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Carnaval é tão democrático que até Vera Magalhães arrisca dar opinião

Uma jornalista, que tem como profissão ser rapapé da elite brasileira, ter opinião sobre uma festa popular, sobretudo desfile de escolas de samba, onde os protagonistas, na imensa maioria, são das camadas pobres da população, é de fazer pensar.

Vera Magalhães, a mesma que disse, às vésperas da eleição de 2018, na disputa entre Haddad e Bolsonaro, era uma “escolha difícil” e, em 2022, num debate, foi chutada pelo mesmo Bolsonaro quando dirigiu sua pergunta a ele, é outra que sonha com o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói para colocar a culpa em Lula.

Sim, na direita, a coisa está tão feia que anda nesse nível por não ter qualquer projeto de país para se opor ao PT, então, carnavaliza tudo como um desfile de insanidades nada elegantes, saídos da cachola de gente do mesmo naipe como Vera Magalhães, Silas Malafaia, andreazza, Merval, assim como Edir Macedo e Valadão, padrinho de Vorcaro, do Banco Master.

Para essa gente, não importa o tema do enredo, só o da Acadêmicos de Niterói, mais precisamente nas alas em que exalta Lula e detona Bolsonaro. São os ratos de salão debatendo as manifestações do asfalto.

Essa gente, que não tem afinidade racia, política e cultural com a escola de samba, resolveu pintar seu provincianismo nas telas multifacetadas do próprio carnaval, sem abrir mão do temperamento carregado de ódio contra o povo que desfila no maior espetáculo da terra

A sobrevivência dessa gente, seja no campo “espiritual ou jornalística”, depende da distorsão dos fatos, dos intermúndios que povoam as sombras e larvas dessas almas errantes, que desonram tanto o papel do jornalismo quanto o das religiões e da religiosidade do povo brasileiro.

Muito a contragosto esses jornalistas tivram que assistir ao fesfile, quando, na verdade, gostariam mesmo é de bejar os pés dos figurões do mercado, dos “donos da terra”, da Faria Lima/fintechs/PCC, mostrando a carnavalização no sentido pejorativo das redações do baronato midiático e dos templos comandados pelos charlatães do falso cristianismo, que formam a grande alegoria da direita brasileira.


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Um lacaio dos EUA arrotando soberania na ONU

O ódio de Bolsonaro contra a natureza, falseando soberania, em embate com grandes potências, agredindo os índios brasileiros em nome do patriotismo, em suas labaredas retóricas extraídas da xepa da ditadura militar, não conseguiram esconder o lacaio dos EUA que gritava na tribuna da ONU em nome de uma soberania de arrotos.

O grau mais alto de suas inúmeras mentiras, foi o do Bolsonaro patriota, de um Brasil soberano.

Não foi preciso prestar muito atenção no discurso de Bolsonaro para se chegar a uma conclusão que, fora do quadro pintado por ele atestava-se um presidente típico dos ditadores latino-americanos do século passado que se colocavam como tapetes dos presidentes norte-americanos para serem usados como limpa-trilhos de suas botas.

Bolsonaro quis enfeitar seu fracassado governo de glórias bancando um burro de carroça que oferece montaria a Donald Trump. Uma coisa que substitui qualquer história de submissão de que se tem notícia.

Aquele amontoado de mentiras, de vigarices, típicas de um político do baixo clero, falando em nacionalismo e entregando o país nas mãos das grandes corporações americanas revelou ao mundo um tutor primitivo das políticas imperialistas dos EUA na América Latina. Uma espécie de frouxidão com ênfase no mais constrangedor rapapé que um brasileiro provinciano pode produzir de forma personalíssima.

 

 

*Carlos Henrique Machado Freitas