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Política

Governo Tarcísio manda adotar material de ONG pró-Israel em escolas de SP

Uma circular, obtida pelo DCM, distribuída pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, que orienta escolas da rede pública a desenvolver atividades pró-sionismo utilizando materiais produzidos pela ONG StandWithUs Brasil, que se apresenta como uma “organização educacional de combate ao antissemitismo” e é presidida por André Lajst, figura obrigatória da mídia na cobertura do genocídio em Gaza.

A iniciativa é do governo Tarcísio de Freitas, aliado da família Bolsonaro e um dos governadores brasileiros que mais se aproximaram de Israel nos últimos anos. Tarcísio esteve com o premiê Benjamin Netanyahu em 2024 e, no ano seguinte, enviou seu principal auxiliar, o secretário da Casa Civil, Arthur Lima, a uma missão oficial no país.

Chamado de “Circuito Educacional”, o material foi encaminhado oficialmente às unidades escolares por meio de ofício da Secretaria da Educação e integra atividades pedagógicas voltadas a professores e estudantes do ensino médio com o tema “Antissemitismo: Passado, Presente e Futuro”.

De acordo com a cartilha, a ideia é “estabelecer diálogo com professores das diferentes áreas do conhecimento e com o trio gestor, buscando integrar o Circuito ao cotidiano escolar”. O ofício disponibiliza seis conjuntos de apresentações em PowerPoint, organizados por semana, destinados aos encontros com os alunos, que são orientados a produzir textos e um minidocumentário sobre o tema.

“É claro que nós somos contra toda forma de xenofobia ou racismo, é claro que não somos antissemitas, mas isso é uma tentativa de lavar a imagem do Estado de Israel e da violência do sionismo através do governo paulista”, diz o educador Daniel Cara, cientista político e professor da Faculdade de Educação da USP.

Não aparecem nas apresentações referências à invasão dos territórios palestinos, à expansão dos assentamentos israelenses, às violações de direitos humanos feitas por organismos internacionais ou às interpretações palestinas sobre a origem e a continuidade do conflito.

Embora apresentada como uma ação de combate ao antissemitismo e uma defesa de dois estados, a documentação mostra que os conteúdos são propaganda sionista, com interpretações específicas sobre o país, baseadas em autores identificados com o sionismo contemporâneo.

O vínculo com a StandWithUs fica explícito no material adotado, que exibe o logotipo da entidade e sua mensagem institucional: “Nós acreditamos que a educação é o caminho para a paz”. O autor usado como principal referência, o israelense-americano Yossi Halevi, parece pensar diferente. Em entrevista ao Estadão, ele declarou: “Não é hora de falar de paz, precisamos defender o Estado de Israel”.

O livro de Halevi “Cartas ao meu vizinho palestino” é a base do projeto. Ele foi soldado em uma unidade das Forças de Defesa de Israel que patrulhava a Faixa de Gaza na Primeira Intifada, entre 1987 e 1993.

“A fim de permitir que o outro lado obtenha certa medida de justiça, cada lado deve impor a si mesmo alguma medida de injustiça”, escreve o ex-soldado em seu livro, ao defender o que chama de “justiça distributiva”. A partir da perspectiva sionista, a injustiça deixa de ser algo a ser corrigido e passa a ser apresentada como condição para alcançar a própria justiça.

*DCM


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Política

As notas frias da ONG de Karina Ferreira da Gama devem ser parentes de Mario Frias

Karina Ferreira da Gama expandiu significativamente seus negócios após se aproximar de Mario Frias.

Karina Ferreira da Gama é jornalista, empresária e produtora executiva do filme Dark Horse (cinebiografia de Jair Bolsonaro). Ela controla a Go Up Entertainment (produtora do filme) e preside o Instituto Conhecer Brasil (ONG). Também está ligada a outras empresas, como a GO7.

Ela mora na Brasilândia, periferia de SP e, antes, atuava como promotora de literatura cristã.

Após conhecer Mario Frias (deputado federal PL-SP, ex-ator e ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, a partir de cerca de 2020/2022, suas empresas cresceram. Karina participou da campanha eleitoral de Frias (GO7 recebeu R$ 54 mil em 2022).

Ela aumentou o número de empresas e acessou contratos públicos milionários.

O Instituto Conhecer Brasil assinou contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo (gestão Ricardo Nunes) para instalação de Wi-Fi em comunidades — contrato sob investigação da Polícia Civil e MP-SP por suspeitas de irregularidades e execução parcial.

Recebeu emendas parlamentares, incluindo de Frias R$ 1,2 milhões para o Instituto/Academia Nacional de Cultura. Parte desses recursos foi repassada a outros aliados ou empresas, segundo investigações jornalísticas.

Mario Frias é produtor executivo e roteirista do Dark Horse, e os dois são sócios e parceiros no projeto. Há investigações do STF sobre emendas destinadas às entidades dela e questionamentos sobre possível triangulação de recursos para o filme, o que Frias nega.

Situação atual, a Polícia Civil fez buscas na ONG e empresas de Karina por suspeitas de desvio, fraude no contrato de Wi-Fi.

O filme Dark Horse tem orçamento elevado, relatos de dezenas de milhões, com recursos privados, via fundo Havengate, mas o histórico de produção cinematográfica da Go Up é limitado.

Frias e aliados defendem Karina como “honesta e trabalhadora” e negam irregularidades ou ligação direta das emendas com o filme.

Essa expansão é destacada pela ascensão rápida ligada a contatos no bolsonarismo e governos aliados (Nunes, etc.). O caso segue em apuração, com investigações em andamento.


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Política

Operação em SP investiga ONG da produtora do filme sobre Bolsonaro

Ação Wi-Fi Livre é feita no Instituto Conhecer Brasil

A Polícia Civil de São Paulo faz na manhã desta segunda-feira (1º) a Operação Wi-Fi Livre no Instituto Conhecer Brasil, organização não governamental (ONG) de propriedade de Karina Ferreira da Gama, da produtora Go UP, que produziu o filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ONG é suspeita de fraude em contrato com a prefeitura de São Paulo para a instalação de uma rede de wi-fi gratuita em comunidades da cidade. O valor do contrato é de R$ 108 milhões. Há suspeitas na contratação e na execução dos serviços.

Segundo investigação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil, a organização teria de instalar 5 mil pontos públicos de acesso ao wi-fi nas periferias da capital paulista no prazo de 12 meses. De acordo com os dois órgãos, foram instalados até agora 3.200 pontos.

A ONG teria apresentado pelo menos R$ 16,5 milhões em notas fiscais consideradas irregulares à prefeitura para justificar as despesas do contrato.

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O instituto de Karina é o principal alvo da operação, mas também são cumpridas diligências em outras empresas que teriam sido subcontratadas. A polícia fez ainda buscas na Secretaria Municipal para obter os contratos, as prestações de contas e os documentos relacionados ao termo de colaboração.

São cumpridos nesta manhã oito mandados de busca e apreensão para recolher documentos físicos e digitais, equipamentos eletrônicos, registros financeiros e outros materiais.

O senador Flávio Bolsonaro, que pediu R$ 61 milhões ao empresário Daniel Vorcaro para financiar o longa-metragem Dark Horse, se manifestou sobre a operação de hoje em São Paulo. Em evento no Rio de Janeiro, o político disse que “a operação não tem nada a ver com o filme”.

A prefeitura de São Paulo divulgou nota em que “repudia veementemente ilações de desvio de recursos públicos. O contrato com o Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade”.

*Agência Brasil


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Política

Vereador diz que ONG ligada ao filme Dark Horse atuava como ‘laranja’ de recursos

Segundo Nabil Bonduki, contrato de R$ 108 milhões da Prefeitura de SP pode ter alimentado estrutura política ligada ao bolsonarismo

O vereador Nabil Bonduki (PT-SP) afirmou ao ICL Notícias que a ONG ligada à produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, teria funcionado como uma “espécie de organização laranja” dentro do contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi‑Fi em comunidades da capital.

Segundo Bonduki, a principal suspeita é de que a entidade tenha servido como intermediária para distribuição de recursos públicos a terceiros, sem possuir capacidade técnica real para executar o serviço contratado. O vereador afirma que a estrutura do contrato, somada à ausência de concorrência e à cadeia de subcontratações, levanta suspeitas graves sobre o modelo adotado pela gestão Ricardo Nunes.

Durante a entrevista, Bonduki também disse que parte dos pontos declarados como instalados não existiam nos endereços informados e que, em alguns casos, havia concentração de equipamentos a poucos metros de distância entre si. Segundo ele, a Prefeitura realizou pagamentos antecipados antes da efetiva prestação dos serviços.

O parlamentar também defendeu uma investigação mais ampla envolvendo o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF), o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e o Banco Central para rastrear o destino final dos recursos públicos. Para ele, o caso pode revelar um modelo de financiamento político sustentado por contratos públicos e pulverização de recursos por meio de organizações da sociedade civil.

Bonduki ainda afirmou que o chamamento público teria sido estruturado de maneira que empresas privadas do setor não pudessem participar diretamente da contratação. Segundo ele, o formato adotado acabou restringindo a disputa a organizações da sociedade civil (OSCs), o que favoreceu a entidade contratada.

Entrevista
ICL Notícias — Quando o senhor começou a analisar esse contrato, qual foi o primeiro elemento que fez soar o alerta de que poderia existir algo muito fora do normal?

Nabil Bonduki — “Em primeiro lugar, o fato de se fazer um chamamento público para uma organização da sociedade civil num tema que normalmente não é o tema que este tipo de organização trabalha. Em geral, as OSCs trabalham com temas mais ligados à área social, assistência social, cultura, meio ambiente. No caso, era um contrato de tecnologia, onde normalmente quem atua são empresas privadas e tem muitas qualificadas para esse tipo de função, inclusive empresas que já tinham trabalhado com a própria Prefeitura em gestões anteriores.”

“Em segundo lugar, só apareceu uma organização. Essa foi a única OSC que apresentou proposta e nem ela mesma tinha expertise ou capacidade técnica para executar esse serviço.”

ICL Notícias — Na sua avaliação, é cabível que uma entidade vença um contrato público de R$ 108 milhões alegando capacidade técnica para executar o serviço e, depois de receber os recursos, terceirize praticamente toda a operação para empresas privadas?

Nabil Bonduki — “Essa organização funciona como uma espécie de organização laranja. Ela funciona simplesmente para receber recursos, distribuir esses recursos para outras organizações e apenas uma parte vai para prestação de serviço, que inclusive não existe comprovação que tenha sido feita de maneira correta e completa.”

“Embora seja responsável pelo contrato, ela não tem condição de executá‑lo. E a execução é feita por terceiros, por valores muito inferiores àqueles que ela recebeu.”

“Essas empresas não participaram diretamente porque o chamamento público foi destinado exclusivamente para organizações da sociedade civil. Essa foi a jogada. Se outras empresas pudessem participar, certamente elas teriam entrado e poderiam ganhar tanto por preço quanto por qualificação.”

“Essa intermediação não respeita o interesse público e não deveria ter sido feita.”

ICL Notícias — O senhor encontrou indícios de que a Prefeitura flexibilizou exigências técnicas ou ignorou alertas internos para viabilizar esse contrato?

Nabil Bonduki — “Com toda certeza a Prefeitura flexibilizou exigências porque contratou uma organização que não tinha nenhuma experiência nesse tema. O normal seria a Prefeitura cancelar esse chamamento e mudar o procedimento.”

“Não fazia sentido fazer um chamamento público para OSCs num tema de tecnologia onde normalmente atuam empresas privadas especializadas.”

“Também havia vários adiantamentos anteriores que antecipavam pagamentos em relação aos serviços não prestados.”

ICL Notícias — O senhor verificou problemas na execução do projeto?

Nabil Bonduki — “De fato existem pontos instalados, mas nós verificamos alguns endereços e não havia ponto nenhum. Também havia situações contraditórias, mudança de endereço e casos de três pontos colocados numa distância de dez ou quinze metros uns dos outros, o que obviamente não faz sentido.”

“Então houve situações em que se declarou que tinha sido instalado e não existia.”

ICL Notícias — O senhor acredita que esse caso pode revelar uma estrutura política maior financiada com recursos públicos?

Nabil Bonduki — “Uma das questões principais que precisa ser investigada são as fontes de financiamento do bolsonarismo e da extrema direita. É óbvio que, para manter essa estrutura, são necessários muitos recursos.”

“Esse contrato foi uma identificação que nós conseguimos mostrar de um contrato suspeito da Prefeitura de São Paulo com o financiamento dessa estrutura bolsonarista. E provavelmente existem coisas semelhantes em outros níveis de governo e até em outros órgãos da própria Prefeitura.”

“É uma máquina que está sendo alimentada por recursos públicos. Podem ser emendas também. Muito provavelmente existem esquemas semelhantes funcionando em vários lugares.”

“Talvez merecesse um encaminhamento para o Ministério Público Federal (MPF) e, a partir daí, buscar a colaboração do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), da Polícia Federal (PF), do Banco Central e de outros órgãos federais que possam rastrear o dinheiro.”

“É preciso quebrar o sigilo bancário dos atores envolvidos para entender para onde esses recursos foram.”

ICL Notícias — O senhor acredita que houve uso eleitoral ou político dessa estrutura nas periferias?

Nabil Bonduki — “Eu não acredito que tenha sido diretamente uma ferramenta política nas periferias porque o Ricardo Nunes fez muitas outras obras maiores nesse período. Mas o que pode ter acontecido é outra coisa.”

“Um dos repasses foi para uma entidade chamada Periferia Conectada. Foram R$ 12 milhões. E essa organização é ligada a uma pessoa bastante suspeita e que certamente tem algum tipo de relação com o crime organizado em favelas.”

“O que pode ter acontecido é, por exemplo, repassar recursos para essa entidade e isso acabar ajudando campanhas politicamente. Eu não saberia dizer se isso teve uma relação direta com a eleição.”

ICL Notícias — O senhor vê resistência da Prefeitura em abrir informações sobre esse contrato?

Nabil Bonduki — “Estranhamente, esse contrato está aberto no site da Prefeitura. Muitos outros contratos acabam entrando em sigilo quando começam a ser questionados, mas esse não.”

“Então eu não vejo exatamente resistência da Prefeitura nesse caso específico. O problema é que não existe transparência sobre o que aconteceu depois que o dinheiro saiu da OSC para as subcontratadas.”

“Os contratos entre a organização e as empresas são bastante precários e não há detalhamento adequado sobre os serviços efetivamente prestados. A partir dali o rastreamento do dinheiro fica muito mais difícil.”

O ICL Notícias pediu esclarecimentos ao Instituto Conhecer Brasil através de e-mail e também tentou via ligação telefônica. O número informado no site da ONG está fora de serviço e até o fechamento desta matéria não tivemos retorno.

*Cleber Lourenço]


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Política

ONG do filme de Bolsonaro emitia notas para si mesma em contrato milionário com Prefeitura de SP

O vereador Nabil Bonduki (PT-SP) revelou que a ONG ligada à produtora do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, emitia notas fiscais para si própria dentro de um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi-Fi públicos na periferia da capital.

Segundo Bonduki, uma das hipóteses investigadas é que as movimentações entre contas da própria organização tenham sido usadas para criar camadas intermediárias de circulação de dinheiro antes da chegada ao destinatário final dos recursos.

“A ONG da produtora do filme sobre Bolsonaro emitiu nota para si própria para justificar gastos no contrato com a Prefeitura de São Paulo. Esse é o nível do descalabro: milhões de reais para uma instituição dizer que está prestando serviços para ela mesma”, afirmou no X.

O parlamentar também declarou que os contratos desse tipo exigem prestação de contas detalhada ao poder público. “Nos termos de parceria, os extratos da conta vinculada ao projeto precisam ser enviados à Prefeitura e o dinheiro, em tese, só pode ser usado para a finalidade específica prevista no convênio”, disse.

Para Bonduki, o mecanismo pode ter servido para ocultar a real destinação de parte dos recursos públicos. “Se alguém quisesse repassar recursos para um destinatário que não gostaria que aparecesse diretamente na prestação de contas enviada à Prefeitura, uma possibilidade seria fazer o dinheiro circular primeiro por outras contas ou empresas ligadas à própria organização”, afirmou.

O Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito no fim de janeiro para investigar suspeitas de irregularidades no contrato firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia da gestão Ricardo Nunes (MDB) e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), responsável pela instalação, operação e manutenção de 5 mil pontos de internet gratuita por 12 meses.

O inquérito corre sob sigilo e foi aberto pelo promotor Ricardo de Barros Leonel, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, após representação apresentada por Nabil Bonduki. Segundo o vereador, há indícios de irregularidades tanto no chamamento público quanto na execução contratual.

O Instituto Conhecer Brasil pertence à empresária Karina Ferreira Gama, que também aparece como sócia única da Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”. As duas empresas funcionam no mesmo endereço, na Avenida Paulista, em São Paulo.

O caso ganhou repercussão nacional após reportagens revelarem que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, enviou ao menos R$ 61 milhões para financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, em negociação feita diretamente com Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As investigações agora também avançam sobre contratos públicos ligados ao entorno da produção do filme.

Bonduki afirmou que encaminhou a documentação ao Ministério Público ainda no ano passado. “É justamente esse tipo de movimentação que precisa ser investigado com profundidade”, declarou o vereador.

Nabil Bonduki
@NabilBondukiSP
Uma das hipóteses para a ONG da produtora do filme do Bolsonaro ficar emitindo notas para ela mesma e transferindo recursos entre contas da própria organização pode estar justamente na forma como funcionam os termos de parceria com a Prefeitura.

Nesses contratos, os extratos da conta vinculada ao projeto precisam ser enviados ao poder público, e aquele dinheiro, em tese, só pode ser usado para a finalidade específica prevista no convênio.

Agora imagine a situação: se alguém quisesse repassar recursos para um destinatário que não gostaria que aparecesse diretamente na prestação de contas enviada à Prefeitura, qual seria o caminho? Uma possibilidade seria fazer o dinheiro circular primeiro por outras contas ou empresas ligadas à própria organização, criando camadas intermediárias antes de chegar ao verdadeiro destinatário.

É justamente esse tipo de movimentação que precisa ser investigado com profundidade. Por isso, ainda no ano passado encaminhei todo esse caso ao ministério público que já abriu um inquérito.

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Nabil Bonduki
@NabilBondukiSP
A ONG da produtora do filme sobre Bolsonaro emitiu NOTA PARA SI PRÓPRIA para justificar gastos no contrato com a Prefeitura de São Paulo! Esse é o nível do descalabro: milhões de reais para uma instituição dizer que está prestaando serviços para ela mesma. Uma das coisas mais absurdas que já vi. E olha que a gestão Nunes já está cheia de irregularidades absurdas.

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*DCM


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Política

Caso Silvio Almeida tem reviravolta: ONG Me Too teria procurado supostas vítimas após denúncia

ONG, que chegou a ser denunciada pelo ministro por interferir em processo licitatório, enviou relatório de duas páginas com relatos inconsistentes cinco meses após PF abrir investigação e cobrar detalhamento das denúncias.

Passados seis meses da demissão do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania por supostos casos de assédio sexual e moral, Silvio Almeida assiste a uma reviravolta no caso, que envolve a Organização Não Governamental Me Too.

As supostas denúncias contra Almeida foram publicadas primeiramente pelo portal Uol em 4 de setembro passado sob o título “Ministério dos Direitos Humanos tem denúncias de assédio e demissões”.

Um dia depois, o jornalista Guilherme Amado, então no Metrópoles (hoje está na Globo), afirmou em reportagem: “Silvio Almeida é acusado de assediar mulheres. Entre elas, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco”.

No texto, Amado afirma que a Ong Me Too “confirmou à coluna ter sido procurado por mulheres que relataram supostos episódios de assédio sexual praticados pelo ministro”. O jornalista diz ter procurado a ONG “após receber denúncias de suposta prática de assédio sexual” contra a ministra.

À época, por meio do Ministério dos Direitos Humanos, Almeida acusou a Me Too de tentar interferir em uma licitação da pasta para favorecer seus próprios interesses.

“A organização responsável pela divulgação das supostas denúncias possui histórico relacional controverso perante as atribuições desta pasta”, diz o texto, bastante criticado à época, que lista uma série de eventos nos quais a ONG Me Too teria tentado modificar o processo licitatório – leia a íntegra.

A Mee Too rebateu as acusações e disse que iria entregar os relatos dos supostos assédios à Polícia Federal, que abriu investigação para apurar o caso. No dia 6, Almeida foi demitido do governo.

Reviravolta
Autora do livro “A vida nunca mais será a mesma”, em que debate a cultura da violência e o estupro no Brasil, a jornalista Adriana Negreiros revelou nesta segunda-feira (10), em reportagem no Uol, uma série de lacunas que mostram uma reviravolta no caso.

Segundo a jornalista, após 5 meses de investigação, sendo cobrada pelos agente da PF a apresentar as denúncias contra Almeida, a Me Too enviou aos investigadores um relatório de duas páginas com relatos de cinco supostas vítimas sem especificar as datas em que as mulheres procuraram a ONG.

Todos os breves relatos descritos pela ONG, sem qualquer identificação das supostas vítimas, foram feitos em data posterior às acusações contra Almeida.

Em um deles, relatado como “vítima 4”, o relatório diz que a mulher teria falada com uma “voluntária do Me Too em 16 de setembro de 2024 e, depois, parou de responder às mensagens”.

Dois outros deles – “vítimas 1 e 2” – são datados de 5 de fevereiro, quando a PF já cobrava há meses a ONG de apresentar as denúncias.

Ainda segundo a reportagem, as conselheiras do Mee Too – a jornalista Maria Amélia Teles, a ex-desembargadora Kenarik Boujikian, a professora de Direito Silvia Pimentel e a ativista Neon Cunha – não teriam sido consultadas e sequer ficaram sabendo das denúncias contra Almeida.

Elas também teriam sido orientadas pela ONG a não darem entrevista sobre o assunto ao Uol.

Uma advogada afirmou, em condição de anonimato, que muitas conselheiras ficaram sabendo apenas após a adesão que o Me Too Brasil não tinha relação com o movimento homônimo dos Estados Unidos.

O objetivo das duas organizações, assim como o nome, são os mesmos: acolher mulheres vítimas de assédio e violência sexual.

No entanto, o movimento Me Too Brasil foi criado em 2019 pela advogada Marina Ganzarolli, de São Paulo. Em junho de 2022, ela abriu um CNPJ em nome do Me Too Brasil, organização focada em “atividades de associações de defesa de direitos sociais”, de acordo com a Forum.

A ONG, que tem endereço em um apartamento residencial na região central da capital paulista, tem como atividades secundárias “portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na internet”, além de “atividades de consultoria em gestão empresarial”, dentre outros.

Além de Marina, a ONG tem como sócias e administradoras as advogadas Luanda Pires e Luciana Terra Villar e a psicóloga Mariana da Costa Pedro Nogueira da Luz.

Veja vídeo em que Adriana Negreiros fala sobre a reportagem que causou reviravolta no caso.

https://twitter.com/i/status/1899374639966495146

 

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Justiça

Toffoli derruba sigilo de ações sobre investigação de ONG e multa da Odebrecht

Procuradora-geral interina foi contra envio para o ministro do caso da Transparência Internacional, que disse em nota sofrer retaliações.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli suspendeu nesta terça-feira (6) o sigilo das ações em que determinou uma investigação sobre a ONG Transparência Internacional e em que interrompeu o pagamento de multas do acordo de leniência da Novonor (antiga Odebrecht) e da J&F, grupo dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Toffoli considerou que, diante da publicidade dada ao caso, “não mais se justifica a manutenção do sigilo inicialmente imposto”.

Com isso, peças dos processos, as petições 12.061 e 11.972, ficam públicas. O ministro, porém, ponderou que a Secretaria Judiciária deve preservar em sigilo as peças que porventura possam ser usadas futuramente em decisões do relator —no caso, ele mesmo, segundo A Folha.

Os documentos mostram que a procuradora-geral interina Elizeta Ramos, que ficou no posto de setembro a dezembro passado, foi contra o envio para Toffoli da notícia-crime apresentada contra a ONG.

Em parecer em outubro, Ramos afirmou que o procedimento sob responsabilidade do ministro aborda o acordo com a Odebrecht, enquanto o questionamento relativo à atuação da Transparência Internacional trata do compromisso firmado com a J&F, fora do âmbito da Lava Jato.

“Os envolvidos nos acordos, bem como as operações policiais e até mesmo as entidades envolvidas nos acordos de leniência são distintos e, a princípio, não possuem prerrogativa de foro perante o Supremo”, escreveu a interina.

O Ministério Público, porém, já tinha se posicionado a favor da remessa do caso para Toffoli, por meio da ex-vice-procuradora-geral Lindôra Araújo.

Entre os documentos do caso liberados agora pelo ministro, estão os acordos de leniência firmados pelas duas empresas, espécie de delação premiada em que elas reconhecem desvios em contratos com o setor público e se comprometem a ressarcir o prejuízo.

Também foram divulgadas atas de assembleias das empresas, ofícios do MPF (Ministério Público Federal) e relatórios da PF.

Os autos trazem parte das mensagens trocadas entre procuradores da extinta força-tarefa da Lava Jato vazadas e do então juiz Sergio Moro no âmbito da Operação Spoofing, além dos pedidos das defesas das empresas.

Na segunda (5), Toffoli determinou que a ONG Transparência Internacional seja investigada por supostamente se apropriar indevidamente de recursos públicos na época da Operação Lava Jato.

Segundo o ministro, a ONG, que ele chamou de instituição privada “alienígena” e “com sede em Berlim”, pode ter recebido valores que deveriam ter sido destinados ao Tesouro Nacional. Escreveu ainda que “fatos gravíssimos” não passaram pelo crivo do Judiciário e do TCU (Tribunal de Contas da União).

A PGR (Procuradoria-Geral da República) referendou, em 2020, a informação de que a entidade não recebeu remuneração pela assistência prestada na leniência.

Já a decisão sobre a suspensão de pagamento do acordo entre a Novonor e o MPF foi tomada em 31 de janeiro, até que a holding dona da construtora consiga analisar todo o material relacionado à Spoofing.

No mesmo processo, Toffoli interrompeu em dezembro o acordo do pagamento da multa de R$ 10,3 bilhões prevista no acordo de leniência da J&F, sob o mesmo argumento.

As duas empresas alegaram que os agentes públicos responsáveis pela condução da Lava Jato em Brasília teriam desvirtuado instrumentos legais de combate e que teria havido coação para que fossem celebrados os acordos de leniência.

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Política

ONG espionada pela Abin quer entrar com queixa-crime no STF contra Ramagem

Para a PF, Abin tentou usar um trabalho feito na ONG — que defende acusados de integrar CV e PCC — para ligar ministros do STF e políticos do PT a essas facções.

A ONG Instituto Anjos da Liberdade quer ajuizar uma queixa-crime no Supremo Tribunal Federal contra o deputado Alexandre Ramagem, do PL do Rio de Janeiro, por ter espionado a diretora da organização, Nicole Fabre, e a presidente, a advogada Flávia Fróes.

Segundo o colunista Guilherme Amado, do portal Metrópoles, as investigações da Polícia Federal apontam que a Abin tentou usar um trabalho feito dentro da ONG — que visa defender acusados de integrar o Comando Vermelho e o PCC — para incriminar ministros do Supremo Tribunal Federal e políticos do PT.

A PF suspeita de que, durante o governo de Jair Bolsonaro, a Abin, sob comando de Ramagem, tenha usado o software israelense FirstMile para monitorar, ilegalmente, autoridades públicas como governadores e até integrantes do Supremo Tribunal Federal.

O relatório produzido pela corporação diz que foram produzidos documentos sobre as diligências da Anjos da Liberdade no STF e audiências realizadas no Senado Federal.

A PF ressalta também que a ação de espionagem foi motivada pela ação da ONG na Corte Interamericana de Direitos Humanos, em 2019, contra Jair Bolsonaro em razão de violações de Direitos Humanos no Sistema Penitenciário Federal.

Fróes disse à reportagem que a ONG, citada no relatório da PF, pediu acesso aos autos e que irá ajuizar uma ação contra Ramagem por espionagem.

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Deltan planejou usar ONG para receber prêmio, abastecer fundo e evitar impostos

Conjur – Um novo lote de conversas obtidas na “operação spoofing”, às quais a revista eletrônica Consultor Jurídico teve acesso, revelam o plano do ex-chefe da autodenominada força-tarefa da “lava jato”, Deltan Dallagnol, para usar a Transparência Internacional como intermediária no recebimento de um prêmio, abastecer o fundo que ele pretendia criar em sociedade com a ONG e, em último caso, evitar o pagamento de impostos.

Em 2017, a “lava jato” foi indicada ao Allard Prize, prêmio promovido pela University of British Columbia, no Canadá. Enquanto o resultado não saía, Dallagnol sonhou alto. E se preocupou com os detalhes da logística para trazer o dinheiro para o Brasil depois de receber uma mensagem dizendo que, se a “lava jato” não pudesse receber o prêmio, os organizadores só poderiam doá-lo a uma entidade de caridade registrada no país ou fazer o depósito para uma entidade externa — algo que, nesse caso, não seria caracterizado como doação.

Em 27 de junho daquele ano, em conversa com Bruno Brandão, diretor da TI com quem desenhava o fundo da “lava jato”, o ex-procurador perguntou: “Estou pensando se a TI não poderia receber no Canadá e transferir para cá, para fazer o fundo, ainda que deconte taxas ou o que for cabível. E vcs poderiam formar o fundo? Pode ser basicamente uma conta, formar uma comissão e abrir um edital para apresentação de projetos…” — os diálogos são reproduzidos nesta reportagem em sua grafia original.

Brandão confirmou haver representação da TI no Canadá (“Fraquinha, mas tem”) e sugeriu a doação do dinheiro para uma bolsa de estudos destinada a brasileiros. Em suas palavras, “podemos tentar fazer esta transferência sim, dos recursos, pro fundo que queremos abrir no Brasil”. Dallagnol respondeu que “tínhamos pensado em fazer algo para ganhar créditos pra FT”. E arrematou: “Se o dinheiro fica no Canadá, não ganhamos créditos. Não dá ibope”.

O representante da TI prometeu conversar com seus pares para viabilizar o plano de Dallagnol, que insistiu: “Vc checa com a TI se a TI-Canadá poderia receber e transferir para cá? Ou se recebendo lá, o funding que iria para ela da TI geral poderia vir para o Brasil?”. Brandão ressalvou que a universidade canadense teria de autorizar a doação para a ONG no Canadá e a transferência do prêmio ao fundo administrado pela TI no Brasil.

Na conversa, Dallagnol cobrou Brandão sobre a formulação de um regulamento para o fundo e insistiu no contato com a TI Canadá. O representante da ONG pediu mais uma vez para o ex-procurador checar a viabilidade do plano com a própria universidade. “Então, eles falaram isto. Creio que a primeira opção é indicarmos a TI canadá, informando que vai transferir, e vemos o que eles dizem. Na pior das hipóteses, pelo que entendi, não será legalmente uma doação, mas um pagamento e prov haverá tributos. Se for assim, creio que será o caso de fazer de qq modo. Mas pra isso presiamos do ok da TI Canadá. Acho melhor ter o ok e a identificação certinho da TI Canadá pra então pedirmos análise deles, pra não pedir algo que não seja factível pela TI…”.

O assunto voltou à pauta das conversas dos dois em 10 de julho de 2017, quando Dallagnol cobrou Brandão: “Alguma novidade sobre a questão do premio do Canada? E se usássemos o valor pra fazer um premio brasileiro? Se conseguissemos um matching, alcançariamos perto de 500 mil. Daria pra gastar 25k num premio anual brasileiro anticorrupção, a ser dado pela TI a partir do fundo… é uma opção tb”. “Ideia muito boa. Acho que seria uma opção interessante. Vou falar com nossa consultora que está na UNC para ver se tem novidade e lhe conto”, respondeu Bruno.

O assunto se encerrou em 25 de julho de 2017, quando Dallagnol revelou sua principal preocupação: não ter de pagar impostos. “Bruno, na questão do Allard Prize, preciso preencher um formulário para wire transfer…conseguiu ver a questão do pagamento à transparência do Canadá, para ser transferido para a Brasil, para instituir um prêmio anual?”. Bruno Brandão explicou que enfrentava dificuldade no contato e reafirmou que “a melhor ideia é a da premiação no Brasil”.

“Não entendi muito bem o que quis dizer, porque o problema é operacional. Se nós recebermos e doarmos, perderemos uma grana em tributos (pelo menos cerca de 1/3). Por isso seria importante que a doação vá direto pra Vcs… se Vc me autorizar, começo a articular isso com eles e copio Vc no email para Vc esclarecer tb… pode ser? (isso se ganharmos é claro).”

Não ganharam. O prêmio principal, cem mil dólares canadenses (R$ 372 mil, em valores atuais), acabou ficando com uma jornalista do Azerbaijão, Khadija Ismayilova, e os procuradores de Curitiba tiveram de se contentar com uma menção honrosa e dez mil dólares canadenses (R$ 37,2 mil).

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Política

ONG de reverendo negociou vacinas para o governo com escritório ‘caça-indenizações’ e policial aposentado nos EUA

Em nome do governo, ONG de reverendo tratava de compras de imunizantes com empresa americana aberta em janeiro.

Alvo da CPI da Covid no Senado, uma ONG autorizada pelo Ministério da Saúde a negociar a compra de vacinas para o Brasil buscou doses com uma empresa nos Estados Unidos gerenciada por um policial aposentado que chegou a ser afastado das ruas por suspeita de corrupção.

A sede da empresa, que foi aberta há seis meses e não comprovou ter meios de disponibilizar os imunizantes, é registrada no endereço dos fundos de um escritório de advocacia especializado em pequenas causas indenizatórias, localizado no Queens, em Nova York.

A reportagem da Folha esteve no local na semana passada e foi informada pelo sócio do escritório, Darmin Bachu, que a empresa que supostamente vende vacinas funcionaria em outro lugar, a poucos quilômetros dali. Nesse novo endereço fica um cinema de bairro, também gerenciado pelo policial aposentado.

Trocas de mensagens obtidas pela Folha apontam que, em nome do governo brasileiro, a ONG Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários), uma entidade privada, discutiu com a empresa americana a possibilidade de compra de vacinas da Pfizer e da AstraZeneca, além de luvas e seringas. A AstraZeneca nega que negocie venda para empresas privadas.

Criada em janeiro deste ano, a firma novaiorquina ganhou o nome de International Covid Solutions Corp e, segundo registros nos EUA, é presidida por Charles Ramesar e gerenciada pelo policial aposentado de Nova York Rudranauth Toolasprashad, conhecido como Rudy.

Já a Senah é comandada pelo reverendo Amilton Gomes de Paula, que foi convocado a depor na CPI da Covid e deve comparecer ao Senado na terça (3).

A ONG entrou no radar da comissão após outras negociações virem à tona. Com autorização do Ministério da Saúde, a Senah discutiu, por exemplo, a compra de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca por meio da empresa Davati Medical Supply, também localizada nos EUA.

A chancela do governo para as negociações foi concedida por Laurício Monteiro Cruz, então diretor de Imunização do Ministério da Saúde, que acabou exonerado depois que o caso foi revelado.

O policial militar e vendedor de vacinas Luiz Paulo Dominghetti Pereira disse à Folha no início de julho que Roberto Ferreira Dias, então diretor de Logística do Ministério da Saúde, pediu propina para que a Davati fechasse o contrato com o governo brasileiro. Dias foi exonerado e nega as suspeitas.

Já a negociação da ONG com a International Covid Solutions Corp aconteceu em paralelo à feita com a Davati. Os representantes da Senah tratavam sobre a venda de vacinas com o gerente da empresa, Rudy, desde o início do ano.

Em um comunicado de fevereiro, Rudy diz à Senah que iria providenciar ao Brasil 4 milhões de doses do imunizante da AstraZeneca, 4 milhões de luvas e 4 milhões de agulhas e seringas para “agências governamentais e companhias privadas”.

No entanto, Rudy pede uma carta de comprovação, assinada pelo governo e empresas, com o compromisso de aquisição dessas vacinas, o que não aconteceu.

Em outro comunicado, de maio, a Senah afirma que iria se reunir com o governo brasileiro e que havia interesse oficial na compra dos imunizantes, mas acrescenta que seriam necessárias provas documentais da existência dessas doses, o que também não foi providenciado por Rudy.

Procurados, integrantes da ONG e da empresa nos EUA dizem que essas negociações não prosperaram e sinalizam desconfiança uns dos outros.

Segundo a imprensa americana, Rudy, que tem origem guianense, foi investigado num escândalo de suspeita de recebimento de propina no início dos anos 2000, mas acabou não sendo processado.

Reportagem do The New York Times afirma que, enquanto era investigado, ele teve que entregar a arma e o distintivo e passar a fazer trabalhos administrativos.

De policial, passou a gerente de cinema e da International Covid Solutions Corp, cujo endereço —o mesmo dos fundos do escritório de advocacia— é registrado em uma movimentada avenida do bairro Jamaica, no Queens, repleto de comércio e numerosa população de imigrantes.

Mas antes de conseguir identificar a casa, com numeração quase apagada em uma caixa de correio enferrujada, o visitante pode ler o anúncio: “Acidente? Ferido? Entre agora! Vamos conseguir o máximo de dinheiro para seus ferimentos.”

Na tarde de segunda-feira (26), a Folha esteve no local e visitou o escritório de advocacia Bachu & Associates. Um funcionário explicou que, entre as salas apertadas, existem outras empresas —”talvez umas três ou quatro”— mas não sabia nada sobre a venda de imunizantes. “Estou sempre no telefone, bastante ocupado e, com a pandemia, tem muita gente trabalhando remoto”, afirmou.

Ele disse que havia ouvido falar em Rudy, mas não conhecia Charles Ramesar, e passaria o contato da reportagem para o chefe do escritório.

Além da empresa envolvida na negociação de vacinas com a Senah, o escritório de advocacia também é endereço de outra firma criada por Charles Ramesar, a Covid 19 Rapid Teste Nyc Inc., registrada 12 dias antes da criação da International Covid Solutions Corp.

Durante dois dias, a Folha telefonou diversas vezes e visitou os endereços comerciais e residenciais registrados em nome dos supostos sócios da International Covid Solutions Corp, mas não os encontrou.

Cinema onde é o verdadeiro endereço da International Covid Solutions Corp., segundo o advogado Damian Bachu

*Com informações da Folha

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