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No Oriente, Lula “abalou Bangu”. Bolsonaro está em rota segura para ficar por lá

Luís Costa Pinto*

No Brasil, a esfuziante e pragmática agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China e aos Emirados Árabes só surpreendeu os recalcitrantes da oposição e da mídia conservadora (para não dizer “extremista de direita”) que insistem em fazer olhos cegos e ouvidos moucos à nada sutil mudança qualitativa operada na percepção da imagem e do papel do País nos diversos foros internacionais de decisão das políticas globais.

No exterior, sobretudo nos Estados Unidos, causou espécie a assertividade e a independência dos discursos do líder brasileiro sobre a necessidade de o mundo abandonar o padrão-dólar para as trocas comerciais internacionais entre blocos e Nações e adotar cestas de múltiplas moedas e acerca da urgência de união dos países e dos escassos estadistas vivos (ele mesmo e o Papa Francisco, por exemplo) em torno de um processo de construção da paz que ponha fim a conflitos como a guerra da Ucrânia.

Donald Trump, porta-voz e vanguarda da extrema-direita, e todos os veículos de mídia que ecoam as vozes imperiais do Mercado Financeiro Internacional como The Wall Street Journal, Washington Post e The Economist, tendo por aqui o jornal Folha de S Paulo como ventríloquo de suas teses pedestres e sabujas, ecoaram uma espécie de temor sem fundamentos de a viagem de Lula ter feito o “satélite” Brasil sair da órbita dos EUA para gravitar sob a atração imperialista da China. Tamanha bobagem desqualifica quem acredita nela. Porém, aqueles que a formulam sabem exatamente aonde querem chegar: na disseminação do medo interno, entre os brasileiros, de que estejamos nos desplugando do Ocidente velho conhecido para aderir ao Oriente que seria “incerto”.

O presidente Lula, em pouco mais de 100 dias de Governo, não só venceu um golpe de Estado (8/01) e restaurou o poder das instituições republicanas como retomou políticas públicas bem-sucedidas (Bolsa Família, Mais Médicos, Minha Casa, Minha Vida) e devolveu ao Brasil o papel e a dimensão de indutor de movimentos no tabuleiro estratégico internacional. Não é pouco: é demais, em pouquíssimo tempo. E isso, caríssim@s leitores, dir-se-ia se ainda vivêssemos sob o manto diáfano da Guerra Fria: abalou Bangu!

Em 2 de agosto de 1958, o arsenal do Exército localizado no bairro Deodoro, Zona Norte do Rio de Janeiro, foi destruído por um incêndio. As munições ali guardadas explodiram. Registraram-se centenas de mortos e feridos. O impacto das explosões foi sentido a quilômetros de distância do paiol, no bairro de Bangu. A imprensa da época não se cansou de registrar que a explosão “abalou Bangu”. Em 1999, uma telenovela da Rede Globo restaurou e eternizou a expressão ao fazer uma personagem suburbana usá-la de forma irônica para dizer que algo fazia sucesso em toda a cidade e, consequentemente, no Brasil.

O sucesso do périplo oriental do presidente Lula abalou o “Bangu” que vive inerte e imóvel no recesso da alma da mídia tradicional brasileira e nos políticos locais que carecem de visão sofisticada e de olhar com um campo de visão de 360º sobre o mundo. Na turma de fora, sobretudo dos EUA, acendeu o sinal de alerta para a dimensão global e independente do espírito da liderança brasileira. De volta ao Brasil, o Lula 3.0 ligou o motor de suas obsessões planetárias. Construir uma cesta de moedas global para sustentar o comércio internacional e restaurar a paz no Leste europeu são o dínamo dessa engrenagem.

E Jair Bolsonaro, o homúnculo abjeto que esteve à frente do mais ruinoso governo (ou desgoverno) da História da República no quadriênio 2019-2022 onde entra nesse artigo? Aqui, no pé (porque artigo não tem rodapé). A semana que passou, durante a qual o Ministério Público Eleitoral confirmou a certeza já formada dentro do Tribunal Superior Eleitoral de que Bolsonaro deve ser punido com a inelegibilidade já na primeira das 12 ações movidas contra ele com esse mesmo propósito, foi dura para as viúvas e os órfãos do bolsonarismo. O ex-presidente também viu crescerem as evidências de cometimento de crime, por parte dele, na tentativa de se apropriar indevidamente de jóias enviadas de forma esquisita e inapropriada pelo regime tirânico da Arábia Saudita para o “casal Bolsonaro”. Novos capítulos dessa desairosa trama novelesca dos crimes do bolsonarismo estarão em tela ao longo da semana. O presidente Lula, que voltou do Oriente com a envergadura de um gigante, contempla lá de cima os esgares de um Jair Bolsonaro que se esquiva da Justiça como um rato.

*247

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Política

Lula afirma que relação do Brasil com a China entra “em outro patamar”

Presidente volta de viagem à Ásia com contratos de parceria assinados com os chineses e com os Emirados Árabes Unidos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorna ao Brasil após cumprir agenda e assinar diversos acordos de cooperação com a China e os Emirados Árabes Unidos.

“Bom dia! Retorno ao Brasil hoje com a certeza de que estamos voltando à civilização. Nos Emirados Árabes, fechamos acordos que somam R$ 12,5 bilhões. Na China foram 50 bilhões. E, mais importante, reabrimos as portas do mundo para mais avanços para o nosso país”, afirma o presidente nas redes sociais.

Entre as possibilidades a serem abertas na relação com a China, o presidente brasileiro citou o aumento da presença de chineses nas universidades brasileiras e de brasileiros nas instituições de ensino chinesas.

Outros pontos destacados foram as parcerias no processo de transição energética, com o potencial brasileiro de produzir energia limpa, e na área de conectividade, considerando o compromisso do governo de universalizar o acesso à internet banda larga nas escolas públicas de todo o país.

“Não temos escolhas políticas ou ideológicas. Temos escolha de interesse nacional, do povo brasileiro, da indústria nacional, de nossa soberania”, disse Lula, ao afirmar que o Brasil precisa buscar seus interesses e necessidades para construir acordos possíveis.

Ao deixar a China rumo aos Emirados Árabes Unidos, Lula afirmou que sai do país satisfeito e que sentiu “uma extrema vontade” do presidente Xi Jinping e dos ministros em melhorar a interação com o Brasil.

“Eu acho que nossa relação estratégica vai se aperfeiçoando cada vez mais. E nós não precisamos romper e brigar com ninguém para que a gente melhore”, disse.

*GGN

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Opinião

A China estendeu o tapete vermelho para Lula. O Brasil voltou

A visita foi um sucesso.

“Ninguém vai proibir que o Brasil aprimore sua relação com a China”, disse Lula a poucas horas do fim de sua visita àquele país. A China é o maior parceiro comercial do Brasil, a milhares de quilômetros de distância dos Estados Unidos, o segundo.

“É preciso que os Estados Unidos parem de incentivar a guerra e comecem a falar em paz”, disse Lula, acrescentando: “É preciso que a União Europeia comece a falar em paz para a gente convencer Putin e Zelensky” que a guerra só interessa a eles.

Putin é Vladimir, presidente da Rússia. Zelensky é Volodymyr, presidente da Ucrânia. O acréscimo feito por Lula não mereceu tanto destaque no noticiário quanto a frase inicial “É preciso que os Estados Unidos parem de incentivar a guerra”.

Mas, tudo bem. Deixa pra lá. Até Donald Trump, que não tem nenhuma afinidade com Lula, e toda afinidade com Bolsonaro, já disse que seu país estimula a guerra na Ucrânia; e Trump não é chinês, nem comunista, nem mesmo suspeito de ser.

Lula também não é comunista, nunca foi. Não importa, porém: seus adversários o acusam de ser – os bolsonaristas porque acreditam nisso, outros porque não gostam dele por mil razões. Em 2002, Bolsonaro votou em Lula para presidente.

O comunicado conjunto assinado por Lula e o presidente chinês Xi Jinping faz uma defesa generalista da paz na Ucrânia, poupa a Rússia de críticas e reafirma que a China é uma só, e não duas – a outra, Taiwan, uma ilha e espécie de protetorado americano.

Olhe aí outra prova de que Lula é vermelho! A Organização das Nações Unidas reconhece que China só existe uma. Em 1974, em plena ditadura militar, ao restabelecer relações diplomáticas com a China, o Brasil concordou com a premissa de uma só China.

“Penso que a compreensão que o meu governo tem da China é de que precisamos trabalhar juntos para que a relação Brasil-China não seja meramente de interesse comercial. Queremos que a relação transcenda a relação comercial”, afirmou Lula.

O governo chinês estendeu o tapete vermelho para Lula. Recebeu-o com pompa. A conversa privada de Lula com Jinping durou duas horas, muito além do previsto. Por mais duas horas, durante o banquete oferecido por Jinping, os dois conversaram.

Negócios são negócios, e foi atrás deles que, recentemente, o presidente da França visitou a China, empresários americanos têm negócios com a China, e Lula quer ampliar os negócios de mão dupla entre a China e o Brasil. Sem desprezo aos Estados Unidos.

Os Estados Unidos não parecem interessados em incrementar suas relações com a América Latina, onde cresce a influência da China, nem com a África, onde a influência da China é cada vez maior. Os Estados Unidos tratam a América Latina como quintal deles.

Em seus quatro anos de governo, Trump não pôs os pés na América Latina. Joe Biden, até aqui, também não. Como vice do presidente Barack Obama, Biden veio ao Brasil acalmar a presidente Dilma Rousseff que fora espionada por seu país.

*Blog do Noblat

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Após inúmeros acordos de US$ 50 bilhões com a China, Lula vende alimentos brasileiros aos Emirados Árabes

Agência Brasil – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita neste sábado (15) Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos. Lula irá se reunir com o presidente e emir de Abu Dhabi, xeique Mohammed bin Zayed Al Nayhan. É a segunda vez que o presidente visita o país. A primeira foi em dezembro de 2003, durante o primeiro mandato presidencial.

No encontro, os chefes de Estado devem tratar de acordos comerciais, investimentos bilaterais e meio ambiente. A comitiva brasileira é composta por representantes de 30 empresas, de diversos setores, como mineração e carne, segundo a Presidência da República.

Em 2022, o comércio bilateral movimentou US$ 5,7 bilhões, alta de 74% na comparação ao volume do ano anterior. Os produtos agropecuários brasileiros respondem por quase 60% das exportações aos Emirados Árabes Unidos.

Carne bovina e de frango estão entre os itens mais vendidos aos árabes. O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango halal, produzida conforme os preceitos e tradições do islamismo.

Além do fluxo comercial, os Emirados Árabes Unidos são os maiores investidores do Oriente Médio no mercado brasileiro, na ordem de US$ 10 bilhões.

Em relação à pauta do meio ambiente, o país árabe tem investido em energias renováveis e no compromisso de zerar emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050, em consonância com estratégia adotada pela gestão do presidente Lula. O país irá sediar a 28ª Sessão da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP28).

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Lula, algoritmos, Zé Dirceu, projeto de desenvolvimento e cultura nacional

Não é de hoje que Lula vem criticando a manipulação dos algoritmos nas redes sociais para ditar um sistema de mercado. Lula está coberto de razão quando diz que os algoritmos estão desumanizando as relações no planeta.

A meu ver, essa foi a declaração mais importante dada por Lula esta semana, até porque não há regime democrático possível com a ditadura dos algoritmos.

E, se Lula defende a regulamentação dessa esbórnia virtual, que tem potencial explosivo com danos perigosos à sociedade, Lula foi ao ponto.

Estamos vendo as consequências danosas, trágicas e até fatais que a disseminação do ódio vem provocando no Brasil, via redes sociais que utiliza os algoritmos, mais especificamente nas escolas.

Zé Dirceu, numa brilhante entrevista concedida a Kennedy Alencar, foi taxativo e extremamente objetivo quando disse que o Brasil precisa de um novo pacto de desenvolvimento e, para tanto, precisa olhar para o futuro, crescer 100 anos em 10, fazer investimento pesado em educação, sobretudo no que se refere à tecnologia.

Seja como for, tanto a fala de Lula sobre os algoritmos e a de Zé Dirceu sobre um novo pacto de desenvolvimento, dependem de um projeto nacional de cultura, como foi nos governos Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek.

Sim, porque há um aspecto grave que abrange os progressistas brasileiros, não se discute mais, como no passado, a cultura nacional, fato comum aos grandes pensadores do Brasil.

As consequências disso são danosas, e os impactos resultantes dessa alienação intelectual tem sérias implicações que deixam sequelas que, por sua vez, impactam na própria forma de se pensar o país. Pois é a cultura, não a cultura como produto de mercado ou do neocolonialismo que o neoliberalismo impõe, mas a cultura que revela o povo brasileiro como ele é, sem visões segmentadas, sem contaminações estéticas, muitas vezes peçonhentas, mas sim a cultura que revela o Brasil profundo, extremamente vultuoso que dá a maior e  mais vibrante identidade ao povo.

Hoje, tanto faz o governo de direita ou de esquerda no que se refere à cultura, o assunto é um só, financiamento para produção cultural, o que, muitas vezes, de cultural nada tem, menos ainda com a identidade nacional e, ainda menos, com as manifestações espontâneas do povo brasileiro.

O fato é que a Lei Rouanet, criada pelo governo Collor, é trágica para o país, porque não se limita a ser algo isolado, a Lei Rouanet conseguiu algo pior, que foi impor sua conduta nefasta baseada em planilhas e interesses corporativos a todos os espaços institucionais de cultura. Tudo funciona na base de editais, numa falsa e absurda ideia de que isso representa democracia cultural quando, na verdade, é um mero escarro neoliberal.

É preciso entender a importância da Semana de Arte Moderna de 1922, liderada por Mário de Andrade e sua decisiva contribuição para o pacto nacional que buscava a modernização da própria indústria nacional.

Talvez, por eu ser de Volta Redonda, primeira cidade moderna do país e que teve a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) como marco da indústria de base, seja mais fácil compreender a importância da cultura num pensamento de um novo desenvolvimento nacional, já que foi parte da instalação da CSN nesta cidade, um projeto de cultura extremamente moderno que possibilitou um amálgama a partir da fusão promovida pela política cultural da usina oferecida aos filhos de operários como uma das formas de sociabilização mais efetivas de que se tem notícia no país.

O fato é que não há qualquer possibilidade do Brasil buscar um novo marco de desenvolvimento, sem que haja um novo pacto de identidade nacional.

Infelizmente, esse assunto está fora do radar dos pensadores progressistas do Brasil, pois os tecnocratas impuseram uma visão burra, mas nada displicente impondo uma visão acrítica na sociedade para que a financeirização da vida do povo fosse plena para benefício dos abutres da especulação, do rentismo e, assim, sabotadores do país como Roberto Campos Neto, do Banco Central, pudessem inviabilizar qualquer projeto de desenvolvimento nacional.

É urgente que a identidade nacional, através de amplos projetos nesse país, volte a ser convergência que os algoritmos que Lula, coerentemente, tanto critica, não deem o tom a partir de seu diapasão, a toda e qualquer relação humana no Brasil.

Ou seja, menos inteligência artificial e mais inteligência emocional.

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Política

Com uma viagem, Lula colhe mais que Bolsonaro em 4 anos na relação com a China

A viagem do presidente Lula à China foi de êxito completo, por mais que alguns procurem cabelo em ovo, sugerindo que ao criticar a hegemonia do dólar nas transações internacionais, ou ao reconhecer a soberania da China sobre Taiwan, o presidente brasileiro tenha se arriscado a colher em troca a insatisfação dos Estados Unidos ou a má vontade do Ocidente. Com uma viagem, Lula colheu muito mais frutos da relação com a poderosa China do que Bolsonaro em seus 4 anos de mandato, em que só fez atrasar as relações bilaterais.

Aos que sugerem ter Lula se afastado da neutralidade global em direção a um maior alinhamento com o eixo China-Rússia, vale recordar que na diplomacia, mais que a retórica, contam os documentos oficiais emitidos. E, neste sentido, a Declaração Conjunta de 49 pontos (contrastando com o lacônico comunicado emitido após o encontro com Biden) não deixa fio desencapado. Nele, os dois países reiteraram “o compromisso com a defesa do direito internacional, inclusive os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas como sua pedra angular indispensável, e com o papel central da ONU no sistema internacional”. Na mesma linha, reconheceram o papel da OMC como reguladora do comércio internacional. Ou seja, tudo dentro dos conformes.

Para o Brasil, para a diplomacia de resultados de Lula, o que conta são os ganhos que o país terá com o aprofundamento das relações bilaterais, sem exclusão das outras parcerias, seja com os EUA, seja com a União Europeia, sem esquecer a prioridade nas relações com a América Latina, em busca da integração.

E, neste sentido, Lula volta ao Brasil com a cesta cheia. Os 15 acordos assinados são importantes mas o longo Comunicado Conjunto explicita muitas outras oportunidades de cooperação, que ainda não estão maduras para a assinatura de acordos ou até prescindem deles.

Um dos principais acordos assinados é o que busca incrementar, mais ainda, o comércio bilateral, assinado por Itamaraty e Fazenda com o ministério do comércio exterior chinês. Em 2022, o Brasil exportou pouco mais de US 10 bilhões para os EUA, cerca de US$ 13 bilhões para a União Europeia e pouco mais de US$ 22 bilhões para a China. O acordo busca ampliar ainda mais estes números, mencionando esforços imediatos para remover barreiras, burocracias, abrir canais para as empresas dos dois lados e a adoção de boas práticas regulatórias. Este último ponto se aplica, por exemplo, ao assunto tão excitante no Brasil neste momento, o fim da isenção de impostos para importações de até US$ 50. A isenção existente, apenas para trocas entre pessoas físicas, vem sendo manipulada pelos sites chineses de e-commerce. Não é uma boa prática, deve reconhecer a China. Haddad está certo.

A ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, foi talvez a que mais usou a caneta para assinar documentos na viagem, num sinal de que a nova parceria irá muito além da exportação de produtos primários, evoluindo para a cooperação tecnológica e científica. O acordo maior com a pasta de Luciana envolve projetos em nanotecnologia, inteligência artificial, biotecnologia, cidades inteligentes, novos materiais e muitas destas áreas que estão na fronteira do futuro. O Brasil só tem a ganhar recebendo transferências nestas áreas.

Foi também assinado, nesta linha, um acordo específico na área de Tecnologia da Informação, envolvendo todo este mundo virtual/digital que ainda nos assusta com suas possibilidades, mas pautarão a vida das próximas gerações: big data, novos usos do 5-G, do armazenamento em nuvem, algoritmos e aplicações diversas da inteligência artificial. Nisso, a China está muito à nossa frente.

*Tereza Cruvinel/247

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Lula convida Xi Jinping a vir ao Brasil em 2024, marco dos 50 anos de parceria

O convite foi feito por Lula durante reunião com o presidente da China, em Pequim, nesta sexta-feira (14/4). Visita celebraria os 50 anos de relações diplomáticas entre os países, completados no ano que vem, segundo o Correio Braziliense.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convidou o presidente da China, Xi Jinping, a vir ao Brasil em 2024 para celebrar os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países, completados no ano que vem. Por sua vez, o presidente chinês agradeceu o convite e relatou que as nações tratarão da visita “pela via diplomática”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convidou o presidente da China, Xi Jinping, a vir ao Brasil em 2024 para celebrar os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países, completados no ano que vem. Por sua vez, o presidente chinês agradeceu o convite e relatou que as nações tratarão da visita “pela via diplomática”.

“[Lula] Convidou o presidente Xi Jinping para realizar uma visita de Estado ao Brasil em data oportuna em 2024 para celebrar os 50 anos de relações diplomáticas entre Brasil e China. O Presidente Xi Jinping agradeceu o convite com satisfação, e as partes tratarão o assunto pela via diplomática”, continua a declaração.

Reaproximação

A primeira transação comercial entre o Brasil e a China ocorreu durante o governo de Ernesto Geisel. As relações foram oficializadas no ano seguinte, em 1974. Atualmente, a China é o maior parceiro comercial do Brasil, com trocas no valor de US$ 171,49 bilhões em 2022.

A viagem de Lula visa ampliar as relações e retomar o contato no âmbito diplomático, estremecido durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) devido às declarações do ex-presidente contra o país asiático.

Nesta sexta, Lula assinou cerca de 20 acordos bilaterais com Xi Jinping, em Pequim, e teve uma reunião privada com o líder chinês.

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Lula encontra Xi, assina 15 acordos e diz que ninguém proibirá Brasil de aprimorar elo com China

Estimativa é que pactos totalizem R$ 50 bilhões em investimentos; petista fala em ‘equilibrar geopolítica mundial’.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou com sua comitiva ao Grande Salão do Povo, em Pequim, às 16h30 no horário local (3h30 em Brasília), sendo recebido pelo líder chinês, Xi Jinping. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro divulgou a relação de 15 acordos entre os dois países, segundo a Folha.

A projeção no Ministério da Fazenda é que os pactos totalizem cerca de R$ 50 bilhões de investimento. Na lista se destacam memorandos de entendimento entre o ministério chinês das Finanças e a Fazenda, para infraestrutura e parcerias público-privadas, e um protocolo para fabricar e operar satélites CBERS-6.

Nas áreas de interesse da agropecuária brasileira, há um plano para a certificação eletrônica de carnes e um protocolo para a abertura aduaneira do mercado chinês para farinhas de suínos e aves.

Alguns dos acordos ainda têm pendências, caso do estabelecimento da montadora de carros elétricos BYD na Bahia, que ainda espera um acordo com a americana Ford para aquisição de sua antiga fábrica.

Na cerimônia de chegada, a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva —a Janja—, ministros e assessores acompanharam uma caminhada de Xi e Lula diante da praça da Paz Celestial enquanto uma banda tocava os hinos nacionais de ambos os países e canções como “Novo Tempo”, de Ivan Lins. Um grupo de crianças com bandeiras dos dois países gritou “bem-vindo!”. Janja, aliás, reuniu-se com a mulher de Xi, Peng Liyuan.

Em seu discurso, já no prédio, Lula afirmou ter ficado “emocionado com o espetáculo das crianças” e destacou querer ir além do comércio na relação entre os dois países. “A compreensão que o meu governo tem da China é a de que temos que trabalhar muito para que a relação Brasil-China não seja meramente de interesse comercial”, disse. “Queremos que a relação Brasil-China transcenda a questão comercial.”

Pela manhã, no encontro com o presidente do Congresso Nacional do Povo, Zhao Leji, Lula já havia dito querer “elevar o patamar da parceria estratégica e, junto com a China, equilibrar a geopolítica mundial”.

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Lula entra na lista de 100 mais influentes da revista Time

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou na lista de 2023 das cem pessoas mais influentes da revista Time, divulgada nesta quinta-feira (13).

Também estão na seleção os presidentes dos Estados Unidos, Joe Biden, da Colômbia, Gustavo Petro, o chanceler alemão, Olaf Scholz, e a esposa do presidênte da Ucrânia, Olena Zelenska.

O jornalista norte-americano Evan Gershkovich, correspondente do “The Wall Street Journal” na Rússia e que foi preso este mês pelo serviço de segurança russo acusado de espionagem.

Na justificativa para a escolha de Lula, a revista aponta para a questão da Amazôia. Em um texto assinado pelo ex-vice-presidente dos EUA Al Gore – cada personalidade escolhia na lista é da Time descrita em um texto por outra personalidade – aponta que o presidente brasileiro está em sintonia com o “florescimento” da ação climática neste ano e será “fundamental” nesta década decisiva” para o clima.

Gore, que também é ativista ambiental, chamou Lula de “campeão do clima”.

“Lula prometeu fortalecer a posição do Brasil no mundo (…). Mas em nenhuma outra área ele pode causar um impacto mais significativo do que nas crises gêmeas do clima e da biodiversidade”, diz o texto.
“Depois de muitos anos de crescente desmatamento e incêndios florestais, a Amazônia está se transformando de um sumidouro de carbono em uma fonte líquida de emissões. O presidente Lula prometeu proteger a Amazônia, e já o fez antes – reduzindo o desmatamento em 72% em seu mandato anterior”.

Outros nomes
A Time também escolheu nomes como:

  • O rei Charles III, que assumiu a coroa do Reino Unido após a morte de sua mãe, a rainha Elizabeth II, em setembro do ano passado;
  • O escritor Salman Rushdie, o autor de “Versos Satânicos” esfaqueado em um evento em Nova York em agosto de 2022, anos depois de o então líder do Irã emitir um pedido de morte a ele;
  • O ator chileno Pedro Pascal, estrela de séries como “Narco”, “The Mandalorian” e “The Last of Us”, descrito na revista em texto da atriz Sarah Paulson como “poderoso, comovente, hilário, pateta, capaz de ter as conversas mais profundas, disposto a segurar seu cabelo quando você está doente e possuidor do ombros mais largos para se apoiar”.
  • Confira a seguir a lista completa de líderes escolhidos como os mais influentes em 2023 pela Time:
  • Fumio Kishida, primeiro-ministro do Japão
  • Anthony Albanese, primeiro-ministro da Austrália
  • Bola Tinubu, novo presidente da Nigéria
  • Olena Zelenska
  • Gustavo Petro
  • Hakeem Jeffery, líder dos Democratas no Congresso e primeiro afro-americano a liderar um partido no Legislativo dos EUA
  • Janet Yellen, secretária do Tesouro dos Estados Unidos
  • Sherry Rehman, ministra para as Mudanças Climáticas do Paquistão, onde cerca de um terço do país foi afetado por enchentes no ano passado
  • Mitch McConnell, senador republicano e líder mais longevo no Legislativo dos
  • EUA
  • Margrethe Vestager, comissária da União Europeia para a Transição Digital
  • Samuel Alito, juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou a lei que garantia o direito ao aborto em âmbito nacional nos EUA, conhecida como Roe contra Wade.
  • Gina Raimondo, secretária de Comércio dos EUA
  • Olexandra Viatcheslavivna Matviitchuk, advogada ucraniana de direitos humanos
  • María Herrera Magdaleno, ativista mexicana que se dedica a encontrar pessoas desaparecidas no país, como seus quatro filhos
  • Min Aung Hlaing, chefe das Forças Armadas de Mianmar que comandou o golpe militar no país em 2021

*Com G1

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Na China, Lula se reúne com montadora de veículos elétricos que negocia fábrica na Bahia

A companhia chinesa negocia uma fábrica de automóveis elétricos em Camaçari, na Bahia.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, reuniu-se nesta quinta-feira, 13, em Xangai, com o CEO da empresa de veículos elétricos BYD, Wang Chuanfu. A companhia chinesa negocia uma fábrica de automóveis elétricos em Camaçari, na Bahia.

Na reunião, acompanhada por ministros e governadores que estão na comitiva, o CEO da empresa falou sobre as políticas chinesas que permitiram o desenvolvimento, na China, de uma indústria de veículos elétricos, tanto de carros de passeio como de ônibus de transporte público.

O governador da Bahia, Jeronimo Rodrigues, participou do encontro com Lula na tarde desta quinta-feira (pelo horário chinês).

Rodrigues chegou na China antes da comitiva de Lula e visitou no domingo, 9, duas fábricas da BYD, uma que produz carros elétricos e outra que faz ônibus elétricos. As duas unidades produzem mais de 400 mil veículos por ano. “Vamos batalhar para levar essa indústria para Bahia”, declarou o governador.

A empresa chinesa negocia com a Ford para assumir a planta industrial da montadora americana no polo industrial de Camaçari.

*Com Exame

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