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Vídeo – “Por que temos que pagar?”: Lula culpa potências do Conselho de Segurança da ONU por guerra no Irã e alta dos combustíveis

Presidente também criticou donos de postos por elevarem preços dos combustíveis apesar de medidas do governo para conter os impactos da crise

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente as potências globais ao comentar, nesta quarta-feira (18), a alta no preço dos combustíveis em meio à escalada da guerra no Oriente Médio.

“Nós aqui que não temos nada a ver com isso, que estamos a 14 mil quilômetros do Irã, que estamos longe de Israel, por que nós temos que pagar o preço do combustível? Por quê? Por irresponsabilidade dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU”, afirmou.

A fala de Lula foi feita durante a entrega do prêmio Mulheres das Águas, prêmio destinado a trabalhadoras da pesca no Brasil. O presidente citou diretamente os países que possuem assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — e criticou o papel dessas nações no cenário internacional., diz Forum.

“São os cinco países que produzem mais armas, que têm armas nucleares […] que deveriam estar zelando pela paz. Eles decidiram que são donos do mundo e resolveram atacar quem quiserem.”

O presidente também destacou quem, segundo ele, sofre as consequências diretas dos conflitos.

“A vítima disso […] serão os trabalhadores do mundo e os pobres do mundo, porque toda a desgraça causada pelos ricos arrebenta nas costas das pessoas que não têm nada a ver com isso.”

Veja vídeo:


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Mundo

Mundo fica sem controle nuclear entre potências pela 1ª vez em meio século

O mundo acordou mais perigoso nesta quinta-feira, dia 5 de fevereiro de 2026. Expirou à meia noite o último acordo de controle de armas nucleares entre os dois grandes detentores de ogivas, os EUA e a Rússia.

O acordo Novo Start, desenhado a partir de diferentes experiências e pactos desde 1968, havia sido costurado em 2010 entre Moscou e Washington. Em 2021, ele foi extendido por mais cinco anos. Mas, agora, chegou a seu final.

Trata-se do fim de quase seis décadas de controle de armas, justamente num momento de colapso da ordem global.

“Pela primeira vez em mais de meio século, enfrentamos um mundo sem quaisquer limites vinculativos para os arsenais nucleares estratégicos dos dois Estados que detêm a esmagadora maioria do estoque global de armas nucleares”, disse António Guterres, secretário-geral da ONU. “Trata-se de um momento muito grave”, alertou.

O tratado limitou os arsenais de armas nucleares estratégicas implantados pelos EUA e pela Rússia, aquelas que têm “alcance intercontinental”, ou seja, que podem ser lançadas da Europa e detonadas nos Estados Unidos e vice-versa.

Pelo acordo, ficou estabelecido um limite aos EUAe a Rússia a 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas em 700 sistemas de lançamento nuclear implantados (aviões, mísseis balísticos intercontinentais e mísseis lançados por submarinos). Também ficou estabelecido um teto de 800 lançadores nucleares implantados e não implantados desses mísseis e aviões que podem lançar armas nucleares.

O tratado, acima de tudo, exigia inspeções regulares e troca de dados semestral entre os dois países.

Em setembro do ano passado, Moscou chegou a sugerir que o tratado fosse extendido por um ano, dando tempo para que os governos negociassem um pacto maior. Uma proposta foi colocada sobre a mesa. Mas a Casa Branca jamais respondeu.

Em janeiro deste ano, Trump passou a pedir o envolvimento da China num novo pacto. Pequim, hoje, é o país que mais investe em novas ogivas, ainda que seu arsenal seja apenas uma fração do que russos e americanos possuem.

A morte do tratado, de fato, foi precedida por diversas crises. Com a guerra na Ucrânia, a Casa Branca acusou o Kremlin de descumprir. Em 2023, foi a vez do presidente russo, Vladimir Putin, declarar que a Rússia suspenderia o cumprimento do tratado, rejeitando inspeções e troca de dados com os EUA.

Para diplomatas, sem um acordo de controle, o risco é de que a tentação ao uso de armas nucleares ou suas ameaças aumentem. Especialistas também temem uma nova corrida armamentista nuclear e, no atual cenário de extrema insegurança internacional, a falta de um acordo amplia a tensão e a desconfiança entre as potências.

Ainda está em vigor o Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, dos anos 60. Mas o Start era o último que determinava com detalhes o controle de ogivas.

Todos os demais acertos que existiam ao longo de décadas também foram desmontados ou abandonados, incluindo tratados que limitavam sistemas de defesa antimíssil, forças de alcance intermediário e direitos mútuos de sobrevoo.

“Este é um novo momento, uma nova realidade”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov. Dmitry Medvedev, que assinou o Novo START quando era presidente da Rússia, disse que a expiração do tratado deveria “alarmar a todos”. O colapso também foi lamentado por Barack Obama. Nas redes sociais ele disse que o vencimento do tratado “poderia desencadear outra corrida armamentista que tornaria o mundo menos seguro”.

Sem controles e sob alta tensão, a realidade geopolítica hoje desmonta a tese usada por anos de que bombas nucleares eram necessárias como arma de dissuasão e que, portanto, o mundo ficava mais estável com sua existência.

Hoje, o suposto efeito estabilizador não passa de uma ilusão.

*Jamil Chade/ICL

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Mundo

O encontro de Putin e Trump e a volta da política das potências

Por Ricardo ueiroz Pinheiro

Putin recolocou a geopolítica no centro. Em meio a uma globalização que prometia anestesiar a história, ele reinscreveu o território, a força e a guerra como incontornáveis

A queda da União Soviética deixou um país despedaçado e muitas perguntas sem resposta. Nos anos 1990, a Rússia foi reduzida a campo de saque neoliberal, perdeu territórios, poder econômico, sofreu com a corrosão das instituições e viveu a humilhação de uma nação sem voz no tabuleiro global. Foi desse cenário de colapso que surgiu Vladimir Putin. Formado na KGB, soube mobilizar a herança de um Estado moldado pela disciplina e pelo segredo para recentralizar o poder e devolver à Rússia a promessa de soberania.

Sua trajetória concentra três fases da Rússia pós-URSS: a transição desordenada, a estabilização autoritária e o confronto direto com o Ocidente. E também revela três figuras distintas: o administrador pragmático que restaurou o funcionamento do Estado, o chefe de poder que concentrou em si as instituições, e o comandante em guerra que hoje testa os limites da ordem internacional. Mais do que um líder, Putin se confunde com a própria mutação do país ao longo de três décadas.

A reconstrução da Rússia sob seu comando teve como eixo a retomada da soberania. Essa escolha implicou centralização, repressão e conservadorismo, mas também devolveu ao país uma posição de potência. O ódio dirigido a Putin se explica em parte por esse repertório autoritário, mas também pela sua condição de obstáculo num sistema internacional que buscava naturalizar a hegemonia ocidental.

Para o Ocidente, Putin cumpre a função de antagonista perfeito. Sua figura legitima a narrativa de um mundo dividido entre democracia e tirania. Para a esquerda, os erros de leitura se multiplicam: setores ortodoxos o tratam como simples contrapeso ao imperialismo, liberais o demonizam como ameaça existencial à democracia e parte da esquerda trotskista insiste na analogia com Stalin. São formas de evitar a análise concreta de sua liderança, projetando sobre ela fantasmas herdados do século XX.

O resultado é que Putin recolocou a geopolítica no centro. Em meio a uma globalização financeirizada que prometia ter anestesiado a história, ele reinscreveu o território, a força e a guerra como variáveis incontornáveis. Sua permanência mostra que a história não foi encerrada e que o equilíbrio internacional é refeito pelo choque de potências.

Gostemos ou não, a imagem de uma Rússia isolada e de um Putin reduzido à caricatura de tirano solitário, inimigo declarado de minorias, como repete o discurso ocidental, é uma simplificação conveniente. Ele é de fato um conservador autoritário, cuja política interna reforça desigualdades e sufoca liberdades, mas a análise que proponho não se pauta pela moral e sim pela política, por mais fria que pareça. O que está em jogo é o peso de sua liderança nas alianças estratégicas, no mercado energético, nas dinâmicas militares e nas disputas diplomáticas que atravessam o século XXI. Putin não é nota de rodapé: é parte ativa da engrenagem que reorganiza a política internacional contemporânea.

O encontro com Trump no Alasca é mais uma prova disso. A mídia ocidental insiste em reduzir o episódio às bravatas de Trump, como se fosse mais uma excentricidade da sua eterna campanha. O que passa despercebido é a demonstração de força de Putin: enquanto o Ocidente ridiculariza, ele afirma sua centralidade, inclusive no coração do adversário histórico.

Não se trata de amar ou odiar. Putin é expressão de algo maior do que sua própria biografia: a volta da política de potências em sua forma crua. Ele é parte de um momento de reintrodução da força e da geopolítica na cena mundial, liderando uma Rússia capitalista que contesta a hegemonia ocidental e mostra que a história não obedece às ilusões do fim anunciado. Sua centralidade se mede também pela relação com a China, que transforma o embate deste século em disputa aberta entre blocos, redesenhando alianças e fronteiras de poder. A disputa segue aberta, e a figura de Putin é um dos sinais mais claros de que o século XXI será marcado menos por consensos fabricados e mais por choques de poder que ninguém pode ignorar.

(*) Ricardo Queiroz Pinheiro é bibliotecário, pesquisador e doutorando em Ciências Humanas e Sociais.

*Opera Mundi


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