Presidente dos EUA afirma que forças estadunidenses ‘propositalmente ainda não tocaram’ em alvos estratégicos como usinas de dessalinização e poços de petróleo
O presidente Donald Trump ameaçou nesta segunda-feira (30/03) destruir “completamente” a ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do Irã, e outros importantes locais de produção de energia no país, caso Teerã não concorde com um acordo de paz e não ponha fim ao bloqueio de fato do Estreito de Ormuz.
Em uma publicação nas redes sociais, ele afirmou que os Estados Unidos fizeram “grandes progressos” nas negociações com “UM NOVO REGIME, MAIS RAZOÁVEL” no Irã e que um acordo provavelmente será “alcançado em breve”.
Mas ele também reiterou as ameaças de destruição extrema contra alvos iranianos que, segundo ele, as forças armadas dos EUA “propositalmente ainda não tocaram” desde o início dos bombardeios contra o Irã, realizados em conjunto com Israel há mais de um mês. Esses alvos incluíam a Ilha de Kharg, usinas de energia elétrica, poços de petróleo e “possivelmente todas as usinas de dessalinização”, afirmou.
Em uma entrevista publicada no domingo (29/03), Trump sugeriu que Washington poderia tentar tomar a Ilha de Kharg, que surgiu como um alvo potencial para as forças armadas estadunidenses. “Talvez tomemos a Ilha de Kharg, talvez não”, disse Trump ao Financial Times. “Temos muitas opções”.
Vale relembrar que os EUA bombardearam a ilha em um dos ataques de março, concentrando-se em suas instalações militares, enquanto deixaram intactas as instalações de exportação de petróleo.
*Opera Mundi
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A conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) vive um impasse e, apesar de a reunião já ter superado o prazo para seu encerramento neste domingo, os governos ainda não conseguiram chegar a um acordo. O centro é a recusa do Brasil e de outros países de aceitar um pacote que privilegie apenas uma moratória de impostos sobre serviços digitais – defendido pelos EUA -, por um tempo indeterminado e sem lidar com as tarifas contra produtos agrícolas.
O encontro se transformou numa espécie de teste para a sobrevivência da OMC.
O governo de Donald Trump queria o acordo de uma moratória para que nenhuma taxa fosse cobrada para produtos digitais, de forma indefinida e atendendo às empresas do setor de Big Techs.
Mas o governo brasileiro é contra, com uma avaliação de que essa moratória possa valer por apenas dois anos.
Ao longo dos últimos dias, a posição americana mudou para aceitar a isenção de taxas por quatro ou cinco anos. Mas, ainda assim, países em desenvolvimento se recusam a aceitar, sem contrapartidas.
Num discurso no dia 28 de março, o chanceler brasileiro Mauro Vieira alertou sobre o mal-estar que a posição de alguns membros poderia gerar e fez uma vinculação a outros setores das negociações.
“Os membros não podem perder de vista a obrigação contida no Artigo 20 do Acordo sobre Agricultura, que os orienta a aprofundar a reforma de forma a liberalizar ainda mais o comércio agrícola e reduzir os níveis de apoio e práticas que distorcem o comércio”, defendeu Vieira.
“A agricultura é o setor que menos progrediu durante os 30 anos de existência da OMC. Não podemos permitir que isso continue. Devemos encontrar o compromisso certo que dê início às negociações na Sessão Especial do Comitê de Agricultura e garantir que a agricultura não seja deixada de lado no contexto da reforma da OMC”, insistiu.
Segundo ele, o Brasil está pronto para aceitar uma declaração final da conferência. Mas alertou que “a agricultura não pode ser tratada de forma diferente de outros setores, como bens e serviços industriais ou a economia digital”.
“De fato, o progresso na agricultura seria uma enorme contribuição para o sistema de comércio internacional baseado em regras, nivelando o campo em termos de eficiência e desenvolvimento”, disse.
Ele, porém, alertou que outros países defendiam “uma moratória na aplicação de tarifas de importação sobre transmissões eletrônicas, enquanto mantêm as tarifas agrícolas o mais altas possível”.
“Isso inevitavelmente levanta questões de equilíbrio e equidade. Ao abordar um mandato sobre agricultura, precisamos ir além da fixação em palavras específicas e evitar ficar presos a compromissos ou modalidades iniciais”, insistiu.
“Precisamos chegar a um consenso e concordar com uma base equilibrada para discussões e um plano de trabalho que possa recolocar a agricultura no radar da OMC”, afirmou.
*Jamil Chade/ICL
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Guarda Revolucionária adverte professores e estudantes de faculdades israelenses e norte-americanas a manterem distância das unidades educacionais
A Guarda Revolucionária do Irã declarou neste domingo (29/03) que considera as universidades israelenses e norte-americanas no Oriente Médio “alvos legítimos”, em resposta aos recentes bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra instituições de ensino iranianas.
A denúncia contida no 50º comunicado da Guarda Iraniana alerta as autoridades israelenses e norte-americanas sobre os limites impostos pelo recente ataque à Universidade de Ciência e Tecnologia de Teerã.
Em comunicado divulgado pela agência de notícias Tasnim, ligada à força de elite iraniana, “todos os trabalhadores, professores e estudantes de universidades norte-americanas na região e moradores das proximidades” foram alertados para se manter a mais de um quilômetro de distância dessas instituições.
A medida é uma resposta ao ataque de sábado, 23 de março, contra a Universidade de Ciência e Tecnologia de Teerã, e ao atentado contra a Universidade de Tecnologia de Isfahan na quinta-feira, 20 de março. Embora não tenha havido vítimas fatais, o Irã descreveu os ataques como uma grave violação da educação e da pesquisa científica.
A declaração estabelece uma condição clara: se o governo dos Estados Unidos não condenar oficialmente os bombardeios até o meio-dia de segunda-feira, 30 de março, e não impedir que seus aliados ataquem instituições de ensino, “a ameaça permanece e será concretizada ”. Nesse sentido, exige que duas universidades estrangeiras sejam atacadas em retaliação para cada instituição iraniana destruída.
Este alerta surge após a 85ª onda de retaliação iraniana ao ataque lançado em 28 de fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram uma ofensiva conjunta contra a nação persa. As tensões persistem, com o presidente norte-americano Donald Trump também ameaçando bombardear usinas de energia iranianas caso Teerã não reabra o Estreito de Ormuz até 6 de abril.
*Operqa Mundi
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Mais de 3 mil manifestações estão previstas em todo o país em rechaço à política interna e externa de Washington; em Minneapolis, ato contará com presença de Bernie Sanders, Bruce Springsteen, Jane Fonda e Joan Baez
Mais de 3 mil protestos contra o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, estão programados em várias regiões dos Estados Unidos, neste sábado (28/03). Sob o lema “No Kings”, os atos visam denunciar a concentração de poder no Executivo e a condução de medidas agressivas na política externa, comércio e imigração.
A iniciativa reúne uma ampla coalizão de grupos progressistas e movimentos sociais, que apontam o governo Trump como um risco às instituições democráticas e aos mecanismos de controle do poder. “Trump quer nos governar como um tirano. Mas estes são os Estados Unidos, e o poder pertence ao povo — não àqueles que aspiram a ser reis ou a seus aliados bilionários”, afirma a plataforma do movimento.
Minneapolis A organização dos atos deste sábado está a cargo de redes como MoveOn, Indivisible e 50501, que vêm estruturando a mobilização com foco em participação ampla e caráter pacífico. Um dos maiores protestos do movimento “No Kings” acontecerá em St. Paul, Minneapolis, nas proximidades onde agentes de imigração assassinaram os cidadãos estadunidenses Renee Good e Alex Pretti, em janeiro.
Entre os artistas e oradores que se apresentarão em St. Paul estarão o senador Bernie Sanders, Bruce Springsteen, Jane Fonda e Joan Baez. Atos também estão previstos em redutos republicanos, como Flórida e Texas, sinalizando uma capilaridade nacional do movimento.
A Casa Branca reagiu com desdém às mobilizações. Em comunicado, a porta-voz Abigail Jackson afirmou que “os únicos interessados nessas sessões de terapia de delírios de Trump são os jornalistas pagos para cobri-las”, minimizando a relevância política dos protestos.
Protestos Segundo Randi Wingarten, presidente da Federação Americana de Professores (AFT), com esses atos, os norte-americanos estão dizendo a Trump: “você foi eleito para nos ajudar e ajudar nossas famílias a termos uma vida melhor, não para ajudar os bilionários, não para criar robôs como professores, não para simplesmente criar maneiras de você e sua família ficarem ricos”.
“É por isso que cada vez mais pessoas o veem como um rei”, destacou Wingarten ao Democracy Now. “Precisamos encontrar uma maneira de nos sustentar. Não queremos uma guerra que custe bilhões de dólares. Não queremos uma guerra que aumente o preço da gasolina”, acrescentou.
Este é o terceiro grande ciclo de protestos do movimento “No Kings”. A primeira mobilização ocorreu em junho de 2025, coincidindo com um desfile militar organizado por Trump em Washington; outra grande jornada de protestos ocorreu, em outubro, reunindo milhões de pessoas em todos os 50 estados do país.
*Opera Mundi
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Yair Lapid afirmou que forças israelenses estão operando ‘além da capacidade’; chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, também alertou para ‘colapso’ do setor
O principal líder da oposição em Israel, Yair Lapid, acusou o governo do premiê Benjamin Netanyahu de conduzir Israel a um ‘desastre de segurança’ na guerra que trava contra o Irã e o Hezbollah no Líbano. A declaração ocorre um dia após o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir, manifestar preocupação com um ‘colapso’ no setor.
Em vídeo divulgado nesta quinta-feira (26/03), Lapid afirmou que ofensiva está provocando um número excessivo de vítimas e as Forças Armadas israelenses “estão no limite e além dele”. “O governo está enviando o Exército para uma guerra em várias frentes sem uma estratégia, sem os meios necessários e com um número muito reduzido de soldados”, denunciou.
Lapid, informa a Al Jazeera, tem criticado frequentemente a condução do governo israelense nas guerras que trava na região, embora continue apoiando as ofensivas militares de Israel em Gaza, no Irã, no Líbano e em outros lugares.
As declarações de Lapid ocorrem após os comentários vazados do chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, na quarta-feira (25/03).
‘Colapso’ Segundo informações do Canal de Notícias 13, veiculadas na imprensa israelense, durante uma reunião do Gabinete de Segurança israelense, nesta quarta-feira (25/03), Zamir alertou que as Forças Armadas do país “entrarão em colapso”, devido às crescentes demandas operacionais e à escassez de pessoal.
“Estou levantando 10 bandeiras vermelhas diante de vocês”, teria dito Zamir, ao defender que as Forças de Defesa de Israel “precisam de uma lei de recrutamento obrigatório, uma lei sobre o serviço na reserva e uma lei para estender o serviço obrigatório”.
“Em breve, as Forças de Defesa de Israel não estarão prontas para suas missões de rotina e o sistema de reservas não se sustentará”, afirmou.
Segundo The Times of Israel, desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, os militares israelenses têm repetidamente informado aos legisladores que lhes faltam 12.000 soldados para compor as várias frentes militares levantadas pelo país na região.
*Opera Mundi
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Flávio e Eduardo Bolsonaro fazem pressão nos EUA por ação sobre terrorismo
Membros do governo brasileiro temem que a baixa popularidade de Donald Trump nos EUA e o impasse na guerra no Irã possam levar o republicano a fazer “novas aventuras” na América Latina.
A avaliação de Brasília é de que, diante do conflito, a “grande perdedora” por enquanto tem sido a credibilidade do presidente dos EUA como parceiro internacional e mesmo de imagem perante seu próprio eleitorado.
A preocupação, portanto, é de que a região seja usada para “salvar” a reputação de Trump como líder de um esforço para retomar uma postura de hegemonia no mundo. Atos “diversionistas” poderiam ser usados para tirar o foco da opinião pública dos EUA da crise no Irã.
Nesta semana, pesquisas apontaram que 59% dos americanos desaprovam o governo Trump, o pior índice do republicano em seus dois mandatos. Se não bastasse, cresce a resistência da opinião pública dos EUA diante de uma guerra no Irã que começa a se prolongar, sem uma solução em vista.
A avaliação do governo é que pode existir algum tipo de ingerência dos EUA nas eleições na Colômbia, ainda que de forma sutil. Nos últimos meses, a realidade é que o presidente colombiano Gustavo Petro se beneficiou na opinião pública do embate com Trump. Mas, nas eleições de maio, não se descarta alguma ação por parte da Casa Branca, ainda que não seja no uso de militares.
Uma situação ainda mais crítica vive Cuba. O Brasil notou que, diante do impasse no Irã, o governo americano voltou a falar publicamente sobre a ilha no Caribe.
Flávio e Eduardo Bolsonaro nos EUA Outro fator que está sendo acompanhado de perto pelo governo Lula é a ação de Flávio e Eduardo Bolsonaro nos EUA. Neste fim de semana, os dois estarão na reunião da ultradireita norte-americana, no Texas, e Brasília acredita que vão fazer campanha para que os EUA declarem o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas.
Brasília acredita que, enquanto houver uma negociação entre Brasil e EUA nesse aspecto, a Casa Branca irá evitar seguir o caminho proposto pelos filhos do ex-presidente brasileiro. A estratégia que o Brasil usa é a de tentar talhar o lobby bolsonarista, ocupando o espaço político na relação bilateral.
Caso haja uma ofensiva de Trump nesse aspecto, a preocupação mais imediata do Brasil é de que sanções financeiras sejam estabelecidas contra empresas nacionais.
Existe ainda, num médio prazo, o risco de que isso seja transformado em instrumento para justificar uma ação militar contra focos específicos no país.
*Jamil Chade/ICL
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Eixo da Resistência realiza novas ondas de ataques com mísseis de precisão contra instalações militares em territórios ocupados e bases norte-americanas da região
As forças armadas da República Islâmica do Irã, em coordenação com o Eixo da Resistência, intensificaram suas operações de retaliação contra alvos estratégicos de Israel e das forças de ocupação norte-americanas. Nesse contexto, Teerã rejeitou uma proposta de cessar-fogo dos EUA, denunciando a tentativa de Washington de impor termos de rendição previamente descartados.
Desde o início das hostilidades, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) realizou 82 ondas de ataques utilizando armas guiadas de precisão. Essas operações atingiram instalações militares importantes nos territórios ocupados e bases de ocupação dos EUA na região, deixando claro que, apesar da retórica triunfalista e contraditória de Washington, a resistência mantém a iniciativa estratégica e operacional em toda a frente de batalha.
As defesas aéreas iranianas, como parte da Operação True Promise 4, marcaram um novo marco estratégico ao abater um quarto caça F-18 norte-americano sobre Chabahar. O ataque, realizado com sistemas de fabricação nacional, demonstra a vulnerabilidade da tecnologia do agressor às avançadas capacidades defensivas da República Islâmica.
O Hezbollah e a Resistência Iraquiana juntam-se à frente A frente de resistência expandiu-se com a participação ativa do Hezbollah no Líbano e da Resistência Islâmica no Iraque, que infligiram danos significativos às capacidades logísticas e militares do inimigo.
O Hezbollah tem concentrado seus ataques em instalações militares israelenses ao longo da fronteira norte dos territórios ocupados. Essas ações são uma resposta ao assassinato do Líder da Revolução Islâmica, o Aiatolá Seyyed Ali Khamenei, e um protesto contra as violações sistemáticas do cessar-fogo por Tel Aviv ao longo do último ano.
Entretanto, grupos de resistência iraquianos mantêm operações diárias, direcionando seus projéteis contra alvos militares dos EUA tanto em território iraquiano quanto em outros países árabes da região.
Ataques e defesas de precisão As ondas 80 e 81 da Operação True Promise 4 empregaram mísseis de precisão (Emad, Qiam, Khorramshahr 4) e drones para atingir mais de 70 pontos estratégicos nos territórios ocupados.
As forças iranianas lançaram ataques diretos contra locais estratégicos nos territórios ocupados, atingindo centros de comando em Safad, Tel Aviv, Haifa, Dimona e Kiryat Shmona. A ofensiva afetou infraestruturas críticas de defesa aérea, fábricas de drones pertencentes à Associação da Indústria Aeroespacial (IAI) e diversas bases logísticas ligadas ao Mossad.
Em paralelo, a operação estendeu-se a instalações militares norte-americanas na região, com impactos registados nas bases de Ali Al-Salem e Arifjan, no Kuwait, Al-Azraq, na Jordânia, e Sheikh Isa, no Bahrein. Além disso, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) confirmou o abate de um caça estratégico F-18 americano, após este ter sido interceptado sobre o espaço aéreo de Chabahar.
Na área de segurança interna, as autoridades iranianas desmantelaram uma rede terrorista em Semnan composta por sete mercenários com ligações diretas a serviços de inteligência estrangeiros . Segundo o relatório, o grupo contava com financiamento externo e treinamento especializado para realizar atos de sabotagem, fabricando dispositivos explosivos.
A Resistência Islâmica do Hezbollah intensificou sua defesa no sul do Líbano, conseguindo destruir oito tanques Merkava em Al-Qawzah e Taybeh , enquanto realizava ataques combinados com drones e artilharia contra tropas no norte da Palestina e nas Colinas de Golã ocupadas.
Por fim, a Resistência Islâmica no Iraque juntou-se à ofensiva, atacando a base norte-americana “Victoria” em Bagdá e os centros operacionais do Mossad em Erbil.
O Irã rejeita as exigências de Trump para o fim da guerra A República Islâmica do Irã rejeitou a proposta de cessar-fogo de 15 pontos do governo Trump, classificando-a como uma tentativa de rendição dissociada da realidade militar. Um porta-voz oficial declarou à Press TV que “o Irã não permitirá que Donald Trump dite quando a guerra termina; o Irã a encerrará quando decidir e quando suas próprias condições forem atendidas “, descartando quaisquer negociações que possam prejudicar seu programa de defesa soberana.
Como condições inegociáveis para a paz, Teerã exige a cessação completa das hostilidades, o pagamento de reparações de guerra e o fechamento permanente das bases militares americanas na região. Além disso, reafirmou seu controle legal sobre o Estreito de Ormuz e denunciou as alegações da Casa Branca sobre negociações diretas como uma manobra de propaganda para mascarar o fracasso da Operação Epic Fury no campo de batalha.
Trump envolto em contradições O governo Trump mantém uma postura contraditória, alegando que sua Operação Epic Fury está perto de atingir seus objetivos, enquanto simultaneamente reconhece sua incapacidade de restabelecer o trânsito pelo Estreito de Ormuz. Embora a Casa Branca afirme ter enfraquecido Teerã, a secretária de imprensa Karoline Leavitt admitiu que o governo dos EUA não tem uma data prevista para garantir o transporte de petróleo , demonstrando que o controle dessa via navegável estratégica permanece sob a soberania iraniana.
A tentativa de Washington de fabricar um cenário diplomático favorável esbarrou na realidade depois que o Ministério das Relações Exteriores iraniano refutou as alegações de Trump sobre conversas positivas durante o fim de semana. Teerã esclareceu que recebeu apenas mensagens unilaterais dos EUA expressando o desejo de diálogo, caracterizando a narrativa da Casa Branca como uma manobra midiática para obscurecer a resistência do Irã à agressão estrangeira.
A retórica imperialista oscila entre uma suposta preferência pela paz e ameaças de ataques “mais fortes do que nunca” caso o Irã não aceite uma rendição disfarçada de acordo. Essa postura ignora o fato de que a escalada foi iniciada pelos EUA e por Israel com bombardeios que resultaram em vítimas civis em Teerã; agressões que provocaram uma forte resposta defensiva da Resistência contra instalações militares americanas em toda a região do Oriente Médio.
Por fim, o fracasso estratégico da intervenção fica evidente na esfera econômica global com a alta dos preços da energia devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Apesar do triunfalismo americano, a realidade no terreno demonstra que a soberania do Irã sobre suas águas territoriais permanece intacta, deixando o governo Trump preso a uma narrativa de força que não se traduz em vitórias tangíveis.
Defesas iranianas abatem o quarto caça F-18 dos EUA A Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) alcançou um novo marco defensivo na quarta-feira ao abater um caça estratégico F-18 das Forças Armadas dos EUA. A aeronave invasora foi interceptada com precisão sobre Chabahar, no sul do Irã, e posteriormente caiu no Oceano Índico, demonstrando a alta capacidade de resposta da rede integrada de defesa aérea iraniana.
Esta operação marca o quarto abate bem-sucedido de caças estratégicos pertencentes às forças hostis de Washington e Tel Aviv no contexto do conflito atual. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) enfatizou que o ataque foi realizado utilizando um novo e avançado sistema de defesa aérea de fabricação inteiramente nacional, reafirmando a independência tecnológica da República Islâmica diante da agressão imperialista.
Com essa ação, as defesas aéreas do Irã consolidam um histórico de resistência que já resultou na derrubada de quase 140 drones americanos e israelenses até o momento. Teerã descreveu a operação como motivo de orgulho, pois demonstra a vulnerabilidade dos sistemas de guerra ocidentais à determinação soberana dos povos que defendem seu território.
É crucial enfatizar que a atual demonstração de determinação e as operações retaliatórias da República Islâmica são motivadas pela necessidade de defender sua soberania após as agressões ilegais perpetradas pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro.
Esses ataques, que violaram flagrantemente o direito internacional, resultaram em um trágico número de mortes de aproximadamente 1.300 até o momento, incluindo civis e militares. Diante desse cenário de cerco criminoso, Teerã reafirma que suas ações não são meramente uma resposta militar, mas um ato de justiça e resistência contra uma coalizão que busca desestabilizar a região ao custo de vidas humanas.
*Opera Mundi
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Em entrevista exclusiva, oficial da organização xiita iraquiana Badr revela o papel do Iraque na guerra do Irã e aponta para risco de expansão do conflito
requentemente ignorado, o Iraque é um dos pontos fundamentais de tensão na atual guerra entre EUA, Israel e Irã. O país e a República Islâmica não estão só entrelaçados pela fronteira terrestre de 1,5 mil quilômetros que compartilham. Carbala, no centro do Iraque, é a cidade onde Hussein ibn Ali, neto do profeta Maomé, considerado pelos xiitas como o terceiro imã, foi martirizado em 680 d.C pelas forças do califa omíada Yazid I. A morte de Hussein na Batalha de Carbala é o principal dia santo do xiismo: durante a Ashura, data que marca o martírio do imã, milhões de xiitas pelo mundo participam de grandes procissões e homenagens, durante as quais os homens batem violentamente contra os próprios peitos para relembrar a dor de Hussein. A data também é considerada pelos xiitas como um símbolo da luta contra a opressão, princípio fundamental para a identidade do próprio xiismo.
Para além dos locais religiosos, também foi do Iraque que veio a principal ameaça à República Islâmica do Irã logo após a Revolução Islâmica de 1979. Em setembro de 1980, um ano após o triunfo da revolução iraniana, o líder iraquiano Saddam Hussein, incentivado pelo Ocidente, invadiu o Irã, temeroso de que os princípios da revolução iraniana se espalhassem para um Iraque que, embora então liderado por um sunita, tinha maioria xiita. Ávido por conquistar zonas ricas em petróleo, como o Cuzistão, e estabelecer domínio completo sobre o rio Chatt al-Arab, Saddam deu início a uma guerra que, ao longo de oito anos, levaria a ao menos 500 mil mortos, pelo menos 200 mil deles iranianos. Para além das ondas sucessivas de jovens iranianos que se lançavam contra os inimigos iraquianos e da enorme engenhosidade iraniana em readaptar equipamentos militares de segunda mão, no que foi fundamentalmente uma guerra de improviso, um dos elementos estratégicos mais importantes com os quais o Irã pôde contar foram as organizações xiitas que, dentro do Iraque, combatiam contra Saddam.
Dentre estas, uma das mais relevantes é a Organização Badr. Nascida entre 1982 e 1983, durante a Guerra Irã-Iraque, com o nome de Brigadas Badr, a organização era o braço militar do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque (SCIRI), liderado pelo clérigo xiita Mohammad Baqir al-Hakim. Formada por generais iranianos e clérigos iraquianos, a organização cresceu a partir de exilados iraquianos no Irã, refugiados de guerra e desertores do exército iraquiano, e chegou a milhares de membros durante a guerra Irã-Iraque, na qual combateu ao lado dos iranianos.
Em 1991, durante os levantes contra Saddam, as Brigadas Badr foram fundamentais nos campos de batalha de Najaf e Carbala, e ao menos 5 mil homens da organização combateram, em 1995, durante a Guerra Civil Curda.
A partir de 2003, com a invasão americana do Iraque, as Brigadas tomam parte na luta contra Saddam e mudam seu nome para Organização Badr, passando a operar de fato como um partido político, agora liderado por Hadi al-Amiri. Ao lado de seu braço paramilitar, a organização amplifica seu trabalho político e de caridade, estabelece bases políticas ao longo de toda a comunidade xiita do Iraque e fortifica sua presença dentro do Estado iraquiano, chegando a controlar postos como o Ministério do Interior.
Em 2014, a organização combate contra o Estado Islâmico (DAESH) no país e se incorpora às Forças de Mobilização Popular (FMP), uma organização guarda-chuva composta por cerca de 40 grupos paramilitares, formada pelo Estado iraquiano para o combate ao DAESH e formalmente submetida ao Ministério do Interior, às Forças Armadas e ao primeiro-ministro do Iraque. Estima-se que a Organização Badr atualmente tenha entre 10 e 15 mil membros ativos e controle de 10 a 17 brigadas das Forças de Mobilização Popular. Conta com um canal de TV, um jornal online, um centro cultural, uma organização de juventude e escritórios por todo o Iraque. Atualmente, tem 21 dos 329 assentos do parlamento iraquiano.
Jovens carregam bandeiras da Organização Badr durante procissão em fevereiro de 2025. (Foto: @badraljamahiri / Reprodução Instagram)
A Organização Badr é ainda, ao lado de muitas facções e grupos paramilitares no Iraque, parte do chamado Eixo de Resistência, a aliança regional coordenada pelo Irã que inclui grupos como o Hezbollah, no Líbano, o Ansar Allah (houthis), no Iêmen, e o Hamas, na Palestina.
Por isso, quando as explosões fizeram-se ouvir em Teerã, no dia 28 de fevereiro, e a morte do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, foi confirmada, a Revista Opera entrou em contato com Muomel Alsaady, oficial da Organização Badr em Bagdá, responsável político por um importante distrito do leste da cidade, para organizar a entrevista que segue, no qual tratamos dos impactos da morte de Khamenei entre o povo iraquiano – particularmente dentre os 60% a 69% de xiitas que conformam sua população –, da participação de grupos armados na política oficial do país e dos planos e ações da Organização Badr e outros grupos paramilitares frente à guerra entre EUA, Israel e Irã.
Muomel Alsaady, oficial da Organização Badr, ao lado do líder da organização Hadi al-Amiri. (Foto: Arquivo pessoal)
Como os ataques ao Irã e a morte do Líder Supremo Ali Khamenei foram recebidos pelo povo iraquiano? E que impacto isso teve nas Forças de Mobilização Popular (FMP), e particularmente na Organização Badr?
O povo iraquiano, em todas as suas diferentes correntes ideológicas — grupos religiosos, esquerdistas, comunistas e outros —, tem se sentido profundamente entristecido e intensamente indignado com o assassinato de Sayyid Ali Khamenei e de outros líderes iranianos que foram martirizados de forma tão traiçoeira.
Como você sabe, a comunidade xiita no Iraque é frequentemente descrita como tendo duas correntes religiosas principais: aqueles que seguem a linha associada a Muqtada al-Sadr e aqueles que seguem a autoridade religiosa do Grande Aiatolá Ali al-Sistani. Nesta questão, no entretanto, ambas compartilham a mesma posição e estão agindo em total harmonia.
Membros da Organização Badr durante operação para libertar a cidade de Tal Afar, durante a guerra contra o Estado Islâmico em julho de 2014. (Foto: Mohammad Hossein Velayati / FARS / Wikimedia Commons)
As Forças de Mobilização Popular (FMP) são uma instituição oficial do Estado iraquiano sob a autoridade do primeiro-ministro. No entanto, as facções da resistência [que compõem as FMP] são movimentos revolucionários cujas decisões decorrem do dever moral e religioso de defender a verdade e os oprimidos — mulheres, homens e crianças na Palestina e em todo o mundo. No que tange à justiça, humanidade e Islã, as fronteiras administrativas traçadas pela Grã-Bretanha não definem nossas responsabilidades.
Quanto à Organização Badr, nossa posição é clara e consistente: estamos ao lado da República Islâmica do Irã e de nossa sábia autoridade religiosa, representada por Sayyid Ali al-Husseini al-Sistani, que repetidamente exortou todas as pessoas honradas em todos os lugares a defender a República Islâmica em todas as plataformas e em todas as frentes.
Durante a Guerra dos Doze Dias contra o Irã no ano passado, as milícias iraquianas e as PMF não agiram. Isso agora mudou. Por quê?
Desta vez, o inimigo americano-sionista ultrapassou um limite grave ao assassinar aquele que consideramos a mais alta autoridade espiritual e religiosa para os muçulmanos no mundo, o Imã Khamenei. Este foi um ato chocante e devastador.
Homens e mulheres no Iraque sentem que mesmo sacrificar suas vidas e seu sangue por ele não seria suficiente. Naturalmente, tal evento produziu uma reação muito diferente em comparação com confrontos anteriores.
A resistência possui muitas opções e medidas dentro de seu quadro estratégico. Algumas dessas medidas agradarão nossos amigos e irritarão nossos inimigos, e elas serão implementadas no momento e da maneira apropriados.
Membros da Organização Badr durante operação para libertar a cidade de Tal Afar, durante a guerra contra o Estado Islâmico em julho de 2014. (Foto: Mohammad Hossein Velayati / FARS / Wikimedia Commons) Já há relatos de facções do Eixo da Resistência lançando operações militares contra Israel e os Estados Unidos em vários países, em resposta aos ataques ao Irã. No Iraque, desde o 28 de fevereiro, milícias xiitas já realizaram várias ações, como um ataque no norte do país que resultou na morte de um soldado francês e vários ataques a instalações americanas, particularmente em Erbil. Os EUA e Israel, por sua vez, também atacaram posições das PMF no Iraque e declararam que intensificarão seus ataques contra elas. Se a guerra contra o Irã continuar, qual será o papel do Iraque? É possível que ele seja arrastado para o conflito ou que venha a passar por algum tipo de guerra civil? E qual seria a posição da Organização Badr nesse cenário?
Sim, grupos de resistência iraquianos já realizaram inúmeras operações visando interesses e bases americanas no Iraque. No entanto, essas bases também abrigam soldados de outros países aliados aos Estados Unidos sob a bandeira da chamada coalizão internacional.
A presença deles nessas bases os torna parte da equação, e eles devem arcar com as consequências dessa escolha, sejam eles franceses ou de qualquer outro país. Os povos dessas nações devem pressionar seus governos a adotarem uma posição de neutralidade; caso contrário, correm o risco de serem tratados como forças hostis.
Quanto à Organização Badr, nossa posição é de conhecimento público. As medidas específicas que podemos tomar não são algo que discutimos antecipadamente. Somente Deus sabe o que acontecerá a seguir, e em breve o inimigo também ficará sabendo.
Que papel a Organização Badr desempenhou durante os últimos dois anos do genocídio contra o povo palestino?
Nos últimos dois anos, a organização desempenhou um papel humanitário no apoio ao povo palestino. Isso incluiu a prestação de assistência financeira, o envio de alimentos e suprimentos médicos, tendas e equipamentos essenciais, além de facilitar os canais logísticos para a entrega dessa ajuda.
Além disso, oferecemos forte apoio moral e político por meio de nossa base popular e das plataformas de mídia da organização.
A própria Organização Badr não realizou operações militares durante esse período. Se o fizéssemos, todos saberiam, pois nossas ações teriam um impacto significativo.
O Iraque atualmente encontra-se governado por um primeiro-ministro interino, tendo em vista que não formou um novo governo após as eleições de novembro de 2025. Qual é a posição da Organização Badr em relação ao governo do atual primeiro-ministro interino, Mohammed Shia al-Sudani, e à formação de um novo governo?
A Organização Badr detém atualmente 21 assentos no parlamento iraquiano, enquanto os partidos da Estrutura de Coordenação [aliança de partidos e facções xiitas pró-iranianas no Iraque] detêm, coletivamente, mais de 90 assentos.
A posição oficial da organização em relação ao governo do primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani foi articulada pelo secretário-geral da Organização Badr, Hadi al-Amiri.
No momento, a organização apoia a indicação de Nouri al-Maliki para formar o próximo governo. Caso ele se retire dessa tarefa, é provável que a organização apoie o candidato alternativo que ele propor.
Como nosso Secretário-Geral costuma dizer, a relação entre a Organização Badr e o Partido Dawa Islâmico — do qual Maliki é membro — é como um “casamento católico”, ou seja, uma parceria política profundamente enraizada e duradoura.
Diferentes facções dentro das Forças de Mobilização Popular (PMF) assumiram posições divergentes quanto à escalada na região. Existem divergências significativas entre os grupos de resistência iraquianos sobre até que ponto o Iraque deve ir no confronto com Israel e os Estados Unidos?
Antes de responder à sua pergunta, é importante que todos compreendam um ponto fundamental. As Forças de Mobilização Popular (PMF) foram formadas a partir dos combatentes de facções armadas iraquianas que se levantaram para enfrentar o terrorismo do ISIS em 2014. Hoje, porém, a PMF é uma instituição oficial do Estado iraquiano. Ela opera sob a autoridade do governo iraquiano e possui uma estrutura militar organizada que, em muitos aspectos, se assemelha à de um exército regular.
As facções da resistência, no entanto, representam algo diferente. Elas representam o próprio povo. Suas decisões, reações e movimentos emergem da vontade popular. Não podem ser reduzidas à decisão de um único indivíduo, por mais elevada que seja sua posição. No Iraque, qualquer um que tente agir contra a vontade do povo rapidamente verá o chão ser retirado de debaixo de seus pés.
Quanto à sua pergunta sobre divisões entre as facções, não há nenhuma.
A frente de resistência no Iraque é composta por várias facções, cada uma com sua própria liderança e estrutura de comando. Cada facção adota as táticas que considera mais adequadas às tarefas e circunstâncias que enfrenta. Na verdade, essa diversidade de táticas fortalece a resistência. Ela complica o campo de batalha para os americanos e os fará experimentar a mesma sensação de impotência que sentiram outrora no Vietnã, no Afeganistão e até mesmo em Cuba durante a Baía dos Porcos.
Forças de Mobilização Popular levantam sua bandeira ao lado da bandeira iraquiana após derrotarem o Estado Islâmico em Fallujah, em junho de 2016. (Foto: Mahmoud Hosseini / TASNIM / Wikimedia Commons) O senhor acredita que a atual guerra regional fortalecerá a influência política das facções da resistência dentro do Iraque, ou ela poderia gerar pressão para limitar o papel dos grupos armados no país, como pretende os EUA?
Os Estados Unidos sempre tentaram pressionar os governos do Líbano e do Iraque a desarmar a resistência e a enfrentá-la. Mas essa exigência é simplesmente impossível na prática. A resistência não é uma milícia que possa ser dissolvida por decreto — é uma expressão viva do próprio povo. A resistência é o povo, e o povo é a resistência. Alguém poderia tirar o fuzil das mãos de Ernesto Che Guevara? Alguém poderia tirar o violão das mãos de Víctor Jara? Alguém poderia impedir Mahatma Gandhi de praticar a desobediência civil?
Quanto à influência política, o Iraque possui um processo político democrático, e é o povo quem decide em última instância. O povo iraquiano já se pronunciou nas urnas ao eleger muitos representantes provenientes das fileiras da resistência. Os Estados Unidos não serão capazes de quebrar a vontade do povo iraquiano.
Forças de Mobilização Popular levantam sua bandeira ao lado da bandeira iraquiana após derrotarem o Estado Islâmico em Fallujah, em junho de 2016. (Foto: Mahmoud Hosseini / TASNIM / Wikimedia Commons)
*Pedro Marin/Revista Ópera
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Teerã apresentou cinco condições para negociar, entre elas o fim dos assassinatos de seus líderes
O governo iraniano rejeitou as condições impostas pelos EUA para estabelecer um cessar-fogo na região e chamou os critérios apresentados pelos americanos como “excessivos”. A informação foi divulgada pela emissora estatal de televisão no Irã, a Press TV.
Mais cedo, as autoridades em Teerã ironizaram as declarações do presidente Donald Trump de que estariam desesperadas para fechar um acordo para encerrar a guerra. Nesta quarta-feira, diplomatas, a imprensa americana e israelense confirmaram que a Casa Branca enviou uma proposta de plano de cessar-fogo aos iranianos, por meio de negociadores do Paquistão.
O pacto prevê o fim de todas as atividades nucleares do país. Mas não fala em mudança de regime e nem em denúncias de violações de direitos humanos, argumentos que Trump sempre usou para justificar a guerra.
De acordo com as emissoras estatais, o Irã exige que os seguintes pontos sejam atendidos pelos EUA para que a negociação possa existir:
Cessação total das agressões e assassinatos por parte dos EUA e Israel.
Criar mecanismos para garantir que a guerra não seja reiniciada contra o Irã.
Pagamento de indenizações e reparações de guerra.
A conclusão da guerra em todas as frentes e para todos os grupos de resistência envolvidos em toda a região, incluindo Hezbollah.
Reconhecimento e garantias internacionais quanto ao direito soberano do Irã de exercer autoridade sobre o Estreito de Ormuz.
Não chamem sua derrota de acordo
Num vídeo publicado nas redes sociais, o porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã, Ebrahim Zolfaghari, atacou a “autoproclamada superpotência global” e alertou: “não chamem sua derrota de acordo”.
“O nível do seu conflito interno chegou ao ponto em que vocês estão negociando entre si?”, questionou.
“Vocês não verão seus investimentos na região nem os preços anteriores da energia e do petróleo novamente, até que entendam que a estabilidade na região é garantida pela mão poderosa de nossas forças armadas. A estabilidade vem da força”, disse Zolfaghari, fazendo referência a um dos lemas de Trump, que insiste em falar da “paz pela força”.
“Alguém como nós jamais chegará a um acordo com alguém como vocês. Nem agora, nem nunca”, completou.
Horas depois, numa entrevista ao jornal India Today, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, admitiu que muitos países entraram em contato com o Irã, oferecendo-se para mediar o conflito. “Há mensagens circulando há alguns dias… Respondemos a essas mensagens. Nossa mensagem é muito clara. Continuamos a nos defender”, afirmou.
Para Baghaei, não se pode confiar na intenção de Trump de negociar a paz. “Vejam os fatos. O Irã está sob bombardeio constante e ataques de mísseis dos EUA e de Israel. Portanto, a alegação deles de diplomacia e mediação não é crível. Porque eles iniciaram esta guerra e continuam a atacar o Irã. Então, alguém pode acreditar que a alegação deles de mediação seja crível?”, questionou.
Baghaei, ainda assim, admitiu contatos entre o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, que tem mantido contato com seu homólogo paquistanês.
“Portanto, esse tipo de conversa está acontecendo entre o Irã e seus vizinhos e outros países amigos. Entendemos que os países da região, os países vizinhos, estão preocupados com as consequências e todos estão tentando, de alguma forma, ajudar a situação a se acalmar”, disse ele.
O que diz o plano Enquanto as diferentes versões disputam espaço sobre a existência ou não de um processo negociador, a imprensa israelense e americana publicou o que seria o rascunho do plano de paz.
Eles são:
As instalações nucleares de Natanz, Isfahan e Fordow serão desativadas e destruídas.
Transparência e supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre as atividades no Irã.
O Irã abandonará o uso de grupos armados na região e cessará o financiamento e o armamento de seus afiliados regionais.
Desmantelamento das capacidades nucleares existentes já acumuladas.
Compromisso de nunca buscar o desenvolvimento de armas nucleares.
Nenhum material nuclear será enriquecido em solo iraniano, e todo o material enriquecido será entregue à AIEA.
O Estreito de Ormuz permanecerá aberto e constituirá uma “zona marítima livre”.
Os mísseis do Irã estarão sujeitos a uma decisão futura, mas serão limitados em quantidade e alcance, e destinados apenas à autodefesa.
Em troca, o Irã receberia:
Assistência americana no desenvolvimento de um projeto nuclear civil em Bushehr para a produção de eletricidade.
Remoção de todas as sanções.
Remoção da ameaça de renovação das sanções.
ONU: “Flerte com catástrofe sem precedentes”
Numa reunião de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU, o alto comissário do órgão internacional, Volker Turk, fez um apelo pela paz.
“A situação é extremamente perigosa e imprevisível, e gerou caos em toda a região, afetando Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e outros países”, disse.
“Os recentes ataques com mísseis perto de instalações nucleares em Israel e no Irã ressaltam o imenso perigo de uma escalada ainda maior. Os Estados estão flertando com uma catástrofe sem precedentes”, insistiu.
Turk denunciou violações das leis internacionais por todos os lados. Ele acusou Teerã de estar atacando locais sem fins militares. Mas também indicou que ,“dentro do Irã, civis buscam abrigo dos ataques aéreos em todas as 31 províncias do país”. Segundo dados do governo iraniano, cerca de 1.400 civis foram mortos e mais de 20.000 ficaram feridos.
“Há um padrão crescente de ataques que afetam áreas residenciais, infraestrutura civil e outros locais protegidos pelo direito internacional. Casas, hospitais, escolas, sítios culturais, redes de transporte e infraestrutura energética foram atingidos”, afirmou.
Turk também denunciou a repressão no país. “Enquanto os iranianos se abrigam desses ataques, também enfrentam outra onda de cruel repressão estatal, incluindo prisões arbitrárias, execuções, intimidação e censura. A internet está fora do ar há mais de três semanas”, disse.
De acordo com ele, o conflito já causou perdas econômicas de cerca de 63 bilhões de dólares em toda a região árabe. Mas é sua repercussão global que preocupa.
“Este conflito tem um poder sem precedentes para envolver países além-fronteiras e em todo o mundo. A dinâmica complexa pode desencadear novas crises nacionais, regionais ou globais a qualquer momento, com um impacto terrível sobre civis e pessoas em todo o mundo”, disse.
Turk saiu em defesa de um cessar-fogo. “Não podemos voltar à guerra como instrumento das relações internacionais”, disse.
“Quando alguns Estados poderosos tentam enfraquecer o sistema multilateral, precisamos que o restante — a grande maioria — o defenda”, completou.
*Jamil Chade/ICL
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Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirma que escalada a instalações energéticas é ‘extremamente perigosa’; Usina de Bushehr, primeira do Oriente Médio, foi construída com participação russa
Ataques contra instalações nucleares iranianas, incluindo a usina de Bushehr, são potencialmente extremamente perigosos e podem ter consequências irreversíveis, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, nesta segunda-feira (23/03).
Ao comentar o relatório da Organização de Energia Atômica do Irã sobre o projétil que atingiu a área da usina, localizada na cidade de Bushehr, na semana passada, o porta-voz reiterou que Moscou expressou repetidamente suas preocupações.
“Bushehr é uma instalação nuclear sob o controle da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A Rússia mantém diálogo constante com a AIEA”, afirmou Peskov, relembrando as “declarações alarmantes” sobre a situação feitas por Alexei Likhachev, chefe da corporação russa de energia Rosatom, principal contratada para a instalação nuclear iraniana de Bushehr.
“É claro que os sinais relevantes estão sendo transmitidos aos Estados Unidos. Consideramos os ataques contra instalações nucleares como potencialmente extremamente perigosos e capazes de ter consequências irreparáveis”, enfatizou o alto funcionário, reiterando que a Rússia, ao adotar “uma postura extremamente responsável” sobre o assunto, já expressou suas preocupações repetidamente.
A usina nuclear de Bushehr é a primeira usina nuclear do Irã e de todo o Oriente Médio. Sua construção começou em 1975 e foi retomada em 1995, após um longo período de inatividade, com a participação da Rosatom.
Em setembro de 2011, a primeira unidade geradora foi conectada à rede elétrica e iniciou sua operação comercial em junho de 2013. A construção da segunda unidade foi iniciada, embora as obras tenham sido suspensas devido ao conflito atual. Um contrato também foi assinado para a construção de uma terceira unidade.
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