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Alexandre Frota se oferece para pagar multa de jornalista processado por Carla Zambelli

Luan Araújo escreveu que Zambelli “faz parte de uma extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte”.

O vereador de Cotia e ex-deputado federal Alexandre Frota manifestou apoio ao jornalista Luan Araújo e se ofereceu para quitar a multa judicial que pode levar à prisão do comunicador.

A decisão da Justiça de São Paulo determina a prisão de Araújo em razão do não pagamento de uma multa de R$ 2.216,30. O jornalista, que ficou conhecido nacionalmente após ser perseguido armada pela ex-deputada Carla Zambelli durante o segundo turno das eleições de 2022, afirmou nas redes sociais que não possui recursos para arcar com o valor.

Diante da situação, Luan iniciou uma campanha de arrecadação online para reunir o montante necessário e cobrir as despesas do processo.

Ao tomar conhecimento do caso, Alexandre Frota comentou uma publicação do jornalista e colocou-se à disposição para ajudar financeiramente.

“Vamos pagar a multa. Se quiser, pede ao advogado para me ligar.”

Jornalista perseguido por Zambelli de arma em punho é condenado por  difamação - Folha PE

A manifestação repercutiu entre seguidores dos dois e ocorreu em meio à mobilização de apoiadores de Araújo para evitar o cumprimento da ordem judicial.

O jornalista Luan Araújo, que ganhou notoriedade após ser perseguido armada pela ex-deputada federal Carla Zambelli em São Paulo na véspera do segundo turno das eleições de 2022, foi condenado em uma ação movida pela própria parlamentar.

A condenação está relacionada a declarações publicadas por Araújo no portal Diário do Centro do Mundo. No texto, ele afirmou que Zambelli é “seguida por uma seita de doentes de extrema direita” e que “faz parte de uma extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte”.

A defesa do jornalista recorre da decisão judicial e apresentou um habeas corpus, além de pedir a anulação da sentença proferida pelo juiz José Fernando Steinberg, responsável por converter a pena. Procurados pela reportagem, os advogados de Zambelli não se manifestaram. O espaço permanece aberto para posicionamento.

O episódio que envolveu Araújo e a ex-deputada ocorreu às vésperas da eleição presidencial de 2022 e resultou na condenação de Zambelli pelo Supremo Tribunal Federal. A Corte fixou pena de cinco anos e três meses de prisão pela perseguição ao jornalista.

Após a condenação, Zambelli deixou o Brasil e seguiu para a Itália, onde chegou a ser presa.

No fim de maio, entretanto, a Corte de Cassação italiana revogou o pedido de extradição apresentado pelas autoridades brasileiras e determinou sua libertação.

Além desse processo, a ex-parlamentar também foi condenada pelo STF a dez anos de prisão por participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

*ICL


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Donos de fundo que financiou filme de Bolsonaro abriram empresa em paraíso fiscal

Os dois são controladores de fundo nos EUA que recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro para filme sobre Jair Bolsonaro

Os controladores do fundo Havengate, que recebeu em 2025 verba de Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro (PL), abriram uma empresa em Delaware em fevereiro deste ano. O estado americano é conhecido como um paraíso fiscal, que permite omitir a divulgação de sócios e de informações financeiras.

O Havengate é administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto, e o corretor de imóveis Altieris Santana. Documentos obtidos pela Folha mostram que eles também administram a empresa MCC-4 Equity Fund GP LLC, aberta em Delaware em 12 de fevereiro.

A abertura da empresa no estado contrasta com os negócios que Calixto e Santana mantêm nos EUA, prioritariamente baseados no Texas e na Flórida. O Havengate e outros dois fundos geridos pelos dois estão no estado texano.

O Havengate foi utilizado para o recebimento de R$ 61 milhões de Vorcaro que seriam usados no filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, conforme revelou o site Intercept Brasil e confirmou a Folha. O repasse ocorreu entre fevereiro e maio do ano passado.

Áudios demonstram que Flávio Bolsonaro (PL) negociou pessoalmente os pagamentos com Vorcaro, em diálogos em que o filho do ex-presidente chama o ex-banqueiro de “irmão” e afirma que eles estarão sempre juntos.

A Polícia Federal investiga se o valor repassado ao Havengate pode ter sido utilizado para custear as despesas de Eduardo Bolsonaro, que mora no Texas. O ex-deputado nega.

A empresa MCC-4 Equity Fund GP LLC, aberta em Delaware, controla uma outra, também administrada pela dupla, no Texas. Trata-se da MCC-4 Equity Fund LP.

As duas são quase homônimas e possuem o termo “fundo” no nome, o que indica o ramo do negócio. Não há mais informações sobre outros possíveis sócios e o propósito das empresas nos registros.

A relação dos dois com as empresas foi constatada pela Folha em razão da abertura da unidade do Texas, estado que, ao contrário de Delaware, obriga a divulgação do nome de responsáveis e de relatórios anuais.

O documento de registro diz que a empresa em Delaware é gerenciada por Altieris Santana. Outros eventuais sócios não são citados.

Por meio do registro no Texas, a Folha também constatou que, no estado, ambas têm como referência o mesmo endereço: o escritório de Calixto, em Dallas. Trata-se também do endereço de registro do Havengate e de outras empresas que o advogado representa. O escritório lida com casos de imigração, consultoria e direito societário.

O endereço é diferente do registrado na documentação de Delaware, onde a companhia está registrada em Dover, capital do estado, e tem como representante a empresa A Registered Agent, que destaca “fornecer o máximo de proteção à privacidade pessoal permitido por lei”.

A empresa texana teve sua primeira tentativa de abertura pelo escritório de advocacia de Paulo Calixto rejeitada, pois o documento protocolado em 13 de fevereiro não continha o nome do sócio-administrador. No dia 17 do mesmo mês, Calixto apresentou um novo pedido.

A Folha contatou Altieris Santana por meio de e-mail profissional próprio e enviou mensagens no seu número de telefone por WhatsApp na quarta-feira (20). Na quinta (21), a reportagem ligou para o número, mas não obteve resposta.

Calixto foi procurado por meio do e-mail profissional e do contato oficial do seu escritório na quarta e na quinta. A reportagem também compareceu presencialmente e ligou para a firma em Dallas. Uma secretária respondeu que os dois não têm respondido à imprensa e que perguntas deveriam ser enviadas por e-mail.

Nas perguntas enviadas, a reportagem questionou qual o motivo da escolha por abrir a empresa em Delaware e se algum membro da família Bolsonaro estaria ligado aos negócios.

A Folha também contatou Eduardo Bolsonaro via mensagem na quarta e na quinta. O ex-deputado foi questionado se ele ou seus familiares tinham relação com o negócio, mas não retornou.

O modelo de gestão das empresas é similar ao do Havengate, que também conta com uma empresa LLC como administradora de uma LP. Como administradora, a LLC assume a responsabilidade pelos negócios da LP, o que protege os sócios de responsabilidade limitada, que não precisam ser identificados na abertura da companhia.

As LLCs são comuns nos EUA, pois blindam o patrimônio dos sócios e têm tributação simplificada.

Eduardo Bolsonaro já teve uma LLC, a Braz Global Holding LLC, com Paulo Generoso e André Porciúncula, que comprou um imóvel intermediado por empresa de Calixto e Santana. A empresa administrou outra, a Omni World Trades LLC, conforme relevado pela Agência Pública.

Nas conversas reveladas pelo Intercept, Altieri Santana aparece como uma pessoa em que Eduardo confia para executar tarefas financeiras.

O deputado, diz, por exemplo, que Santana viajaria “para fazer reunião pessoal com quem quer que seja” para garantir a chegada do recurso para o filme nos Estados Unidos.

*ICL


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Bolsonaro deveria responder por crime contra a humanidade na pandemia, diz Lula

O presidente sancionou a lei que institui o 12 de março como Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19; a data faz referência ao registro da primeira morte no Brasil, em 2020

Ao sancionar nesta segunda-feira (11), no Palácio do Planalto, a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os responsáveis pelas mortes no Brasil durante a pandemia da Covid-19 não podem ser esquecidos.

A data escolhida simbolicamente é o dia 12 de março, referência ao registro da primeira morte no Brasil, em 2020.

Lula afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus ex-ministros da Saúde deveriam ser denunciados por crime contra a humanidade, pois, se tivessem agido conforme as orientações médicas e científicas, poderiam ter evitado, no mínimo, 400 mil das 700 mil vidas perdidas em decorrência do coronavírus no país.

Leia também: STF prorroga investigação de Bolsonaro com base na CPI da Covid-19

“Muitas vezes a fala dele na televisão era a demonstração de uma ignorância absoluta sobre o assunto, pelo menos teria de ouvir quem sabe. E o que reivindicava-se naquela época? Que ele montasse um comitê de especialistas, que ouvisse os principais cientistas brasileiros para que o Estado pudesse ter uma orientação no trato com a sociedade brasileira”, lembra o presidente, referindo-se a Bolsonaro.

Ele questionou por que as entidades médicas não abriram processos contra o presidente, os ministros e os médicos que foram para a imprensa defender o uso do medicamento cloroquina contra a doença.

Também resgatou fala do ex-presidente no dia 9 de dezembro de 2020: “A pandemia está chegando ao fim e um pequeno repique pode acontecer, mas a vacina não se justifica, você vai inocular algo em você”.

“Essa frase foi publicada no canal do seu filho, aquele fujão que está nos EUA tentando pregar um golpe no Brasil”, diz Lula.

Segundo ele, a iniciativa da lei reforça a importância da memória coletiva. “Reafirma o compromisso do Estado brasileiro com a defesa da vida, da ciência e do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Ressalta a necessidade da escuta atenta aos especialistas. Uma escuta que, se fosse adotada naquele período, poderia ter evitado milhares de mortes”, afirma.

Por isso, diz o presidente, o governo valoriza e incentiva a vacinação. “Ampliamos o acesso à imunização. Intensificamos o combate à desinformação, com impacto direto na recuperação da confiança nas vacinas no país. Como resultado, nos últimos três anos, revertemos a queda nas coberturas vacinais. Em 2025, o Brasil registrou aumento no número de crianças vacinadas e interrompeu a sequência de quedas observada até 2022”, explica. Vermelho.


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Flavio quer anistia para seu pai, mas também quer reduzir a maior idade penal para crianças de 14 anos

Mesmo preso em uma de suas mais de 51 mansões, fora as que estão em nomes de parentes, Flavio quer uma prisão light para o papai, melhor dizendo, anistia ampla geral e irrestrita, mas só para o papai. Afinal, ele é um bandido diferenciado, com aposentadoria de anos de seriços prestados à marginalidade, que começou quando ainda pertencia às Forças Armadas e praticava garimpo ilegal com outros subordinados.

Bolsonaro foi preso e expulso do Exército por ameaçar de terrorismo os próprios quartéis com bombas, da mesma forma, a barragem do Guandu no Rio de Janeiro, porque lhe foi negado o aumento do soldo.

Já no mundo civil, ainda como vereador e, depois, deputado federal, além de sua inutilidade sem qualquer projeto aprovado em 27 anos de carreira, montou um esquema de formação de quadrilha e peculato, mimosamente chamado de rachadinha, com Queiroz, com tudo.

Durante o percurso foi fazendo filhos para herdar as sesmarias públicas de ficar com 90% dos salários pagos a laranjas e fantasmas, incluindo milicianos e parentes.

Ou seja, Bolsonaro já operava no intestino grosso dos seus bezerros, montando uma rede de imóveis pagos em dinheito vivo e outras formas góticas de acumular uma verdadeira fortuna, e os bolsonaristas ainda dizem que Bolsonaro não é corrupto.

Na verdade, gerenciado por Queiroz, fez com que cada filho adotasse como dialeto a rachadinha. Desse modo, a família sempre via o céu azul e o sol brilhando em suas vidas.

Mas além dessa renca de crimes, seu governo foi o nascedouro do Banco Master sob a direção de seu indicado para o Banco Central, Campos Neto. Daí dá para imaginar como essa gente operou para produzir a maior fábrica de chocolate do planeta, a mesma que, junto com o dinheiro que Flavio pegou do BRB, comandado por Ibaneis Rocha, comparsa de Bolsonaro e ligado a Vorcaro, comprou com preço subfaturado, aquela mansão cinematográfica de fazer inveja a qualquer estrela de Hollywood. Detalhe, na cara de todos, por ter certeza absoluta de sua impunidade.

Claro, Flavio contava com a eternidade de seu pai no poder, pelo voto ou pelo golpe, para que a justiça não lhe tocasse.

Agora, aparece Flavio, parsa político de Romeu Zema, que quer a volta da esravidão infantil, roncando valentia contra crianças de 14 anos que ele propõe que sejam presas numa redução da maior idade penal.

Já os condenados, por qualquer forma de crime, Flavio quer muito mais do que o rigor da lei, quer aumentar e muito a pena sem qualquer benefício para que o infrator apodreça na cadeia.

Grosso modo, esse é o projeto de Flavio Bolsonaro, livrar a cara do pai, que, no golpe, tramou a morte de Lula, Alckmin e Moraes, comandou a tentativa de explosão de uma caminhão de combustível no aeroporto de Brasília e, à distância, maneteou a tentativa frustrada de golpe de 8 de janeiro de 2023 por não aceitar a derrota nas urnas.

Fica apenas a pergunta, será mesmo que algum brasileiro depositará seu voto para um delinquente, irmão de delinquente, filho de delinquente, tornar-se um prseidente da Repúnlica com todo o seu histórico de ligação com o que existe de mais podre e criminoso na política carioca e fluminense? É difícil de acreditar até para os padrões de um gado totalmente acéfalo.


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Ex-príncipe Andrew é preso no Reino Unido por parceria criminosa com Jeffrey Epstein

Ele teria compartilhado informações confidenciais com o bilionário e condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein

Andrew Mountbatten-Windsor, que já teve o título de Príncipe Andrew, foi detido nesta quinta-feira (19) sob suspeita de má conduta no exercício de função pública.

As autoridades apuram denúncias de que ele teria compartilhado informações confidenciais com o bilionário e condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein enquanto atuava como enviado comercial do Reino Unido.

Imagens de viaturas policiais descaracterizadas e de agentes à paisana em Wood Farm, na propriedade de Sandringham, pouco depois das 8h, circularam na quinta-feira. Em nota, a Thames Valley Police informou: “Hoje (19/2), prendemos um homem de 60 anos, residente em Norfolk, sob suspeita de má conduta em cargo público e estamos cumprindo mandados de busca em endereços localizados em Berkshire e Norfolk”

Andrew permanece sob custódia policial neste momento.

A Thames Valley Police já havia declarado que analisava alegações de que uma mulher teria sido levada ao Reino Unido por Epstein para um encontro sexual com Andrew, além das suspeitas de troca de informações sigilosas com o financista durante o período em que exercia a função diplomática.

O subchefe da corporação, Oliver Wright, afirmou ao jornal The Guardian: “Após uma avaliação detalhada, decidimos instaurar investigação sobre essa denúncia de má conduta em cargo público.

“É fundamental preservar a integridade e a imparcialidade do inquérito enquanto trabalhamos com nossos parceiros para esclarecer os fatos. Reconhecemos o grande interesse público no caso e forneceremos novas informações no momento adequado.”

*ICL


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Laudo da PF confirma que Bolsonaro pode continuar preso na Papudinha

Peritos avaliaram o ex-presidente e exames e concluíram que, embora tenha comorbidades que demandam cuidados, ele pode continuar no presídio

O desejo da extrema direita de aliviar a pena de Jair Bolsonaro (PL) sofreu mais um revés. Segundo laudo da Polícia Federal (PF) divulgado nesta sexta-feira (6), embora o ex-presidente tenha problemas de saúde que requerem cuidados, ele pode permanecer na Papudinha, onde cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe.

A divulgação do laudo, assinado por três médicos, foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso e responsável pelo pedido de avaliação.

O documento — que teve como base um exame físico e a análise de exames laboratoriais e de imagem fornecidos pela defesa — aponta que as sete comorbidades de Bolsonaro “não ensejam, no momento, necessidade de transferência para cuidados em nível hospitalar”.

Diz, apenas, ser necessária “a otimização dos tratamentos e das medidas preventivas por profissionais especializados em decorrência do risco de complicações, principalmente eventos cardiovasculares”.

O laudo afirma que Bolsonaro não tem depressão, como argumentava sua defesa, nem pneumonia aspirativa e que na entrevista com os médicos Bolsonaro “não apresentou queixas compatíveis com sentimentos de menos-valia, desesperança ou anedonia [falta de prazer]”, ainda que pudesse demonstrar abatimento, segundo o Vermelho.

A lista de comorbidades aponta para a presença de hipertensão arterial sistêmica; Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (Saos) grave; obesidade clínica; aterosclerose sistêmica; doença do refluxo gastroesofágico; queratose actínica e aderências (bridas) intra-abdominais.

Recomendações

Para lidar melhor com os atuais problemas de saúde de Bolsonaro, os peritos listaram quatro recomendações:

1.Investigação complementar, definição diagnóstica e tratamento adequado do quadro neurológico em curso. Como medidas paliativas e provisórias, até avaliação especializada, recomenda-se: instalação de grades de apoio em corredores e boxes de banho do alojamento; instalação de campainhas de pânico/emergência adicionais e/ou outros dispositivos de monitoramento em tempo real no alojamento e acompanhamento contínuo nas áreas comuns;

2. Avaliação nutricional e prescrição dietética por profissional(is) especializado(s), direcionadas às comorbidades descritas

3. Prática regular de atividade física aeróbica e resistida, conforme tolerância clínica;

4. Tratamento fisioterápico contínuo, com ênfase em força muscular e equilíbrio postural.

 

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Pentágono quer ‘restaurar a supremacia militar’ sobre a América Latina

Em documento, Departamento da Guerra diz que interesses dos EUA no Hemisfério Ocidental estão “ameaçados” e que não irá tolerar acesso de outras potências à região.

O governo de Donald Trump fala abertamente em retomar a “supremacia militar” sobre a América Latina e alerta que a defesa dos EUA inclui o controle sobre todo o hemisfério. A mensagem faz parte da estratégia de defesa nacional divulgada pelo Departamento da Guerra na última sexta-feira.

Num documento de cerca de 30 páginas, o Pentágono traça as linhas do poder militar dos EUA e indica que a ameaça chinesa não será combatida em choques diretos entre as duas superpotências, mas na ideia de “contenção”.

Um dos pontos centrais, porém, é a garantia do controle sobre as Américas.

“Defenderemos ativa e destemidamente os interesses da América em todo o Hemisfério Ocidental. Garantiremos o acesso militar e comercial dos EUA a terrenos estratégicos, especialmente o Canal do Panamá, o Golfo da América e a Groenlândia. Forneceremos ao Presidente Trump opções militares confiáveis ​​para usar contra narcoterroristas onde quer que estejam”, indicou.

Segundo o documento, o governo irá se envolver “de boa fé com nossos vizinhos, do Canadá aos nossos parceiros na América Central e do Sul, mas garantiremos que eles respeitem e façam sua parte para defender nossos interesses comuns. E onde não o fizerem, estaremos prontos para tomar medidas focadas e decisivas que promovam concretamente os interesses dos EUA”, disse.

“Este é o Corolário Trump à Doutrina Monroe, e as forças armadas americanas estão prontas para aplicá-lo com rapidez, poder e precisão, como o mundo viu na Operação ABSOLUTE RESOLVE”, afirmou, numa alusão à operação de sequestro de Nicolás Maduro.

De acordo com o plano, a Operação Lança do Sul demonstra que Trump está “extremamente empenhado em impedir que narcoterroristas contrabandeiem narcóticos letais para o nosso país”.

“O presidente também está empenhado em levar os narcoterroristas à justiça. Nicolás Maduro, por exemplo, pensava que poderia envenenar americanos impunemente. A Operação Resolução Absoluta o ensinou o contrário — e todos os narcoterroristas deveriam tomar nota”, alertou.

Ameaça
A avaliação é de que “os interesses americanos também estão ameaçados em todo o Hemisfério Ocidental”.

“Já no século XIX, nossos antecessores reconheceram que os Estados Unidos deveriam assumir um papel mais poderoso e de liderança nos assuntos hemisféricos para salvaguardar a segurança econômica e nacional de nossa nação”, disse.

“Foi essa percepção que deu origem à Doutrina Monroe e ao subsequente Corolário Roosevelt. Mas a sabedoria dessa abordagem se perdeu, pois tomamos nossa posição dominante como garantida, mesmo quando ela começou a se dissipar”, alertou. “Como resultado, vimos a influência de adversários crescer da Groenlândia, no Ártico, ao Golfo da América, ao Canal do Panamá e a locais mais ao sul. Isso não apenas ameaça o acesso dos EUA a terrenos-chave em todo o hemisfério, mas também torna as Américas menos estáveis ​​e seguras, prejudicando os interesses dos EUA e de nossos parceiros regionais”, constatou.

Segundo a estratégia, o Departamento de Guerra “priorizará essa defesa, inclusive defendendo os interesses dos Estados Unidos em todo o Hemisfério Ocidental”.

A estratégia na região consiste em três vertentes:

 

► Garantir a segurança de nossas fronteiras. A segurança das fronteiras é segurança nacional. O Departamento de Guerra priorizará, portanto, os esforços para selar nossas fronteiras, repelir formas de invasão e deportar imigrantes ilegais em coordenação com o Departamento de Segurança Interna.

► Combater o narcoterrorismo no hemisfério. Mesmo enquanto o Departamento trabalha para garantir as fronteiras dos Estados Unidos, reconhecemos que as ameaças a essas fronteiras também devem ser abordadas em outras regiões do hemisfério. Portanto, ajudaremos a desenvolver a capacidade dos parceiros de enfraquecer organizações narcoterroristas nas Américas e os apoiaremos nesse processo, mantendo também nossa capacidade de tomar medidas decisivas unilateralmente. Mas se nossos parceiros não puderem ou não quiserem fazer sua parte, estaremos preparados para agir decisivamente por conta própria, como a Força Conjunta demonstrou na Operação ABSOLUTE RESOLVE.

► Garantir a segurança de terrenos estratégicos no hemisfério ocidental. Conforme estabelecido na Estratégia de Segurança Nacional (NSS), os Estados Unidos não mais cederão acesso ou influência sobre territórios estratégicos no Hemisfério Ocidental. O Departamento de Guerra, portanto, fornecerá ao Presidente opções viáveis ​​para garantir o acesso militar e comercial dos EUA a territórios estratégicos do Ártico à América do Sul, especialmente a Groenlândia, o Golfo da América e o Canal do Panamá. Garantiremos que a Doutrina Monroe seja respeitada em nossa época.

A conclusão é explícita:

“Após anos de negligência, o Departamento de Guerra restaurará a supremacia militar americana no Hemisfério Ocidental. Usaremos essa supremacia para proteger nossa pátria e nosso acesso a territórios estratégicos em toda a região. Também impediremos que adversários posicionem forças ou outras capacidades ameaçadoras em nosso hemisfério. Este é o Corolário Trump à Doutrina Monroe – uma restauração sensata e eficaz do poder e das prerrogativas americanas neste hemisfério, em consonância com os interesses dos americanos”.

*Jamil Chade/ICL


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Vorcaro delata Ibaneis Rocha sobre venda do Master; oposição pede impeachment

Segundo Vorcaro, as tratativas com o governador ocorreram de forma institucional e contaram com a presença de outras pessoas

O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou à Polícia Federal que conversou em mais de uma ocasião com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a venda da instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB).

A declaração foi prestada em depoimento no dia 30 de dezembro do ano passado, no âmbito de inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e apura suspeitas de irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo banco estatal.

A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

Segundo Vorcaro, as tratativas com o governador ocorreram de forma institucional e contaram com a presença de outras pessoas. O ex-banqueiro também relatou que já recebeu Ibaneis em sua residência e que, em outras ocasiões, esteve na casa do governador.

Após a divulgação do conteúdo do depoimento, os partidos PSB e Cidadania anunciaram que irão apresentar, de forma conjunta, um pedido de impeachment contra Ibaneis Rocha na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O PSOL informou que também pretende protocolar um pedido de afastamento do governador.

Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, Ibaneis Rocha não se manifestou sobre o assunto.

No depoimento, Vorcaro respondeu a questionamentos da delegada da Polícia Federal Janaina Palazzo, do Ministério Público Federal e também a perguntas formuladas pelo gabinete do ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF. De acordo com o ICL, ao todo, foram feitas ao menos 80 perguntas, em uma oitiva que durou quase três horas.

O processo tramita sob sigilo. Desde o início de dezembro, todas as diligências relacionadas à investigação sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro passaram a depender de autorização do ministro Dias Toffoli, por decisão do próprio magistrado.

As investigações indicam que, antes mesmo da formalização da venda, o Banco Master teria forjado e negociado cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado com o BRB. Desse total, R$ 6,7 bilhões corresponderiam a contratos falsos, enquanto R$ 5,5 bilhões se referem a prêmios — valor atribuído à suposta carteira, acrescido de um bônus.

O escândalo envolvendo o Banco Master culminou na liquidação da instituição, anunciada em 18 de novembro.


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Renato Gomes, enaltecido pela Globo no caso Master, manobrou no BC para entregar R$ 11 bi a André Esteves, do BTG

Durante a gestão Campos Neto e Paulo Guedes, Esteves teria comprado massas falidas dos bancos Econômicos e Nacional. Com decisões à jato de Renato Gomes, herói da Globo no caso Master, teria transformado “”zumbis bancários, repletos de passivos, em corpos financeiros vivos”.

Classificado como herói por Malu Gaspar e Lauro Jardim, d’O Globo, na liquidação do Banco Master pelo Banco Central, Renato Dias de Brito Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução da instituição, teria tomado duas decisões à jato que renderam cerca de R$ 11 bilhões aos cofres do banco BTG Pactual, de André Esteves.

Herdeiro do BTG pactual, instituição criada por Paulo Guedes – ex avalista junto ao mercado da candidatura de Jair Bolsonaro (PL), de quem se tornou “super” ministro da Economia -, Esteves vem sendo blindado pelo clã Marinho e pela mídia liberal na guerra contra Daniel Vorcaro, do Master, que teve início na Faia Lima e foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo informações divulgadas em setembro pelo site O Bastidor o dono do BTG foi beneficiado diretamente por duas decisões administrativas de Renato Gomes sobre as massas falidas dos bancos Econômico e Nacional, que quebraram nos anos 1990 durante o Proer, programa criado por Fernando Henrique Cardoso para socorrer instituições financeiras.

Ressalvando a autoria, de Diego Escotesguy – que caiu no limbo jornalístico após participar ativamente da rede midiática de Sergio Moro no lawafare da Lava Jato como editor-chefe da revista Época, do mesmo grupo Globo -, a reportagem revela detalhes da manobra de Renato Gomes para que André Esteves assumissem o controle dos bancos em duas decisões à jato: “no caso do Econômico, três meses. No caso do Nacional, menos de um mês”.

De acordo com a apuração, Renato Gomes transformou “zumbis bancários, repletos de passivos, em corpos financeiros vivos – em CNPJs limpos, dos quais o BTG passaria a extrair bilhões em créditos fiscais, títulos federais com pagamento certo e outros ativos valiosos mediante decisões favoráveis em Brasília”.

Cadáveres bancários
Para ressuscitação dos cadáveres bancários, como são descritos, Esteves adquiriu em 2021, com Guedes, Bolsonaro e Campos Neto no poder, a massa falida dos dois bancos, que estavam em liquidação extrajudicial desde 1996, nos tempos de FHC.

“Eram zumbis financeiros, com patrimônios líquidos profundamente negativos, presos em um emaranhado de passivos bilionários e ativos ilíquidos administrados lentamente por liquidantes nomeados pelo BC”, diz a reportagem.

Esteves teria promovido o saneamento da massa falida, pagando dívidas para cumprir a exigência do BC, de que os bancos atingissem patrimônio liquido positivo. Tudo foi feito por meio de manobras financeiras, com compras de créditos de credores, que já nem tinham esperanças de receber as dívidas, com valores muito baixos.

No caso do Econômico, Esteves teria sanado cerca de R$ 1 bilhão em dívidas. No entanto, a massa falida escondia R$ 3,15 bilhões em prejuízos fiscais acumulados – que podem ser usados para abater tributos do grupo, no caso o BTG – e R$ 6,9 bilhões em créditos FCVS – os Fundos de Compensação de Variações Salariais, que são créditos contra União.

Após ressuscitar o cadáver do Econômico, Paulo Guedes e Campos Neto teriam dado o aval para Renato Gomes, no BC, decretar o fim da liquidação extrajudicial em 5 de outubro de 2022, após 26 anos. Toda a operação ocorreu em tempo recorde, de 3 meses, segundo a reportagem.

Já no caso do Banco Nacional, com a expertise adquirida – já realizada pelo BTG quando adquiriu a massa falida do Bamerindus – e os caminhos internos no BC – Esteves levou menos de um mês para obter, em 27 de junho de 2024, o aval de Renato Gomes para assumir os lucros da operação.

Segundo a reportagem, “o custo total da transação do Nacional foi estimado em 2,7 bilhões de reais. Em troca, o BTG levou outro pacote robusto de ativos: cerca de 4,4 bilhões em créditos contra o governo (3,12 bilhões em FCVS e 1,3 bilhões em outros recebíveis do Tesouro Nacional) e 1,74 bilhão de reais em prejuízos fiscais”.

*Plínio Teodoro/Forum


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Política Uncategorized

Fim de sanções de Trump e OEA enterram plano bolsonarista de classificar Brasil como ‘ditadura’

Como naufragou operação de Eduardo Bolsonaro para tentar criar tese de que o país estaria vivendo regime autoritário

O plano era ambicioso: forçar a viagem de uma relator da Comissão Interamericana de Direitos Humanos ao Brasil para comprovar que existia uma suposta ditadura no país. Com esse informe, portanto, a ala mais radical do bolsonarismo percorreria o mundo alertando sobre o fato de que estavam sendo perseguidos, que o Brasil estava se transformando numa “nova Venezuela” e que sanções deveriam ser adotadas.

Justificariam que nunca existiu um golpe e que as prisões de seus líderes são arbitrárias.

Mas nada disso funcionou. No último dia 26, sem alarde, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos publicou seu informe sobre a liberdade de expressão no Brasil e concluiu – sem surpresas – que não há uma ditadura no país e nem a censura generalizada contra movimentos políticos.

Semanas antes, a tese promovida por Eduardo Bolsonaro pelo mundo sobre o suposto “regime de exceção” no Brasil já havia sido duramente abalado com a decisão de Donald Trump de retirar sanções contra Alexandre de Moraes.

Agora, com exclusividade ao ICL Notícias, autoridades brasileiras e estrangeiras contam como o sonho bolsonarista se transformou em um pesadelo para os golpistas, com um informe que, ao ser publicado, constatou que a democracia está vigente no Brasil.

A origem
Tudo começaria ainda em 2024, com articulações de grupos bolsonaristas e alianças com entidades de extrema direita nos EUA, como a ADF – classificada nos EUA como organização disseminadora de ódio. Aos poucos, foi construída a estratégia de vender ao mundo a ideia de que o Brasil estaria vivendo um “regime autoritário”, que a eleição de Lula teria sido duvidosa, que a censura estaria em vigor e que haveria uma perseguição política.

Se parte da ofensiva ocorria nos bastidores do poder em Washington, a estratégia montada previa a criação e a manipulação de um informe internacional que, ao criticar o Brasil, serviria de cartão de visita e chancela aos bolsonaristas para percorrer as capitais do Ocidente em busca de simpatia, apoio, refúgio e dinheiro.

O caminho escolhido foi a Comissão Interamericana, entidade que depende fortemente de recursos americanos.

E, dentro do órgão regional, a opção foi a de focar as energias sobre o relator de Liberdade de Expressão, Pedro Vaca.

Inicialmente, ele havia causado espanto no governo brasileiro ao aceitar realizar uma audiência em Washington onde reuniria tanto jornalistas profissionais alvo de violência no Brasil como as demandas da extrema direita de que estaria sendo alvo de censura.

O seu projeto conseguiu ser evitado. Mas, em troca, foi costurada uma visita de Vaca ao Brasil. O temor do governo era de que o relator assumisse uma tese “absolutista” da liberdade de expressão, desconhecendo as manobras da extrema direita nacional.

Uma missão repleta de tensão
A tensão marcaria a missão do relator desde seu desembarque no país, há quase um ano.

Enquanto ele se reunia com diversas autoridades, Eduardo Bolsonaro percorria gabinetes de congressistas da base de Trump em Washington para pedir apoio. Na preparação para a viagem, esses congressistas escreveram uma carta para a Comissão Interamericana colocando pressão. Segundo eles, se a relatoria de Vaca não lidasse com a censura contra os bolsonaristas, eles exigiriam que Trump encerrasse os repasses para o órgão. Sem esse dinheiro, a OEA estaria paralisada.

Fontes da sociedade civil, governo e STF consultadas pelo ICL admitiram que a viagem tinha o potencial de ser “um desastre” se fosse sequestrada pelo bolsonarismo.

Até então, o governo brasileiro mantinha apenas uma relação protocolar com a relatoria da Comissão Interamericana. Foi um trabalho nos bastidores por parte da sociedade civil que permitiu a aproximação. A percepção de ativistas era de que apenas um comportamento mais aberto por parte do governo Lula permitiria que a relatoria se sentisse confortável para indagar e, eventual, avaliar de forma equilibrada o país.

E o trabalho surtiu efeito. Mauro Vieira, o chanceler, se reuniu com Vaca e reafirmou o compromisso do Brasil com a liberdade de expressão e o combate à desinformação.

No STF, uma reunião com os ministros Luis Roberto Barroso e Alexandre de Moraes também receberam o relator, algo raro em visitas de missões internacionais. A ideia era de que Vaca se sentisse respeitado, diante da atitude do Supremo de prestar contas.

Uma das atividades das autoridades brasileiras foi a de desmascarar quem eram os bolsonaristas. O relator recebeu, por intermédio do Ministério de Relações Exteriores, um dossiê onde estavam recortes e prints de publicações de extrema direita atacando Vaca.

O recado a ele foi claro: o que está sendo feito contra você é o mesmo que o bolsonarismo promove contra juízes e autoridades que se recusam a ceder.

A viagem também foi marcada por tentativas de manipulação. Na reunião que manteve com parlamentares bolsonaristas, a delegação da Comissão Interamericana foi surpreendida com a acusação dos deputados de que o órgão estava atuando para censurá-los. O incidente ocorreu quando as equipes de deputados e senadores bolsonaristas pressionaram a OEA a suspender seu protocolo usado há anos em toda a América Latina e permitir que a reunião fosse filmada.

Com as imagens, esses deputados transformaram suas participações em verdadeiros shows nas redes sociais. Para muitos, Vaca sentiu na pele a agressividade dos bolsonaristas.

Outro fato que marcou a visita foi a transformação de uma de suas declarações à imprensa como instrumento para a extrema direita. Na saída de uma das reuniões, Vaca declarou a um jornalista que estava “impressionado” com os informes. A notícia replicada pela extrema direita era de que ele teria ficado impressionado com os informes da suposta censura que eles tinham apresentado para Vaca.

Horas depois, Vaca desmentiu a versão bolsonarista e afirmou que uma ditadura não recebe um relator. Ele sequer havia dado a declaração na saída de uma reunião com a extrema direita. Assustada, a equipe do relator entendeu que havia ocorrido uma tentativa deliberada de manipulação.

A constatação é de que ele experimentou em primeira mão a confusão deliberada que é promovida pela extrema direita entre informação e desinformação.

Outra estratégia da sociedade civil foi a de garantir que a agenda de Vaca não se limitasse ao debate promovido pelos bolsonaristas. Para isso, os encontros dele com ativistas, organizações e especialistas apontaram como aqueles que se dizem vítimas da censura são, de fato, agentes de censura.

A Abraji, por exemplo, fez levantamento de ataques contra jornalista pela extrema direita e entregou o documento para Vaca.

Um dos encontros ainda considerados como fundamentais foi com os parlamentares que fizeram parte da Comissão de Inquérito do 8 de Janeiro. Na reunião, Vaca recebeu relatos de como existe uma indústria da desinformação que funciona não apenas no caso da democracia, mas também relação às vacinas e tantos outros temas.

Pressão de Marco Rubio
A pressão, porém, não terminou com o fim da viagem. O escritório de Vaca passou a ser alvo de pressões, tanto por parte da extrema direita brasileira como americana. Em meados de 2025, quando o governo de Donald Trump começava a desenhar a aplicação de sanções contra o ministro Alexandre de Moraes – hoje retiradas – a Comissão Interamericana foi consultada pela diplomacia americana sobre os prazos para a publicação do informe sobre o Brasil.

Washington queria saber, no fundo, se poderia usar uma eventual conclusão negativa do informe como base para justificar a imposição da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.

O governo brasileiro também mandou seus recados, alertando à Comissão que sucumbir à pressão americana revelaria o fim da independência do órgão que já teve um papel histórico na defesa dos direitos humanos no Hemisfério.

Governo e sociedade civil comemoraram informe
Vaca optou por esperar. A “química” entre os presidentes Lula e Trump também abriu caminho para que seu informe não fosse alvo de uma disputa maior ou que se mandato fosse atacado por Marco Rubio.

Ainda que estivesse pronto há semanas, a escolha da publicação em meio às festas do final de ano também serviu para tentar não causar ainda mais polêmica. Ainda assim, Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo e aliados do bolsonarismos tentaram, sem êxito, apresentar o informe como uma suposta vitória de seu campo. Mas não conseguiram evitar que vozes dentro da própria extrema direita tenham admitido a derrota.

Um ano depois da visita, o sentimento entre membros da sociedade civil e governo brasileiro é de alívio. Para diversas pessoas que participaram dos encontros com Vaca e que acompanharam o processo, o resultado foi melhor do que se esperava.

A Comissão Interamericana confirmou que o Brasil é uma democracia plena, ainda que com melhorias que podem ser implementadas. O documento, somado à retirada da sanções previstas pela Lei Magnitsky contra Moraes ainda enterrou o projeto da extrema direita de usar a falácia da suposta existência de uma ditadura como arma para se defender pelo mundo.

Para o acadêmico Fábio de Sá e Silva, professor da Universidade de Oklahoma, o relatório tem a virtude de situar o debate sobre liberdade de expressão no contexto histórico do Brasil, especialmente considerando as eleições de 2022. “Fala explicitamente que houve uma tentativa de golpe, que se baseou em desinformação sobre urnas. Argumenta, corretamente, que à luz da convenção americana de direitos humanos não existe liberdade absoluta de expressão — há discursos protegidos (políticos) e outros (ex., de ódio) não protegidos”, diz.

“Chama o legislativo brasileiro a regular melhor plataformas e recomenda balizas à atuação do judiciário, mas jamais sugere que as ações passadas foram ilegítimas. Por fim, duas notas importantes: diz que é preciso julgar e condenar quem orquestrou a tentativa de golpe, mostrando que anistia não se coaduna com os estândares Interamericanos de direitos humanos; e ainda denuncia o uso instrumental da liberdade de expressão por parte de quem reclama de censura, mas apoiou ditaduras e violações de direitos humanos”, completou o acadêmico.

O projeto de Eduardo Bolsonaro, assim, estava enterrado. Pelo menos por enquanto.

Mas o caso deixou um aviso: movimentos ultraconservadores vão usar as estruturas internacionais para justificar suas narrativas. Para isso, tentarão sequestrar a Comissão Interamericana e outros órgãos para que sirvam ao arsenal para a implementação de uma agenda reacionária e autoritária.

*Jamil Chade/ICL


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