Categorias
Política

CPI da Covid: Bolsonaro, na busca pela imunidade de rebanho, levou o Brasil à tragédia

O Brasil chegou à marca macabra de mais de 440 mil mortes por covid e a responsabilidade por grande parcela desses óbitos se deve às ações do governo Bolsonaro.

Essa foi a síntese da senadora Zenaide Maia (PROS-RN) ao se dirigir a Pazuello que, não satisfeito em ser submisso a Bolsonaro, como ministro da Saúde, numa servidão vergonhosa, está assumindo toda a responsabilidade das mortes em decorrência da pandemia pelo projeto de imunidade de rebanho.

Não há novidade nisso, lógico, mas agora ganha caráter oficial. Talvez por isso, na CPI, Flávio Bolsonaro esteja marcando homem a homem cada fala dos senadores. E todas as vezes que os absurdos cometidos pelo seu pai são expostos à luz do dia, ele usa a sua fábrica de chocolate, não para explicar os depósitos de Queiroz em sua conta, mas como codinome de cloroquina.

Daí Flávio, no desespero, diz que a CPI não derrubará seu pai e corre o risco de implodir.

O tolo acha que ninguém percebe seu desespero na própria CPI, comportando-se como um moleque nas tolices que fala, mostrando o quanto o clã Bolsonaro está se borrando de medo dos desdobramentos, superando Pazuello, até porque Manaus, como já foi dito inúmeras vezes por senadores na CPI, serviu como laboratório desse crime hediondo estimulado por Bolsonaro, o que causou o colapso da falta tanto de oxigênio quanto de insumos.

Não foi um mero desprezo de gestão, mas um projeto de pagar para ver quantos sobreviveriam e quantos morreriam.

Então, não há como a CPI não desembocar numa responsabilização do presidente da República. Todos os seus atos, sejam eles políticos ou pelas ações do próprio governo diante da pandemia, levam ao mesmo destino, a busca pela imunidade de rebanho.

“Se isso é verdadeiro, o presidente incorreu em um grave crime, que representa um dolo eventual, ou seja, que ele correu o risco de causar um dano irreversível às pessoas com essa tese. E isso se transforma em um grave crime de responsabilidade”, diz o senador Humberto Costa.

Este é o ponto central que será cada vez mais colocado às claras para que a sociedade tenha pleno conhecimento do porquê o Brasil chegou à pior tragédia sanitária de sua história.

*Carlos Henrique Machado Freitas

Siga-nos no Whatsapp: https://chat.whatsapp.com/H61txRpTVWc7W7yyCu0frt

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica: Agência 0197
Operação: 013
Poupança: 56322-0
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450.139.937-68

PIX: 45013993768
Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Uncategorized

CPI, independência ou pizza

Ninguém esperava nada de verdadeiro vindo da boca de Pazuello, tanto que ele recorreu ao STF para ter o direito de mentir e não ser preso, sem falar que queria dar uma carteirada indo de farda ao depoimento para tentar intimidar senadores.

Deu volta, deu volta e acabou por confirmar que em nenhum momento teve qualquer atrito com Bolsonaro, o que era óbvio, já que todos sabem que Pazuello era um mero leva e traz de Bolsonaro, o verdadeiro ministro da Saúde é o próprio presidente da República, porque já seria responsabilizado pelo morticínio que está sob a batuta do comandante da nação e, consequentemente, a principal responsabilidade pelas ações e omissões do governo federal, ele e sua caneta Bic.

Bolsonaro, com essa atitude, só mostrou que, enquanto em outros países se buscava uma política de combate à pandemia, aqui o que vimos foi a destituição do ministro da Saúde e, por consequência, a omissão do ministério nas questões mais agudas. Tudo para que o vírus ganhasse força, contaminando toda a população para se chegar na suposta imunidade de rebanho, na base do morra quem tiver que morrer e viva quem tiver que viver. Assim, a economia seria de R$ 20 bilhões.

No sentido prático, o resultado foi, o Brasil tem 2,7% da população mundial. Se tivesse 2,7% das mortes por Covid-19, seriam 92.508 vidas perdidas. Até hoje, são 346.870 mortes em excesso do que seria esperado pelo tamanho da nossa população.

Ou seja, há uma diferença enorme do ponto de vista percentual entre população e casos e mortes por covid, o que mostra de maneira clara quanto custou em termos de vidas a política genocida adotada pelo Brasil.

E é sobre essa questão que não há mais discussão, que a CPI terá que dar a resposta. Uma coisa é unânime para quem assistiu ao depoimento de Pazuello ontem, o sujeito mentiu desbragadamente sem uma vírgula de pudor para livrar a cara de Bolsonaro.

Mas fica a pergunta ainda mais cara, e daí, o que vai acontecer com os envolvidos diretamente nesse morticínio? Que preço pagará o chefe da nação, responsável direto por essa tragédia humanitária?

Essas são as perguntas que os brasileiros fazem, porque, do contrário, ficará a impressão para a sociedade de que tudo não passou de um grande teatro.

*Carlos Henrique Machado Freitas

Siga-nos no Whatsapp: https://chat.whatsapp.com/H61txRpTVWc7W7yyCu0frt

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica: Agência 0197
Operação: 013
Poupança: 56322-0
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450.139.937-68

PIX: 45013993768
Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Política

Pazuello se contradiz e nega ordem do Planalto para recusar CoronaVac

O presidente Jair Bolsonaro nunca mandou o Ministério da Saúde desfazer qualquer contrato com o Instituto Butantan para aquisição de doses da CoronaVac, segundo afirmou hoje (19) o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello à CPI da Covid.

A declaração evidencia uma contradição do ex-membro do governo em relação a um vídeo publicado em outubro de 2020, período em que ele se recuperava de contaminação por covid-19. Na ocasião, logo depois de a pasta federal recuar na compra de 46 milhões de doses do imunizante, o então ministro apareceu publicamente ao lado de Bolsonaro e afirmou:

“Senhores, é simples assim: um manda e o outro obedece. Mas a gente tem um carinho, entendeu? Dá para desenrolar, dá para desenrolar.”

O episódio ficou marcado como uma desautorização pública do chefe frente à condução do Ministério da Saúde e, em especial, aos procedimentos para compra de vacinas contra a covid-19.

A CoronaVac foi desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com uma fabricante chinesa, a Sinovac, responsável pela origem dos estudos e fornecedora dos insumos necessários. O Butantan faz parte da estrutura do governo de São Paulo, comandado por um dos rivais de Bolsonaro, o tucano João Doria.

Além disso, na gestão Bolsonaro, houve vários episódios de atritos com a China e demonstrações por parte de membros do governo de antipatia com o país asiático. O acúmulo de desgastes nesse sentido foi um dos elementos que colaboraram para a demissão do ex-chanceler, Ernesto Araújo.

Nunca o Presidente da República mandou eu desfazer qualquer contrato, qualquer acordo com o Butantan. Em nenhuma vez. E eu gostaria de colocar uma coisa aqui diretamente? eu queria lembrar que o presidente fala como chefe de estado, chefe de governo, como comandante-chefe das forças armadas, chefe da administração federal, mas fala também como agente político.

Em relação à frase “um manda, outro obedece”, Pazuello tentou minimizar o impacto das interpretações sobre o assunto, e justificou suas declarações alegando que esse é “um jargão simplório, colocado para discussões de internet”.

Bolsonaro, na altura, falou em ter sido “traído” por Pazuello diante das compras do imunizante contra a covid-19 desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. Em seguida, à época, o presidente e o então ministro da Saúde se encontraram para acabar com rumores sobre a demissão do general.

A visita ocorreu fora da agenda oficial dos dois e foi transmitida por uma rede social.

*Com informações do Uol

Siga-nos no Whatsapp: https://chat.whatsapp.com/H61txRpTVWc7W7yyCu0frt

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica: Agência 0197
Operação: 013
Poupança: 56322-0
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450.139.937-68

PIX: 45013993768
Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Uncategorized

Nervoso e gaguejando, Ernesto Araújo confirma que governo não fez plano de ação internacional da Covid

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, nesta terça-feira (18), o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que o governo de Jair Bolsonaro não preparou um plano único de ação internacional no combate à pandemia.

O comentário foi feito após o relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), ter questionado o ex-chanceler se o governo federal estruturou uma diretriz única de ações internacionais na crise sanitária. Com a voz trêmula, o ex-chanceler disse que as ações foram definidas conforme os “requisitos do momento”.

“O governo federal acredito que não tenha definido um documento único de orientações para atuação internacional. As orientações surgiram em diferentes momentos, que vieram a partir do Ministério da Saúde, de acordo com o requisito do momento”, respondeu Araújo. Ele citou como exemplo a importação de equipamentos e apoio à negociação de vacinas.

“Acho que houve diretrizes que foram sendo proporcionadas ao longo do tempo, em diferentes momentos, de acordo com a realidade daquele momento, e com os requisitos daquele momento”, completou o ex-chanceler.

O relator da comissão então provocou o depoente, referindo-se às ações do governo como “improvisadas”. “Foram circunstanciais, né? Meio que improvisadas pelas circunstâncias”, disse. Araújo então retrucou: “O fato de não ter havido um documento não quer dizer que tenha havido improviso. No caso da vacinação, teve uma estratégia definida pelo Ministério da Saúde, que foi apoiada pelo Itamaraty”.

*Com informações da Forum

Siga-nos no Whatsapp: https://chat.whatsapp.com/H61txRpTVWc7W7yyCu0frt

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica: Agência 0197
Operação: 013
Poupança: 56322-0
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450.139.937-68

PIX: 45013993768
Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Uncategorized

Ernesto Araújo, que vai depor daqui a pouco na CPI, magoado, preocupa governo

O ex-chanceler Ernesto Araújo, que já foi considerado o pior diplomata do mundo e conseguiu desmoralizar o Itamaraty, ao levar teorias olavistas para dentro da instituição, depõe nesta terça-feira à CPI da Pandemia, com transmissão aqui no Antropofagista, e preocupa o Palácio do Planalto. Isso porque fontes do governo avaliam que ele se sente abandonado pelo Palácio do Planalto após ter sido demitido. Ernesto foi um dos principais responsáveis pela tragédia brasileira, ao sabotar os esforços para a compra de vacinas e atacar a China, maior fornecedor de insumos.

Alinhado com a extrema-direita internacional, ele atacava o que chamava de “comunavírus”. O diplomata também participou de uma misteriosa missão a Israel, supostamente para adquirir “spray nasal”, mas que foi colocada em sigilo.

“No caso de Ernesto, a preocupação é que os integrantes independentes e da oposição da CPI explorem uma eventual mágoa do ex-ministro das Relações Exteriores com o Planalto após uma saída turbulenta da pasta”, informa reportagem do Valor.

“Diferente de Eduardo Pazuello, Ernesto não contou com o mesmo respaldo da Advocacia-Geral da União (AGU) às vésperas de seu depoimento. Fontes relatam que o próprio ex-chanceler preferiu contar com um advogado privado, mas havia a preocupação de que ele passasse por ‘uma síndrome do abandono’”.

*Com informações do 247

Siga-nos no Whatsapp: https://chat.whatsapp.com/H61txRpTVWc7W7yyCu0frt

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica: Agência 0197
Operação: 013
Poupança: 56322-0
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450.139.937-68

PIX: 45013993768
Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Uncategorized

Bolsonaristas perdem força em debate sobre CPI da Covid no Twitter

O depoimento do ex-secretário Especial de Comunicação do governo federal Fabio Wajngarten representou uma virada esta semana para o desempenho da base bolsonarista nas redes sociais, quando o assunto é a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado.

Dados levantados pela consultoria Arquimedes, a pedido do GLOBO, revelam que perfis alinhados ao presidente Jair Bolsonaro perdem espaço no debate digital a partir da sessão que contou com a participação de Wajngarten na última quarta-feira.
Entre os dias 8 e 11 de maio, dia em que o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres depôs à CPI, a base bolsonarista concentrou 43% das menções à CPI no Twitter contra 57% da oposição. No dia 12, quando Wajngarten foi ouvido, esse percentual caiu para 28% ante 72% de perfis antibolsonaristas. Já na última quinta-feira, quando o presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, falou aos senadores, os governistas somaram 29% das menções. Ao todo, foram analisadas pela Arquimedes mais de 900 mil mensagens.
Em seu depoimento, Wajngarten buscou poupar Bolsonaro de críticas pela condução da crise na pandemia, mas fortaleceu o discurso de oposição ao entregar à CPI uma carta enviada pela Pzifer em setembro do ano passado oferecendo vacinas ao Brasil. O documento ficou dois meses sem respostas das autoridades brasileiras.
O pesquisador Pedro Bruzzi, sócio da Arquimedes, explica que o tom adotado pela base bolsonarista diante das revelações da CPI tem perdido fôlego porque se resume a ataques ao senador Renan Calheiros (MDB-AL) e demais parlamentares da comissão, a exemplo da reação de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) ao chamar o relator de “vagabundo”.
A mesma estratégia é observada nos grupos de WhatsApp monitorados pelo professor da Universidade da Virgínia, nos EUA, David Nemer, que estuda o comportamento da base de Bolsonaro na plataforma. Na última quarta-feira, por exemplo, em 37 de 73 grupos analisados, vídeos com o ataque de Flávio a Renan foram amplamente reproduzidos e compartilhados logo após a declaração do senador.
— É fácil trazer ataques ao Renan Calheiros porque ele já foi alvo da base antes mesmo da CPI começar a funcionar. Já há material, inclusive, pronto para isso. Mas ao longo das sessões, o que observamos é uma desorganização dessa base, que não sabe lidar com a velocidade dos acontecimentos na CPI e precisa de tempo para estruturar sua narrativa. Aquela máquina vista nas eleições 2018 está mais fraca e ineficiente — conclui Nemer, que vê um tom mais reativo entre os apoiadores do presidente.
Além de nomes tradicionais do campo bolsonarista, como os filhos do presidente e parlamentares, como a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), o senador Marcos Rogério (DEM-RO), membro da CPI, ganhou protagonismo na defesa do governo Bolsonaro no Twitter. Desde 1º de maio, o senador triplicou o número de seguidores no Twitter, de 8,3 mil para 23,7 mil na última sexta-feira.
No Instagram, a alta é de 70%, com 17 mil novos seguidores, nas últimas duas semanas. Uma de suas postagens com maior repercussão é uma resposta ao youtuber Felipe Neto, que o chamou de “vergonha como representante do povo”. Trechos das falas de Marcos Rogério nas sessões também têm circulado entre perfis bolsonaristas e já chegaram a ser compartilhados pelos filhos de Bolsonaro.

Na oposição, postagens do senador Randolfe Rodrigues têm se destacado (Rede-AP). Um dos fatores é o fato de o parlamentar, que é membro da CPI, interagir com usuários da rede e levar temas discutidos nas plataformas digitais para os trabalhos da comissão. Um exemplo foi a revelação da live de Wajngarten e Eduardo Bolsonaro (DEM-SP) sobre a campanha “O Brasil não pode parar”, postada pelo perfil “Jair, Me Arrependi”, que tem 200 mil seguidores no Twitter. Randolfe respondeu ao perfil na rede indicando que passaria o conteúdo aos membros da CPI. O vídeo acabou reproduzido na sessão pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE).

No áudio, de março do ano passado, Wajngarten revela que continuava trabalhando, mesmo após ser diagnosticado com Covid-19, o que contradiz sua versão em depoimento aos senadores de que não acompanhou a campanha publicitária contra o isolamento social porque estava afastado das funções.

— O Twitter está participando ativamente da CPI, municiando os senadores de oposição com informações, e se organiza para além de agrupamentos de partidos políticos. O Renan Calheiros é do MDB, o Omar Aziz é do PSD. Há uma frente ampla se compondo tanto na CPI quanto no Twitter para além de ideologia e partidos políticos — avalia Bruzzi.

*Marlen Couto/O Globo

Siga-nos no Whatsapp: https://chat.whatsapp.com/H61txRpTVWc7W7yyCu0frt

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica: Agência 0197
Operação: 013
Poupança: 56322-0
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450.139.937-68

PIX: 45013993768
Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Política

O pior crime de responsabilidade de Bolsonaro foi difundir desinformação e sabotar medidas de prevenção, além da vacinação

Nesses tempos de pandemia, o brasileiro teve que aprender a conviver com o medo do coronavírus, ao mesmo tempo em que, a partir de um plano de do Palácio do Planalto, Bolsonaro montou uma verdadeira indústria de desinformação e sabotagem das medidas de prevenção e da vacinação.

Somente isso já daria direito ao Congresso de votar dez impeachment contra Bolsonaro. Soma-se a isso o fato de ter usado recursos do próprio povo para patrocinar a difusão de mentiras fundamentadas apenas no seu desejo de sabotar tudo o que não fosse a promoção da covid.

Programas como muitos da Jovem Pan, possivelmente o Pingo nos Is, continuam fazendo serviço completo nessa área sem que nenhum dos participantes da mesa comandada por Augusto Nunes, apresente um traço de remorso por participar ativamente dessa panaceia cotidiana que tenta mutilar as orientações da ciência, o que, sem dúvida, significou um peso enorme no crescimento continuado de infectados e mortos pela covid.

Tudo foi feito para atender à individualidade do mercado até levar o país a essa situação trágica. São ações que não representaram qualquer ganho para a economia, mas que produziram um morticínio que ainda não se sabe exatamente o que representará na situação estrutural da sociedade.

Além da frequência com que Bolsonaro aglomerava grupos de seguidores, condenando os próprios a se contaminarem, o tratamento odioso oferecido por ele à população é apenas um dado de uma força muito maior que efetivamente semeou em seus discursos carregados de ódio, seja em suas falas diretas, seja por uma imposição a veículos de imprensa cooptados pelo Palácio do Planalto, condenando os brasileiros ao cadafalso e causando conflitos na própria sociedade, por repetir diuturnamente os absurdos sobre a covid que jamais tiveram qualquer respaldo científico.

Na verdade, Bolsonaro criou uma ordem nacional contra a ciência, folclorizando a natureza da covid e dando a ela características minimizadoras, porque sempre pensou num processo político, melhor dizendo, sempre acreditou que, assim, o mercado lhe garantiria o direito de governar o país por oito anos.

O que sempre foi central para Bolsonaro, é o mercado, não as pessoas.

Na realidade, os brasileiros são vistos pelo Palácio do Planalto de forma residual, pois Bolsonaro tinha sim a intenção de contaminar o máximo de brasileiros para alcançar o mais rápido possível a suposta imunidade de rebanho, o que já custou até aqui a morte de mais de 430 mil brasileiros.

Não há outro fenômeno igual no mundo que tenha produzido tamanha miséria humana, que tenha estimulado o povo a impor uma violência contra si numa das mais perversas formas de desumanização de que se tem notícia na história da humanidade.

Isso é motivo mais do que suficiente para a CPI, devidamente documentada, propor o impeachment de Bolsonaro, porque se nada acontecer além de discursos ornamentais, possibilitando, depois de tudo o que os brasileiros sabem, será a produção do que há de pior na hipocrisia nacional, preparando o país para o mergulho na selvageria social em que a vida de qualquer brasileiro não valerá um centavo.

É disso que se trata esse vulcão de crimes de responsabilidade de Bolsonaro.

Por isso insisto, se a CPI não servir para destituir Bolsonaro, não servirá para nada.

*Carlos Henrique Machado Freitas

Siga-nos no Whatsapp: https://chat.whatsapp.com/H61txRpTVWc7W7yyCu0frt

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica: Agência 0197
Operação: 013
Poupança: 56322-0
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450.139.937-68

PIX: 45013993768
Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Uncategorized

Pazuello pretende responder a todas as perguntas, diz advogado

Segundo o Painel da Folha, o advogado Zozer Hardman, que está auxiliando Eduardo Pazuello em sua preparação para a CPI da Covid, diz que o general tem intenção de responder a todas as questões dos senadores.

Nesta sexta-feira (14), o ministro do STF Ricardo Lewandowski concedeu habeas corpus que garante que o ex-ministro possa ficar em silêncio nos casos de perguntas sobre si mesmo.

“A decisão do STF está correta. Já era esperada. A garantia ao tratamento urbano, digno e respeitoso era o objetivo [do HC]. O ministro Pazuello pretende responder a todas as perguntas. Porém, como toda e qualquer testemunha tem o direito ao tratamento digno, urbano e respeitoso”, diz Hardman ao Painel.

Ele foi assessor especial de Pazuello no Ministério da Saúde. Ele afirma que tem colaborado na elaboração da estratégia do ex-ministro com sua experiência como advogado criminalista. Oficialmente, o general está sendo representado pela Advocacia-Geral da União. ​

O depoimento do general à comissão está marcado para quarta-feira (19). A audiência estava marcada inicialmente para 5 de maio, mas foi adiada após o militar informar que havia tido contato recente com pessoas com Covid-19 e pedir para não comparecer ou participar virtualmente.

Embora notificado pela CPI para prestar depoimento como testemunha, condição que o obriga a dizer a verdade, o órgão que faz a defesa judicial do governo federal argumentou que Pazuello tem a prerrogativa constitucional de não produzir prova contra si.

O órgão pediu ao Supremo que assegure ao general o direito de responder às perguntas que, a seu juízo, não configurem violação a tal prerrogativa. E que não venha a sofrer qualquer ameaça de tipificação de crime de falso testemunho e/ou ameaça de prisão em flagrante.

Pediu também que ele possa ser acompanhado por um advogado quando comparecer à comissão de inquérito.

Siga-nos no Whatsapp: https://chat.whatsapp.com/H61txRpTVWc7W7yyCu0frt

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica: Agência 0197
Operação: 013
Poupança: 56322-0
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450.139.937-68

PIX: 45013993768
Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Uncategorized

O silêncio do general

Até aqui pelo que já se sabe sobre os atos do presidente, 56% dos brasileiros consideram que Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade durante a pandemia.

Não é sem motivo que 61% apoiam os trabalhos da CPI da Covid.

Renan Calheiros foi bastante objetivo sobre a decisão de Lewandowski de conceder ao general Pazuello o direito de não se autoincriminar. Renan disse que não é isso que a CPI está buscando de Pazuello, não é confissão, quer apenas que ele aponte a responsabilidade de terceiros.

Sobre Pazuello, outros falarão. São essas dinâmicas que modificam o comportamento de quem depõe na CPI. Por isso, as ações do Palácio do Planalto não produzem o resultado esperado por Bolsonaro.

A evolução da CPI tem se dado nas relações humanas a partir de um movimento natural e não mecânico, o que acaba por produzir uma dinâmica dupla entre o que se revela e a próxima etapa que se abre a partir dessas revelações.

O pedido de um general ao STF do direito ao silêncio para não transferir para si a responsabilidade que é de Bolsonaro, simbolicamente, não deixa de ser uma modelagem importante, porque descreve como operou o ministério da Saúde modelado por Bolsonaro.

É isso que o silêncio de Pazuello descreve como quem não comandou a pasta, mas se adaptou à personalidade de quem manda de verdade na Saúde, que é o próprio Bolsonaro.

E por definição, a ação prática se deu a partir de seu exercício pessoal em todo o processo trágico que se viu durante a pandemia. Foi a ação de Bolsonaro que deu toda a dinâmica para se produzir essa hecatombe nacional que, até aqui, vitimou mais de 430 mil brasileiros, porque o objetivo de Bolsonaro sempre foi o de desenvolver uma política de contaminação em massa para que a economia fosse o menos afetada possível.

Portanto, Bolsonaro é o responsável direto pela evolução e disseminação do vírus no Brasil.

É certo que Pazuello dividiu sim a responsabilidade com o presidente, pois ele, sempre disposto a se submeter às ordens chefe, associou-se ao morticínio a que o Brasil assiste hoje.

Por isso, mesmo que Lewandowski tenha dado a Pazuello a garantia de permanecer em silêncio, o grosso da questão lhe pesará sobre os ombros, claro, mas menos que nos ombros de Bolsonaro.

Agora sabe-se que Pazuello pretende falar em seu depoimento na CPI, só não se sabe o quê.

Não há como o general construir uma narrativa contra fatos que estão claros para a sociedade. É pouco provável que Pazuello não caia em contradição, mesmo que diga que a obra não é dele. Neste caso, a emenda do soneto cairá nos ombros do “chefe da nação”, porque toda a agenda do ministério da Saúde, como mostraram os três ex-ministros que já prestaram depoimento na CPI, Bolsonaro controla com mãos de ferro a pasta da Saúde no momento em que o Brasil beira novamente o aumento de casos e de mortes por covid, o que pode representar uma terceira onda.

Isso fará das revelações de Pazuello um episódio especial na CPI, sobre o que ele não conseguir esconder, até porque seria vergonhoso para as Forças Armadas que um general da ativa ficasse amedrontado a ponto de não dar um pio durante seu depoimento, numa atitude desonrosa para a própria farda que veste.

A conferir.

*Carlos Henrique Machado Freitas

Siga-nos no Whatsapp: https://chat.whatsapp.com/H61txRpTVWc7W7yyCu0frt

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica: Agência 0197
Operação: 013
Poupança: 56322-0
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450.139.937-68

PIX: 45013993768
Agradecemos imensamente a sua contribuição

Categorias
Política

Bresser-Pereira: Lula voltará à Presidência

“Ainda haverá necessidade de muita luta política para chegarmos lá, mas Lula é um grande líder político e saberá liderar essa luta ao mesmo tempo que se soma a ela, porque essa será uma luta dos brasileiros”, afirma o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira.

A pesquisa do Datafolha publicada hoje (13.5.21) confirma o que já estava ficando claro nas últimas pesquisas. Lula voltará à Presidência da República, e Bolsonaro provavelmente não chegará ao segundo turno.

A popularidade de Bolsonaro não para de cair, e por isso não deverá chegar ao segundo turno, seja porque Lula já ganha no primeiro turno, ou porque outro candidato representando uma direita civilizada o deixará para trás, ou porque sofrerá antes um impeachment.

Afastá-lo da presidência da República continua a ser prioritário, porque é preciso interromper seu desgoverno o mais rápido possível.

E agora estamos todos contando com os senadores e a CPI.

Mas também já é preciso pensar como será o novo governo Lula.

Que será de centro-esquerda e solidário com os trabalhadores e os pobres, não há dúvida. Mas será também capaz de mudar o regime de política econômica de liberal para desenvolvimentista?

Para fazer essa mudança não basta ser a favor de política industrial. Essa é uma política muito necessária, mas não basta. É preciso também colocar os cinco preços macroeconômicos no lugar certo para dar condições para que a indústria brasileira volte a investir e a exportar.

Para isto será preciso manter a taxa de câmbio em um nível competitivo, em torno de R$ 4,80 por dólar, e que este nível ou faixa seja confiável para as empresas industriais aqui instaladas, sejam elas nacionais ou multinacionais, e as leve a investir.

Para que esse compromisso seja confiável o governo deverá manter baixo o nível da taxa de juros, rejeitar a política de endividamento externo, manter a conta corrente do país equilibrada, assegurar o equilíbrio fiscal, e neutralizar a doença holandesa.

A política de endividamento externo não leva ao aumento do investimento mas ao aumento do consumo, mesmo quando os dólares entrados visem especificamente determinados investimentos, porque aprecia o câmbio e desestimula o investimento.

Para neutralizar a doença holandesa, além de se reestudar as tarifas hoje existentes, será preciso estabelecer uma tarifa adicional linear, igual para todos os bens, variável de acordo com o preço médio das commodities exportadas pelo Brasil.

Quando esses preços estiverem baixos, ela será zero.

E criar um subsídio para a exportação de manufaturados igualmente variável de acordo o preço internacional das commodities. Se a OMC não concordar, adotar assim mesmo essa política.

Mais vale eliminar essa desvantagem competitiva e termos exportações de manufaturados competitiva do que apoio da OMC.

Finalmente, para reduzir a desigualdade, o novo governo Lula deverá se concentrar em uma ou mais reformas tributárias que tornem progressivo o sistema de impostos, enquanto continua a dar como deu anteriormente apoio ao SUS e à educação pública.

Ainda haverá necessidade de muita luta política para chegarmos lá, mas Lula é um grande líder político e saberá liderar essa luta ao mesmo tempo que se soma a ela, porque essa será uma luta dos brasileiros.

*Luiz Carlos Bresser-Pereira/247 – Professor emérito da Fundação Getúlio Vargas onde pesquisa e ensina teoria econômica e teoria política desde 1959. Foi Ministro da Fazenda (1987) e Ministro da Administração Federal e Reforma do Estado (1995-98). É doutor honoris causae pela Universidade de Buenos Aires.

Siga-nos no Whatsapp: https://chat.whatsapp.com/H61txRpTVWc7W7yyCu0frt

Apoie o Antropofagista com qualquer valor acima de R$ 1,00

Caixa Econômica: Agência 0197
Operação: 013
Poupança: 56322-0
Arlinda Celeste Alves da Silveira
CPF: 450.139.937-68

PIX: 45013993768
Agradecemos imensamente a sua contribuição