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Planalto é alertado que CPI do MEC pode ser “fatal” para Bolsonaro

Temor de aliados é de que comissão desgaste a imagem do presidente em plena campanha eleitoral deste ano.

Aliados de Jair Bolsonaro avisaram ao Palácio do Planalto que a possível instalação no Senado de uma CPI para investigar um esquema de corrupção no MEC pode ser “fatal” para a reeleição do presidente este ano.

O conselho foi para que o governo aja rápido para barrar a comissão. A avaliação desses aliados é de que a realização dos trabalhos da CPI em plena campanha eleitoral pode desgastar muito a imagem de Bolsonaro.

O requerimento para instalação da CPI já foi apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Até essa quinta-feira (7/4), ele já havia colhido 26 das 27 assinaturas mínimas necessárias para a criação do colegiado.

O governo estava sem líder no Senado há quase quatro meses. Nessa quarta-feira (6/4), o senador Carlos Viana (PL-MG) anunciou que deve assumir o posto, pelo menos até julho. A nomeação, porém, ainda não foi oficializada.

*Com Metrópoles

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Indígenas marcham contra Bolsonaro e o Pacote da Destruição

Mais de 6 mil indígenas ocupam Brasília pela demarcação de suas terras e contra os projetos apoiados por Bolsonaro que colocam em risco o meio ambiente.

– Representantes de 176 povos indígenas brasileiros marcharam no final da tarde de hoje (6) contra o governo de Jair de Bolsonaro e o conjunto de projetos danosos ao meio ambiente que ficaram conhecidos com Pacote da Destruição, com apoio oficial. O grupo, que reúne mais de 6 mil pessoas, compõem o Acampamento Terra Livre, formado nesta segunda-feira (4), em Brasília. É o 18º ano seguido que lideranças montam acampamento ao longo de dez dias na capital federal para pressionar o governo federal, parlamentares e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação a pautas envolvendo a questão indígena.

A principal delas é a tese do Marco Temporal, em julgamento no STF, que restringe o direito das comunidades às terras que tradicionalmente ocupam. Nesse entendimento jurídico, só podem ser demarcadas terras indígenas ocupadas por esses povos em 4 de outubro de 1988 – data da promulgação da Constituição Federal.

No entanto, a tese não leva em consideração os conflitos agrários, com a expulsão de povos originários e tradicionais por ação de pistoleiros a serviço da grilagem, por exemplo. Desse modo, muitos povos estavam fora de suas terras ancestrais na referida data.

Além disso, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a relação entre os povos indígenas e a terra, não é comercial e nem tem sentido privado de posse. Portanto, trata-se de uma relação de identidade, que compreende espiritualidade e existência, sendo possível afirmar que não há comunidade indígena sem a terra, como anotou em seu voto o ministro Edson Fachin, contrário à tese do Marco Temporal. O julgamento deverá recomeçar em maio.

 

São Paulo – Representantes de 176 povos indígenas brasileiros marcharam no final da tarde de hoje (6) contra o governo de Jair de Bolsonaro e o conjunto de projetos danosos ao meio ambiente que ficaram conhecidos com Pacote da Destruição, com apoio oficial. O grupo, que reúne mais de 6 mil pessoas, compõem o Acampamento Terra Livre, formado nesta segunda-feira (4), em Brasília. É o 18º ano seguido que lideranças montam acampamento ao longo de dez dias na capital federal para pressionar o governo federal, parlamentares e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação a pautas envolvendo a questão indígena.

A principal delas é a tese do Marco Temporal, em julgamento no STF, que restringe o direito das comunidades às terras que tradicionalmente ocupam. Nesse entendimento jurídico, só podem ser demarcadas terras indígenas ocupadas por esses povos em 4 de outubro de 1988 – data da promulgação da Constituição Federal.

No entanto, a tese não leva em consideração os conflitos agrários, com a expulsão de povos originários e tradicionais por ação de pistoleiros a serviço da grilagem, por exemplo. Desse modo, muitos povos estavam fora de suas terras ancestrais na referida data.

Além disso, segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a relação entre os povos indígenas e a terra, não é comercial e nem tem sentido privado de posse. Portanto, trata-se de uma relação de identidade, que compreende espiritualidade e existência, sendo possível afirmar que não há comunidade indígena sem a terra, como anotou em seu voto o ministro Edson Fachin, contrário à tese do Marco Temporal. O julgamento deverá recomeçar em maio.
Pacote da destruição

Os povos indígenas pedem a derrubada do conjunto de projetos apoiados pelo governo, o “Pacote da Destruição”, que tramita no Senado. Trata-se de projetos, aprovados na Câmara, que se forem aprovados trarão graves prejuízos ao meio ambiente. Saiba quais são:

PL nº 2.159 – torna o licenciamento ambiental uma exceção, em vez de ser a regra.

PL nº 2.633 e o PL nº 510 – concedem anistia à grilagem em terras públicas.

PL nº 490 – trata do chamado “marco temporal” das terras indígenas, que estabelece que povos indígenas só podem reivindicar as terras que eles ocupavam no momento em que a Constituição de 1988 foi aprovada. Tese considerada inconstitucional por diversos juristas.

PL nº 191 – que autoriza a mineração, até mesmo de grande porte, e a construção de hidrelétricas em terras indígenas, inclusive naquelas em que há aldeias indígenas isoladas.

PL nº 6.299 – o chamado “Pacote do Veneno”, que revoga a atual Lei de Agrotóxicos (7.802/89) e flexibiliza ainda mais a aprovação, importação, produção, rotulagem e o uso de agrotóxicos no país. Com ele, o setor será praticamente descontrolado.

A questão indígena é de interesse de todos. Pesquisas mostram que nas terras indígenas que Bolsonaro que abrir a todo tipo de exploração o meio ambiente é mais preservado. Dados internacionais mostram que, em todo o mundo, os povos originários correspondem a 5% da população mundial. No entanto, 85% da biodiversidade é protegida em seus territórios, assim como muitas das nascentes.

*Com Rede Brasil Atual

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“Acredito na vitória no 1º turno”: Renan Calheiros põe Tebet de lado e defende apoio do MDB a Lula

“Não há espaço político, eleitoral ou matemático para a terceira via”, diz o senador Renan Calheiros em entrevista ao GGN

O senador Renan Calheiros disse em entrevista exclusiva à TVGGN que acredita na vitória de Lula (PT) no primeiro turno da eleição presidencial de 2022. O senador afirmou que a pré-candidatura da senadora Simone Tebet à Presidência tende a ser rejeitada na convenção partidária se não decolar até o começo de maio. Para Calheiros, não há viabilidade eleitoral para a chamada “terceira via” e o MDB deveria apoiar Lula já no primeiro turno.

“Eu acredito na vitória [de Lula] no primeiro turno. O tempo está decantando as eleições. Muita gente já deixou de ser candidato: Mandetta, Amoedo, Huck, Alessandro [Vieira], Moro. Ser candidato sem densidade eleitoral é muito ruim. O MDB já colheu esse resultado. Na última eleição, com a candidatura equivocada de Henrique Meirelles, que teve 1% dos votos, tivemos uma redução pela metade da nossa bancada de deputados e senadores”, frisou Renan Calheiros.

“Eu tenho admiração grande pela Simone Tebet, mas se não houver uma mexida na fotografia das pesquisas, ela não pode ser a candidata. Dificilmente o MDB, na convenção nacional, vai homologar sua candidatura”, apontou.

“Temos que estabelecer um prazo com ela, respeitosamente. Até os primeiros dias de maio, para que se não houver mudança substancial na competividade da sua candidatura, nós possamos conversar com uma corrente majoritária no MDB, para desde o primeiro turno apoiar a candidatura de Lula“, defendeu o senador na entrevista aos jornalistas Luis Nassif e Marcelo Auler.

“Não há espaço político, eleitoral ou matemático para a terceira via. Lula tem em torno de 43% dos votos [na média das pesquisas eleitorais]. Bolsonaro tem 25% dos votos e uma rejeição substancial, que passa de 60%. (…) Ele poderá chegar a 37% dos votos, uma situação muito inferior ao que ostentará o ex-presidente Lula.”

Na visão de Renan Calheiros, “precisamos ser inteligentes e facilitar a caminhada de Lula”. “Não deveríamos nem partidarizar a campanha de Lula. Acho equivocada a propaganda na televisão que faz alusão ‘ao tempo do PT’. O lulismo é muito maior do que o petismo. Precisamos aprimorar a campanha política.”

“A candidatura do presidente Lula significa uma volta à pacificação, à conciliação nacional, à cicatrização. Do ponto de vista estratégico da campanha, das políticas públicas que devem ser priorizadas, devemos ampliar ao máximo”, sustentou.

“Temos que priorizar a economia, guardar valores com relação ao equilíbrio fiscal – a responsabilidade fiscal não é da direita ou da esquerda, precisa ser posta em execução, da mesma forma que Lula já fez em posso do governo. Temos que atrair setores do empresariado e da classe média que são mais refratários, que precisam entender que há valores supremos a defender: os valores da democracia e da República. Acho que se formos amplos nas propostas, teremos maior sorte.”

*Com GGN

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Jamil Chade narra as mazelas de Eduardo Bolsonaro

O senhor sabe, assim como seu pai, de que lado estão.

Nos últimos dias, o senhor zombou de alguém que foi alvo de tortura promovida pelo Estado numa prisão durante a ditadura militar. Não foi a primeira vez que sentimos nojo das obscenidades de seu clã.

Mas, muito além de provocar repúdio ou asco, o que o senhor fez foi uma violação das obrigações internacionais assumidas pelo Brasil e, muitas delas, ratificadas pelo Congresso do qual o senhor faz parte.

Uma das obrigações que o Estado assumiu foi dar garantias de que atos como o dos Anos de Chumbo não voltem a ocorrer. O seu discurso, porém, legitima e habilita aqueles que desejam cometer novas violações.

Mas ela não é a única obrigação violada. Com tal postura, o senhor sinaliza que o Estado deve renunciar ao dever de prevenir futuras violações de direitos humanos, entre elas a tortura.

Uma terceira obrigação violada é o compromisso do Estado de preservar a memória dos períodos mais sombrios vividos pela sociedade.

E, por fim, em cada frase do senhor ou de seu pai, há uma nova violação dos direitos humanos das vítimas, submetendo cada uma delas a um tratamento desumano.

Tudo isso está documentado internacionalmente, como o senhor sabe. Afinal, já presidiu a Comissão de Relações Exteriores da Câmara e sabe fritar hambúrguer.

Mas não custa repetir. O item 2 dos Princípios para a Proteção e Promoção dos Direitos Humanos através de Ações de Combate à Impunidade estabelece o direito inalienável de todas as pessoas de conhecerem a verdade sobre eventos passados relativos à perpetração de crimes hediondos e sobre as circunstâncias e razões que levaram a eles.

Já o princípio 3 estabelece o dever dos Estados de preservar a memória sobre essas violações e sua responsabilidade na transmissão de tal história.

Ele ressalta que “o conhecimento do povo sobre a história de sua opressão faz parte de seu patrimônio e, como tal, deve ser assegurado por medidas apropriadas no cumprimento do dever do Estado de preservar arquivos e outras evidências relativas às violações dos direitos humanos […] e de facilitar o conhecimento dessas violações”.

Tais medidas devem visar “preservar a memória coletiva da extinção e, em particular, proteger-se contra o desenvolvimento de argumentos revisionistas e negacionistas”.

O senhor obviamente deve estar pensando que passará impune, já que tanto o senhor seu pai como seus lacaios ministros seguem a mesma mentira sobre os acontecimentos de 1964.

Cada vez que os senhores optam por condecorar um torturador, emprestam a bandeira nacional para que esses criminosos limpem as mãos repletas de sangue. É isso que chamam de patriotismo?

Cada vez que usam seus cargos e imunidades para fazer apologia à dor, vemos em nossas almas o verde e amarelo se transformar nas cores do luto e da angústia.

Cada vez que os senhores tentam reescrever o passado, sabemos que é o nosso futuro que está ameaçado.

Nestes últimos três anos, as lágrimas que vocês nos deram foram engolidas com a força de algo que os senhores desconhecem: dignidade.

Com uma arma que vocês não terão onde comprar: o respeito.

Não tememos seu exército de robôs e nem as milícias que patrulham nossas esperanças.

Insisto: entre o humano e desumano, o mundo e a história sabem de que lado vocês estão.

O desprezo que regimes democráticos têm por vocês não se mede apenas pela indecência de celebrar a dor e a morte alheia. O gesto imoral foi também uma violação das obrigações internacionais assumidas pelo país.

Não, o presidente de uma democracia não tem o direito de prestar homenagem a um ditador ou a um torturador. O que pensar de um presidente que olha para aqueles que suprimiram a democracia com admiração?

Não, o senhor não tem o direito de zombar de uma vítima da tortura do estado.

Num governo que profana a República, seu clã amplia e traduz em política, quase cem anos depois, o poema teatralizado no qual o general Millán Astray bradaria em uma cena o lema “Viva a Morte!”.

A história não os perdoará. E nem a Justiça.

Saudações democráticas,

Jamil Chade

*Com Uol

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Bolsonaro: Forças Armadas poderão fazer o país “rumar em direção à normalidade”

Com tanques como este da foto em destaque, fica difícil dar um golpe.

Em evento com militares, o chefe de governo disse que o novo ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, se destaca entre os ministros, “porque tem a tropa em suas mãos”.

Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira, 3, que, “em última análise”, as Forças Armadas poderão fazer o país “rumar em direção à normalidade, ao progresso e à paz”.

Em cerimônia de cumprimento a oficiais-generais promovidos, no Palácio do Planalto, o chefe de governo declarou que o novo ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, se destaca entre os ministros, “porque tem a tropa em suas mãos”.

“Tenho 23 ministros. Todos são importantes, mas um se destaca. É o da Defesa. Porque tem a tropa em suas mãos. É o que, em última análise, poderá fazer o país rumar em direção à normalidade, ao progresso e à paz”, disse Bolsonaro.

Na cerimônia, Bolsonaro repetiu que se a pátria voltar a chamar as Forças Armadas, os militares farão “tudo”, “até mesmo em sacrifício da própria vida”. Ele disse que os militares sempre agiram “ao lado da legalidade”.

“Deveres, garantias e responsabilidades, nós sempre estivemos ao lado da legalidade. E tenha certeza. Se a pátria um dia voltar a nos chamar, por ela tudo faremos, até mesmo em sacrifício da própria vida”, disse.

As falas de Bolsonaro vêm na esteira de declarações pró-golpe de 1964. No aniversário de 58 anos do golpe militar, o chefe de governo disse que, sem a ditadura, o Brasil seria uma “republiqueta”.

*Com 247

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Superfaturamento: TCU barra conclusão da licitação do MEC para ônibus escolares

Ministro determinou que etapas da licitação podem continuar, mas não pode ser feita a homologação. Suspeita é de que governo pagaria R$ 480 mil em ônibus que custa R$ 270 mil; sobrepreço total chegaria a R$ 700 milhões.

O ministro Walton Alencar, do Tribunal de Contas da União (TCU), barrou nesta terça-feira (5) a conclusão de uma licitação do governo federal para compra de ônibus escolares. A licitação foi alvo de contestação no TCU após denúncias de superfaturamento.

A decisão é cautelar (provisória). Walton determinou que a licitação só poderá ser concluída quando houver o julgamento do mérito do caso, ou seja, quando houver uma decisão final.

Segundo documentos obtidos pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, aos quais a TV Globo também teve acesso, o governo aceitou pagar até R$ 480 mil por um ônibus que, de acordo com técnicos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), deveria custar no máximo R$ 270 mil.

Ao todo, a licitação teria um sobrepreço de R$ 700 milhões.

“Considero prudente que a medida cautelar tenha seus efeitos modulados, para permitir o prosseguimento do certame, impedindo-lhe, contudo, a homologação e a adjudicação do objeto, até a final decisão de mérito”, escreveu o ministro do TCU.

Walton disse ainda que a medida visa evitar eventual mau uso do dinheiro público.

“Com isso, salvaguardam-se os interesses do Erário, evitando que paire sobre a licitação em curso quaisquer dúvidas acerca da sua licitude, ao tempo em que se tutelam os interesses do FNDE, na continuidade do certame, evitando atrasos relevantes na eventual entrega dos veículos de transporte”, completou.

Como o ministro não suspendeu totalmente a licitação, o pregão, marcado para esta terça, está mantido.

Walton também pediu ao FNDE esclarecimentos sobre a licitação, como, por exemplo, um detalhamento do cálculo do preço dos ônibus.

Compra de ônibus

O pregão é para a compra de até 3.850 veículos para o transporte escolar de crianças de áreas rurais. A ação faz parte do Caminho da Escola, programa do FNDE.

O processo não seguiu as orientações dos órgãos de controle e da própria área técnica do FNDE, que apontaram risco de sobrepreço nos valores que o governo aceitou pagar.

Um parecer da área técnica do órgão afirma que “a discrepância das cotações apresentadas pelos fornecedores em relação ao preço homologado do último pregão, do ano passado, […] implica em aumento não justificado do preço, sem correspondente vinculação com as projeções econômicas do cenário atual”.

Em outro parecer, a Controladoria-Geral da União (CGU) criticou o fato de o FNDE não considerar o preço pago por outros órgãos públicos na compra de ônibus.

A CGU diz que o órgão considerou apenas os valores informados pelos próprios fabricantes. E conclui: “observa-se que os valores obtidos […] encontram-se em média 54% acima dos valores estimados”.

O ministro Walton Alencar também pede para o FNDE esclarecer porque não seguiu as orientações da CGU.

*Com G1

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Imposições de Bolsonaro ao PL nos estados incomodam o comando do partido

A formação de palanques bolsonaristas nos estados tem incomodado lideranças do PL. Isso porque Jair Bolsonaro já deixou claro que não abre mão de candidaturas que o partido considera pouco competitivas: a do deputado federal Major Vitor Hugo, que disputará o governo de Goiás, e do ministro da Cidadania, João Roma, que se lançará ao comando do Executivo na Bahia.

Interlocutores de Valdemar Costa Neto admitem, nos bastidores, que Bolsonaro tinha a opção de se aliar ao candidato vencedor, mas preferiu apoiar esses dois aliados até o fim.

Em Goiás, Vitor Hugo, deputado de primeiro mandato, disputará contra Gustavo Mendanha, que é do Patriota, e contra o governador Ronaldo Caiado (União Brasil), que detém uma ampla rede de alianças, a máquina estadual e acesso ao maior fundo eleitoral e partidário do país.

Na Bahia a situação é semelhante: o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil) está na frente das pesquisas. O PL preferia ter fechado uma aliança com ele, mas Bolsonaro optou por seu ministro João Roma.

Um dos principais termos do acordo para a filiação de Bolsonaro ao partido era a costura de alianças estaduais avalizadas pelo presidente. Apesar da inconformidade, deixam claro que não haverá qualquer movimento para contrariá-lo.

O problema, para os caciques, é que a imposição levará o PL a investir uma quantidade substancial de dinheiro do fundo eleitoral – calculado a partir do desempenho do partido em 2018, quando Bolsonaro estava no PSL – em disputas perdidas, além de afastar potenciais aliados.

Para os novos correligionários de Bolsonaro, a deferência do presidente a Vitor Hugo, líder do governo na Câmara desde o início da legislatura, é uma questão exclusivamente pessoal e não de mérito.

Eleito com pouco mais de 31 mil votos em 2018, o parlamentar nunca conseguiu agregar a bancada governista e é visto como um quadro que não domina as engrenagens políticas da Casa, mas sempre contou com o apoio do presidente por conta de sua “lealdade”.

“O presidente, infelizmente, não pensa ou decide conforme a melhor estratégia política. O caso de Goiás e da Bahia refletem decisões de caráter pessoal que prejudicam seu próprio projeto de reeleição”, confidenciou um alto quadro do PL à equipe da coluna.

Os líderes do PL gostariam de ter filiado Gustavo Mendanha, popular prefeito reeleito de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, que se desincompatibilizou do cargo na semana passada para disputar o governo. Esses caciques avaliam que Mendanha, que migrou do MDB para o Patriota, representa uma séria ameaça à reeleição de Caiado.

Na Bahia, o PL filiou João Roma por determinação de Bolsonaro. Roma era filiado ao Republicanos, que decidiu embarcar na candidatura do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).

Sem espaço na disputa estadual, Roma recorreu a Bolsonaro, que passou a defendê-lo como um quadro estratégico para defender seu governo na Bahia, o maior colégio eleitoral do Nordeste. Mas o próprio PL avalia que as chances de Roma são mais do que remotas.

Outro candidato pelo qual o PL nutre uma certa dor de cotovelo é Ratinho Júnior (PSD), que deve se reeleger com facilidade no Paraná.

O partido conseguiu estancar ao menos uma das exigências do presidente: Bolsonaro foi demovido de bancar o nome de Gilson Machado, que foi ministro do Turismo e presidiu a Embratur, como candidato ao governo de Pernambuco. Machado deverá disputar o Senado na chapa de Anderson Ferreira (PL), prefeito de Jaboatão de Guararapes.

A mera possibilidade de Machado concorrer ao governo era vista como uma piada pelos correligionários do presidente. “O que esse cara fez para ser governador de Pernambuco? Ele só é lembrado como o sanfoneiro das lives do Bolsonaro”, afirmou um quadro do PL em condição de anonimato.

*Malu Gaspar/O Globo

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Bolsonaro cria Nav Brasil que abriga militares aposentados com folha de pagamento milionária que não aparece no Portal da Transparência

Criada a partir da cisão da Infraero para absorver atividades de navegação aérea, a Nav Brasil abriga em sua diretoria vários oficiais da FAB aposentados. Ao todo, são 16 funcionários, incluindo o presidente e dois diretores, além dos integrantes dos conselhos fiscal e de administração — por ano, a folha de pagamento supera R$ 2 milhões, em remuneração e jetons.

Mas os gastos não aparecem no portal da Transparência, nem mesmo há registro da função ocupada.

A Nav Brasil é presidida pelo major-brigadeiro reformado José Pompeu dos Magalhães Brasil Filho, que foi chefe do DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo). Além da aposentadoria militar de R$ 32,9 mil, Pompeu ganha da Nav Brasil outros R$ 28,3 mil de salário, mais gratificações.

Da mesma forma, o diretor de Administração, coronel-intendente Carlos Roberto Santos, e o diretor de Serviços, coronel-aviador Marcelo Moraes de Oliveira, ambos reformados, recebem de aposentadoria R$ 25 mil e R$ 27 mil, respectivamente. Da Nav, embolsam R$ 25 mil cada, mais gratificações.

No caso do Conselho de Administração, seu presidente Hiran William de Almeida, brigadeiro reformado, recebe jeton, assim como o brigadeiro Pompeu e os servidores do Executivo Leonardo Raupp Bocorny, John Weber Rocha e Bruno César Grossi de Souza, que integram o colegiado.

Os valores, tanto de civis como dos militares, também não aparecem no portal da Transparência. Tampouco há informação sobre o vínculo formal deles com a Nav Brasil. O mesmo ocorreu com os integrantes do Conselho Fiscal: o brigadeiro da ativa Gilson Alves de Almeida Junior, o auditor Regis Xavier Holanda e o coronel da Aeronáutica Marconi Bentes Mangabeira Rocha Junior.

Gil Castello Branco, fundador da ONG Contas Abertas, explica que os salários dos militares e civis na Nav Brasil “não aparecem porque o decreto que regulamentou a Lei de Acesso à Informação excluiu as estatais da obrigação de prestarem contas”. “É um absurdo, pois o decreto não poderia ficar aquém da lei.”

A estatal foi estabelecida por meio de media provisória editada por Jair Bolsonaro, em 2019, e relatada no Senado por Flávio (foto, à esquerda), o 01, que chancelou sua criação, formalizada em 2021.

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Dossiê da Petrobras sobre Landim e Pires assustou ministro das Minas e Energia

Os relatórios da Diretoria de Governança e Conformidade da Petrobras sobre o histórico do executivo Rodolfo Landim e do consultor Adriano Pires assustaram o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, e técnicos da Corregedoria Geral da União.

Segundo apontaram os documentos, os dois teriam dificuldades em passar pelos critérios do comitê interno que vai avaliar se eles têm ou não condições de ocupar os postos para os quais foram indicados.

O comitê se reúne na próxima terça-feira (5) para analisar um relatório e preparar um parecer a ser enviado aos acionistas que vão deliberar no dia 13 sobre as indicações de Bolsonaro.

Nesse parecer, o comitê precisa resumir as conclusões das investigações, conhecidas internamente como “Background Check de Integridade”, ou BCI.

Landim, que é presidente do Flamengo, foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para presidir o conselho da estatal, mas desistiu ontem de pleitear o posto.

Adriano Pires, que é economista e consultor, foi escolhido para presidir a Petrobras, mas também considera renunciar à indicação .

De acordo com os documentos apresentados ao ministro Bento Albuquerque na última quarta-feira (30), Landim tem uma série de processos e acusações pendentes na Justiça que atestam sua relação com o empresário Carlos Suarez, sócio de distribuidoras de gás, e configurariam conflito de interesse caso ele assumisse. Colocariam, também, a imagem da Petrobras em risco.

Os mesmos documentos foram apresentados à Corregedoria-Geral da União.

Já sobre Pires a conclusão é de que, se assumir o cargo, ele terá “conflitos demais”, segundo pessoas que tiveram acesso às informações do relatório.

A questão dos conflitos de interesse também é a base de uma representação do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União para que Pires não assuma antes de uma investigação mais aprofundada.

Para Landim, a parte mais delicada do relatório da diretoria de conformidade descreve o processo que mostra que ele recebeu em suas contas na Suíça depósitos de “contas de passagem” usadas para mandar recursos a Renato Duque e Pedro Barusco, executivos da Petrobras envolvidos no petrolão.

De sua conta, Landim enviou US$ 643 mil para uma conta de Suarez, também na Suíça, em maio de 2021.

A movimentação foi detectada na época da Lava Jato e está descrita em um processo movido pelo Ministério Público segundo uma comunicação formal enviada pelo MP suíço ao brasileiro no âmbito da operação Lava Jato.

Os documentos sobre essas contas estão no processo movido pelo Ministério Público Federal contra Landim por fraude e desvio de recursos do fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, a Petros.

A Petros perdeu R$ 100 milhões em um fundo administrado pela Mare. No processo, o procurador da República Ancelmo Lopes pede a quebra de sigilo das contas de Landim, para apurar se as movimentações na Suíça tem algo a ver com o caso da Petros.

No final do ano passado, uma liminar do desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal de Brasília, cancelou o pedido de cooperação internacional entre Brasil e Suíça e suspendeu o processo até que seu mérito seja julgado em definitivo. Como isso não aconteceu, o caso de Landim continua pendente na Justiça.

Malu Gaspar/O Globo

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No desespero, Bolsonaro vai dobrar a aposta no ódio, porque não tem nada para mostrar e tem muito o que esconder

Alguns dados da tomada de posição de alguns veículos de imprensa, como por exemplo, o Estadão, já nos permitem afirmar que voltamos a 2018, com a seguinte instrução superior, a ordem é apoiar Bolsonaro para que ele permaneça mais quatro anos no poder.

A técnica utilizada será a de compará-lo a Lula, mesmo que Bolsonaro seja um recordista de rejeição, e Lula, com 87% de aprovação, deixou o governo com um índice recorde.

O Estadão não está interessado nesses dados objetivos, mas esse modelo de jornalismo copia a própria tática do bolsonarismo oficial. Lógico que, no caso do Estadão, alguns elementos característicos do jornal, tão bem representado por Vera Magalhães e JR Guzzo, são discursos carregados de sementes de ódio ao petismo e, consequentemente, a perversidade contra Lula será respaldada. No caso de Vera, pela mesma técnica de 2018, quando escreveu o editorial “Uma escolha difícil” na disputa entre Bolsonaro e Haddad.

Já Guzzo, um dos jornalistas mais velhacos desse país, integra um grupo de editores da revista chamada Oeste, que tem como um dos principais proprietários aquela figura repugnante chamada Augusto Nunes e outros encarregados como Ana Paula do Vôlei e Guilherme Fiuza.

Mas a situação de Bolsonaro é complicada. O Brasil está numa crise econômica que atinge frontalmente o povo no bolso, com preços de alimentos nunca vistos na história do Brasil. Aliás, o Brasil, que sempre carregou a percepção de que os alimentos, ao menos os populares, eram baratos, o que se vê agora é que não há qualquer coisa que vá para a mesa do brasileiro que não tenha um custo absurdo, da carne vermelha à banana, está tudo o olho da cara.

Bolsonaro ficou três anos sem sequer tentar impedir que a situação chegasse aonde chegou, ao contrário, estimulou. Sem falar que ele não promoveu qualquer edificação, seu governo foi de destruição, de desmonte, de esfacelamento do Estado.

Assim, Bolsonaro apostará em três pontos centrais baseados no ódio, no racismo contra os negros, no preconceito contra os gays e na discriminação contra as camadas mais pobres da sociedade.

Não foi sem motivos que utilizou seu boneco mambembe, Sergio Camargo, para vomitar por sua boca seu ódio racial que nunca escondeu de ninguém.

O mesmo fato pode ser visto, agora com ataques baixos de Eduardo Bolsonaro contra Miriam Leitão, e eles farão isso com outras pessoas, porque, além de tentar esconder o momento trágico que o Brasil atravessa, as mortes em massa por covid, promovidas pelo governo Bolsonaro, mas sobretudo o envolvimento de toda a família com uma variedade de crimes que, em qualquer país civilizado, estariam todos na cadeia.

Por isso Bolsonaro quer estabelecer um tipo de confusão na sua campanha para tentar impedir a ampliação e o alcance das denúncias pesadas que virão contra o clã.

A espetacularização grotesca de Bolsonaro comendo pizza na rua como folclorizou nos últimos três anos, mostra que esteve em campanha e não governou o país e seguirá, porque é considerado pelos coordenadores de sua campanha que ele não tem saída que não seja a repetição de 2018 para criar uma falsa polarização com Lula.

Na verdade, Bolsonaro falará apenas para quem naturalizou a sua perversidade, seja na pandemia de covid, seja na degradação dos mais pobres.

Isso não fará Bolsonaro ampliar seu eleitorado, o máximo, se conseguir, é não atrofiar a sua musculatura política para uma parcela da sociedade que tem tara por mazelas que atingem negros, índios, gays e pobres.

Isso já foi expressado nas duas últimas semanas.

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