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Aves infectadas com vírus teriam sido testadas pelos EUA como armas biológicas no Brasil

Sede da COP30, Belém virou laboratório norte-americano como possível esforço de combate no Vietnã durante a Guerra Fria

Thiago Domenici
Agência Pública

A historiadora Laura de Oliveira Sangiovanni estava em um subsolo de Washington, D.C., quando o ar começou a faltar. Na frente dela, o funcionário do Museu Nacional de História Natural Smithsonian Chris Milensky puxava com cuidado uma longa gaveta de metal. Dentro, centenas de aves amazônicas, perfeitamente empalhadas, repousavam em silêncio, entre elas o urubu-de-cabeça-preta. Milensky abriu outra gaveta. Eram muitas gavetas, que são parte da chamada reserva técnica do museu.

A cena era um pesadelo materializado que Oliveira não calculou ao entrar no local. A pesquisadora goiana sofre de ornitofobia, medo extremo de pássaros. “Já vi o suficiente, obrigada”, conseguiu dizer, em meio à crise. A ironia era brutal. O que levaria a pesquisadora justo àquele arquivo no maior complexo de museus e centros de pesquisa do mundo?

As respostas, algumas ainda inéditas e contadas com exclusividade à Agência Pública, viriam em forma de mais perguntas. Os primeiros resultados descobertos por sua pesquisa histórica, que completou oito anos em 2025, vieram a público, sobretudo o acadêmico, com artigos e apresentações em congressos pelo Brasil. Entre os achados, a informação de que milhares de aves amazônicas podem ter se tornado peças de um projeto de testes virais dos Estados Unidos em solo brasileiro durante o período da Guerra Fria.

O enredo envolve a Guerra do Vietnã, o desenvolvimento de armas biológicas e Belém, cidade sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), numa história com conexões entre ornitologia e virologia.

Um passarinho que contou muito
Laura não imaginava que durante um almoço, enquanto tomava uma sopa de feijão, receberia uma dica que a levaria a uma trama com envolvimento do exército dos Estados Unidos em solo amazônico. “Esperava um brasileiro há tanto tempo”, disse Pamela Henson, diretora do Smithsonian, com um sorriso que Laura só compreenderia depois, no encontro das duas em 2017. A diretora, também historiadora, sabia o que estava prestes a desencadear. Henson foi direta. “Esse programa que você quer estudar”, disse, “é um dos mais polêmicos da história do Smithsonian”.

Em 2014, Henson havia publicado um texto na revista Acervo, do Arquivo Nacional no Brasil, convidando pesquisadores brasileiros a consultarem os arquivos do Smithsonian, que teria muita coisa sobre o país. O complexo reúne 19 museus, 7 centros de pesquisa, o Zoológico Nacional e um acervo de mais de 142 milhões de itens.

Foi assim que Oliveira, três anos depois, partiu aos Estados Unidos para seu pós-doutorado. A intenção era estudar a emergência do ambientalismo internacional a partir de dois projetos do Smithsonian para a Amazônia.

Durante seu mestrado, anos antes, a brasileira havia mergulhado na história da bioética a partir dos julgamentos dos médicos nazistas em Nuremberg, na Alemanha, no pós-Segunda Guerra Mundial. No doutorado, investigou a atuação de uma agência federal norte-americana, a USIA, responsável pela propaganda anticomunista no Brasil durante a Guerra Fria. Seu objeto de análise foram as políticas editoriais, com ênfase na trajetória da Edições GRD.

Ali, diante da brasileira, Henson indicou um nome do Instituto Smithsonian que mudaria o rumo da pesquisa de Oliveira: o ornitólogo Philip Strong Humphrey. Entre 1963 e 1970, Humphrey coordenou um projeto de pesquisa em ilhas do Oceano Pacífico, o “Pacific Ocean Biological Survey Program (POBSP)”, que levou o cientista e o próprio instituto a serem acusados de encobrir testes de armas biológicas utilizando aves como vetores durante a Guerra Fria, a serviço do Exército estadunidense, em conexão direta o notório centro de guerra química e biológica Fort Detrick, no estado de Maryland. Como esperado, os Estados Unidos nunca confirmaram a informação.

O programa do Pacífico já havia sido objeto de pesquisa do historiador Roy Mcleod, autor do artigo “‘Estritamente para os pássaros’: ciência, as Forças Armadas e o Programa de Pesquisa Biológica do Oceano Pacífico do Smithsonian, 1963-1970”, publicado em 2001. Em 2023, seria publicada uma pesquisa mais densa sobre o tema no livro, “Ciência, segredo e o Smithsonian: a estranha história do Programa de Pesquisa Biológica do Oceano Pacífico”, de Ed Regis.

Os referidos autores mencionaram apenas timidamente um outro projeto análogo ao POBSP coordenado por Humphrey em Belém, quando milhares de aves amazônicas também teriam sido usadas sob a coordenação do ornitólogo em testes biológicos: o enigmático Projeto Ecológico Belém (Belém Ecological Project, ou BEP).

Uma revoada de D.C. até o Mocambo
O Projeto Ecológico Belém (Belem Ecological Project, ou BEP) era um programa desconhecido pela historiografia brasileira. Sob a fachada de estudo da natureza, a iniciativa pode também ter escondido uma operação militar dos Estados Unidos em plena Amazônia brasileira durante a ditadura militar (1964-1985).

Para entender o BEP, é preciso voltar ao outono de 1962. Philip Humphrey havia acabado de aceitar o cargo de curador de aves no Smithsonian, uma posição que outros cientistas mais prestigiados haviam recusado, por considerá-la uma “ciência fossilizada do século XIX”. Humphrey, então com 36 anos, no entanto, via uma oportunidade. “Foi isso que ele foi fazer lá. Ele foi ampliar a coleção da Smithsonian”, conta Laura de Oliveira. Pouco depois de sua contratação, no entanto, Humphrey receberia em seu escritório uma visita de oficiais do Exército dos Estados Unidos.

O governo John F. Kennedy, sob a gestão do Secretário de Defesa Robert McNamara, havia lançado o Projeto 112, um vasto programa de testes de armas químicas e biológicas. Os militares queriam a ajuda do Smithsonian para um projeto com aves no Pacífico. Humphrey, segundo seu próprio relato ao jornalista Philip Boffey, da revista Science, em fevereiro de 1969, não só concordou como sugeriu que o próprio Smithsonian abrigasse a operação.

Nesse momento, a ciência de coletar e catalogar pássaros se encontrou com a política de guerra estadunidense. Oliveira descobriu uma correspondência de Humphrey que mostra uma mudança abrupta nesse sentido. Se no início de 1962 seu interesse era puramente a ecologia, no final daquele ano, ao contatar a Fundação Rockefeller em busca de apoio para entrar no Brasil, o tema já era outro: virologia. Aves como vetores de vírus. A primeira carta que Humphrey enviou à Rockefeller, o documento que poderia elucidar essa transição, desapareceu misteriosamente dos arquivos. Só existe a resposta, que começa com uma introdução protocolar: “A respeito da sua correspondência enviada, sobre um financiamento para expedição na Amazônia…”.

Em 1963, quando Humphrey desembarcou em Belém pela primeira vez, o campo científico na região comportava instituições importantes, como o Museu Paraense Emílio Goeldi e o Instituto Evandro Chagas, que sediava um laboratório de vírus da Fundação Rockefeller, importante referência em estudos virais e saúde pública. Humphrey não estava começando do zero; ele estava se inserindo em uma rede pré-existente, usando-a aparentemente como cortina de fumaça para um projeto pouco transparente.

A correspondência entre Humphrey e os diretores do Laboratório de Vírus da Rockefeller, antes de desembarcar em Belém, indica um planejamento meticuloso. Ele chegou com bisturis, formol, armas de fogo e munição, tudo detalhado nos orçamentos que Oliveira encontrou décadas depois. Além disso, ele precisava de um taxidermista; precisava de redes para capturar aves no dossel florestal; e precisava de discrição.

Oliveira explica que a Rockefeller funcionava como uma vanguarda da política externa americana, oferecendo uma “blindagem” institucional e uma rede de contatos que facilitava a atuação de cientistas ligados a interesses estratégicos. Com financiamento do Instituto Smithsonian (com recursos que, em parte, advinham do Escritório de Pesquisa do Exército americano), uma área de floresta pertencente ao Ministério da Agricultura brasileiro foi demarcada em 1966 e batizada de Área de Pesquisas Ecológicas do Guamá (APEG). Naquela área, conhecida localmente como Mocambo, se consolidou o laboratório de testes de Humphrey entre 1967 e 1971.

O mistério de uma importação silenciosa
No período de vigência do projeto, segundo informação do banco de dados do Museu Nacional de História Natural, 4.426 aves brasileiras foram enviadas para o acervo do Smithsonian nos Estados Unidos, abrigadas nas gavetas de reserva técnica que causaram pânico na historiadora anos mais tarde. Desse total, 2.895 vieram do Pará, sendo 90% de toda a coleção de aves brasileiras do museu formada nesse período do BEP.

A investigação da historiadora brasileira não encontrou nenhum registro da saída das quase cinco mil aves na alfândega de Belém, nem autorização do Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas no Brasil (CFE), o órgão que deveria controlar esse tipo de atividade à época. Havia um fundo da alfândega de Belém no Arquivo Nacional. Oliveira procurou. Nada. O projeto simplesmente não aparecia.

Também não foram localizados registros do BEP na documentação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), nem do Serviço Nacional de Informações (SNI). Como um projeto desse porte, com financiamento estrangeiro, pôde operar por oito anos sem deixar rastros na burocracia brasileira?

A resposta, para Oliveira, pode estar na blindagem institucional. O projeto funcionava dentro do Instituto Evandro Chagas, que já abrigava o laboratório da Rockefeller. A Fundação tinha uma longa história no Brasil, com parcerias estabelecidas desde 1916. Humphrey não precisou pedir autorização ao governo brasileiro. Ele entrou pela porta da frente, sob o guarda-chuva da Rockefeller.

Na documentação pesquisada há evidências de que o mesmo tipo de teste em Belém foi realizado em partes do Havaí além de locais como Line, Phoenix, Tokelau, Gilbert, Marshall, Baker, French Frigate Shoal e Sand, no Atol Johnson – um território dos Estados Unidos conhecido por testes de armas nucleares, depósitos de armas químicas e incineradores.

Os pássaros eram capturados, inoculados com vírus, monitorados, mortos (possivelmente a tiros – os orçamentos de Humphrey incluíam verbas para armas e munição), taxidermizados e enviados para Washington. Formalmente, o BEP tinha como objetivo identificar as condições ambientais do delta amazônico, nas imediações de Belém, e o impacto da ação humana na região. Na prática, dedicou-se ao estudo sobre distribuição ecológica, diversidade, rotas de voo e relações entre arbovírus e aves.

O ornitólogo brasileiro Fernando Novaes, do Museu Goeldi, chegou a coordenar o projeto por um mês em 1963 e seus relatórios mostram colaboração com o laboratório de vírus da Fundação Rockefeller até o início dos anos 1970. Até então, não há evidências de que ele ou outros brasileiros soubessem do acordo militar de Humphrey e das verdadeiras intenções do projeto.

Em 1965, um jovem assistente se juntou à equipe: Thomas Lovejoy, que décadas depois se tornaria um dos ambientalistas mais famosos do mundo. Lovejoy foi responsável pela instalação das redes mistas no dossel florestal, a técnica que permitia capturar as aves em pleno voo. Em entrevista à revista Pesquisa Fapesp, em 2015, Lovejoy negou qualquer envolvimento com os testes virais, afirmando ter se dedicado apenas à “ecologia de aves” e que entregou “todos os dados virais e epidemiológicos ao Laboratório de Vírus em Belém”.

Mesmo sem evidências de que soubesse da movimentação dos Estados Unidos, o golpe militar de 1964 no Brasil, longe de ser um obstáculo, parece ter sido uma bênção para o projeto. Enquanto Humphrey, nos períodos em que estava em Washington, mostrava-se preocupado com a instabilidade política, seu colega em Belém, o virologista Robert Shope – que passara três anos em treinamento em Fort Detrick antes de ir para a Amazônia –, respondeu em uma carta: “A situação política tem sido extremamente interessante, mas até agora em nada impediu o nosso trabalho. Acredito que o atual regime representa uma certa estabilidade que deverá ser favorável”.

Vírus, bactérias e uma admissão silenciada por 20 anos
Quando o caso do Projeto do Pacífico veio à tona na imprensa americana, sobretudo em denúncias da revista Scientific Research e reportagens na NBC, pouco se falou do Projeto Belém.

Em 1968 e 1969, reportagens na imprensa estadunidense, incluindo a prestigiosa revista Science, trataram das supostas conexões do Smithsonian com a guerra biológica, no contexto do crescente repúdio à Guerra do Vietnã.

Cientistas proeminentes escreveram cartas indignadas à publicação. Um desses cientistas, Stephen Jay Gould, biólogo de Harvard, escreveu na Science: “Ninguém pode ser tão ingênuo a ponto de pensar que um projeto secreto financiado pelo Exército e administrado por Fort Detrick tenha sido financiado por seus patrocinadores em nome da pura pesquisa”. Outra correspondência, enviada pelo leitor George Wright ao presidente Lyndon Johnson, dizia: “Você, como presidente dos Estados Unidos, obedeceu aos interesses militares nas relações internacionais e, nesse processo, causou muitos danos ao seu país e a outros seres humanos neste planeta. Você falhou. Eu rezo por você”.

As reportagens provocaram forte impacto político e reações adversas ao Smithsonian, que, sentindo a pressão, negou as acusações. Curiosamente, Humphrey já estava oficialmente afastado do instituto desde 1967, embora ele tenha permanecido coordenando os projetos à distância até 1971 a partir de seu novo posto na Universidade do Kansas.

O silêncio de Humphrey se instalou por mais de uma década, até que, em 1985, o jornalista Ted Gup, do Washington Post, publicou a reportagem “O Segredo do Smithsonian – por que um estudo inocente com pássaros foi direto para especialistas em guerra biológica em Fort Detrick”. Gup escreveu que o programa, embora não fosse secreto, mantinha atividades sigilosas e encobria testes de armas biológicas usando pássaros como vetores. Os protótipos desenvolvidos por meio desses experimentos foram enviados para Fort Detrick, apurou o jornalista.

A pesquisa com aves, tanto no Pacífico quanto em Belém, envolveria ao menos dois tipos de agentes biológicos: o vírus da Encefalite Equina Venezuelana (VEE) e a bactéria da Febre Q, relacionada à bactéria Coxiella burnetii.

O VEE é uma doença viral transmitida por mosquitos que geralmente afeta cavalos e humanos, podendo causar febre, convulsões e morte em animais. Aves silvestres são reservatórios naturais do vírus, enquanto os mosquitos atuam como vetores. A transmissão para humanos ocorre pelo contato ou pelas picadas de insetos infectados.

No caso da Febre Q, a doença bacteriana é transmitida por inalação de poeira contaminada, afetando humanos e animais. Em humanos, a infecção geralmente causa sintomas semelhantes aos da gripe, como febre, dor de cabeça, calafrios e tosse seca. Sem cuidados, a doença pode evoluir para uma forma crônica grave, que requer tratamento prolongado com antibióticos e pode afetar o coração.

Na entrevista ao jornalista do Post, Humphrey, enfim, admitiu os testes no Pacífico. Disse que eram pesquisas “defensivas”, feitas no “interesse nacional”, e concluiu com uma frase que ecoa a banalidade do mal: “Armas biológicas são um fato da vida”, embora o ornitólogo alegasse não concordar com seu uso. O projeto Belém não foi mencionado.

O quebra-cabeças Belém
Diante da ausência de documentos que comprovem explicitamente os testes de armas biológicas – o que seria esperado em operações sigilosas –, a historiadora Laura de Oliveira cruzou correspondências trocadas entre os cientistas, relatórios de projetos, diários e outros fragmentos, a partir de pesquisa nos arquivos do Instituto Smithsonian, em Washington, da Fundação Rockefeller, em Nova York, do Instituto Evandro Chagas, do Museu Emílio Goeldi e da Embrapa, em Belém.

Ainda sem “prova cabal”, ela defende o método histórico e a narrativa historiográfica baseada em vestígios, interpretação e no cruzamento de fontes para apontar que a capital paraense teria sido laboratório americano de testes com aves como vetores de armas biológicas.

Oliveira leciona história na Universidade de Brasília (UnB) e continua em busca de respostas: Houve surtos epidemiológicos nas comunidades próximas a Belém? As técnicas foram aplicadas no Vietnã? E como, afinal, 4.426 aves mortas brasileiras puderam cruzar o oceano e terminar em gavetas de metal, sem que, aparentemente, o governo brasileiro tomasse conhecimento?

A professora planeja voltar a Belém para vasculhar as hemerotecas em busca de registros de epidemias nos anos 1960. Quer saber se o projeto deixou marcas não apenas nos arquivos, mas nos corpos das pessoas que viviam perto de Mocambo.

Enquanto isso, no sexto andar do Museu Nacional de História Natural em Washington D.C., algumas das aves amazônicas capturadas por Humphrey estão em exposição, em vitrines iluminadas, sob o sol estilizado do logotipo da instituição. Visitantes passam, tiram fotos, admiram as cores. Não sabem que aqueles pássaros brasileiros, um dia, podem ter sido testados como vetores de armas biológicas. Nos corredores da Smithsonian, o silêncio das aves guarda respostas.


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Política

O discreto jantar de Derrite, Lira e Cunha: vinhos do Douro, bacalhau e Antifacção

Secretário de Segurança de São Paulo e ex-presidentes da Câmara, Derrite, Lira e Cunha jantaram horas após o adiamento do Antifacção

Quem vai ao Manuelzinho, em Brasília, costuma estar em busca de bom vinho e boa comida portuguesa, herdadas da experiência de décadas que o dono, Manuel Pires, acumulou como maître do Antiquarius, no Rio de Janeiro. Mas os frequentadores de uma noite de quarta-feira, dia que costuma ser quente no Congresso, geralmente estão em busca de algo mais. Ao contrário de outras boas mesas de Brasília, o Manuelzinho quase nunca está cheio; pelo contrário. Lá, é possível que deputados, senadores, lobistas e empresários que decidiram pernoitar na capital federal consigam uma mesa discreta para estender as articulações políticas que não couberam no horário comercial. Talvez tenha sido por isso que, nessa quarta, 12 de novembro, o Manuelzinho foi escolhido para o encontro de Eduardo Cunha, Arthur Lira e… Guilherme Derrite.

Ontem foi um dia tumultuado para Derrite. A semana, aliás, não tem sido fácil. Na terça, 11, ele teve de comunicar uma mudança de posição em relação ao que havia anunciado sobre o relatório do PL Antifacção — o texto apresentado pelo governo para trazer respostas ao problema da violência urbana — e entregue por Hugo Motta à direita — Derrite — para ser relatado. O texto ficou bem mais próximo do que queria o governo e com quase nada do que a direita pretendia incorporar a ele.

Na quarta, após não conseguir um acordo com o PL e com o PT para votar o desidratado texto proposto na véspera, o PT não quis; governadores da direita também entraram na articulação para adiar a votação do projeto. A movimentação foi considerada a segunda derrota, na mesma semana, para o deputado e secretário de Segurança Pública de São Paulo, que se licenciou do cargo para assumir a relatoria do projeto.

A paternidade de Derrite no PL Antifacção é um grande ativo político para seus planos pessoais — de se candidatar ao Senado por São Paulo em 2026 — e para Tarcísio de Freitas, que pode ser candidato ao Palácio do Planalto contra Lula na próxima eleição. Mais que isso: uma vitória dele poderia ser interpretada também como uma vitória política de uma direita ávida por boas notícias para fazer frente à prisão de Jair Bolsonaro, ao tarifaço de Eduardo Bolsonaro e à fragmentação às vésperas de um ano eleitoral. Mas não tem sido assim, ao menos até agora.

Derrite, Cunha e Lira chegaram pouco antes das 22h ao Manuelzinho. Pediram um Vinha Grande, da Casa Ferreirinha, uma das mais tradicionais do Douro. É um vinho barato para o que entrega. Os três beberam num ritmo que nem aproveitaram. Pediram uma segunda garrafa. E bacalhau.

Conversaram sobre o PL Antifacção, mas não só. Quem passava por perto não conseguia ouvir com clareza todos os temas. Derrite pode ser garoto novo nesse tipo de ambiente, mas Cunha e Lira sabem moldar os decibéis ao sabor do assunto que conversam. Os três, ontem, falavam baixo.

A coluna tentou perguntar o que haviam papeado. Por volta da meia-noite, já desta quinta, 13, os seguranças dos deputados, que aguardavam do lado de fora, foram avisados pelo maître de que os três haviam pagado a conta. Sairiam tão logo terminassem o vinho. Chegada a hora, Derrite, Cunha e Lira foram abordados de novo. Qual havia sido o assunto à mesa? Não responderam.

O secretário de São Paulo se despediu dos ex-presidentes da Câmara com um aperto de mão e seguiu para o carro. Ao ser questionado, novamente, sobre o conteúdo da conversa e se a articulação pela aprovação do PL Antifacção contava com a astuta consultoria de Cunha e Lira, Derrite não desviou o olhar e entrou no carro. “Não vou falar nada”, disse, antes de deixar o Manuelzinho.

*Guilherme Amado/PlatôBR


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Vídeo: Desesperado com uma possível extradição, Eduardo Bolsonaro ataca Zema e aliados, “prostitutas” que traíram o clã

Isolado nos EUA, Eduardo Bolsonaro tem se ocupado em atacar aliados que vão, um a um, abandonando o clã. Em vídeo, ele mostra desespero sobre possível extradição, citando caso de Eduardo Tagilaferro na Itália.

Risco de extradição
Em vídeo divulgado nesta quinta-feira (12), Eduardo Bolsonaro se mostrou desesperado com a hipótese de ser extraditado de volta ao Brasil, citando o caso de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Foragido na Itália após investigação sobre vazamento de informações de seu celular com ataques a Moraes, Tagliaferro teve a extradição pedida pelo próprio ministro, acendendo um alerta em Eduardo Bolsonaro – que está cada dia mais escanteado por interlocutores do governo Donald Trump, nos EUA.

“O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, solicitou a extradição de Eduardo Tagliaferro pelos mesmos supostos “crimes” que ele também me atribui: denunciar no exterior as violações de direitos humanos cometidas pelo próprio Moraes. E o Procurador-Geral, Paulo Gonet, já sancionado pelos EUA com a revogação do visto, segue as ordens de Moraes investigando aqueles que os denunciam”, escreveu.

Em vídeo na mesma publicação, em que aparece visivelmente transtornado, Eduardo compara o caso de Tagliaferro com o dele.

“Tanto eu quanto o Eduardo Tagliaferro, sofremos o mesmo método de perseguição. O Tagliaferro é uma pessoa que trabalhou junto com Alexandre de Moraes, ele foi a inteligência e foi usado na perseguição, principalmente implementada na eleição de 2022. Hoje, o Tagliaferro está na Itália, denunciando os crimes do Moraes. E quem é que pede a extradição do Tagliaferro? O Moraes”, avalia o filho de Bolsonaro.

Eduardo, então, diz que também está nos EUA “denunciando os crimes do Moraes” e reclamou do processo em que é acusado de coação. A ação deve ser julgada pelo STF. E caso seja Eduardo seja condenado, o Brasil pode pedir a extradição dele ao governo Donald Trump, diz Forum.

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Por que Claudio Castro não chama as milícias de terroristas?

A omissão de Castro não é acidental: é uma proteção a um sistema que sustenta seu poder.

As milícias no Rio surgiram nos anos 2000 como grupos paramilitares formados por policiais, bombeiros, ex-militares e civis, com o suposto objetivo inicial de combater o tráfico.

Elas controlam territórios por extorsão (cobrança de “taxas” por serviços como gás, TV a cabo e segurança), mas evoluíram para redes de corrupção, lavagem de dinheiro e violência seletiva.

Cláudio Castro x Milícias x Narcoterrorismo x Discurso de Hoje
Castro chama CV/PCC de “narcoterroristas”, mas nunca inclui milícias nessa classificação.

Usa o termo para justificar megaoperações, ex: Operação Contenção, 120+ mortos e pedir sanções dos EUA.

Por que não chama milícias de terroristas?
Simples!

Apoio político: milícias financiam campanhas, votam em bloco e têm forte presença no PL, família Bolsonaro e base de Castro.
Pax miliciana: expulsam traficantes, reduzem tiroteios, mas extorquem (gás, TV, segurança). Estado tolera.

Seletividade: operações duras só em favelas do CV; redutos milicianos (Zona Oeste) são intocados.

Risco jurídico: 40% dos milicianos são PMs; enquadrar como terroristas derrubaria a própria polícia e governo.
Discurso de Castro no Congresso Nacional

Sessão solene em homenagem à Operação Contenção (4 PMs mortos, 120+ bandidos).

Principais pontos: Homenageou policiais como “mártires”.
“CV são narcoterroristas” → pressionou por PL Antifacção e Marco da Segurança Pública.

Criticou governo Lula “omissões”, e PF “espetáculos”.
Silêncio total sobre milícias.

Conclusão:

Castro usa o “narcoterrorismo” como arma política contra facções, mas protege milícias por conveniência – elas são parte do sistema que o sustenta.

A omissão sobre as milícias não é erro: é estratégia de poder.


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Quaest: Lula segue na liderança no 1º turno e venceria todos os adversários em 2026

Lula varia de 31% a 39% de intenções de voto nos testes de primeiro turno, com distância considerável para todos os possíveis adversários

O presidente Lula (PT) lidera todos os possíveis cenários eleitorais de primeiro turno para 2026 e venceria qualquer possível adversário em uma disputa de segunda turno. É o que aponta a pesquisa da Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira (13).

O levantamento aponta que Lula varia de 31% a 39% de intenções de voto nos testes de primeiro turno, com distância considerável para todos os possíveis adversários. A disputa mais apertada é contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível, quando soma apenas 5 pontos de vantagem.

Quaest: Lula mantém liderança no 1º turno e venceria qualquer adversário em 2026

Entre os candidatos aptos a concorrer, o mais competitivo é o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que aparece com 12 pontos a menos do que Lula em um cenário com apenas três candidatos. Michelle Bolsonaro, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Eduardo têm desempenhos parecidos, com ampla vantagem para Lula.

No segundo turno, Lula venceria todos os adversários

A vantagem de Lula contra Ciro Gomes (PSDB), Tarcísio e o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), é de 5 pontos. Em outubro, ela era de 9 pontos, 12 pontos e 13 pontos, respectivamente. Lula em distância confortável, de mais de dez pontos, contra Eduardo Leite (PSD) e Eduardo Bolsonaro (PL).

A Quaest testou pela primeira vez o nome de Renan Santos (Missão), fundador do Movimento Livre Brasil (MBL), que teria 25% dos votos, contra 42% de Lula.

A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 6 e 9 de novembro. O nível de confiabilidade da pesquisa é de 95% e a margem de erro é de 2 pontos percentuais.

ceria por diferenças entre 3 e 17 pontos percentuais. Contra o inelegível Jair Bolsonaro, teria 42%, ante 39%, o que configura empate técnico. A diferença era de 10 pontos percentuais há um mês.

Cenários do Segundo Turno

*ICL


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STF começa o julgamento dos Kids Pretos, acusados de planejar a morte de Moraes, Lula e Alckmin

Hoje, 11 de novembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento de dez réus acusados de integrar o “núcleo 3” da suposta trama golpista que visava impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2023. O grupo é conhecido como “kids pretos”, termo que se refere a militares das Forças Especiais do Exército (como o Batalhão de Operações Especiais de Lagem, em Goiânia), treinados para missões sigilosas e de alto risco, frequentemente usando uniformes pretos.

Eles são denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por planejar ações armadas, incluindo o assassinato e sequestro de autoridades como o ministro Alexandre de Moraes, o presidente Lula e o vice Geraldo Alckmin, além de incitar a adesão de militares a um golpe de Estado.

O julgamento começou com a leitura do relatório pelo relator, Alexandre de Moraes, e deve prosseguir com sustentações orais da acusação (PGR) e das defesas. Sessões estão marcadas para os dias 11, 12, 18 e 19 de novembro, sem previsão de votação imediata. O ministro Luiz Fux não participa, pois deixou a Turma em outubro e não formalizou pedido para votar nesses casos.

Trama golpista
A denúncia da PGR, baseada em investigações da Polícia Federal (como as operações Tempus Veritatis e Contragolpe), acusa o núcleo 3 de operacionalizar o plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa:

  • Assassinatos seletivos: Alvos incluíam Moraes (em 15 de dezembro de 2022), Lula e Alckmin, para gerar caos social e justificar uma intervenção militar.
  • Sequestros e monitoramento: Operação “Copa 2022” planejava capturar Moraes, mas foi cancelada. Os réus usaram técnicas de anonimato (como aparelhos clandestinos) para vigiar alvos.
  • Incitação e pressão: Uso de conhecimentos militares para recrutar e pressionar comandantes das Forças Armadas a aderir ao golpe, incluindo a divulgação de uma minuta de decreto de estado de defesa.

O núcleo militar da trama foi dividido em subgrupos, com os “kids pretos” responsáveis pelas ações táticas mais graves. A PGR imputa aos réus crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Para um réu específico (tenente-coronel Ronald Ferreira Júnior), a PGR pediu desclassificação para apenas incitação ao crime, por falta de provas de participação direta.

Quem são os réus?
O grupo é composto por nove militares (da ativa e reserva) e um policial federal. Aqui vai uma tabela com os principais acusados e suas alegadas funções, baseada na denúncia da PGR:

  • Hélio Ferreira Lima: Tenente-coronel do Exército (Goiânia) | Coautor da planilha de etapas do golpe; planejamento de ataques a Lula, Alckmin e Moraes; gestão financeira dos planos (repasse a Mauro Cid).
  • Rodrigo Bezerra de Azevedo: Tenente-coronel do Exército  Coidealizador da “Copa 2022” (sequestro e morte de Moraes); monitoramento de alvos.
  • Rafael Oliveira: Capitão do Exército (Forças Especiais)  Participação no “Punhal Verde e Amarelo”; monitoramento de Moraes com técnicas clandestinas.
  • Wladimir Matos Soares: Capitão do Exército (Forças Especiais)  Planejamento de assassinatos para caos social; pressão a superiores.
  • Estevam Theophilo: General da reserva (Alto Comando do Exército)  Deu aval aos planos em reunião com Bolsonaro; incentivou adesão militar ao golpe.
  • Márcio Nunes de Resende Júnior:  Coronel do Exército, que cedeu imóvel para reuniões golpistas; articulação para influenciar comandantes, mesmo sabendo da ausência de fraude eleitoral.
  • Bernardo Romão Correa Neto: Coronel do Exército. Pressão e incitação de militares; participação em reuniões.
  • Fabrício Bastos: Militar (detalhes não especificados) Incitação de pares nas Forças Armadas.
  • Sérgio Cavaliere:  Militar (detalhes não especificados). Incitação e adesão ao plano.
  • Agente da PF: (nome não divulgado em fontes iniciais). Policial Federal Fornecimento de informações sobre a posse de Lula em 1º de janeiro de 2023.

Dois réus (Bernardo Romão e Rodrigo Azevedo) estão em custódia, com deslocamento autorizado por Moraes sob escolta e proibição de entrevistas.

O julgamento é transmitido pelo canal do STF no YouTube e TV Justiça.

A Primeira Turma já condenou 15 réus em outros núcleos da trama (incluindo o “núcleo crucial” com Bolsonaro). Se condenados, os “kids pretos” podem pegar penas proporcionais, variando de 4 a 12 anos por crime. O caso reforça as investigações sobre a tentativa de ruptura democrática pós-eleições de 2022.


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Liberação do PL Antifacção acirra tensão entre Planalto e Câmara

A liberação do parecer sobre o Projeto de Lei (PL) Antifacção, ocorrida em 10 de novembro de 2025, intensificou as tensões entre o Palácio do Planalto e a Câmara dos Deputados. O PL 5.582/2025, enviado pelo governo Lula em 31 de outubro como resposta ao crime organizado (após operações no Rio de Janeiro), cria o tipo penal de “organização criminosa qualificada” (facção criminosa), com penas de 8 a 15 anos (podendo chegar a 30 em casos de homicídio), infiltração de agentes, banco nacional de perfis genéticos e medidas para descapitalizar facções.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), nomeou o deputado Guilherme Derrite (PP-SP)** — ex-secretário de Segurança de São Paulo e aliado de Tarcísio de Freitas — como relator. Derrite se licenciou do cargo estadual para assumir a relatoria.

Derrite apresentou um substitutivo que renomeou o PL para “Marco Legal do Combate ao Crime Organizado”, incorporando elementos de propostas da oposição (como equiparação por lesividade a atos terroristas, sem classificar facções diretamente como terroristas) e alterando pontos do texto original do governo.

Principais mudanças criticadas

Condiciona atuações conjuntas da Polícia Federal (PF) com polícias estaduais a pedido formal do governador, o que o governo vê como enfraquecimento da PF e “presente às facções”.
– Pode paralisar investigações interestaduais ou transnacionais e favorecer interferência política, segundo PF e especialistas.

Reação do Planalto
Lula ligou pessoalmente para Motta reclamando que a liberação “soaria como desrespeito ao governo”.

Gleisi Hoffmann (ministra das Relações Institucionais) chamou de “desrespeito” e “presente para facções”, afirmando que o texto limita a PF e contamina o debate.

Líderes governistas como Lindbergh Farias (PT-RJ) veem como “maior ataque à história da PF” e articulam adiamento ou alterações.

O governo teme perda de controle sobre a pauta de segurança para 2026 e estuda reações, como atrasar emendas parlamentares.

Posição da Câmara e oposição
Motta defendeu como “pauta suprapartidária” e incluiu na pauta do plenário para 11 de novembro (semana esvaziada pela COP30, com sessões remotas).

Derrite promete texto técnico, ouvindo todos os lados, e nega brechas para intervenção externa.

Oposição (bolsonaristas) comemora, vendo como esvaziamento de pauta governista e vitrine eleitoral.

O episódio expõe disputa pelo protagonismo na segurança pública, com o governo acusando Motta de autonomia excessiva e entrega à direita, enquanto a Câmara busca equilíbrio (mas acena à oposição). A votação em regime de urgência pode ocorrer já nesta terça (11), mas o Planalto pressiona por mudanças ou adiamento. No X, o tema gera debates polarizados, com críticas a Motta.


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Moraes determina que governo Castro prove motivos para operação com 121 mortos

Governo do RJ terá que enviar relatórios de inteligência que provem a presença dos suspeitos alvos de mandados no Alemão e na Penha

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que o governo do Rio de Janeiro apresente em 48 horas as provas de que 51 alvos de mandados judiciais estavam escondidos nos complexos do Alemão e da Penha. O cumprimento dos mandados de prisão foi a justificativa apresentada pela gestão de Cláudio Castro (PL-RJ) como justificativa para a Operação Contenção, que terminou com 121 pessoas mortas —das quais quatro policiais.

Para provar a presença dos criminosos alvos dos mandados, Moraes –que provisoriamente ocupa o cargo de relator da ADPF (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental) 635, conhecida como ADPF das Favelas– determinou que o governo do Rio envie ao STF relatórios de inteligência sobre o tema. A documentação será mantida em sigilo.

Em decisão proferida no último sábado (8), Moraes também determina que sejam enviadas as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos policiais que participaram da ação, assim como os laudos de necropsia realizados nos corpos das vítimas da operação.

Ao TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), Moraes determinou que seja enviada uma lista das das pessoas com mandado de prisão expedidos no processo que justificou a Operação Contenção, bem como a relação de alvos que foram efetivamente presos na ação. O ministro solicitou ainda o envio de uma ‘relação das demais pessoas presas – por mandado ou em flagrante – na citada operação e que não constavam nos referidos mandados e a situação processual de cada uma”.

Já para o Ministério Público do Rio de Janeiro, a determinação foi do envio das perícias independentes realizadas nos corpos das vítimas da operação e do procedimento de investigação aberto para apurar possíveis desvios cometidos durante a Operação Contenção.

Moraes anula ato do CNMP
De ofício, o ministro Alexandre de Moraes ainda a suspensão imediata de um processo administrativo em curso no CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) contra o procurador da República Júlio José de Araújo Junior, procurador regional de Direitos do Cidadão no Rio de Janeiro.

No processo, o MP-RJ questionava o envio de um ofício por Araújo e pelo defensor regional de Direitos Humanos da DPU (Defensoria Pública da União) no Rio de Janeiro, Thales Arcoverde Treiger, solicitando diversas informações sobre a Operação Contenção e sobre o cumprimento das determinações do STF na ADPF das Favelas.

O CNMP terá que explicar sua atuação no caso em até 48 horas.

Moraes ainda determinou a suspensão do inquérito aberto pela 22ª DP (Penha) para investigar familiares de mortos durante a operação e outros moradores da região por removerem os corpos abandonados pelas forças policiais na área de mata que liga os complexos do Alemão e da Penha, conhecida como Vacaria. Para entidades de defesa de direitos humanos, a abertura do inquérito era uma tentativa de intimidação da Polícia Civil contra familiares que denunciaram possíveis crimes cometidos durante a ação policial.

*Juliana Dal Piva/ICL


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Economia Política

Inflação sob controle, pleno emprego e crescimento: A exuberância da exonomia de Lula

A situação é de crescimento, melhoria da renda e do emprego, num clima de crescente confiança e sensação de segurança monetária

– Menor inflação em 3 anos desde o Plano Real (há 30 anos): caindo em direção à meta anual de 3%.

– Menor desemprego desde o Plano Real: 5,6%

– Maior crescimento acumulado em 4 anos: 10,8% (est.)

– Maior renda média da história: R$ 3.477

– Maior valorização da Bolsa num ano: 28,8%, aos 154 mil pontos, após 25 quebras de recordes no ano, sendo 13 seguidos até esta sexta-feira.

Diante desses dados só resta parabenizar o presidente Lula e seus auxiliares do Ministério da Fazenda e do Banco Central, pela maneira brilhante com que vêm conduzindo o país a uma virada de ambiente e humor.

A situação é de crescimento, melhoria da renda e do emprego, num clima de crescente confiança e sensação de segurança monetária.

Para além da retórica e das boas intenções, uma gestão deve ser avaliada por métricas que possam ser conferidas por todos e comparadas com outros momentos históricos. Isso evita que avaliações sejam falseadas, que sejam mera para expressão de torcidas ou sentimentos subjetivos.

Vale registrar que o presidente Lula herdou uma situação catastrófica do governo de Jair Bolsonaro. Contas públicas descontroladas, dívidas não pagas, repasses adiados, inflação em rota explosiva, desconfiança generalizada caracterizando bomba relógio prestes a explodir.

Foram necessários dois anos para começar a curar as sequelas daquele período.

Em seu esforço, Lula, mesmo em aparente minoria, teve que negociar com um Congresso por vezes hostil, mas na verdade colaborativo na maioria das votações mais importantes. Colheu, por saber usar o momento, até unanimidades.

Segue tendo que lidar com incompreensões vindas da direita e até mesmo de dentro de seu próprio campo.

Nada está garantido quanto ao futuro. As certezas podem sofrer súbitas mudanças num tempo de imensa fluidez e reviravoltas.

Um dos maiores obstáculos foi o pessimismo, que prevalece em todos os momentos. De todas as conquistas, o avanço na luta contra a inflação foi o mais decisivo para a melhora do humor da população. Refletiu-se diretamente no aumento da aprovação do governo, o que é em geral subestimado por implicar atribuir responsabilidade ao BC e sua gestão da taxa de juros na melhora da aprovação do governo.

Mas a vitória não é propriedade de uma pessoa, nem de um órgão. Ela tem muitos pais e mães, a começar por Lula.

Que ela seja reconhecida como tal, entretanto, constitui uma batalha à parte. Prevalece o negacionismo em relação aos feitos do governo, mesmo entre seus apoiadores. Estes chegam a sorrir ao primeiro contato com as boas novas, para logo retornar ao estado de melancolia, que anda junto da pânico da queda iminente, um catastrofismo.

Que os inimigos no bolsonarismo e na mídia da “terceira via” neguem as conquistas do governo é natural. Fazer o quê?

Que os amigos também neguem, ou que só reconheçam por cumprir uma formalidade, é injusto e errado.

São os números que mostram. A gestão da economia e dos preços no governo Lula vem conquistando resultados que no conjunto enfeixam apenas um qualificativo (é preciso afimar com coragem para ser fiel aos fatos): espetacular.

*Mario Victor Santos/247


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