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Em abalo global, Trump retira EUA de 66 organizações internacionais

Exclusão afeta agências e pactos que lidam com direitos humanos, clima, violência contra mulheres e racismo

O governo de Donald Trump anunciou a retirada dos EUA de 66 organismos internacionais, incluindo 31 agências da ONU que lidam com racismo, violência contra mulher, clima, direitos humanos e democracia.

A lista prevê, entre outros, o fim da participação americana nos seguintes órgãos:

  • Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, vencedor do Nobel da Paz,
  • Comissão de Direito Internacional
  • Fórum Permanente sobre Afrodescendentes
  • UNCTAD – a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento
  • Fundo das Nações Unidas para a Democracia
  • Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima
  • Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos
  • Fundo de População das Nações Unidas
  • Registro de Armas Convencionais das Nações Unidas e dezenas de outros.

O gesto representa o maior abalo ao sistema multilateral desde sua criação, em 1945. Naquele momento, ato que foi patrocinado e orquestrado pelo próprio governo americano.
No início de seu mandato, Trump havia cortado o repasse para os organismos relacionados com a ONU, alertando que iria avaliar a conveniência de se manter ou não nesses pactos.

Agora, a decisão foi a de se retirar de 66 iniciativas, incluindo a agência de população da ONU e o tratado da ONU que estabelece as negociações climáticas internacionais.

A a decisão inclui agências, comissões e painéis consultivos ligados à ONU que se concentram em clima, direitos humanos e uma agenda considerada como “woke”.

Segundo Washington, elas promovem “políticas climáticas radicais, governança global e programas ideológicos que conflitam com a soberania e a força econômica dos EUA”.

“O governo Trump considerou essas instituições redundantes em seu escopo, mal administradas, desnecessárias, dispendiosas, mal geridas, capturadas pelos interesses de atores que promovem suas próprias agendas contrárias às nossas, ou uma ameaça à soberania, às liberdades e à prosperidade geral de nossa nação”, disse o Departamento de Estado em um comunicado.

“Essas retiradas encerrarão o financiamento e o envolvimento do contribuinte americano em entidades que promovem agendas globalistas em detrimento das prioridades dos EUA, ou que abordam questões importantes de forma ineficiente ou ineficaz, de modo que o dinheiro do contribuinte americano seja melhor alocado de outras maneiras para apoiar as missões relevantes”, disse a Casa Branca.

Desde o início de seu segundo mandato, há um ano, Trump buscou cortar o financiamento dos EUA para a ONU, deixou o Conselho de Direitos Humanos da ONU, rompeu com a agência de ajuda humanitária palestina UNRWA e deixou a UNESCO, OMS e o Acordo de Paris.

A ruptura ainda ocorre num momento em que Trump viola o direito internacional, confiscando barcos em águas internacionais, atacando países estrangeiros, sequestrando um presidente, rompendo acordos comerciais e chantageando líderes pelo mundo.

Veja a lista de todas as entidades afetadas pela saída dos EUA:

i) Pacto para Energia Livre de Carbono 24/7;

(ii) Conselho do Plano Colombo;

(iii) Comissão para a Cooperação Ambiental;

(iv) A Educação Não Pode Esperar;

(v) Centro Europeu de Excelência para o Combate às Ameaças Híbridas;

(vi) Fórum dos Laboratórios Nacionais Europeus de Pesquisa Rodoviária;

(vii) Coligação Liberdade Online;

(viii) Fundo Global para o Envolvimento e a Resiliência da Comunidade;

(ix) Fórum Global de Contraterrorismo;

(x) Fórum Global sobre Especialização em Cibersegurança;

(xi) Fórum Global sobre Migração e Desenvolvimento;

(xii) Instituto Interamericano de Pesquisa sobre Mudanças Globais;

(xiii) Fórum Intergovernamental sobre Mineração, Minerais, Metais e Desenvolvimento Sustentável;

(xiv) Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas;

(xv) Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos;

(xvi) Centro Internacional de Estudos para a Preservação e Restauração de Bens Culturais;

(xvii) Comitê Consultivo Internacional do Algodão;

(xviii) Organização Internacional de Direito do Desenvolvimento;

(xix) Fórum Internacional de Energia;

(xx) Federação Internacional de Conselhos de Artes e Agências de Cultura;

(xxi) Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral;

(xxii) Instituto Internacional para a Justiça e o Estado de Direito;

(xxiii) Grupo Internacional de Estudos sobre Chumbo e Zinco;

(xxiv) Agência Internacional de Energias Renováveis;

(xxv) Aliança Solar Internacional;

(xxvi) Organização Internacional de Madeiras Tropicais;

(xxvii) União Internacional para a Conservação da Natureza;

(xxviii) Instituto Pan-Americano de Geografia e História;

(xxix) Parceria para a Cooperação Atlântica;

(xxx) Acordo de Cooperação Regional para o Combate à Pirataria e ao Roubo Armado contra Navios na Ásia;

(xxxi) Conselho de Cooperação Regional;

(xxxii) Rede de Políticas de Energias Renováveis ​​para o Século XXI;

(xxxiii) Centro de Ciência e Tecnologia da Ucrânia;

(xxxiv) Secretariado do Programa Regional do Meio Ambiente do Pacífico; e

(xxxv) Comissão de Veneza do Conselho da Europa.

Na Organizações das Nações Unidas:
(i) Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais;

(ii) Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC) – Comissão Econômica para a África;

(iii) ECOSOC – Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe;

(iv) ECOSOC – Comissão Econômica e Social para a Ásia e o Pacífico;

(v) ECOSOC – Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental;

(vi) Comissão de Direito Internacional;

(vii) Mecanismo Residual Internacional para Tribunais Penais;

(viii) Centro de Comércio Internacional;

(ix) Gabinete do Conselheiro Especial para a África;

(x) Gabinete do Representante Especial do Secretário-Geral para Crianças em Conflitos Armados;

(xi) Gabinete do Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência Sexual em Conflitos;

(xii) Gabinete do Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência contra Crianças;

(xiii) Comissão de Consolidação da Paz;

(xiv) Fundo para a Consolidação da Paz;

(xv) Fórum Permanente sobre Afrodescendentes;

(xvi) Aliança das Civilizações das Nações Unidas;

(xvii) Programa Colaborativo das Nações Unidas para a Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal em Países em Desenvolvimento;

(xviii) Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento;

(xix) Fundo das Nações Unidas para a Democracia;

(xx) UN Energy;

(xxi) Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres;

(xxii) Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima;

(xxiii) Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos;

(xxiv) Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa;

(xxv) UN Oceans;

(xxvi) Fundo de População das Nações Unidas;

(xxvii) Registro de Armas Convencionais das Nações Unidas;

(xxviii) Conselho de Chefes Executivos do Sistema das Nações Unidas para a Coordenação;

(xxix) Escola de Formação de Pessoal do Sistema das Nações Unidas;

(xxx) UN Water

(xxxi) Universidade das Nações Unidas.

*Jamil Chade/ICL


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Mundo

Vídeo: EUA apreendem petroleiro com bandeira russa ligado à Venezuela

Ação ocorreu em águas internacionais no Atlântico e foi confirmada por fontes americanas e pela imprensa estatal da Rússia

Os Estados Unidos interceptaram e apreenderam nesta quarta-feira (7) o petroleiro Marinera, que transportava óleo de origem venezuelana no Oceano Atlântico. A operação foi confirmada à agência Reuters e divulgada também pela rede estatal russa RT, segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo.

O episódio representa uma potencial escalada da crise entre Washington, Moscou e Caracas, agravada após o governo de Donald Trump ter decretado embargo a todo o transporte de petróleo e derivados para dentro e fora do país caribenho. Ainda não há detalhes oficiais sobre como se deu a abordagem nem sobre a situação da tripulação.

Perseguição durou duas semanas

A perseguição ao navio já durava cerca de duas semanas. Em 10 de dezembro, outra embarcação venezuelana havia sido capturada pelos americanos, o que levou diversos petroleiros que estavam no mar a desligarem sistemas de comunicação e a alterarem rotas para evitar novas apreensões.

O Bella-1, que navegava com bandeira da Guiana, mudou de nome para Marinera e passou a utilizar registro estatal russo baseado em Sochi, no mar Negro, numa tentativa presumida de obter maior proteção jurídica. Mesmo assim, as forças americanas continuaram o cerco e realizaram a interceptação agora divulgada.

Parlamentares russos acusam EUA de pirataria

Imagens veiculadas pela RT mostram um helicóptero dos EUA circulando a embarcação em meio a uma tempestade, além de um navio da Guarda Costeira tentando se aproximar. Parlamentares russos reagiram, acusando Washington de pirataria e de violar a liberdade de navegação prevista no direito internacional.

A Rússia é, ao lado da China, uma das principais fiadoras do regime chavista da Venezuela. O Kremlin manteve operações petrolíferas extensas no país até 2020 e forneceu bilhões em armamentos entre 2005 e 2013, apoio hoje limitado por causa das sanções impostas a Caracas.

O embargo determinado por Trump tem impacto direto também sobre Cuba, dependente do petróleo venezuelano, e ocorre paralelamente às negociações para encerrar a Guerra da Ucrânia. O endurecimento da posição americana coloca em suspenso tratativas que Vladimir Putin vinha conduzindo com Washington e com líderes europeus em Paris.

Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo

Autoridades dos EUA afirmam que o foco da ofensiva contra Caracas é, além de afastar um governo hostil, garantir acesso às maiores reservas de petróleo do mundo. O produto venezuelano é considerado de baixa qualidade, mas Trump já anunciou planos de receber milhões de barris e ficar com os lucros de futura revenda.

Após a apreensão do Marinera, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, declarou que o bloqueio ao petróleo venezuelano alvo de sanções permanece “em pleno vigor em qualquer lugar do mundo”. A Casa Branca não informou se novas interceptações estão programadas, enquanto a chancelaria russa promete contestar o caso em instâncias marítimas internacionais.


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Mundo

Jerusalem Post: EUA estudam intervenção no Irã após operação na Venezuela

Washington considera ajudar na derrubada do governo iraniano apoiando protestos, enquanto Israel estuda se captura de Maduro abre caminho para ação semelhante contra Teerã

Os Estados Unidos estão considerando uma intervenção direcionada para apoiar os manifestantes no Irã, enquanto Israel estuda se sua recente ação contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro poderia criar um precedente aplicável ao governo iraniano, segundo informações do Jerusalem Post obtidas de diversas fontes.

O Irã vem vivenciando uma onda de protestos há vários dias, motivados pela tensa situação econômica e pela desvalorização da moeda nacional.

O artigo detalha que, inicialmente, Israel acreditava que os protestos contra o Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, não eram grandes o suficiente para forçar uma mudança de governo. No entanto, a decisão de Washington de intervir na Venezuela provocou uma reavaliação estratégica em Jerusalém.

Paisagem em transformação
Embora as manifestações por si só sejam consideradas insuficientes para derrubar Khamenei, a possibilidade de fornecer assistência concreta ao movimento de oposição está sendo ativamente explorada. O Mossad israelense admitiu publicamente estar prestando auxílio aos manifestantes no terreno. Da mesma forma, a Ministra da Ciência e Tecnologia, Gila Gamliel, pediu ações concretas, e não apenas palavras de apoio.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu convocou uma reunião especial de segurança após a agressão militar dos EUA na Venezuela, e o ex-ministro da Defesa Benny Gantz pediu explicitamente uma intervenção.

Essa mudança marcante contrasta fortemente com a posição adotada em junho, quando tanto os EUA quanto Israel se opuseram à busca por uma mudança de regime no Irã, concentrando seus esforços no programa nuclear de Teerã. No entanto, eventos recentes alteraram o cenário. Embora nenhuma decisão final tenha sido tomada, fontes indicam que uma intervenção limitada está sendo considerada como uma opção viável para evitar a repressão aos protestos e permitir que o movimento cresça, sem recorrer a uma invasão militar em larga escala.

A agressão dos EUA e o sequestro de Maduro
Sob o pretexto de combater o narcoterrorismo, os EUA lançaram uma grande agressão militar em território venezuelano no último sábado, afetando Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. A operação culminou com o sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores.

Caracas descreveu as ações de Washington como uma “agressão militar muito grave” e alertou que o objetivo dos ataques “não é outro senão o de se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, numa tentativa de quebrar à força a independência política do país”.

O presidente e a primeira-dama da Venezuela foram transferidos para o país norte-americano e estão atualmente detidos no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova Iorque.

Maduro declarou-se inocente em sua primeira audiência perante o Departamento de Justiça dos EUA no Tribunal Distrital do Sul de Nova York, acusado de narcoterrorismo.

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, tomou posse como presidente interina do país sul-americano.

Diversos países ao redor do mundo, incluindo a Rússia, pediram a libertação de Maduro e de sua esposa. Moscou condenou o ataque e afirmou que a Venezuela deve ter o direito de decidir seu próprio destino sem qualquer interferência estrangeira.

*Opera Mundi


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Brasil Mundo

Chavismo segue no poder, bolsonarismo comemora só as bombas dos EUA

Nicolás Maduro foi sequestrado em uma invasão do território venezuelano pelos Estados Unidos, mas o regime chavista não caiu. A vice transformada em presidente interina, Delcy Rodríguez, mandou uma mensagem clara aos EUA, de que quer trabalhar em conjunto, o que inclui a exploração de petróleo, enquanto garante apoio interno criticando o ataque dos EUA.

Se as empresas norte-americanas tiverem acesso ilimitado aos hidrocarbonetos e Washington trouxer Caracas para a sua esfera de influência, decidindo quem pode comprar ou não o petróleo venezuelano, ordenando o aumento e a produção de barris (o que afeta o preço internacional) de acordo com suas necessidades e reduzindo a presença da China e da Rússia, o presidente Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio podem se dar por satisfeitos, pelo menos neste momento.

O chavismo terá que fazer uma correção de rumo para sobreviver, abandonando a polarização com os EUA. Mas a sua estrutura, seus protagonistas, a presença dos militares controlando várias camadas da economia e da vida cotidiana e, provavelmente, violações de direitos, continuam.

É sobre petróleo e geopolítica. Drogas e democracia são apenas a purpurina jogada em cima para brilhar aos olhos do público interno e da extrema direita global.

Aqui, no Brasil, de presidenciáveis, passando por líderes políticos e religiosos até chegar a cidadãos comuns, não são poucos os que saudaram a queda do regime chavista. Mas que queda?

Os EUA apresentam seu storytelling para justificar que são os picas das galáxias e, por isso, abduziram o autocrata facilmente. Mas foi tão fácil que tudo isso tem cheiro de acordão, do tipo: entregou-se o anel do Maduro, que está sendo exposto de forma humilhante como troféu, para manter os dedos.

Na prática, Delcy Rodríguez, que é vice desde 2018 e faz parte da chapa presidencial que fraudou as últimas eleições, segue no poder. E, principalmente, continuam o general Vladimir Padrino López, ministro da Defesa, e Diosdado Cabello, ministro do Interior e Justiça. O primeiro continua comandando as tropas e o segundo, as forças de segurança. Não é que os EUA desmantelaram o poderio militar da Venezuela; ele não foi devidamente acionado neste final de semana.

Maria Corina Machado, que ganhou o Nobel da Paz apesar de ser uma das principais defensoras de uma invasão norte-americana na Venezuela, foi descartada, pelo menos por enquanto, por Trump. Ele falou, com todas as palavras, que ela é gente boa, mas não impõe respeito do seu próprio povo. O que é um lembrete: cuidado em tentar ser vassalo, você pode conseguir. Nesse sentido, as chances de Edmundo González, aliado de Corina que disputou as eleições com Maduro, são baixas.

Rodríguez foi fundamental nas negociações para que a Chevron operasse em seu país e sabe mesclar pragmatismo geopolítico e econômico e manter excitada sua base com a retórica do chavismo.

Ainda é muito cedo para entender o que virá pela frente, até porque estamos falando de Trump. Mas corre risco, por enquanto, de a extrema direita brasileira estar celebrando apenas o bombardeio da América do Sul por uma potência estrangeira, não o retorno da democracia na Venezuela.

*Sakamoto/Uol


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Opinião Política

Diante de mais uma crise provocada por Trump, basta que Lula seja o Lula

No Brasil, o que mais deixa irritada essa xepa de direita, chamada bolsonarismo, é se deparar com a realidade nua e crua.

O que tem Lula de gênio político e, como tal, reconhecido no mundo, Trump tem de burro.

Lula é o que se pode chamr de solista de sete instrumentos, sem qualquer economia. É uma mistura de contista com sociólogo, de romancista com um inexorável contador de histórias brasileiras, no Brasil e no mundo.

Trump, além de infantil, é árido, até em suas abstrações econômicas que, na prática, ao invés de reduzir, cria grandes problemas ao país que governa.

É fundamental destacar esse confronto de posições diante do mundo contemporâneo.

Lula só apresenta soluções claras e precisas para qualquer caso no mundo moderno. Tump é um ferro velho da era do petróleo, que vive dos mortos dos supostos anos dourados dos EUA, apelando diretamente para sentimento de superioridade sem qualquer traço de criatividade fora da velha corrente do imperialismo ianque.

Lula é um produto exclusivo do coração, o grande e inesgotável coração brasileiro.

Ao contrário, as ideias deTrump, além de não terem nada de práticas, são dignas de um pensamento militante carregado de slogans e vazias de resultados, sempre sendo guiado por preocupações individuais, restritas a impulsos particulares sem qualquer objetivo prático para o todo da sociedade e, sobretudo, para o mundo.

Por isso, os dois não coincidem e só não se chocaram durante a crise das tarifas, porque Lula carrega com ele um idealismo prático de progresso material para o povo brasileiro, sem se esquecer de compartilhar ganhos em suas parceiras políticas e comerciais mundo afora.

Lula tem um idealismo que se nutre nas relações afetivas, do alto pensamento e da visão geral e ampla de um mundo melhor para todos. Não leva a mal, mas o homem é foda, incomparável! Seja com suas preocupações humanas, materiais e até com seus objetivos mercantis.

Esse é o principal traço da psicologia brasileira que Lula carrega consigo.

O resultado é um espetáculo de grandeza que irradia por onde ele passa nos quatro cantos do Globo.

Mas a coisa vai além. Explico: o pensamento de Lula, e vimos isso na crise das tarifas, é regenerar pontes destruídas por adversários e, ao contrário, construir grandes perspectivas e amplas possiilidades de parcerias.

Some isso à história de fracasso de Donald Trump no mesmo quesito para entender o grande valor moral e estratégico de Lula, que soube fugir dos extremos e administar a crise de forma silenciosa  profundamente cirúrgica.

A ação nefasta do imperialismo de Trump não encontrou em Lula qualquer ação contrária, como vimos, Lula esperou o resultado desastroso do acúmulo de lambanças de Trump para, no momento certo, tomar uma atitude objetiva em favor do Brasil diante de um papel internacional negativo que Trump quis impor ao mundo.

Com uma ação inapelavelmente inteligente  e de forma consciente, Lula usou um simplismo até primário, mas principalmente muito mais complexo, sabendo esperar o  bufão se esbaforir e cair de joelhos a seus pés.

Ou seja, Lula, com toda a história política anti-imperialista que viveu, soube esperar os efeitos externos de uma tática protecionista em nome de um nacionalismo arcaico que assanhou Trump, para que a verdade se colocasse acima dos arrotos de Trump a partir do código de xenofobia e histeria.

O resultado foi a substituição do confronto de Trump contra o Brasil por condições particulares altamente favoráveis ao mesmo Brasil.

Foi assim, no silêncio, que Lula se manifestou, e a história do Brasil, diante de uma grave medida dos EUA, avançou e adquiriu fisionomia de país que sabe o que faz com a bola no pé.


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Mundo

China pede garantias de segurança e libertação imediata de Maduro e esposa

País expressou ‘profunda preocupação’ com prisão do líder venezuelano e disse que EUA violam claramente o direito internacional

A China pediu aos Estados Unidos que libertem “imediatamente” o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, informou o Ministério das Relações Exteriores chinês neste domingo (04/01).

“A China expressa profunda preocupação com a prisão forçada do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa pelos Estados Unidos e sua expulsão do país. A ação dos EUA viola claramente o direito internacional, as normas básicas das relações internacionais e os propósitos e princípios da Carta da ONU”, afirma a chancelaria chinesa, em comunicado.

A China pediu aos Estados Unidos que libertem “imediatamente” o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, informou o Ministério das Relações Exteriores chinês neste domingo (04/01).

“A China expressa profunda preocupação com a prisão forçada do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa pelos Estados Unidos e sua expulsão do país. A ação dos EUA viola claramente o direito internacional, as normas básicas das relações internacionais e os propósitos e princípios da Carta da ONU”, afirma a chancelaria chinesa, em comunicado.

Violação das regras internacionais
O texto também ressalta que “a agressão injustificável dos EUA destrói qualquer autoridade moral que [Washington] possa ter reivindicado“. “As regras internacionais se aplicam a todos, não apenas a alguns. Quando os mais fortes escolhem desrespeitar a lei, a cerca de regras se enfraquece para todos”, afirma o texto.

Pequim lembra que “tais padrões duplos esvaziam o direito internacional e convidam a um mundo onde o poder faz a justiça — um resultado que nenhum país, especialmente aqueles comprometidos com a paz e o desenvolvimento, deveria aceitar”.

O editorial também condena a justificativa de combate ao narcotráfico oferecida por Washington, afirmando que a alegação “não legitima nem pode legitimar a invasão de uma capital, o bombardeio de territórios soberanos ou a remoção de um chefe de Estado”.

“Tal raciocínio, se aceito, concederia às nações poderosas uma licença universal para intervenção militar, indo diretamente contra os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”, adverte.

No próprio sábado (03/01), após os ataques contra Caracas, a chancelaria chinesa instou “os EUA a respeitarem o direito internacional e os princípios da Carta da ONU e a parar de violar a soberania e a segurança de outros países”.

O país é um dos maiores compradores de petróleo da Venezuela. Ao ser questionado sobre isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que continuará vendendo o combustível e, agora, em “volumes muito maiores” aos países que já o comercializam e “que muitos outros virão”.

Coréia do Norte
O Ministério das Relações Exteriores norte-coreano também se manifestou. Neste domingo (04/01), a Coréia do Norte afirmou que os ataques dos Estados Unidos são a “forma mais grave de violação de soberania” e disse que o país está atento à gravidade da atual situação na Venezuela.

Em comunicado, o país afirma que “o incidente é mais um exemplo que confirma, claramente, mais uma vez, a natureza desonesta e brutal dos EUA” e que ele terá “consequências catastróficas” na estrutura “das relações regionais e internacionais”.

*Opera Mundi


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Opinião Política

Trump se comporta não como um chefe de Estado, mas como líder de hospício

Tenho lido umas análises hiperbólicas, sem trazer concretamente uma perspectiva dos resultados práticos da alucinação de Trump, que se comporta como um Hitler tardio..

O que se fará aqui são perguntas sobre esse nonsense total, anunciado por Trump neste sábado.

No Brasil, quem vibrou efusivamente com a invasão terrorista do Exército norte-americano na Venezuela e o sequestro de Maduro?

Todos sabemos, só os bolsonaristas mais pirados, só os tresloucados restanes da terra plana que rezam para pneu e, com celuar na cabeça, procuram por ETs, ou seja, o hospício brasileiro, que engloba boa parte de neopentecostais, conduzidos por pastores pedófilos, estupradores e por aí vai.

É aquela mesma gente, que se diz cristã, mas que apoia o genocídio em Gaza, promovido pelos EUA e Israel, este mesmo Estado que essa gente diz ser cristão.

É esse caldo de lunáticos que troca ideia com Saci Pererê, mula sem cabeça, entre outras figuras das trevas mentais, que soltaram fogos para o tresloucado, Donald Trump.

Por que fizeram isso?

Porque siplesmente eles não têm ideia de quem são, aonde estão e para onde vão.

Diria que esse é um retrato definitivo do que vimos neste sábado, após Trump comer uma tigela de cocô, ao vivo e a cores, diante dos olhos do mundo.

Mas faremos algumas perguntas:

O povo venezuelano aceitará passivamente que Trump roube o que a Venezuela tem para sobreviver, mesmo que precariamente, que é o petróleo?

Isso ampliará o mercado norte-americano na América Latina como é aventado por muitos analistas afobados, para comprar e vender o quê?

Mercado se faz à bala?

Obrigará as populações da América Latina a consumir os caríssimos produtos dos EUA quando elas não têm poder aquisitivo para se segurar em pé?

Como o super Trump lidará com essa realidade que ele não tem bala comercial para brigar por 1% de espaço para brigar com a China nas plataformas de vendas online?

Ninguém faz comércio por decreto. Ou tem um produto competitivo ou está morto. Essa é a regra do jogo.

Alguém acha que o Veio da Havan deixará de vender bugiganga chinesa para vender eletrônicos norte-americanos porque Trump invadiu a Venezuela?

O que é imperatino na vida como ela é, é a própria dinâmica do mundo, sobretudo nas relações comerciais, e isso não será tocado ou modificado um milímetro sequer.

Nesta segunda, a 25 de março, em São Paulo, seguirá empencada de mercadorias chinesas acessíveis à população brasileira, e os EUA continuarão sem conseguir vender no Brasil uma mísera agulha, porque não tem preço, porque tem uma economia obsoleta para enfrentar uma disputa comercial no mundo.

Trump é o maior cavalo de troia que os EUA produziram contra a própria nação.

As tarifas impostas por Trump são didáticas, quem pagou o pato dessa loucura, foram os norte-americanos, empresários, consumidores, enfim, cidadãos daquele país.

Deu merda e da grossa!

Agora, vem o idiota, tira esse coelho morto do cartola empoeirada e, como o grande pimpão do mundo, anuncia um golpe de Estado, seguido de sequestro do petróleo venezuelano.

Então, vem a pergunta até tola, o que os EUA farão com mais petróleo além de coisa nenhuma?

Só o fato de Trump, em seu pronunciamento, dar ênfase 18 vezes ao  petróleo, em pleno 2026, quando o mundo busca cada vez mais soluções energéticas limpas e renováveis, já mostra que o sujeito é um caduco de pedra.

Por mais que os EUA tenham tido líderes e presidentes facínoras para sustentar o império, ninguém se mostrou com o nível de loucura sequer parecido com esse maluco careteiro.

É só olhar para the day after para perceber que não tem a página 2 nessa história. E se tem alguém que deve ficar de verdade em pânico, são os próprios norte-americanos, que têm no comando do país, em plena derrocada econômica, um idiota falastrão que, a essa altura do jogo comercial do mundo, não sabe quem é a bola.

Quer coisa mais jurássica que invadir um país para roubar petróleo?

Trump só assinou uma confissão de fracasso como líder de um império morto.

Trump não vai piorar o mundo, só continuará a piorar os EUA para os norte-americanos, como fez com suas amalucadas tarifas e foi obrigado a recuar.

Trump acusa Maduro de inundar os EUA de drogas, o remédio é roubar o petróleo do povo pobre da Venezuela?

Em que lugar do planeta, além dos bolsonaristas mais aloprados do Brasil, alguém apoiará uma meleca como essa?


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Política

Vídeo: Diário de um idiota desmoralizado

Nos EUA desde março, ex-deputado perdeu mandato por faltas e PF quer que ele trabalhe como escrivão.

Aquele sujeito que, dos EUA, declarou guerra contra o Brasil, era apenas um comédia e não sobrou nada dele, cabo e soldado, Trump, Magnistky, tarifas, invasão do exército norte-americano no Brasil, foi tudo ridiculamente desmontado junto com a lona do circo.

Até o ninguém, Paulo Figueiredo se distanciou do garganta, que se dizia íntimo de Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA, agora está aí choramingando seu emprego de datilógrafo na Polícia Federal, sem o menor pudor e falando em meu emprego que eu alcancei através de provas.

Ou seja, nem sonho, nem milagre, nem sua terra, os EUA. O grande Eduardo Bolsonaro não passa de um minúsculo errante, boboca que virou piada nacional para milhões de brasileiros que sabem da sua existência.

Na verdade, está tentando se salvar da cadeia no Brasil, numa ideia velhaca de utilizar o sentimentalismo barato em seu engenhoso e tolo discurso em busca de algum pedal dentro do Brasil.

Ser otário não é assim tão simples, porque o mesmo precisa, de alguma forma, de uma vizinhança, coisa que nem essa miniatura moral conquistou. E terá um punhado de processos para responder, no Brasil, pelos crimes comprovados de traição à pátria.

Não há para onde fugir. Muitos dizem que ele nem está mais nos Estados Unidos, porque seu visto venceu.


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Política

Tensão na Venezuela leva Lula a fazer pedido a Celso Amorim

O presidente Lula (PT) orientou o assessor especial Celso Amorim a evitar deslocamentos longos neste período de fim de ano. A recomendação, segundo relatos de auxiliares, está ligada à avaliação do governo de que a escalada de tensão entre Venezuela e Estados Unidos pode, em um cenário extremo, evoluir para uma ação militar em terra, conforme informações do colunista Paulo Cappelli, do Metrópoles.

De acordo com interlocutores, Lula justificou a cautela ao afirmar: “Precisamos estar preparados para caso o pior aconteça”. Diante desse diagnóstico, equipes do alto escalão do Itamaraty e do Palácio do Planalto atuarão em regime de revezamento durante o período festivo, enquanto assessores diretos do presidente permanecerão de prontidão.

Tentativa de mediação com os Estados Unidos
Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, tratou do tema em conversas com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A tentativa foi recolocar a Venezuela no centro das discussões e reforçar o pleito para que o Brasil atue como intermediador diplomático. O governo Trump, no entanto, demonstrou resistência à proposta.

A preocupação do Planalto aumentou após a intensificação de exercícios militares na região e de declarações públicas mais duras de autoridades norte-americanas contra o regime de Nicolás Maduro. De acordo com o DCM, na avaliação do governo brasileiro, qualquer movimento mais agressivo teria impacto direto sobre a estabilidade regional, com efeitos colaterais imediatos na fronteira norte do Brasil.

Tradicionalmente, o Brasil busca se posicionar como ator moderador em crises sul-americanas, apostando no diálogo e na preservação de canais institucionais. Essa linha tem orientado a leitura do Planalto diante do atual cenário de tensão envolvendo Caracas e Washington.

Operações militares e reação venezuelana
Desde setembro, os Estados Unidos ampliaram operações no Caribe e no Pacífico Oriental contra embarcações que, segundo Washington, estariam ligadas ao narcotráfico. Essas ações já resultaram na morte de mais de 100 pessoas, incluindo pescadores locais.

Em resposta, o governo venezuelano classificou o contexto como uma “campanha de agressão”, apontando os efeitos combinados das sanções e das operações militares no país.

A escalada ganhou novo capítulo em 16 de dezembro, quando Trump anunciou um bloqueio formal a petroleiros que operam em rotas relacionadas à Venezuela, em uma medida voltada a aumentar a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro.


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Mundo

EUA cercam Venezuela com maior poder militar já visto na América Latina

Escalada liderada por Donald Trump supera intervenções históricas e coloca a região diante do maior cerco militar norte-americano desde a Guerra Fria

O segundo semestre de 2025 entrou para a história como o período da maior mobilização militar dos Estados Unidos contra um país latino-americano – desde a crise dos mísseis de Cuba em 1962. Sob o comando do presidente Donald Trump, Washington concentrou no Caribe e no entorno da Venezuela um aparato bélico que supera, em poder de fogo e alcance estratégico, intervenções como as invasões de Granada e da Nicarágua nos anos 1980.

Porta-aviões, destróieres lançadores de mísseis, submarinos nucleares, caças de última geração e milhares de militares passaram a operar na região, em uma demonstração de força que rompe com o padrão histórico de pressões diplomáticas e sanções econômicas. Várias ilhas caribenhas hospedam esse aparato militar, que demonstra o tamanho do empenho e receio de Donald Trump em repetir os fracassos do Vietnã ou da invasão da Baía dos Porcos em Cuba.

Aumentando o risco de possíveis ataques contra a Venezuela, o presidente dos EUA declarou o espaço aéreo do país como “totalmente fechado”, sem dar maiores detalhes sobre o anúncio. Ao menos cinco aeronaves, incluindo caças Boeing EA-18G Growler e F/A-18E Super Hornet, sobrevoaram a região sem entrar no espaço aéreo de Caracas.

Mirando novamente o setor petrolífero da Venezuela, país detentor das maiores reservas do combustível fóssil ao redor do mundo, Trump anunciou nesta terça (16), um novo bloqueio marítimo, que busca impedir a entrada ou saída de navios sancionados pelos EUA na Venezuela. Segundo o Vermelho, um dia depois (17), um novo ataque “cinético letal” contra uma embarcação acrescentou mais vítimas às quase 100 pessoas já mortas desde setembro.

De sanções a ameaça militar aberta

A ofensiva ganhou intensidade após a posse de Nicolás Maduro para um novo mandato, em janeiro, contestado por Washington, apesar de todo o protocolo característico de uma democracia eleitoral. Trump classificou o presidente venezuelano como chefe de um suposto cartel de drogas e, na sequência, ampliou para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à sua captura.

Na prática, a mudança criou precedentes para operações militares dos EUA em outros países, sob a justificativa de combater o terrorismo — como já aconteceu em países como o Afeganistão, Síria e Líbia, países que continuam desgovernados sob controle de facções em conflito, um risco calculado para a Venezuela.

O discurso rapidamente se traduziu em ações concretas. Desde agosto, os EUA iniciaram ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico sob a alegação de combate ao narcotráfico, sem apresentação pública de provas. Em paralelo, retomaram sanções duras contra o setor petrolífero venezuelano, principal fonte de receitas do país.

A lógica do “narcoterrorismo”

O ponto de inflexão foi a adoção oficial, pelo governo Trump, de uma doutrina que classifica organizações ligadas ao tráfico de drogas como “terroristas internacionais”. A mudança abriu brechas legais para o uso direto da força militar fora do território norte-americano, replicando métodos aplicados anteriormente nos países do Oriente Médio mencionados.

Ao associar o governo Maduro ao chamado “narcoterrorismo”, Washington passou a justificar bloqueios navais, apreensão de petroleiros e bombardeios seletivos como parte de uma suposta guerra global ao terrorismo.

Bloqueio naval e cerco ao petróleo

Em dezembro, Trump anunciou um bloqueio marítimo contra petroleiros sancionados que entram ou saem da Venezuela, além de declarar o país “completamente cercado pela maior armada já reunida na história da América do Sul”. A medida elevou drasticamente o risco de confronto direto entre forças norte-americanas e venezuelanas.

Como resposta, Caracas passou a escoltar seus navios com a Marinha nacional e denunciou os EUA no Conselho de Segurança da ONU por violação do direito internacional e prática de “pirataria naval”. Enquanto Caracas chegou a arrecadar mais de 100 bilhões de dólares (R$ 552 bilhões) por ano com petróleo, hoje o valor fica em cerca de 20 bilhões de dólares (R$110 bilhões). Embora tenha a maior reserva do combustível, a produção venezuelana represente cerca de 1% da produção global.

Segundo o presidente republicano, a Venezuela está atualmente “cercada pela maior armada já reunida na história da América do Sul”. Por isso, o cerco contra o país só deve ser encerrado quando o “petróleo, terra ou quaisquer outros ativos” norte-americanos forem devolvidos. Até o momento, contudo, a administração Trump ainda não deixou claro sobre bens dos EUA que teriam sido apropriados pelo governo Maduro.

Reações internacionais e risco regional

A mobilização norte-americana provocou reações imediatas. Rússia e China declararam apoio à Venezuela e alertaram para consequências imprevisíveis. Além dos aliados, a ONU e os governos do México e da Alemanha também se pronunciaram na quarta-feira. A ONU pediu desescalada, enquanto países do Caribe demonstraram preocupação com a transformação da região, historicamente declarada “zona de paz”, em um novo palco de confrontação militar.

Especialistas alertam que a presença simultânea de grandes frotas navais em águas estreitas aumenta o risco de incidentes que podem servir de estopim para um conflito aberto.

Autoridades do Caribe, que dependem de parcerias de segurança com os EUA para combater o tráfico de armas e drogas, expressaram preocupação de que os ataques possam prejudicar suas economias e o turismo, embora admitam nos bastidores que pouco podem fazer para impedi-los.

O ponto mais próximo de Trinidad Tobago fica a apenas 11 km da costa da Venezuela, e seu governo está hospedando fuzileiros navais dos EUA, permitindo a instalação de um sistema de radar em um de seus aeroportos e participando de exercícios militares conjuntos com forças americanas. O primeiro ataque relatado em setembro deixou 11 mortos na costa de Trinidad. “As Forças Armadas dos EUA deveriam matá-los a todos violentamente,” diz a primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, embora a violência em seu país seja alimentada por armas contrabandeadas dos EUA, segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

O presidente dominicano Luis Abinader também autorizou as Forças Armadas dos EUA a operarem em áreas restritas de seu país. Aeronaves militares dos EUA podem reabastecer e transportar equipamentos e pessoal técnico, disse ele em uma coletiva de imprensa conjunta com o secretário de Defesa, Pete Hegseth, na capital dominicana no mês passado. “Dominicanos, nosso país enfrenta uma ameaça real, uma ameaça que não reconhece fronteiras, que não distingue bandeiras, que destrói famílias e que vem tentando usar nosso território como rota há décadas”, declarou.

Porto Rico é um território ocupado pelos EUA, não uma nação independente. Foi usado durante toda a Guerra Fria para apoiar ações militares dos EUA na América Central e do Sul, e voltou à ativa nas últimas semanas com intensa movimentação militar.

Washington abordou Granada para solicitar a instalação temporária de equipamentos de radar e pessoal técnico associado em um aeroporto internacional. O pedido causa polêmica no país que já foi invadido pelos EUA em outubro de 1983, após o assassinato do primeiro-ministro Maurice Bishop, um revolucionário socialista. O aeroporto batizado com o nome do líder assassinado, seria o local da instalação do radar dos EUA.

Mais grave que Granada e Nicarágua

Mesmo nos momentos mais tensos da Guerra Fria, como a invasão de Granada ou o apoio armado dos EUA contra a Nicarágua sandinista, Washington não concentrou tamanho poder de fogo de forma tão explícita e prolongada no entorno de um único país latino-americano.

Agora, com ataques letais, bloqueios navais e ameaças públicas de guerra, a ofensiva contra a Venezuela marca um novo patamar de intervenção, recolocando a América Latina no centro da estratégia militar global dos Estados Unidos — e reacendendo memórias históricas de um continente repetidamente tratado como zona de influência e não como região soberana.


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