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PF aponta que Flávio Bolsonaro se reuniu com Vorcaro na noite em que foi selada a compra do Master pelo BRB

Mensagens recuperadas pela PF do celular de Vorcaro mostram que o senador e o ex-ministro estiveram na residência do ex-banqueiro em Brasília na mesma data em que Ibaneis Rocha sancionou a compra do pelo BRB

Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-ministro Ciro Nogueira (PP) estiveram na casa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, no Lago Sul, em Brasília, na noite de 20 de agosto de 2025, data em que o ex-governador Ibaneis Rocha sancionou o aval da Câmara Legislativa do DF à compra do banco pelo Banco de Brasília (BRB). A revelação é do colunista Lauro Jardim, de O Globo, com base em mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-banqueiro. O encontro contradiz a justificativa apresentada publicamente por Flávio Bolsonaro para seus contatos com Vorcaro.

Encontro revelado pela PF
Segundo as mensagens recuperadas pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro fez questão de permanecer em Brasília no dia 20 de agosto de 2025, data em que Ibaneis Rocha sancionou o aval da Câmara Legislativa do DF à compra do Banco Master pelo BRB. À noite, o ex-banqueiro recebeu em sua residência, no Lago Sul, o senador Ciro Nogueira (PP) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

As mensagens extraídas do celular de Vorcaro registram a articulação do encontro com precisão. Ao propor o horário, o ex-banqueiro escreveu “21 pode ser”. Flávio respondeu “Blz”. Às 21h47, o senador enviou nova mensagem informando que estava “a caminho”, confirmando que a visita havia sido combinada previamente entre os dois.

A versão de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro tem declarado publicamente que seu contato com Vorcaro se restringiu a conversas sobre o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As mensagens recuperadas pela PF, porém, registram a combinação de uma reunião presencial na casa do ex-banqueiro, sem qualquer menção ao projeto cinematográfico.

De acordo com a Forum, o áudio enviado por Ciro Nogueira a Vorcaro, obtido pela coluna, reforça o quadro. Cerca de uma hora e meia antes do encontro, Nogueira informou ao empresário que estava em uma cerimônia de premiação do site Congresso em Foco e acrescentou: “Até o Flávio tá aqui, mas ele já recebeu o dele, eu acho que ele vai antes, tá? Mas eu chego na hora que terminar.” Flávio Bolsonaro também havia sido premiado no evento. O áudio indica, portanto, que os dois senadores estavam juntos antes de se dirigirem à residência de Vorcaro.


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A engrenagem de que se cercou Flavio Bolsonaro

A fusão que se formou em torno da campanha de Flávio Bolsonaro — entre interesses políticos, setores do sistema financeiro, alto empresariado, grande mídia, grupos religiosos e personagens associados ao universo das milícias e das organizações criminosas — não pode ser tratada como uma simples coincidência de interesses. Ela revela uma engrenagem de poder. E essa engrenagem ajuda a entender como Daniel Vorcaro e o Banco Master conseguiram chegar tão longe.

O caso Master deixou de ser apenas a história de um banqueiro cercado por suspeitas e passou a expor algo muito mais profundo: as relações entre dinheiro, política, influência institucional e proteção de interesses privados.

As investigações da Polícia Federal revelaram que Vorcaro transitava com desenvoltura por diferentes ambientes de poder. Há registros de proximidade com políticos de alto escalão, interlocuções com integrantes de instituições públicas e relações que estão sendo examinadas pelos investigadores. Também surgiram suspeitas sobre a atuação de servidores do Banco Central que, segundo a PF, teriam repassado informações privilegiadas e atendido a interesses do banqueiro enquanto o próprio Master estava sob fiscalização.

E há um ponto politicamente explosivo: Flávio Bolsonaro aparece nas investigações como interlocutor direto de Vorcaro nas negociações envolvendo o filme Dark Horse. Segundo a PF, houve mensagens, reuniões presenciais, cobranças de pagamentos e acompanhamento da produção. A investigação apura a origem, o trânsito e a destinação dos recursos envolvidos.

Isso não significa, por si só, que toda pessoa que manteve contato com Vorcaro tenha cometido crime. Mas significa algo que a política brasileira deveria levar muito a sério: Vorcaro não operava no vazio.

Ele circulava.

Ele negociava.

Ele construía pontes.

Ele estabelecia relações.

E, segundo as investigações, buscava influência justamente onde decisões capazes de afetar seus negócios eram tomadas.

É nesse ponto que a história do Banco Master deixa de ser apenas financeira e passa a ser essencialmente política.

Porque um esquema de tamanha dimensão não depende apenas de um banqueiro. Depende de portas abertas, interlocutores disponíveis, relações privilegiadas, silêncio conveniente e uma rede de proteção capaz de retardar ou dificultar a reação das instituições.

As próprias investigações indicam uma impressionante amplitude dessa rede. Mensagens obtidas pela PF mostram relações próximas de Vorcaro com figuras do Congresso, enquanto outras apurações examinam sua influência sobre órgãos reguladores e sua proximidade com agentes públicos.

E é justamente por isso que a pergunta central não deveria ser apenas:

“O que Daniel Vorcaro fez?”

A pergunta mais importante é:

“Quem permitiu que Daniel Vorcaro chegasse tão longe?”

Porque banqueiro nenhum constrói sozinho uma rede dessa magnitude.

Nenhum banco opera durante anos sem passar por órgãos de fiscalização.

Nenhuma operação financeira de grande porte acontece sem deixar rastros.

E nenhuma estrutura de poder se sustenta apenas pela vontade de um indivíduo.

É preciso haver conexões.

É preciso haver acesso.

É preciso haver gente disposta a abrir portas.

É preciso haver uma atmosfera política em que determinadas relações sejam naturalizadas enquanto outras sejam imediatamente transformadas em escândalo.

É aí que a fusão em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro ganha um significado que ultrapassa a eleição.

Ela revela a tentativa de juntar, sob uma mesma estrutura de poder, interesses que normalmente aparecem separados: o dinheiro do grande capital, a influência política, a força eleitoral do chamado evangelistão, a máquina de comunicação da grande mídia e setores historicamente associados à política subterrânea do Rio de Janeiro.

Não é necessário afirmar que todos esses grupos formem uma organização criminosa — isso seria uma conclusão que cabe às investigações e à Justiça.

Mas é perfeitamente legítimo perguntar que projeto de poder emerge quando tantos interesses diferentes encontram um mesmo candidato como ponto de convergência.

E talvez seja justamente essa pergunta que incomode tanto.

Porque, quando se olha apenas para cada escândalo isoladamente, tudo parece fragmentado.

Um episódio no Banco Master. Outro envolvendo Vorcaro. Outro no sistema financeiro. Outro no Congresso. Outro envolvendo agentes públicos. Outro envolvendo o Dark Horse. Outro relacionado à campanha.

Mas, quando se coloca tudo sobre a mesma mesa, aparece uma paisagem muito mais perturbadora:

dinheiro, influência, política e poder circulando pelos mesmos corredores.

É por isso que o caso Master precisa ser investigado até o fim, sem blindagens políticas, sem seletividade e sem transformar nenhum personagem em intocável.

Porque a questão já não é apenas descobrir o tamanho do buraco financeiro.

É descobrir o tamanho da rede de relações que permitiu que esse buraco existisse.

E, sobretudo, quem estava ao redor dele quando tudo acontecia.

Vorcaro pode ser apenas o nome mais visível de uma engrenagem muito maior.

E quanto mais essa engrenagem aparece, mais difícil fica sustentar a narrativa de que o Banco Master foi apenas a aventura de um banqueiro que perdeu o controle.

Talvez o verdadeiro escândalo seja justamente este:

não é apenas saber até onde Vorcaro chegou. É descobrir quantas portas precisaram ser abertas para que ele chegasse lá, e quem as abriu.

A mídia protege André Mendonça para que este proteja Flavio Bolsonaro.


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Master: concessão de cemitérios de SP tem novos elos com Vorcaro

Por Amanda Audi, Agência Pública, Paulo Motoryn, Noites Húngaras em A Pública

O Grupo Maya, uma das concessionárias que administram cemitérios da cidade de São Paulo e cujas relações financeiras com o extinto banco Master motivaram um pedido de investigação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada, tem proximidade com o entorno empresarial de Daniel Vorcaro.

Apuração exclusiva da Agência Pública e da newsletter Noites Húngaras identificou, nos documentos da Junta Comercial do Estado de São Paulo, que o principal elo passa pelo Maya Plano Funeral, uma empresa registrada no mesmo endereço do Grupo Maya e gerida pelos mesmos grupos empresariais que controlam a concessão de cemitérios.

Uma das sócias do Maya Plano Funeral é a AFC Holding SP Ltda., subsidiária da AFC Holding, que faz parte da teia de CNPJs investigada no escândalo do Master. Elas são administradas pela mesma pessoa: o advogado Thiago Assumpção Henriques, que também controla outros negócios ligados à família do banqueiro preso pelo maior rombo bancário da história do país.

A AFC Holding já apareceu em investigações sobre aquisições de terrenos e imóveis de alto valor no Rio Grande do Sul e na Bahia relacionadas à família Vorcaro, sob suspeita de possível ocultação patrimonial. Henriques também figura como dirigente da Global Carbon, investigada por suspeita de integrar a cadeia de movimentação de recursos ligados ao Master.

Empresas “irmãs” têm mesmos dirigentes
Integrantes das empresas Conata Engenharia, Infracon Engenharia e RMG Construções e Empreendimentos, que fundaram a concessão paulista, constam tanto na estrutura da concessionária quanto na da empresa de planos funerários.

A sobreposição vai além dos sócios. A Maya Plano Funeral funciona no mesmo endereço do Grupo Maya, na Rua Fidêncio Ramos, na Vila Olímpia, e utiliza um endereço de e-mail com o mesmo domínio “grupomaya”. Seus administradores também ocupam ou ocuparam postos de comando na concessionária.

Renato Medrado Geo, sócio da RMG e presidente do Grupo Maya desde 2023, também administra a Maya Plano Funeral desde 2024, quando a empresa foi criada. Alexandre Humberto Caramatti Manata, sócio da Conata e ex-presidente da concessionária, também é administrador da empresa de planos funerários. Wesley Bambirra, CEO da Infracon, integra o conselho de administração do Grupo Maya.

Ex-sócio de Vorcaro
Há ainda uma conexão pessoal entre o comando das empresas funerárias e Daniel Vorcaro. Rodrigo Medrado Geo, irmão de Renato, sócio da RMG e também dirigente da concessionária de cemitérios, foi sócio do banqueiro na Itaminas, mineradora de Minas Gerais.

Vorcaro adquiriu 50% da Itaminas em 2014 e vendeu sua participação por R$ 700 milhões aos antigos sócios, entre eles integrantes da família Geo, poucos dias antes de ser preso pela primeira vez, em novembro de 2025.

Essas conexões se somam à relação financeira entre o Grupo Maya e o Banco Master revelada pelo jornalista Artur Rodrigues, do UOL. As três acionistas da concessionária — Conata, Infracon e RMG — deram ao banco a totalidade das ações que detinham na empresa como garantia de dois financiamentos no valor total de R$ 78 milhões.

Pelos contratos, o Master passou a deter a propriedade fiduciária das ações enquanto as dívidas permanecessem em aberto e a ganhar poderes sobre determinadas decisões societárias. As acionistas deveriam seguir a orientação do credor em votações que pudessem afetar seus interesses e não poderiam realizar determinadas operações com ativos sem autorização.

Os créditos passaram por operações internas do conglomerado, chegaram à Master Holding, sediada nas Ilhas Cayman, e foram incluídos em negociações realizadas pelo Master com o Banco de Brasília, o BRB.

Além de vender serviços funerários, de coroas de flores a caixões, o Grupo Maya administra cinco cemitérios paulistanos: Campo Grande, Lageado, Lapa, Parelheiros e Saudade. O grupo se autodenomina “a maior administradora de cemitérios públicos da cidade de São Paulo”.

Dino manda PF investigar Master em cemitérios de SP

Na última quinta-feira (17/9), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou a Polícia Federal investigar conexões entre as concessionárias de cemitérios de São Paulo e o banco Master. A decisão foi tomada após os financiamentos do Master ao Grupo Maya se tornarem públicos.

O ministro já havia solicitado esclarecimentos sobre a ligação entre o Master e a Cortel, outra concessionária de cemitérios paulistas. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, que também está preso, atuou como conselheiro da Cortel entre 2022 e 2025 e teria usado e-mails institucionais do banco para assinar atas da empresa.

Uma denúncia do jornal O Globo, no início do ano, mostrava que o Grupo Maya e a Cortel teriam feito uma “fusão informal”, compartilhando serviços, funcionários e endereços. O caso passou a ser investigado pela prefeitura paulista e pelo Tribunal de Contas do Município.

Os cemitérios da capital paulista foram concedidos à iniciativa privada em 2023, durante a gestão de Ricardo Nunes (MDB). Além do STF, a concessão também é investigada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A Agência Pública já mostrou que, após a privatização, os preços cobrados pelos cemitérios aumentaram em até 10 vezes. Em 2024, Flávio Dino determinou que os preços máximos fossem tabelados.

Vorcaro teve uma reunião com o ministro André Mendonça, do STF, no momento em que o plenário da Corte analisava a proposta de limitação de preços apresentada por Dino. O encontro entre o banqueiro e Mendonça ocorreu em 14 de março de 2025. No dia seguinte, o ministro pediu vista, suspendendo a análise. Ao devolver os autos, em abril de 2025, Mendonça votou contra o limite das tarifas, alinhando-se ao pleito das concessionárias privadas.

Um dos irmãos de Mendonça é servidor comissionado da SP Regula, agência da Prefeitura de São Paulo responsável, entre outras áreas, pela regulação dos serviços funerários da capital. Ele foi promovido de cargo após a posição do ministro favorável à administração municipal, segundo a newsletter Noites Húngaras e o ICL Notícias.

Na decisão mais recente de Flávio Dino sobre o assunto, e após a crise instaurada no STF, o ministro estipulou que Mendonça não deve ser investigado no caso envolvendo o Master e as concessionárias, pois a competência para isso caberia apenas ao presidente da Corte.

Procuramos as empresas e empresários citados nesta matéria, além do ministro André Mendonça e a defesa de Daniel Vorcaro, mas não recebemos retorno até a sua publicação. O espaço permanece aberto.

A Prefeitura de São Paulo disse que “eventuais relações societárias, financeiras ou bancárias das concessionárias também não configuram, por si só, irregularidade contratual. A capacidade econômico-financeira delas é acompanhada permanentemente pela Administração.”


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Mensagens apreendidas pela PF mostram que Flavio cobra de Neymar Pai sobre Vorcaro

Relatório revela que intermediário cobrou a liberação de recursos para filme dos Bolsonaro e para o Santos

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) no âmbito da investigação sobre o Banco Master indicam que o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Neymar da Silva Santos, pai do jogador Neymar Jr., pressionaram o banqueiro Daniel Vorcaro por liberação de recursos em fevereiro de 2025.

Os diálogos foram revelados pela revista Carta Capital a partir de relatório da corporação e mostram o publicitário e lobista Thiago Miranda relatando a Vorcaro que recebia cobranças de ambas as partes.

Em conversa enviada em 11 de fevereiro de 2025, Miranda solicitou auxílio ao banqueiro para destravar pendências relativas ao financiamento do filme “Dark Horse” e a uma negociação comercial com o Santos Futebol Clube. Na sequência da mensagem, o intermediário escreveu: “Flavio B e Neypai estão me cobrando”. Diante do relato, Vorcaro respondeu chamando o publicitário para conversar.

As cobranças registradas no relatório policial envolvem duas frentes distintas de negociação. A primeira diz respeito ao financiamento do longa-metragem “Dark Horse”, obra fictícia voltada à trajetória política do ex-presidente preso Jair Bolsonaro (PL), que recebeu repasses de Vorcaro que somaram R$ 61 milhões.

A segunda frente tratava de uma proposta de R$ 15 milhões pelo uso da marca do Banco Master em três espaços do uniforme do Santos Futebol Clube, com a intermediação de Neymar Pai.

De acordo com a PF, Thiago Miranda atuava como elo entre o dono do Banco Master e os interessados em ambos os projetos. Dias antes do relato sobre as cobranças, em 3 de fevereiro de 2025, o lobista informou a Vorcaro que organizava uma reunião na residência do banqueiro com a presença de Neymar Pai e representantes do atleta.

A investigação ressalva que o material apreendido não permite concluir se houve reunião presencial de Neymar Jr. ou de seu pai com Daniel Vorcaro, nem confirma se os acordos foram fechados nos termos negociados.

Procurada pela reportagem da Carta Capital, a assessoria da empresa NR Sports, responsável pela gestão da imagem do jogador, não enviou resposta até a publicação das informações.

*BdF


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Se R$ 427 milhões estavam em jogo no entorno de Kassio, quanto o clã Bolsonaro teria recebido para viabilizar o Banco Master?

O caso Banco Master expõe uma teia de relações que exige investigação rigorosa, transparência e respostas públicas. Segundo reportagens publicadas em 21 de setembro de 2026, a Polícia Federal identificou um contrato de honorários de até R$ 427 milhões, associado ao escritório da advogada Camilla Ramos, para ações judiciais que poderiam destravar R$ 8,5 bilhões em precatórios de interesse de Daniel Vorcaro. Mensagens encontradas no material apreendido fizeram investigadores relacionarem a chamada “Turma do KN” ao ministro Kassio Nunes Marques, que nega ter favorecido o banqueiro ou o Banco Master.

Diante de revelações dessa dimensão, uma pergunta política inevitavelmente se impõe: se havia uma estrutura capaz de movimentar centenas de milhões de reais em honorários ligados a interesses do banqueiro, quais foram as relações financeiras e políticas que permitiram a criação e a expansão do Banco Master durante o governo Bolsonaro, já que havia sido negada durante o governo Temer?

O banco, anteriormente chamado Banco Máxima, recebeu autorização para operar como Banco Master em 2021, durante o governo Jair Bolsonaro. Esse fato, por si só, não comprova pagamento ilícito ao clã Bolsonaro, mas justifica que as circunstâncias da autorização, as relações empresariais e eventuais repasses financeiros sejam examinados pelas autoridades competentes.

A sociedade brasileira não pode aceitar que suspeitas envolvendo cifras bilionárias sejam tratadas com seletividade. Se existem documentos, mensagens e movimentações financeiras relevantes, que sejam investigados, confrontados e esclarecidos. A transparência precisa valer para todos: banqueiros, empresários, ministros do Judiciário e grupos políticos, sem proteção partidária ou blindagem institucional.

A pergunta não é uma prova de culpa. É uma cobrança por investigação: quem se beneficiou, quem abriu portas e quais interesses estiveram por trás da trajetória do Banco Master?


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Flávio é Vorcaro e Vorcaro é Flávio: a conexão que exige respostas, não blindagem

Se há uma coisa que o escândalo envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro deixou evidente é que as relações entre o poder político, o dinheiro e os interesses privados precisam ser investigadas com rigor, sem privilégios e sem proteção institucional.

A conexão entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, quando examinada à luz dos documentos, movimentações financeiras e possíveis interesses cruzados, levanta questões que não podem ser varridas para debaixo do tapete. Mas é fundamental distinguir relações documentadas, suspeitas investigadas e responsabilidades criminais comprovadas — cada uma exige evidências próprias.

A investigação que coloca o discurso à prova

Relatórios divulgados pela Polícia Federal apontam que Flávio Bolsonaro atuou como interlocutor direto de Daniel Vorcaro nas negociações de financiamento do filme Dark Horse. O senador é investigado por suspeitas que incluem lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Flávio nega irregularidades.

Isso não autoriza afirmar, neste momento, que os dois sejam comprovadamente sócios de uma organização criminosa ou que tenham cometido conjuntamente os crimes mencionados. Mas torna legítima a cobrança pública por transparência, esclarecimentos e responsabilização, caso as provas confirmem ilícitos.

O ponto central é que nenhuma candidatura, sobrenome político ou influência institucional pode substituir a investigação independente.

Se os recursos de Vorcaro financiaram interesses políticos, se houve desvio de dinheiro ou se agentes públicos atuaram para favorecer negócios privados, tudo precisa ser esclarecido. E, se houver provas de crimes, os responsáveis devem responder perante a Justiça, independentemente de sua posição política.

O Brasil não precisa de versões cuidadosamente embaladas para proteger poderosos. Precisa de documentos, perícias, investigação e verdade.


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O caso dos cemitérios: por que André Mendonça entrou no radar de Dino?

O caso Banco Master vai deixando de ser apenas uma investigação sobre operações financeiras para se transformar em um verdadeiro teste de resistência das instituições brasileiras. A determinação de Flávio Dino para que a Polícia Federal investigue possíveis conexões do esquema com cemitérios de São Paulo amplia o alcance das apurações e mostra que, quando a investigação avança, podem surgir ramificações que ultrapassam os limites inicialmente conhecidos.

E é justamente nesse cenário que a atuação de André Mendonça continua sob questionamento. Não se trata de transformar suspeitas em condenações, mas de reconhecer que a transparência sobre decisões, encontros e eventuais interferências no andamento das investigações é indispensável. Nenhuma autoridade, por mais elevada que seja sua posição, pode estar acima do escrutínio público e institucional.

O problema não termina nos cemitérios

Segundo as informações divulgadas em 17 de setembro, as operações investigadas envolvem R$ 78 milhões em financiamentos do Banco Master para uma concessionária ligada ao Grupo Maya, com ações da empresa oferecidas como garantia. Dino determinou a apuração pela PF e pela CVM, incluindo a análise das relações financeiras entre o grupo e as concessionárias.

O ponto central da controvérsia é a combinação de três elementos: uma reunião com Daniel Vorcaro, a atuação de Mendonça em um processo sobre concessões funerárias e os vínculos familiares e institucionais mencionados na apuração.

A seguir, o que foi divulgado e por que esses fatos levantam questionamentos.

A reunião com Vorcaro antes do julgamento

Em 14 de março de 2025, André Mendonça recebeu Daniel Vorcaro, então banqueiro do Banco Master, na sede do Instituto Iter, em São Paulo. Segundo as informações divulgadas, o encontro ocorreu um dia antes de Mendonça pedir vista e suspender julgamento sobre limites de preços cobrados pelas concessionárias de cemitérios da capital.

Essa proximidade temporal é o que alimenta o questionamento: havia algum conhecimento prévio sobre interesses econômicos relacionados ao processo? O encontro, por si só, não comprova que houve favorecimento ou irregularidade. A questão é saber se existiam vínculos relevantes que deveriam ter sido declarados e examinados.

O vínculo com a concessionária Cortel

O nome de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, aparece na apuração porque ele teria ligação com a Igreja Batista da Lagoinha e exercido cargo diretivo na Cortel, concessionária de cemitérios em São Paulo. Dino relacionou esses elementos ao encontro de Mendonça com Vorcaro.

Esse é um ponto que precisa ser investigado documentalmente: a estrutura societária das empresas, os financiamentos, os contratos e eventuais relações com agentes públicos.

O irmão de Mendonça e a SP Regula

Outro elemento mencionado por Dino é Alexandre de Almeida Mendonça, irmão de André Mendonça, que atua na SP Regula, agência responsável pela regulação dos serviços públicos de São Paulo. A atuação do irmão na área funerária foi citada no contexto da investigação sobre as concessões.

É importante distinguir duas coisas: o vínculo familiar e a existência de eventual conflito de interesses. A presença de um parente em uma agência reguladora não demonstra, automaticamente, que o ministro tenha agido de maneira irregular. O que deve ser esclarecido é se houve alguma influência indevida, benefício particular ou circunstância que exigisse impedimento.


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A mídia que há décadas massacra Lula, agora se abraça a Flávio Bolsonaro: o que está por trás disso?

O mesmo bando da mídia que há décadas transforma Lula em alvo permanente de manchetes, editoriais e ataques políticos agora escancara sua preferência por Flávio Bolsonaro. E aí surge uma pergunta incômoda, daquelas que dificilmente aparecem nos grandes jornais: o que eles ganham com isso?

Porque uma coisa é jornalismo: investigar, cobrar, confrontar, publicar informações relevantes e dar espaço ao contraditório. Outra coisa é construir, dia após dia, uma narrativa em que Lula aparece como problema permanente, enquanto Flávio Bolsonaro recebe um tratamento muito mais condescendente justamente quando assuntos espinhosos envolvendo seu entorno entram no noticiário.

O caso Banco Master tornou esse contraste ainda mais evidente. Um levantamento da Datrix, citado pela imprensa, apontou que a redução das menções ao Banco Master alterou significativamente o ambiente de exposição de Flávio Bolsonaro nas redes.

É legítimo perguntar, portanto: quem se beneficia quando determinado assunto desaparece do centro do debate e outro passa a ocupar seu lugar?

O que está em jogo não é apenas uma eleição. É o poder de definir quais fatos merecem indignação, quais personagens merecem suspeita permanente e quais controvérsias podem ser tratadas como nota de rodapé.

E há algo ainda mais revelador: enquanto a imprensa afirma exercer o papel de fiscal do poder, o leitor também tem o direito de fiscalizar a própria imprensa. Quem fiscaliza os fiscalizadores? Quem pergunta quais interesses econômicos, políticos ou editoriais estão por trás de determinadas escolhas de pauta?

Não é preciso inventar uma conspiração. Basta fazer perguntas, comparar manchetes, observar o espaço concedido a cada assunto e acompanhar quem é colocado diariamente no banco dos réus — e quem recebe o benefício da dúvida.

Porque, quando a cobertura deixa de parecer apenas crítica jornalística e passa a produzir efeitos políticos previsíveis, a pergunta deixa de ser inconveniente e passa a ser inevitável:

Afinal, o que essa gente ganha com tanto empenho para atacar Lula e, ao mesmo tempo, favorecer a construção política de Flávio Bolsonaro?


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Política

“O Brasil precisa saber a verdade”: Lula defende quebra de sigilo no caso Banco Master

Presidente cobra transparência nas investigações, critica vazamentos seletivos e defende que informações sobre todos os envolvidos sejam tornadas públicas, “doa a quem doer”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira (9), a quebra completa dos sigilos relacionados às investigações do caso Banco Master. Segundo o presidente, a medida é necessária diante da gravidade das denúncias e da crise institucional envolvendo o Poder Judiciário.

“Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”, escreveu Lula em publicação no X (antigo Twitter).

O presidente também criticou o que classificou como “vazamentos seletivos” de informações das investigações, afirmando que eles estariam impactando a disputa eleitoral.

“Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade”, afirmou.

Para Lula, a transparência sobre as investigações é fundamental para que a sociedade tenha acesso às informações e para que eventuais responsabilidades sejam apuradas sem distinção entre os envolvidos.

*CTB


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E agora, Mendonça?: encontro secreto Mendonça com Vorcaro lança sombra sobre relatoria do caso Master

A cada nova revelação, o caso Banco Master fica mais indigesto — e agora surge uma pergunta que não pode ser empurrada para debaixo do tapete: o que Daniel Vorcaro foi tratar, em segredo, com André Mendonça antes de o ministro se tornar relator do caso?

As mensagens e os áudios extraídos do celular de Daniel Vorcaro revelam que o banqueiro teve um encontro reservado com André Mendonça em 14 de março de 2025, em São Paulo. A reunião durou cerca de duas horas e ocorreu em um instituto fundado pelo próprio ministro. Mais grave: a aproximação não aconteceu por acaso. Ela foi articulada durante semanas por pessoas que atuavam na interlocução com Mendonça.

É impossível olhar para essa sequência de acontecimentos e simplesmente fingir que se trata de uma banalidade.

O ponto central não é apenas Vorcaro ter se encontrado com Mendonça. O que torna o episódio explosivo é a combinação de elementos: o banqueiro enfrentava problemas relacionados ao Banco Central; pessoas próximas a ele buscavam interlocução com o então ministro; Mendonça teria tomado conhecimento previamente da situação; e, posteriormente, tornou-se o relator do caso que envolve justamente o Banco Master.

O advogado Ciro Rocha Soares chegou a relatar que Mendonça queria receber Vorcaro. O material divulgado não demonstra que o ministro tenha interferido em favor do banqueiro, nem comprova que qualquer providência tenha sido adotada para beneficiar o Master. Mas revela algo que exige explicações: havia uma interlocução prévia entre o entorno de Vorcaro e o ministro que mais tarde passaria a comandar a investigação.

E aqui está o ponto que não pode ser contornado com notas burocráticas ou explicações protocolares.

O que foi discutido durante aquelas duas horas?

Por que Vorcaro precisava chegar até Mendonça? Quem pediu a reunião? Qual era exatamente a pauta? O que Mendonça já sabia sobre os problemas do Banco Master? Houve algum pedido concreto? Houve algum encaminhamento?

São perguntas elementares.

A situação fica ainda mais desconfortável porque Mendonça hoje ocupa uma posição central no caso Master. Portanto, não estamos falando de um encontro qualquer entre duas pessoas que cruzaram seus caminhos em um evento social. Estamos falando de um ministro do Supremo e de um banqueiro que posteriormente se tornou personagem central de uma investigação conduzida pelo próprio ministro.

É precisamente por isso que a transparência precisa ser absoluta.

Não basta dizer que não há prova de favorecimento. A questão institucional é anterior: qual foi a natureza dessa relação e o que aconteceu naquela reunião?

O Supremo Tribunal Federal não pode exigir transparência dos outros enquanto trata como detalhe aquilo que envolve seus próprios integrantes. Se existem mensagens, áudios e registros capazes de reconstruir a aproximação entre Vorcaro e Mendonça, todos os fatos relevantes precisam ser esclarecidos.

A sociedade brasileira não pode ser obrigada a montar esse quebra-cabeça por meio de vazamentos sucessivos.

Vaza Mendonça. E, com o vazamento, aparece uma pergunta incômoda demais para ser ignorada: afinal, o que Vorcaro foi buscar — e o que encontrou — naquela reunião de duas horas com o futuro relator do caso Master?


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