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Opinião Política

Diante de mais uma crise provocada por Trump, basta que Lula seja o Lula

No Brasil, o que mais deixa irritada essa xepa de direita, chamada bolsonarismo, é se deparar com a realidade nua e crua.

O que tem Lula de gênio político e, como tal, reconhecido no mundo, Trump tem de burro.

Lula é o que se pode chamr de solista de sete instrumentos, sem qualquer economia. É uma mistura de contista com sociólogo, de romancista com um inexorável contador de histórias brasileiras, no Brasil e no mundo.

Trump, além de infantil, é árido, até em suas abstrações econômicas que, na prática, ao invés de reduzir, cria grandes problemas ao país que governa.

É fundamental destacar esse confronto de posições diante do mundo contemporâneo.

Lula só apresenta soluções claras e precisas para qualquer caso no mundo moderno. Tump é um ferro velho da era do petróleo, que vive dos mortos dos supostos anos dourados dos EUA, apelando diretamente para sentimento de superioridade sem qualquer traço de criatividade fora da velha corrente do imperialismo ianque.

Lula é um produto exclusivo do coração, o grande e inesgotável coração brasileiro.

Ao contrário, as ideias deTrump, além de não terem nada de práticas, são dignas de um pensamento militante carregado de slogans e vazias de resultados, sempre sendo guiado por preocupações individuais, restritas a impulsos particulares sem qualquer objetivo prático para o todo da sociedade e, sobretudo, para o mundo.

Por isso, os dois não coincidem e só não se chocaram durante a crise das tarifas, porque Lula carrega com ele um idealismo prático de progresso material para o povo brasileiro, sem se esquecer de compartilhar ganhos em suas parceiras políticas e comerciais mundo afora.

Lula tem um idealismo que se nutre nas relações afetivas, do alto pensamento e da visão geral e ampla de um mundo melhor para todos. Não leva a mal, mas o homem é foda, incomparável! Seja com suas preocupações humanas, materiais e até com seus objetivos mercantis.

Esse é o principal traço da psicologia brasileira que Lula carrega consigo.

O resultado é um espetáculo de grandeza que irradia por onde ele passa nos quatro cantos do Globo.

Mas a coisa vai além. Explico: o pensamento de Lula, e vimos isso na crise das tarifas, é regenerar pontes destruídas por adversários e, ao contrário, construir grandes perspectivas e amplas possiilidades de parcerias.

Some isso à história de fracasso de Donald Trump no mesmo quesito para entender o grande valor moral e estratégico de Lula, que soube fugir dos extremos e administar a crise de forma silenciosa  profundamente cirúrgica.

A ação nefasta do imperialismo de Trump não encontrou em Lula qualquer ação contrária, como vimos, Lula esperou o resultado desastroso do acúmulo de lambanças de Trump para, no momento certo, tomar uma atitude objetiva em favor do Brasil diante de um papel internacional negativo que Trump quis impor ao mundo.

Com uma ação inapelavelmente inteligente  e de forma consciente, Lula usou um simplismo até primário, mas principalmente muito mais complexo, sabendo esperar o  bufão se esbaforir e cair de joelhos a seus pés.

Ou seja, Lula, com toda a história política anti-imperialista que viveu, soube esperar os efeitos externos de uma tática protecionista em nome de um nacionalismo arcaico que assanhou Trump, para que a verdade se colocasse acima dos arrotos de Trump a partir do código de xenofobia e histeria.

O resultado foi a substituição do confronto de Trump contra o Brasil por condições particulares altamente favoráveis ao mesmo Brasil.

Foi assim, no silêncio, que Lula se manifestou, e a história do Brasil, diante de uma grave medida dos EUA, avançou e adquiriu fisionomia de país que sabe o que faz com a bola no pé.


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Mundo

China pede garantias de segurança e libertação imediata de Maduro e esposa

País expressou ‘profunda preocupação’ com prisão do líder venezuelano e disse que EUA violam claramente o direito internacional

A China pediu aos Estados Unidos que libertem “imediatamente” o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, informou o Ministério das Relações Exteriores chinês neste domingo (04/01).

“A China expressa profunda preocupação com a prisão forçada do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa pelos Estados Unidos e sua expulsão do país. A ação dos EUA viola claramente o direito internacional, as normas básicas das relações internacionais e os propósitos e princípios da Carta da ONU”, afirma a chancelaria chinesa, em comunicado.

A China pediu aos Estados Unidos que libertem “imediatamente” o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, informou o Ministério das Relações Exteriores chinês neste domingo (04/01).

“A China expressa profunda preocupação com a prisão forçada do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa pelos Estados Unidos e sua expulsão do país. A ação dos EUA viola claramente o direito internacional, as normas básicas das relações internacionais e os propósitos e princípios da Carta da ONU”, afirma a chancelaria chinesa, em comunicado.

Violação das regras internacionais
O texto também ressalta que “a agressão injustificável dos EUA destrói qualquer autoridade moral que [Washington] possa ter reivindicado“. “As regras internacionais se aplicam a todos, não apenas a alguns. Quando os mais fortes escolhem desrespeitar a lei, a cerca de regras se enfraquece para todos”, afirma o texto.

Pequim lembra que “tais padrões duplos esvaziam o direito internacional e convidam a um mundo onde o poder faz a justiça — um resultado que nenhum país, especialmente aqueles comprometidos com a paz e o desenvolvimento, deveria aceitar”.

O editorial também condena a justificativa de combate ao narcotráfico oferecida por Washington, afirmando que a alegação “não legitima nem pode legitimar a invasão de uma capital, o bombardeio de territórios soberanos ou a remoção de um chefe de Estado”.

“Tal raciocínio, se aceito, concederia às nações poderosas uma licença universal para intervenção militar, indo diretamente contra os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”, adverte.

No próprio sábado (03/01), após os ataques contra Caracas, a chancelaria chinesa instou “os EUA a respeitarem o direito internacional e os princípios da Carta da ONU e a parar de violar a soberania e a segurança de outros países”.

O país é um dos maiores compradores de petróleo da Venezuela. Ao ser questionado sobre isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que continuará vendendo o combustível e, agora, em “volumes muito maiores” aos países que já o comercializam e “que muitos outros virão”.

Coréia do Norte
O Ministério das Relações Exteriores norte-coreano também se manifestou. Neste domingo (04/01), a Coréia do Norte afirmou que os ataques dos Estados Unidos são a “forma mais grave de violação de soberania” e disse que o país está atento à gravidade da atual situação na Venezuela.

Em comunicado, o país afirma que “o incidente é mais um exemplo que confirma, claramente, mais uma vez, a natureza desonesta e brutal dos EUA” e que ele terá “consequências catastróficas” na estrutura “das relações regionais e internacionais”.

*Opera Mundi


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Opinião Política

Trump se comporta não como um chefe de Estado, mas como líder de hospício

Tenho lido umas análises hiperbólicas, sem trazer concretamente uma perspectiva dos resultados práticos da alucinação de Trump, que se comporta como um Hitler tardio..

O que se fará aqui são perguntas sobre esse nonsense total, anunciado por Trump neste sábado.

No Brasil, quem vibrou efusivamente com a invasão terrorista do Exército norte-americano na Venezuela e o sequestro de Maduro?

Todos sabemos, só os bolsonaristas mais pirados, só os tresloucados restanes da terra plana que rezam para pneu e, com celuar na cabeça, procuram por ETs, ou seja, o hospício brasileiro, que engloba boa parte de neopentecostais, conduzidos por pastores pedófilos, estupradores e por aí vai.

É aquela mesma gente, que se diz cristã, mas que apoia o genocídio em Gaza, promovido pelos EUA e Israel, este mesmo Estado que essa gente diz ser cristão.

É esse caldo de lunáticos que troca ideia com Saci Pererê, mula sem cabeça, entre outras figuras das trevas mentais, que soltaram fogos para o tresloucado, Donald Trump.

Por que fizeram isso?

Porque siplesmente eles não têm ideia de quem são, aonde estão e para onde vão.

Diria que esse é um retrato definitivo do que vimos neste sábado, após Trump comer uma tigela de cocô, ao vivo e a cores, diante dos olhos do mundo.

Mas faremos algumas perguntas:

O povo venezuelano aceitará passivamente que Trump roube o que a Venezuela tem para sobreviver, mesmo que precariamente, que é o petróleo?

Isso ampliará o mercado norte-americano na América Latina como é aventado por muitos analistas afobados, para comprar e vender o quê?

Mercado se faz à bala?

Obrigará as populações da América Latina a consumir os caríssimos produtos dos EUA quando elas não têm poder aquisitivo para se segurar em pé?

Como o super Trump lidará com essa realidade que ele não tem bala comercial para brigar por 1% de espaço para brigar com a China nas plataformas de vendas online?

Ninguém faz comércio por decreto. Ou tem um produto competitivo ou está morto. Essa é a regra do jogo.

Alguém acha que o Veio da Havan deixará de vender bugiganga chinesa para vender eletrônicos norte-americanos porque Trump invadiu a Venezuela?

O que é imperatino na vida como ela é, é a própria dinâmica do mundo, sobretudo nas relações comerciais, e isso não será tocado ou modificado um milímetro sequer.

Nesta segunda, a 25 de março, em São Paulo, seguirá empencada de mercadorias chinesas acessíveis à população brasileira, e os EUA continuarão sem conseguir vender no Brasil uma mísera agulha, porque não tem preço, porque tem uma economia obsoleta para enfrentar uma disputa comercial no mundo.

Trump é o maior cavalo de troia que os EUA produziram contra a própria nação.

As tarifas impostas por Trump são didáticas, quem pagou o pato dessa loucura, foram os norte-americanos, empresários, consumidores, enfim, cidadãos daquele país.

Deu merda e da grossa!

Agora, vem o idiota, tira esse coelho morto do cartola empoeirada e, como o grande pimpão do mundo, anuncia um golpe de Estado, seguido de sequestro do petróleo venezuelano.

Então, vem a pergunta até tola, o que os EUA farão com mais petróleo além de coisa nenhuma?

Só o fato de Trump, em seu pronunciamento, dar ênfase 18 vezes ao  petróleo, em pleno 2026, quando o mundo busca cada vez mais soluções energéticas limpas e renováveis, já mostra que o sujeito é um caduco de pedra.

Por mais que os EUA tenham tido líderes e presidentes facínoras para sustentar o império, ninguém se mostrou com o nível de loucura sequer parecido com esse maluco careteiro.

É só olhar para the day after para perceber que não tem a página 2 nessa história. E se tem alguém que deve ficar de verdade em pânico, são os próprios norte-americanos, que têm no comando do país, em plena derrocada econômica, um idiota falastrão que, a essa altura do jogo comercial do mundo, não sabe quem é a bola.

Quer coisa mais jurássica que invadir um país para roubar petróleo?

Trump só assinou uma confissão de fracasso como líder de um império morto.

Trump não vai piorar o mundo, só continuará a piorar os EUA para os norte-americanos, como fez com suas amalucadas tarifas e foi obrigado a recuar.

Trump acusa Maduro de inundar os EUA de drogas, o remédio é roubar o petróleo do povo pobre da Venezuela?

Em que lugar do planeta, além dos bolsonaristas mais aloprados do Brasil, alguém apoiará uma meleca como essa?


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Política

Vídeo: Diário de um idiota desmoralizado

Nos EUA desde março, ex-deputado perdeu mandato por faltas e PF quer que ele trabalhe como escrivão.

Aquele sujeito que, dos EUA, declarou guerra contra o Brasil, era apenas um comédia e não sobrou nada dele, cabo e soldado, Trump, Magnistky, tarifas, invasão do exército norte-americano no Brasil, foi tudo ridiculamente desmontado junto com a lona do circo.

Até o ninguém, Paulo Figueiredo se distanciou do garganta, que se dizia íntimo de Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA, agora está aí choramingando seu emprego de datilógrafo na Polícia Federal, sem o menor pudor e falando em meu emprego que eu alcancei através de provas.

Ou seja, nem sonho, nem milagre, nem sua terra, os EUA. O grande Eduardo Bolsonaro não passa de um minúsculo errante, boboca que virou piada nacional para milhões de brasileiros que sabem da sua existência.

Na verdade, está tentando se salvar da cadeia no Brasil, numa ideia velhaca de utilizar o sentimentalismo barato em seu engenhoso e tolo discurso em busca de algum pedal dentro do Brasil.

Ser otário não é assim tão simples, porque o mesmo precisa, de alguma forma, de uma vizinhança, coisa que nem essa miniatura moral conquistou. E terá um punhado de processos para responder, no Brasil, pelos crimes comprovados de traição à pátria.

Não há para onde fugir. Muitos dizem que ele nem está mais nos Estados Unidos, porque seu visto venceu.

https://twitter.com/i/status/2007197814309454237


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Política

Tensão na Venezuela leva Lula a fazer pedido a Celso Amorim

O presidente Lula (PT) orientou o assessor especial Celso Amorim a evitar deslocamentos longos neste período de fim de ano. A recomendação, segundo relatos de auxiliares, está ligada à avaliação do governo de que a escalada de tensão entre Venezuela e Estados Unidos pode, em um cenário extremo, evoluir para uma ação militar em terra, conforme informações do colunista Paulo Cappelli, do Metrópoles.

De acordo com interlocutores, Lula justificou a cautela ao afirmar: “Precisamos estar preparados para caso o pior aconteça”. Diante desse diagnóstico, equipes do alto escalão do Itamaraty e do Palácio do Planalto atuarão em regime de revezamento durante o período festivo, enquanto assessores diretos do presidente permanecerão de prontidão.

Tentativa de mediação com os Estados Unidos
Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tratou do tema em conversas com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A tentativa foi recolocar a Venezuela no centro das discussões e reforçar o pleito para que o Brasil atue como intermediador diplomático. O governo Trump, no entanto, demonstrou resistência à proposta.

A preocupação do Planalto aumentou após a intensificação de exercícios militares na região e de declarações públicas mais duras de autoridades norte-americanas contra o regime de Nicolás Maduro. De acordo com o DCM, na avaliação do governo brasileiro, qualquer movimento mais agressivo teria impacto direto sobre a estabilidade regional, com efeitos colaterais imediatos na fronteira norte do Brasil.

Tradicionalmente, o Brasil busca se posicionar como ator moderador em crises sul-americanas, apostando no diálogo e na preservação de canais institucionais. Essa linha tem orientado a leitura do Planalto diante do atual cenário de tensão envolvendo Caracas e Washington.

Operações militares e reação venezuelana
Desde setembro, os Estados Unidos ampliaram operações no Caribe e no Pacífico Oriental contra embarcações que, segundo Washington, estariam ligadas ao narcotráfico. Essas ações já resultaram na morte de mais de 100 pessoas, incluindo pescadores locais.

Em resposta, o governo venezuelano classificou o contexto como uma “campanha de agressão”, apontando os efeitos combinados das sanções e das operações militares no país.

A escalada ganhou novo capítulo em 16 de dezembro, quando Trump anunciou um bloqueio formal a petroleiros que operam em rotas relacionadas à Venezuela, em uma medida voltada a aumentar a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro.


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Mundo

EUA cercam Venezuela com maior poder militar já visto na América Latina

Escalada liderada por Donald Trump supera intervenções históricas e coloca a região diante do maior cerco militar norte-americano desde a Guerra Fria

O segundo semestre de 2025 entrou para a história como o período da maior mobilização militar dos Estados Unidos contra um país latino-americano – desde a crise dos mísseis de Cuba em 1962. Sob o comando do presidente Donald Trump, Washington concentrou no Caribe e no entorno da Venezuela um aparato bélico que supera, em poder de fogo e alcance estratégico, intervenções como as invasões de Granada e da Nicarágua nos anos 1980.

Porta-aviões, destróieres lançadores de mísseis, submarinos nucleares, caças de última geração e milhares de militares passaram a operar na região, em uma demonstração de força que rompe com o padrão histórico de pressões diplomáticas e sanções econômicas. Várias ilhas caribenhas hospedam esse aparato militar, que demonstra o tamanho do empenho e receio de Donald Trump em repetir os fracassos do Vietnã ou da invasão da Baía dos Porcos em Cuba.

Aumentando o risco de possíveis ataques contra a Venezuela, o presidente dos EUA declarou o espaço aéreo do país como “totalmente fechado”, sem dar maiores detalhes sobre o anúncio. Ao menos cinco aeronaves, incluindo caças Boeing EA-18G Growler e F/A-18E Super Hornet, sobrevoaram a região sem entrar no espaço aéreo de Caracas.

Mirando novamente o setor petrolífero da Venezuela, país detentor das maiores reservas do combustível fóssil ao redor do mundo, Trump anunciou nesta terça (16), um novo bloqueio marítimo, que busca impedir a entrada ou saída de navios sancionados pelos EUA na Venezuela. Segundo o Vermelho, um dia depois (17), um novo ataque “cinético letal” contra uma embarcação acrescentou mais vítimas às quase 100 pessoas já mortas desde setembro.

De sanções a ameaça militar aberta

A ofensiva ganhou intensidade após a posse de Nicolás Maduro para um novo mandato, em janeiro, contestado por Washington, apesar de todo o protocolo característico de uma democracia eleitoral. Trump classificou o presidente venezuelano como chefe de um suposto cartel de drogas e, na sequência, ampliou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à sua captura.

Na prática, a mudança criou precedentes para operações militares dos EUA em outros países, sob a justificativa de combater o terrorismo — como já aconteceu em países como o Afeganistão, Síria e Líbia, países que continuam desgovernados sob controle de facções em conflito, um risco calculado para a Venezuela.

O discurso rapidamente se traduziu em ações concretas. Desde agosto, os EUA iniciaram ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico sob a alegação de combate ao narcotráfico, sem apresentação pública de provas. Em paralelo, retomaram sanções duras contra o setor petrolífero venezuelano, principal fonte de receitas do país.

A lógica do “narcoterrorismo”

O ponto de inflexão foi a adoção oficial, pelo governo Trump, de uma doutrina que classifica organizações ligadas ao tráfico de drogas como “terroristas internacionais”. A mudança abriu brechas legais para o uso direto da força militar fora do território norte-americano, replicando métodos aplicados anteriormente nos países do Oriente Médio mencionados.

Ao associar o governo Maduro ao chamado “narcoterrorismo”, Washington passou a justificar bloqueios navais, apreensão de petroleiros e bombardeios seletivos como parte de uma suposta guerra global ao terrorismo.

Bloqueio naval e cerco ao petróleo

Em dezembro, Trump anunciou um bloqueio marítimo contra petroleiros sancionados que entram ou saem da Venezuela, além de declarar o país “completamente cercado pela maior armada já reunida na história da América do Sul”. A medida elevou drasticamente o risco de confronto direto entre forças norte-americanas e venezuelanas.

Como resposta, Caracas passou a escoltar seus navios com a Marinha nacional e denunciou os EUA no Conselho de Segurança da ONU por violação do direito internacional e prática de “pirataria naval”. Enquanto Caracas chegou a arrecadar mais de 100 bilhões de dólares (R$ 552 bilhões) por ano com petróleo, hoje o valor fica em cerca de 20 bilhões de dólares (R$110 bilhões). Embora tenha a maior reserva do combustível, a produção venezuelana represente cerca de 1% da produção global.

Segundo o presidente republicano, a Venezuela está atualmente “cercada pela maior armada já reunida na história da América do Sul”. Por isso, o cerco contra o país só deve ser encerrado quando o “petróleo, terra ou quaisquer outros ativos” norte-americanos forem devolvidos. Até o momento, contudo, a administração Trump ainda não deixou claro sobre bens dos EUA que teriam sido apropriados pelo governo Maduro.

Reações internacionais e risco regional

A mobilização norte-americana provocou reações imediatas. Rússia e China declararam apoio à Venezuela e alertaram para consequências imprevisíveis. Além dos aliados, a ONU e os governos do México e da Alemanha também se pronunciaram na quarta-feira. A ONU pediu desescalada, enquanto países do Caribe demonstraram preocupação com a transformação da região, historicamente declarada “zona de paz”, em um novo palco de confrontação militar.

Especialistas alertam que a presença simultânea de grandes frotas navais em águas estreitas aumenta o risco de incidentes que podem servir de estopim para um conflito aberto.

Autoridades do Caribe, que dependem de parcerias de segurança com os EUA para combater o tráfico de armas e drogas, expressaram preocupação de que os ataques possam prejudicar suas economias e o turismo, embora admitam nos bastidores que pouco podem fazer para impedi-los.

O ponto mais próximo de Trinidad Tobago fica a apenas 11 km da costa da Venezuela, e seu governo está hospedando fuzileiros navais dos EUA, permitindo a instalação de um sistema de radar em um de seus aeroportos e participando de exercícios militares conjuntos com forças americanas. O primeiro ataque relatado em setembro deixou 11 mortos na costa de Trinidad. “As Forças Armadas dos EUA deveriam matá-los a todos violentamente,” diz a primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, embora a violência em seu país seja alimentada por armas contrabandeadas dos EUA, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

O presidente dominicano Luis Abinader também autorizou as Forças Armadas dos EUA a operarem em áreas restritas de seu país. Aeronaves militares dos EUA podem reabastecer e transportar equipamentos e pessoal técnico, disse ele em uma coletiva de imprensa conjunta com o secretário de Defesa, Pete Hegseth, na capital dominicana no mês passado. “Dominicanos, nosso país enfrenta uma ameaça real, uma ameaça que não reconhece fronteiras, que não distingue bandeiras, que destrói famílias e que vem tentando usar nosso território como rota há décadas”, declarou.

Porto Rico é um território ocupado pelos EUA, não uma nação independente. Foi usado durante toda a Guerra Fria para apoiar ações militares dos EUA na América Central e do Sul, e voltou à ativa nas últimas semanas com intensa movimentação militar.

Washington abordou Granada para solicitar a instalação temporária de equipamentos de radar e pessoal técnico associado em um aeroporto internacional. O pedido causa polêmica no país que já foi invadido pelos EUA em outubro de 1983, após o assassinato do primeiro-ministro Maurice Bishop, um revolucionário socialista. O aeroporto batizado com o nome do líder assassinado, seria o local da instalação do radar dos EUA.

Mais grave que Granada e Nicarágua

Mesmo nos momentos mais tensos da Guerra Fria, como a invasão de Granada ou o apoio armado dos EUA contra a Nicarágua sandinista, Washington não concentrou tamanho poder de fogo de forma tão explícita e prolongada no entorno de um único país latino-americano.

Agora, com ataques letais, bloqueios navais e ameaças públicas de guerra, a ofensiva contra a Venezuela marca um novo patamar de intervenção, recolocando a América Latina no centro da estratégia militar global dos Estados Unidos — e reacendendo memórias históricas de um continente repetidamente tratado como zona de influência e não como região soberana.


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Brasil Mundo

Relatório da Abin revela pressão de Israel e EUA sobre América do Sul

Abin destacava a pressão de Washington contra Assunção por conta da “suposta transigência com o financiamento do terrorismo”

Os governos dos EUA e de Israel colocaram pressão sobre o Paraguai por conta da suposta existência de bases de financiamento do Hezbollah na Tríplice Fronteira, envolvendo ainda o Brasil e a Argentina.

A informação faz parte de documentos da agência e que foram obtidos após uma longa batalha judicial pela Fiquem Sabendo, organização sem fins lucrativos especializada em transparência pública.

Nesta semana, o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio assinou um acordo de cooperação militar entre os EUA e o Paraguai, levantando preocupações no Itamaraty sobre o envolvimento de forças armadas americanas cada vez mais próximas das fronteiras do país.

Em maio de 2025, o governo de Donald Trump lançou sua primeira ação de combate ao terrorismo na Tríplice Fronteira, oferecendo uma recompensa permanente de até US$ 10 milhões por informações que “levem ao rompimento dos mecanismos financeiros da organização terrorista Hezbollah”, em especial no Brasil e região.

O foco é o financiamento de grupos ligados ao Irã que, nos últimos meses, passou a ser alvo de medidas da Casa Branca num esforço para asfixiar o regime de Teerã.

Mas o assunto estava no radar de Trump desde seu primeiro mandato. No relatório de inteligência N° 0063/92300 de 15 de fevereiro de 2019, a Abin destacava a pressão de Washington contra Assunção por conta da “suposta transigência com o financiamento do terrorismo”.

“Membros do governo paraguaio têm se mostrado cada vez mais incisivos em seus
posicionamentos contra a pressão política conduzida pelos governos dos Estados Unidos da América (EUA) e de Israel no tocante aos temas relativos à segurança na região da Tríplice Fronteira (TF) Brasil-Paraguai-Argentina”, afirmou o documento.

Segundo a Abin, a manifestação do desconforto das autoridades de segurança paraguaias aconteceu em janeiro daquele ano, numa reunião na sede do Banco Central do Paraguai, em Assunção.

“O evento, realizado anualmente sob os auspícios dos EUA, aconteceu pela terceira vez na América do Sul e, pela primeira vez, no Paraguai. A edição de 2019, iniciativa argentina e estadunidense para a discussão de questões transacionais, especialmente financiamento ao terrorismo e lavagem de dinheiro, serviu também como preparatória da visita técnica do Grupo de Acción Financiera de Latinoamérica (Gafilat), que ocorrerá este ano no Paraguai”, explicou a agência.

Durante o encontro, as autoridades paraguaias deixaram claro “o desconforto com respeito às reiteradas alegações da presença do Hezbollah no país”. “As ilações normalmente estão associadas a atividades de contrabando e lavagem de dinheiro operadas por pessoas supostamente vinculadas ao grupo político-militar. Vários ministros têm se manifestado quanto à inexistência de provas. até o momento, sobre a atuação direta do Hezbollah no país, sendo a mais enfática a ministra Mara Epifanía González, da Secretaria de Prevenção de Lavagem de Dinheiro Bens (Seprelad)”, disse.

O ministro Esteban Aquino Bernal, da Secretaria Nacional de Inteligência (SNI), também foi duro e destacou a “inexistência de provas concretas até o momento, não descartando porém, a possibilidade de que libaneses pertencentes à tradicional comunidade muçulmana da região venham a ter algum tipo conexão com o grupo”.

A Abin apontou que, “não obstante seu posicionamento, Esteban Aquino apresentou de forma superficial casos envolvendo pessoas possivelmente relacionadas com o Hezbollah na lavagem de dinheiro na Tríplice Fronteira, não tendo, contudo, revelado dados que evidenciassem tal relação”.

“Ele destacou os riscos de criminalizar pessoas, em particular, e a região de maneira generalizada, além de assegurar que o dinheiro envolvido nos casos citados leve como intermediários organizações não governamentais atuantes no Paraguai e instituições do sistema bancário dos EUA”, insistiu o informe.

A Abin ainda informou que “logo após fazer tais referências, sua fala teria sido cortada a pedido da organização sob alegação de esgotamento do tempo estipulado para sua palestra”.

“É provável que o aumento da pressão sobre o Paraguai tenha ainda cunho retaliatório sobre o atual presidente da República, Mario Abdo Benitez, o qual, no início de seu mandato. determinou o retorno da embaixada paraguaia em Israel de Jerusalém para Tel Aviv”, avaliou a Abin.

“A despeito de admitir a existência de pressões sobre o Paraguai, inclusive de organizações não governamentais estadunidenses, o embaixador dos EUA no país afirma que tais pressões não provêm do seu governo. Segundo o embaixador, oficialmente, o governo dos EUA não acusa o Paraguai de leniência em relação a financiamento do terrorismo, mas somente em relação a lavagem de dinheiro”, completou a nota.

Como foram obtidos os documentos
O acesso aos documentos da Abin ocorreu depois de seis anos de batalha por parte da Fiquem Sabendo e é considerado como um divisor de águas para a transparência no Brasil.

Documentos classificados são informações públicas que, por motivos de segurança da sociedade ou do Estado, são temporariamente mantidas em sigilo. Os documentos obtidos já foram desclassificados e, portanto, estão fora do prazo de sigilo. De fato, entre 2014 e 2020, mais de 400 mil documentos federais perderam o sigilo.

Mas o acesso nem sempre está garantido. Assim, o projeto Sem Sigilo começou em 2019, quando a entidade convocou voluntários para pedir documentos cujo prazo de sigilo expirou. A iniciativa coletou milhares de páginas de dezenas de órgãos, mas enfrentaram resistência de entidades como Abin, GSI, Ministério da Defesa, Forças Armadas, Polícia Federal e Itamaraty.

Em 2020, eles ajuizaram uma ação contra a Abin. A ideia era enfrentar o órgão mais resistente à transparência pública porque apostavam que, se ganhassem, outros cairiam por gravidade.

Em 2021, o MPF acolheu parcialmente os argumentos e sugeriu que a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), do Congresso, analisasse os documentos. Corretamente, o Congresso se recusou, afirmando não ser sua competência.

Em 2023, a ação sofreu uma derrota em primeira instância. A Justiça aceitou o argumento da União de que a Abin poderia decidir sozinha o que divulgar ou não — mesmo contrariando o texto da LAI.

Mas, em maio de 2025, a 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) acatou o pedido e condenou, por unanimidade, a União e a Abin a entregar um conjunto de documentos mantidos ilegalmente sob sigilo.

A decisão tem um impacto profundo, já que:

Estabelece jurisprudência: é a primeira decisão em nível federal que reafirma que nenhum órgão está acima da LAI — e que seus prazos não são opcionais.

Cria precedente: o entendimento agora pode ser replicado para cobrar outros órgãos que seguem descumprindo a Lei, como o Itamaraty e as Forças Armadas.

Desmonta o sigilo eterno: reafirma que a transparência é a regra, e o sigilo, a exceção — com prazo.

*Publicado com exclusividade por Jamil Chade no ICL


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Política

Eduardo Bolsonaro vira chacota após EUA retirarem sanções de Moraes: “Pateta”

O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi alvo de piadas durante um evento realizado em São Paulo, na sexta-feira (12), poucas horas após o governo do presidente Donald Trump retirar o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes da aplicação da Lei Magnitsky. Com informações da coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles.

Segundo relatos, o parlamentar virou assunto em rodas de conversa durante a inauguração do canal de notícias “SBT News”. Empresários e ministros presentes no evento comentaram a atuação de Eduardo junto a autoridades dos Estados Unidos em defesa de sanções contra integrantes do Judiciário brasileiro.

Em uma das conversas, Eduardo chegou a ser chamado de “pateta”. Um ministro do governo Lula afirmou, em tom de brincadeira, que o próximo passo do governo Trump poderia ser a “deportação” do deputado.

O evento reuniu o presidente Lula e diversos ministros do governo federal. O ministro Alexandre de Moraes também participou da cerimônia, assim como o ministro Gilmar Mendes, atual decano do Supremo Tribunal Federal.

Horas antes do evento, o governo dos Estados Unidos havia confirmado a retirada de Moraes da lista da Lei Magnitsky. A medida encerrou a possibilidade de sanções contra o ministro do STF, tema que vinha sendo defendido publicamente por Eduardo Bolsonaro junto a autoridades norte-americanas.

Após a decisão, Eduardo afirmou receber com “pesar” a notícia da revogação e declarou que o Brasil teria perdido a chance de enfrentar seus “problemas estruturais”. As declarações foram feitas pelo deputado ainda na sexta-feira, após a confirmação da decisão do governo dos EUA.

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Mundo

Não há tensão entre EUA e Venezuela, há agressor e agredido

Classificar as hostilidades de Washington como uma ‘tensão entre nações’ é criar uma equivalência irreal e absurda

Quando as grandes agências internacionais e a imprensa comercial brasileira voltam a olhar para o que está acontecendo com a Venezuela, é comum a classificação da conjuntura como “uma tensão entre Caracas e os Estados Unidos“.

Não parece importar a posição defensiva venezuelana e os pedidos de paz feitos pelo governo de Nicolás Maduro, a falsa equivalência permanece nas matérias e nas análises.

Até parece que são os venezuelanos que moveram o maior porta-aviões do mundo para a costa da Flórida e conduzem exercícios militares a poucos quilômetros do território estadunidense.

Ou até que é o ministro da Defesa de Maduro que viaja com frequência para países do Caribe para pedir apoio a governos locais à sua campanha de pressão máxima contra Donald Trump.

E que cidadãos estadunidenses estão sendo executados em bombardeios contra embarcações não identificadas, alvos da inteligência venezuelana em um suposto esforço de combate ao narcotráfico.

Todas essas situações estão ocorrendo neste momento, enquanto escrevo estas linhas. Mas, na realidade, são os Estados Unidos quem bombardeia e mata venezuelanos em lanchas, foi Trump que ordenou o deslocamento de tropas no Mar Caribe e é o seu secretário que articula com governos de direita aliados na América Latina a pressão para a derrubada de Maduro.

Ontem (11), Trump deu mais um passo: ordenou o sequestro de um barco que carregava toneladas de barril de petróleo de produção venezuelana, alegando violação das sanções aplicadas pelo Departamento do Tesouro dos EUA.

“Roubo descarado e pirataria”, reagiu Caracas. Na verdade, roubos e pilhagem de ativos venezuelanos se tornaram recorrentes desde que Trump chegou à Casa Branca. Desde 2016, a Venezuela teve recursos congelados em bancos internacionais, reservas de ouro apreendidas no Banco da Inglaterra, uma rede de refinarias liquidada à revelia pela Justiça norte-americana e está, desde 2019, praticamente impedida de vender seu principal produto, o petróleo, sem ter que triangular com operadoras de outros países, correndo altos riscos e pagando altas taxas.

O momento, obviamente, é tenso para a Venezuela e para a região. Uma ação militar dos EUA teria consequências desastrosas para todos os países da América Latina e arrastaria o povo estadunidense a mais uma das inúmeras guerras de rapina que a Casa Branca frequentemente cria.

No entanto, classificar as hostilidades de Washington como uma “tensão entre nações” é criar uma equivalência de posturas e poder de fogo que, na prática, são irreais e beiram o absurdo.

O Brasil de Fato é o único veículo de comunicação do país que mantém uma correspondência fixa na Venezuela há mais de 10 anos. Nosso objetivo é informar os leitores e espectadores com objetividade, qualidade e rigor jornalístico, evidenciando todos os riscos que a situação apresenta. Sem falsas simetrias ou comparações, mas com uma visão popular e anti-imperialista.


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*BdF


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Brasil Mundo

O ataque à Venezuela é um ataque ao Brasil

Venezuela sob ataque, Brasil sob ameaça: a escalada de Trump no Caribe é um risco para toda a região

perspectiva de uma desestabilização da Venezuela, já concretamente posta no horizonte pelo ensaio de bloqueio naval que o governo Donald Trump impõe ao país, com navios de guerra e submarinos nas proximidades da costa venezuelana, além de milhares de soldados de prontidão, não é uma questão que diz respeito só à natureza do regime venezuelano, nem unicamente ao futuro dos venezuelanos – ela diz respeito ao futuro de toda a região, e assim deveria ser tratada pelos líderes latino-americanos.

As ações criminosas do governo norte-americano, que até aqui mataram quase uma centena de pessoas no Mar do Caribe, já têm impacto regional, na medida em que servem de ameaça e intimidação não só contra a Venezuela, mas contra todos os países da região, incluindo o Brasil. A atual campanha de desestabilização contra o país se sustenta em dois vetores retóricos: por um lado, a mentirosa tese de que o país seria um “narcoestado”; por outro, o de que seria uma ditadura.

Como demonstram diversos relatórios, inclusive da ONU e do próprio Departamento de Estado dos EUA, a Venezuela não só não é um corredor relevante do narcotráfico – a principal rota de tráfico para os EUA passa pelo Pacífico, não pelo Caribe – como também conseguiu, nos últimos quinze anos, se consolidar como um território livre do cultivo de folha de coca, maconha e processamento de cocaína.

Por outro lado, o uso do manto da “guerra contra as drogas” para encobrir ações militares criminosas e unilaterais por parte dos EUA deveria preocupar os brasileiros: ao contrário de nosso vizinho, o Brasil é uma das principais rotas de tráfico de drogas da América do Sul para a Europa, África e Ásia, e suas organizações criminosas, como o PCC e o CV, têm relações importantes com cartéis internacionais que operam ao menos parcialmente nos EUA.

De fato, cresce a pressão por parte dos EUA para que o Brasil classifique suas organizações criminosas como organizações terroristas, e há um projeto de lei (PL 1283/2025) no Congresso para expandir a conceituação de “terrorismo” na lei brasileira, incluindo nela a atuação de organizações criminosas e milícias privadas – o que ampliaria o espaço para o intervencionismo norte-americano em nosso país. Se a Venezuela, um país de pouca relevância no narcotráfico global, pode ser atacada sob a desculpa do combate ao narcotráfico, por que não poderia também o Brasil, que tem organizações criminosas muito mais relevantes a nível global que seu vizinho?

Além disso, os últimos meses demonstraram aos brasileiros, de forma inédita desde o golpe de 1964, tanto como o imperialismo utiliza a “democracia” para seus impulsos intervencionistas como o quanto a extrema-direita está disposta a aliar-se objetivamente aos interesses imperialistas nas suas disputas pelo poder interno – mesmo quando isso signifique tomar postura abertamente antinacional. Nesse sentido, sim, descobrimos que o Brasil “se tornou uma Venezuela” – não pela natureza do governo, mas pela natureza de sua oposição.

A atuação bolsonarista nos Estados Unidos por sanções e tarifas contra o Brasil e a adoção dessas medidas pelo governo norte-americano, buscando pressionar o governo brasileiro e o STF, foram uma constante por parte da oposição venezuelana nos últimos anos. Assim como os bolsonaristas atuaram nos últimos meses, junto ao governo Trump, pela aplicação de tarifas contra o Brasil, também fez a Assembleia Nacional opositora na Venezuela em 2016: em 23 de outubro daquele ano, declarando-se “em rebelião” contra o governo, o Poder Legislativo do país oficialmente fez um pedido a todos os organismos internacionais para que aplicassem sanções contra o próprio país.

É como se a infame campanha por tarifas contra o Brasil por parte de Eduardo Bolsonaro nos EUA não fosse uma campanha de um deputado, mas do Congresso brasileiro inteiro. Nunca é demais recordar que os efeitos das sanções não são focalizados nos líderes que elas em tese buscam atingir: um estudo da respeitada revista acadêmica The Lancet calculou em 38 milhões o número de mortos por sanções norte-americanas e europeias entre 1970 e 2021; também publicado na The Lancet, um outro estudo aponta que as sanções matam aproximadamente 564 mil pessoas por ano no mundo todo; e na Venezuela, somente entre 2017 e 2018, elas podem ter matado 40 mil pessoas. É dizer: Venezuela e Brasil têm em comum o fato de se enfrentarem com uma extrema-direita disposta a aliar-se ao imperialismo para matar seu povo.

Chama à atenção também como a crise de poderes na Venezuela em 2016, com a disputa entre Executivo, Judiciário e a Assembleia Nacional, é semelhante à recente crise de poderes no Brasil em torno do tema da anistia: como escrevia Monica Yanakiew então, “a nova Assembleia Nacional, de maioria opositora, aprovou uma lei de anistia e reconciliação nacional para libertar mais de 100 de seus líderes acusados de conspirar contra o governo ou incentivar a violência.

Maduro não só vetou a lei, como afirmou que o Parlamento carece de legitimidade porque desacatou uma ordem do Supremo Tribunal. O conflito de Poderes se deu quando três deputados oposicionistas, cuja eleição foi questionada pela Justiça, tomaram posse – apesar de a Justiça ter decidido o contrário. A oposição acusa o Judiciário de estar a serviço de Maduro e considera que a suspensão do referendo revogatório foi uma manobra para adiar a sua realização.” Hoje, os Estados Unidos, citando “preocupações com a democracia e a liberdade”, impõem tarifas ao Brasil, em conluio com a extrema-direita nativa, que as solicita. Se Trump pode movimentar navios de guerra e autorizar operações da CIA contra a Venezuela sob a fachada da defesa da democracia, porque não poderia fazê-lo também contra o Brasil? Mais importante do que dizer que os EUA mentem, seja sob a desculpa de “combater o narcotráfico e o terrorismo”, seja sob a fachada da defesa da democracia, é reconhecer que podem mentir sobre qualquer um.

Mas há mais razões pelas quais um ataque de Trump contra a Venezuela afetaria o Brasil. Qualquer ação militar contra a Venezuela imediatamente tensionaria os 2,2 mil km de fronteiras de nossos países, nos estados de Roraima e Amazonas – para que se tenha dimensão, trata-se de uma fronteira maior que a que separa Rússia e Ucrânia, de 1,9 mil km. A possibilidade de eventuais combates na proximidade das fronteiras dos países e especialmente o quase certo aumento do fluxo migratório obrigariam um reforço da presença militar brasileira na região – imaginar uma eventual operação de Garantia da Lei e da Ordem em tal cenário, e um fortalecimento da tutela dos militares frente ao governo, sempre auxiliada pelo atual ministro da Defesa, José Múcio, não é absurdo.

Na medida em que a guerra se instaurasse no país vizinho e a importância e peso das Forças Armadas aumentasse repentinamente na cena política brasileira, estaria desfeito todo o esforço do governo Lula, desde que tomou posse, para cozinhar a questão militar em banho-maria; ao mesmo tempo, o fato de não ter avançado nenhuma reforma relevante nas Forças Armadas restringiria, neste cenário, as opções estratégicas do próprio governo quanto a como atuar frente à agressão americana. Ou por acaso é lícito supor que os militares brasileiros aceitariam tranquilamente, por exemplo, reforçar as linhas logísticas de uma Venezuela sob ataque norte-americano, se esta fosse a decisão do presidente?

É provável ainda que uma agressão à Venezuela levasse a um cenário de guerra prolongada ou de guerra civil no país, tornando a necessidade de reforçar a presença militar do lado brasileiro mais perene.

O elemento mais importante da Defesa venezuelana do ponto de vista estratégico é a Milícia Nacional Bolivariana (MNB), braço de reserva e não-convencional integrado aos outros componentes da Força Armada Nacional Bolivariana, mas relativamente autônomo. Formada por voluntários, reservistas e civis, a MNB é voltada para o combate irregular num cenário de agressão ao país; é o componente responsável por tornar cada cidadão um possível combatente.

Como escreveu Euclides Vasconcelos nesta Revista Opera, “são grupos pequenos e destinados a funções concentradas, como a defesa de uma fábrica ou estrada de importância estratégica ou ainda, se necessário for, a destruição desta mesma fábrica ou estrada para evitar que caiam em mãos inimigas. Esse caráter concentrado equivale à noção de ‘vespeiro’ onde a população em armas é a responsável por importunar as forças inimigas onde quer que elas estejam. Assim, mesmo que as forças armadas do país sejam derrotadas, o processo de ocupação inimiga será por demais custoso.”

Em agosto, o presidente venezuelano Nicolás Maduro anunciou a mobilização de 4,5 milhões de tropas na MNB. O site venezuelano TalCual estimou o contingente em 700 mil; a CIA, entre 200 e 225 mil. Independentemente de qual seja a cifra real, estamos falando de centenas de milhares de venezuelanos comuns, dispostos e com preparo prévio para atuar no apoio às forças convencionais, como forças guerrilheiras ou clandestinamente em ações de sabotagem, assassinatos, atentados, etc.:

Significa dizer que qualquer um que busque ocupar militarmente o terreno venezuelano haverá de supor que sua retaguarda virtualmente está sempre prejudicada; que o inimigo pode ser qualquer um; o taxista, a aposentada, a camponesa, o indígena. Em resumo, a Milícia Nacional Bolivariana é quase uma garantia de que uma agressão em terra seria confrontada por uma guerra irregular de caráter prolongado. E mesmo que alcançasse o objetivo de implodir rapidamente o centro de poder do país, a perspectiva de uma guerra civil, possivelmente envolvendo grupos militares diversos, não seria tampouco descartável.

A probabilidade da instauração de um desses cenários impõe, a partir do campo militar, um provável esgotamento dos objetivos políticos de uma agressão à Venezuela – isto é, a exploração de suas reservas de petróleo, as maiores do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris –, na medida em que a estabilidade da produção e especialmente do escoamento da commodity estaria ameaçada. O Cinturão de Orinoco, onde o grosso da reserva de petróleo venezuelano está localizada, cobre uma área de 55 mil quilômetros quadrados, se estendendo por quatro estados venezuelanos, com uma área produtiva disposta em 11,5 mil quilômetros quadrados. Por sua vez, a menor distância entre o campo e a costa caribenha em linha reta se estende por cerca de 140-160 quilômetros, oferecendo amplas oportunidades para ações de sabotagem.

Mapa do Norte da Venezuela, mostrando a Faixa Petrolífera do Orinoco (em vermelho) e suas quatro principais áreas: Machete, Zuata, Hamaca e Cerro Negro. (Fonte: Definition of a 3D Integrated Geological Model in a Complex and Extensive Heavy Oil Field, Oficina Formation, Faja de Orinoco, Venezuela – Jean-Paul Bellorini, Jhonny E. Casas, Patrick Gilly, Philippe Jannes, Paul Matthews, David Soubeyrand e Juan Carlos Ustariz)

Mapa do Norte da Venezuela, mostrando a Faixa Petrolífera do Orinoco (em vermelho) e suas quatro principais áreas: Machete, Zuata, Hamaca e Cerro Negro. (Fonte: Definition of a 3D Integrated Geological Model in a Complex and Extensive Heavy Oil Field, Oficina Formation, Faja de Orinoco, Venezuela – Jean-Paul Bellorini, Jhonny E. Casas, Patrick Gilly, Philippe Jannes, Paul Matthews, David Soubeyrand e Juan Carlos Ustariz)

O Brasil como mediador
Não parece casuístico que a “química” entre Trump e Lula tenha surgido no mesmo momento em que as operações norte-americanas no Caribe avançavam, nem que Trump tenha reduzido as tarifas contra o Brasil ao mesmo tempo em que desloca o maior porta-aviões do mundo para o Caribe: a irresistível “química” parece ter outro nome; Venezuela. O ataque tarifário ao Brasil e o ensaio de cerco naval à Venezuela se coadunam em dois sentidos: num deles, os ataques ao vizinho relembram ao Brasil tarifado até onde os EUA podem ir, estimulando que o governo Lula se disponha à negociação; no outro, as tarifas servem de alavanca para que o Brasil adote uma postura mais amigável a Washington na questão venezuelana, com a retirada das tarifas servindo como estímulo.

Durante os governos Bush (2001-2009) e os dois primeiros mandatos de Lula (2002-2010), o Brasil se posicionou como um mediador nas relações entre EUA e Venezuela, buscando – e em boa medida conseguindo – restringir as tensões entre os países. Efetivamente, a diplomacia brasileira usava as posições antiimperialistas venezuelanas e seu ensejo integracionista, que avançava na forma de parceria com países latino-americanos, especialmente no Caribe e na América Central, como forma de se credenciar com os EUA como um parceiro alternativo na região – o que incluiu algum nível de coordenação do Brasil com os EUA sobre a Venezuela, com o Brasil atuando por vezes como garoto de recados de Washington. Lula manteve boas relações comerciais e diplomáticas com Chávez, mas buscou também se diferenciar e superar a influência do líder bolivariano na região, e houve episódios de tensão entre os países: como nas críticas venezuelanas às parcerias Brasil-EUA em torno do etanol e a convocação do embaixador venezuelano após Chávez criticar o Congresso brasileiro.

Hoje, o espaço para a mediação é muito menor. Não só pelas “tensões” já envolverem ações militares e a promessa de uma intervenção direta, mas também porque o Brasil, no terceiro mandato de Lula, vem fustigando a Venezuela com recorrência, como se viu na posição adotada pelo governo após as eleições venezuelanas e no veto à entrada do país no BRICS. Assim, qualquer mediação brasileira deverá ser vista pela Venezuela com um pé atrás, e com razão: o Brasil adotou tais posições, afinal, sem as pressões de Trump; que estaria disposto a fazer sob elas?

Ao fim, seja qual forma ele termine por tomar, o ataque à Venezuela é um ataque ao Brasil, não só na medida em que é uma demonstração do que o império poderia fazer contra nós, mas também na medida em que nos influencia direta e gravemente – inclusive com efeitos na cena política interna do Brasil.

O governo Lula até pode buscar agir como mediador, mas mesmo isso exige tomar uma postura clara de solidariedade prática com a Venezuela – o país agredido unilateralmente por Trump, não o agressor – e contra o intervencionismo que, afinal, também atinge o Brasil. Qualquer afabilidade com uma agressão imperialista a qualquer país da região, além de ser vista como a traição que efetivamente seria por todos os outros países, na prática estimulará o intervencionismo trumpista também contra o Brasil, quando o momento lhe convir.

*Pedro Marin/Opera Mundi


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