraram em convênios do Governo do Rio de Janeiro que pagaram R$ 569 mil à Glágio do Brasil e R$ 1,1 milhão à Inbra-Tecnologia. As empresas foram alvo da Operação Perfídia, deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2023, que apura suspeitas de divisão de contratos públicos de proteção balística e alternância de vitórias em licitações.

Outras destinações do senador também passaram a ser questionadas por órgãos de controle ou investigações jornalísticas. Uma emenda de R$ 4 milhões para projeto esportivo ligado ao Vasco entrou na mira da Controladoria-Geral da União (CGU), enquanto outra, de R$ 200 mil para o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, foi discutida por Robson Calixto, o Peixe.

Calixto, conhecido miliciano do Rio de Janeiro, condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco, em mensagens com uma assessora de Flávio. Em Resende, nove pagamentos à empresa Valle Sul somaram R$ 6,61 milhões para obras no aeroporto municipal.

*DCM


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Brasil Mundo

US$ 1 milhão contra o STF

O governo de Donald Trump destinou US$ 1 milhão para financiar uma campanha contra o STF, no Brasil. As revelações foram publicadas nesta quinta-feira pelo jornal britânico The Guardian, que aponta como recursos originalmente destinados pelos EUA para a agenda de direitos humanos no mundo foram redirecionados para pautas de interesse da extrema direita americana.

Segundo a reportagem, um subsídio de US$ 1 milhão, intitulado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”, financiaria grupos da sociedade civil que se opõem ao que é descrito como excesso de atuação judicial e censura por parte da Suprema Corte do Brasil.

“O governo Trump impôs sanções ao ministro brasileiro Alexandre de Moraes no ano passado, após pressão de Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente”, relembrou o artigo.

De acordo com o jornal, um assessor parlamentar democrata afirmou que uma senadora do Comitê de Relações Exteriores, Jeanne Shaheen, havia mantido o bloqueio de dez repasses, totalizando US$ 22 milhões, destinados a projetos no Brasil, na África do Sul e na Nigéria, bem como à promoção de uma ideologia de direita no Reino Unido e na Europa.

Nesta semana, Shaheen mandou uma carta ao governo Trump para denunciar a ingerência na eleição brasileira e cobrar da Casa Branca um reconhecimento do resultado das urnas no país.

Segundo o assessor consultado pelo jornal, o Secretário de Estado Marco Rubio havia assinado pessoalmente um memorando para ignorar os bloqueios da senadora e autorizar o empenho dos recursos.

O dinheiro vem do Fundo de Direitos Humanos e Democracia, criado para financiar a agenda conservadora de Trump pelo mundo e, segundo seus críticos, atacar qualquer tipo de oposição.

“O maior repasse, no valor de US$ 40 milhões, foi destinado a um consórcio liderado pela Victims of Communism Memorial Foundation (VOC) — uma organização sem fins lucrativos anticomunista que, no passado, havia recebido subsídios de valores muito inferiores”, indicou a reportagem.

Um documento de verificação de antecedentes do Departamento de Estado, consultado pelo jornal The Guardian, registra contratos anteriores entre a fundação e o órgão totalizando US$ 96.997 nos últimos cinco anos — todos no ano fiscal de 2022 — e aponta que a entidade passou por uma verificação em 2019 relacionada a ingressos para o evento de gala da fundação.

O documento também identifica Andrew Bremberg — ex-assessor de política interna da Casa Branca durante o governo Trump e ex-embaixador dos EUA junto ao escritório da ONU na Europa — como um “líder sênior” da fundação.

*Jamil Chade/ICL


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Pesquisa

Lula abre 9,3% sobre Flavio em Minas Gerais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a disputa pelo Palácio do Planalto entre eleitores de Minas Gerais, com 40,2% das intenções de voto, ante 30,9% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A diferença de 9,3 pontos percentuais supera a margem de erro da pesquisa DataTempo, de 3,1 pontos.

Na estimativa de votos válidos, que exclui brancos, nulos, indecisos e quem não respondeu, Lula alcança 45,8%, enquanto Flávio Bolsonaro marca 35,2%. Nesse recorte, a distância entre os dois sobe para 10,6 pontos percentuais.

O levantamento indica crescimento de Lula em relação à rodada anterior do instituto. Na pesquisa anterior, o petista tinha 35,6% das preferências em Minas, e Flávio Bolsonaro, 31,2%.

Os dois candidatos concentram cerca de sete em cada dez intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno. Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro lugar, com 5,8%, seguido pelo ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), com 4,3%, e pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), com 4%.

Pesquisa DataTempo divulgada em 30 de setembro
Zema cai em Minas e é lembrado por 1,1% no cenário espontâneo
Zema registrava 10,8% das intenções de voto na primeira rodada da DataTempo divulgada em março e caiu para 4,3% no levantamento atual. No cenário espontâneo, sem uma lista de candidaturas apresentada ao entrevistado, ele é citado por 1,1% dos eleitores mineiros.

Lula também lidera o cenário espontâneo, com 35,9% das menções. Para a analista sênior da DataTempo Mariela Rocha, a concentração de votos nos dois primeiros colocados reduz o espaço para candidatos alternativos.

“Uma hipótese é que, à medida que a eleição se aproxima, parte do eleitorado passe a considerar com mais peso quais candidaturas percebe como efetivamente competitivas”, afirmou Rocha. A pesquisadora acrescentou que o levantamento não investigou as razões da escolha dos eleitores.

A pesquisa também apontou que 68,6% dos mineiros consideram o voto para presidente uma decisão que não deve mudar. O instituto entrevistou 1.000 pessoas em domicílios entre 24 e 27 de setembro de 2026, com intervalo de confiança de 95%; o levantamento está registrado sob os números MG-01851/2026 e BR-04527/2026. DCM.


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Política

Lula dará entrevista ao Flow no mesmo horário do debate da Globo amanhã

O presidente Lula (PT) dará entrevista ao Flow Podcast nesta quinta (1º), no mesmo horário do debate presidencial promovido pela Globo. O petista já comunicou à emissora que não participará do encontro televisivo, enquanto o podcast confirmou sua presença nas redes sociais.

A decisão repete a estratégia adotada na data do debate da Band, quando Lula concedeu uma entrevista exclusiva à Record. A campanha do presidente tem priorizado aparições em formatos nos quais ele responde a perguntas sem a dinâmica de confronto direto do debate.

Aliados de Lula avaliam que os debates podem desgastar sua imagem porque os adversários concentrariam críticas contra o presidente. Na leitura do grupo, o tempo limitado para respostas dificultaria rebater todos os ataques durante o programa.

Com Lula fora do estúdio da Globo, integrantes da campanha esperam que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se torne o principal alvo dos demais participantes e precise responder aos ataques e questionamentos dos concorrentes.

Lula chegou a considerar comparecer ao programa, mas a tendência de ausência ganhou força entre seus aliados nos últimos dias. O grupo defendia que o presidente poderia ficar isolado diante das investidas dos outros candidatos.

O Flow Podcast anunciou nas redes sociais que receberá Lula no horário reservado ao debate da Globo. A entrevista coloca o presidente em uma plataforma digital de grande alcance, fora da programação tradicional da televisão.

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Política

Terrivelmente evangélico, o cristão de Taubaté

André Mendonça gosta de se apresentar como o “terrivelmente evangélico” indicado por Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal. Mas, quando se observa sua atuação pública, a pergunta que permanece é outra: que tipo de cristianismo é esse que parece tão confortável diante dos interesses do poder?

A toga pode ser preta, a linguagem pode ser jurídica e a retórica pode invocar Deus. Mas nenhum verniz religioso substitui o dever fundamental de um ministro do Supremo: agir com independência, imparcialidade e compromisso com a Constituição.

É justamente aí que a figura do “cristão de Taubaté” ganha contornos de ironia. Porque fé verdadeira não deveria funcionar como selo de autenticidade política, muito menos como salvo-conduto para decisões que beneficiem aliados do grupo que colocou o ministro no cargo.

No fim, o que importa não é o discurso religioso de André Mendonça, mas aquilo que ele faz sob a toga. Cristianismo se proclama com palavras; independência judicial se demonstra com decisões.


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Luciano Huck e Vorcaro trocaram mensagens sobre negócios, aviões e articulações na Globo, diz revista

Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mostram uma relação próxima entre o banqueiro e o apresentador Luciano Huck, com negócios, encontros, empréstimos de aeronaves e troca de favores. As informações foram divulgadas pela coluna Radar, da revista Veja.

As conversas mostram que os dois mantinham contato desde 2023. Em novembro daquele ano, após um encontro, Huck escreveu: “Bom te encontrar pessoalmente hoje. Nos devemos um papo. Abração”. Vorcaro respondeu: “Fala, amigo. Bom demais te ver”.

A relação também envolveu negócios. Vorcaro, por meio do Will Bank, fechou uma parceria de mídia com o programa “Domingão com Huck”. Em uma das mensagens, o apresentador menciona R$ 83 milhões em mídia para a Globo e R$ 26 milhões em um contrato pessoal.

Huck e Vorcaro também tinham sociedade em um avião Gulfstream G550. Em fevereiro de 2024, o apresentador escreveu ao banqueiro: “Estou buscando um sócio para o G550. Se te interessar, bora falar”. Vorcaro respondeu: “Vamos conversar”.

O apresentador também recorreu a aeronaves de Vorcaro para viagens. Segundo as mensagens, um avião foi utilizado por Huck para chegar a Canoas (RS), durante a tragédia climática de 2024, e outro para uma viagem a Varsóvia, na Polônia, onde entrevistou o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

As conversas mostram ainda Huck auxiliando Vorcaro em negociações com a Globo. Em outubro de 2024, após um jantar, o apresentador escreveu: “Valeu pelo jantar e, principalmente, pela conversa e confiança”. Na mesma mensagem, afirmou estar acompanhando as tratativas com a emissora.

A proximidade também era pessoal. Huck convidou Vorcaro para uma pizza em sua casa com o ex-jogador Ronaldo Nazário, o Ronaldo Fenômeno, e escreveu: “Precisamos começar a construir esta candidatura à CBF”.

Em 2025, enquanto o Banco Master enfrentava dificuldades, Huck continuou demonstrando apoio ao banqueiro. “Quero entender como as coisas estão andando e onde está sua cabeça. E, obviamente, se posso ajudar em alguma frente”, escreveu. Em outra conversa, afirmou: “Estou com você em qualquer frente”.

A última mensagem citada pela Veja foi enviada em 17 de novembro de 2025, pouco antes da prisão de Vorcaro. Após a notícia sobre uma suposta venda do Banco Master, Huck escreveu: “Vi a boa notícia da compra do Master agora no JN. Muito bom. Congrats. Você merece sair inteiro desta turbulência toda”.

Vorcaro foi preso naquela noite, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava deixar o país.

Luciano Huck ainda não se manifestou sobre as mensagens.

*ICL


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Política

Kassio Nunes Marques manda apagar comício inteiro de Lula e proíbe painéis de LED em atos petistas

Vai segurar a correnteza com as mãos?

Decisão atende a Flávio Bolsonaro, veta estruturas com efeito de outdoor e trata alerta de Lula sobre eventual “falcatrua” como associação do TSE à fraude

presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou a retirada do YouTube da transmissão completa de um comício do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e proibiu a campanha petista de utilizar em seus atos painéis eletrônicos que, isoladamente ou em conjunto, produzam efeito visual semelhante ao de um outdoor. A liminar também aponta uma terceira irregularidade, relacionada à exibição do nome de Lula sem o do vice, Geraldo Alckmin (PSB).

A decisão, publicada nesta segunda-feira (28), atende a pedidos de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, e tem como origem o comício realizado pela campanha de Lula em Teresina, no Piauí, em 9 de setembro. A decisão é provisória e ainda será submetida aos demais ministros do TSE.

No caso dos painéis, Nunes não se limitou a considerar irregular a estrutura utilizada naquele evento. A ordem tem efeito sobre os próximos atos da campanha e proíbe o uso de painéis eletrônicos sempre que o conjunto for considerado capaz de produzir impacto visual equivalente ao de um outdoor.

No palco montado em Teresina, havia um grande painel eletrônico ao fundo e outros dois nas laterais. Para Kássio Nunes Marques, as três estruturas, vistas em conjunto, produziram justamente esse efeito e, por isso, violaram a proibição de outdoors na propaganda eleitoral.

O que diz a legislação
A legislação eleitoral não fixa uma metragem única a partir da qual um painel passa automaticamente a ser considerado outdoor. A jurisprudência do próprio TSE leva em consideração o impacto visual produzido pela propaganda e admite que diferentes peças sejam avaliadas conjuntamente.

Isso significa que o simples uso de um painel de LED não é, por si só, proibido. O enquadramento depende das características da estrutura e do efeito visual produzido. A ordem de Nunes, portanto, não veta genericamente a tecnologia, mas impede a campanha de utilizá-la nas situações em que o painel ou a combinação deles reproduza o impacto de um outdoor.

A decisão prevê a possibilidade de multa diária e de outras medidas caso a determinação seja descumprida.

Ministro aponta ausência de Alckmin, mas imagens mostram o vice
Ao analisar os mesmos painéis, Nunes Marques identificou uma segunda irregularidade. Segundo o ministro, em determinados momentos o nome de Lula apareceu sem o de Geraldo Alckmin.

A legislação eleitoral determina que, quando o nome do candidato a presidente é exibido em uma propaganda, o nome do vice também apareça de forma clara e em tamanho correspondente a pelo menos 30% do nome do titular.

Imagens produzidas pela campanha petista mostram, porém, que Alckmin aparece nos painéis em outros momentos do mesmo evento. Isso não afasta necessariamente uma eventual irregularidade nos momentos em que somente o nome de Lula foi exibido, mas mostra que o vice não foi simplesmente excluído da comunicação visual do comício.

Há ainda uma particularidade na própria decisão. Embora Nunes tenha incluído a ausência concomitante do nome de Alckmin entre as irregularidades encontradas, não colocou na parte final da liminar uma determinação específica relacionada a esse ponto.

“Das imagens e vídeo acostados, depreende-se um ataque injustificado à Justiça Eleitoral e duas outras irregularidades na propaganda divulgada durante o evento impugnado, quais sejam, a utilização de engenho com efeito equivalente ao alcançado por outdoor e a ausência do nome do candidato à vice-presidente concomitantemente à aparição do nome do cabeça de chapa”, escreveu.

Lula e aliados destacam educação e desenvolvimento no Piauí

Uma frase leva à retirada do comício inteiro
A medida de maior alcance sobre o conteúdo do evento surgiu de uma declaração de Lula sobre as eleições.

Durante o discurso, o presidente afirmou: “Que não venha, que não venha os americanos querer influir nas nossas eleições, que não venha o Tribunal Eleitoral querer falcatrua, porque a gente sabe o que eles são capazes”.

Nunes Marques interpretou a declaração como uma associação, sem provas, entre o TSE e a possibilidade de fraude. Para o ministro, a manifestação ultrapassou os limites de uma crítica à Justiça Eleitoral.

“A manifestação reveste-se de caráter depreciativo e enganoso, e ao mesmo tempo, incita a população contra a Instituição que é pilar fundamental da República e da democracia brasileira, responsável pela realização de eleições limpas e transparentes em todo o território nacional”, afirmou.

A frase pronunciada por Lula, porém, não afirma que o TSE tenha cometido uma fraude nem que exista uma fraude eleitoral em andamento. O presidente utiliza uma construção prospectiva — “que não venha […] querer falcatrua” — dentro de uma passagem em que também fala de uma eventual interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.

A classificação da declaração como enganosa decorre, assim, da interpretação feita por Nunes Marques sobre o significado da fala, e não de uma afirmação de Lula de que uma fraude eleitoral efetivamente ocorreu.

A consequência imposta pelo ministro também vai além da frase.

Nunes não determinou somente que o trecho fosse retirado. Mandou o Google remover, em até 24 horas, a transmissão completa do comício de Teresina.

Lula, Alckmin e a coligação também ficaram proibidos de republicar o mesmo conteúdo. A determinação alcança ainda cópias ou versões modificadas destinadas a contornar a remoção.

A própria decisão, no entanto, diferencia conteúdos produzidos durante o mesmo evento. Nunes manteve disponíveis três vídeos publicados no Instagram, TikTok e YouTube Shorts porque eles mostram outra passagem do comício, relacionada às mulheres, e não reproduzem a declaração sobre a Justiça Eleitoral.

A distinção evidencia o alcance da ordem aplicada à transmissão principal: embora a passagem considerada irregular seja identificável dentro de um evento mais longo, a liminar determinou a retirada do vídeo completo, e não apenas do trecho questionado.

A decisão ainda será analisada pelo plenário do TSE, que poderá manter, modificar ou revogar as medidas adotadas individualmente por Nunes Marques.

*Cleber Lourenço/ICL


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