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Pesquisas Atlas: Eleição pode ser decidida no 1º turno

Lula e Flávio crescem, adversários caem e eleição pode ser definida no 1º turno, diz pesquisa Atlas

Pesquisa Atlas/Bloomberg mostra movimento de migração de votos válidos, esvaziando candidaturas nanicas. Lula está a 3,7 pontos de uma vitória no primeiro turno.

Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (23) revela que as eleições presidenciais podem ser decididas no primeiro turno, com Lula e Flávio Bolsonaro (PL) oscilando positivamente na mesma margem, de 1,7 pontos, enquanto os adversários registram oscilações negativas.

Os demais candidatos, que há uma semana somavam 12,1%, agora registram juntos 9,9%. Renan Santos (Missão) segue na terceira posição, oscilando de 5,1% para 4,5%. Augusto Cury (Avante) caiu de 3,5% para 2,1%. Ronaldo Caiado (PSD) foi de 1,7% para 1,3% e Romeu Zema (Novo) de 1,1% para 0,9%. Os outros candidatos somam 0,8%. Brandos e nulos é 0,7% e indecisos 0,5%.

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Em votos válidos – excluindo brancos e nulos -, Lula tem 46,3%, ficando a 3,7 pontos de uma vitória no primeiro turno. Flávio Bolsonaro tem 43,9% dos válidos.

Nesse cenário, Santos vai a 4,6%. Cury tem 2,1%, Caiado a 1,4% e Zema a 0,9%. Os demais somam 0,8%.

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Segundo turno
No segundo turno, Lula está numericamente à frente de Flávio Bolsonaro (PL) por 0,3%, em situação de empate técnico dentro da margem de erro de 1 ponto para mais ou para menos. O presidente marca 47,7% contra 47,4% do senador. Brancos, nulos e indecisos somam 4,9%.

Lula também vence a disputa contra Ronaldo Caiado por 46,8% contra 44%, com 9,4% de indecisos, brancos e nulos. Contra Zema, a vitória é de 47,6% contra 42,2%, com 10,2% de indecisos, brancos e nulos.

Lula também vence Augusto Cury por 46,2% contra 39,4%, com 14,4% de indecisos, brancos e nulos. Já Renan Santos marca 31,2% contra 46,5% de Lula – 22,3% de indecisos, brancos e nulos. Forum.


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Política

“Não fala pra ninguém”: Vorcaro temia vazamento de jantar com Bolsonaro e Flávio

Mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário mineiro Flávio Carneiro, obtidas pela Carta Capital, indicam que o dono do Banco Master temia o vazamento de um possível jantar com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em uma das conversas, o banqueiro escreveu: “Esse negócio acaba comigo”.

A troca de mensagens ocorreu pelo WhatsApp em 8 de dezembro de 2024. Carneiro perguntou a Vorcaro se ele participaria de um jantar “com meu xará e com o pai dele” e afirmou que Thiago cobrava uma resposta.

Vorcaro respondeu inicialmente que não sabia do que o empresário falava. Carneiro insistiu e disse: “Você não está sabendo? Achei que eles tinham falado com você”. O banqueiro então escreveu: “Temos que pensar nisso. Vamos nos falar primeiro.”

No dia seguinte, Vorcaro retomou o assunto e pediu sigilo a Carneiro: “Cara. Não fala dessa reunião bolso pra ninguém”. Após o cumprimento do empresário, o banqueiro acrescentou: “Esse negócio acaba comigo. Fábio já veio falar”. As mensagens não confirmam que o jantar tenha ocorrido.

Investigadores associam referências a Jair e Flávio Bolsonaro
Investigadores do Caso Master interpretam que o “xará” citado por Carneiro seria Flávio e que a referência ao “pai dele” apontaria para Jair Bolsonaro. A conversa menciona uma reunião, mas não detalha local, participantes ou eventual data para o encontro.

Naquele período, Bolsonaro cumpria medidas cautelares no processo sobre a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Entre as determinações, estavam a entrega do passaporte, a proibição de deixar o país e a vedação de contato com outros investigados.

Fontes ligadas à investigação também identificaram o “Thiago” da conversa como o publicitário e lobista Thiago Miranda, dono da Agência MiThi. À época, ele integrava a sociedade do Grupo Léo Dias de Comunicação.

Miranda deixou a sociedade em maio de 2026, após se tornar alvo da Operação Compliance Zero. A investigação apura a suspeita de que ele tenha articulado o “Projeto DV”, voltado à contratação de influenciadores para questionar a atuação do Banco Central na liquidação do Banco Master.

Conversa ocorreu durante operações investigadas no Caso Master
A data das mensagens chamou a atenção dos investigadores porque, em dezembro de 2024, o Banco Master já realizava operações com o Banco de Brasília (BRB) que posteriormente entraram na mira da Polícia Federal e do Banco Central.

Relatório do BC divulgado posteriormente apontou que o BRB adquiriu R$ 33,9 bilhões em ativos ligados ao Master, entre carteiras de crédito consignado, empréstimos e títulos. A PF identificou indícios de gestão fraudulenta em 25 operações que somaram R$ 17,5 bilhões.

Parte dos ativos teria origem em carteiras cuja existência ou consistência financeira passou a ser questionada pelos investigadores. O prejuízo potencial calculado para o banco público chegou a R$ 11,4 bilhões. As instituições e os investigados contestam irregularidades em diferentes partes do caso.

A Operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025 para investigar suspeitas de gestão fraudulenta, emissão de títulos de crédito falsos e atuação de uma organização criminosa. Foi nesse contexto que a PF apreendeu o celular de Vorcaro e passou a analisar mensagens, áudios, documentos e registros de encontros mantidos pelo banqueiro com empresários, políticos e autoridades. O teor da conversa com Carneiro não esclarece por que Vorcaro acreditava que a divulgação da possível reunião poderia “acabar” com ele.

Financiamento de filme ampliou suspeitas sobre proximidade
Outros elementos encontrados posteriormente pelos investigadores, porém, reforçaram as apurações sobre a relação de Vorcaro com integrantes da família Bolsonaro. Flávio admitiu ter pedido ao banqueiro recursos para financiar “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política do pai.

Segundo documentos da investigação, o projeto teria solicitado mais de R$ 130 milhões. Cerca de R$ 60 milhões teriam sido repassados para a produção do filme. A PF ainda apura o destino dos valores e eventuais irregularidades na captação e na movimentação do dinheiro.

Uma entidade ligada à produtora também recebeu cerca de R$ 6,2 milhões provenientes de verbas públicas, mas a apuração não havia identificado a destinação integral dos recursos. A defesa da produtora nega irregularidades e afirma colaborar com as autoridades.

*DCM


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Pesquisa

Agregador de pesquisas para a Presidência no primeiro turno: Lula 39%, Flávio 33%

O agregador de pesquisas para o primeiro turno da eleição presidencial traz um cenário que merece atenção: Lula aparece com 39%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 33%. Uma diferença de seis pontos percentuais que coloca frente a frente dois projetos políticos distintos e revela uma disputa ainda marcada por forte polarização.

O número não é apenas uma fotografia estatística. Ele representa o resultado da combinação de pesquisas eleitorais e oferece uma referência para acompanhar a evolução das intenções de voto. Mas é fundamental considerar as margens de erro, as datas de realização dos levantamentos e as diferenças metodológicas entre os institutos.

Para Flávio Bolsonaro, o percentual de 33% não elimina a necessidade de ampliar sua base eleitoral, especialmente entre os eleitores que ainda não definiram seu voto. Já Lula, com 39%, mantém uma posição numericamente superior nesse recorte, sem que isso permita antecipar o resultado das urnas.

A disputa está aberta ao movimento dos eleitores, às alianças, aos debates e aos acontecimentos que podem alterar o cenário até o dia da votação. Pesquisa não é eleição, mas o agregador ajuda a revelar a temperatura do momento político.


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Política

Vídeo – Lula: “Flávio está nervosinho porque vai aparecer falcatrua com Vorcaro”

A declaração de Lula coloca ainda mais pressão sobre um caso que já se transformou em um dos pontos mais sensíveis da campanha presidencial. Segundo o presidente, Flávio Bolsonaro estaria “nervosinho” porque o conteúdo relacionado a Daniel Vorcaro ainda pode revelar novos detalhes sobre a relação entre o candidato e o ex-banqueiro.

O presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta (16) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está “nervosinho” porque devem aparecer “falcatruas” em sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A declaração ocorreu em entrevista ao podcast Desce a Letra Show.

Lula citou churrasco, bebidas, mulheres e R$ 130 milhões que Flávio pediu a Vorcaro para financiar “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. “Ele está nervosinho porque vai aparecer toda a falcatrua dele com o Vorcaro”, disse o presidente.

“Eu não sou precipitado, eu estou indignado. A sociedade brasileira não merece isso. Estou confiante de que nós vamos encontrar uma saída, apurar, punir quem tiver que punir”, prosseguiu.

O presidente também cobrou uma reforma política e no Judiciário: “A política está apodrecida. Eu voltei 15 anos depois e a política está bem pior do que estava naquele tempo. Se a gente não reformar isso, eu não sei o que vai acontecer com esse país”. DCM.

https://twitter.com/i/status/2100243305002873272


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Pesquisa

Atlas/Intel: Lula 9 pontos à Frente de Flavio em Minas Gerais

Levantamento AtlasIntel ouviu 1.804 eleitores no Estado; margem de erro é de 2 pontos percentuais

1º TURNO

O levantamento também mediu as intenções de voto em um cenário de 1º turno da disputa presidencial.

Eis os resultados:

  • Lula (PT) – 44,3%;
  • Flávio Bolsonaro (PL) – 35,4%;
  • Augusto Cury (Avante) – 8,9%;
  • Renan Santos (Missão) – 6,2%;
  • Romeu Zema (Novo) – 1,9%;
  • Ronaldo Caiado (PSD) – 1,4%;
  • Samara (UP) – 0,6%;
  • Edmilson Costa (PCB) – 0,1%;
  • branco/nulo – 0,7%;
  • não sabe – 0,4%

No cenário de 2º turno, Lula também aparece à frente de Flávio, com 48,7% contra 42,1%, uma diferença de 6,6 pontos percentuais. Em votos válidos, o presidente teria 53,7%, contra 46,3% do senador. Lula também lidera os confrontos contra Ronaldo Caiado (PSD), por 48,4% a 41,5%, e Renan Santos, por 48,6% a 30,5%. O cenário mais equilibrado é contra Romeu Zema (Novo): 47,6% para Lula e 46,4% para o ex-governador, uma diferença de 1,2 ponto percentual.


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Política

Prego no caixão do clã: Sete pagamentos, US$ 12,3 milhões e a sombra que chega a Flavio e Eduardo Bolsonaro

A história do chamado Dark Horse acaba de ganhar uma peça que pode mudar radicalmente o peso das suspeitas que cercam o caso. Segundo o relato apresentado à Procuradoria-Geral da República, o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, confirmou ter realizado sete transferências que totalizaram US$ 12,3 milhões — cerca de R$ 69 milhões na cotação da época — para um fundo nos Estados Unidos administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo Bolsonaro. Os pagamentos teriam sido realizados entre fevereiro e setembro de 2025, a pedido do banqueiro Daniel Vorcaro.

Não se trata, portanto, de uma transferência isolada, de uma operação perdida no emaranhado financeiro ou de uma movimentação cuja existência possa ser simplesmente tratada como detalhe burocrático. São sete pagamentos. São milhões de dólares. E existe um delator apontando a origem e a motivação das transferências.

É justamente essa sequência que torna o episódio politicamente explosivo.

Durante meses, o caso poderia ser apresentado como uma sucessão de coincidências, versões desencontradas e relações financeiras difíceis de rastrear. Agora, porém, surge o relato de alguém que afirma ter participado diretamente das operações. Se as informações forem confirmadas documentalmente pelas autoridades, a pergunta deixa de ser apenas “quem recebeu o dinheiro?” e passa a ser muito mais incômoda: por que um banqueiro como Daniel Vorcaro teria determinado o envio de US$ 12,3 milhões para um fundo ligado ao advogado de Eduardo Bolsonaro?

E há outra questão que não pode ser empurrada para debaixo do tapete: qual era exatamente a finalidade desses recursos?

As reportagens que divulgaram o depoimento relacionam os pagamentos ao financiamento do filme Dark Horse, produção associada à família Bolsonaro. Se essa conexão for comprovada, estaremos diante de uma operação financeira de proporções extraordinárias envolvendo um banqueiro investigado, recursos milionários enviados ao exterior e um fundo administrado por um advogado próximo a Eduardo Bolsonaro.

Isso exige muito mais do que explicações políticas de ocasião.

Exige documentos, contratos, comprovantes bancários, identificação dos beneficiários efetivos e a reconstrução completa do caminho percorrido por cada dólar.

Porque US$ 12,3 milhões não desaparecem em uma conta bancária por acaso.

E sete pagamentos também não são um detalhe.

O que está em jogo agora é uma engrenagem muito mais complexa — uma engrenagem na qual dinheiro, poder político, interesses privados e relações internacionais se encontram em uma mesma operação.

O depoimento do delator não é, por si só, prova definitiva de crime. Mas é uma peça de enorme relevância investigativa. E, justamente por isso, não pode ser tratado como mais uma notícia passageira do noticiário político.

A sociedade tem o direito de saber quem mandou, quem recebeu, para quê, por qual razão e o que foi feito com os recursos.

Porque quando a cifra chega a US$ 12,3 milhões, quando são sete pagamentos, quando o dinheiro atravessa fronteiras e quando aparece no caminho o círculo político ligado à família Bolsonaro, a pergunta deixa de ser apenas financeira.

Passa a ser uma pergunta de interesse público.


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Política

Os dois fatores na pesquisa Quaest que aterrorizam a campanha de Flávio Bolsonaro

O baixo interesse dos eleitores pela disputa presidencial e a menor mobilização da direita criam um obstáculo para o senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes. Para o cientista político, o eleitorado do presidente Lula (PT) demonstra mais disposição para participar da campanha de 2026.

Uma pergunta inédita da pesquisa ajuda a medir a diferença entre os dois campos. Lula é considerado a opção ideal da esquerda por 49% do total de entrevistados, enquanto 33% apontam Flávio como o melhor nome disponível na direita.

“Essa é uma eleição em que o engajamento do eleitor da direita parece estar bem abaixo do engajamento do eleitor de Lula. O de Lula está mais animado que o da direita”, afirmou Nunes ao g1. Ele acrescentou que o cenário pode afetar o comparecimento às urnas: “Isso impacta a abstenção, que historicamente é um problema para Lula e agora Flávio também precisa enfrentar. Essa é a novidade”.

Entre os eleitores da esquerda não lulista, 79% consideram Lula o nome ideal, e 20% discordam. Na direita não bolsonarista, 50% escolhem Flávio, enquanto 45% preferem outro candidato. O levantamento também aponta que 37% estão muito interessados na eleição, 40% têm pouco interesse e 22% não demonstram nenhum interesse.

Assessorado por Pablo Marçal, Augusto Cury avança entre os eleitores independentes

O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) aparece como um dos beneficiados pela baixa mobilização, principalmente entre os independentes. Nunes definiu o candidato como alguém que está “buscando a paz” em uma disputa marcada pela polarização entre lulistas e bolsonaristas.

Lula lidera o primeiro turno com 37% das intenções de voto, contra 30% de Flávio e 10% de Cury. Entre os independentes, porém, Cury alcança 24% e fica em empate técnico com o presidente, que registra 21% nesse segmento.

Em uma projeção de segundo turno, Lula supera Cury por seis pontos no resultado geral. O escritor, porém, vence entre os independentes por 36% a 28%. Para Nunes, Cury terá dificuldade para avançar sobre os núcleos lulista e bolsonarista, mas pode crescer entre eleitores de direita insatisfeitos com Flávio.

A Quaest entrevistou 2.004 eleitores entre 30 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A Justiça Eleitoral registrou o levantamento sob o número BR-07065/2026. DCM.

Ou seja, a maré não está pra peixe para Flavio Bolsonaro.


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Política

Recordar é viver: a mídia recicla a velha fórmula das farsas do mensalão e da Lava Jato contra Lulinha

Recordar é viver: na pantomima que setores da mídia estão construindo em torno de Lulinha, há pelo menos um aspecto revelador: ela permite reconhecer, quase em tempo real, o velho padrão de manipulação utilizado pelo chamado jornalismo industrial nas farsas midiáticas que marcaram o mensalão e, posteriormente, a Lava Jato, com o protagonismo Joaquim Barbosa e de Sergio Moro.

A fórmula é conhecida. Primeiro, escolhe-se um personagem que precisa ser transformado em vilão. Depois, insinuam-se conexões, levantam-se suspeitas, selecionam-se informações convenientes e, sobretudo, repete-se exaustivamente a narrativa até que a suspeita passe a ocupar o lugar da prova. O método é simples, mas poderoso: quando a manchete é reproduzida milhares de vezes, a dúvida cuidadosamente fabricada começa a adquirir aparência de verdade.

Foi assim que parte da imprensa construiu, durante anos, uma espécie de tribunal paralelo. O jornalismo deixou de ser, em muitos momentos, instrumento de investigação para assumir o papel de acusador, julgador e propagador de versões. A diferença entre fato comprovado, hipótese, ilação e opinião tornou-se convenientemente nebulosa.

O mais curioso é que a atual ofensiva contra Lulinha parece ressuscitar justamente esse mecanismo. Em vez de esclarecer, contextualizar e separar evidências de especulações, setores da mídia parecem interessados em produzir um ambiente de suspeição permanente. E há uma razão política evidente para questionar esse movimento: Lulinha não é candidato a presidente, não disputa eleição e não ocupa cargo público — mas seu nome vem sendo explorado como se fosse uma arma eleitoral contra Lula.

É aí que a comparação histórica se torna inevitável. Durante o mensalão e, sobretudo, na Lava Jato, a exposição seletiva de informações, o vazamento estrategicamente utilizado, a repetição incessante de acusações e a transformação de suspeitas em certezas contribuíram para criar uma atmosfera política na qual determinados personagens já chegavam ao noticiário previamente condenados.

A questão não é impedir que ninguém seja investigado. Ao contrário: qualquer pessoa deve responder por eventuais irregularidades, com provas, contraditório e devido processo legal. O problema começa quando o jornalismo abandona esses critérios e passa a trabalhar com a lógica da insinuação: se existe uma suspeita, ela vira manchete; se não há prova suficiente, acrescenta-se uma nova suspeita; se a narrativa perde força, resgata-se outra.

É justamente por isso que “recordar é viver”. Porque quem acompanhou aqueles episódios reconhece os sinais. Reconhece a linguagem, o enquadramento, a seleção das fontes, a insistência desproporcional e, principalmente, a tentativa de transformar uma narrativa política em fato consumado.

A história recente deveria ter ensinado alguma coisa. O jornalismo não pode repetir os mesmos vícios que ajudaram a produzir algumas das maiores distorções da política brasileira. Se há fatos contra Lulinha, que sejam apresentados com documentos, provas e contexto. Se existem crimes, que sejam investigados. Se não existem provas, a imprensa deveria ter a responsabilidade de dizer exatamente isso.

Porque a diferença entre jornalismo e propaganda não está no tamanho da manchete. Está na capacidade de resistir à tentação de fabricar certezas onde existem apenas suspeitas.

E talvez seja justamente esse o lado “bom” da atual pantomima: ela permite reconhecer a velha fórmula antes que ela seja completamente naturalizada. Ao repetir os mesmos métodos do passado, parte da mídia acaba revelando não apenas sua narrativa atual, mas também o padrão de operação que utilizou em momentos decisivos da história política brasileira.

Desta vez, porém, há uma diferença importante: muita gente já conhece o roteiro. E quando o público reconhece a fórmula, fica muito mais difícil vender a velha manipulação como se fosse jornalismo novo.

Em última análise, Comparar o caso de Lulinha com o esquema pesado de corrupção de Flávio, como faz a velha mídia, fala muito mais sobre como funciona a imprensa industrial no Brasil.


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Política

Em uníssono inédito, mídia canoniza Flávio, sataniza Lulinha e mergulha na campanha pró-fascista

Há algo de profundamente revelador no comportamento de parte da mídia brasileira nesta largada da eleição de 2026: enquanto Flávio Bolsonaro é tratado como candidato presidencial plenamente reabilitado, o noticiário sobre Lulinha ganha uma dimensão que ultrapassa a própria investigação e passa a funcionar como munição eleitoral contra Lula.

Não se trata de defender qualquer pessoa de investigação. Se existem suspeitas, que sejam apuradas até o fim, com transparência, direito de defesa e sem interferência política. O problema é outro: a régua parece não ser a mesma para todos.

Flávio Bolsonaro passou a ser apresentado como uma espécie de alternativa política viável, enquanto questões que envolvem diretamente sua campanha são empurradas para o rodapé. O caso do filme Dark Horse é o exemplo mais gritante. O candidato afirmou que o episódio é uma “página virada” e que já teria prestado contas, embora a imprensa registre que ele ainda não apresentou os documentos prometidos e que a origem e a destinação dos recursos continuam sob investigação.

Ao mesmo tempo, qualquer informação relacionada a Lulinha recebe enorme repercussão e rapidamente é transformada em argumento político contra Lula. Há, de fato, três inquéritos envolvendo Fábio Luís da Silva, e sua defesa nega irregularidades. Mas investigação não é condenação — e suspeita não pode ser apresentada como sentença.

O mais impressionante é a assimetria.

Quando Flávio é questionado sobre Vorcaro, Dark Horse e os milhões destinados à produção de um filme sobre Jair Bolsonaro, a resposta vira notícia, mas a cobrança parece desaparecer rapidamente. Quando o assunto é Lulinha, entretanto, a investigação se transforma em manchete, comentário, análise eleitoral e combustível permanente para a campanha bolsonarista.

O próprio Flávio percebeu a oportunidade e passou a explorar sistematicamente o caso Lulinha para desgastar Lula. Não por acaso, seu discurso eleitoral passou a girar em torno de corrupção, INSS e ataques ao presidente, enquanto a campanha tenta deslocar o centro do debate para os adversários.

É justamente aí que mora o perigo.

A imprensa não pode se transformar em cabo eleitoral involuntário de um projeto político autoritário.

Quando determinados candidatos são submetidos a uma investigação permanente, enquanto outros recebem tratamento de presidenciáveis “moderados”, cria-se uma espécie de lavagem política da imagem pública. O passado desaparece, as controvérsias são relativizadas e o candidato passa a ser apresentado apenas pelo personagem que sua campanha deseja vender.

É a fabricação do “Flávio moderado”.

Mas a embalagem não apaga a história. Tampouco transforma automaticamente um representante do bolsonarismo em democrata, conciliador ou institucionalista.

Flávio iniciou sua campanha reproduzindo discurso do pai, atacando o STF e utilizando símbolos políticos associados ao bolsonarismo. Ao lado de Guilherme Derrite, também elogiou o modelo de Nayib Bukele em El Salvador e defendeu endurecimento de penas e redução da maioridade penal em determinados casos.

Nada disso significa que o eleitor não possa escolher Flávio. Significa apenas que a sociedade tem o direito de conhecer o candidato inteiro — e não a versão higienizada construída para consumo eleitoral.

E existe uma ironia ainda maior: enquanto a mídia ajuda a transformar Lulinha em personagem central da eleição, o próprio Flávio tenta escapar das perguntas que lhe são feitas sobre seu relacionamento com Vorcaro. Quando questionado sobre Dark Horse, responde que o assunto está encerrado e imediatamente aponta o dedo para Lula e Lulinha.

Essa é a velha técnica política: quando a pergunta aperta, troque o acusado pelo acusador.

E quando a imprensa embarca nessa troca sem manter a mesma intensidade de cobrança, deixa de ser apenas observadora do processo eleitoral e passa a interferir na própria disputa.

Não é necessário absolver Lulinha para denunciar essa assimetria. Não é necessário defender Lula para exigir jornalismo sério. E não é necessário ser petista para perceber que democracia exige a mesma régua para todos.

Se há documentos a apresentar, que sejam apresentados. Se há suspeitas, que sejam investigadas. Se há crimes, que sejam responsabilizados os culpados.

Mas que isso valha para Flávio Bolsonaro também.

Porque uma eleição não pode ser vencida pela quantidade de manchetes produzidas contra um adversário. E uma democracia não pode ser reduzida a uma operação de marketing destinada a transformar um candidato do campo radical em uma figura palatável enquanto seus adversários são submetidos diariamente ao tribunal midiático.

O que está em jogo não é apenas a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. É a disputa pelo direito do eleitor de receber informação completa, proporcional e honesta.

Quando parte da mídia escolhe um lado da balança, suaviza um candidato e amplifica incessantemente os problemas do outro, o jornalismo deixa de iluminar a eleição e passa a participar dela.

E é justamente nesse ambiente que o discurso autoritário encontra terreno fértil.

Não é jornalismo quando a pergunta para um lado é “prove que é inocente” e para o outro é “por que você está sendo atacado?”.

A democracia brasileira merece mais do que isso.


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Política

Vídeo: Flávio acusa cúpula do judiciário de “roubalheira” enquanto se beneficia da blindagem de Mendonça

Protegido por Mendonça, Flávio Bolsonaro transforma o Judiciário em alvo político

Há algo profundamente revelador na postura de Flávio Bolsonaro: enquanto se beneficia politicamente de um ambiente em que o ministro André Mendonça vem adotando uma atuação cada vez mais controversa em casos que atingem interesses do campo bolsonarista, o senador se sente à vontade para atacar a própria cúpula do Judiciário com acusações gravíssimas.

Chamar ministros dos tribunais superiores de envolvidos em “roubalheira” não é uma crítica política comum. É uma acusação de enorme gravidade. E justamente por isso deveria exigir provas, fatos concretos e responsabilidade. Quando uma autoridade pública lança uma acusação dessa natureza sem apresentar elementos capazes de sustentá-la, o que resta é a velha estratégia bolsonarista de transformar suspeitas e narrativas em sentença política.

O paradoxo é ainda maior quando se observa o silêncio — ou a complacência — diante de situações que envolvem o próprio campo político de Flávio Bolsonaro. O discurso contra a corrupção aparece com toda a força quando o alvo são adversários, ministros ou instituições que incomodam. Mas perde intensidade quando as suspeitas atingem aliados, familiares ou personagens próximos ao seu grupo político.

E é justamente nesse ambiente que a atuação de André Mendonça ganha relevância. O ministro, que deveria ser símbolo de equilíbrio, independência e respeito às instituições, vem sendo alvo de críticas por decisões e iniciativas que, aos olhos de seus críticos, parecem produzir efeitos políticos favoráveis ao bolsonarismo. Quando um integrante da Suprema Corte passa a ser percebido como alguém capaz de oferecer proteção institucional a determinado grupo político, a consequência inevitável é o desgaste da própria credibilidade do Judiciário.

Flávio Bolsonaro parece perceber esse cenário e explorar politicamente suas contradições. Ataca ministros, desqualifica instituições e tenta vender à opinião pública a imagem de um Judiciário tomado pela corrupção. Ao mesmo tempo, porém, encontra espaço institucional para aliados questionados e para operações jurídicas que podem beneficiar seu campo político.

A pergunta que fica é simples: se há “roubalheira” na cúpula do Judiciário, onde estão as provas? Quem praticou quais crimes? Qual foi o dinheiro desviado? Quem recebeu? Quem intermediou? Onde estão os documentos?

Acusar é fácil. Provar é outra história.

O problema é que esse tipo de retórica não busca necessariamente esclarecer fatos. Busca incendiar a opinião pública, destruir reputações e alimentar a velha narrativa de que todas as instituições são corruptas — exceto aquelas que, por alguma razão, acabam favorecendo o grupo político que faz a acusação.

É uma fórmula conhecida: quando a Justiça aperta, acusa-se a Justiça de perseguição; quando uma investigação avança, denuncia-se uma conspiração; quando uma decisão favorece, celebra-se a independência institucional. A régua muda conforme o resultado.

Flávio Bolsonaro, portanto, deveria explicar muito mais do que suas acusações contra ministros. Deveria explicar por que acredita ter autoridade moral para transformar acusações sem provas em instrumento político enquanto seu próprio grupo permanece cercado por controvérsias e questionamentos.

A democracia não sobrevive de gritos, slogans ou acusações lançadas ao vento. Sobrevive de instituições, provas e responsabilidade.

E se existe realmente “roubalheira” na cúpula do Judiciário, que Flávio Bolsonaro apresente as provas.

Do contrário, sua fala corre o risco de ser apenas mais um capítulo da política de destruição institucional que o bolsonarismo utiliza quando não consegue responder às perguntas que realmente importam.

Porque acusar todo mundo de corrupto pode ser uma excelente estratégia eleitoral.

Mas não substitui prova, não produz verdade e, muito menos, transforma acusado em inocente.


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