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Eleição no Brasil e interferência de Trump colocam China em estado de alerta

Pequim considera votação no Brasil em 2026 como um dos fatos políticos mais importantes do ano nos países em desenvolvimento

A China está preocupada com uma eventual interferência dos EUA nas eleições no Brasil e o risco de uma vitória do campo bolsonarista. O ICL Notícias conversou com diplomatas, autoridades e acadêmicos em Pequim e, de forma unânime, todos apontam para a ameaça aos seus interesses caso Flávio Bolsonaro opte por ceder às pressões de Donald Trump e se alinhar ao governo norte-americano.

A preocupação já ficou nítida nos canais diplomáticos entre os dois países, com os chineses questionando Brasília sobre cenários eleitorais e eventuais impactos.

Nos dois primeiros anos do governo de Jair Bolsonaro, a relação entre China e Brasil viveu uma sequências de crises. Agora, um dos temores é de que, numa eventual vitória de Flávio Bolsonaro, a relação não apenas retomaria a tensão, mas que seria ampliada diante da ofensiva de Trump na América Latina.

Em toda a região, diplomatas chineses indicaram que “entendem” quando candidatos de direita atacam Pequim durante as campanhas eleitorais. Os chineses consideram que isso faz “parte do jogo” da política regional. Mas o que não irão tolerar é que, se no poder, essas autoridades usem os cargos oficiais para fustigar Pequim ou disseminar desinformação.

Seja qual for o resultado da eleição, fontes chinesas apontam que a eleição presidencial no Brasil em 2026 é um dos fatos políticos mais importantes do ano nos países em desenvolvimento, principalmente diante da “sombra” de Trump na região.

Guo Cunhai, diretor do Departamento de Estudos Sociais e Culturais do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Academia Chinesa de Ciências Sociais, avalia a existência de três desafios a partir do riscos de uma intervenção dos EUA na América Latina e no Brasil.

O primeiro deles seria a pressão sobre vias estratégicas para o comércio, como o Canal do Panamá ou o porto de Santos. No caso brasileiro, o governo Trump já demonstrou insatisfação diante da relação dos chineses com as autoridades portuárias brasileiras.

Um segundo elemento da intervenção seria a conclusão de acordos entre os EUA e o Brasil no setor de minerais críticos. “Já foi debatido entendimentos que excluem a China (do mercado)”, afirmou.

Por fim, o outro risco é de que os EUA coloquem uma pressão insustentável contra qualquer aproximação do Brasil ou da América Latina no desenvolvimento de Inteligência Artificial a partir de modelos e tecnologias chinesas.

Caso haja uma mudança de governo no Brasil, porém, a China insiste que sua atitude não será a de promover uma ruptura. Fontes em Pequim insistem que tem“confiança plena na manutenção de uma relação estratégica” com o Brasil, sob um eventual governo de Flavio Bolsonaro.

Segundo Cunhai, de fato a China se transformou no maior parceiro comercial do Brasil em 2009 e, hoje, 38% das exportações do país tem o mercado chinês como destino. “A proximidade econômica não vai mudar”, insistiu. “A parceria não depende da ideologia”, afirmou, destacando os investimentos até mesmo da Tiktok no Brasil.

Para a pesquisadora Liu Si, também da Academia de Ciências, sempre houve uma intervenção dos EUA quando o assunto é a cooperação militar entre China e América Latina. Mas, ao longo de décadas, ela era “invisível”. “Hoje, ela é violenta”, afirmou.

Sun Hongbo, outro pesquisador e que também ocupou um cargo diplomático da China em Buenos Aires durante quatro anos, também destaca a existência de um “interesse estratégico” por parte da China no Brasil.

Entre latino-americanos, porém, existem dúvidas sobre até que ponto a China está disposta a ir para confrontar os EUA na região. O silêncio diante do sequestro de Nicolas Maduro e a assistência tímida em Cuba são indícios, para negociadores, que Pequim nem sempre agirá para defender seus aliados.

O objetivo único do governo de Xi Jinping é a estabilidade nacional e seu crescimento, ainda que para isso tenha de abrir mão de algum aliado pelo mundo. Se o cálculo mostrar que sair em defesa de um país latino-americano colocará em risco esse princípios, Pequim dificilmente atuará.

Neste caso, a “acomodação” é a palavra usada para descrever a relação da China diante da ofensiva de Trump.

*Jamil Chade/ICL


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Mundo Política

Guerra na nuvem: Irã usa satélite chinês e desafia hegemonia dos EUA

Entrevistas com Sergio Amadeu e Ergon Cugler revelam como soberania digital virou questão de segurança nacional em conflito que testa multipolaridade tecnológica

O conflito no Oriente Médio entrou em uma nova fase que transcende trincheiras e mísseis: a disputa pelo controle das infraestruturas digitais que sustentam a guerra moderna. Enquanto o Irã aprimora sua capacidade de ataque com precisão inédita, especialistas apontam para uma mudança estratégica fundamental — a adoção do sistema de navegação por satélite BeiDou, da China, em substituição ao GPS norte-americano.

Em entrevistas ao Portal Vermelho, o sociólogo Sergio Amadeu, professor da UFABC, especialista em tecnologia da informação e comunicação, e Ergon Cugler, pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa, conselheiro da Presidência da República e especialista em gestão pública, analisam como a soberania digital deixou de ser tema técnico para se tornar questão de segurança nacional.

Big Tech como alvo militar legítimo

O sociólogo Sérgio Amadeu

Para Sergio Amadeu, a guerra contemporânea exige repensar o papel das corporações tecnológicas. “Enquanto cultuamos as Big Techs e colocamos dados das universidades e dos governos nessas corporações, o Irã declarou que elas são alvos militares legítimos”, afirma. A estratégia iraniana não é apenas retórica: AWS, Oracle e Microsoft foram efetivamente alvejadas por participarem, direta ou indiretamente, dos esforços de guerra de Israel e Estados Unidos.

Amadeu destaca que o Irã desenvolveu capacidades próprias — drones, mísseis, indústria de defesa — e utiliza táticas assimétricas inteligentes. “Eles utilizaram diversas armadilhas, tais como mísseis e drones sem ogivas para que fossem abatidos por armas de interceptação que custam milhões de dólares”, explica. Enquanto Washington gasta fortunas em sistemas de defesa, Teerã esgota recursos adversários com operações de baixo custo.

Da nuvem ao campo de batalha: a guerra é também digital

O especialista em gestão pública Ergon Cugler
Ergon Cugler expande o assunto: “Quem acha que a guerra passa apenas por tanque de guerra e fuzil tá vivendo no século passado”. Para o pesquisador, as disputas de um mundo multipolar e supertecnológico acontecem também na “nuvem” — não a metáfora etérea, mas datacenters em subsolos globais conectados por cabos submarinos.

A dependência tecnológica tornou-se vulnerabilidade estratégica. Cugler lembra que, durante tensões comerciais, Donald Trump chegou a ventilar a ideia de retirar o acesso do Brasil ao GPS. “Teve gente que disse que era mentira, mas o fato é que a gente ficou refém de uma decisão política que Donald Trump poderia sim tomar a qualquer momento”, alerta.

BeiDou: o fim do monopólio americano?

O sistema BeiDou, lançado pela China em 2020, representa uma alternativa concreta ao GPS. Com 45 satélites — contra 24 do sistema americano —, o BeiDou oferece precisão de menos de um metro para usuários autorizados e recursos avançados de anti-interferência, como salto de frequência e autenticação de mensagens de navegação.

Segundo analistas, o Irã teria assinado um memorando de entendimento para integrar o BeiDou à sua infraestrutura militar já em 2015, acelerando a transição após a Parceria Estratégica Abrangente Sino-Iraniana de 2021. A conclusão da migração, em junho de 2025, coincidiria com o salto de precisão observado nos ataques iranianos.

Em ambientes contestados, onde sinais podem ser bloqueados ou falsificados, depender de uma única constelação é risco estratégico.

Soberania digital como moeda de poder

Para Cugler, a tecnologia em um mundo multipolar “deixa de ser apenas um ativo qualquer e se torna inclusive moeda de troca do chamado soft power”. Países que controlam infraestruturas digitais podem influenciar, coagir ou pautar comportamentos de nações dependentes.

A resposta global à hegemonia americana já está em curso: a União Europeia desenvolveu o Galileo, a Rússia mantém o Glonass, Índia e China investem em sistemas próprios. “É por isso que pra debater soberania de um país, a gente também precisa debater a chamada soberania digital”, defende Cugler. “Sem ela, se torna impossível conseguir ter qualquer horizonte possível de sair das amarras daqueles que controlam até mesmo as infraestruturas”.

O Brasil na encruzilhada tecnológica

As lições do conflito iraniano ressoam particularmente no Brasil. Enquanto o país debate regulação de plataformas e proteção de dados, a dependência de infraestruturas controladas por potências estrangeiras permanece pouco discutida como questão de segurança nacional.

Amadeu adverte que o Brasil replica vulnerabilidades que podem ser exploradas em cenários de tensão geopolítica. A presença de datacenters de corporações americanas em território nacional, sem contrapartidas de soberania ou controle público, coloca em risco não apenas dados, mas a própria capacidade de decisão autônoma do Estado.

Tecnologia é geopolítica

O uso do BeiDou pelo Irã — se confirmado — não é apenas uma manobra técnica: é um sinal de que a arquitetura tecnológica global está se fragmentando. Em um mundo onde navegação por satélite, nuvem de dados e inteligência artificial definem capacidades militares e econômicas, a soberania digital deixa de ser opção para se tornar imperativo.

Como sintetiza Cugler: “O Irã já deu o recado: não dá pra depender dos Estados Unidos, inclusive pra andar de carro no meio da rua”. Para nações que aspiram a autonomia estratégica, a mensagem é clara: desenvolver capacidades próprias e diversificar parcerias tecnológicas não é mais questão de desenvolvimento — é questão de sobrevivência.


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China passa EUA na aprovação global em diferença histórica

Pesquisa mostra que aprovação global à China cresce para 36% enquanto a dos EUA cai para 31% em 2025, ampliando distância histórica entre as potências

A aprovação global à China superou a dos Estados Unidos e atingiu seu maior distanciamento histórico, segundo levantamento recente da Gallup, que mostra crescimento da avaliação positiva de Pequim para 36% em 2025, enquanto a de Washington recuou para 31%. Os dados refletem mudanças na percepção internacional sobre as lideranças das duas potências e foram obtidos a partir de entrevistas em mais de 130 países, segundo a CNN Brasil.

A pesquisa da empresa americana de análise e consultoria Gallup, publicada na sexta-feira (3), revela uma inversão significativa na tendência histórica de aprovação global. Enquanto a China registrou avanço de quatro pontos percentuais em relação a 2024, quando tinha 32%, os Estados Unidos sofreram queda acentuada de oito pontos, partindo de 39% no ano anterior.

A diferença de cinco pontos percentuais entre os dois países representa a maior já registrada desde o início da série histórica, em 2005. Esse cenário reforça a consolidação de uma mudança gradual na percepção global sobre as lideranças internacionais.

O levantamento também comparou outros países. A Alemanha aparece com a maior aprovação mediana em 2025, com 48%, enquanto a Rússia registra 26%, mantendo-se abaixo tanto da China quanto dos Estados Unidos.

A queda da aprovação americana coincide com a mudança política interna nos Estados Unidos, marcada pela transição do governo do democrata Joe Biden para o republicano Donald Trump. A pesquisa aponta que momentos anteriores de liderança chinesa sobre os EUA ocorreram em 2008, durante a crise financeira global, e entre 2017 e 2018, nos primeiros anos do mandato anterior de Trump.

A Alemanha foi o país onde a imagem dos Estados Unidos sofreu a maior retração, com queda de 39 pontos percentuais. Reduções superiores a dez pontos também foram observadas em diversos países europeus, com exceção do Leste Europeu, além do Canadá.

Em contrapartida, a popularidade americana apresentou crescimento em alguns locais, com destaque para Israel, onde houve aumento de 13 pontos percentuais. Países como Kosovo, Israel, Polônia, Albânia e Filipinas demonstram maior alinhamento com Washington.

Já Rússia, Paquistão, Tunísia, Singapura e Hong Kong tendem a avaliar de forma mais favorável a liderança chinesa em comparação à norte-americana, indicando uma divisão geopolítica nas percepções globais sobre as duas potências.

*BdF


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China apoia Irã em direito à defesa e exige que EUA e Israel cessem ataques

Durante conversa com homólogo iraniano Abbas Araghchi, chanceler chinês Wang Yi defendeu soberania, integridade territorial e dignidade nacional de Teerã

O governo chinês condenou energicamente, nesta segunda-feira (02/03), os ataques coordenados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultaram na morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei, no cargo desde 1989, além de altos comandantes militares do país. Entre os mortos estão o chefe do Estado-maior das Forças Armadas, Sayyid Abdolrahim Mousavi, o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour.

Em conversa por telefone, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse ao chanceler iraniano Abbas Araghchi, que o país apoia o Irã em seu direito à defesa e afirmou que pressiona Estados Unidos e Israel para que cessem imediatamente os ataques.

Wang Yi reiterou o apoio da China à soberania, integridade territorial e dignidade nacional do Irã, reforçando a amizade tradicional entre os dois países e destacando a necessidade de proteger os direitos e interesses legítimos do Irã.

O chanceler chinês enfatizou ainda que a China instou publicamente EUA e Israel a cessarem imediatamente as operações militares, evitando assim uma escalada que poderia desestabilizar todo o Oriente Médio. Wang Yi demonstrou confiança de que o Irã, mesmo diante da situação grave e complexa, manterá a estabilidade interna, protegerá seus cidadãos e salvaguardará instituições estrangeiras presentes no país, incluindo as chinesas.

Durante a conversa, Araghchi destacou a situação crítica enfrentada pelo Irã, relatando que os Estados Unidos lançaram ataques militares contra o país durante negociações em curso, violando o direito internacional e desrespeitando as linhas vermelhas de Teerã. Ele ressaltou que, apesar de avanços positivos nas negociações, a agressão estadunidense obriga o Irã a defender sua soberania com todas as forças, em defesa da integridade e da segurança da nação.

Araghchi garantiu que o Irã está comprometido em assegurar a proteção do pessoal e das instituições chinesas, reafirmando o papel do país como ator respo

Durante o diálogo, os chanceleres também destacaram a necessidade de retomar o diálogo diplomático entre as partes envolvidas, reforçaram a coordenação regional para reduzir tensões e sublinharam o papel da China como mediadora imparcial e construtiva, contribuindo para prevenir uma escalada militar e humanitária na região e preservar a paz.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que a prioridade imediata é cessar as operações militares e evitar que o conflito se espalhe para outros países vizinhos. “É preciso fomentar que os problemas se resolvam por meio do diálogo e da negociação, com o objetivo de manter a paz e a estabilidade na região e no mundo”, declarou Mao.

Ela denunciou que os ataques de EUA e Israel foram realizados sem autorização do Conselho de Segurança da ONU, violando o direito internacional e ameaçando a segurança de toda a região. “A China insta todas as partes a interromper as ações militares e a prevenir que o conflito se estenda ainda mais. A diplomacia é a única via para superar a crise e manter a segurança regional.”

Mao  Ning destacou ainda a necessidade de respeitar a soberania e a integridade territorial dos Estados do Golfo. Além disso, a porta-voz valorizou a reunião especial dos ministros de Relações Exteriores do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), ressaltando que o diálogo e a diplomacia são a única forma de superar a crise atual e garantir a segurança regional.

Entre os episódios mais chocantes, um bombardeio atingiu a escola primária feminina Shajareh Tayyebeh, na cidade de Minab, matando dezenas de estudantes e funcionários e deixando centenas de feridos. Autoridades iranianas estimam que ao menos 165 pessoas morreram, a maioria meninas, e cerca de 96 ficaram feridas.

Sobre a morte do líder supremo, Mao destacou que se trata de uma grave violação da soberania do Irã e dos princípios da ONU. “Os ataques pisoteiam os propósitos e princípios da Carta da ONU e as normas básicas das relações internacionais. A China se opõe firmemente e condena energicamente esses atos.”

*Opera Mundi


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EUA estão preparando seus aliados na Ásia para um confronto militar com China, diz relatório

Os EUA estão preparando seus aliados na Ásia para um confronto militar em larga escala com a China, diz o relatório da Fundação Roscongress EUA vs China: geografia, escala de construção e implicações estratégicas, ao qual a Sputnik teve acesso.

“Os EUA estão formando uma base logística coerente para um confronto sustentável e de longo prazo com a China na região do Indo-Pacífico”, diz o documento.

“Os preparativos dos EUA para a guerra com a China começaram em 2014–2015: em seguida, foi iniciada uma construção em grande escala de um depósito de munições em Guam, foi concluído um acordo sobre cooperação de defesa expandida com as Filipinas”, apontam os autores da pesquisa.

Ao mesmo tempo, os EUA transferiram parte de seus gastos para seus aliados, forçando-os a aumentar os gastos com defesa e efetivamente construir por conta própria um sistema de dissuasão oneroso em prol dos interesses dos EUA, aprofundando sua dependência tecnológica e operacional de Washington.

“Os EUA estão construindo propositadamente uma infraestrutura logística profundamente integrada e ramificada na Ásia, transformando os principais estaleiros dos aliados em um elemento estratégico de seu poder naval”, diz o documento.

Isso permitirá que os americanos operem de forma eficaz em todas as importantes zonas marítimas da região, dos mares do Japão (também conhecido como mar do Leste) e do Sul da China à parte leste do oceano Índico.

Um helicóptero Blackhawk UH-60 tenta pousar durante ataque simulado STX dos EUA em uma competição sobre qual seria o melhor esquadrão no Camp Humphreys em Pyeongtaek, Coreia do Sul, 4 de maio de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 16.12.2024

“O desenvolvimento desta rede estratégica poderia ser uma mudança da manutenção para a produção conjunta de navios de guerra, possível no caso da revisão pelos EUA da emenda Byrnes-Tollefson que proíbe a construção de cascos e componentes principais para Marinha, Corpo dos Fuzileiros Navais e Guarda Costeira dos EUA em estaleiros estrangeiros. Tal passo pode reduzir significativamente o custo e acelerar a expansão da frota dos EUA”, acreditam os especialistas.

Em paralelo com a criação de infraestrutura de reparação para navios de guerra, os EUA estão criando reservas estratégicas de combustível na região, implementando um extenso programa de modernização da infraestrutura militar da Segunda Guerra Mundial e expandindo os estoques de munições.

De acordo com os especialistas, isso cria uma situação completamente nova para a China. “A República Popular da China tem que lidar não com um Exército distante dos EUA, mas com vizinhos militarizados atrás dos quais estão as forças americanas. Esta circunstância muda o equilíbrio de poder na região”, diz o relatório.

*Sputnik


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Recorde: China investe R$ 3 trilhões em inovação e lidera transição energética global em 2025

Intensidade de gastos em pesquisa atinge 2,8% do PIB, superando média da OCDE; manufatura de alta tecnologia cresce 9,4%

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A China investiu 3,9262 trilhões de yuans (R$ 3 trilhões) em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) experimental em 2025, informou nesta segunda-feira (19), o diretor do Escritório Nacional de Estatísticas, Kang Yi. A cifra representa um aumento de 8,7% em relação aos 3,613 trilhões de yuans (R$ 2,7 tri) de 2024. A intensidade de gastos (proporção do PIB investido em P&D) foi de 2,8% do PIB, crescimento de 0,12 ponto percentual em relação aos 2,68% de 2024, e superando pela primeira vez a média dos países da OCDE.

De acordo com a Organização Mundial da Propriedade Intelectual, o índice de inovação da China entrou pela primeira vez entre os dez primeiros do mundo. Durante o 14º Plano Quinquenal (2021-2025), o investimento total em P&D cresceu a uma taxa média anual de 10%, com a intensidade aumentando 0,44 ponto percentual ao longo dos cinco anos.

“A China alcançou sucessos frequentes em campos de ponta, como inteligência artificial, tecnologia quântica e interfaces cérebro-computador, com o surgimento de diversas conquistas importantes em pesquisa científica”, destacou Kang Yi em coletiva de imprensa sobre o desempenho econômico de 2025. O voo inaugural bem-sucedido do veículo aéreo não tripulado “Jiutian”, o lançamento da missão “caça-estrelas” do Tianwen-2 e o trem de alta velocidade CR450 estabelecendo novo recorde de “velocidade chinesa” são alguns dos exemplos dos avanços científicos e tecnológicos do país.

Nova qualidade das forças produtivas impulsionam manufatura avançada
O valor agregado da manufatura de alta tecnologia cresceu 9,4% em 2025, representando 17,1% do valor agregado das indústrias acima do porte designado, segundo o diretor do Departamento de Estatísticas Econômicas Gerais, Fu Linghui. O setor de fabricação de equipamentos alcançou participação de 36,8%, aumento de 2,2 pontos percentuais.

“Robôs humanoides passaram de aparecer no palco do Festival da Primavera para participar de competições e agora estão entrando em fábricas em unidades organizadas”, exemplificou Kang Yi ao destacar o avanço das forças produtivas de nova qualidade. A produção de robôs industriais cresceu 28%, e a de drones civis aumentaram 37,3%.

A fabricação de circuitos integrados registrou crescimento de 26,7%, enquanto dispositivos optoeletrônicos avançaram 18,8%. A produção de chips de memória cresceu 22,8% e servidores 12,6%, impulsionada pelo desenvolvimento de inteligência artificial.

O valor agregado da indústria de manufatura de produtos digitais cresceu 9,3%, contribuindo com 20,3% para a taxa de crescimento geral das indústrias acima do porte estipulado. A produção de equipamentos para estações base de comunicação móvel aumentou 13,5%, enquanto smartphones 5G cresceram 12,5%.

Transição energética avança

No ano passado, pela primeira vez, a capacidade instalada de energia eólica e solar ultrapassou pela primeira vez a de energia termoelétrica, segundo o diretor do Departamento de Estatísticas de Energia, Hu Hanzhou. A proporção de energia não fóssil no consumo total aumentou cerca de 2 pontos percentuais, superou o petróleo e se tornou a segunda maior fonte de energia.

A geração de energia a partir de fontes renováveis – hidrelétrica, nuclear, eólica e solar – por empresas de grande porte (com receita operacional anual principal igual ou superior a 20 milhões de yuans ou R$ 15,4 milhões) atingiu 3.421,3 bilhões de quilowatts-hora, crescimento de 8,8%, representando 35,2% da geração total, aumento de 2,1 pontos percentuais. A geração solar avançou 24,4%, enquanto a eólica cresceu 9,7%.

A capacidade instalada mede o potencial máximo de geração de energia em um determinado momento (em quilowatts), enquanto a geração de energia refere-se à eletricidade efetivamente produzida em um período (em quilowatts-hora); a primeira representa a capacidade disponível, a segunda o resultado concreto da produção.

“A capacidade instalada de armazenamento de novas energias ultrapassou 100 milhões de quilowatts, representando mais de 40% da capacidade global e ocupando o primeiro lugar mundial”, afirmou Hu Hanzhou.

Tanto a produção anual quanto o volume de vendas anuais de veículos de nova energia ultrapassaram, cada um, a marca de 16 milhões de unidades, mantendo o primeiro lugar mundial pelo 11º ano consecutivo. A produção de baterias de íon-lítio para automóveis cresceu 41,7%, e as estações de carregamento aumentaram 11%. A produção de geradores para turbinas eólicas avançou 48,9% e carbonato de lítio 57,1%.

Estimativas preliminares indicam que após excluir do cálculo o consumo de energia usado como matéria-prima e o consumo de fontes não fósseis, o consumo de energia por unidade de PIB caiu mais de 5%.”

Esse indicador mede quanta energia é necessária para produzir riqueza. Sua redução indicaria maior eficiência energética. Nesse caso, também são excluídos os combustíveis como matéria-prima, como por exemplo o petróleo para fabricação de plástico, e as energias renováveis.

Setor de serviços lidera contribuição ao crescimento
O setor de serviços registrou valor agregado de 80,9 trilhões de yuans ou R$ 60,68 trilhões, crescimento de 5,4%, contribuindo com 61,4% para o crescimento econômico nacional, segundo o diretor do Centro de Pesquisa do Setor de Serviços, Peng Yongtao. A participação do setor no PIB alcançou 57,7%, aumento de 0,9 ponto percentual.

O valor agregado da transmissão de informações, software e serviços de tecnologia da informação cresceu 11,1%, enquanto leasing e serviços empresariais avançaram 10,3%. Esses dois setores representaram 9,6% do PIB, aumento de 0,6 ponto percentual.

As vendas no varejo de serviços aumentaram 5,5%, superando em 1,7 ponto percentual o crescimento das vendas de mercadorias. “O consumo dos residentes está passando de um foco primário em bens para um equilíbrio entre bens e serviços”, explicou Kang Yi. O gasto per capita com consumo de serviços representou 46,1% do gasto total de consumo.

De janeiro a novembro, a receita operacional de empresas de grande porte nos setores de serviços emergentes estratégicos e nos setores de serviços de alta tecnologia aumentou 9,9% e 8,6%, respectivamente. Os serviços de comércio eletrônico e P&D mantiveram crescimento de dois dígitos, com aumentos de 14,1% e 10,5%.

As vendas online no varejo cresceram 8,6%, impulsionadas por novos modelos como comércio eletrônico por transmissões ao vivo e varejo instantâneo. O volume de transações de e-commerce por transmissões ao vivo aumentou 11,3%.

Desafios estruturais e perspectivas para 2026
Apesar dos avanços, as autoridades reconheceram desafios persistentes. “O impacto das mudanças no ambiente externo está se aprofundando, a contradição entre a forte oferta e a fraca demanda é evidente internamente”, admitiu Kang Yi, destacando riscos ocultos em áreas-chave.

O Índice de Preços ao Consumidor manteve-se estável durante o ano, com alta de 0,8% em dezembro, maior aumento desde março de 2023. O núcleo do IPC, excluindo alimentos e energia, subiu 0,7% no ano, permanecendo acima de 1% por quatro meses consecutivos desde setembro.

Para 2026, início do 15º Plano Quinquenal, o governo implementará políticas macroeconômicas mais proativas. O primeiro lote de 62,5 bilhões de yuans em títulos do tesouro especiais de ultralongo prazo já foi alocado antecipadamente para expandir demanda interna.

“As oportunidades superam os desafios e as condições favoráveis superam os fatores desfavoráveis”, afirmou Kang Yi. A contribuição média anual da China para o crescimento econômico global durante o 14º Plano Quinquenal atingiu cerca de 30%, consolidando o país como principal motor do crescimento mundial.


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EUA querem Groenlândia para barrar China no Ártico, dizem analistas

Controle da navegação comercial do oceano é do interesse de Washington

Controlar todas as rotas marítimas para dificultar o comércio da China está por trás da intenção dos Estados Unidos (EUA) de invadir e anexar a Groenlândia, segundo avaliam especialistas em relações internacionais e geopolítica consultados pela Agência Brasil.

O Oceano Ártico liga Ásia, Europa e América do Norte e, com as mudanças climáticas, espera-se que o derretimento das calotas polares reduza o preço de frete nessa região nas próximas décadas.

Em documento publicado em 2018, a China se classificou como um país “quase-ártico” e tem atuado em cooperação com a Rússia para aumentar sua presença no menor dos oceanos do planeta.

O major-general português Agostinho Costa, especialista em assuntos de segurança e geopolítica, explicou que os EUA já controlam praticamente todas as rotas comerciais e oceanos, mas que têm uma presença reduzida no Ártico.

“[A anexação da Groenlândia] é uma política de controle de rotas marítimas com o objetivo de bloquear a China. Os EUA controlam o Pacífico e o Atlântico, agora falta controlar o Ártico. Eles vivem mal com a ideia de, em um oceano tão importante como é o Ártico, ter uma presença residual”, explica o militar, ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal.

Brasília (DF), 26/06/2025 – major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica e ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal.
Foto: Pekka Kallioniemi/X
Major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica e ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal – Foto: Pekka Kallioniemi/X
Observações de satélite da Nasa (agência espacial dos EUA) apontam que o gelo marinho está caindo 13% por década e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), avalia que o Ártico pode ficar sem gelo entre 2050 e 2070.

“Com o aquecimento global, a rota do Ártico diminui o tempo de navegação entre a China e a Europa”, lembra o general português Agostinho Costa, acrescentando que 80% do comércio global se faz pelos mares.

O cientista político Ali Ramos, autor de estudos sobre a Ásia, destacou que o derretimento das calotas polares na Rota do Norte deve baratear o frete marítimo entre os continentes em mais de um terço.

“A Rússia tem mais que o dobro de bases da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] no Ártico e a China recentemente emitiu um documento se considerando um país do entorno do Ártico, provavelmente em colaboração com os russos. O Trump precisa do Canadá e da Groenlândia para dissuasão, bases, mísseis e etc”, comentou.

Brasília (DF), 17/06/2025 – O cientista político com estudos sobre Ásia e o mundo islâmico, Ali Ramos. Foto: Ali Ramos/Arquivo Pessoal
Cientista político com estudos sobre Ásia e o mundo islâmico Ali Ramos – Foto: Ali Ramos/Arquivo Pessoal
Em documento publicado ainda durante o governo do americano Joe Biden, em 2024, o Departamento de Defesa dos EUA expressou a importância do Oceano Ártico para frear os concorrentes de Washington no cenário global.

“Grandes mudanças geopolíticas estão impulsionando a necessidade desta nova abordagem estratégica para o Ártico, incluindo a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, a adesão da Finlândia e da Suécia à Aliança da Otan, a crescente colaboração entre a República Popular da China (RPC) e a Rússia e os impactos acelerados das mudanças climáticas”, diz o documento.

A Rússia tem 54% do litoral do Ártico e essa posição privilegiada dá à Moscou condições favoráveis para definir as rotas marítimas.

“Se a Rota Marítima do Norte se tornar um elo vital no transporte marítimo global, o controle quase total da Rússia sobre a rota lhe daria uma alavanca econômica e diplomática para expandir sua influência regional”, avalia Lee Mottola, especialista em Conflito, Segurança e Desenvolvimento em artigo publicado no Instituto do Ártico.

O analista afirma ainda que a China deseja usar o Ártico para driblar o controle que os EUA impõem em pontos de estrangulamento geopolítico da navegação global, como os estreitos de Malaca e o de Gibraltar.

“A continuidade da cooperação sino-russa em fatores econômicos e estratégicos é uma razão importante para que a Otan redobre seus esforços e atenção no Norte”, acrescenta Mottola.

Ameaça
Com apenas 56 mil habitantes, a Groenlândia é um território semiautônomo do Reino da Dinamarca. Desde que assumiu seu segundo mandato, o presidente dos EUA, Donald Trump, tem

ameaçado invadir e anexar a região, medida que é criticada pelos próprios aliados europeus.

“Precisamos da Groenlândia para nossa segurança nacional. Se você olhar para Groenlândia, olhar para cima e para baixo da costa, tem navios russos e chineses por todas as partes”, alertou o chefe da Casa Branca um dia após bombardear e invadir a Venezuela.

O major-general português Agostinho Costa destaca que o governo Trump tem adotado medidas semelhantes à de séculos passados.

“A primeira coisa que Trump fez quando assumiu o poder foi falar que queria o Canal do Panamá, que queria o Canadá como 51º estado dos EUA e que quer a Groenlândia. É uma estratégia que nos faz voltar ao século 15 ou 16, da pirataria, do controle dos mares”, concluiu.

Controlar todas as rotas marítimas para dificultar o comércio da China está por trás da intenção dos Estados Unidos (EUA) de invadir e anexar a Groenlândia, segundo avaliam especialistas em relações internacionais e geopolítica consultados pela Agência Brasil

O Oceano Ártico liga Ásia, Europa e América do Norte e, com as mudanças climáticas, espera-se que o derretimento das calotas polares reduza o preço de frete nessa região nas próximas décadas.

Em documento publicado em 2018, a China se classificou como um país “quase-ártico” e tem atuado em cooperação com a Rússia para aumentar sua presença no menor dos oceanos do planeta.

O major-general português Agostinho Costa, especialista em assuntos de segurança e geopolítica, explicou que os EUA já controlam praticamente todas as rotas comerciais e oceanos, mas que têm uma presença reduzida no Ártico.

“[A anexação da Groenlândia] é uma política de controle de rotas marítimas com o objetivo de bloquear a China. Os EUA controlam o Pacífico e o Atlântico, agora falta controlar o Ártico. Eles vivem mal com a ideia de, em um oceano tão importante como é o Ártico, ter uma presença residual”, explica o militar, ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal.

Brasília (DF), 26/06/2025 - major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica e ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal.
Foto: Pekka Kallioniemi/X
Major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica e ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal – Foto: Pekka Kallioniemi/X

Observações de satélite da Nasa (agência espacial dos EUA) apontam que o gelo marinho está caindo 13% por década e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), avalia que o Ártico pode ficar sem gelo entre 2050 e 2070.

“Com o aquecimento global, a rota do Ártico diminui o tempo de navegação entre a China e a Europa”, lembra o general português Agostinho Costa, acrescentando que 80% do comércio global se faz pelos mares.

O cientista político Ali Ramos, autor de estudos sobre a Ásia, destacou que o derretimento das calotas polares na Rota do Norte deve baratear o frete marítimo entre os continentes em mais de um terço.

“A Rússia tem mais que o dobro de bases da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] no Ártico e a China recentemente emitiu um documento se considerando um país do entorno do Ártico, provavelmente em colaboração com os russos. O Trump precisa do Canadá e da Groenlândia para dissuasão, bases, mísseis e etc”, comentou.

Brasília (DF), 17/06/2025 - O cientista político com estudos sobre Ásia e o mundo islâmico, Ali Ramos. Foto: Ali Ramos/Arquivo Pessoal
Cientista político com estudos sobre Ásia e o mundo islâmico Ali Ramos – Foto: Ali Ramos/Arquivo Pessoal

Em documento publicado ainda durante o governo do americano Joe Biden, em 2024, o Departamento de Defesa dos EUA expressou a importância do Oceano Ártico para frear os concorrentes de Washington no cenário global.

“Grandes mudanças geopolíticas estão impulsionando a necessidade desta nova abordagem estratégica para o Ártico, incluindo a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, a adesão da Finlândia e da Suécia à Aliança da Otan, a crescente colaboração entre a República Popular da China (RPC) e a Rússia e os impactos acelerados das mudanças climáticas”, diz o documento.

A Rússia tem 54% do litoral do Ártico e essa posição privilegiada dá à Moscou condições favoráveis para definir as rotas marítimas.

“Se a Rota Marítima do Norte se tornar um elo vital no transporte marítimo global, o controle quase total da Rússia sobre a rota lhe daria uma alavanca econômica e diplomática para expandir sua influência regional”, avalia Lee Mottola, especialista em Conflito, Segurança e Desenvolvimento em artigo publicado no Instituto do Ártico.

O analista afirma ainda que a China deseja usar o Ártico para driblar o controle que os EUA impõem em pontos de estrangulamento geopolítico da navegação global, como os estreitos de Malaca e o de Gibraltar.

“A continuidade da cooperação sino-russa em fatores econômicos e estratégicos é uma razão importante para que a Otan redobre seus esforços e atenção no Norte”, acrescenta Mottola.

Ameaça

Com apenas 56 mil habitantes, a Groenlândia é um território semiautônomo do Reino da Dinamarca. Desde que assumiu seu segundo mandato, o presidente dos EUA, Donald Trump, tem ameaçado invadir e anexar a região, medida que é criticada pelos próprios aliados europeus.

“Precisamos da Groenlândia para nossa segurança nacional. Se você olhar para Groenlândia, olhar para cima e para baixo da costa, tem navios russos e chineses por todas as partes”, alertou o chefe da Casa Branca um dia após bombardear e invadir a Venezuela.

O major-general português Agostinho Costa destaca que o governo Trump tem adotado medidas semelhantes à de séculos passados.

“A primeira coisa que Trump fez quando assumiu o poder foi falar que queria o Canal do Panamá, que queria o Canadá como 51º estado dos EUA e que quer a Groenlândia. É uma estratégia que nos faz voltar ao século 15 ou 16, da pirataria, do controle dos mares”, concluiu.

Mapa Groenlândia e Mar Ártico
Mapa Groenlândia e Mar Ártico – Arte/EBC
*Agência Brasil

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Mundo

China pede garantias de segurança e libertação imediata de Maduro e esposa

País expressou ‘profunda preocupação’ com prisão do líder venezuelano e disse que EUA violam claramente o direito internacional

A China pediu aos Estados Unidos que libertem “imediatamente” o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, informou o Ministério das Relações Exteriores chinês neste domingo (04/01).

“A China expressa profunda preocupação com a prisão forçada do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa pelos Estados Unidos e sua expulsão do país. A ação dos EUA viola claramente o direito internacional, as normas básicas das relações internacionais e os propósitos e princípios da Carta da ONU”, afirma a chancelaria chinesa, em comunicado.

A China pediu aos Estados Unidos que libertem “imediatamente” o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, informou o Ministério das Relações Exteriores chinês neste domingo (04/01).

“A China expressa profunda preocupação com a prisão forçada do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa pelos Estados Unidos e sua expulsão do país. A ação dos EUA viola claramente o direito internacional, as normas básicas das relações internacionais e os propósitos e princípios da Carta da ONU”, afirma a chancelaria chinesa, em comunicado.

Violação das regras internacionais
O texto também ressalta que “a agressão injustificável dos EUA destrói qualquer autoridade moral que [Washington] possa ter reivindicado“. “As regras internacionais se aplicam a todos, não apenas a alguns. Quando os mais fortes escolhem desrespeitar a lei, a cerca de regras se enfraquece para todos”, afirma o texto.

Pequim lembra que “tais padrões duplos esvaziam o direito internacional e convidam a um mundo onde o poder faz a justiça — um resultado que nenhum país, especialmente aqueles comprometidos com a paz e o desenvolvimento, deveria aceitar”.

O editorial também condena a justificativa de combate ao narcotráfico oferecida por Washington, afirmando que a alegação “não legitima nem pode legitimar a invasão de uma capital, o bombardeio de territórios soberanos ou a remoção de um chefe de Estado”.

“Tal raciocínio, se aceito, concederia às nações poderosas uma licença universal para intervenção militar, indo diretamente contra os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”, adverte.

No próprio sábado (03/01), após os ataques contra Caracas, a chancelaria chinesa instou “os EUA a respeitarem o direito internacional e os princípios da Carta da ONU e a parar de violar a soberania e a segurança de outros países”.

O país é um dos maiores compradores de petróleo da Venezuela. Ao ser questionado sobre isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que continuará vendendo o combustível e, agora, em “volumes muito maiores” aos países que já o comercializam e “que muitos outros virão”.

Coréia do Norte
O Ministério das Relações Exteriores norte-coreano também se manifestou. Neste domingo (04/01), a Coréia do Norte afirmou que os ataques dos Estados Unidos são a “forma mais grave de violação de soberania” e disse que o país está atento à gravidade da atual situação na Venezuela.

Em comunicado, o país afirma que “o incidente é mais um exemplo que confirma, claramente, mais uma vez, a natureza desonesta e brutal dos EUA” e que ele terá “consequências catastróficas” na estrutura “das relações regionais e internacionais”.

*Opera Mundi


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Brasil Mundo

China apoia maior participação da Malásia no BRICS após Lula sugerir que país seja membro pleno

País parceiro desde janeiro, Malásia pode ser o segundo país do sudeste asiático com direito a voto no bloco

O governo chinês manifestou apoio à participação da Malásia no BRICS, reforçando a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante visita oficial a Kuala Lumpur, que apontou o desejo de que o país seja membro pleno.

Em resposta ao Brasil de Fato, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que o Brics acolhe favoravelmente a Malásia e outros países interessados na cooperação. Atualmente, o país do sudeste asiático é membro parceiro, sem direito a voto;

Na coletiva após a participação brasileira na 47ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), Lula disse que a Malásia “terá o apoio do Brasil para ser membro pleno do BRICS”.

Em resposta a uma jornalista da Bernama, a Agência Nacional de Notícias da Malásia, o presidente brasileiro destacou a cordialidade da população local e elogiou o primeiro-ministro Anwar Ibrahim durante coletiva de imprensa na capital malásia.

Guo Jiakun disse que o BRICS representa “uma plataforma importante para a cooperação entre mercados emergentes e países em desenvolvimento”, destacando o papel do grupo na promoção da multipolaridade mundial e na democratização das relações internacionais.

“O Brics valoriza a vontade ativa dos parceiros do Sul Global em participar da cooperação Brics e dá boas-vindas à Malásia e mais parceiros com objetivos comuns para participar da cooperação BRICS”, afirmou o porta-voz.

A Malásia já participa do Brics como país parceiro desde 1º de janeiro de 2025, junto com Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Tailândia, Uganda e Uzbequistão. A Nigéria confirmou sua adesão como parceira em 17 de janeiro. A categoria de país parceiro foi criada durante a cúpula de Kazan, na Rússia, em outubro de 2024, e permite participação em reuniões de cúpula e de chanceleres, mas sem direito a voto em decisões.

A busca pela membresia plena representaria uma ascensão no status do país asiático dentro do mecanismo. O Brics conta atualmente com 11 membros plenos: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (fundadores), além de Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos (que ingressaram em 1º de janeiro de 2024) e Indonésia, cuja entrada foi anunciada pela presidência brasileira em 6 de janeiro de 2025.

Durante a visita a Kuala Lumpur, Lula enfatizou as semelhanças culturais entre Brasil e Malásia. “Em cada lugar que eu chego, parece que eu conheço todo mundo. Tem sempre alguém rindo, tem sempre alguém gentil, ou seja, é um pouco do povo brasileiro”, declarou o presidente, que classificou como “maravilhosa” sua impressão sobre o primeiro-ministro Anwar Ibrahim.

O BRICS representa aproximadamente 41,4% do PIB mundial em paridade de poder de compra, segundo dados do Fundo Monetário Internacional de outubro de 2024. Com a inclusão da Indonésia e dos países parceiros, o mecanismo ampliou significativamente sua representatividade no Sul Global. A possível ascensão da Malásia de parceira a membro pleno consolidaria ainda mais a presença do grupo no Sudeste Asiático, região com crescente relevância nas dinâmicas comerciais e geopolíticas globais.

*BdF


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Brasil Mundo

A grande mídia brasileira e a submissão aos Estados Unidos

Os dois maiores parceiros comerciais do Brasil são a China e os Estados Unidos.

A China é o principal destino das exportações brasileiras, especialmente de commodities como soja, minério de ferro e carne, enquanto os Estados Unidos são o segundo maior parceiro, com destaque para o comércio de bens industrializados e agrícolas.

Balança Comercial do Brasil com a China em 2024
De acordo com dados oficiais da Administração Geral das Alfândegas da China e análises do IBRE/FGV, o comércio bilateral entre Brasil e China totalizou US$ 188,17 bilhões em 2024, com crescimento de 3,5% em relação a 2023.

O Brasil manteve um superávit comercial significativo, impulsionado principalmente pelas exportações de commodities agrícolas e minerais, enquanto as importações de produtos manufaturados (como veículos elétricos e autopeças) cresceram expressivamente.

Principais produtos exportados pelo Brasil: Soja, minério de ferro, carne bovina, petróleo, milho e café.

Principais produtos importados do China: Veículos elétricos (149,9 mil unidades importadas de jan-nov), eletrônicos e bens de capital.

Balança Comercial do Brasil com os Estados Unidos em 2024
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC) e análises econômicas indicam que o comércio de bens e serviços com os EUA resultou em um déficit para o Brasil de mais de US$ 28 bilhões em 2024.

Isso reflete o maior volume de importações de bens industriais e serviços (como tecnologia e remessas), enquanto as exportações brasileiras cresceram, mas não o suficiente para equilibrar a balança.

Principais produtos exportados pelo Brasil: Petróleo bruto, semimanufaturados de ferro/aço, café, óleos combustíveis, celulose e carne.

Principais produtos importados dos EUA: Aeronaves, combustíveis refinados, máquinas e serviços (TI, remessas de dólares).

Esses resultados destacam a complementaridade: superávit com a China em commodities e déficit com os EUA em bens de alto valor agregado.

Para 2025, incertezas como tarifas propostas pelo governo Trump podem impactar o comércio com os EUA.

Por que a mídia brasileira dá mais atenção à relação comercial com os EUA e menos à parceria com a China?

A pergunta toca em um desequilíbrio notório na cobertura jornalística brasileira, que prioriza narrativas sobre os Estados Unidos enquanto marginaliza a China, apesar de esta ser o maior parceiro comercial do Brasil há mais de 15 anos, com um superávit de cerca de US$ 44 bilhões em 2024, contra um déficit de US$ 28 bilhões com os EUA.

Essa assimetria não é casual. Reflete fatores históricos, ideológicos, econômicos e geopolíticos.

Em última análise, a mídia, que reflete as classes economicamente dominantes no Brasil, escancara a submissão aos EUA e, junto, um puro preconceito com a China.

Ou seja, a coisa é tocada por puro viés Ideológico e Sinofobia Estrutural.


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