Ju Amaral, irmã do querido Paulo Gustavo (1978-2021), fez uma tatuagem em homenagem ao ator e postou há pouco um recado para Jair Bolsonaro, que prestou condolências para a família do grande humorista, vítima aos 42 anos da Covid-19.
Frase da tatuagem: “Rir é um ato de resistência”, Tatau.
Ela manda o presidente do Brasil “nunca mais colocar o nome do irmão dela na boca”: “essa boca que disse não à vacina e condenou tantos à morte, essa mesma boca que debochou imitando pessoas com falta de ar, pessoas que viveram o horror que meu irmão viveu, não pode ser usada para pronunciar o nome dele nem lamentar a morte de todos os vitimados pela Covid”. Paulo Gustavo, presente!
Veja o post de Ju Amaral fez há pouco no seu Instagram: “Sr. presidente, me disseram algo sobre o senhor ter postado condolências à minha família. Só agora tive forças de vir responder como o senhor merece, e o mínimo que eu posso lhe dizer é que, por coerência, nunca mais ponha na sua boca o nome do meu irmão. Essa boca que disse não à vacina e condenou tantos à morte, essa mesma boca que debochou imitando pessoas com falta de ar, pessoas que viveram o horror que meu irmão viveu, não pode ser usada para pronunciar o nome dele nem lamentar a morte de todos os vitimados pela Covid. Também espero que o senhor não despeje sobre minha família os seus mais sinceros sentimentos pois eu não os aceito. Não sei que sentimentos tem um homem que deixa um país inteiro entregue à morte. Guarde pra você seus sentimentos e não nos obrigue a lidar com eles. Seus votos de pesar também peço que deposite em sua própria consciência, pois é sobre o seu governo que pesa a pior gestão desta pandemia mundial. Espero que o senhor saiba que meu irmão e você não tinham nada em comum. Vocês trafegam em vias opostas. Enquanto ele ia na estrada da vida, do afeto, da generosidade e empatia, o senhor vem pelas trevas, trazendo escuridão e morte. O Brasil que o senhor comanda carrega nas costas quase 500 mil filhos mortos, e dentre eles o meu irmão. #29mforabolsonaro #vacinaparatodos #luto”.
Impasse entre Planalto e Exército chega a ponto crítico; generais veem ‘desfaçatez’ de ex-ministro.
Segundo matéria da Folha, Jair Bolsonaro disse ao comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, que não quer ver o ex-ministro Eduardo Pazuello (Saúde) punido por participar de um ato em favor do presidente no Rio de Janeiro domingo passado (23).
A sinalização foi dada ao comandante durante a viagem de ambos a São Gabriel da Cachoeira (AM), onde Bolsonaro foi inaugurar uma ponte de menos de 20 metros e fazer uma visita de dois dias a partir de quinta (27).
Pazuello é um general da ativa, no topo da carreira de intendente (responsável pela logística militar) com três estrelas. Paulo Sérgio é seu superior, e o pedido de Bolsonaro acirra a já grave crise entre o Planalto e a Força da qual o presidente saiu praticamente expulso como capitão em 1988.
Na viagem ao Amazonas estavam presentes o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e o chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos. Ambos são generais de quatro estrelas, cume da hierarquia, da reserva do Exército.
No domingo passado, Pazuello participou de um evento de motociclistas com Bolsonaro e subiu ao palanque para dar apoio ao presidente. Demitido em março por sua gestão considerada desastrosa à frente da Saúde, o general foi incorporado a um cargo burocrático na Secretaria-Geral do Exército.
A proteção sugerida por Bolsonaro a Pazuello amplia muito a crise entre a Presidência e o Planalto. O ato de Pazuello gerou irritação no Alto-Comando do Exército, colegiado de 15 generais de quatro estrelas encabeçado por Paulo Sérgio.
O grupo defendeu a punição a Pazuello. Pelo regimento militar, que veta manifestações políticas de quem está fardado, é inegociável a situação: ele pode ser advertido verbalmente, receber uma repreensão por escrito ou pegar 30 dias de cadeia em um quartel.
No Alto-Comando, a repreensão, vista como desonrosa, parecia de bom tamanho. Menos que isso é contratar, nas palavras de um de seus generais, a anarquia —em especial na eleição polarizada de 2022 à frente.
A ideia de Pazuello ir à reserva para atenuar a crise, por sua vez, já é vista como insuficiente entre os fardados.
O ex-ministro deixou vazar sua linha de defesa, entregue na sexta (28) ao Exército. Ela foi considerada, segundo a Folha ouviu de generais, como “uma desfaçatez”. Basicamente, ele diz que não pode ser punido porque apoiava o cidadão Bolsonaro, não o presidente em um ato político.
Chegou a alegar que o fato de o presidente não ser filiado a um partido despolitizaria todo o evento. O conceito foi dado pelo próprio Bolsonaro em uma live na quinta (26).
Por absurda, a argumentação reforçou a crítica inclusive à hipótese de Pazuello ir à reserva para proteger a instituição. Para militares ouvidos, mesmo que o ex-ministro fizesse o gesto, a linha já foi cruzada e a punição se faz imperiosa.
O que traz de volta o impasse. Paulo Sérgio não é um favorito de Bolsonaro. Ao contrário, dias antes de o presidente intervir no Ministério da Defesa e levar à demissão coletiva dos três comandantes de Força, ele havia concedido entrevista que irritou o Planalto ao defender medidas contra a Covid-19.
Como se sabe, Bolsonaro reza pela cartilha do negacionismo na pandemia. Mas ao ver os comandantes de saída, o presidente resolveu os demitir, na maior crise militar desde 1977.
Para acalmar os ânimos, encaminhou substituições que respeitaram critérios de antiguidade, o que ungiu Paulo Sérgio no comando.
Segundo um interlocutor do comandante do Exército, ele se vê num beco sem saída.
Se acatar o desejo do chefe e poupar Pazuello, abrirá a porta da politização das Forças Armadas de forma inequívoca e ainda perderá a autoridade ante seus pares que são contrários a isso.
A questão é uma fantasma que acompanha os militares desde que, de forma geral, adotaram Bolsonaro como um candidato capaz de dar vazão a seus sentimentos antipetistas e anticorrupção na esteira da Operação Lava Jato, em 2018.
Uma vez eleito, muitos aceitaram integrar o governo, inclusive oficiais da ativa, emprestando seu prestígio. Tal movimento hoje é ressentido por oficiais-generais que apoiaram a ideia, apesar das benesses obtidas, como um plano de carreira e Previdência generoso sob Bolsonaro.
Por outro lado, se punir Pazuello, Paulo Sérgio poderá se ver numa situação em que a permanência no cargo será insustentável, levando à segunda crise militar em dois meses.
Alguns observadores fardados, notadamente fora do Exército, acreditam que é exatamente isso o que Bolsonaro quer, visando gerar um ambiente de instabilidade para que possa sacar sua usual carta de “vou chamar meu Exército” para resolver a crise.
Nenhum ator sério acredita nisso, mas a confusão pode contaminar estratos inferiores do estamento militar se o exemplo da punição não for dado, argumentam esses militares preocupados.
Paulo Sérgio tem uma semana para decidir o que fazer com o ex-ministro da Saúde.
A tendência por uma punição intermediária parece ter sido rejeitada por Bolsonaro, e há a especulação acerca da hipótese de o general a manter e esperar a reação do Palácio do Planalto.
Se isso ocorrer, a piora da crise também estará dada: uma desautorização de Paulo Sérgio por parte de Bolsonaro será recebida, dizem aliados do comandante, com uma renúncia.
Os militares de cúpula mais otimistas ainda acreditam em uma saída na qual Bolsonaro irá recuar ante uma punição mais branda de Pazuello.
Seja como for, o esgarçamento proposto pelo presidente da tessitura institucional militar tem tido péssimas repercussões. As declarações do seu vice, o general da reserva Hamilton Mourão, são vistas como um sinal disso. No auge da pandemia, Bolsonaro aperta a mão de militares e tira a máscara No auge da pandemia, Bolsonaro aperta a mão de militares e tira a máscara
Praticamente rompido com Bolsonaro, Mourão passou a semana dizendo que Pazuello era culpado e que tinha de ser punido pela indisciplina.
Mesmo não sendo uma unanimidade no Exército, o general falava ali pela corporação —com a autoridade extra conferida pelos votos que recebeu na chapa com o chefe.
Não parece haver um final feliz possível para o impasse.
ENTENDA POSSÍVEIS TRANSGRESSÕES DE PAZUELLO
O regulamento disciplinar do Exército, instituído por decreto em 2002, se aplica a militares da ativa, da reserva e a reformados (aposentados). Um anexo lista 113 transgressões possíveis
A transgressão de número 57 é a que mais compromete Pazuello: “Manifestar-se, publicamente, o militar da ativa, sem que esteja autorizado, a respeito de assuntos de natureza político-partidária.” Não há informação, até o momento, de que Pazuello tivesse autorização de seus superiores no Exército para a manifestação política a favor de Bolsonaro
Outras transgressões listadas são “faltar à verdade ou omitir deliberadamente informações que possam conduzir à apuração de uma transgressão disciplinar”; “portar-se de maneira inconveniente ou sem compostura”; e “frequentar lugares incompatíveis com o decoro da sociedade ou da classe”
O comandante do Exército, a quem cabe aplicar a punição, pode cometer uma transgressãodisciplinar se deixar de punir o subordinado transgressor, segundo o mesmo regulamento
O propósito do regramento, conforme a lei, é preservar a disciplina militar. Existe disciplina quando há “acatamento integral das leis, regulamentos, normas e disposições”;
Para julgar uma transgressão, são levados em conta aspectos como a pessoa do transgressor, acausa, a natureza dos fatos e as consequências. Se houver interesse do sossego público, legítima defesa, ignorância ou atendimento a ordem superior, a transgressão pode ser desconsiderada, o que não parece se enquadrar no caso de Pazuello
O acusado tem direito a defesa, manifestada por escrito. O bom comportamento é um atenuante. As punições vão de advertência e repreensão a prisão e exclusão dos quadros, “a bem da disciplina”
O caso de Pazuello pode se enquadrar ainda no Estatuto dos Militares, uma lei em vigor desde 1980. O artigo 45 diz que “são proibidas quaisquer manifestações coletivas, tanto sobre atos de superiores quanto as de caráter reivindicatório ou político”.
A vereadora do Recife Liana Cirne Lins (PT) foi agredida por policiais, que jogaram spray de pimenta no rosto da parlamentar. Ela chegou a cair no chão e precisou ser amparada por outra pessoa.
A polícia jogou bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha contra vários manifestantes na capital pernambucana. Pelo menos uma pessoa já ficou gravemente ferida no ato.
Diversas cidades espalhadas pelo País têm protestos contra o governo Jair Bolsonaro neste sábado (29). As manifestações acontecem em mais de 200 locais de todas as regiões brasileiras e também em algumas cidades do exterior.
Várias lideranças políticas foram às redes sociais convocar a população para atos contra Bolsonaro.
O Ministério Público Federal em Brasília pediu à Justiça Federal a absolvição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na ação em que é acusado de suposta corrupção passiva em um caso envolvendo a edição da Medida Provisória (MP) 471, que prorrogou por cinco anos benefícios tributários destinados a empresas do setor automobilístico. A medida foi editada em 2009, quando Lula ainda exercia o cargo de presidente da República.
Segundo a manifestação do MPF, não ficou demonstrada nenhuma prova de que o ex-presidente Lula tenha praticado qualquer irregularidade na edição da Medida Provisória.
“Desta forma, afigura-se imperiosa a afirmação da cláusula in dubio pro reo em favor dos acusados. O conjunto probatório produzidos nos autos, a despeito de corroborar a tese acusatória de que a edição da Medida Provisória nº 471/2009 foi comprada por corrupção, falha em produzir uma prova acima de qualquer dúvida razoável de que o produto do crime de corrupção passiva foi efetivamente entregue em favor do Partido dos Trabalhadores, por solicitação dos réus LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA e GILBERTO CARVALHO”, diz trecho da manifestação do MPF.
Segundo a denúncia do MPF, R$ 6 milhões teriam sido prometidos ao ex-presidente Lula e a Gilberto Carvalho em troca da mudança na lei do setor automotivo. A denúncia foi apresentada pelo MPF-DF no dia 8 de setembro e é parte do desdobramento da operação Zelotes.
Também foram denunciados e viraram réus o ex-chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, por corrupção passiva; e Mauro Marcondes e Alexandre Paes dos Santos, o ex-conselheiro do Carf José Ricardo da Silva e os executivos das montadoras Carlos Alberto de Oliveira Andrade e Paulo Arantes Ferraz, todos por corrupção ativa. Nas alegações finais apresentadas à Justiça, o MPF pediu a absolvição de todos.
A Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) criticou hoje visita feita pelo presidente Jair Bolsonaro a comunidades indígenas em São Gabriel da Cachoeira (AM).
Segundo a entidade, Bolsonaro não se reuniu com as instituições que ajudam a combater a pandemia de covid-19 e sequer fez menção ao combate ao garimpo ilegal, narcotráfico e outros assuntos atingem as terras indígenas.
“Bolsonaro mais uma vez ignora os problemas e humilha o povo brasileiro. O presidente não encontrou com as instituições que mais ajudaram a combater a pandemia de Covid-19 aqui na região e sequer fez menção ao combate ao garimpo ilegal, narcotráfico e outros assuntos graves que assolam as terras indígenas aqui na região da tríplice fronteira com a Venezuela e Colômbia”, ressaltou Marivelton Barroso, do povo Baré, presidente da Foirn.
O movimento também protestou dizendo que “o desprezo por nosso povo indígena é tanto que o presidente sequer se deu o trabalho de conhecer nossa diversidade, criando ao seu bel-prazer uma nova etnia, a do povo Balaio, que não existe no Brasil e em nenhum lugar do mundo”.
Bolsonaro postou um vídeo da visita a São Gabriel da Cachoeira na sexta (28) chamando os índios de “nossos irmãos”. Neste sábado (29), ele postou novo vídeo, dessa vez, da sua visita ontem a uma feira na cidade. Houve aglomeração de pessoas, a maioria sem máscaras, inclusive o próprio presidente.
Após foto ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no início da semana, o padre Julio Lancellotti foi atacado hoje pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília. No vídeo, Bolsonaro relembra caso de extorsão envolvendo o religioso, em 2004, e faz insinuações sem apresentar provas.
“Publicaram uma foto do Lula com o padre Lancellotti, de São Paulo. Eu não vou falar tudo aqui, não. Mas o Lancellotti deu uma Pajero para alguém um tempo atrás… Não vou falar tudo porque tem gente gravando. Ninguém vai dar uma Pajero assim, né? Então esse padre é daquele padrão: é o ‘Padre Pajero’, né? Então, os caras botam o padre com o Lula e acham que o padre é aquele padre sério, responsável”, afirmou Bolsonaro.
Em 2004, o padre Julio Lancellotti disse ter sido extorquido por ex-interno da antiga Febem Anderson Marcos Batista, na época com 25 anos, conforme reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”.
Segundo o padre, o ex-interno ameaçava procurar a imprensa para denunciá-lo por pedofilia —o alvo do abuso seria o enteado de Batista, de oito anos. O padre também disse ter recebido ameaças de agressão. Foi Lancellotti quem gravou conversas nas quais era chantageado e as entregou à polícia. Na época, o religioso afirmou que pagou por medo de ser agredido e por acreditar que “poderia mudar as pessoas que o extorquiam”.
As investigações constataram que Batista e sua mulher compraram pelo menos cinco carros de luxo com dinheiro extorquido, dentre eles, uma Pajero (R$ 65 mil, valor na época), citada por Bolsonaro no vídeo de hoje. O veículo foi financiado em nome do padre.
A reportagem do UOL tenta contato com o padre Julio Lancellotti. Caso ele se manifeste sobre as declarações de Bolsonaro, o texto será atualizado.
Foto: padre dá a bênção a Lula
Na terça-feira (25), Lula ganhou a bênção do sacerdote em uma das fotos compartilhadas nas redes sociais do ex-presidente. (Veja a foto abaixo)
Lula fez relato sobre encontros marcantes entre os dois, que aconteciam “todo [dia] 22 ou 23 de dezembro”, durante os oito anos em que foi presidente, no “Natal dos Catadores”. Na ocasião, o então presidente se reunia com o padre em viadutos de São Paulo.
Bolsonaro está atrás nas pesquisas…
Lula abriu 18 pontos de frente no primeiro turno (41 a 23) e 23 pontos no segundo (55 a 32), segundo levantamento feito pelo Datafolha, em maio.
Essa é mais ou menos a mesma vantagem que o ex-presidente tinha sobre Bolsonaro em 2018, quando foi retirado da disputa devido a investigações da Operação Lava Jato.
Com o Padre Júlio Lancellotti. Uma exemplo de solidariedade. Disse pra ele preparar a bengala porque temos muita luta pela frente. Estou disposto a viajar o país pra levantar a cabeça do nosso povo e dizer: esse país é nosso. Esse país não é o país do ódio.
O ex-presidente Lula montou um esquema pelo qual foi remunerado por palestras jamais feitas, uma forma de receber de volta por favores que concedeu a empresas — sustentavam há mais de cinco anos procuradores do Ministério Público Federal ligados à Operação Lava Jato.
Porém, é mentira.
Um relatório do Instituto Lula com fotos e todas as palestras do ex-presidente no mundo foi confeccionado quando a acusação surgiu.
Entre 2011 e 2015, foram 72 palestras empresariais pagas para 45 empresas.
O Ministério Público e a Polícia Federal não conseguiram provar qualquer irregularidade e, com isso, o processo sobre as palestras foi arquivado pela juíza Gabriela Hardt, que desbloqueou os bens do ex-presidente Lula ligados ao espólio da ex-primeira dama Maria Letícia.
Ministro afirma que presidente tem intenções políticas para atribuir ao Supremo a responsabilidade pela crise econômica.
Em entrevista à CNN Brasil nesta sexta-feira (28), o ministro decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, sinalizou que a Corte deve rejeitar a ação protocolada pelo governo de Jair Bolsonaro para derrubar as medidas restritivas para evitar a transmissão do coronavírus decretadas por governadores.
“Quanta perda de tempo! Tem conotação política, para atribuir ao Supremo a responsabilidade!”, disse o magistrado, ressaltando que a principal preocupação do governo deveria ser o combate à pandemia.
Através da Advocacia-Geral da União (AGU), apresentou à Corte uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), afirmando que Bolsonaro não está questionando decisões anteriores do STF, que reconheceu direito de governadores e prefeitos decretarem medidas restritivas para tentar controlar a pandemia. Porém, “algumas dessas medidas não se compatibilizam com preceitos constitucionais inafastáveis”, diz o órgão.
“[A ação] considera que algumas dessas medidas não se compatibilizam com preceitos constitucionais inafastáveis, como a necessidade de supervisão parlamentar, a impossibilidade de supressão de outros direitos fundamentais igualmente protegidos pela Constituição e a demonstração concreta e motivada de que tais medidas atendem ao princípio da proporcionalidade”, escreve a AGU.
A ação do governo vem no momento em que o Brasil já visualiza a chegada de uma terceira onda da pandemia, o que deve fazer com que governadores endureçam medidas de restrição. Neste sentido, a estratégia de Bolsonaro seria já se precaver para responsabilizar governadores e o próprio STF pela crise econômica que deve se intensificar.
Com posicionamento unânime contra o presidente, movimentos se preocupam com medidas de precaução para evitar exposição ao vírus.
Entidades estudantis e de trabalhadores e até torcidas organizadas convocaram para este sábado (29) protestos por todo o país contra o governo Bolsonaro. É o #29M. Desta vez, o ato será presencial, com manifestações de rua praticamente em todas as unidades da federação (confira quadro de atividades confirmadas). Isso provocou receio e críticas em parte dos movimentos contrários ao governo, devido à possibilidade de exposição ao coronavírus, no momento em que a crise sanitária volta a se agravar e se fala na chegada de uma “terceira onda”. Por outro lado, vários grupos – mais de 100 organizações reunidas nas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo – preocupam-se em apontar medidas de precaução para evitar riscos.
Até mesmo um “guia de cuidados” para quem for à manifestação circula nas redes sociais. Elaborado pelo Centro Acadêmico da Enfermagem da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar, no interior paulista), recomenda logo no início não ir caso a pessoa seja do grupo do risco ou tenha algum sintoma. Outra orientação é usar máscara o tempo todo (PFF2, de preferência), levando pelo menos uma de reserva e, se possível, mais uma para oferecer a alguém. Outras indicações são de guardar distância mínima de 1,5 metro dos outros manifestantes e lembrar a todos sobre isso. E não esquecer do álcool em gel 70º nos atos #29M.
Além disso, as orientações incluem o retorno para casa. Primeiro, tomar banho assim que chegar em casa, lavando os cabelos. Tomar cuidado ao manusear as roupas usadas, antes de lavá-las. Higienizar objetos, como carteira e celular, e “se monitorar” durante 14 dias, se possível mantendo-se isolado.
CPI, auxílio e “fora Bolsonaro”
Com vários itens, a pauta do chamado #29M tem como palavra de ordem o “fora Bolsonaro”. Os manifestantes vão defender ainda o auxilio emergencial de R$ 600 (tema de ato organizado por centrais sindicais e movimentos em Brasília na quarta-feira) e vacinação em massa. Também devem apoiar os trabalhos da CPI da Covid no Senado. A agenda inclui protestos contra o desemprego, cortes de verbas na educação, privatizações – especialmente da Eletrobras – e a “reforma” administrativa.
Entre os que se alinharam a favor do ato de sábado, está o ator e escritor Gregorio Duvivier, que nesta semana, inclusive, escreveu artigo a respeito, publicado no jornal Folha de S.Paulo. O título: “Não podemos ter medo de ir às ruas protestar nem deixar de ter cuidado”. Quase no final, ele afirma: “Tudo o que mudou, no mundo, só mudou porque tinha muita gente no mesmo lugar, ao mesmo tempo. Esse país não é feito só de moto sem silenciador e miliciano com silenciador”.
Mas quem estiver realmente impossibilitado de ir aos atos presenciais, consegue participar do #29M também alimentando as redes sociais. A ideia é fazer um cartaz de protesto e um autorretrato para postar no Instagram, Twitter ou Facebook comas hashtags #Foto29M, #FotografosPelaDemocracia e #ForaBolsonaro. O coletivo Fotógrafos pela Democracia 20 fotos com essas hashtags para compartilhar nas redes durante todo o dia 29. Política de morte
A União Nacional dos Estudantes (UNE) aprovou convocação para a manifestação #29M, em um dia de protesto contra cortes de recursos no setor de educação. A entidade, inclusive, publicou documento listando 10 motivos para participar. “Ocuparemos as ruas, com todas as medidas sanitárias necessárias, para denunciar os ataques do governo Bolsonaro à educação pública e sua política da morte”, afirmou a vice-presidenta da UNE, Élida Elena.
O ex-ministro e ex-prefeito Fernando Haddad (PT) também defendeu o #29M, afirmando em entrevista que “o povo vai retomar, nas ruas, as rédeas do país”. Ele participou do programa Sua Excelência, o Fato, na TV 247. “Podem ter certeza que o Brasil está esperando sair às ruas com segurança. E não vai ser pequena a manifestação”, declarou. “Não estou falando apenas da próxima. Temos um ano e meio até a eleição. Este país vai tomar as ruas para virar esta página.”
Mais perigoso que o vírus
Nas redes sociais, parlamentares do Psol convocam para o #29M. “Quando o presidente é mais perigoso que o vírus, o povo precisa ir às ruas! No próximo dia 29 mostraremos nossa indignação, usando máscaras e respeitando as medidas de segurança”, afirmou, por exemplo, o deputado federal Ivan Valente (SP).
No Facebook, o Coletivo Democracia Corinthiana também aderiu ao #29M. “Enquanto a pandemia avança, a crise econômica e social também aflige o povo brasileiro. Com mais da metade da população vivendo situação de insegurança alimentar, o governo insiste na cartilha neoliberal, oferecendo um auxílio emergencial insuficiente, cortando recursos da educação e habitação e avançando com a privatização dos Correios e da Eletrobras e com o desmonte do Estado através da Reforma Administrativa”, afirma. Assim, o grupo convida para manifestação no Museu de Arte de São Paulo, na Avenida Paulista, a partir das 16h do sábado, com a mesma ressalva: “Seguindo as normas sanitárias de distanciamento social, uso de máscara, álcool em gel”.
A CUT divulgou nota sobre a manifestação de sábado, que “deve ser organizada com todas as medidas da prevenção e cuidados sanitários possíveis, de forma que não provoquem aglomerações e exponham nossos militantes e trabalhadores e trabalhadoras das nossas entidades ao risco de contrair Covid-19“.
“Entendemos que a indignação e o repúdio a todos os atos desse governo genocida devem ser cada vez mais potencializados para sensibilizar a população da impossibilidade de continuidade desse governo, mas também temos a responsabilidade de não negar o momento difícil e trágico que a pandemia está causando nos lares de milhões de trabalhadores e trabalhadoras”, diz ainda a central. A nota é assinada pelo presidente da entidade, Sérgio Nobre. “Defendemos desde o primeiro momento as medidas recomendadas pelos cientistas e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o combate ao novo coronavírus e também as políticas econômicas e sociais necessárias para a proteção da população”, acrescenta.
Atos confirmados para o #29M Sudeste São Paulo
Assis – em frente ao Homem de Lata (Av. Rui Barbosa) | 10h Campinas – Largo do Rosário | 10h Guaratinguetá – em frente à FEG/Unesp | 10h30 Ilha Bela – Praça da Mangueira (em frente ao colégio Acei) | 9h Indaiatuba – Rua João Martini (esquina Av. Ário Barnabé) | 14h Jacareí – Pátio dos Trilhos | 10h Praia Grande – Quadradão do Quietude | 11h Praia Grande – Estátua Yemanjá | 13h Ribeirão Preto – Esplanada do Teatro Pedro II | 10h Rio Preto – Praça José Marcondes | 16h Santos – Unifesp | 15h Santos – Estação Cidadania | 16h São Bernardo do Campo – Paço Municipal | 10h São José dos Campos – Praça Afonso Pena | 10h São Paulo – Masp | 16h Taubaté – Praça Dom Epaminondas | 10h Ubatuba – Trevo do Caiçara – Centro | 16h
Minas Gerais
Alfenas – Praça Getúlio Vargas | 15h Barbacena – Praça da Matriz | 10h Belo Horizonte – Praça da Liberdade | 10h Caratinga – Praça da Estação | 15h Divinópolis – Praça da Catedral | 9h Formiga – Praia Popular | 10h Governador Valadares – Praça dos Pioneiros | 9h Ipatinga – Praça Primeiro de Maio | 10h Itabirito – Em frente à Prefeitura | 8h Itaúna – Praça da Matriz – 10h Juiz de Fora – Parque Halfeld | 10h30 Lafaiete – Praça Barão de Queluz | 9h Leopoldina – Praça José Pires, viaduto do Bela Vista | 10h Mariana – Praça da Sé | 9h Montes Claros – Praça Dr. João Alves | 9h Ouro Preto – Praça Tiradentes | 10h Passos – Praça do Rosário | 15h Poços de Caldas – Parque José Afonso Junqueira | 15h Pouso Alegre – Praça da Catedral | 10h São João Del Rei – Teatro Municipal | 10h Teofilo Otoni – Praça Tiradentes | 9h Uberaba – Praça Rui Barbosa | 11h Uberlândia – Praça Ismene Mendes | 10h Varginha – Praça do ET | 10h Viçosa – 4 Pilastras | 9h30
Rio de Janeiro e Espírito Santo
ES – Vitória – Ufes | 15h Campos – Praça São Salvador | 10h Macaé – Praça Veríssimo de Melo | 9h30 Miracema – Posto Confiança | 15h Nova Friburgo – Centro de Turismo na Praça Getúlio Vargas | 16h Petrópolis – Praça da Inconfidência | 11h Rio das Ostras – Feira Livre da Ânconra | 9h | 16h30 Rio de Janeiro – Monumento Zumbi dos Palmares | 10h Santo Antônio de Pádua – Centro | 10h Teresópolis – Escola Sakura Ermitage | 9h30 Volta Redonda – Praça Juarez Antunes | 16h30
Nordeste
AL – Maceió – Praça Centenário (carro, moto ou a pé) | 9h AL – Maceió – Praça dos Martírios | 9h AL – Maceió – Monumento à Republica (carreata) | 15h BA – Feira de Santana – em frente à prefeitura | 9h BA – Ilheus – Praça Caiuru | 10h BA – Salvador – Largo do Campo Grande | 10h CE – Fortaleza – Carreata Arena Castelão | 15h CE – Fortaleza – Praça da Gentilândia | 15h30 CE – Juazeiro do Norte – Praça da Prefeitura | 8h MA – Imperatriz – Praça de Fátima | 9h MA – São Luís – Praça Deodoro até a Praça Maria Aragão | 9h PB – João Pessoa – Carreata Praça da Independência (até Parque da Lagoa) | 9h PB – Patos – Correios | 8h PB – Campina Grande – Praça da Bandeira | 9h PE – Recife – Praça do Derby | 9 h PE – Caruaru – Centro | 9h PE – Garanhuns – Centro | 9h PI – Teresina – Praça Rio Branco | 8h RN – Mossoró – Praça Cícero Dias | 16h RN – Natal – Em frente ao Midway Mall | 15h SE – Aracaju – Praça de Eventos entre os Mercados | 8h
Sul
PR – Cascavel – Calçadão Av. Brasil | 10h PR – Curitiba – Praça Santos Andrade | 16h PR – Ponta Grossa – Praça Barão de Guaraúna | 16h PR – Maringá – Praça Raposo Tavares | 10h SC – Balneário Camboriú – Praça Tamandaré | 10h SC – Blumenau – Praça Carlos Gomes | 10h SC – Brusque – Esquina Getúlio Vargas com Primeiro de Maio | 9h SC – Itajaí – Calçadão da Hercílio | 9h SC – Jaraguá do Sul – Praça Ângelo Piazera | 9h SC – Florianópolis – Largo da Alfândega | 10h SC – Joinville – Praça da Bandeira | 10h RS – Caxias do Sul – Praça Dante Alighieri | 15h RS – Passo Fundo – Praça da Mãe | 8h RS – Porto Alegre – Prefeitura | 15h
Norte
AM – Manaus – Praça da Saudade | 16h AP – Macapá – Praça da Bandeira | 16h PA – Abaetetuba – Praça do Barco | 15h PA – Altamira – concentração na Equatorial Energia | 8h PA – Belém – Praça da República | 8h PA – Castanhal – Praça Estrela | 16h PA – Santarém – Praça de Eventos | 17h30 TO – Araguaina – Praça das Bandeiras | 16h TO – Palmas – Av. Juscelino Kubitscheck – em frente ao Palácio Araguaia | 9h RO – Guajará-Mirim – Parque Circuito | 9h30 RO – Porto Velho – em frente à praça da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré | 8h
Centro-Oeste
DF – Brasília – Carreata Palácio do Buriti (até a Esplanada) | 8h30 DF – Brasília – Museu Nacional | 9h GO – Goiânia – Praça Cívica | 9h MS – Aquidauana – Praça dos Estudantes | 9h MS – Campo Grande – em frente a UFMS | 8h MS – Corumbá – Centro – 9h MS – Dourados – 9h MS – Três Lagoas – Praça Ramez | 9h MT – Cuiabá – Carreata saindo da UFMT | 9h MT – Rondonópolis – Panfletaço Praça do Centro | 9h
A situação política de Bolsonaro está cada dia pior. Não adianta ele colocar Helio Negão no TCU e nem Aras passar o tempo todo cercando frango para não explodir mais umas dez crises, já que, se em mais de dois anos o governo não fez nada, não faltou competência ao capitão cloroquina para produzir crises, a mais recente com as Forças Armadas.
Nada mudará com a ocupação de gente dele dentro do corpo do Estado, até porque Bolsonaro, além de tudo, é absolutamente incompetente e não há quem o impeça de seguir um cotidiano de total nulidade. Até mesmo os que cultuam essa reverendíssima besta afrontam a lógica porque, na verdade, não têm e não apresentam um motivo que não seja fanatismo ou orgulho ferido para manter-se fiel a um presidente que tem como especialidade não fazer nada.
Bolsonaro foi assim nos 28 anos de legislativo e está sendo assim no executivo.
Este é o fato. O sujeito não tem a menor ideia de onde o galo está cantando, menos ainda sabe aonde começa e termina o galo.
Neste momento não se pode esquecer, melhor, lembrar frequentemente que Bolsonaro é o produto mais genuíno da Lava Jato. Sem Moro e Dallagnol, jamais ele sentaria na cadeira da presidência.
Essa integração entre a milícia carioca e a curitibana, em última análise, produziu essa catástrofe causada pela covid a que assistimos. Porém, o que parece é que a situação de Bolsonaro se agrava a cada dia, aprofundando o buraco em que está enfiado e não tem a menor possibilidade de sair.
Então, o que se vê é um discurso atrás do outro sem qualquer respaldo, pois não representa ninguém além do próprio Bolsonaro e a situação caótica em que ele vive. O resultado é esse saco de gatos que ninguém tem a mínima ideia em que vai dar.
A única coisa que se sabe é que cada vez menos respaldado por quem lhe garantia um pouco de chão, Bolsonaro parte para o ataque aprofundando sua crise, ou seja, sendo a central de sua crise que chegou ao ponto de extrema saturação. A partir de então, só conseguirá a ampliação do fundo do poço e o abandono político será cada vez maior.
Se ele conseguir se manter no poder até 2022, nem esboço de governo o Brasil terá. Já os conflitos serão mais numerosos e potencialmente mais explosivos contra o próprio Bolsonaro.