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Compra de apartamento e endereço em SP revelam envolvimento de Epstein no Brasil

Novas informações reveladas indicam que o envolvimento de Epstein no Brasil é mais amplo do que se conhecia até agora

Jeffrey Epstein fez pagamentos para um escritório de advocacia no Brasil referentes à compra de um apartamento. A empresa que recebeu os recursos manteve por anos uma sede no mesmo endereço em que o financista americano registrou seu CPF em São Paulo.

As novas informações reveladas pelo ICL Notícias indicam que o envolvimento e a presença de Epstein no Brasil são mais amplos do que se conhecia até agora.

Nesta semana, o ICL Notícias revelou com exclusividade a existência do documento brasileiro em nome de Epstein. O CPF foi localizado por autoridades dos Estados Unidos e, na base de dados da Receita Federal, permanece com situação ativa.

O registro foi feito em 2003. A reportagem confirmou que o documento está vinculado ao endereço Rua da Consolação, 247, 3º andar, em São Paulo — o mesmo local onde funcionou por anos o escritório Machado Meyer Advogados. A informação foi publicada em primeira mão pelo site Brasil 247.

Arquivos publicados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que reúnem cerca de 3 milhões de documentos, também detalham movimentações financeiras do financista. No mesmo ano em que obteve o CPF brasileiro, há registros de transferências de Epstein ao escritório de advocacia sediado em São Paulo.

Em 22 de abril de 2003, consta um débito de 76 mil dólares destinado à Machado Meyer, registrado em Nova York. A descrição da transação é direta: “PURCHASE OF APT IN BRAZIL” — compra de apartamento no Brasil.

Outras transferências aparecem ao longo dos anos seguintes. Em 28 de outubro de 2005, por exemplo, há um registro de US$ 9,9 mil enviado ao mesmo escritório.

Tentativa de impedir registro de imagens
Para verificar a situação da empresa fora dos registros formais, a reportagem esteve nos endereços associados ao grupo em documentos oficiais.

No local onde funcionava a antiga sede, a empresa já não opera mais. Comerciantes e trabalhadores da região relataram que ela deixou o imóvel por volta de 2019. Desde então, outras companhias passaram a ocupar o espaço, sem qualquer identificação que remeta à antiga atividade.

A equipe seguiu então para os dois endereços atualmente vinculados à empresa: o prédio administrativo e a sede principal.

No prédio administrativo, funcionários informaram que não havia ninguém disponível para prestar esclarecimentos. Nenhum responsável foi indicado para falar oficialmente.

Já na sede principal, localizada na Avenida Faria Lima, a reportagem se identificou na recepção e solicitou contato com um representante. A resposta foi imediata: não haveria ninguém para atender, sob a justificativa de que o expediente ocorria em regime de home office.

Enquanto registrava imagens externas da fachada, procedimento padrão em coberturas jornalísticas realizadas a partir da calçada, a equipe foi abordada por seguranças do edifício. Um homem que se apresentou como gerente tentou impedir as gravações, exigiu a exclusão do material e afirmou que acionaria a polícia.

A equipe manteve as gravações.

Funcionários do entorno relataram ainda que a empresa opera no prédio principal há cerca de quatro ou cinco anos. O edifício administrativo seria mais antigo, o que indica que a estrutura atual foi consolidada após a saída do endereço original.

*Jamil Chade e Cleber Lourenço/ICL


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Política

Vídeo – Vereadora do PSDB tenta intimidar morador de rua e se dá mal

A vereadora Talita Galhardo (PSDB) está sendo detonada nas redes sociais após a circulação de um vídeo gravado por ela na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. As imagens, divulgadas na sexta-feira (6), mostram a parlamentar discutindo com um casal em situação de rua sob uma ponte do bairro.

Integrante da Comissão de Segurança e de Defesa Civil da Câmara, Talita inicia a gravação se aproximando do casal e tenta intimidá-lo. Ao perceber que estava sendo filmada, a mulher pede: “Ah, moça, não grava, não”. A vereadora insiste: “Não, não. Eu quero saber… Vocês moram aqui? O que vocês fazem aqui?”.

O homem afirma que dorme na rua, mas nega permanecer naquele ponto específico. Ela rebate: “Ah, mas tem cama aqui. Não é lugar pra ficar, né?”. Em seguida, ela mostra uma tomada instalada no local e questiona a origem da ligação.

“Isso é daí mesmo”, responde o morador. A vereadora discorda: “Daí mesmo, não. Isso aqui é gato, né [ligação de energia clandestina]. Já recebi uma foto de celular sendo carregado aqui, vocês têm celular?”.

A parlamentar então questiona se ele deseja ir para um abrigo e afirma: “Tá vendo como você é agressivo? Por isso que as pessoas ficam com medo”. O morador responde: “A senhora é vereadora de rico (…). A senhora pensa que todo mundo que tá na rua é burro (…). [Eu estou falando contra] a pessoa que só quer atacar o oprimido”. DCM.


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Cultura Política

Lula barra participação de ministros no desfile de Carnaval em sua homenagem

Primeira-dama Janja será um dos destaques do último carro alegórico da escola, seguido da ala Amigos de Lula

O presidente Lula (PT) determinou que ministros e auxiliares não participem do desfile de Carnaval em sua homenagem, neste domingo (15), no Sambódromo do Rio de Janeiro. Integrantes do governo deverão arcar com custos de passagem e hospedagem caso queiram assistir à apresentação da escola de samba Acadêmicos de Niterói.

A ordem não se aplica à participação da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, que será um dos destaques do último carro alegórico da escola, seguido da ala Amigos de Lula. Janja não ocupa cargo no governo.

Lula barra participação de ministros no desfile de Carnaval em sua homenagem

Aos ministros não será admitida a programação de agendas oficiais que, artificialmente, coincidam com o Carnaval do Rio. A orientação foi repassada à equipe do governo nesta quinta-feira (12), mesmo após o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) rejeitar, em decisão unânime, dois pedidos de representação por propaganda eleitoral antecipada contra o presidente, o PT e a Acadêmicos de Niterói.

A relatora do caso, Estela Aranha, que foi indicada à corte eleitoral por Lula, rejeitou ordenar a suspensão sob o argumento de que restringir manifestações artísticas e culturais previamente “por se ter notícias de ter manifestações políticas” configuraria “censura prévia, indireta e restrição desproporcional ao debate democrático”.

Por sugestão do governo, o PT deve fazer a mesma recomendação a ocupantes de cargos eletivos. A participação de ministros foi tema de reuniões no Palácio do Planalto. A conclusão é que, apesar de não haver impedimento legal para a realização do desfile, não se deve dar margem a questionamentos futuros.

Por isso, apenas parentes e amigos deverão compor a ala, formada em sua maioria por integrantes do grupo de advogados Prerrogativas. Coordenador do grupo, Marco Aurélio Carvalho afirma que não há caráter eleitoral no desfile.

Lembrando que Lula tem 60 anos de vida pública, estando no imaginário popular, Marco Aurélio afirma ser inconcebível a tentativa de criminalização da homenagem ao presidente, o que configuraria uma censura prévia à escola de samba.

Sobre a destinação de R$ 12 milhões da Embratur (Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo) à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), ele ressalta que o dinheiro foi dividido entre as escolas do Grupo Especial, sendo R$ 1 milhão para cada.

*ICL


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Política

Epstein e Vorcaro, duas ratazanas do mercado financeiro

O submundo do mercado financeiro expõe suas tripas diante do mundo, tanto Epstein quanto Vorcaro não são herdeiros de milionários, são financistas que se criaram e enriqueceram no esgoto do sistema financeiro, deixando claro que, além hábeis manipuladores, conhecem todos os caminhos paralelos do submundo financeirista.

Cada qual a seu modo, criarsm um sistema de aliciamento que lhes rendeu uma fortuna. Os dois, segundo a justiça, afortunaram-se com aprendizagem em segredos das brechas deixadas por um sistema com regulação totalmente frouxa e falha em dois países cujo Banco Central é independente, numa flagrante exposição do ambiente promíscuo, tanto nativo quanto nos EUA.

Como um sistema financeiro se mostrou tão inerte diante de dois criminosos que se locupletaram de verdadeiras fortunas, mansões, ilhas imponentes, extraídas da podridão desse esgoto financeirista. O que se observa é que o sistema parece ter sido  modelado por banqueiros para se beneficiarem a ferro e fogo dessa choldra.

Não é possível que esses camaradas tenham cavado a modo e gosto, túneis que lhes garantiriam invisibilidde eterna enquanto vegetavam sem produzir um único parafuso dentro dos ambientes mais perversos, imorais e desumanos.

Aonde encontraram estratégias que os levaram ao mapa da mina? Claro, silenciosamente, longe de um campo de batalha.

Ninguém sondou a alma de seus negócios, que são um supremo engodo, como assim?

Esse tempo topo, puderam falsear paisagens e delas escolher somente o melhor do fruto dessa esculhambação sem serem incomodados pelo próprio sistema financeiro e pela justiça?

Esses verdadeiros artistas do submundo do crime, mostram como o panorama da mistificação vale ouro se funcionarem como satélites que gravitam em torno de determinados sóis que lhes rendem verdadeiros tesouros.

Todo sadismo e todos os frutos que vemos emergir das revelações expõem que esses são processos clássicos de bolsonaristas, não de grandes mestres do futurismo financeiro, muito menos tem algum poder premunitório capaz de interprtar a luz no mais imbricado sistema para os mortais.

Seja como for,  os truques dos dois foram desmascarados e, se não são absolutamente iguais nas ações, o são nos resultados.

É disso que se trata, mas é disso também que a mídia, que é parte do sistema financceiro, não coloca na mesa nem um pedaço desse carvão, que fará o pedal utilizado pela talentosa dupla de criminosos que produziram duas bíblias da picaretagem financeira, utilizando apenas os buracos de um sistema totalmente fraudável para chegarem ao pico da riqueza.


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Brasil Mundo

Brasil se recusa a ser mera reserva de minerais críticos e articula acordo inédito com a Índia

Governo busca autonomia no processamento e evita pactos que limitem parcerias com outros países

O governo brasileiro negocia um tratado com a Índia focado em minerais críticos e terras raras. As conversas para esse acordo inédito ocorrem enquanto o país demonstra resistência ao bloco comercial sugerido pelos Estados Unidos. O Executivo brasileiro busca manter a autonomia e garantir que o processamento desses materiais aconteça em território nacional, recusando-se a ser uma mera reserva desses minerais para o benefício de uma única nação.

A assinatura do acordo pode ocorrer durante a viagem oficial que o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fará a Nova Déli, entre os dias 17 e 21 de fevereiro, quando também devem ser assinados 14 acordos bilaterais em matéria de inteligência artificial e venda de aeronaves militares.

O Brasil é o segundo maior detentor de reservas de terras raras no planeta. Por esse motivo, o Palácio do Planalto quer evitar acordos que funcionem como uma “camisa de força” para suas exportações. O objetivo é diversificar os parceiros comerciais, incluindo China e União Europeia, sem dar exclusividade aos estadunidenses.

O assunto deve estar na pauta da reunião entre Lula e Donald Trump, que deve ocorrer na primeira semana de março, e o governo brasileiro deve reafirmar sua posição.

Luiz Paulo Siqueira, da direção nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), lembra que a Índia, embora não possua reservas tão grandes quanto as chinesas e brasileiras, é uma referência internacional no processamento de terras raras e outros minerais críticos. Por outro lado, destaca que o modelo de exploração que será adotado no Brasil deve ser estabelecido pelos próprios brasileiros.

“Devemos dar um passo anterior: estabelecer entre nós, brasileiros, o que queremos em relação aos bens minerais, sejam os minerais críticos, como terras raras e lítio, ou o conjunto de bens minerais que temos em território nacional. A partir daí, poderemos avançar na construção de acordos, pois qualquer parceria deve ter como condição primordial que o Brasil seja soberano, independente e autônomo em relação ao processamento desses bens minerais”, avalia Siqueira.

“Dessa forma, qualquer acordo realizado no qual inicialmente exportemos essas matérias-primas deve ter como premissa a transferência de tecnologia para que sejamos autônomos no processo de beneficiamento e processamento desses bens minerais.

Na mesma linha, o professor de direito internacional público da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Borba Casella, avalia que a posição “confortável” do Brasil, por ser a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo, lhe confere uma margem maior nas negociações, com vistas a garantir que o interesse nacional seja preservado.

“É importante que o Brasil se posicione de maneira a proteger o interesse nacional e ter em mente o desenvolvimento da capacidade de beneficiamento no território nacional. São elementos estratégicos da indústria e da tecnologia”, considera o professor.

“Faz sentido que o Brasil coloque cláusulas estipulando que o beneficiamento seja feito em parte ou integralmente em território brasileiro. Esse ponto é muito importante para que não fiquemos privados da tecnologia de tratamento e de industrialização desses elementos. Temos as reservas, precisamos desenvolver a capacidade de extração, refino e processamento para utilizações industriais estratégicas e muito variadas”, completa.

Aliança gringa
Recentemente, os Estados Unidos reuniram representantes de 54 países em Washington para lançar uma nova aliança em torno a esse tema. A estratégia do governo estadunidense busca isolar a China na corrida por esses componentes minerais, essenciais para a transição energética.

Os minerais estratégicos são fundamentais para a produção de chips, baterias e equipamentos de alta tecnologia. Atualmente, a China domina o refino de 19 dos 20 minerais listados em estudos globais. O governo estadunidense planeja investir US$ 3 bilhões de dólares em financiamentos para tentar reduzir essa dependência e fortalecer as cadeias de suprimento de seus aliados.

Brasil enviou à reunião em Washington apenas um diplomata de baixo escalão para acompanhar as discussões, o que, na linguagem diplomática, demonstra que o país não deseja fazer parte da articulação liderada pelos Estados.

Para Siqueira, a posição do governo brasileiro frente às tentativas de subordinação dos Estados Unidos é acertada. “O acordo que tem sido costurado por Trump enforca o Brasil e nos força a entregar o conjunto de bens minerais que temos em território nacional exclusivamente aos interesses dos Estados Unidos e das multinacionais norte-americanas. Entre os pontos que o acordo estabelecia, os Estados Unidos seriam o parceiro único de exportação das terras raras, sem nenhum tipo de processo de refino no território nacional, sendo todos esses bens minerais destinados à exportação sem nenhum tipo de beneficiamento interno”, explica Siqueira.

“Segundo, obrigava o Brasil a divulgar todas as pesquisas geológicas relacionadas às terras raras ao governo estadunidense, ou seja, mais um atentado contra a soberania nacional ao entregar todas as informações do subsolo brasileiro ao império norte-americano. Terceiro, exigia ainda que o governo brasileiro flexibilizasse a legislação de licenciamento ambiental para dar celeridade na implantação dos projetos de mineração de terras raras. Isso representa toda essa retomada imperialista com maior agressividade do governo Trump na América Latina para abocanhar de vez o conjunto de bens minerais que temos no território latino-americano, especialmente no Brasil. Portanto, negar a participação nessa aliança é um passo fundamental”, completa.

Casella considera que participar de uma articulação com esse caráter seria assumir um lado na guerra comercial que os Estados Unidos tem travado, sobretudo contra a China.

“É muito razoável e sensato que o Brasil não se vincule a esse acordo que tem como objetivo somente o interesse do governo estadunidense e a posição do Brasil é de um lado mais confortável por sermos detentores da segunda reserva de terras raras e minerais estratégicos depois da China, mas com uma muito pequena capacidade de processamento e industrialização. Então, não faz sentido o Brasil em primeiro lugar se vincular aos Estados Unidos nessa briga que não é nossa e em segundo lugar hostilizar ou tentar criar qualquer restrição com relação à atuação coordenada com a China”, pontua.

Alinhamento com o G20, exceto Estados Unidos
A posição brasileira sobre o tema já havia sido verbalizada pelo próprio presidente da República, em fóruns internacionais, como a Cúpula do G20, realizada no mês de novembro de 2025 em Joanesburgo (África do Sul), quando o governo dos Estados Unidos decidiu não enviar representação, em uma tentativa de boicote à reunião.

“Os países com grande concentração de reservas de minerais não podem ser vistos como meros fornecedores, enquanto seguem à margem da inovação tecnológica”, declarou. “O que está em jogo não é apenas quem detém esses recursos, mas quem controla o conhecimento e o valor agregado que deles derivam”, disse Lula, enfatizando que os minerais críticos se tornaram um ativo central para a geopolítica contemporânea, sendo fundamentais tanto para o desenvolvimento de tecnologias de ponta quanto para a transição energética.

Essa posição também foi adotada pelos chefes de Estado presentes em Joanesburgo na declaração final da cúpula.

“Buscamos reforçar a resistência da cadeia de valor dos minerais críticos às tensões geopolíticas, às medidas comerciais unilaterais em violação às regras da OMC, às pandemias e às catástrofes naturais”, declararam os chefes de Estado do G20.

O G20 reconheceu que a transição energética e a inovação industrial ampliarão rapidamente a demanda por minerais críticos, mas que países produtores, sobretudo do Sul Global, enfrentam desafios para melhor os investimentos no setor, ampliar a capacidade de beneficiamento local e reduzir os impactos socioambientais.

Nesse sentido, os líderes lançam o G20 Critical Minerals Framework, uma espécie de guia voluntário e não vinculativo para promover cadeias de valor transparentes, estáveis e sustentáveis.

Contradições: a realidade de quem já sofre com a exploração de terras raras no Brasil
Embora em menor escala, a exploração de minerais raros já é uma realidade no Brasil. Na região do Vale do Jequitinhonha (MG), a mineração de lítio já provoca uma série de mazelas sociais, como explica Siqueira.

“O que temos visto é uma sistemática violação dos direitos das comunidades afetadas por esses projetos, violando tratados internacionais como a Convenção 169, que estabelece a necessidade de consultas às comunidades tradicionais antes da implementação desses empreendimentos. Assistimos à destruição das serras e das águas em uma região que já é semiárida e possui problemas estruturais de acesso à água, além da contaminação de cursos d’água, secagem de nascentes e deterioração da saúde ambiental e humana pela exposição à poeira da mineração”, relata o dirigente do MAM.

“Dados das cidades de Araçuaí e Itinga, que acolheram o primeiro projeto de extração de lítio no Vale do Jequitinhonha com a implementação da Sigma, mostram que no ano de 2025 houve um aumento de mais de 30% na demanda hospitalar, especialmente em casos de doenças respiratórias diretamente ligadas à mineração. Há também um caos na economia local, alterando o modo de vida da região e destruindo a tradicionalidade das comunidades do Vale do Jequitinhonha”, agrega.

Para Siqueira, embora o presidente Lula tenha dado declarações importantes no sentido de superar o modelo de desenvolvimento dependente, baseado na exportação de matérias-primas, no entanto, há uma “distancia significativa entre os discursos de Lula e as ações concretas do governo brasileiro, especialmente no Ministério de Minas e Energia”.

“Para avançarmos, é necessário implementar uma política nacional de mineração muito diferente da atual, com controle estatal dos bens minerais para que o Estado regule as taxas, os ritmos, os compradores e a finalidade, conduzindo um projeto de industrialização associado aos bens minerais do território nacional”, aponta Siqueira, que defende um maior controle do Estado sobre a atividade minerária.

“Com a nacionalização das jazidas e a criação de estatais específicas para a questão mineral, o Estado brasileiro passaria a ter controle sobre esses bens. Isso permitiria regular e processar os minerais em benefício de um projeto de industrialização nacional que traga melhorias de vida para o povo brasileiro, ao contrário do cenário atual, que deixa apenas um rastro de destruição e miséria”, finaliza.

*BdF


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Política

Fachin consulta ministros do STF após mensagens citarem Toffoli no caso Master

Presidente da Corte ouviu colegas e recebeu esclarecimentos do próprio relator, que afirma não haver motivo para afastamento

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, procurou ministros da Corte nos últimos dias para tratar da repercussão das mensagens extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro que fazem menções ao ministro Dias Toffoli no contexto das investigações envolvendo o Banco Master. No início da semana, a Polícia Federal entregou ao presidente do STF um relatório com o conteúdo encontrado no celular de Vorcaro. Entre o material estão trocas de mensagens entre o banqueiro e Dias Toffoli, além de mensagens que fazem menções a pagamentos ao ministro do STF.

Segundo relatos de integrantes do tribunal, Fachin buscou ouvir colegas para avaliar o ambiente interno da Corte após a divulgação de trechos do material periciado pela Polícia Federal. As mensagens mencionam pagamentos e tratativas que, segundo reportagens publicadas na imprensa, fariam referência ao nome de Toffoli.

O próprio Toffoli também conversou com Fachin e apresentou esclarecimentos sobre os fatos. De acordo com ministros ouvidos sob reserva, o relator reforçou que não identifica qualquer situação que configure impedimento ou suspeição e que, portanto, não vê fundamento jurídico para eventual afastamento da relatoria do caso.

A movimentação ocorre após a Polícia Federal encaminhar ao STF informações extraídas da perícia realizada no aparelho de Vorcaro, no âmbito das apurações sobre o Banco Master. Parte do material aponta para menções a pagamentos e a interlocuções que teriam relação com pessoas próximas ao ministro.

Nos bastidores, a avaliação de integrantes do tribunal é que o tema exige cautela institucional. Há o entendimento de que a mera citação de um ministro em mensagens privadas não configura, por si só, prova de irregularidade ou causa automática de impedimento. Ao mesmo tempo, o caso elevou a tensão interna, uma vez que envolve a imagem da Corte e a condução de um processo sensível.

A análise sobre eventual suspeição segue sob a competência da presidência do Supremo, que deverá avaliar os elementos formais apresentados e eventuais manifestações das partes. Até o momento, não há decisão sobre afastamento, e Toffoli permanece à frente da relatoria do caso Master.

A expectativa no tribunal é que qualquer deliberação observe estritamente os parâmetros legais previstos no Código de Processo Civil e no regimento interno da Corte, evitando decisões precipitadas em meio à pressão pública gerada pela divulgação das mensagens.

*ICL


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Política

Aprovação ao SUS cresce com Governo Lula e supera média latino-americana

Pesquisa da OCDE aponta alta de 9 pontos na satisfação entre 2022 e 2025; percepção de melhora nos serviços públicos avança e Brasil fica acima da média regional

A satisfação dos brasileiros com o Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou de 34% para 45% entre 2022 e 2025, segundo a pesquisa Confiança em Instituições Públicas na América Latina e no Caribe, divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Com o esforço intensivo do Governo Lula para implementar medidas e projetos e aumentar investimentos, o avanço de 9 pontos percentuais coloca o Brasil acima da média regional, que é de 40% em 2025.

O resultado indica uma inflexão relevante na percepção social sobre o principal sistema público de saúde do país, em um contexto de reconstrução pós-pandemia e ampliação de políticas de acesso à assistência especializada.

Expansão da assistência impulsiona percepção positiva

Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a elevação da aprovação está associada ao aumento concreto da oferta de serviços. Entre 2022 e 2025, o número de cirurgias eletivas cresceu mais de 40%, saltando de 10,8 milhões para 14,7 milhões — o maior volume em 35 anos de SUS e acima do patamar pré-pandemia.

O programa Agora Tem Especialistas, uma das principais iniciativas da atual gestão, realizou mais de 127 mil cirurgias e exames em mutirões apenas em 2025. No mesmo período, 43,7 milhões de exames e consultas foram registrados, crescimento de 26% em relação a 2022. Ao todo, o sistema contabilizou 2,9 bilhões de procedimentos até dezembro de 2025.

A assistência oncológica também foi reforçada. Atualmente, 26 estados contam com centros de radioterapia equipados com aceleradores lineares, ampliando a capacidade de tratamento oportuno do câncer. As 4,7 milhões de sessões de quimioterapia realizadas no último ano configuram novo recorde histórico.

Parcerias e redução de filas

Além da expansão da rede própria, o governo ampliou a contratualização com hospitais e clínicas privadas para atendimento complementar no SUS. Mais de R$ 200 milhões em cirurgias e exames foram contratados com a rede privada, estratégia voltada a reduzir a demanda reprimida por atendimento especializado.

A iniciativa busca acelerar o enfrentamento das filas acumuladas e melhorar indicadores de resolutividade, fator diretamente relacionado à percepção de qualidade por parte dos usuários.

Avaliação dos serviços públicos também melhora

O estudo mostra ainda que a percepção sobre acesso e qualidade dos serviços públicos registrou crescimento ainda mais expressivo: alta de 18 pontos percentuais no período, passando de 24% para 42%. De acordo com o Vermelho, o índice brasileiro supera em 10 pontos a média latino-americana (32%).

O dado sinaliza que a melhora na avaliação do SUS está inserida em um movimento mais amplo de recuperação da confiança institucional, um dos eixos centrais da pesquisa da OCDE, considerada referência metodológica internacional.

A diretora de Governança Pública da OCDE, Elsa Pilichowski, destacou que o levantamento mede a complexa relação entre confiança e governança democrática, oferecendo subsídios estratégicos para o aperfeiçoamento de políticas públicas.

Metodologia e alcance da pesquisa

Com amostra de 2 mil entrevistados em todo o país, o estudo da OCDE avalia cinco pilares da confiança institucional: integridade, capacidade de resposta, confiabilidade, abertura e equidade. O modelo permite comparações internacionais e é aplicado há mais de uma década em diferentes países.

Os resultados indicam que, no período analisado, o Brasil apresentou avanço consistente na percepção de desempenho das instituições públicas, com destaque para a área da saúde — um dos serviços mais sensíveis na avaliação da população.

O crescimento da aprovação ao SUS, segundo a pesquisa, consolida um movimento de recuperação da confiança pública e reposiciona o país acima da média regional em um dos indicadores centrais de governança democrática.


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Possível uso de arma por Israel para ‘evaporar’ palestinos é ‘grave crime de guerra’ e exige investigação, aponta especialista

Investigação da Al Jazeera indica utilização de armas termobáricas, que criam bola de fogo e efeito de vácuo

A denúncia feita pela rede Al Jazeera, a partir de uma investigação jornalística, de que Israel teria usado bombas termobáricas em Gaza, causando o desaparecimento de cerca de 3 mil corpos, é um “grave crime de guerra” e, no atual contexto, praticamente impossível de se averiguar. Essa é a avaliação do professor de Direito Internacional Público da USP, Paulo Borba Casella, em entrevista à edição de terça-feira (10) do Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Chamadas de termobáricas ou de aerossol, essas armas dispersam uma a nuvem de combustível que se inflama para criar uma enorme bola de fogo e um efeito de vácuo. Atingindo temperaturas de mais de 3,5 mil graus celsius, elas não apenas matam, mas eliminam também a matéria.

Para Casella, a gravidade da acusação exige investigação, mas esta esbarra na falta de transparência imposta por Israel. “O exército israelense não permite o acesso de jornalistas, de ajuda humanitária e muito menos de autoridades neutras internacionais”, afirmou, citando também a tomada de instalações da UNRWA (agência da ONU para refugiados palestinos) e a destruição do reservatório de água em Rafah.

A Defesa Civil de Gaza afirma que 2.842 palestinos “evaporaram” em Gaza desde o início do genocídio, em outubro de 2023, sem deixar vestígios, além de respingos de sangue ou pequenos fragmentos de carne. Entre as armas detectadas, estão as MK-84 ‘Hammer’, a BLU-109 bunker buster e a GBU-39.

Apesar dos mandados de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ex-ministro Yoav Gallant por genocídio, Casella lembra que a instrução do processo depende da presença dos acusados. “Israel não aceita a jurisdição do TPI, mas a Palestina sim. Crimes cometidos em território palestino podem ser examinados”, explicou. O especialista citou ainda que os Estados Unidos, sob George W. Bush, retiraram sua assinatura do Estatuto de Roma, que criou o tribunal, alegando proteger seus soldados pelo mundo.

Paulo Borba Casella também criticou o Conselho de Paz de Gaza, proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O grupo deve se reunir no dia 19 de fevereiro.

“É absurdo que esse ‘clube da paz’, criado supostamente para tratar da reconstrução de Gaza, não mencione Gaza e não tenha participação de palestinos”, pontua Casella.

O Brasil é um dos países convidados a integrar o colegiado, no entanto, ainda não respondeu ao convite. A diplomacia brasileira avalia que a proposta tem problemas de legitimidade, já que cerca de 60 países foram convidados a participar, dos 193 membros da ONU, e pouco mais de 20 aceitaram.

Desde o anúncio da proposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou duas preocupações: primeiro, que o conselho se limite à questão em Gaza, evitando a criação de uma espécie de “ONU Paralela”; e segundo, que o órgão conte com uma representação palestina.

Ele avalia como correta a posição do Brasil, mas pouco provável de ser atendida. “Sintomaticamente, tem sido só regimes autoritários que têm se manifestado, em princípio, favoráveis a participar. Muitas democracias europeias já declinaram”.

*BdF


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Ataque a tiros em escola no Canadá deixa 10 mortos e 25 feridos

Vítimas foram encontradas em escola de ensino médio e em uma casa; atiradora é uma mulher

Um ataque em uma escola e em uma residência de Tumbler Ridge, no Canadá, deixou nove pessoas mortas e outras 25 feridas nesta terça-feira (10). A atiradora também morreu, segundo as autoridades locais.

A polícia encontrou seis pessoas mortas e dezenas de feridos ao chegar à escola de ensino médio em Tumbler Ridge, cidade de apenas 2.400 habitantes no nordeste da Colúmbia Britânica, no início da tarde de terça-feira (10). Outras duas morreram em uma casa que, segundo a polícia, teria ligação com o ataque. Uma pessoa ferida no ataque à escola foi socorrida e morreu a caminho do hospital.

Cerca de outras 25 pessoas também estavam recebendo atendimento em um centro médico local, segundo a polícia.

A atiradora foi encontrada morta na escola com um ferimento autoinfligido. A polícia confirmou que a pessoa que realizou os ataques se assemelhava ao descrito em um alerta enviado pelas autoridades mais cedo nesta terça (10). Segundo a imprensa canadense, o alerta descrevia a suspeita como uma pessoa do sexo feminino de vestido e cabelos castanhos.

A polícia conhece a identidade da atiradora, mas não divulgou mais detalhes, e não informou se ela era menor de idade. Os policiais também não divulgaram os nomes das vítimas nem informaram quantas das pessoas mortas eram crianças.

“Não estamos em posição, neste momento, de compreender o que pode ter motivado essa tragédia”, afirmou o superintendente Ken Floyd, comandante do Distrito Norte da Real Polícia Montada do Canadá na Colúmbia Britânica em coltiva após o ataque. “Acredito que teremos dificuldade para determinar o ‘porquê’, mas faremos o possível para entender o que aconteceu”, disse.

Ataques a tiros em massa são raros no Canadá, país com leis sobre armas muito mais rígidas do que as dos Estados Unidos, e casos dessa magnitude em escolas são quase inéditos. O último ataque a tiros em escola dessa magnitude no Canadá ocorreu em 1989, quando um atirador assassinou 14 mulheres na École Polytechnique, em Montreal.

A polícia não divulgou informações sobre o tipo de arma usada no ataque de terça-feira. No Canadá, é ilegal comprar rifles de estilo militar — a categoria de armas usada em vários dos ataques mais letais em escolas nos EUA.

Este é o segundo homicídio em massa na Colúmbia Britânica em menos de um ano. Em abril passado, um homem jogou seu SUV contra uma multidão durante um festival de rua filipino em Vancouver, matando 11 pessoas.

Após a tragédia, as escolas de Tumbler Ridge foram fechadas pelo restante da semana, segundo o site do distrito escolar.

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, disse que suas “orações e mais profundas condolências estão com as famílias e amigos que perderam entes queridos nesses atos horríveis de violência” em publicação na rede X. ICL.


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