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Em 1ª resolução, Conselho de Trump toma Gaza e exclui palestinos

Documento revela poderes absolutos para Trump em Gaza e sem previsão de qualquer prazo para entregar território à administração dos palestinos

Um controle absoluto sobre Gaza, sem monitoramento externo e sem o envolvimento de qualquer autoridade palestina. Esses são os termos da primeira resolução proposta pelo Conselho da Paz, criado pelo presidente Donald Trump com o apoio de cerca de 30 países.

O documento da resolução deixa explícito que, a partir de agora, Gaza será um território governado a partir de pessoas indicadas exclusivamente pelo governo dos EUA, isentos de qualquer mecanismo de responsabilização ou órgãos independentes. As forças militares no local também serão aprovadas por Trump, pessoalmente.

A resolução, obtida pelo ICL Notícias, determina o futuro de um território palestino e que, nos últimos dois anos, foi alvo do que grupos de direitos humanos qualificaram como “genocídio”. Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou com Donald Trump e sugeriu que o Conselho tenha seu mandato limitado à reconstrução de Gaza e com a participação da Autoridade Palestina.

Mas no documento, não há previsão para a entrega de Gaza para uma autoridade palestina.

“O Conselho de Paz atuará como a administração governamental transitória de Gaza para supervisionar e fiscalizar a implementação do Plano Abrangente, garantindo que Gaza seja uma zona desradicalizada e desmilitarizada, livre de terrorismo, que não represente uma ameaça aos seus vizinhos e que seja desenvolvida para o benefício do povo de Gaza”.

Mas a resolução ainda insiste que ninguém mais terá poderes sobre a região. “Toda a autoridade legislativa e executiva transitória, os poderes de emergência e a administração da justiça são conferidos ao Conselho de Paz”, declara.

De acordo com a resolução, o Conselho de Paz “poderá exercer todos os poderes e autoridades que julgar necessários e apropriados para implementar o Plano Abrangente, incluindo, entre outros:

  • emitir resoluções e diretrizes;
  • estabelecer subcomissões e entidades subsidiárias, como um Gabinete do Alto Representante para Gaza, o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG) e a polícia local autorizada pelo Alto Representante;
  • coordenar a reconstrução e o desenvolvimento em Gaza;
  • supervisionar e fornecer orientação estratégica a uma Força Internacional de Estabilização (FIE) temporária, juntamente com a cooperação em matéria de desmilitarização e segurança por e com essa Força;
  • coordenar o processo de desradicalização e o auxílio humanitário em Gaza;
  • engajar doadores, aprovar orçamentos e administrar mecanismos financeiros;
  • concluir quaisquer acordos internacionais necessários com Estados ou organizações internacionais que se mostrem necessários para implementar o Plano Abrangente;
    abrir contas bancárias e estabelecer controles financeiros adequados.

O Conselho Executivo será compostos pelos seguintes nomes indicados por Trump

  • Secretário Marco RubioSusan WilesSteve WitkoffJared Kushner
  • Sir Tony Blair
  • Marc Rowan
  • Ajay Banga
  • Robert Gabriel
  • Martin Edelman

Se faltam palestinos, sobram indicações de Trump com relações estreitas com Israel. Dois deles ainda fazem parte da liderança do projeto.

“O Presidente designa, por meio deste documento, Arych Lightstone e Joshua Gruenbaum como consultores seniores do Conselho da Paz, encarregados de liderar a estratégia e as operações diárias e de traduzir o mandato e as prioridades diplomáticas do Conselho em uma execução disciplinada”, explicou. Lightstone foi embaixador dos EUA em Israel, enquanto Gruenbaum serve na administração americana.

Fica ainda estabelecido um Conselho Executivo de Gaza. Mais uma vez, o grupo é repleto de funcionários de Trump e aliados.

  • Steve Witkoff
  • Susan Wiles
  • Jared Kushner
  • Ministro Hakan Fidan
  • Ali Al-Thawadi
  • General Hassan Rashad
  • Sir Tony Blair
  • Marc Rowan
  • Ministra Reem Al-Hashimy
  • Nickolay Mladenov
  • Yakir Gabay

Um Alto Representante para Gaza foi indicado pelo próprio Trump e “servirá como braço operacional para a implementação do projeto. Ele formará um “comitê tecnocrático, apolítico e selecionado, composto por palestinos competentes e qualificados da Faixa de Gaza, e autorizar, dirigir e supervisionar todas as suas atividades e operações diárias”.

Caberá a ele supervisionar a força policial em Gaza, supervisionar a administração, a entrega e o não desvio da ajuda humanitária em Gaza, gerir a reconstrução e o redesenvolvimento de Gaza.

Será o representante de Trump quem irá nomear e destituir pessoas que desempenham funções de governança civil e administração da justiça. Ele irá supervisionar o pessoal, o orçamento, as despesas e as operações.

Para este cargo, a resolução escolheu o búlgaro Nickolay Mladenov como o primeiro Alto Representante. Ex-chanceler de seu país, ele é visto com desconfiança pelos palestinos, que acusam Mladenov de ter atendido aos pedidos de Israel de forma desequilibrada enquanto ocupou um cargo na ONU.

Força Internacional de Estabilização…dos EUA
A resolução ainda estabelece uma força internacional e que terá os Estados Unidos “como a nação líder inaugural”. O Major-General Jasper Jeffers será o primeiro Comandante da Força. A Força de Segurança Interna (FSI) cumprirá sua missão conforme endossado pela Resolução 2803 do Conselho de Segurança, mas “sob a orientação estratégica que o Presidente (Trump) fornecer”.

Qualquer nação que assumir o cargo no futuro terá de ser aprovada por Trump. “O Presidente detém a autoridade exclusiva para aprovar a nomeação de qualquer nação para Comandante da Força e para substituir o Comandante da Força a seu critério”, diz o texto.

Um dos poucos palestinos a ser citado na resolução é Ali Sha’ath, que terá uma função de implementar certos aspectos da segurança da Gaza. Mas sem qualquer voz para determinar a direção do projeto.

Trump com poder de veto
Qualquer resolução que seja adotada pelo Conselho ou pelo Alto Representante “estão sujeitas à suspensão pelo Presidente em casos urgentes”.

“As resoluções do Conselho serão aprovadas e assinadas pelo Presidente e entrarão em vigor na data nelas especificada. Serão emitidas em inglês e publicadas no sítio web do Conselho”, diz o texto, que sequer faz referências à tradução das decisões para o árabe.

Princípios de Governança para a Nova Gaza
Na resolução, critérios foram estabelecidos para determinar as leis civis e penais aplicáveis ​​em Gaza, assim como padrões que cada um dos envolvidos terão de seguir.

“Para criar uma Gaza desradicalizada e livre do terrorismo, que não represente ameaça aos seus vizinhos e seja reconstruída para o benefício do povo de Gaza, conforme as diretrizes do Plano Abrangente, somente as pessoas que apoiarem e agirem em consonância com esse plano serão elegíveis para participar das atividades de governança, reconstrução, desenvolvimento econômico ou assistência humanitária em Gaza”, diz.

Por exemplo, pessoas ou entidades como organizações terroristas estrangeiras (conforme designadas pelos Estados-Membros do Conselho de Paz ou pelo próprio Conselho de Paz) e organizações não governamentais que tenham apoiado ou possuam um histórico comprovado de colaboração, infiltração ou influência com ou por parte do Hamas ou outros grupos terroristas estão proibidas de participar.

O Conselho Executivo e o Alto Representante deverão, por meio de resolução e decreto, criar padrões de elegibilidade adequados para a participação no desenvolvimento da Nova Gaza e aplicá-los caso a caso, sujeitos à aprovação do Presidente.

Palestinos “livres para sair”
O texto diz ainda que o povo de Gaza será “incentivado a aproveitar esta oportunidade para construir uma Nova Gaza próspera e pacífica, e as atividades de reconstrução e reabilitação do Conselho serão dedicadas exclusivamente àqueles que consideram Gaza seu lar e local de residência”.

“Ninguém será forçado a deixar Gaza. Aqueles que desejarem sair terão a liberdade de fazê-lo e a liberdade de retornar a Gaza”, afirma o documento.

A resolução ainda diz que serão estabelecidas zonas humanitárias e corredores controlados de proteção civil para que a assistência humanitária possa chegar livremente a todas as pessoas necessitadas de Gaza.

Mas serão administradas pelos EUA. “O acesso a essas zonas será limitado a pessoas aprovadas pelo Conselho Executivo e pelo Alto Representante; elas serão patrulhadas pelas Forças de Segurança Internacional (FSI) e livres de armas não autorizadas ou atividades armadas”.

*Jamil Chade/ICL


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Irã instala outdoor gigante com porta-aviões bombardeado e manda recado aos EUA: ‘Quem semeia vento colhe tempestade’

O Irã disse, nesta segunda-feira (26), que responderá de forma “contundente” a qualquer eventual agressão dos Estados Unidos, coincidindo com o reforço da presença militar americana no Oriente Médio com a chegada de um porta-aviões.

As autoridades iranianas também instalaram em uma praça central de Teerã um enorme outdoor que mostra um porta-aviões destruído: “Quem semeia vento colhe tempestade”, diz o cartaz.

Ambas as mensagens foram emitidas no mesmo dia em que o Comando Central militar dos Estados Unidos (Centcom) anunciou a chegada do grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln ao Oriente Médio.

O porta-aviões e os navios que o acompanham foram enviados enquanto o Irã reprimia manifestações em larga escala. Embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tenha seguido em frente com uma ação militar contra Teerã, ele insiste que todas as opções continuam na mesa.

O Centcom, responsável pelas operações militares americanas no Oriente Médio e partes da Ásia Central, anunciou que o navio “está estacionado atualmente no Oriente Médio para promover a segurança e a estabilidade regionais”.

Na nota desta segunda, o Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que haverá uma “resposta contundente” que provocará “arrependimento perante qualquer agressão”.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baqai, declarou que o Irã tem “confiança nas suas próprias capacidades”.

Em uma referência ao porta-aviões, o porta-voz acrescentou: “A chegada de um navio de guerra deste tipo não afetará a determinação e seriedade do Irã.”

*G1


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Delcy Rodríguez reafirma soberania da Venezuela: ‘basta das ordens de Washington’

Aos petroleiros, em Anzoátegui, presidente interina garantiu política externa com autonomia e explicou que reforma no setor preserva integralmente a propriedade estatal dos recursos naturaisAos petroleiros, em Anzoátegui, presidente interina garantiu política externa com autonomia e explicou que reforma no setor preserva integralmente a propriedade estatal dos recursos naturais

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, voltou a criticar neste domingo (25/01) a influência dos Estados Unidos nos assuntos internos do país e reforçou a defesa da soberania política e energética venezuelana.

Em discurso dirigido a trabalhadores do setor de hidrocarbonetos, no estado de Anzoátegui, ela afirmou que o país não aceitará imposições externas e que os conflitos internos devem ser resolvidos exclusivamente no âmbito nacional.

“Já basta das ordens de Washington sobre políticos na Venezuela. Que seja a política venezuelana quem resolva nossa divergência e nossos conflitos internos. Já basta de potências estrangeiras”, disse Rodríguez, ao se dirigir aos petroleiros reunidos na refinaria de Puerto La Cruz.

Rodríguez destacou que a reforma na Lei Orgânica dos Hidrocarbonetos foi um instrumento para otimizar a exploração dos recursos naturais sob princípios de soberania energética. Segundo ela, a proposta busca assegurar que a riqueza do subsolo se converta em benefícios concretos para a população, garantindo “felicidade econômica e social” ao povo venezuelano.

Ela afirmou que o país não deve temer a dinâmica internacional do setor energético, nem pressões externas. “Não devemos ter medo da agenda energética, nem com os Estados Unidos, nem com o restante dos países do mundo. É direito da Venezuela ter diversidade em suas relações internacionais”, salientou, ao defender uma política externa baseada na autonomia e na ampliação de parcerias estratégicas.

Papel social do petróleo
Ao relacionar diretamente a produção de petróleo e gás com o bem-estar da população, a presidente interina enfatizou o papel social da indústria energética. “Que aqueles barris que estão em campos verdes se tornem salários, comida e saúde para nosso povo. Que capacidades nacionais e internacionais sejam adicionadas para desenvolver nossa reserva”, disse.

Entre os avanços destacados, ela citou a assinatura do primeiro contrato de exportação de gás natural da história do país, que, segundo o governo, marca um novo momento para o setor energético venezuelano. “Eles não acreditaram, mas já fechamos um contrato para exportar a primeira molécula de gás da Venezuela e agora estamos buscando mais”.

Ela relatou que a meta é transformar as vastas reservas do país em prosperidade concreta: “agora, é nossa vez de nos tornarmos o país com as maiores reservas de petróleo do mundo, as maiores reservas de gás deste hemisfério. Agora é nossa vez de nos tornarmos uma verdadeira potência produtora de petróleo e gás”, acrescentou.

Rodríguez explicou que a reforma no setor preserva integralmente o modelo de propriedade estatal dos recursos naturais estabelecido durante o governo de Hugo Chávez. “O legado do Comandante Eterno na posse dos recursos permanecerá intocável e intacto dentro do novo arcabouço legal”, disse, ao ressaltar a importância da unidade do setor e do papel estratégico da classe trabalhadora na recuperação da indústria petrolífera.

Diplomacia da Paz
No campo diplomático, a presidente responsável reiterou que o país seguirá apostando na chamada Diplomacia Bolivariana da Paz. “Estamos enfrentando o governo dos Estados Unidos, vamos resolver nossas diferenças, nossas controvérsias históricas por meio da diplomacia bolivariana”.

Ao comentar a agressão militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro, quando o presidente Nicolás Maduro e a primeira combatente Cilia Flores foram sequestrados, ela mencionou a calma e a lucidez da população venezuelana, defendendo a prudência estratégica, o compromisso político e a lealdade ao país.

*Opera Mundi


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Brasil Mundo

Mal-estar se instala na Copa de 2026 nos EUA e cresce debate sobre boicote

Em encontros reservados, europeus começam a debater possibilidade de uma resposta diante da ofensiva de Trump pela Groenlândia.

O mal-estar está instalado. O desmonte da democracia por parte de Donald Trump e seus ataques contra aliados e adversários desencadearam uma reação de questionamentos sobre a Copa de 2026, nos EUA, México e Canadá.

Na semana passada, os chefes de 20 federações de futebol da Europa se reuniram de forma discreta na Hungria. Na agenda estava a crescente preocupação diante do desejo de Donald Trump de anexar a Groenlândia.

A pergunta que tiveram de tratar era óbvia: como o futebol reagiria diante de uma crise política ou militar com a Europa?

O que era apenas tratado em salas reservadas eclodiu quando Oke Gottlich, vice-presidente da Federação Alemã de Futebol, afirmou que havia “chegado a hora” de falar de boicote.

Não se descarta, por exemplo, que jogadores ou federações avaliem possibilidades de promover algum tipo de protesto. Dos 104 jogos da Copa do Mundo, 78 serão realizados nos EUA.

“Se Trump cumprir os anúncios e ameaças relacionados à Groenlândia e iniciar uma guerra comercial com a UE, é difícil imaginar os países europeus participando da Copa do Mundo”, disse o parlamentar de direita, Roderich Kiesewetter.

De acordo com uma pesquisa do instituto Insa, 47% dos entrevistados na Alemanha disseram que seriam favoráveis a um boicote caso os EUA anexem a Groenlândia. 35% recusaram a ideia de um protesto, enquanto 18% afirmaram não ter posição.

Em 2022, a Alemanha já liderou uma ação contra o governo do Catar e acabou ameaçada pela Fifa. O motivo era uma braçadeira que os jogadores levariam durante as partidas, promovendo a diversidade e a inclusão.

Em vez disso, a FIFA antecipou sua própria campanha “Não à Discriminação”. Em protesto, os jogadores da Alemanha cobriram a boca durante a foto oficial da equipe antes da estreia na Copa do Mundo contra o Japão “para transmitir a mensagem de que a Fifa está silenciando”.

A constatação dos dirigentes, porém, é que tomar tal decisão exigirá uma coragem política que talvez hoje não exista. Ao mesmo tempo, europeus e africanos admitem que lhes custaria muito saber que estarão fazendo parte da transformação de uma Copa do Mundo em um palco ao líder com traços autoritários.

Entre diplomatas e cartolas, a acusação é de que a Copa, uma vez mais, revela uma profunda hipocrisia. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, o resultado foi sua expulsão de dezenas de eventos.

Em fevereiro de 2022, a Fifa e a Uefa emitiram o seguinte comunicado:

“A Fifa e a Uefa decidiram em conjunto que todas as equipes russas, sejam seleções nacionais ou clubes, ficarão suspensas da participação em competições da Fifa e da Uefa até novo aviso.”

Nos últimos meses, os EUA atacaram a Venezuela, Irã e Nigéria, além de ameaçar dezena de países e exigir a entrega de um território europeu. Se não bastasse, aplicou sanções contra europeus e latino-americanos. Trump ainda fez repetidas ofensas contra países mais pobres e até questionou a inteligência da população da Somália.

Não por acaso, o ex-treinador do Senegal, Gana, Camarões e de diversas seleções africanas, o francês Claude Le Roy, afirmou que não via motivo para evitar o debate sobre um boicote, diante da forma pela qual Trump se refere aos africanos.

Outro movimento vem sendo identificado entre torcedores, com abaixo-assinados contra a Copa surgindo em alguns países europeus. Ainda assim, cartolas ouvidos pelo ICL Notícias admitem que esses movimentos precisam ter um respaldo das instituições.

Numa tentativa de mostrar que o mal-estar não existe, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, se apressou em anunciar em Davos, na semana passada, que mais de 500 milhões de ingressos já tinham sido solicitados.

Antecedentes
Para dirigentes europeus, são os líderes que precisam assumir suas responsabilidades. O histórico, porém, é citado como algo a não ser esquecido.

Em 1936, enquanto Hitler erguia sua máquina de morte e implementava a base do que seria o Holocausto, dirigentes esportivos e políticos em todo o mundo optaram por fechar os olhos aos abusos e fazer parte da Olimpíada em Berlim.

Um ano antes, meio milhão de americanos assinaram petições exigindo uma sede alternativa para os Jogo. Vários jornais, incluindo o New York Times, registraram objeções à participação dos EUA.

Líderes religiosos, reitores de universidades e sindicalistas criaram nos EUA o Comitê para o Jogo Limpo nos Esportes com o objetivo explícito de impedir que o país enviasse seus atletas de elite a Berlim. “Todos os americanos de bom senso e amantes do bom esporte devem se opor à nossa participação”, dizia um de seus panfletos, “porque o governo nazista está planejando deliberadamente usar os Jogos Olímpicos para promover seu prestígio político e glorificar suas políticas”.

Hitler sabia que os Jogos Olímpicos lhe proporcionariam uma oportunidade única para promover o “Reich de Mil Anos” que idealizava.

Os documentos das diferentes diplomacias não deixavam dúvidas de que todos sabiam o que estava em jogo. Sir Eric Phipps, embaixador britânico em Berlim, escreveu um telegrama para o Ministério das Relações Exteriores em 7 de novembro de 1935 o seguinte recado:

“O Chanceler (Hitler) está demonstrando um enorme interesse pelos Jogos Olímpicos. Na verdade, ele está começando a considerar as questões políticas sob a perspectiva de seu efeito sobre os Jogos. O governo alemão está simplesmente apavorado com a possibilidade de a pressão judaica induzir o governo dos Estados Unidos a retirar sua equipe e, assim, arruinar o festival, cujo valor material e propagandístico, em sua opinião, dificilmente pode ser exagerado.”

Aqueles que insistiram em ir ao evento sabiam da repressão contra os judeus e mesmo a diplomacia dos EUA sugeriu implementar o boicote.

“Caso os Jogos não sejam realizados em Berlim”, escreveu George Messersmith, cônsul-geral dos Estados Unidos em Berlim, a seus superiores no Departamento de Estado, “seria um dos golpes mais sérios que o prestígio nacional-socialista poderia sofrer em uma Alemanha em despertar e uma das maneiras mais eficazes que o mundo exterior tem de mostrar à juventude alemã sua opinião sobre a doutrina nacional-socialista.”

Para ele, era “inconcebível que o comitê olímpico americano mantivesse sua posição de que o esporte na Alemanha é apolítico, que não há discriminação”. “Outras nações estão olhando para os Estados Unidos antes de agirem, esperando por liderança; os alemães estão adiando o aumento da opressão econômica contra os judeus até que os jogos terminem. Os Estados Unidos deveriam impedir que seus atletas fossem usados por outro governo como instrumento político”, completou.

Mas o movimento nos EUA pelo boicote acabou fracassando, enterrando a pressão em outros países do mundo. Um voto na Associação de Atletas Amadores terminou com uma margem mínima de vantagem a quem defendia ir aos Jogos. De forma hipócrita, dirigentes dos EUA e de diversos países consideravam que deixar de ir ao principal evento do COI significaria o fim de suas carreiras no movimento olímpico.

O evento de Hitler acabaria tendo o maior número de delegações jamais visto até então. E o resto da história todos nós conhecemos.

*Jamil Chade/ICL


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Pentágono quer ‘restaurar a supremacia militar’ sobre a América Latina

Em documento, Departamento da Guerra diz que interesses dos EUA no Hemisfério Ocidental estão “ameaçados” e que não irá tolerar acesso de outras potências à região.

O governo de Donald Trump fala abertamente em retomar a “supremacia militar” sobre a América Latina e alerta que a defesa dos EUA inclui o controle sobre todo o hemisfério. A mensagem faz parte da estratégia de defesa nacional divulgada pelo Departamento da Guerra na última sexta-feira.

Num documento de cerca de 30 páginas, o Pentágono traça as linhas do poder militar dos EUA e indica que a ameaça chinesa não será combatida em choques diretos entre as duas superpotências, mas na ideia de “contenção”.

Um dos pontos centrais, porém, é a garantia do controle sobre as Américas.

“Defenderemos ativa e destemidamente os interesses da América em todo o Hemisfério Ocidental. Garantiremos o acesso militar e comercial dos EUA a terrenos estratégicos, especialmente o Canal do Panamá, o Golfo da América e a Groenlândia. Forneceremos ao Presidente Trump opções militares confiáveis ​​para usar contra narcoterroristas onde quer que estejam”, indicou.

Segundo o documento, o governo irá se envolver “de boa fé com nossos vizinhos, do Canadá aos nossos parceiros na América Central e do Sul, mas garantiremos que eles respeitem e façam sua parte para defender nossos interesses comuns. E onde não o fizerem, estaremos prontos para tomar medidas focadas e decisivas que promovam concretamente os interesses dos EUA”, disse.

“Este é o Corolário Trump à Doutrina Monroe, e as forças armadas americanas estão prontas para aplicá-lo com rapidez, poder e precisão, como o mundo viu na Operação ABSOLUTE RESOLVE”, afirmou, numa alusão à operação de sequestro de Nicolás Maduro.

De acordo com o plano, a Operação Lança do Sul demonstra que Trump está “extremamente empenhado em impedir que narcoterroristas contrabandeiem narcóticos letais para o nosso país”.

“O presidente também está empenhado em levar os narcoterroristas à justiça. Nicolás Maduro, por exemplo, pensava que poderia envenenar americanos impunemente. A Operação Resolução Absoluta o ensinou o contrário — e todos os narcoterroristas deveriam tomar nota”, alertou.

Ameaça
A avaliação é de que “os interesses americanos também estão ameaçados em todo o Hemisfério Ocidental”.

“Já no século XIX, nossos antecessores reconheceram que os Estados Unidos deveriam assumir um papel mais poderoso e de liderança nos assuntos hemisféricos para salvaguardar a segurança econômica e nacional de nossa nação”, disse.

“Foi essa percepção que deu origem à Doutrina Monroe e ao subsequente Corolário Roosevelt. Mas a sabedoria dessa abordagem se perdeu, pois tomamos nossa posição dominante como garantida, mesmo quando ela começou a se dissipar”, alertou. “Como resultado, vimos a influência de adversários crescer da Groenlândia, no Ártico, ao Golfo da América, ao Canal do Panamá e a locais mais ao sul. Isso não apenas ameaça o acesso dos EUA a terrenos-chave em todo o hemisfério, mas também torna as Américas menos estáveis ​​e seguras, prejudicando os interesses dos EUA e de nossos parceiros regionais”, constatou.

Segundo a estratégia, o Departamento de Guerra “priorizará essa defesa, inclusive defendendo os interesses dos Estados Unidos em todo o Hemisfério Ocidental”.

A estratégia na região consiste em três vertentes:

 

► Garantir a segurança de nossas fronteiras. A segurança das fronteiras é segurança nacional. O Departamento de Guerra priorizará, portanto, os esforços para selar nossas fronteiras, repelir formas de invasão e deportar imigrantes ilegais em coordenação com o Departamento de Segurança Interna.

► Combater o narcoterrorismo no hemisfério. Mesmo enquanto o Departamento trabalha para garantir as fronteiras dos Estados Unidos, reconhecemos que as ameaças a essas fronteiras também devem ser abordadas em outras regiões do hemisfério. Portanto, ajudaremos a desenvolver a capacidade dos parceiros de enfraquecer organizações narcoterroristas nas Américas e os apoiaremos nesse processo, mantendo também nossa capacidade de tomar medidas decisivas unilateralmente. Mas se nossos parceiros não puderem ou não quiserem fazer sua parte, estaremos preparados para agir decisivamente por conta própria, como a Força Conjunta demonstrou na Operação ABSOLUTE RESOLVE.

► Garantir a segurança de terrenos estratégicos no hemisfério ocidental. Conforme estabelecido na Estratégia de Segurança Nacional (NSS), os Estados Unidos não mais cederão acesso ou influência sobre territórios estratégicos no Hemisfério Ocidental. O Departamento de Guerra, portanto, fornecerá ao Presidente opções viáveis ​​para garantir o acesso militar e comercial dos EUA a territórios estratégicos do Ártico à América do Sul, especialmente a Groenlândia, o Golfo da América e o Canal do Panamá. Garantiremos que a Doutrina Monroe seja respeitada em nossa época.

A conclusão é explícita:

“Após anos de negligência, o Departamento de Guerra restaurará a supremacia militar americana no Hemisfério Ocidental. Usaremos essa supremacia para proteger nossa pátria e nosso acesso a territórios estratégicos em toda a região. Também impediremos que adversários posicionem forças ou outras capacidades ameaçadoras em nosso hemisfério. Este é o Corolário Trump à Doutrina Monroe – uma restauração sensata e eficaz do poder e das prerrogativas americanas neste hemisfério, em consonância com os interesses dos americanos”.

*Jamil Chade/ICL


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Sem Brasil e potências europeias, Trump funda seu ‘Conselho da Paz’ e critica ONU

Evento em Davos ocorre depois que Reino Unido e França informaram que não irão aderir por enquanto ao projeto. Ato se transformou em palanque de Trump.

O presidente dos EUA, Donald Trump, fundou nesta quinta-feira, em Davos, o que ele passou a chamar de Conselho da Paz. O órgão que rivaliza com a ONU teria a missão de lidar com as principais crises mundiais, ainda que o mandato e os detalhes do organismo não tenham sido esclarecidos.

Num palco com o símbolo da nova organização, repetindo os ramos cruzados no emblema das Nações Unidas, o protocolo sugeria que estava sendo criada uma entidade para consolidar o poder de Trump no mundo. Não por acaso, em todo o pano de fundo, era o brasão dos EUA que estava ao lado do termo “Conselho da Paz”.

O evento começou quando Trump foi chamado ao palco como autoridade máxima da nova iniciativa. O americano justificou que ele foi “convidado” a ser o líder do projeto, ainda que não tenha explicado quem o convidou.

Os demais líderes eram meros coadjuvantes, sentados em silêncio ao lado do americano, que fazia um longo monólogo sobre seus feitos.

Até mesmo a entrada em vigor do acordo foi feito a partir de uma manipulação. Pelo tratado, a assinatura de três países era suficiente para que a organização passasse a existir. Trump, então, chamou Bahrein e Marrocos para a mesa central do palco, assinou e seus assessores anunciaram que o novo organismo internacional estava criado.

Um por um, os demais líderes foram chamados para assinar o ato de fundação. Todos em silêncio.

Além de Trump, apenas mais três pessoas tomaram a palavra: a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leaviit, o enviado da Casa Branca para o Oriente Médio, Steve Witkoff, seu genro Jared Kushner, e o secretário de Estado, Marco Rubio. “Isso aqui é resultado do sonho do presidente Trump”, disse o chefe da diplomacia dos EUA.

Rubio ainda criticou entidades onde “nada acontece” e sinalizou que o destino de Gaza pode ser o destino de “outras parte dos mundo”.

Alfinetadas contra a ONU
“Vamos trabalhar com todos, inclusive com a ONU”, prometeu Trump, que repetiu seu mantra que teria encerrado sozinho oito guerras. Em certo momento, ele admitiu que “nem sabia” que algumas daquelas guerras estavam ocorrendo.

Mas usou o evento para repetir suas críticas contra a instituição. “A ONU tem um enorme potencial e acho que combinação desse Conselho com eles pode ser positiva”, disse. No acordo, porém, o novo organismo tem o compromisso de apenas informar a cada seis meses o que está fazendo às Nações Unidas.

Se o Conselho é da paz, o discurso foi desenhado para insistir no poder militar dos EUA e no êxito dos ataques de seu governo contra inimigos. “Somos o maior poder militar do mundo”, disse.

Ele ainda garantiu que Gaza será desmilitarizada e que será “reconstruída lindamente”. O evento ainda anunciou a “desradicalização” do local, livre mercado e segurança. Um dos pontos de fronteira entre Gaza e o Egito serão abertos a partir da semana que vem.

Nova fase contra narcotráfico latino-americano
O discurso de criação ainda sugeriu que o governo americano poderá lançar uma nova ofensiva contra grupos do crime organizado na América Latina, desta vez por terra.

Para Trump, a parte “mais difícil” era por mar. “Agora será mais fácil”, disse. Ele sinalizou que estava esperando “resolver” a situação política na Venezuela com o sequestro de Nicolás Maduro para, agora, ampliar sua atuação.

Esvaziado
Trump, que convidou 59 líderes pelo mundo ao novo organismo, esperava transformar o ato na confirmação de seu poder. Pelas regras do Conselho, o presidente americano será a autoridade máxima da nova entidade e o único a poder vetar decisões. A adesão de um país para ser membro permanente depende de apenas dois critérios: depositar US$ 1 bilhão e ser convidado pelo presidente dos EUA.

A resposta gelada por parte de algumas das principais potências esvaziou o encontro em Davos. Ao lado de Trump estavam apenas seus aliados mais submissos, entre eles a Argentina, Paraguai, Marrocos, Armênia, Hungria e Israel.

Também farão parte os governos da Arábia Saudita, Paquistão, Catar, Kosovo, Indonésia, Uzbequistão, Mongólia, Turquia, Egito, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Albânia, Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão e Vietnã.

O governo brasileiro não mandou nenhum representante ao evento e ainda examina a proposta. Mas há uma forte pressão por parte de assessores do Palácio do Planalto para que o Brasil não aceite o convite.

Governos como o do Reino Unido, França, Eslovênia, Irlanda, Holanda e Noruega rejeitaram a iniciativa, por enquanto. Itália e Alemanha optaram por uma cautela, não se comprometendo com qualquer adesão.

Um dos principais temores é de que o projeto represente um abalo mortal para a já combalida ONU.

Já Vladimir Putin sugeriu que poderia considerar o projeto. Mas disse que estava disposto a pagar US$ 1 bilhão, caso os ativos russos confiscados nos EUA desde a invasão da Ucrânia sejam descongelados. O Kremlin, assim, coloca a administração Trump em uma encruzilhada.

Trump parecia não se importar com os fatos e o esvaziamento do projeto. “Teremos paz no mundo”, disse.

*Jamil Chade/ICL

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Mundo

Petróleo fecha em alta com tensões na Groenlândia e dólar mais fraco

Em Davos, Christiane Langarde afirmou que as ameaças de tarifas sobre Groenlândia cria incerteza para empresas da UE e dos EUA

O petróleo fechou em alta nesta terça-feira (20) em meio a ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra países europeus que se opõem à sua iniciativa de adquirir a Groenlândia. De acordo com a CNN, o enfraquecimento do dólar frente a outras moedas também deu suporte aos preços da commodity.

Nesta terça, o petróleo WTI para março negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) avançou 1,71% (US$ 1,02), a US$ 60,36 o barril. Já o Brent para março, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em alta de 1,53% (US$ 0,98), a US$ 64,92 o barril.

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse nesta terça-feira que as tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump estão sendo usadas como “chantagem” e que a população da ilha ártica e suas autoridades precisam começar a se preparar para uma possível invasão militar.

Autoridades e parlamentares da Alemanha passaram a debater sobre um imposto digital contra empresas de tecnologia dos Estados Unidos, em resposta às novas ameaças tarifárias do presidente Donald Trump ligadas à Groenlândia. Em resposta, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, disse que o governo dos EUA voltaria a tarifar ainda mais os países europeus em caso de uma possível retaliação do bloco.

Ainda no radar geopolítico, a Rússia voltou a atacar a infraestrutura energética da Ucrânia, cortando a energia externa da usina nuclear de Chernobyl.

A queda do dólar também deu suporte aos preços, segundo o ING, já que uma moeda americana mais fraca pode impulsionar a demanda por petróleo ao tornar as compras denominadas em dólar mais baratas.


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Brasil Mundo

Em artigo no New York Times, Lula condena ataque dos EUA à Venezuela

Presidente brasileiro rebateu a lógica da força, defendeu autodeterminação do povo venezuelano e argumentou que os desafios só se resolvem com união, e não com imposição

Os bombardeios dos Estados Unidos em território venezuelano e a captura de seu presidente em 3 de janeiro são mais um capítulo lamentável na erosão contínua do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. A avaliação é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em artigo publicado no New York Times (NYT) neste domingo (18/01).

Segundo o líder brasileiro, chefes de Estado ou de governo – de qualquer país – podem ser responsabilizados por ações que prejudiquem a democracia e os direitos fundamentais. “Nenhum líder tem o monopólio do sofrimento de seu povo. Mas não é legítimo que outro Estado se arrogue o direito de fazer justiça”, afirmou. Ele acrescentou que as ações unilaterais ameaçam a estabilidade em todo o mundo, perturbam o comércio e os investimentos, aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem ainda mais a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais.

Lula declarou ser particularmente preocupante que tais práticas estejam sendo aplicadas à América Latina e ao Caribe, uma vez que trazem violência e instabilidade para uma parte do mundo que luta pela paz por meio da igualdade soberana das nações, da rejeição ao uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos.

“Em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos, embora forças americanas já tenham intervindo na região anteriormente”, pontuou ao NYT.

A América Latina e o Caribe abrigam mais de 660 milhões de pessoas. “Temos interesses e sonhos próprios a defender”, afirmou o presidente. Para Lula, em um mundo multipolar, nenhum país deve ter suas relações exteriores questionadas por buscar a universalidade. “Não seremos subservientes a empreendimentos hegemônicos alheios. Construir uma região próspera, pacífica e pluralista é a única doutrina que nos convém”, declarou.

Lula afirmou que os países devem lutar por uma agenda regional positiva, capaz de superar diferenças ideológicas em favor de resultados pragmáticos. “Queremos atrair investimentos em infraestrutura física e digital, promover empregos de qualidade, gerar renda e expandir o comércio dentro da região e com nações fora dela”, acrescentou. A cooperação é fundamental para mobilizar os recursos que a América Latina precisa para combater a fome, a pobreza, o tráfico de drogas e as mudanças climáticas.

“A história mostrou que o uso da força nunca nos aproximará desses objetivos. A divisão do mundo em zonas de influência e incursões neocoloniais por recursos estratégicos são ultrapassadas e prejudiciais”, disse ao NYT.

Ele enfatizou que é crucial que os líderes das grandes potências entendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável. Por mais fortes que essas potências sejam, elas não podem contar apenas com o medo e a coerção.

“O futuro da Venezuela, e de qualquer outro país, deve permanecer nas mãos de seu povo”, afirmou. Lula lembrou que somente um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos, levará a um futuro democrático e sustentável. “Esta é uma condição essencial para que os milhões de cidadãos venezuelanos, muitos dos quais estão temporariamente abrigados no Brasil, possam retornar com segurança ao seu país”, acrescentou.

Lula reiterou que o Brasil continuará trabalhando com o governo e o povo venezuelano para proteger os mais de 2.000 quilômetros de fronteira que compartilham e para aprofundar a cooperação.

“É nesse espírito que meu governo se engajou em um diálogo construtivo com os Estados Unidos. Somos as duas democracias mais populosas do continente americano. Nós, no Brasil, estamos convencidos de que unir nossos esforços em torno de planos concretos para investimento, comércio e combate ao crime organizado é o caminho a seguir. Somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós”, concluiu ao New York Times – um hemisfério que, como ele mesmo afirma, ‘pertence a todos nós’, e não a uma única potência.

*Opera Mundi


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Mundo

EUA alertam voos na América Central e do Sul por risco de ações militares

Avisos começaram nesta sexta-feira e terão duração de 60 dias

A FAA (Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos) informou nesta sexta-feira (16) que está emitindo uma série de alertas às companhias aéreas para que tenham cuidado ao sobrevoar a América Central e partes da América do Sul, citando os riscos de possíveis atividades militares e interferência de GPS.

A agência informou que emitiu avisos aos aviadores abrangendo o México, outros países da América Central até Equador, a Colômbia e partes do espaço aéreo no leste do Oceano Pacífico.

Os avisos começaram nesta sexta-feira e terão duração de 60 dias.

EUAOs alertas ocorrem em meio ao aumento das tensões entre os Estados Unidos e os líderes regionais, depois que o governo Trump montou uma força militar em grande escala no sul do Caribe e atacou a Venezuela e prendeu Nicolás Maduro.

Trump levantou a possibilidade de outras ações militares na região, inclusive contra a Colômbia.

Na semana passada, ele disse que cartéis estavam comandando o México e sugeriu que os EUA poderiam atacar alvos terrestres para combatê-los, em uma das várias ameaças de usar as forças americanas contra os cartéis de drogas.

Após o ataque à Venezuela, a FAA restringiu os voos em todo o Caribe, o que forçou o cancelamento de centenas de voos das principais companhias aéreas.


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Política

Após incitar manifestantes, EUA anunciam sanções contra autoridades do Irã

Em lista com mais de 20 nomes de pessoas e entidades punidas, se destacam comandantes policiais e da Guarda Revolucionária iraniana

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos divulgou nesta quinta-feira (15/01) uma lista de autoridades do Irã que passam a estar sancionadas em função de sua participação na reação repressiva aos protestos registrados no país este ano.

A medida bloqueia todos os bens e ativos dos cerca de 23 sancionados sob jurisdição norte-americana e proíbe transações deles com cidadãos e residentes dos Estados Unidos.

Em comunicado, o governo norte-americano classificou as autoridades listadas como “arquitetos da brutal repressão do regime iraniano contra manifestantes pacíficos”.

Washington também disse que a medida visa desarticular “redes bancárias paralelas que permitem à elite iraniana roubar e lavar a receita gerada pelos recursos naturais do país”.

Entre os oficiais de segurança que sofreram a punição de Washington está Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional (CSSN), órgão de aconselhamento da principal autoridade do país, o aiatolá Ali Khamenei.

Segundo a nota do governo norte-americano, “Larijani foi um dos primeiros líderes iranianos a incitar a violência em resposta às demandas legítimas do povo”.

Outros nomes destacados da lista são os de Mohammad Reza Hashemifar e Azizollah Maleki, comandantes das forças policiais da República Islâmica nas províncias do Lorestão e de Fars, além de Nematollah Bagheri e Yadollah Buali, comandantes da Guarda Revolucionária nas respectivas regiões, nas quais os Estados Unidos consideram que “foram cometidas múltiplas atrocidades contra civis”.

Além deles, foram punidas outras 18 pessoas e entidades que “desempenham papéis cruciais na lavagem de dinheiro proveniente da venda de petróleo e produtos petroquímicos iranianos para mercados estrangeiros”.

*Opera Mundi


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