Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirma que escalada a instalações energéticas é ‘extremamente perigosa’; Usina de Bushehr, primeira do Oriente Médio, foi construída com participação russa
Ataques contra instalações nucleares iranianas, incluindo a usina de Bushehr, são potencialmente extremamente perigosos e podem ter consequências irreversíveis, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, nesta segunda-feira (23/03).
Ao comentar o relatório da Organização de Energia Atômica do Irã sobre o projétil que atingiu a área da usina, localizada na cidade de Bushehr, na semana passada, o porta-voz reiterou que Moscou expressou repetidamente suas preocupações.
“Bushehr é uma instalação nuclear sob o controle da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A Rússia mantém diálogo constante com a AIEA”, afirmou Peskov, relembrando as “declarações alarmantes” sobre a situação feitas por Alexei Likhachev, chefe da corporação russa de energia Rosatom, principal contratada para a instalação nuclear iraniana de Bushehr.
“É claro que os sinais relevantes estão sendo transmitidos aos Estados Unidos. Consideramos os ataques contra instalações nucleares como potencialmente extremamente perigosos e capazes de ter consequências irreparáveis”, enfatizou o alto funcionário, reiterando que a Rússia, ao adotar “uma postura extremamente responsável” sobre o assunto, já expressou suas preocupações repetidamente.
A usina nuclear de Bushehr é a primeira usina nuclear do Irã e de todo o Oriente Médio. Sua construção começou em 1975 e foi retomada em 1995, após um longo período de inatividade, com a participação da Rosatom.
Em setembro de 2011, a primeira unidade geradora foi conectada à rede elétrica e iniciou sua operação comercial em junho de 2013. A construção da segunda unidade foi iniciada, embora as obras tenham sido suspensas devido ao conflito atual. Um contrato também foi assinado para a construção de uma terceira unidade.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nas redes sociais que o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morreu nos ataques contra Teerã, neste sábado.
“Khamenei, uma das pessoas mais perversas da história, está morto”, escreveu. “Isso não é apenas justiça para o povo do Irã, mas para todos os grandes americanos e para aqueles de muitos países ao redor do mundo que foram mortos ou mutilados por Khamenei e sua gangue de bandidos sedentos de sangue”, afirmou.
“Ele não conseguiu escapar de nossa inteligência e de nossos sofisticados sistemas de rastreamento e, trabalhando em estreita colaboração com Israel, não havia nada que ele, ou os outros líderes que foram mortos junto com ele, pudessem fazer”, disse.
“Esta é a maior chance para o povo iraniano recuperar seu país. Estamos ouvindo que muitos de seus membros da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), das Forças Armadas e de outras forças de segurança e policiais não querem mais lutar e estão buscando imunidade. Como eu disse ontem à noite: “Agora eles podem ter imunidade, depois só terão a morte!” Esperamos que a Guarda Revolucionária Islâmica e a Polícia se unam pacificamente aos patriotas iranianos e trabalhem juntos como uma unidade para trazer o país de volta à grandeza que ele merece”, disse.
“Esse processo deverá começar em breve, visto que, não apenas com a morte de Khamenei, mas o país foi, em apenas um dia, amplamente destruído e até mesmo arrasado. Os bombardeios pesados e precisos, contudo, continuarão ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançarmos nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!
Agradeço a sua atenção a este assunto.
PRESIDENTE DONALD J. TRUMP”.
Nas redes sociais, a conta de Khamenei traz a mensagem: “que a paz esteja com ele”
Mais cedo, Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro de Israel, anunciou que os ataques aéreos destruíram o complexo que abriga o aiatolá Ali Khamenei e afirmou que “todas as indicações mostram que este tirano não está mais entre nós”.
À agência Reuters, uma fonte israelense afirmou que Khamenei morreu e que seu corpo foi achado. A imprensa israelense, entre eles o jornal Haaretz, também anunciou que o iraniano que lidera o país desde 1989 teria morrido.
O governo iraniano, por sua vez, afirmou que “não pode confirmar” a condição do líder supremo.
Nos bombardeios contra o Irã, neste sábado, um dos principais alvos foram os locais de residência de autoridades do país. Chefes militares estão entre os mortos.
Desde o início da ofensiva por parte de Israel e dos EUA, o governo do Irã não esclareceu onde estaria Khamenei.
Mas o Ministério das Relações Exteriores iraniano garantiu, nas primeiras horas do conflito, de que o líder supremo não estava em Teerã e que ele e o presidente do Irã estavam “sãos e salvos”.
Em sua declaração, Netanyahu convocou ainda iranianos a “irem às ruas em massa” para derrubar o regime. Segundo ele, os ataques os ajudarão a “se libertar da tirania”.
Ele afirma que eles têm uma “oportunidade única em uma geração” para derrubar o regime iraniano. “Saiam às ruas em massa” e “façam o trabalho”, diz ele. “É hora de vocês se unirem” e “se juntarem para uma missão histórica”, afirma.
A mensagem pedindo mobilização por parte dos iranianos também foi o tom usado por Donald Trump, nesta manhã. “Assumam o governo”, pediu o norte-americano.
Horas depois dos ataques, Trump afirmou que existem várias opções a partir de agora.
“Posso prolongar a situação e assumir o controle total, ou encerrá-la em dois ou três dias e dizer aos iranianos: ‘Nos vemos daqui a alguns anos, se vocês começarem a reconstruir [seu programa nuclear]’”, disse ele ao site Axios.
Trump explicou que o ataque foi tomado depois diante da falta de progresso nas negociações nucleares desta semana. “Os iranianos chegaram perto e depois recuaram — chegaram perto e depois recuaram. Entendi, a partir disso, que eles realmente não querem um acordo”, disse.
*Jamil Chade/ICL
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A escola foi atacada enquanto os alunos estavam em aula
Os ataques de Israel e Estados Unidos atingiram uma escola em Minab, sul do Irã, deixando pelo menos 57 alunos mortos, na manhã deste sábado (28), segundo a agência estatal iraniana IRNA. Outras sessenta crianças ficaram feridas.
O governador da província confirmou à agência que a escola foi atacada diretamente. O caso aconteceu pela manhã, enquanto os alunos estavam em aula, segundo a agência de notícias.
Nas redes sociais, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, disse que o bombardeio foi um “crime flagrante”. Afirmou que o mundo deve reagir a esse ataque e que o “Conselho de Segurança da ONU deve agir agora, no exercício de sua principal responsabilidade de acordo com a Carta”.
Já a Guarda Revolucionária do Irã informou ter bombardeado bases americanas em resposta aos ataques deste sábado, segundo a agência IRNA.
As bombas foram lançadas contra bases no Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos, além de esconderijos militares nos territórios palestinos ocupados. A Guarda Revolucionária Islâmica prometeu que os ataques com mísseis e drones das forças armadas iranianas vão continuar.
O exército israelense informa que várias cidades do país dispararam sirenes de alerta pelo risco de mísseis lançados pelo Irã. Também publicaram vídeos de alvos atingidos no Irã.
*Agência Brasil
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Explosões foram ouvidas em Teerã e ao menos outras quatro cidades. O Irã retaliou lançando mísseis contra Israel e atacando bases americanas no Oriente Médio.
Estados Unidos e Israel realizaram um ataque coordenado contra o Irã, no início da manhã deste sábado (28). Explosões foram registradas na capital Teerã e em ao menos outras quatro cidades. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio.
Israel afirmou que o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, e o presidente Masoud Pezeshkian foram alvos do ataque, mas os resultados da ação ainda não estão claros, segundo informações da agência Reuters.
Mais cedo, fontes disseram à Reuters que Ali Khamenei não está em Teerã. Não há detalhes sobre seu paradeiro. A agência estatal iraniana IRNA afirmou que o presidente Masoud Pezeshkian está em segurança.
Diante da instabilidade na região, companhias aéreas suspenderam voos para o Oriente Médio.
O que se sabe do ataque de EUA e Israel:
Agências de notícias informaram que mísseis atingiram áreas próximas ao palácio presidencial e a instalações usadas pelo líder supremo em Teerã, capital do Irã.
Segundo a agência estatal iraniana Fars, explosões também foram ouvidas nas cidades de Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah, todas em diferentes regiões do país.
O espaço aéreo iraniano foi fechado. 40 estudantes de uma escola de meninas no sul do Irã morreram durante o ataque, segundo agências iranianas.
Exército israelense afirma ter atingido “centenas de alvos militares iranianos”, incluindo lançadores de mísseis.
O que se sabe sobre a retaliação do Irã:
Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra o território israelense, onde sirenes de alerta foram acionadas.
Diversas explosões foram ouvidas em outros países da região, como Catar, Bahrein, Kuwait, Iraque, Jordânia e Emirados Árabes – países que têm bases norte-americanas.
Em comunicado, os Emirados Árabes Unidos disseram ter interceptado vários mísseis iranianos e que uma pessoa morreu na capital Abu Dhabi. Uma explosão também foi ouvida em Dubai, segundo testemunhas.
Sistemas de defesa antimísseis foram acionados por Israel e pelos países do Golfo.
4 pessoas morreram na Síria após míssil iraniano atingir um prédio, informa a agência Reuters.
*G1
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Influenciador de direita e vereador do Partido Liberal (PL) em Erechim (RS), Rony Gabriel afirmou nesta terça-feira (6) que foi abordado por uma empresa com proposta de gravar e divulgar conteúdos nas redes sociais em defesa do Banco Master e com ataques ao Banco Central (BC). A instituição financeira decretou a liquidação do Master no fim de 2025.
Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Rony relatou que a abordagem ocorreu no dia 20 de dezembro do ano passado. Ele conta que a empresa entrou em contato com seu assessor e se apresentou como responsável pelo “gerenciamento de reputação de um grande executivo”. O interlocutor também teria informado que estava contratando influenciadores para fortalecer a estratégia.
Ainda de acordo com o vereador, a proposta incluía o pagamento de uma “boa quantia em dinheiro”, que ele afirma ter recusado. Apesar disso, Rony disse acreditar que outros influenciadores aceitaram a oferta e foram contratados para participar da campanha.
O objetivo da ação, segundo Rony Gabriel, seria responsabilizar o Banco Central pela grave crise de liquidez enfrentada pelo Banco Master, além de passar a impressão de que não havia irregularidades na instituição comandada por Daniel Vorcaro. O influenciador também mencionou que o trabalho exigiria a assinatura de um contrato de confidencialidade. O documento, exibido no vídeo, previa uma multa de R$ 800 mil em caso de descumprimento do acordo.
Além do vereador gaúcho, muitos outros influencers, com muitos seguidores nas redes sociais, receberam proposta semelhante: foram convocados a participar de um ataque coordenado para descredibilizar o Banco Central e defender o Master.
A denúncia foi publicada em primeira mão pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. “Reportagem do Metrópoles foi usada como exemplo de conteúdo que precisava ser difundido, sempre lançando dúvidas sobre a ação do Banco Central que levou à liquidação do Master”, escreveu Malu.
Também a Folha de S. Paulo tratou do assunto, em reportagem dos jornalistas Adriana Fernandes e Lucas Marchesini, mostrando que ao menos 46 perfis da internet fazem ataques ao BC e a investigadores do caso Master.
Um dos principais alvos é o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, Renato Gomes. O setor dele recomendou o veto à compra do BRB pelo Master e deu informações importantes para o trabalho do Ministério Público Federal.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo e até seus familiares também são alvos da campanha, além do diretor de Fiscalização, Aílton de Aquino Santos, banqueiros e associações do setor financeiro que se manifestaram em defesa da autoridade monetária por meio de uma série de notas de apoio à decisão técnica de liquidar o Master em novembro.
Pedindo preservação da autoridade técnica do BC para evitar “cenário gravoso de instabilidade”, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e outras entidades emitiram nota no dia 27 de dezembro sobre o estilo incomum dos ataques sofridos.
“A Febraban está analisando se as postagens identificadas naquele período caracterizariam ou não eventual ataque coordenado à entidade, sendo que já se observou nos últimos dias uma redução significativa daquele volume atípico”, dizia o texto.
Os ataques acontecem em meio a movimentos incomuns no Caso Master, tanto da parte do Supremo Tribunal Federal quanto do Tribunal de Contas da União.
No início de dezembro, o ministro Dias Toffoli, relator do processo no STF, decretou sigilo máximo às investigações contra executivos do Banco Master dias depois de viajar em um jatinho particular para assistir a final da Libertadores da América, em Lima, ao lado do advogado Augusto Arruda Botelho, que representa um dos empresários do banco liquidado.
Pouco depois, o TCU entrou na história.
Como publicou a coluna de Amanda Miranda no ICL Notícias, a análise de documentos do BC que tratam da liquidação do Master pelo relator do TCU, ministro Jhonatan de Jesus, é considerada completamente inadequada.
Na avaliação de Luiz Henrique Cadermatori, professor do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina, esta é uma situação inédita na história da República. Ele explica que nunca aconteceu de uma espécie de órgão fiscalizador exercer controle sobre outro órgão fiscalizador, em poderes independentes.
Para o professor, o caso cria um conflito político: “Os membros do Tribunal de Contas são escolhas políticas movidas por critérios políticos. O técnico faz a avaliação, mas o ministro é quem decide, então é diferente do Banco Central, onde todos os cargos são eminentemente técnicos. Isso traduz uma certa situação incomum e questionável politicamente”.
Cadermatori reforça que a liquidação de bancos ou definição de critérios sobre sua atuação envolve decisões técnicas. Ele adverte que a repercussão do caso no TCU é moralmente e politicamente questionável, mas que juridicamente não há um impedimento prévio a esse tipo de situação.
Chama atenção o perfil do relator: nos tempos de deputado foi autor de emendas parlamentares que estão na mira do ministro Flávio Dino, parceiro de Arthur Lira e cria do Centrão, grupo que tem muitos políticos defensores do Master.
Não há dúvida: há vários motivos para críticas ao Banco Central. Em especial a manutenção da taxa Selic em patamar altíssimo e inexplicável. Mas a a atuação em relação ao Banco Master tem sido irretocável.
E é justamente quando o BC age de forma correta que surge esse ataque.
As cifras envolvidas e os personagens poderosos ligados ao Master certamente são os motivos dessa ofensiva inédita.
*ICL
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EUA lançam ataque em larga escala na Venezuela e capturam Nicolás Maduro
Segundo Donald Trump, presidente venezuelano foi retirado do país por via aérea junto com a esposa. Explosões atingiram Caracas na madrugada deste sábado (3).
Os Estados Unidos anunciam a captura de Maduro, porque não podem anunciar a verdade, a captura, o roubo do Exército pirata dos EUA, em franca decadência, da maior reserva de petróleo do mundo na Venezuela.
Esse fenômeno se chama roubo descarado e confissão de decadência do império norte-americano, que vem sendo detonado pelas populações mundo afora por sua parceria com o Estado terrorista de Israel para exterminar o povo e saquear as terras palestinas.
Na verdade, isso não passa de uma vitória de pirro.
O custo político dessa ação para os EUA será devastador. Saquear um país, ao viveo e a cores, por conta da maior reserva de petróleo do mundo já está gerando uma reação mundial de repúdio à sociedade norte-americana, a seu Estado, a seu governo.
Afinal, ninguém reconduz um pedófilo golpista à Presidência da República impunemente.
Os desdobramentos desse ataque covarde dos EUA à Venezuela pela máquina de guerra norte-americana para, matando civis, sem qualquer motivo que não seja o roubo do petróleo venezuelano, complica ainda mais a situação econômica dos EUA diante do mundo.
Como não conseguem ampliar a eficiência de sua indústria, os EUA assumem a metodologia de cangaço. Só confessa a incapacidade da decomposição imperialista diante da comunidade internacional.
A mesma eficiência para dominar o território venezuelano, os EUA terão para, em nome da dominação, afundar-se ainda mais num caminho sem volta de um império em franca decadência, numa espécie de revolução industrial às avessas.
Veja:
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Venezuela sob ataque, Brasil sob ameaça: a escalada de Trump no Caribe é um risco para toda a região
perspectiva de uma desestabilização da Venezuela, já concretamente posta no horizonte pelo ensaio de bloqueio naval que o governo Donald Trump impõe ao país, com navios de guerra e submarinos nas proximidades da costa venezuelana, além de milhares de soldados de prontidão, não é uma questão que diz respeito só à natureza do regime venezuelano, nem unicamente ao futuro dos venezuelanos – ela diz respeito ao futuro de toda a região, e assim deveria ser tratada pelos líderes latino-americanos.
As ações criminosas do governo norte-americano, que até aqui mataram quase uma centena de pessoas no Mar do Caribe, já têm impacto regional, na medida em que servem de ameaça e intimidação não só contra a Venezuela, mas contra todos os países da região, incluindo o Brasil. A atual campanha de desestabilização contra o país se sustenta em dois vetores retóricos: por um lado, a mentirosa tese de que o país seria um “narcoestado”; por outro, o de que seria uma ditadura.
Como demonstram diversos relatórios, inclusive da ONU e do próprio Departamento de Estado dos EUA, a Venezuela não só não é um corredor relevante do narcotráfico – a principal rota de tráfico para os EUA passa pelo Pacífico, não pelo Caribe – como também conseguiu, nos últimos quinze anos, se consolidar como um território livre do cultivo de folha de coca, maconha e processamento de cocaína.
Por outro lado, o uso do manto da “guerra contra as drogas” para encobrir ações militares criminosas e unilaterais por parte dos EUA deveria preocupar os brasileiros: ao contrário de nosso vizinho, o Brasil é uma das principais rotas de tráfico de drogas da América do Sul para a Europa, África e Ásia, e suas organizações criminosas, como o PCC e o CV, têm relações importantes com cartéis internacionais que operam ao menos parcialmente nos EUA.
De fato, cresce a pressão por parte dos EUA para que o Brasil classifique suas organizações criminosas como organizações terroristas, e há um projeto de lei (PL 1283/2025) no Congresso para expandir a conceituação de “terrorismo” na lei brasileira, incluindo nela a atuação de organizações criminosas e milícias privadas – o que ampliaria o espaço para o intervencionismo norte-americano em nosso país. Se a Venezuela, um país de pouca relevância no narcotráfico global, pode ser atacada sob a desculpa do combate ao narcotráfico, por que não poderia também o Brasil, que tem organizações criminosas muito mais relevantes a nível global que seu vizinho?
Além disso, os últimos meses demonstraram aos brasileiros, de forma inédita desde o golpe de 1964, tanto como o imperialismo utiliza a “democracia” para seus impulsos intervencionistas como o quanto a extrema-direita está disposta a aliar-se objetivamente aos interesses imperialistas nas suas disputas pelo poder interno – mesmo quando isso signifique tomar postura abertamente antinacional. Nesse sentido, sim, descobrimos que o Brasil “se tornou uma Venezuela” – não pela natureza do governo, mas pela natureza de sua oposição.
A atuação bolsonarista nos Estados Unidos por sanções e tarifas contra o Brasil e a adoção dessas medidas pelo governo norte-americano, buscando pressionar o governo brasileiro e o STF, foram uma constante por parte da oposição venezuelana nos últimos anos. Assim como os bolsonaristas atuaram nos últimos meses, junto ao governo Trump, pela aplicação de tarifas contra o Brasil, também fez a Assembleia Nacional opositora na Venezuela em 2016: em 23 de outubro daquele ano, declarando-se “em rebelião” contra o governo, o Poder Legislativo do país oficialmente fez um pedido a todos os organismos internacionais para que aplicassem sanções contra o próprio país.
É como se a infame campanha por tarifas contra o Brasil por parte de Eduardo Bolsonaro nos EUA não fosse uma campanha de um deputado, mas do Congresso brasileiro inteiro. Nunca é demais recordar que os efeitos das sanções não são focalizados nos líderes que elas em tese buscam atingir: um estudo da respeitada revista acadêmica The Lancet calculou em 38 milhões o número de mortos por sanções norte-americanas e europeias entre 1970 e 2021; também publicado na The Lancet, um outro estudo aponta que as sanções matam aproximadamente 564 mil pessoas por ano no mundo todo; e na Venezuela, somente entre 2017 e 2018, elas podem ter matado 40 mil pessoas. É dizer: Venezuela e Brasil têm em comum o fato de se enfrentarem com uma extrema-direita disposta a aliar-se ao imperialismo para matar seu povo.
Chama à atenção também como a crise de poderes na Venezuela em 2016, com a disputa entre Executivo, Judiciário e a Assembleia Nacional, é semelhante à recente crise de poderes no Brasil em torno do tema da anistia: como escrevia Monica Yanakiew então, “a nova Assembleia Nacional, de maioria opositora, aprovou uma lei de anistia e reconciliação nacional para libertar mais de 100 de seus líderes acusados de conspirar contra o governo ou incentivar a violência.
Maduro não só vetou a lei, como afirmou que o Parlamento carece de legitimidade porque desacatou uma ordem do Supremo Tribunal. O conflito de Poderes se deu quando três deputados oposicionistas, cuja eleição foi questionada pela Justiça, tomaram posse – apesar de a Justiça ter decidido o contrário. A oposição acusa o Judiciário de estar a serviço de Maduro e considera que a suspensão do referendo revogatório foi uma manobra para adiar a sua realização.” Hoje, os Estados Unidos, citando “preocupações com a democracia e a liberdade”, impõem tarifas ao Brasil, em conluio com a extrema-direita nativa, que as solicita. Se Trump pode movimentar navios de guerra e autorizar operações da CIA contra a Venezuela sob a fachada da defesa da democracia, porque não poderia fazê-lo também contra o Brasil? Mais importante do que dizer que os EUA mentem, seja sob a desculpa de “combater o narcotráfico e o terrorismo”, seja sob a fachada da defesa da democracia, é reconhecer que podem mentir sobre qualquer um.
Mas há mais razões pelas quais um ataque de Trump contra a Venezuela afetaria o Brasil. Qualquer ação militar contra a Venezuela imediatamente tensionaria os 2,2 mil km de fronteiras de nossos países, nos estados de Roraima e Amazonas – para que se tenha dimensão, trata-se de uma fronteira maior que a que separa Rússia e Ucrânia, de 1,9 mil km. A possibilidade de eventuais combates na proximidade das fronteiras dos países e especialmente o quase certo aumento do fluxo migratório obrigariam um reforço da presença militar brasileira na região – imaginar uma eventual operação de Garantia da Lei e da Ordem em tal cenário, e um fortalecimento da tutela dos militares frente ao governo, sempre auxiliada pelo atual ministro da Defesa, José Múcio, não é absurdo.
Na medida em que a guerra se instaurasse no país vizinho e a importância e peso das Forças Armadas aumentasse repentinamente na cena política brasileira, estaria desfeito todo o esforço do governo Lula, desde que tomou posse, para cozinhar a questão militar em banho-maria; ao mesmo tempo, o fato de não ter avançado nenhuma reforma relevante nas Forças Armadas restringiria, neste cenário, as opções estratégicas do próprio governo quanto a como atuar frente à agressão americana. Ou por acaso é lícito supor que os militares brasileiros aceitariam tranquilamente, por exemplo, reforçar as linhas logísticas de uma Venezuela sob ataque norte-americano, se esta fosse a decisão do presidente?
É provável ainda que uma agressão à Venezuela levasse a um cenário de guerra prolongada ou de guerra civil no país, tornando a necessidade de reforçar a presença militar do lado brasileiro mais perene.
O elemento mais importante da Defesa venezuelana do ponto de vista estratégico é a Milícia Nacional Bolivariana (MNB), braço de reserva e não-convencional integrado aos outros componentes da Força Armada Nacional Bolivariana, mas relativamente autônomo. Formada por voluntários, reservistas e civis, a MNB é voltada para o combate irregular num cenário de agressão ao país; é o componente responsável por tornar cada cidadão um possível combatente.
Como escreveu Euclides Vasconcelos nesta Revista Opera, “são grupos pequenos e destinados a funções concentradas, como a defesa de uma fábrica ou estrada de importância estratégica ou ainda, se necessário for, a destruição desta mesma fábrica ou estrada para evitar que caiam em mãos inimigas. Esse caráter concentrado equivale à noção de ‘vespeiro’ onde a população em armas é a responsável por importunar as forças inimigas onde quer que elas estejam. Assim, mesmo que as forças armadas do país sejam derrotadas, o processo de ocupação inimiga será por demais custoso.”
Em agosto, o presidente venezuelano Nicolás Maduro anunciou a mobilização de 4,5 milhões de tropas na MNB. O site venezuelano TalCual estimou o contingente em 700 mil; a CIA, entre 200 e 225 mil. Independentemente de qual seja a cifra real, estamos falando de centenas de milhares de venezuelanos comuns, dispostos e com preparo prévio para atuar no apoio às forças convencionais, como forças guerrilheiras ou clandestinamente em ações de sabotagem, assassinatos, atentados, etc.:
Significa dizer que qualquer um que busque ocupar militarmente o terreno venezuelano haverá de supor que sua retaguarda virtualmente está sempre prejudicada; que o inimigo pode ser qualquer um; o taxista, a aposentada, a camponesa, o indígena. Em resumo, a Milícia Nacional Bolivariana é quase uma garantia de que uma agressão em terra seria confrontada por uma guerra irregular de caráter prolongado. E mesmo que alcançasse o objetivo de implodir rapidamente o centro de poder do país, a perspectiva de uma guerra civil, possivelmente envolvendo grupos militares diversos, não seria tampouco descartável.
A probabilidade da instauração de um desses cenários impõe, a partir do campo militar, um provável esgotamento dos objetivos políticos de uma agressão à Venezuela – isto é, a exploração de suas reservas de petróleo, as maiores do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris –, na medida em que a estabilidade da produção e especialmente do escoamento da commodity estaria ameaçada. O Cinturão de Orinoco, onde o grosso da reserva de petróleo venezuelano está localizada, cobre uma área de 55 mil quilômetros quadrados, se estendendo por quatro estados venezuelanos, com uma área produtiva disposta em 11,5 mil quilômetros quadrados. Por sua vez, a menor distância entre o campo e a costa caribenha em linha reta se estende por cerca de 140-160 quilômetros, oferecendo amplas oportunidades para ações de sabotagem.
Mapa do Norte da Venezuela, mostrando a Faixa Petrolífera do Orinoco (em vermelho) e suas quatro principais áreas: Machete, Zuata, Hamaca e Cerro Negro. (Fonte: Definition of a 3D Integrated Geological Model in a Complex and Extensive Heavy Oil Field, Oficina Formation, Faja de Orinoco, Venezuela – Jean-Paul Bellorini, Jhonny E. Casas, Patrick Gilly, Philippe Jannes, Paul Matthews, David Soubeyrand e Juan Carlos Ustariz)
O Brasil como mediador Não parece casuístico que a “química” entre Trump e Lula tenha surgido no mesmo momento em que as operações norte-americanas no Caribe avançavam, nem que Trump tenha reduzido as tarifas contra o Brasil ao mesmo tempo em que desloca o maior porta-aviões do mundo para o Caribe: a irresistível “química” parece ter outro nome; Venezuela. O ataque tarifário ao Brasil e o ensaio de cerco naval à Venezuela se coadunam em dois sentidos: num deles, os ataques ao vizinho relembram ao Brasil tarifado até onde os EUA podem ir, estimulando que o governo Lula se disponha à negociação; no outro, as tarifas servem de alavanca para que o Brasil adote uma postura mais amigável a Washington na questão venezuelana, com a retirada das tarifas servindo como estímulo.
Durante os governos Bush (2001-2009) e os dois primeiros mandatos de Lula (2002-2010), o Brasil se posicionou como um mediador nas relações entre EUA e Venezuela, buscando – e em boa medida conseguindo – restringir as tensões entre os países. Efetivamente, a diplomacia brasileira usava as posições antiimperialistas venezuelanas e seu ensejo integracionista, que avançava na forma de parceria com países latino-americanos, especialmente no Caribe e na América Central, como forma de se credenciar com os EUA como um parceiro alternativo na região – o que incluiu algum nível de coordenação do Brasil com os EUA sobre a Venezuela, com o Brasil atuando por vezes como garoto de recados de Washington. Lula manteve boas relações comerciais e diplomáticas com Chávez, mas buscou também se diferenciar e superar a influência do líder bolivariano na região, e houve episódios de tensão entre os países: como nas críticas venezuelanas às parcerias Brasil-EUA em torno do etanol e a convocação do embaixador venezuelano após Chávez criticar o Congresso brasileiro.
Hoje, o espaço para a mediação é muito menor. Não só pelas “tensões” já envolverem ações militares e a promessa de uma intervenção direta, mas também porque o Brasil, no terceiro mandato de Lula, vem fustigando a Venezuela com recorrência, como se viu na posição adotada pelo governo após as eleições venezuelanas e no veto à entrada do país no BRICS. Assim, qualquer mediação brasileira deverá ser vista pela Venezuela com um pé atrás, e com razão: o Brasil adotou tais posições, afinal, sem as pressões de Trump; que estaria disposto a fazer sob elas?
Ao fim, seja qual forma ele termine por tomar, o ataque à Venezuela é um ataque ao Brasil, não só na medida em que é uma demonstração do que o império poderia fazer contra nós, mas também na medida em que nos influencia direta e gravemente – inclusive com efeitos na cena política interna do Brasil.
O governo Lula até pode buscar agir como mediador, mas mesmo isso exige tomar uma postura clara de solidariedade prática com a Venezuela – o país agredido unilateralmente por Trump, não o agressor – e contra o intervencionismo que, afinal, também atinge o Brasil. Qualquer afabilidade com uma agressão imperialista a qualquer país da região, além de ser vista como a traição que efetivamente seria por todos os outros países, na prática estimulará o intervencionismo trumpista também contra o Brasil, quando o momento lhe convir.
*Pedro Marin/Opera Mundi
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Israel impõe restrições à pesca em Gaza por meio de um bloqueio naval desde 2007, limitando a zona permitida (que varia de 3 a 15 milhas náuticas ou até proibição total em 2025).
Há relatos de incidentes em que a marinha israelense atira em pescadores que ultrapassam esses limites, resultando em mortes e ferimentos.
Relatos consistentes de organizações como a ONU, Human Rights Watch e grupos locais documentam incidentes em que a marinha israelense dispara contra pescadores que ultrapassam os limites ou se aproximam deles, resultando em mortes, ferimentos e danos a embarcações.
Por exemplo, relatórios de 2020-2024 indicam casos de pescadores mortos ou feridos, com embarcações confiscadas ou destruídas. Em 2025, a situação permanece tensa, com restrições agravadas em períodos de limpeza étnica.
Não há dados precisos de 2025 nos resultados disponíveis, mas o padrão histórico sugere continuidade desses assassinatos de Israel a sangue frio.
O sofrimento humano gerado pela monstruosidade dessas ações sionistas é inegável e injustificável para qualquer ser minimamente decente.
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Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em nove cidades de quatro estados brasileiros
A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou que um dos alvos da operação que frustrou um atentado ao show da cantora Lady Gaga, nesse sábado (3/5), também planejava cometer outro ato brutal: a execução de uma criança em tempo real por meio de uma transmissão ao vivo nas redes sociais. A descoberta foi feita durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão no município de Macaé, interior do Rio de Janeiro, como parte da Operação Fake Monster, deflagrada em conjunto com o Ministério da Justiça.
O indivíduo investigado era parte de um grupo extremista que atuava em fóruns e plataformas digitais, promovendo crimes de ódio, radicalização de adolescentes e incitação à violência contra públicos vulneráveis, como crianças, jovens e a comunidade LGBTQIA+.
As autoridades relataram que o suspeito de Macaé não apenas aderiu aos planos de atentado ao evento da cantora pop, mas também fazia publicações nas quais ameaçava assassinar uma criança durante uma transmissão ao vivo.
Segundo os investigadores, o conteúdo encontrado nas redes do investigado e nos dispositivos eletrônicos apreendidos traz indícios de uma rede digital estruturada para disseminar violência, estimular automutilação, compartilhar pornografia infantil e fomentar atentados com uso de armas caseiras e coquetéis molotov, segundo o Metrópoles.
Além do suspeito de Macaé, outras ações da operação resultaram na prisão de um homem no Rio Grande do Sul, identificado como líder do grupo, e na apreensão de um adolescente no Rio de Janeiro por armazenar material de abuso sexual infantil. Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em nove cidades de quatro estados brasileiros.
A polícia identificou que o grupo agia como uma célula radical voltada para a notoriedade digital. Os ataques, que incluíam planos para atentados em eventos de grande visibilidade, eram tratados como “desafios coletivos” com o objetivo de ganhar atenção e seguidores nas redes sociais. O conteúdo compartilhado entre os membros envolvia apologia ao nazismo, racismo, homofobia e incentivo à violência extrema.
Ofensiva ocorre no dia em que Kiev e Washington iniciam discussões sobre cessar-fogo; segundo Kremlin, agressão ucraniana atrapalha acordo de paz.
As forças ucranianas lançaram um ataque massivo de drones em várias regiões da Rússia ao longo da madrugada desta terça-feira (11/03), deixando ao menos duas pessoas mortas e outras 18 feridas, incluindo três crianças. O Ministério da Defesa russo informou ter conseguido abater um total de 337 drones inimigos, no maior ataque registrado em seu território desde o início da guerra, em fevereiro de 2022.
Do montante, 91 drones foram interceptados na área metropolitana de Moscou, região que geralmente não é visada por Kiev, provocando incêndios, destruição de prédios e fechamento de aeroportos. Na capital russa, uma pessoa foi morta, de acordo com a autoridade local. O presidente russo Vladimir Putin classificou a ofensiva como o “ataque mais significativo” da Ucrânia contra a cidade.
De acordo com Kiev, os bombardeios devem “incentivar” Putin a aceitar uma trégua aérea, cuja proposta será debatida nesta terça-feira entre as delegações ucraniana e norte-americana na Arábia Saudita. Por outro lado, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, ressaltou em coletiva que a Ucrânia está “atrapalhando” uma “tendência emergente em direção a um acordo de paz” com a recente ofensiva.
O representante russo também não respondeu se Putin aceitaria um cessar-fogo parcial proposto pela Ucrânia, conforme as informações da agência estatal TASS.
“É impossível falar de posicionamentos agora. Os norte-americanos, segundo eles, estão tentando entender quão pronta está a Ucrânia para as negociações de paz”, declarou Peskov, referindo-se ao encontro entre representantes de Volodymyr Zelensky e Donald Trump no país árabe.
Ainda nesta terça-feira, o alto funcionário ucraniano, Andrii Yermak, manifestou à imprensa em Jeddah que Kiev sinaliza abertura para negociar uma trégua.