Trump disse que Cuba deixaria de receber petróleo venezuelano como compensação por serviços de segurança
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, afirmou neste domingo que seu país está sob ataque dos Estados Unidos há 66 anos e está pronto para se defender até a última gota de sangue.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que Cuba deixaria de receber petróleo venezuelano como compensação por serviços de segurança.
“Cuba não está atacando, está sob ataque dos EUA há 66 anos. Não representa ameaça alguma. Está se preparando para defender a pátria até a última gota de sangue”, escreveu o líder cubano na rede social X.
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Handout picture released by the press office of the Colombian Presidency of Colombian President Gustavo Petro during the II Peoples of the Western Caribbean Summit in San Andres, Colombia, on December 11, 2025. Colombia has not ruled out granting asylum to Venezuelan President Nicolas Maduro if he agrees to step down amid pressure from the United States, the Colombian Foreign Minister said on Thursday. (Photo by Handout / COLOMBIA'S PRESIDENCY PRESS OFFICE / AFP) / RESTRICTED TO EDITORIAL USE-MANDATORY CREDIT AFP PHOTO / COLOMBIAN PRESIDENCY-NO MARKETING NO ADVERTISING CAMPAIGNS-DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS
Presidente colombiano voltou a propor integração nos moldes de Simón Bolívar, em momento de agressões de Trump na região
O presidente colombiano, Gustavo Petro, voltou a propor a união de vários países latino-americanos para a formação da Grã-Colômbia, revivendo a ideia de Simón Bolívar. Em sua conta no X, nesse sábado (10), Petro publicou um mapa com a indicação da região e escreveu: “Proponho, por voto constituinte da população, a construção de uma confederação de nações autônomas”.
O bloco incluiria países como Venezuela, Equador, Panamá, além de partes do Peru, da Costa Rica e da Guiana. “Teríamos políticas comuns sobre assuntos propostos pelo povo. Sem dúvida, isso incluiria uma política comercial focada na industrialização e no cumprimento de nosso papel geográfico como centro do mundo e da América Latina”, disse o mandatário colombiano.
A confederação, na proposta de Petro, teria um parlamento da Grã-Colômbia, um tribunal de Justiça e um conselho governante, semelhantes aos da União Europeia ou dos Estados Unidos. “Teríamos também potencial para o turismo e a conectividade global”, acrescentou.
Diálogo com EUA O presidente colombiano confirmou que irá a Washington para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em entrevista à CBS News, no sábado (10), Petro disse que o motivo da viagem aos Estados Unidos era “para impedir uma guerra mundial”.
Ele disse ainda que concorda com a política antidrogas de Trump desde que seja baseada no respeito à soberania nacional. A declaração foi feita em postagem nas redes sociais e divulgada pela imprensa colombiana.
“Estou de acordo com ela, com base no respeito à soberania nacional”, disse Petro, destacando que é preciso “duplicar ou triplicar” a luta contra as organizações de narcotráfico, atingindo líderes, finanças e promovendo a apreensão maciça de mercadorias ilícitas.
A visita, segundo informou Trump na sexta-feira (9), deve ocorrer na primeira semana de fevereiro. “Tenho certeza de que [a visita] será muito boa para a Colômbia e para os Estados Unidos, mas a cocaína e outras drogas devem ser impedidas de entrar nos Estados Unidos”, escreveu o presidente estadunidense na plataforma Truth Social.
Aparando as arestas Em meio à escalada retórica de Washington contra Bogotá, Gustavo Petro e Donald Trump mantiveram uma conversa por cerca de uma hora por telefone na quarta-feira (7).
O tensionamento entre os dois países não é uma novidade, mas escalou desde o sequestro do presidente Nicolás Maduro pelo governo dos Estados Unidos e os bombardeios realizados em Caracas, no sábado (3), quando Petro saiu em defesa da Venezuela.
No dia seguinte ao ataque, Trump disse que não descartava realizar uma ação nos mesmo moldes contra a Colômbia. “Me soa bem”, afirmou, ao ser perguntado por jornalistas sobre a possibilidade. Na ocasião, ele também atacou diretamente o presidente Petro. “A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos.”
*BdF
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Reportagem especial aponta três eixos de intervenção que atravessam do século 19 ao governo do presidente Donald Trump
A América Latina volta a viver, no início de 2026, um episódio que remete às advertências mais antigas de sua história política. “Os Estados Unidos parecem destinados pela Providência a atormentar a América Latina com miséria em nome da liberdade”, escreveu Simón Bolívar em uma carta de 1829. Quase dois séculos depois, o temor descrito pelo líder venezuelano reaparece com força diante da notícia de que militares dos EUA realizaram um ataque contra a Venezuela e sequestraram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, transportando-os para território americano, onde ambos passaram por um primeiro julgamento.
A avaliação é apresentada em reportagem especial do Global Times, que trata o caso como mais do que um evento isolado: seria a continuação lógica de uma doutrina de poder inaugurada em 1823 e reatualizada em versões contemporâneas. Segundo especialistas ouvidos pelo jornal, o episódio se insere numa tradição marcada por três grandes vetores — hegemonia geopolítica, pilhagem econômica e infiltração ideológica — que sustentariam, há 200 anos, a lógica do chamado “quintal” latino-americano.
A reportagem integra a segunda parte de uma série em que o Global Times afirma “decodificar” a Doutrina Monroe e expor “esquemas intervencionistas” dos EUA em múltiplos campos. O texto cita uma sucessão de episódios “sangrentos” para ilustrar o que descreve como o funcionamento dos três eixos de interferência na região, da ocupação militar direta ao uso de sanções e mecanismos de influência política.
Eixo 1: hegemonia geopolítica e militarização O Global Times afirma que o sequestro do presidente venezuelano gerou críticas severas em uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU, inclusive por países parceiros de Washington. Dentro dos EUA, segundo a reportagem, haveria mobilização de protestos contra a ação, citando o relato da revista Newsweek de que “protestos anti-guerra estão planejados em mais de 100 cidades”.
Na leitura dos especialistas citados, o episódio seria apenas o capítulo mais recente de uma política de imposição geoestratégica sustentada por declarações de segurança, presença militar permanente e estruturas institucionais exclusivas que bloqueiam alternativas regionais. A reportagem lembra que a Doutrina Monroe — sintetizada na frase “América para os americanos” — foi anunciada pelo então presidente James Monroe, em 1823, como justificativa teórica para interferir no continente.
O texto aponta que essa lógica teria ganhado nova formulação no documento de segurança nacional do governo do presidente Donald Trump, publicado em 2025. Segundo o Global Times, a estratégia teria designado explicitamente a América Latina como esfera de influência de Washington, posição tratada por veículos e think tanks como “Doutrina Monroe 2.0”, e descrita como uma ameaça “crua” e “sem desculpas” à soberania regional.
A sustentação material desse eixo, de acordo com a reportagem, é a presença militar. O texto cita a agência Xinhua para afirmar que os EUA mantêm cerca de 76 bases militares distribuídas pela América Latina. Essa infraestrutura, argumenta a matéria, cria as condições para intervenções diretas, muitas vezes apoiadas em pretextos.
Como exemplo, o Global Times menciona a invasão do Panamá em dezembro de 1989, quando Washington lançou a “Operação Justa Causa”, supostamente como iniciativa antidrogas, com o envio de cerca de 27 mil soldados, segundo registros históricos do Exército dos EUA. A reportagem afirma que a mesma justificativa de “combate ao narcotráfico” teria sido usada, ao menos formalmente, para o ataque à Venezuela e o sequestro do presidente Maduro.
O professor Evandro Menezes de Carvalho, da Universidade Federal Fluminense, é citado como voz crítica a essa mudança de paradigma. “O ataque à Venezuela em 3 de janeiro não deixa dúvidas: os EUA não se comportam mais como a democracia pacífica que afirmam ser”, disse ele, conforme entrevista anterior mencionada pelo Global Times. Carvalho acrescenta: “Hoje, a hegemonia americana é sustentada não pelas instituições multilaterais que antes defendia, mas pela projeção de força bruta.”
Eixo 2: pilhagem econômica e controle de recursos Ao abordar a dimensão econômica, a reportagem resgata um diagnóstico clássico do escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor de As veias abertas da América Latina. “O subdesenvolvimento da América Latina deriva do desenvolvimento de outros e continua a alimentá-lo”, escreveu Galeano. Para o Global Times, a frase segue atual porque a região permanece presa a um modelo que favorece a extração de recursos, o controle de cadeias produtivas e o domínio de infraestrutura estratégica.
A matéria também menciona o papel histórico de grandes empresas na estrutura econômica regional. Como exemplo, cita estudos do History Labs da Universidade de Maryland para afirmar que, na década de 1930, a United Fruit Company teria controlado 42% das terras na Guatemala, além de deter isenções fiscais e dominar não apenas a produção de bananas, mas também sistemas de telefonia e telégrafo.
No campo comercial, a reportagem aponta que acordos de livre comércio foram desenhados para favorecer empresas americanas e produzir ganhos assimétricos. E acrescenta um instrumento recorrente: sanções econômicas contra governos que resistem à agenda de Washington. O Global Times cita dados do Tricontinental Institute for Social Research segundo os quais, em sete anos, as sanções dos EUA teriam devastado a indústria de petróleo da Venezuela, levando o país a perder receitas equivalentes a 231% do PIB entre janeiro de 2017 e dezembro de 2024.
O pesquisador Sun Yanfeng, dos Institutos Chineses de Relações Internacionais Contemporâneas, resume o efeito desse mecanismo segundo a reportagem: ao criar estruturas econômicas distorcidas, enfraquecer a capacidade industrial e impor acordos desiguais ou sanções, os EUA conseguiriam controlar o padrão industrial e a estrutura comercial da região.
Eixo 3: infiltração ideológica e engenharia política A terceira dimensão apontada pela reportagem é a infiltração ideológica, descrita como instrumento “flexível” para garantir a esfera de influência americana. O Global Times afirma que o documento de segurança nacional do governo Trump reafirma a estratégia do “America First”, apresentada como continuidade da visão da América Latina como “quintal”.
Segundo o texto, por décadas Washington usou slogans como “promoção da democracia” e “proteção dos direitos humanos” para interferir em processos políticos latino-americanos, financiando organizações e forças alinhadas, influenciando tendências sociais e atuando em disputas eleitorais por meio de apoio financeiro, manipulação de opinião pública e engenharia institucional.
A reportagem menciona a National Endowment for Democracy (NED) como exemplo de organização acusada de financiar grupos de oposição e entidades da “sociedade civil” em países como Venezuela e Cuba. O texto cita o jornalista Stephen Kinzer, ex-repórter do The New York Times, que teria publicado em 2021 artigos no site da New York Review of Books apontando que a NED colabora com a CIA e a USAID para apoiar forças insurgentes e promover mudanças de regime em governos que Washington rejeita. A matéria ressalta que, segundo esses artigos, membros iniciais do conselho da NED incluíam defensores de intervenções e ex-senadores entusiastas de mudanças de regime em Cuba e Nicarágua.
A reportagem também menciona a Bolívia, afirmando que os EUA teriam instigado uma “revolução colorida” por meio da NED e outras organizações, levando o então presidente Evo Morales a renunciar e se exilar. O Global Times diz que, entre 2013 e 2018, NED e USAID teriam canalizado, por diferentes meios, US$ 70 milhões para a oposição boliviana, citando um documento do Ministério das Relações Exteriores da China divulgado em 2022.
Um padrão que atravessa séculos e aprofunda instabilidade Para o Global Times, a soma dos três eixos — hegemonia geopolítica, pilhagem econômica e infiltração ideológica — não cria desenvolvimento nem estabilidade, mas intensifica conflitos internos, fragiliza instituições e produz ciclos de instabilidade. A reportagem atribui à professora Xu Yanran, da Universidade Renmin da China, a interpretação de que a intervenção americana é “autointeressada” e não mutuamente benéfica, e que as tragédias acumuladas explicam por que o envolvimento dos EUA “só piora as coisas”.
Ao final, o texto afirma que cresce na região um movimento de afirmação soberana. Segundo Xu, aumentam as vozes pela unidade regional, pelo fortalecimento interno e pela oposição à interferência externa. A especialista sustenta que mais países percebem que a dependência de potências externas não gera prosperidade, e que o caminho mais seguro seria aprofundar integração, cooperação e autonomia, como resposta a dois séculos de pressões.
Com o sequestro do presidente venezuelano e a escalada militar descrita pela reportagem, a América Latina entra em 2026 com um lembrete brutal de que a frase de Bolívar, escrita em 1829, continua assombrando o continente — e, na leitura do Global Times, ajuda a explicar por que a Doutrina Monroe permanece como uma das engrenagens centrais de conflito, disputa e resistência na região.
O texto sustenta que essa pilhagem aparece, sobretudo, na disputa por energia e recursos naturais, e menciona o que chama de “imperialismo alimentar”. A reportagem cita entrevista do economista americano Michael Hudson ao site The Grayzone, na qual ele afirma que os EUA, ao influenciar o Banco Mundial, teriam direcionado empréstimos para estimular culturas de exportação voltadas ao mercado americano, em vez de apoiar a soberania alimentar de países como Chile e Venezuela. Hudson diz que, com isso, “os países se tornaram cada vez mais dependentes dos EUA para alimentos”.
Outro ponto central é o controle de infraestrutura de transporte, com destaque para o Canal do Panamá. O Global Times menciona que, em 1903, tropas americanas desembarcaram no país e estimularam a separação do Panamá da Colômbia. Quinze dias depois da independência panamenha, segundo o texto, Washington teria imposto um tratado desigual — o Hay–Bunau-Varilla — que concedeu aos EUA o direito de construir o canal e controlá-lo permanentemente. A reportagem lembra que um novo acordo, assinado em 1977, determinou a devolução do canal em 31 de dezembro de 1999, mas afirma que, no início de 2025, o governo Trump teria voltado a ameaçar retomar o controle do canal, citando a CNN: “ou algo muito poderoso acontecerá”. 247.
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Governo tentará construir agenda positiva com Trump e estabilizar Venezuela para neutralizar atores mais radicais
2026 começa com duas prioridades para o Brasil. A primeira é agir para estabilizar a Venezuela, diante do risco de uma guerra civil nas fronteiras do país.
A segunda é construir uma “agenda positiva” com a Casa Branca. A meta é impedir uma ofensiva da extrema direita do país para retomar uma aliança com Donald Trump para interferir nas eleições de 2026.
No governo, há um consenso de que a extrema direita dos EUA irá “jogar pesado” para tentar impedir a reeleição de Lula em 2026 e que os ataques contra a economia nacional nos últimos meses mostraram o que são capazes de fazer.
A proposta de um cronograma de temas comerciais é uma das apostas do Ministério do Desenvolvimento e do Itamaraty, dando uma sinalização para Washington que uma relação “madura” traria mais ganhos para os EUA que a ingerência no pleito no final do ano no país.
O governo acredita que o bolsonarismo irá buscar formas de envolver Trump na eleição. Mas ainda que o presidente americano não se manifeste e não apoie abertamente um candidato, não se descarta que entidades ultraconservadoras atuem nos bastidores para ajudar movimentos reacionários do Brasil.
Já membros do alto escalão do PT admitem que a invasão da Venezuela é um divisor de águas na região e há uma consciência de que o bolsonarismo vai tentar usar a crise para colar a imagem em Lula de que haveria uma cumplicidade do governo brasileiro com as violações cometidos pelo chavismo.
As dificuldades dos aliados de Jair Bolsonaro, porém, podem ser importantes. O regime bolivariano continua, Maria Corina Machado está fora de jogo por enquanto e o Planalto insiste que não chancelou Maduro em suas violações.
Entre diplomatas brasileiros e americanos, a esperança é de que Lula e Trump possam se encontrar em 2026, principalmente diante da boa relação que os dois tiveram nas conversas nos últimos meses.
Para o governo, isso pode ser uma “vacina” contra eventuais vozes mais radicais dentro do próprio governo Trump e que possam ainda dar ouvidos aos bolsonaristas. A neutralização desses atores seria fundamental na estratégia do Planalto.
A postura do Brasil, porém, não será a de abrir mão de suas críticas sobre a ação de Trump na Venezuela, como já ficou demonstrado em discursos na ONU e na OEA. Mas isso não será usado para contaminar a relação mais ampla entre Brasília e Washington.
O Planalto ainda vai continuar a insistir para que não haja um segundo ataque contra a Venezuela e considera que a diplomacia americana sabe a postura contraria do Brasil à ingerência.
Em diálogos dentro da Venezuela e nos países que fazem parte da região, Lula ainda vai agir para garantir que possa haver um espaço para que a queda de Nicolas Maduro não se transforme em um vácuo de poder. Com 20 milhões de habitantes na Venezuela numa fronteira de 2 mil quilômetros com o Brasil, a estabilização do país passou a ser um foco da atuação do Itamaraty.
*Jamil Chade/Uol
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O Senado dos Estados Unidos (EUA) aprovou, nesta quinta-feira (8), uma resolução que determina a interrupção do uso da força contra a Venezuela sem autorização expressa do Congresso Nacional.
“Esta resolução conjunta orienta o Presidente a cessar o uso das Forças Armadas dos EUA em hostilidades dentro ou contra a Venezuela, a menos que uma declaração de guerra ou autorização para o uso da força militar para tal fim tenha sido promulgada”, diz o documento aprovado.
Apresentada pelo senador democrata Tim Kaine, a resolução foi aprovada por 52 votos contra 47, tendo recebido o apoio de cinco senadores republicanos, do partido do presidente Donald Trump. Já um senador republicano não votou.
O texto, porém, precisa ser novamente aprovado pelos senadores e deve passar ainda pela Câmara dos Representantes dos EUA, com maioria de republicanos. A resolução ainda precisaria vencer um provável veto do presidente Donald Trump para entrar em vigor.
Ao justificar a resolução, o senador democrata Kaine disse que apoia o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, mas defendeu que novas ações tenham autorização legislativa.
“As declarações do presidente de que os EUA governarão a Venezuela por anos deixam claro: seus planos vão muito além de Maduro. Isso significa que o Congresso precisa se manifestar”, destacou Kaine antes da votação.
A oposição argumenta que a invasão da Venezuela foi ilegal uma vez que a Constituição dos EUA exige aprovação do Parlamento para declaração de guerras.
A senadora republicana Susan Collins disse que, apesar de apoiar a captura de Maduro, ela deseja afirmar o poder do Parlamento de autorizar ou limitar qualquer futura atividade militar na Venezuela.
“Não apoio o envio de mais forças americanas ou qualquer envolvimento militar de longo prazo na Venezuela ou na Groenlândia sem autorização específica do Congresso. A resolução que apoiei hoje não inclui nenhuma menção à operação de retirada. Em vez disso, reafirma a capacidade do Congresso de autorizar ou limitar qualquer atividade militar prolongada futura na Venezuela”, disse a parlamentar em comunicado oficial.
Ao ser questionado sobre o tema após a invasão da Venezuela, o secretário do Departamento de Estado dos EUA, Marco Rubio, havia argumentando que a invasão não seria uma guerra, mas apenas a prisão de duas pessoas. Na ação, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram sequestrados por militares estadunidenses.
Trump reage Ao comentar em uma rede social, aprovação da resolução, o presidente dos EUA disse que os republicanos deveriam se envergonhar dos senadores que votaram com os democratas para privar o poder de “lutar e defender os EUA”. Trump disse que esses parlamentares “jamais deveriam ser eleitos novamente”.
“Essa votação prejudica gravemente a autodefesa e a segurança nacional americanas, impedindo a autoridade do presidente como comandante-em-chefe. De qualquer forma, e apesar da ‘estupidez’ deles, a Lei dos Poderes de Guerra é inconstitucional, violando totalmente o Artigo II da Constituição, como todos os presidentes e seus respectivos Departamentos de Justiça já determinaram antes de mim”, disse.
*ICL
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Controle da navegação comercial do oceano é do interesse de Washington
Controlar todas as rotas marítimas para dificultar o comércio da China está por trás da intenção dos Estados Unidos (EUA) de invadir e anexar a Groenlândia, segundo avaliam especialistas em relações internacionais e geopolítica consultados pela Agência Brasil.
O Oceano Ártico liga Ásia, Europa e América do Norte e, com as mudanças climáticas, espera-se que o derretimento das calotas polares reduza o preço de frete nessa região nas próximas décadas.
Em documento publicado em 2018, a China se classificou como um país “quase-ártico” e tem atuado em cooperação com a Rússia para aumentar sua presença no menor dos oceanos do planeta.
O major-general português Agostinho Costa, especialista em assuntos de segurança e geopolítica, explicou que os EUA já controlam praticamente todas as rotas comerciais e oceanos, mas que têm uma presença reduzida no Ártico.
“[A anexação da Groenlândia] é uma política de controle de rotas marítimas com o objetivo de bloquear a China. Os EUA controlam o Pacífico e o Atlântico, agora falta controlar o Ártico. Eles vivem mal com a ideia de, em um oceano tão importante como é o Ártico, ter uma presença residual”, explica o militar, ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal.
Brasília (DF), 26/06/2025 – major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica e ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal. Foto: Pekka Kallioniemi/X Major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica e ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal – Foto: Pekka Kallioniemi/X Observações de satélite da Nasa (agência espacial dos EUA) apontam que o gelo marinho está caindo 13% por década e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), avalia que o Ártico pode ficar sem gelo entre 2050 e 2070.
“Com o aquecimento global, a rota do Ártico diminui o tempo de navegação entre a China e a Europa”, lembra o general português Agostinho Costa, acrescentando que 80% do comércio global se faz pelos mares.
O cientista político Ali Ramos, autor de estudos sobre a Ásia, destacou que o derretimento das calotas polares na Rota do Norte deve baratear o frete marítimo entre os continentes em mais de um terço.
“A Rússia tem mais que o dobro de bases da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] no Ártico e a China recentemente emitiu um documento se considerando um país do entorno do Ártico, provavelmente em colaboração com os russos. O Trump precisa do Canadá e da Groenlândia para dissuasão, bases, mísseis e etc”, comentou.
Brasília (DF), 17/06/2025 – O cientista político com estudos sobre Ásia e o mundo islâmico, Ali Ramos. Foto: Ali Ramos/Arquivo Pessoal Cientista político com estudos sobre Ásia e o mundo islâmico Ali Ramos – Foto: Ali Ramos/Arquivo Pessoal Em documento publicado ainda durante o governo do americano Joe Biden, em 2024, o Departamento de Defesa dos EUA expressou a importância do Oceano Ártico para frear os concorrentes de Washington no cenário global.
“Grandes mudanças geopolíticas estão impulsionando a necessidade desta nova abordagem estratégica para o Ártico, incluindo a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, a adesão da Finlândia e da Suécia à Aliança da Otan, a crescente colaboração entre a República Popular da China (RPC) e a Rússia e os impactos acelerados das mudanças climáticas”, diz o documento.
A Rússia tem 54% do litoral do Ártico e essa posição privilegiada dá à Moscou condições favoráveis para definir as rotas marítimas.
“Se a Rota Marítima do Norte se tornar um elo vital no transporte marítimo global, o controle quase total da Rússia sobre a rota lhe daria uma alavanca econômica e diplomática para expandir sua influência regional”, avalia Lee Mottola, especialista em Conflito, Segurança e Desenvolvimento em artigo publicado no Instituto do Ártico.
O analista afirma ainda que a China deseja usar o Ártico para driblar o controle que os EUA impõem em pontos de estrangulamento geopolítico da navegação global, como os estreitos de Malaca e o de Gibraltar.
“A continuidade da cooperação sino-russa em fatores econômicos e estratégicos é uma razão importante para que a Otan redobre seus esforços e atenção no Norte”, acrescenta Mottola.
Ameaça Com apenas 56 mil habitantes, a Groenlândia é um território semiautônomo do Reino da Dinamarca. Desde que assumiu seu segundo mandato, o presidente dos EUA, Donald Trump, tem
ameaçado invadir e anexar a região, medida que é criticada pelos próprios aliados europeus.
“Precisamos da Groenlândia para nossa segurança nacional. Se você olhar para Groenlândia, olhar para cima e para baixo da costa, tem navios russos e chineses por todas as partes”, alertou o chefe da Casa Branca um dia após bombardear e invadir a Venezuela.
O major-general português Agostinho Costa destaca que o governo Trump tem adotado medidas semelhantes à de séculos passados.
“A primeira coisa que Trump fez quando assumiu o poder foi falar que queria o Canal do Panamá, que queria o Canadá como 51º estado dos EUA e que quer a Groenlândia. É uma estratégia que nos faz voltar ao século 15 ou 16, da pirataria, do controle dos mares”, concluiu.
Controlar todas as rotas marítimas para dificultar o comércio da China está por trás da intenção dos Estados Unidos (EUA) de invadir e anexar a Groenlândia, segundo avaliam especialistas em relações internacionais e geopolítica consultados pela Agência Brasil.
O Oceano Ártico liga Ásia, Europa e América do Norte e, com as mudanças climáticas, espera-se que o derretimento das calotas polares reduza o preço de frete nessa região nas próximas décadas.
Em documento publicado em 2018, a China se classificou como um país “quase-ártico” e tem atuado em cooperação com a Rússia para aumentar sua presença no menor dos oceanos do planeta.
O major-general português Agostinho Costa, especialista em assuntos de segurança e geopolítica, explicou que os EUA já controlam praticamente todas as rotas comerciais e oceanos, mas que têm uma presença reduzida no Ártico.
“[A anexação da Groenlândia] é uma política de controle de rotas marítimas com o objetivo de bloquear a China. Os EUA controlam o Pacífico e o Atlântico, agora falta controlar o Ártico. Eles vivem mal com a ideia de, em um oceano tão importante como é o Ártico, ter uma presença residual”, explica o militar, ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal.
Major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica e ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal – Foto: Pekka Kallioniemi/X
Observações de satélite da Nasa (agência espacial dos EUA) apontam que o gelo marinho está caindo 13% por década e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), avalia que o Ártico pode ficar sem gelo entre 2050 e 2070.
“Com o aquecimento global, a rota do Ártico diminui o tempo de navegação entre a China e a Europa”, lembra o general português Agostinho Costa, acrescentando que 80% do comércio global se faz pelos mares.
O cientista político Ali Ramos, autor de estudos sobre a Ásia, destacou que o derretimento das calotas polares na Rota do Norte deve baratear o frete marítimo entre os continentes em mais de um terço.
“A Rússia tem mais que o dobro de bases da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] no Ártico e a China recentemente emitiu um documento se considerando um país do entorno do Ártico, provavelmente em colaboração com os russos. O Trump precisa do Canadá e da Groenlândia para dissuasão, bases, mísseis e etc”, comentou.
Cientista político com estudos sobre Ásia e o mundo islâmico Ali Ramos – Foto: Ali Ramos/Arquivo Pessoal
“Grandes mudanças geopolíticas estão impulsionando a necessidade desta nova abordagem estratégica para o Ártico, incluindo a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia, a adesão da Finlândia e da Suécia à Aliança da Otan, a crescente colaboração entre a República Popular da China (RPC) e a Rússia e os impactos acelerados das mudanças climáticas”, diz o documento.
A Rússia tem 54% do litoral do Ártico e essa posição privilegiada dá à Moscou condições favoráveis para definir as rotas marítimas.
“Se a Rota Marítima do Norte se tornar um elo vital no transporte marítimo global, o controle quase total da Rússia sobre a rota lhe daria uma alavanca econômica e diplomática para expandir sua influência regional”, avalia Lee Mottola, especialista em Conflito, Segurança e Desenvolvimento em artigo publicado no Instituto do Ártico.
O analista afirma ainda que a China deseja usar o Ártico para driblar o controle que os EUA impõem em pontos de estrangulamento geopolítico da navegação global, como os estreitos de Malaca e o de Gibraltar.
“A continuidade da cooperação sino-russa em fatores econômicos e estratégicos é uma razão importante para que a Otan redobre seus esforços e atenção no Norte”, acrescenta Mottola.
Ameaça
Com apenas 56 mil habitantes, a Groenlândia é um território semiautônomo do Reino da Dinamarca. Desde que assumiu seu segundo mandato, o presidente dos EUA, Donald Trump, tem ameaçado invadir e anexar a região, medida que é criticada pelos próprios aliados europeus.
“Precisamos da Groenlândia para nossa segurança nacional. Se você olhar para Groenlândia, olhar para cima e para baixo da costa, tem navios russos e chineses por todas as partes”, alertou o chefe da Casa Branca um dia após bombardear e invadir a Venezuela.
O major-general português Agostinho Costa destaca que o governo Trump tem adotado medidas semelhantes à de séculos passados.
“A primeira coisa que Trump fez quando assumiu o poder foi falar que queria o Canal do Panamá, que queria o Canadá como 51º estado dos EUA e que quer a Groenlândia. É uma estratégia que nos faz voltar ao século 15 ou 16, da pirataria, do controle dos mares”, concluiu.
Mapa Groenlândia e Mar Ártico – Arte/EBC
*Agência Brasil
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Exclusão afeta agências e pactos que lidam com direitos humanos, clima, violência contra mulheres e racismo
O governo de Donald Trump anunciou a retirada dos EUA de 66 organismos internacionais, incluindo 31 agências da ONU que lidam com racismo, violência contra mulher, clima, direitos humanos e democracia.
A lista prevê, entre outros, o fim da participação americana nos seguintes órgãos:
Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, vencedor do Nobel da Paz,
Comissão de Direito Internacional
Fórum Permanente sobre Afrodescendentes
UNCTAD – a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento
Fundo das Nações Unidas para a Democracia
Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima
Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos
Fundo de População das Nações Unidas
Registro de Armas Convencionais das Nações Unidas e dezenas de outros.
O gesto representa o maior abalo ao sistema multilateral desde sua criação, em 1945. Naquele momento, ato que foi patrocinado e orquestrado pelo próprio governo americano. No início de seu mandato, Trump havia cortado o repasse para os organismos relacionados com a ONU, alertando que iria avaliar a conveniência de se manter ou não nesses pactos.
Agora, a decisão foi a de se retirar de 66 iniciativas, incluindo a agência de população da ONU e o tratado da ONU que estabelece as negociações climáticas internacionais.
A a decisão inclui agências, comissões e painéis consultivos ligados à ONU que se concentram em clima, direitos humanos e uma agenda considerada como “woke”.
Segundo Washington, elas promovem “políticas climáticas radicais, governança global e programas ideológicos que conflitam com a soberania e a força econômica dos EUA”.
“O governo Trump considerou essas instituições redundantes em seu escopo, mal administradas, desnecessárias, dispendiosas, mal geridas, capturadas pelos interesses de atores que promovem suas próprias agendas contrárias às nossas, ou uma ameaça à soberania, às liberdades e à prosperidade geral de nossa nação”, disse o Departamento de Estado em um comunicado.
“Essas retiradas encerrarão o financiamento e o envolvimento do contribuinte americano em entidades que promovem agendas globalistas em detrimento das prioridades dos EUA, ou que abordam questões importantes de forma ineficiente ou ineficaz, de modo que o dinheiro do contribuinte americano seja melhor alocado de outras maneiras para apoiar as missões relevantes”, disse a Casa Branca.
Desde o início de seu segundo mandato, há um ano, Trump buscou cortar o financiamento dos EUA para a ONU, deixou o Conselho de Direitos Humanos da ONU, rompeu com a agência de ajuda humanitária palestina UNRWA e deixou a UNESCO, OMS e o Acordo de Paris.
A ruptura ainda ocorre num momento em que Trump viola o direito internacional, confiscando barcos em águas internacionais, atacando países estrangeiros, sequestrando um presidente, rompendo acordos comerciais e chantageando líderes pelo mundo.
Veja a lista de todas as entidades afetadas pela saída dos EUA:
i) Pacto para Energia Livre de Carbono 24/7;
(ii) Conselho do Plano Colombo;
(iii) Comissão para a Cooperação Ambiental;
(iv) A Educação Não Pode Esperar;
(v) Centro Europeu de Excelência para o Combate às Ameaças Híbridas;
(vi) Fórum dos Laboratórios Nacionais Europeus de Pesquisa Rodoviária;
(vii) Coligação Liberdade Online;
(viii) Fundo Global para o Envolvimento e a Resiliência da Comunidade;
(ix) Fórum Global de Contraterrorismo;
(x) Fórum Global sobre Especialização em Cibersegurança;
(xi) Fórum Global sobre Migração e Desenvolvimento;
(xii) Instituto Interamericano de Pesquisa sobre Mudanças Globais;
(xiii) Fórum Intergovernamental sobre Mineração, Minerais, Metais e Desenvolvimento Sustentável;
(xiv) Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas;
(xv) Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos;
(xvi) Centro Internacional de Estudos para a Preservação e Restauração de Bens Culturais;
(xvii) Comitê Consultivo Internacional do Algodão;
(xviii) Organização Internacional de Direito do Desenvolvimento;
(xix) Fórum Internacional de Energia;
(xx) Federação Internacional de Conselhos de Artes e Agências de Cultura;
(xxi) Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral;
(xxii) Instituto Internacional para a Justiça e o Estado de Direito;
(xxiii) Grupo Internacional de Estudos sobre Chumbo e Zinco;
(xxiv) Agência Internacional de Energias Renováveis;
(xxv) Aliança Solar Internacional;
(xxvi) Organização Internacional de Madeiras Tropicais;
(xxvii) União Internacional para a Conservação da Natureza;
(xxviii) Instituto Pan-Americano de Geografia e História;
(xxix) Parceria para a Cooperação Atlântica;
(xxx) Acordo de Cooperação Regional para o Combate à Pirataria e ao Roubo Armado contra Navios na Ásia;
(xxxi) Conselho de Cooperação Regional;
(xxxii) Rede de Políticas de Energias Renováveis para o Século XXI;
(xxxiii) Centro de Ciência e Tecnologia da Ucrânia;
(xxxiv) Secretariado do Programa Regional do Meio Ambiente do Pacífico; e
(xxxv) Comissão de Veneza do Conselho da Europa.
Na Organizações das Nações Unidas: (i) Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais;
(ii) Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC) – Comissão Econômica para a África;
(iii) ECOSOC – Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe;
(iv) ECOSOC – Comissão Econômica e Social para a Ásia e o Pacífico;
(v) ECOSOC – Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental;
(vi) Comissão de Direito Internacional;
(vii) Mecanismo Residual Internacional para Tribunais Penais;
(viii) Centro de Comércio Internacional;
(ix) Gabinete do Conselheiro Especial para a África;
(x) Gabinete do Representante Especial do Secretário-Geral para Crianças em Conflitos Armados;
(xi) Gabinete do Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência Sexual em Conflitos;
(xii) Gabinete do Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência contra Crianças;
(xiii) Comissão de Consolidação da Paz;
(xiv) Fundo para a Consolidação da Paz;
(xv) Fórum Permanente sobre Afrodescendentes;
(xvi) Aliança das Civilizações das Nações Unidas;
(xvii) Programa Colaborativo das Nações Unidas para a Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal em Países em Desenvolvimento;
(xviii) Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento;
(xix) Fundo das Nações Unidas para a Democracia;
(xx) UN Energy;
(xxi) Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres;
(xxii) Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima;
(xxiii) Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos;
(xxiv) Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa;
(xxv) UN Oceans;
(xxvi) Fundo de População das Nações Unidas;
(xxvii) Registro de Armas Convencionais das Nações Unidas;
(xxviii) Conselho de Chefes Executivos do Sistema das Nações Unidas para a Coordenação;
(xxix) Escola de Formação de Pessoal do Sistema das Nações Unidas;
(xxx) UN Water
(xxxi) Universidade das Nações Unidas.
*Jamil Chade/ICL
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Ação ocorreu em águas internacionais no Atlântico e foi confirmada por fontes americanas e pela imprensa estatal da Rússia
Os Estados Unidos interceptaram e apreenderam nesta quarta-feira (7) o petroleiro Marinera, que transportava óleo de origem venezuelana no Oceano Atlântico. A operação foi confirmada à agência Reuters e divulgada também pela rede estatal russa RT, segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo.
O episódio representa uma potencial escalada da crise entre Washington, Moscou e Caracas, agravada após o governo de Donald Trump ter decretado embargo a todo o transporte de petróleo e derivados para dentro e fora do país caribenho. Ainda não há detalhes oficiais sobre como se deu a abordagem nem sobre a situação da tripulação.
EUA apreendem petroleiro com bandeira russa ligado à Venezuela
A perseguição ao navio já durava cerca de duas semanas. Em 10 de dezembro, outra embarcação venezuelana havia sido capturada pelos americanos, o que levou diversos petroleiros que estavam no mar a desligarem sistemas de comunicação e a alterarem rotas para evitar novas apreensões.
O Bella-1, que navegava com bandeira da Guiana, mudou de nome para Marinera e passou a utilizar registro estatal russo baseado em Sochi, no mar Negro, numa tentativa presumida de obter maior proteção jurídica. Mesmo assim, as forças americanas continuaram o cerco e realizaram a interceptação agora divulgada.
Parlamentares russos acusam EUA de pirataria
Imagens veiculadas pela RT mostram um helicóptero dos EUA circulando a embarcação em meio a uma tempestade, além de um navio da Guarda Costeira tentando se aproximar. Parlamentares russos reagiram, acusando Washington de pirataria e de violar a liberdade de navegação prevista no direito internacional.
A Rússia é, ao lado da China, uma das principais fiadoras do regime chavista da Venezuela. O Kremlin manteve operações petrolíferas extensas no país até 2020 e forneceu bilhões em armamentos entre 2005 e 2013, apoio hoje limitado por causa das sanções impostas a Caracas.
O embargo determinado por Trump tem impacto direto também sobre Cuba, dependente do petróleo venezuelano, e ocorre paralelamente às negociações para encerrar a Guerra da Ucrânia. O endurecimento da posição americana coloca em suspenso tratativas que Vladimir Putin vinha conduzindo com Washington e com líderes europeus em Paris.
Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo
Autoridades dos EUA afirmam que o foco da ofensiva contra Caracas é, além de afastar um governo hostil, garantir acesso às maiores reservas de petróleo do mundo. O produto venezuelano é considerado de baixa qualidade, mas Trump já anunciou planos de receber milhões de barris e ficar com os lucros de futura revenda.
Após a apreensão do Marinera, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, declarou que o bloqueio ao petróleo venezuelano alvo de sanções permanece “em pleno vigor em qualquer lugar do mundo”. A Casa Branca não informou se novas interceptações estão programadas, enquanto a chancelaria russa promete contestar o caso em instâncias marítimas internacionais.
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Washington considera ajudar na derrubada do governo iraniano apoiando protestos, enquanto Israel estuda se captura de Maduro abre caminho para ação semelhante contra Teerã
Os Estados Unidos estão considerando uma intervenção direcionada para apoiar os manifestantes no Irã, enquanto Israel estuda se sua recente ação contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro poderia criar um precedente aplicável ao governo iraniano, segundo informações do Jerusalem Post obtidas de diversas fontes.
O Irã vem vivenciando uma onda de protestos há vários dias, motivados pela tensa situação econômica e pela desvalorização da moeda nacional.
O artigo detalha que, inicialmente, Israel acreditava que os protestos contra o Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, não eram grandes o suficiente para forçar uma mudança de governo. No entanto, a decisão de Washington de intervir na Venezuela provocou uma reavaliação estratégica em Jerusalém.
Paisagem em transformação Embora as manifestações por si só sejam consideradas insuficientes para derrubar Khamenei, a possibilidade de fornecer assistência concreta ao movimento de oposição está sendo ativamente explorada. O Mossad israelense admitiu publicamente estar prestando auxílio aos manifestantes no terreno. Da mesma forma, a Ministra da Ciência e Tecnologia, Gila Gamliel, pediu ações concretas, e não apenas palavras de apoio.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu convocou uma reunião especial de segurança após a agressão militar dos EUA na Venezuela, e o ex-ministro da Defesa Benny Gantz pediu explicitamente uma intervenção.
Essa mudança marcante contrasta fortemente com a posição adotada em junho, quando tanto os EUA quanto Israel se opuseram à busca por uma mudança de regime no Irã, concentrando seus esforços no programa nuclear de Teerã. No entanto, eventos recentes alteraram o cenário. Embora nenhuma decisão final tenha sido tomada, fontes indicam que uma intervenção limitada está sendo considerada como uma opção viável para evitar a repressão aos protestos e permitir que o movimento cresça, sem recorrer a uma invasão militar em larga escala.
A agressão dos EUA e o sequestro de Maduro Sob o pretexto de combater o narcoterrorismo, os EUA lançaram uma grande agressão militar em território venezuelano no último sábado, afetando Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A operação culminou com o sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
Caracas descreveu as ações de Washington como uma “agressão militar muito grave” e alertou que o objetivo dos ataques “não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, numa tentativa de quebrar à força a independência política do país”.
O presidente e a primeira-dama da Venezuela foram transferidos para o país norte-americano e estão atualmente detidos no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova Iorque.
Maduro declarou-se inocente em sua primeira audiência perante o Departamento de Justiça dos EUA no Tribunal Distrital do Sul de Nova York, acusado de narcoterrorismo.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tomou posse como presidente interina do país sul-americano.
Diversos países ao redor do mundo, incluindo a Rússia, pediram a libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou condenou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer interferência estrangeira.
*Opera Mundi
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Nicolás Maduro foi sequestrado em uma invasão do território venezuelano pelos Estados Unidos, mas o regime chavista não caiu. A vice transformada em presidente interina, Delcy Rodríguez, mandou uma mensagem clara aos EUA, de que quer trabalhar em conjunto, o que inclui a exploração de petróleo, enquanto garante apoio interno criticando o ataque dos EUA.
Se as empresas norte-americanas tiverem acesso ilimitado aos hidrocarbonetos e Washington trouxer Caracas para a sua esfera de influência, decidindo quem pode comprar ou não o petróleo venezuelano, ordenando o aumento e a produção de barris (o que afeta o preço internacional) de acordo com suas necessidades e reduzindo a presença da China e da Rússia, o presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio podem se dar por satisfeitos, pelo menos neste momento.
O chavismo terá que fazer uma correção de rumo para sobreviver, abandonando a polarização com os EUA. Mas a sua estrutura, seus protagonistas, a presença dos militares controlando várias camadas da economia e da vida cotidiana e, provavelmente, violações de direitos, continuam.
É sobre petróleo e geopolítica. Drogas e democracia são apenas a purpurina jogada em cima para brilhar aos olhos do público interno e da extrema direita global.
Aqui, no Brasil, de presidenciáveis, passando por líderes políticos e religiosos até chegar a cidadãos comuns, não são poucos os que saudaram a queda do regime chavista. Mas que queda?
Os EUA apresentam seu storytelling para justificar que são os picas das galáxias e, por isso, abduziram o autocrata facilmente. Mas foi tão fácil que tudo isso tem cheiro de acordão, do tipo: entregou-se o anel do Maduro, que está sendo exposto de forma humilhante como troféu, para manter os dedos.
Na prática, Delcy Rodríguez, que é vice desde 2018 e faz parte da chapa presidencial que fraudou as últimas eleições, segue no poder. E, principalmente, continuam o general Vladimir Padrino López, ministro da Defesa, e Diosdado Cabello, ministro do Interior e Justiça. O primeiro continua comandando as tropas e o segundo, as forças de segurança. Não é que os EUA desmantelaram o poderio militar da Venezuela; ele não foi devidamente acionado neste final de semana.
Maria Corina Machado, que ganhou o Nobel da Paz apesar de ser uma das principais defensoras de uma invasão norte-americana na Venezuela, foi descartada, pelo menos por enquanto, por Trump. Ele falou, com todas as palavras, que ela é gente boa, mas não impõe respeito do seu próprio povo. O que é um lembrete: cuidado em tentar ser vassalo, você pode conseguir. Nesse sentido, as chances de Edmundo González, aliado de Corina que disputou as eleições com Maduro, são baixas.
Rodríguez foi fundamental nas negociações para que a Chevron operasse em seu país e sabe mesclar pragmatismo geopolítico e econômico e manter excitada sua base com a retórica do chavismo.
Ainda é muito cedo para entender o que virá pela frente, até porque estamos falando de Trump. Mas corre risco, por enquanto, de a extrema direita brasileira estar celebrando apenas o bombardeio da América do Sul por uma potência estrangeira, não o retorno da democracia na Venezuela.
*Sakamoto/Uol
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