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O pacto de sangue entre Moro e mídia industrial, fez desse corrupto ex-juiz, o símbolo máximo da impunidade nacional

Moro é uma espécie de bandido reciclável por suas ações, enquanto juiz, que estão sendo reveladas pela Polícia Federal, mas sobretudo pelos perfumes que a mídia jogou em sua imagem, que mantinha a sua aura sempre clarinha, descolorida diante da opinião pública.

E olha que estamos falando de um sujeito que jamais soltou uma única frase brilhante, sempre foi multiuso naquilo que se pode classificar como conteúdo intelectual zerado.

Está aí um sujeito que investiu pesadamente no marketing pessoal e que, em certa medida, conseguiu fermentar, de forma química, sua imagem como “o novo caçador de marajás”.

A mídia não só estimulou esse olhar, como sempre fez e repete agora a receita de neutralizadora de odores do mundo fétido que cerca o ex-juiz, que se transformou na figura máxima da república de Curitiba, figuração esta que, por conta dessa mesma mídia, obteve 100% de absolvição diante do próprio Sistema Nacional de Justiça.

Ou seja, ir contra Sergio Moro, era praticamente bater de frente com o corporativismo jurídico em estado puro.

Por isso, Moro conseguiu até então, manter-se em estado de conservação a ponto de sentar numa cadeira do Senado. Mas sua luminosidade à vela na base de parafina e pavio, também tem prazo de validade. E a divindade da luz do ex-juiz já se apagou.

Moro, que chegou ao governo através de uma fraude com a parceria entre ele e Bolsonaro, ainda manteve uma imagem suplementar que Bolsonaro utilizou de combatente da corrupção, até este descobrir que estava prestes a virar vítima do esperto.

Isso ficou claro naquela reunião ministerial em que Bolsonao disse saber, através de informantes, que Moro estava armando para atacá-lo pelas costas.

Deu no que deu, não é preciso repetir.

Moro saiu enfraquecido numa aposta que fez em Bolsonaro e perdeu, pois o gabinete do ódio, comandado por Carluxo, passou a detonar a sua imagem durante 24 horas.

A coisa só não foi pior, porque a mídia, novamente, cercou o comparsa de Curitiba com uma blindagem em que o vendia como alguém que queria fazer um trabalho sério , mas acabou batendo de frente com os interesses do clã Bolsonaro.

Depois, Moro teve que desdizer tudo o que havia dito dos milicianos do Planalto, porque seus cálculos políticos deram ruim.

Conseguiu se eleger senador e, junto, ganhou o título de parlamentar medíocre, sem ideias próprias que sustentassem a sua imagem, na medida do possível, pregando para convertidos antiLula.

Ficou totalmente desmoralizado com a Vaza Jato, principalmente porque a série provou por A mais B que ele foi um juiz totalmente parcial prendendo Lula sem qualquer prova de crime.

Tudo isso aconteceu, e a mídia simplesmente ignorou cada fato negativo para sua imagem, como se nunca tivesse existido nada contra Moro.

Essa mesma fórmula a mídia repete agora diante de um escândalo descoberto pela PF em que Moro aparece como maestro de sua própria facção criminosa, montada no Paraná, que chantageava juízes e desmbargadores com festas com prostitutas, além da revelação de uma juíza, também da 13ª, que o acusou de apertar o seu pescoço e de ameaçá-la.

Mas nada disso parece relevante para o Globo, Folha e Estadão, num claro pacto de sangue da mídia industrial antipetista com o e-juiz corrupto e ladrão, como bem pontuou Glauber Braga.


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Um ano de governo e Bolsonaro não se dirigiu uma única vez aos pobres

Um país de maioria pobre, Bolsonaro só fala para os ricos.

Foi assim na sua coletiva para a Globo. Mandou um recado aos endinheirados, sobretudo aos banqueiros: Não sou eu quem me navega quem me navega é a agiotagem e o rentismo com o timoneiro Paulo Guedes.

O mesmo que disse que não tem compromisso nenhum com a questão da gigantesca desigualdade no país.

Lógico que, para a Globo, mais dependente dos bancos do que nunca, o recado foi a senha para que Flávio saísse do noticiário dos Marinho e, assim, nem no Fantástico seu nome foi lembrado na semana em que estourou o escândalo do cartel da família.

E que família!

É gente que não acaba mais. Vai da mulher do presidente às ex-mulheres, passando pela parentada toda ligada a elas e, lógico, os filhos e os parentes dos filhos. Sem falar nos milicianos e parentes de milicianos.

Tudo isso foi desconsiderado pela Globo depois que Bolsonaro fez um pacto de sangue com os banqueiros que, por sua vez, têm pacto de sangue com a Globo.

Ficou estabelecido que Paulo Guedes é quem manda. Assim os banqueiros se acalmaram e a Globo pôde mostrar aos patrões que o serviço da milícia midiática funciona bem contra Bolsonaro.

Por isso também, nessa democracia de mercado em que o Brasil se encontra, não há escrúpulos dos banqueiros que se associam a assassinos para lucrar cada vez mais e, muito menos, discurso direcionado aos pobres, só se for para avisar que eles vão morrer sem empregos, sem saúde e sem comida. Quem teimar em viver, o esquadrão da morte dá um jeito no insurgente.

 

*Carlos Henrique Machado Freitas