Filho foragido do ex-presidente condenado determinou abertamente para que lideranças evangélicas digam a fiéis que o presidente tem “agenda anticristã”
Aresposta à humilhação pública sofrida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em plena na Marquês de Sapucaí veio em tom de convocação religiosa descarada e pânico moral por parte de Eduardo Bolsonaro, o filho foragido do líder criminoso condenado. Acuado pelo sucesso do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula e retratou Bolsonaro como o palhaço Bozo atrás das grades, o ex-deputado extremista reagiu com fúria.
Do exterior, onde permanece foragido após perder o mandato por abandonar o Brasil para coordenar ataques econômicos contra o próprio país, o filho 03 de Bolsonaro ordenou abertamente que pastores evangélicos utilizem seus púlpitos para demonizar o presidente Lula.
A estratégia confessada nas redes visa aquilo que todos já sabem desde a primeira eleição do ex-presidente: transformar templos em comitês eleitorais, utilizando a fé de milhões de brasileiros como massa de manobra. Eduardo exigiu que lideranças religiosas doutrinem seus fiéis com a narrativa falaciosa de que o atual governo sustenta uma “agenda anticristã”, buscando converter o sentimento religioso em capital político através do medo e da desinformação. Com Forum.
A vingança contra o samba O gatilho para a ofensiva foi a repercussão global da homenagem da Acadêmicos de Niterói a Lula. O desfile, que celebrou a trajetória do atual mandatário, não poupou críticas ao bolsonarismo, expondo a condenação de Jair Bolsonaro por crimes contra a democracia de forma satírica e contundente. Ao ver a imagem do pai ridicularizada como Bozo em rede mundial, Eduardo utilizou suas redes sociais para disparar ordens de retaliação:
“Todos, absolutamente todos devem entrar com ações em todas as justiças. Tem crime eleitoral, ofensas a evangélicos, mal uso de dinheiro público – pelo menos. Pastores devem alertar seus fiéis sobre esse escárnio e o avanço da agenda anti-cristã”, escreveu o ex-parlamentar no X (antigo Twitter).
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Guilherme Boulos reagiu às reclamações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a homenagem feita ao presidente Lula pela Acadêmicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí. A manifestação ocorreu após o desfile de domingo (15).
Em publicação nas redes sociais, Boulos escreveu: “Flávio Bolsonaro disse que vai à Justiça contra a homenagem da Acadêmicos de Niterói ao Lula. Fica tranquilo, Flávio! Chora não. Quando houver desfile da Acadêmicos da Milícia vão homenagear você e seu pai”.
A reação veio depois de Flávio anunciar que pretende acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o desfile. O senador classificou a apresentação como irregular e afirmou que houve uso de recursos públicos.
“Nossa ação contra os crimes do PT na Sapucaí, com dinheiro público, será protocolada rapidamente no TSE! Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a família! Vamos vencer o mal com o bem!”, escreveu o parlamentar.
Durante o desfile, a escola zombou do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do senador, que foi caracterizado como um palhaço usando faixa presidencial.
No encerramento, o ex-mandatário voltou a aparecer em alusão ao personagem Bozo, encenando uma prisão e utilizando uma tornozeleira eletrônica danificada. As alegorias fizeram parte do enredo que exaltava a trajetória de Lula.
Veja as publicações:
Guilherme Boulos @GuilhermeBoulos
Flávio Bolsonaro disse que vai à Justiça contra a homenagem da Acadêmicos de Niterói ao Lula.
Fica tranquilo, @FlavioBolsonaro! Chora não. Quando houver desfile da Acadêmicos da Milícia vão homenagear você e seu pai.
Nossa ação contra os crimes do pt na Sapucaí, com dinheiro público, será protocolada rapidamente no TSE!
Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a FAMÍLIA!
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Não é a homenagem a Lula que incomoda a direita, nesse ponto não há como refutar o enredo. É a história do Brasil. O que de fato está pegando para os oportunistas de sempre, que se classificam como conservadores, é serem representados por latas de conserva. Um golaço de placa autoexplicativo.
Sabendo disso, o enredo acabou por se transformar num tema multicultural de um mesmo país que continua, em pleno século XXI, tão ou mais colonial e escravocrata na cúpula da elite brasileira, que exerce um efeito cascata em parte das classes intermediárias e média.
Tudo é muito localizado, histrionicamente verbalizado carregado de ódio de classe.
Imagine um enredo de uma escola de samba retratando a biografia do bandalha, bandido, Jair Bolsonaro do começo ao fim.
Em síntese, foi isso que também se deu no mesmo desfile, na mesma avenida, com a mesma escola. Essa tradição negra no Brasil, que utiliza metáforas sempre muito criativas, fatos do cotidiano, é também uma das maiors caractrísticas do samba herdado do jongo das fazendas de café do Vale do Paraíba.
O fato é que o enredo do Brasil atual e histórico, ficou muito didático e honesto e a histeria dos reacionários contra o desfile não deixa dúvida de que a Acadêmicos de Niterói entregou o que prometeu com sobras. Desfile, samba enredo e bateria nota 10.
Ganha o Brasil por ser tão bem retratado de A a Z.
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A Globo perdeu audiência após esconder o desfile da Acadêmicos de Niterói, escola que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a transmissão do Carnaval neste domingo (15), conforme informações do F5, da Folha.
Em São Paulo, principal mercado publicitário do país, a emissora marcou 11 pontos entre 22h10 e 23h35, período em que a escola passou pela Marquês de Sapucaí, desempenho inferior à média recente da faixa e sob ameaça da Record, que transmitia a rodada final do Campeonato Paulista.
Segundo dados prévios, a Record atingiu 7 pontos no período e chegou a picos de 10 com São Bernardo x Corinthians entre 22h15 e 22h30, enquanto o desfile alcançou pico de 12 pontos. O SBT marcou 6 pontos. Cada ponto equivale a cerca de 199 mil telespectadores na Grande São Paulo.
Nas quatro semanas anteriores, a Globo havia registrado média de 15 pontos no mesmo horário com Fantástico e BBB 26, o que representa queda de 26%. Já no domingo de Carnaval de 2025, a emissora marcou 14 pontos ao exibir o Oscar, com a vitória do filme “Ainda Estou Aqui”.
Cobertura “mais sóbria” A emissora adotou uma transmissão mais contida para evitar acusações de propaganda eleitoral. Antes do desfile, Pedro Bassan mencionou as tentativas de impedir a apresentação. A orientação interna foi focar alegorias e aspectos técnicos, evitando entrevistas com populares ou comentários políticos. A equipe de redes sociais também recebeu instruções para tratar o desfile de forma neutra.
Durante a exibição, comentaristas como Milton Cunha, Mariana Gross, Alex Escobar, Karine Alves e Pretinho da Serrinha concentraram as falas em fantasias, acabamento e evolução da escola, sem aprofundar o conteúdo político do enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que trazia referências diretas à trajetória do presidente e a episódios recentes da política nacional.
Acadêmicos de Niterói deu um show de irreverência, mostrou o Bolsonaro fantasiado de palhaço várias vezes, mas a narração da Globo censurou a explicação de tudo. Cobertura vergonhosa, mas aqui vamos mostrar tudo! pic.twitter.com/e06vPyb0jw
Diferença de tratamento A comissão de frente encenou personagens representando os quatro últimos presidentes do país, incluindo uma sequência em que Lula passava a faixa para Dilma Rousseff, que a perdia para Michel Temer em referência ao impeachment de 2016.
Em seguida, a faixa era associada a Jair Bolsonaro, retratado como o palhaço Bozo. Mesmo com a encenação explícita, a transmissão limitou-se a mencionar que se tratava de uma representação do passado recente do Brasil, sem identificar nominalmente as figuras parodiadas nem comentar o teor político da crítica.
Meu Deus! A Acadêmicos de Niterói mostrou Michel Temer passando a faixa para o Bozo. Na sequência, ele faz arminhas e depois ri diante de cruzes no chão, simbolizando a pandemia da Covid. #Globelezapic.twitter.com/RcJPOO3Cid
Nos bastidores, a emissora já havia orientado seus profissionais a manter postura neutra para evitar interpretações que pudessem ser entendidas como posicionamento político. A escolha editorial também incluiu a decisão de não exibir integralmente o início do desfile da escola de Niterói.
O tratamento desigual ficou evidente na sequência da programação. Logo após a Acadêmicos de Niterói, a Imperatriz Leopoldinense recebeu cobertura ampla desde o esquenta, com apresentação detalhada do enredo em homenagem a Ney Matogrosso, entrevistas, contextualização histórica e exibição integral da entrada na avenida. Para parte do público, a diferença reforçou a percepção de omissão no caso da homenagem a Lula. DCM.
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Senadora, que deveria estar em retiro evangélico conforme diz nas imagens, afirmou que a escola criticou a igreja e o agro e, desbundada, prometeu: “Acabou, Lula!”
Na verdade, Damares Goiabeira, jamais teve medo do ridículo, e já mostrou os dentes, que representam a sinópse do enredo dos fascistas na disputa eleitoral de 2026, será ódio mais ódio, ódio cíclico, ódio fecundo, porque não tem outra coisa para apresentar ou comparar.
Hoje, o pacote de 5kg de arroz está na faixa de R$ 13, nos supermercados, comparado ao preço do arroz da era Bolsonaro, que chegou a R$ 40, não tem graça comentar.
Para piorar, a brucha foi devidamente enquadrada pelo carnavalesco e comentarista da Globo, Milton Cunha.
Imagens nas redes sociais, que foram ao ar durante o desfile, mostram Damares afirmando que uma das alas da escola “ridiculariza a igreja evangélica, o agronegócio, especialmente a igreja evangélica“.
“Nessa ala fantasia são latas de conserva, como se estivéssemos em conserva. E o nome da ala: ‘neoconservadores em conserva’”, afirma a senadora.
Contudo, nas imagens apresentadas ao vivo pela Rede Globo apenas se observam foliões com fantasias de “latas” em que se veem imagens de famílias estampadas, sem menção ao agro ou à igreja evangélica, e nem fantasia que caracterizasse aquilo que acusou.
No trecho da transmissão da globo, o comentarista afirma que a Acadêmicos de Niterói “entra na reta final do desfile nesse setor retratando terceiro mandato de Lula, com o Presidente da República enaltecendo a defesa da soberania nacional“. E mostra a ala dos “conservadores aí numa late em conserva“.
Damares afirma, na sequência, que o uso de verba pública para ridicularizar a igreja evangélica é inaceitável. E que o governo Lula estava ciente do desfile que zombaria do povo evangélico e aprovou essa ação em nome da liberdade artística.
Ela destaca a presença de milhares de jovens evangélicos em eventos e congressos, ressaltando que nesses espaços não há violência ou problemas associados, apenas louvor e saúde. Mas ao mesmo tempo em que usa o argumento, deixa implícito que assistiu a todo o desfile da escola que homenageou Lula em busca de algo que pudesse usar contra o estadista, quando deveria também estar em retiro.
Ele expressa indignação pelo desrespeito à fé evangélica, comparando a situação à reação que haveria se fosse uma religião de matriz africana. Damares anuncia que está tomando medidas legais contra a escola de samba, considerando isso uma perseguição religiosa e criticando a inação do governo Lula e de seus ministros.
No trecho de um vídeo compartilhado nas redes sociais, a fala de Damares é emendada por uma opinião do carnavalesco global Milton Cunha, em que ele defende a manifestação cultural do povo brasileiro no Carnaval, com todas as suas nuances:
“Ah, tem muita macumba. Ah, é sempre a África, meu amor. É desfile da inteligência negra periférica. Tu quer que fale de quê? Da Branca de Neve? Tu quer que fale do Donald Trump? Não, meu amor. Vai falar de Clementina de Jesus, vai falar de Exu, vai falar de Laila, porque escola de samba é negra”.
“Os negros produziram a maior vitrine cultural do Brasil para o mundo. Aceita que dói menos não aos racistas, nem no samba e nem em qualquer lugar. Era só o que faltava. Vem se apropriar da linguagem da procissão e depois falando mal da negritude. Show. Se joga, se joga Niterói“.
A fala, contudo, refere-se a outro momento, e não a Damares, mas é oportuna. (Trecho publicado no Urbs Magna).
Assista:
https://twitter.com/i/status/2023209945693294618
O desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio trouxe um carro alegórico representando os últimos presidentes
Em um momento, o personagem de Michel Temer passa a faixa presidencial para um palhaço, que então faz gesto de 'arminhas' , chamado de 'Bozo' por opositores pic.twitter.com/w7JLNEgIZq
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Decisão ocorreu após mensagem enviada pelo enteado no mês passado, na qual ela teria se sentido insultada
Michelle Bolsonaro (PL) informou a aliados que não pretende se engajar na eventual campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão já teria sido comunicada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo informação divulgada pela jornalista Bianca Gomes, do Estadão, reproduzido pela Forum.
Procurada por meio de sua assessoria, Michelle não respondeu. Ao jornal, Flávio afirmou que fala “diretamente” com a ex-primeira-dama e declarou não pretender “alimentar tentativas de divisão”, acrescentando que o grupo tem “um objetivo em comum” de enfrentar o PT.
Bastidores e mensagem De acordo com correligionários, Michelle relatou a pessoas próximas que não fará campanha para o enteado, mas também não pretende atacá-lo publicamente. A orientação, segundo esses interlocutores, é manter uma atuação discreta no pleito, em contraste com o protagonismo exercido nas eleições de 2022.
A decisão ocorreu após uma mensagem enviada por Flávio no mês passado, na qual ele teria insinuado que Michelle estaria atuando contra sua candidatura. Aliados afirmam que ela relatou ter se sentido insultada. Interlocutores avaliam que a posição pode ser revista caso haja um pedido de desculpas.
Michelle está afastada da presidência do PL Mulher desde dezembro de 2025 por questões médicas. A mudança ocorreu em meio às articulações internas para a definição da candidatura presidencial do grupo político.
Divergências nos estados Nos estados, divergências também vieram à tona. Em Santa Catarina, Michelle declarou apoio à deputada Caroline de Toni (PL-SC) ao Senado. O PL, porém, teria acordo para lançar Carlos Bolsonaro (PL) e apoiar a reeleição de Esperidião Amin (PP-SC). Segundo a reportagem, Caroline comunicou ao presidente do partido, Valdemar Costa Neto, que deixará a legenda para disputar o cargo.
No Ceará, Michelle criticou uma possível aliança com Ciro Gomes (PSDB) no fim de 2025 e declarou apoio ao senador Eduardo Girão. Já em São Paulo, defende o nome da deputada Rosana Valle (PL) ao Senado, enquanto Eduardo Bolsonaro apoia outros nomes, evidenciando divisões internas no campo bolsonarista.
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Compositor afirma que enredo é narrativo, não eleitoral, e relata emoção de Lula ao ouvir o samba no Palácio da Alvorada
Quando as sirenes tocarem na Marquês de Sapucaí, Sambódromo do Rio de Janeiro, às 22h deste domingo (15), a Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial, estará fazendo história: será a primeira escola de samba da folia carioca a homenagear um presidente da República em atividade no cargo. A escola levará para a avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O enredo da Acadêmicos de Niterói foi alvo de críticas por parte de políticos da oposição: afirmam que se trata de um desvio de finalidade para autopromoção e suposta campanha eleitoral antecipada. Os parlamentares questionam o repasse de verbas públicas, que são destinadas para todas as escolas, mas o Tribunal de Contas da União (TCU) liberou os fundos após não constatar favorecimento. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou denúncia no Ministério Público Eleitoral e o partido Novo entrou com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até o momento, todas as ações foram rejeitadas.
A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, anunciou que desfilará em um carro alegórico no desfile. A atriz, cineasta e apresentadora do programa Precisamos Conversar, do canal ICL Notícias no YouTube, Juliana Baroni vai representar a ex-primeira-dama Marisa Letícia. Juliana reviverá a personagem que interpretou no cinema em 2009.
O ICL Notícias conversou com o compositor Paulo César Feital, um dos autores do samba-enredo da Acadêmicos de Niterói. Ele tem bastante experiência nessa tarefa. Compôs 13 sambas-enredo que embalaram desfiles na Sapucaí — com dois deles, foi campeão do Grupo Especial.
Feital deu detalhes da homenagem feita pela escola e rebateu as críticas por parte da oposição ao governo Lula. “Não é propaganda, é narrativa histórica”, definiu. Além dele, também participaram da composição do samba a cantora Teresa Cristina, André Diniz, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho, Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-Tem Jr.
“A reação já era esperada. Basta ouvir o samba. Não há propaganda em momento algum. Ele não pede voto, não exalta governo, não faz campanha. Ele conta uma história de vida. Quem diz o contrário ou não ouviu o samba, ou age de má-fé”, diz o compositor. “As reações já eram esperadas, e seguimos firmes. Quem acredita na democracia vai compreender a mensagem”, completa Paulo César Feital.
O compositor rebateu às críticas feitas pela senadora Damares Alves ao enredo da Acadêmicos da Niterói, com referência a um episódio em que a parlamente, que é pastora, durante uma pregação, disse que havia encontrado “Jesus em cima de um pé de goiaba”.
“É uma imbecilidade. De uma mulher que diz que viu Jesus na goiabeira, o que eu vou esperar?”, rebateu Paulo César Feital ao ICL Notícias.
Leia a entrevista com Paulo César Feital ICL Notícias – Você é um dos autores do samba-enredo da Acadêmicos de Niterói para 2026. Como foi o processo de criação e que mensagem ele pretende transmitir?
Paulo César Feital – Esse samba nasceu a partir de um convite da Acadêmicos de Niterói, o que já foi um prazer enorme, até porque o enredo tem tudo a ver comigo e com a minha trajetória. É um samba descritivo da vida de Luiz Inácio Lula da Silva, contado a partir da voz da mãe dele. E isso foi fundamental. Não é um samba de propaganda. É um samba narrativo, que fala da história de vida, da caminhada, das dificuldades e da formação dele como personagem histórico.
Acredito que deu muito certo porque é um samba que caiu na boca do povo. Ele é cantado, comunicativo, emocional, e isso é essencial em um samba-enredo.
O samba traz passagens que falam da luta contra a ditadura e cita personagens históricos. O que isso representa para você, pessoalmente, que lutou contra o regime militar?
Representa muito da minha própria vida. Eu participei ativamente da luta contra a ditadura, estive nas ruas, vivi esse período intensamente. O samba fala de ‘Zuzu Angel, Henfil e Wladimir’, eu pensei em colocar outros lutadores da época, mas não dá, senão ele ficaria enorme.
Minha vida sempre foi essa: a luta pelo Estado Democrático de Direito, não só no Brasil, mas no mundo. Por isso, eu acho que esse samba fala muito com o momento atual, de forma universal.
O samba recebeu elogios, mas houve críticas. Como você vê isso?
Isso era absolutamente esperado. Vivemos num país extremamente polarizado. Houve críticas muito boas do ponto de vista técnico e artístico, mas também ataques ideológicos, inclusive ofensivos. Eu até comentei: se fosse um enredo sobre Trump, Hitler ou qualquer outro personagem controverso, as contradições também apareceriam.
Esse samba tem tudo a ver comigo, com a nossa parceria, com a comunidade, com Niterói.
Vocês chegaram a se encontrar com o presidente Lula no Palácio da Alvorada. Como foi esse encontro e a reação dele ao samba?
Foi emocionante. O encontro estava previsto para 30 minutos e acabou durando quase duas horas. Quando o presidente começou a ouvir o samba, ele caiu em prantos, chorou muito. Virou uma verdadeira roda de samba no Palácio da Alvorada.
Ele se comoveu profundamente porque o samba é contado pela mãe dele. É uma história real: uma mulher que sai do Nordeste a pé, com os filhos, em busca de sobrevivência em São Paulo. Aquilo tocou muito ele — e a todos nós. Foi um momento muito bonito.
O refrão já caiu no gosto popular. O que vocês esperam da reação do público e também daqueles que são contrários ao presidente Lula?
Reação contrária sempre vai haver, isso é óbvio. O país está polarizado. Mas tecnicamente o samba é muito forte: é extremamente cantado, tanto na avenida quanto na arquibancada. Isso é incontestável.
O que a gente vê hoje é um confronto diário entre a luta pelo bem-estar social e a ignorância, entre democracia e autoritarismo. E o samba se posiciona claramente do lado da democracia.
Alguns críticos dizem que o samba seria uma peça de propaganda política. Como você responde a isso?
É uma imbecilidade. De uma mulher que diz que viu Jesus na goiabeira, o que eu vou esperar? A reação já era esperada. Basta ouvir o samba. Não há propaganda em momento algum. Ele não pede voto, não exalta governo, não faz campanha. Ele conta uma história de vida. Quem diz o contrário ou não ouviu o samba ou age de má-fé.
As reações já eram esperadas, e seguimos firmes. Quem acredita na democracia vai compreender a mensagem.
Quais são suas expectativas para o desfile?
Espero um desfile sério, bonito, alegre, feito com dignidade. Que a escola passe bem e consiga permanecer no Grupo Especial. Essa é a grande esperança. A Acadêmicos de Niterói tem mostrado muita força e união, e isso é fundamental.
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O enredo da escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026, que será apresentado no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, tem como destaque a história de Dona Lindu, mãe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A narrativa será contada sob a perspectiva da mãe do presidente e acompanha a trajetória da família de Lula, desde o sertão pernambucano até a chegada à Presidência. Dona Lindu, uma mulher sertaneja, não alfabetizada e mãe de 12 filhos, será apresentada como uma figura central na vida do ex-presidente.
Nascida em 1915, Dona Lindu teve uma vida marcada pelas dificuldades da seca e da pobreza no Nordeste. Ela migrou para Santos, SP, em 1952, com sete filhos, após enfrentar a falta de recursos e as dificuldades em sua cidade natal.
Ao longo de sua vida, ela enfrentou um casamento abusivo, com o marido Aristides Inácio da Silva, que era alcoólatra e agredia a família. Ela lutou pela sobrevivência e alfabetização de seus filhos, sempre com o foco na educação e no bem-estar deles.
A trajetória da matriarca da família Silva também reflete a importância do papel das mulheres e mães nas narrativas sociais, especialmente em tempos de adversidade.
Ela morreu em 1980, aos 64 anos, enquanto seu filho Lula estava preso durante uma greve sindical no ABC Paulista. Em 2006, em homenagem a Dona Lindu, a cidade de Recife nomeou um parque em sua memória, o Parque Dona Lindu, projetado por Oscar Niemeyer, com uma escultura de Abelardo da Hora representando a luta dos retirantes nordestinos.
Além da homenagem no Carnaval, a participação de Lula na festividade gerou polêmica, com questionamentos sobre o uso de recursos públicos e a possível propaganda eleitoral. DCM.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou por unanimidade duas ações sobre o tema, esclarecendo que a legislação eleitoral proíbe apenas o pedido explícito de votos, mas permite manifestações culturais. No entanto, o governo federal fez recomendações para evitar o uso de verba pública e manifestações políticas durante o evento.
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O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou na última sexta-feira (13) orientações internas para restringir manifestações políticas de militantes durante o desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (15), na Marquês de Sapucaí. A medida busca evitar questionamentos jurídicos sobre propaganda eleitoral antecipada, após ações apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a apresentação da escola de samba.
Em comunicado, obtido pelo Globo e direcionado a filiados, dirigentes e autoridades, o partido afirmou que a participação deve respeitar o caráter cultural do evento.
“Nada de pedido de voto, nada de número de urna, nada de slogan eleitoral, nada de impulsionamento com caráter eleitoral. A legislação é clara e a gente não pode dar margem para questionamentos ou penalidades”, informou a sigla. Entre as orientações estão a proibição de adereços com referência ao PT, ao número 13 e a mensagens como “Lula 2026”, “Lula outra vez” e “Vamos ganhar”, além de hashtags com tom de campanha.
A direção nacional também determinou que não sejam feitas críticas a adversários políticos nem manifestações que possam ser interpretadas como propaganda. O comunicado estabelece que entrevistas e exposições públicas devem se limitar à “importância cultural do carnaval, trajetória pessoal do homenageado e liberdade artística e criativa da escola de samba”. O partido alertou ainda que o descumprimento das regras pode gerar punições internas e prejudicar a imagem da legenda e do presidente.
A cautela ocorre após o TSE rejeitar pedidos dos partidos Novo e Missão que tentavam barrar o desfile sob alegação de conteúdo eleitoral. Por unanimidade, os ministros entenderam que a proibição configuraria censura prévia, embora tenham ressaltado que eventuais irregularidades poderão ser punidas posteriormente.
A senadora bolsonarista Damares Alves (Republicanos) também apresentou denúncia ao Ministério Público Eleitoral. Durante o julgamento, a presidente do TSE, Cármen Lúcia, alertou para o risco de abusos.
“É um ambiente propício para que haja excessos, abusos e ilícitos. A festa de carnaval não pode ser fresta para ilícitos. Anunciam-se como participantes possíveis candidatos. Há risco concreto e plausível de que venha a acontecer algum ilícito que será objeto com certeza da Justiça Eleitoral, que já foi acionada. Não parece ser um cenário de areias claras de uma praia, parece mais areia movediça. Quem entra, entra sabendo que pode afundar”, afirmou.
No âmbito do governo federal, o Palácio do Planalto decidiu vetar a participação de ministros no desfile para evitar desgaste político. A primeira-dama Janja da Silva é aguardada na avenida, enquanto Lula acompanhará a apresentação do camarote da prefeitura do Rio, ao lado do prefeito Eduardo Paes e aliados. Será apenas a segunda vez que o presidente comparece à Sapucaí durante o mandato.
Com as restrições, o governo tenta reduzir riscos de que a homenagem seja interpretada como ato eleitoral antecipado, preservando a agenda institucional em um ano pré-eleitoral e evitando novos embates judiciais, segundo o DCM.
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Inscritos no CadÚnico terão gratuidade na recarga do botijão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta sexta-feira (13) a Lei nº 15.348, que institui o programa Gás do Povo. A iniciativa assegura gratuidade na recarga do botijão de gás de cozinha de 13 quilos (kg) para famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), desde que tenham renda per capita de até meio salário mínimo.
Em nota, a Presidência da República informou que o programa busca enfrentar a pobreza energética de famílias de baixa renda, sobretudo a dificuldade de acesso ao gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente conhecido como gás de cozinha. A previsão do governo é que o programa esteja em pleno funcionamento em março, quando 15 milhões de famílias (cerca de 50 milhões de pessoas) serão contempladas.
A iniciativa envolve os ministérios de Minas e Energia e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, além da Caixa.
“Com o marco de 10 mil pontos de comercialização credenciados em menos de dois meses, uma em cada seis revendas de GLP do país está conectada à iniciativa”, destacou o Planalto.
Entenda Para se candidatar ao programa, a família deve ser beneficiária do Bolsa Família com pelo menos duas pessoas, ter renda per capita de até meio salário mínimo e manter o CadÚnico atualizado nos últimos 24 meses. Também é preciso que o CPF do responsável familiar esteja regular e que o cadastro não apresente pendências como averiguação cadastral ou indício de óbito.
Aplicativo No app Meu Social – Gás do Povo, as famílias podem verificar se estão elegíveis, conferir a situação do vale recarga e encontrar revendas credenciadas, além de telefones e endereços de pontos credenciados.
Para pessoas sem acesso à internet ou celular, também é possível usar o vale recarga por meio das opções: cartão do Programa Bolsa Família (com chip); cartão de débito da Caixa; informando o CPF do responsável familiar na máquina do cartão.
Canais Beneficiários do CadÚnico podem consultar o direito ao vale recarga Gás do Povo pelos seguintes canais:
– aplicativo Meu Social – Gás do Povo
– consulta do CPF do responsável familiar na página do programa
– Portal Cidadão Caixa
– Atendimento Caixa Cidadão – 0800 726 0207
*Agência Brasil
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