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Reação: Diretores da PF entregam cargos em apoio a Andrei Rodrigues

Não foi uma simples nota de solidariedade. Foi um recado institucional. E daqueles que não podem ser ignorados.

Onze diretores da Polícia Federal colocaram seus cargos à disposição após o afastamento do diretor-geral Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, por determinação do ministro André Mendonça. Em manifestação conjunta, a cúpula da corporação declarou apoio aos dois e repudiou as acusações de uma suposta atuação não republicana da PF.

O significado político e institucional desse movimento é gigantesco.

Quando praticamente toda a cúpula de uma das instituições mais importantes da República decide colocar os próprios cargos à disposição, não estamos diante de uma divergência burocrática. Estamos diante de uma crise de confiança.

E a mensagem transmitida pelos diretores é cristalina: não aceitam que a Polícia Federal seja transformada em instrumento de disputas políticas, eleitorais ou de guerras internas entre autoridades da República.

A nota é especialmente contundente ao rejeitar as acusações contra Rodrigues e Almada e ao afirmar que narrativas influenciadas por interesses político-eleitorais não são capazes de apagar suas trajetórias profissionais. Os diretores também afirmam estar cumprindo o dever de defender a instituição contra ataques e tentativas de usurpação de funções.

É preciso prestar atenção a isso.

A Polícia Federal não pertence a ministro do STF, a partido político, a governo ou a grupo eleitoral. A PF pertence ao Estado brasileiro. Sua autonomia operacional e sua credibilidade são patrimônios institucionais que não podem ficar submetidos às conveniências de uma disputa de poder.

O afastamento de Andrei, portanto, deixa de ser apenas o afastamento de um delegado do cargo máximo da corporação. Ele passa a produzir um efeito muito mais grave: coloca em xeque a estabilidade da própria cadeia de comando da Polícia Federal.

E a reação da cúpula mostra que o problema não terminou com a assinatura de uma decisão judicial.

Pelo contrário.

A crise apenas começou.

O mais preocupante é que tudo isso ocorre em meio a uma escalada de conflitos dentro do próprio Supremo, envolvendo a Polícia Federal, Alexandre de Moraes, André Mendonça e as investigações relacionadas ao Banco Master. O julgamento do afastamento ainda está em curso, tendo sido suspenso por pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Nesse cenário, a decisão dos diretores da PF funciona como um freio institucional.

Eles estão dizendo, em alto e bom som, que reputações construídas durante décadas não podem ser destruídas por acusações lançadas no calor de uma guerra política. E que a Polícia Federal não pode ser arrastada para dentro de uma disputa que ameaça contaminar as próprias instituições da República.

A questão central, portanto, já não é apenas saber quem ficará sentado na cadeira de diretor-geral.

A pergunta é muito maior:

Quem está tentando controlar a Polícia Federal — e por quê?

Porque, quando onze diretores colocam seus cargos à disposição para defender a independência da corporação, o episódio deixa de ser uma briga entre autoridades.

Passa a ser um teste para a própria democracia brasileira.


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Política

Golpe: Mendonça afasta Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A decisão também atinge o delegado Leandro Almada, diretor de inteligência policial da corporação.

Segundo Mendonça, a medida busca impedir possíveis interferências nas investigações e garantir que ministros do STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da PF exerçam suas funções “sem constrangimentos ilegais”. O ministro também determinou a abertura de uma investigação na Corregedoria da Polícia Federal para apurar as circunstâncias da produção dos relatórios de inteligência.

Na decisão, Mendonça afirma que documentos produzidos pela inteligência da PF revelam a realização de “monitoramento e coleta dirigida” contra ele próprio e Jorge Messias. Segundo o ministro, os relatórios teriam sido elaborados entre 3 e 31 de agosto, indicando que a coleta de informações ocorria havia mais de um mês.

Mendonça também classifica os documentos como apócrifos e aponta que eles não apresentam timbre ou outros elementos capazes de comprovar autoria, procedência e data de elaboração. Em outro trecho, sustenta que os relatórios chegaram a analisar decisões judiciais, a atuação da Advocacia-Geral da União e o trabalho de policiais federais.

O ministro afirma ainda que a permanência de Andrei e Almada nos cargos poderia permitir acesso a sistemas, informações e estruturas capazes, em tese, de comprometer as apurações, inclusive com conhecimento antecipado de diligências, influência sobre pessoas ou dificuldades para obtenção e preservação de provas.

“A suspensão cautelar de função pública é constitucionalmente admissível quando fundada em elementos concretos, submetida à proporcionalidade e destinada a neutralizar risco efetivo à persecução penal ou de utilização indevida das prerrogativas funcionais”, escreveu Mendonça.

O isolamento do chefe da PF dentro do governo

A decisão foi tomada após pedidos apresentados pelo partido Novo. Inicialmente, a legenda solicitou medidas para preservar a independência das investigações depois que mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mencionaram Andrei Rodrigues. Posteriormente, o partido pediu a prisão preventiva do diretor-geral da PF, mas Mendonça optou pelo afastamento cautelar.

O caso amplia a crise no Supremo após Alexandre de Moraes divulgar relatórios atribuídos à Polícia Federal que levantam suspeitas sobre a atuação de Mendonça na condução de investigações. Na decisão desta terça, Mendonça sustenta que o material é tecnicamente irregular e afirma que sua produção e circulação podem ter comprometido investigações em andamento.

*ICL


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Cotidiano

Metanol, a substância

O secretário de Segurança de SP, Guilherme Derrite, afirmou que “está completamente descartada” a ligação do PCC com o caso das bebidas com metanol, mas a PF está, sim, investigando um possível elo.

O secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo, Guilherme Derrite, disse nesta terça-feira, 30, que “está completamente descartada” a hipótese de ligação do PCC com a adulteração de uísque, vodca e gim com metanol. Cinco pessoas já morreram na Grande São Paulo intoxicadas por metanol e há confirmação de que uma das mortes aconteceu após ingestão de bebida alcoólica contaminada com a substância.

Também nesta terça, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, afirmou algo bem diferente do que disse o capitão da reserva da PM expulso da Rota por “excesso de mortes” e alçado por um capitão da reserva do Exército, Tarcísio de Freitas, ao comando das polícias paulistas.

Segundo Andrei Rodrigues, a PF está, sim, apurando um possível elo entre o crime organizado e o caso das bebidas com metanol, e o motivo é evidente demais para ser desprezado por qualquer secretário estadual de Segurança Pública:

“A possível conexão com investigações recentes que fizemos agora, especialmente no Paraná, que se conectou com outras duas em São Paulo em razão de toda a cadeia de combustível, onde parte disso passa pela importação de metanol pelo porto de Paranaguá”.

Recentemente, a operação Carbono Oculto mostrou que o PCC importou milhões de litros de metanol irregularmente para misturar a substância à gasolina vendida em cerca de mil postos de combustíveis controlados pela organização criminosa. O metanol irregular entrava no Brasil com documentação falsa, sob pretexto de uso industrial, e entrava pelo porto de Paranaguá, no Paraná.

No último domingo, 28, a Associação Brasileira de Combate à Falsificação divulgou uma nota dizendo o seguinte:

“Ao ficar com tanques repletos de metanol lacrados e distribuidoras e formuladoras proibidas de operar [por causa da Carbono Oculto], a facção e seus parceiros podem eventualmente ter revendido tal metanol a destilarias clandestinas e quadrilhas de falsificadores de bebidas, auferindo lucros milionários em detrimento da saúde dos consumidores”

O porto de Paranaguá é o mesmo porto brasileiro por onde saía para a Europa a cocaína de uma joint venture não registrada em junta comercial formada entre o PCC e outra máfia, a italiana ’Ndrangheta, conforme mostrou uma outra operação recente da PF — a operação Mafiusi.

Nas investigações da Mafiusi, apareceu o nome da pecuarista Maribel Schmittz Golin. Trata-se da sexta maior doadora da campanha de Tarcísio de Freitas para o Palácio dos Bandeirantes. Para eleger Tarcísio governador de São Paulo, Maribel chegou junto com nada menos que R$ 500 mil em 2022. No esquema mafioso, Maribel teria ajudado Willian Barile Agati, o “Concierge do PCC”, a lavar dinheiro do tráfico de drogas.

*Hugo Souza/Come Ananás


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Política

A reação do diretor da PF às ameaças de Eduardo Bolsonaro: “Nenhum investigado intimidará a Polícia Federal”

Declaração de Andrei Rodrigues foi resposta a fala agressiva do deputado em live contra o delegado que investiga Jair Bolsonaro no STF

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, repudiou neste domingo (20) declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), feitas durante uma live transmitida em suas redes sociais.

Segundo Rodrigues, trata-se de “mais essa covarde tentativa de intimidação aos servidores policiais”, e a corporação já prepara as medidas legais cabíveis. As informações foram publicadas inicialmente pelo blog da jornalista Andréia Sadi, do portal g1.

Durante a transmissão, Eduardo Bolsonaro — atualmente licenciado do mandato e nos Estados Unidos desde fevereiro — voltou a atacar o delegado Fábio Alvarez Shor, responsável por inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em tom de ameaça, o deputado afirmou:

“Cachorrinho da Polícia Federal que tá me assistindo, deixa eu saber não. Se eu ficar sabendo quem é você… ah, eu vou me mexer aqui. Pergunta ao tal delegado Fábio Alvarez Shor se ele conhece a gente…”

A fala foi feita no mesmo momento em que o parlamentar reafirmava sua intenção de trabalhar pela saída do ministro Alexandre de Moraes do STF, alimentando sua retórica de confronto contra a Corte Suprema.

PF reforça que ameaças não ficarão impunes
Ao comentar o episódio, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, declarou com veemência:

“Nenhum investigado intimidará a Polícia Federal.”

A corporação enfatizou ainda que qualquer ameaça a agentes públicos no exercício de suas funções é considerada grave e pode resultar na abertura de novas investigações criminais, segundo o 247.


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Política

Sim, Bolsonaro sabia da trama golpista’, afirma diretor-geral da Polícia Federal

Andrei Rodrigues cita provas documentadas que sustentam a investigação sobre o ex-presidente

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, declarou nesta quarta-feira (4) que existem provas suficientes que indicam o conhecimento e a participação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no plano de golpe de Estado de 2022. Durante um café da manhã com jornalistas em Brasília, ele afirmou: “Sim, o ex-presidente sabia da trama golpista. […] É uma investigação muito responsável. Não é voz da minha cabeça. Está lá, está documentado. Tudo o que está posto ali tem sustentação fática”.

Rodrigues citou como evidências depoimentos de militares, trocas de mensagens e até uma impressão do plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi feita no Palácio do Planalto, onde Bolsonaro estava presente. De acordo com informações da CNN, o relatório da PF menciona o ex-presidente 516 vezes e afirma que ele “planejou, atuou e teve o domínio de forma direta e efetiva” nos atos da organização criminosa que visava tomar o poder.

Bolsonaro diz que investigação é “narrativa inventada” por Moraes

O documento também ressalta que o golpe não se concretizou por “circunstâncias alheias” à vontade de Bolsonaro, que, segundo a PF, era sustentado por investigados desde 2019. O indiciamento do ex-presidente está agora sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se apresentará ou não uma denúncia. Rodrigues afirmou estar “absolutamente seguro do conteúdo e da qualidade do trabalho que a Polícia Federal produziu”.

Em contraponto, Jair Bolsonaro desqualificou a investigação, referindo-se a ela como uma “historinha” e uma “narrativa inventada” pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele questionou: “Golpe em que ninguém viu um soldado sequer na rua? Um tiro? Ninguém sendo preso?” e acusou Moraes de criar narrativas com a PF.

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Lula presidente

Carlos ataca PT e indicação para PF e filho de Lula responde: ‘Chorão’

Filho do presidente Jair Bolsonaro (Partido Liberal), o vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos) questionou escolhas do próximo governo no Twitter e foi respondido por Luis Claudio Lula da Silva, filho do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

A discussão entre os dois aconteceu na manhã deste sábado. Carlos publicou uma mensagem na qual questionava a escolha do delegado Andrei Rodrigues para o comando da Polícia Federal e reproduzia reportagem publicada pelo UOL.

Rodrigues cuidou da segurança de Lula durante a campanha eleitoral, assim como já havia feito com Dilma Rousseff (PT) em 2010.

Além disso, o vereador compartilhou a imagem de uma reportagem que afirma que o filho de Lula voltou a movimentar uma empresa de sua propriedade que foi alvo de investigação por parte da PF em 2015.

Em resposta aos comentários, Luis Claudio lembrou as interferências de Bolsonaro na Polícia Federal e as suspeitas de corrupção nas quais a família do presidente está envolvida. Entre elas, ele citou inclusive o caso dos imóveis comprados em dinheiro vivo, divulgado em agosto pelo UOL em reportagem.

A troca de mensagens aconteceu entre 11h40 e 13h deste sábado. No fim da tarde, o filho do presidente eleito apagou o tuíte que havia feito.

*Com Uol

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