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“O Ciro vai ajudar a gente”: Mensagens obtidas na Operação Carbono Oculto revelam que Ciro Nogueira tinha grupo de WhatsApp com investigados na máfia dos combustíveis

Um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema de fraudes bilionárias no setor de combustíveis, encontrou mensagens trocadas entre o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e acusados de participação na fraude. O material foi obtido por meio da quebra do sigilo telemático (de dados de celulares, computadores e arquivos em nuvem) de Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa, empresários de Teresina que na semana passada foram denunciados à Justiça sob acusação de adulterar combustíveis, fraudar vendas, ocultar patrimônio e lavar dinheiro em associação com Roberto Leme, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo.

Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, não é investigado no inquérito. Mas a Carbono Oculto 86 (o número faz referência ao DDD de Teresina) identificou um grupo de WhatsApp do qual o senador participou, intitulado Ciro Vitor Haran Danilo. Era uma referência ao nome dos integrantes: além do próprio Ciro e da dupla de empresários Haran e Danillo, estava lá Victor Linhares de Paiva, tratado informalmente como Vitinho. Ele é uma figura próxima de Ciro. Foi seu assessor no Senado, exerceu mandato de vereador em Teresina pelo PP e também está na lista de denunciados pelo Ministério Público do Piauí, acusado de lavar dinheiro para o esquema.

Os participantes do grupo conversavam por meio de mensagens temporárias, que expiravam depois de 24 horas. No entanto, como Haran fez capturas de tela de alguns diálogos, a polícia conseguiu acessar parte do que foi falado. As informações constam num relatório ao qual a piauí teve acesso. Numa das mensagens, Ciro – a quem os demais participantes se referiam como Sena, presumivelmente uma abreviação de senador – convidou os três colegas para “tomar um café” em sua casa, em Teresina.

A mensagem foi enviada no dia 20 de novembro de 2023, e o convite era para o dia seguinte, dia 21. Na época, Haran e Danillo, donos da rede de postos de combustível HD, negociavam a venda de parte da empresa para Beto Louco e Primo, donos da distribuidora Copape. Em 11 de dezembro, Haran escreveu no grupo: “Está no ponto lá/ Só depende do ok dele/ Dando o ok já inicia amanhã.” Ao que Ciro respondeu “Ok”. Dali a poucos dias, ainda em dezembro de 2023, o negócio foi fechado.

O quarteto continuou conversando nas semanas seguintes, segundo os prints obtidos pela polícia. No dia 4 de janeiro, Ciro escreveu no grupo: “Querem passar aqui no hotel pra gente atualizar as coisas?” Haran respondeu: “Ok, estamos indo.” Dali a pouco, Vitinho disse: “Estamos aqui.” Ciro pediu então “5 min”. A conversa dá a entender que os três se encontraram naquela tarde.

 

Os prints das conversas obtidos pela Polícia Civil

Se o encontro realmente aconteceu, não foi o único. O site ICL Notícias já tinha publicado que, em fevereiro, Ciro se encontrou com Hiran e Danillo no Aeroporto de Brasília. A reportagem mostra uma foto em que os três aparecem conversando (a piauí também obteve, posteriormente, a imagem original) e informa que eles embarcaram juntos para Teresina.

O ICL também revelou a existência de um relatório do Coaf – o Conselho de Controle de Atividades Financeiras – apontando que uma empresa do senador, a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis, recebeu 63,9 mil reais da Pima Energia Amizade em 2025. A Pima foi criada por Beto Louco e Primo justamente para administrar os postos de combustível que compraram de Haran e Danillo, no Piauí. Além disso, segundo o Coaf, a empresa de Ciro transferiu 25,1 mil reais para a HD Petróleo Uruguai Ltda, um dos postos de combustível de Haran e Danillo.

Segundo o Coaf, os pagamentos feitos à empresa de Ciro ocorreram sem “aparente justificativa, vínculo ou compatibilidade da atividade econômica”. Parte do dinheiro foi movimentada por meio da BK Instituição de Pagamento, conhecida como BK Bank, fintech apontada como peça central no esquema de lavagem de dinheiro investigado pela Operação Carbono Oculto em São Paulo (uma das hipóteses ainda sob investigação é que o esquema lavava dinheiro do PCC, mas a informação não foi confirmada até aqui pelo Ministério Público).

As mensagens obtidas pela polícia indicam que, embora participassem do grupo de WhatsApp, Haran e Danillo pareciam não ter uma relação próxima com Ciro. Frequentemente, quando falavam a sós, os dois se referiam a Vitinho como um intermediário por meio do qual chegavam ao senador. O ex-assessor e braço direito de Ciro é descrito na denúncia do Ministério Público como lobista e intermediador financeiro da venda de parte da rede de postos HD para Beto Louco e Primo. Segundo a investigação, recebeu 230 mil reais de Haran em 20 de dezembro de 2023, mesma época em que aconteciam as conversas no grupo. O dinheiro foi depositado em uma conta aberta por ele na BK Bank havia pouco tempo. Segundo os procuradores, o pagamento foi uma “contraprestação pelos serviços de intermediação que viabilizaram a conexão entre os núcleos criminosos”.

A Carbono Oculto 86 também obteve áudios atribuídos a Danillo e enviados a Haran. Em um deles, o empresário faz menções a “Beto” e “Ciro” numa conversa sobre a venda da rede HD. “Eu acho que é esse Beto, entendeu? Que é o pica lá, pelo que eu já sondei, né? Que é o amigo do Ciro”, disse Danillo, segundo a gravação colhida pela polícia. Depois continua: “Aí tu imagina o Ciro dando uma ligadinha pra ele hoje, né? Falando que a gente se conheceu lá, aí falando bem da gente, né? Aí, meu patrão, aí a gente já chega lá com as portas abertas.” Em seguida, no mesmo áudio, o empresário se dirige a Vitinho, que parece estar ao seu lado: “Vitinho, pede pro Sena fazer essa ligação aí.”

A aproximação de Beto Louco e Primo com a dupla do Piauí aconteceu em um momento em que os donos da Copape e da Aster, principais alvos da Carbono Oculto, buscavam se fortalecer politicamente em meio a uma disputa de mercado com o empresário Ricardo Magro, dono da Refit. Versátil, Ciro manteve um pé em cada canoa: ao mesmo tempo que conversava com Haran e Danillo, cultivou uma relação próxima com Magro, rival de Beto Louco e Primo. Mas os empresários do Piauí pareciam esperar a ajuda do senador para destravar a venda da rede HD. Em um outro áudio obtido pela polícia, Danillo disse para o sócio: “Rapaz, eu conversei muito com o Vitinho […] e ele disse: vamos botar o negócio pra frente que o Ciro já falou que vai ajudar a gente.”

A piauí entrou em contato com Ciro Nogueira para pedir esclarecimentos sobre sua relação com Haran e Danillo, as transações financeiras detectadas pelo Coaf e as conversas no grupo de WhatsApp. Perguntou também se ele intermediou a negociação da Rede HD com Beto Louco e Mohamad. O senador não respondeu às perguntas da reportagem, enviadas por WhatsApp. Sua assessoria de imprensa repassou apenas uma nota em que diz: “O senador Ciro Nogueira não é investigado no âmbito da operação mencionada e em nenhum outro inquérito em curso. Toda e qualquer tentativa de envolver o nome dele em escândalos acabará por ser frustrada, uma vez que o senador não tem envolvimento com ações ilícitas.”

A piauí não conseguiu localizar Haran e Danillo. O advogado Jader Madeira Portela Veloso, que representa os dois, disse que não poderia comentar o caso porque “o inquérito policial referente à Operação Carbono Oculto tramita em sigilo”. Vitinho, por sua vez, não atendeu às ligações nem respondeu às perguntas da reportagem, mas enviou uma mensagem dizendo: “O inquérito policial tramita em segredo de justiça. Qualquer divulgação indevida pode acarretar penalidades. Sugiro consultar a assessoria jurídica do portal para mais informações.” Roberto Leme, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, estão foragidos desde a deflagração da Carbono Oculto em agosto de 2025. A piauí não conseguiu contatá-los, e seus advogados não responderam as mensagens até a publicação desta reportagem.

Além de Ciro Nogueira, outro parlamentar é citado no material apreendido pela Carbono Oculto 86: Júlio Arcoverde (PP-PI), deputado federal em primeiro mandato. Aliado de Ciro, em 2024 ele foi alçado ao cargo de presidente da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso.

A polícia obteve um áudio que diz assim: “Opa, deputado Júlio, tudo bom? É o Haran aqui. Quando você puder me dá uma ligada.” Não é possível cravar que o deputado em questão seja Júlio Arcoverde, e não outro Júlio. Mas, numa outra conversa, essa por mensagem de texto, um dos sócios tenta marcar um encontro com um interlocutor identificado como “Deputado Julio Arc”. Além disso, um relatório do Coaf detectou um repasse de 9,5 mil reais feito pelo CNPJ “Eleição 2022 Júlio Ferraz Arcoverde Deputado Federal” para a empresa HD Petróleo, pertencente aos dois empresários. Segundo o G1, o Coaf descobriu ainda um fato curioso: que, em 2024, Júlio Arcoverde e o deputado Átila Lira Filho (PP-PI) pagaram despesas de Ciro Nogueira no valor total de 17 mil reais.

Em áudios enviados a Haran, Danillo mencionou “o deputado Júlio” ao falar sobre a negociação de emendas parlamentares. Em um deles, ao tratar de recursos destinados a Caxias, no Maranhão, o empresário disse: “O problema foi porque o prefeito cobrou os 130. Mesmo a gente já tendo pago para o Júlio, ele cobrou os 130 de novo. Aí a gente teve que dar para aquele fela da puta, aquele prefeito. Aí o Júlio tinha que devolver os 130. Aí ele não devolveu.” Não fica claro, a partir da conversa, o que são os “130” a que ele se refere. Em uma outra mensagem de voz, o empresário dá a entender que não faria mais acertos com o tal Júlio. “Esse negócio que a gente fez de compromisso com o Júlio aí acabou. Não tem mais. […] Pode ser uma emenda de 1 trilhão. Não pago nada mais. Não faço mais nenhum compromisso daqui pra frente. Zero.”

O deputado Júlio Arcoverde, assim como Ciro Nogueira, não é investigado na Operação Carbono Oculto. Caso um dos dois venha a ser, o caso terá de ser remetido ao Supremo Tribunal Federal, já que ambos têm direito a foro privilegiado.

Procurado pela piauí, Júlio Arcoverde enviou uma nota em que diz desconhecer “quaisquer menções relacionadas ao seu nome no contexto citado e reforça que não é investigado no âmbito da operação mencionada. O parlamentar reitera que não possui qualquer envolvimento com ações ilícitas”.

O deputado Átila Lira Filho, por sua vez, afirmou não conhecer Haran e Danillo, a não ser de “relação social”, e que as despesas que pagou a Ciro, de 3 mil reais, dizem respeito a um medicamento que o senador providenciou para ele. “Foi um remédio que o Ciro comprou para mim, para emagrecimento”, disse o deputado, em uma mensagem de áudio enviada à piauí. “Foi o Mounjaro. Foram uns 3 mil e 400 e poucos (reais)”, continuou. “O meu foi uma caneta só.”

*Breno Pires/Piauí


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Política

Cerco aos investigados: AGU pede bloqueio de bens de 14 envolvidos na fraude do INSS

Empresas e sócios são acusados de serem intermediárias de pagamentos de vantagens indevidas.

A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu à Justiça Federal o bloqueio de bens de mais seis empresas e oito pessoas investigadas por descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O órgão entrou com pedido de mudança na ação cautelar ajuizada na quinta-feira (8) contra as associações investigadas.

A medida atende a pedido da Controladoria-Geral da União (CGU), que identificou a necessidade de incluir novas pessoas jurídicas e físicas no pedido de indisponibilidade de bens e ativos financeiros. Com base na Lei nº 12.846/2013, conhecida como Lei Anticorrupção, a AGU também solicitou o bloqueio das atividades financeiras e a suspensão dos sigilos bancários e fiscal dos investigados, reporta Welton Maximo da Agência Brasil.

As empresas e seus sócios que figuram no novo pedido são acusados de serem intermediárias de pagamentos de vantagens indevidas a agentes públicos vinculados ao INSS e a outras pessoas físicas a elas relacionadas. Até o momento, informou a AGU, o repasse de valores indevidos a esses agentes públicos está estimado em R$ 23,8 milhões.

“As investigações em curso revelam fortes indícios de que as empresas mencionadas participaram diretamente da intermediação de valores milionários”, informou a AGU na petição de aditamento. “Essa engenharia financeira sustentava o esquema criminoso, que consistia em repassar os valores indevidamente descontados pelas associações e pagar vantagens ilícitas a agentes públicos que permitiam ou facilitavam esses descontos.”

Em relação ao bloqueio de bens dos sócios das empresas citadas, a AGU baseia-se no argumento de que “as pessoas jurídicas foram utilizadas como instrumento para práticas ilícitas de natureza penal, administrativa e civil, servindo como meio para captação de vantagens provenientes de recursos indevidamente extraídos dos benefícios de aposentados e pensionistas”.

No caso dos agentes públicos investigados na Operação Sem Desconto, a AGU instaurou procedimento preparatório para ajuizar ação por improbidade administrativa.

Na petição original da ação cautelar proposta na quinta-feira, a AGU requereu, além dos R$ 23,8 milhões, o bloqueio de R$ 2,56 bilhões em bens móveis e imóveis e a quebra de sigilos bancário e fiscal de 12 entidades associativas e seus dirigentes.

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Política

Moraes manda extraditar brasileiros investigados pelo 8/1 foragidos na Argentina

Ministro do STF também pediu extradição do blogueiro Oswaldo Eustáquio, foragido na Espanha.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), mandou extraditar os brasileiros foragidos na Argentina investigados pela tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023. A Polícia Federal preparou a lista e fez o pedido ao ministro na terça-feira (15).

Os foragidos na Argentina fazem parte das 208 pessoas que foram alvo de mandados de prisão ou uso de tornozeleira eletrônica expedidos por Moraes e cumpridos pela PF.

Em julho, a Argentina mandou ao Brasil uma lista com cerca de 60 foragidos do 8 de janeiro que entraram no país. Depois da determinação de extradição, o Judiciário argentino analisa se os crimes cometidos pelos brasileros foram de natureza política e se há uma motivação de perseguição.

Se o Judiciário argentino concluir pela natureza política ou que há perseguição, a Argentina pode se negar a extraditar os foragidos e ainda lhes conceder refúgio. De acordo com o tratado de extradição assinado entre países como o Brasil e a Argentina, foragidos por crimes políticos não podem ser extraditados.

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Justiça

Bolsonaro e Michelle podem ser investigados por maus-tratos a emas e carpas do Alvorada

Parlamentar do PSOL protocolou representação na PGR pedindo a abertura de inquéritos contra o casal por crime ambiental e improbidade administrativa.

A deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP) enviou à Procuradoria-Geral da República uma representação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a ex-primeira-dama Michelle, acusando-os de maus-tratos aos animais pelo caso das emas e carpas mortas no Palácio do Alvorada. O objetivo da parlamentar é que sejam abertos inquéritos contra os representados, um policial para apurar possível crime ambiental de maus-tratos aos animais, e outro civil para apurar acusação de improbidade administrativa.

De acordo com o texto, o novo governo identificou o excesso de peso e gordura como a causa da morte das aves, alimentadas com restos de comida humana e sem acompanhamento veterinário, o que teria causado inclusive a perda de filhotes.

“O representado destinou apenas um terço do orçamento anual necessário para manutenção dos animais, substituindo a dieta adequada por milho e arroz junto à ração, para economizar, resultando no excesso de gordura dos animais e nos seus óbitos. Também foi constatado por técnicos que as aves não foram vacinadas contra a doença de Newcastle, a qual já registrou surto em São Paulo. Por conta das instalações inadequadas, diversos animais foram transferidos ao Zoológico de Brasília”, diz trecho da representação.

Para além das aves, a ação também mira a morte das carpas, presenteadas ao governo brasileiro em 1990 pelo Imperador Japonês Hirohito. Os peixes viviam no espelho d’água do Palácio do Alvorada há 32 anos. De acordo com o texto, a morte dos peixes foi causada pela ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que teria ordenado a retirada das moedas do local.

“Conforme relatado pelo atual governo, o responsável pela limpeza do espelho d’água teria ordenado a retirada integral da água para recolhimento das moedas e o transporte dos peixes, ocasionando na morte de quase todas as carpas, já que de setenta, apenas dez restaram vivas. As moedas recolhidas do patrimônio público foram destinadas a uma entidade filantrópica sem qualquer procedimento formal do ato, como admitido pela própria representada”, diz a ação.

Entre os possíveis crimes que a parlamentar pede apuração estão os crimes ambientais de maus-tratos, abuso e crueldade contra animais, que podem ser incluídos no inquérito policial, além do crime de improbidade administrativa pela maneira como foi gerido o Palácio do Alvorada, que teria desdobrado na morte dos animais que lá viviam. Para a abertura dos inquéritos, ainda é necessário um parecer favorável da PGR.

*Com Forum

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Queiroga, Pazuello, Ernesto e outros 11 passam à condição de investigados pela CPI da Covid

Renan Calheiros (MDB-AL) diz que membros da comissão já tiveram acesso a provas e indícios que justificam mudança de patamar das investigações.

O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), divulgou uma lista com os nomes de 14 pessoas que passarão a partir de agora à condição de investigados pela comissão, incluindo o ministro Marcelo Queiroga (Saúde), diretores da pasta, ex-ministros e membros do gabinete paralelo.

O ofício com os nomes foi encaminhado na manhã desta sexta-feira (18) para o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM).

O relator também incluiu os ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) na lista.

O primeiro será investigado por omissão na crise de oxigênio de Manaus no início do ano e também por suspeita de ter propagado a tese da imunidade de rebanho e por atrasos em vacinas.

Já em relação a Ernesto a CPI quer apurar se ele foi omisso na obtenção de insumos do exterior para produção de vacinas e se a linha ideológica que adotou no ministério pode ter colocado entraves nessas operações.

Renan afirmou que essa mudança na condição de algumas pessoas, passando de testemunhas para investigados acentua um “momento importante da investigação”. O relator explica que, em relação a essas pessoas, os membros da comissão já tiveram acesso a provas e indícios que justificam essa mudança de patamar das investigações.

“É bom para a investigação e para a segurança jurídica dos investigados”, disse Renan.

Os investigados, argumenta, poderão agora ter acesso à investigação, provas e indícios que estão sendo reunidos contra eles. O próprio Renan reconhece que, em relação aos depoimentos, os trabalhos da comissão podem ser dificultados, uma vez que esses agentes agora estarão desobrigados de falar a verdade e podem permanecer calados.

Renan citou em particular o caso do ministro Marcelo Queiroga. Justificou que sua inclusão afirmando que seu primeiro depoimento à comissão foi “pífio” e “ridículo”.

“Colocamos o ministro Queiroga, atual ministro, que teve uma participação pífia e ridícula na comissão parlamentar de inquérito. Em seu primeiro depoimento, tentou dizer que teria a autonomia que faltou a [Nelson] Teich e [Luiz Henrique] Mandetta. Os fatos mostraram o contrário”, afirmou.

O relator também justificou a inclusão afirmando que adquiriu lotes de vacinas 20% mais caros que contratos anteriores e, em diálogo com a Organização Mundial de Saúde, teria defendido o tratamento precoce.

Renan e o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), também criticaram duramente o presidente Jair Bolsonaro, que defendeu em transmissão ao vivo que a imunização pela infecção é mais efetiva do que a vacina contra a Covid-19.

Relação de investigados:

  • Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde
  • Élcio Franco, ex-secretário executivo do Ministério da Saúde
  • Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação Social da Presidência
  • Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde
  • Paolo Zanoto, virologista, suspeito de fazer parte do gabinete paralelo
  • Hélio Angotti, secretário de Ciência, Tecn., Inovação e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde
  • Francielle Fantinato, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI)
  • Marcelo Queiroga, ministro da Saúde
  • Carlos Wizard, empresário
  • Arthur Weintraub, ex-assessor da presidência da República
  • Nise Yamaguchi, médica defensora da hidroxicloroquina
  • Marcellus Campelo, secretário de Saúde do Amazonas
  • Luciano Dias Azevedo, médico que redigiu proposta de mudança da bula da hidroxicloroquina​
  • Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores​

*Com informações da Folha

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Tal pai, tal filhos: Bolsonaro agora tem os filhos 01, 02, 03 e 04 sob investigação

O senador Flávio, o vereador Carlos, o deputado Eduardo e Jair Renan são alvos em diferentes casos.

Com o inquérito recém-aberto para apurar a conduta de Jair Renan, órgãos de investigação como a Polícia Federal e o Ministério Público têm agora quatro filhos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no foco de apurações.

Além de Renan, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) são alvos em diferentes casos.

As suspeitas incluem desvio de recursos públicos, contratação de funcionários fantasmas, compra de imóveis com pagamento em dinheiro vivo e envolvimento na organização de manifestações que pediram o fechamento de instituições como Congresso e Supremo Tribunal Federal.

Procurados pela Folha, apenas Flávio se manifestou sobre as investigações. Por telefone, o advogado Frederick Wassef negou as irregularidades atribuídas a seu cliente no caso das “rachadinhas” e afirmou que o senador foi alvo de um inquérito repleto de ilegalidades.

O filho mais novo do chefe do Executivo é investigado pela PF por suposto tráfico de influência por meio da Bolsonaro Jr Eventos e Mídia, empresa aberta em novembro.

O inquérito foi instaurado na segunda-feira (15), a partir de um pedido feito pela Procuradoria da República no Distrito Federal), no dia 8 de março, segundo revelou o Painel, da Folha.

A medida foi tomada pela Procuradoria com base em representações movidas pelo deputado Ivan Valente (PSOL-SP) e pelos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Humberto Costa (PT-PE), que citaram reportagens da revista Veja e da Folha.

A Veja revelou em novembro que Renan visitou as instalações de um grupo empresarial do Espírito Santo que comercializa material de construção. Logo depois, informou a revista, eles doaram um carro elétrico a Renan, avaliado em R$ 80 mil, e conseguiram apresentar um projeto ao ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.

Já a Folha revelou em dezembro que a cobertura com fotos e vídeos da festa de inauguração da empresa de Renan, em outubro, foi realizada gratuitamente por uma produtora de conteúdo digital e comunicação corporativa, a Astronautas Filmes, que presta serviços ao governo federal.

Somente no ano passado, a empresa recebeu ao menos R$ 1,4 milhão do governo Bolsonaro. A empresa prestou serviços para os ministérios da Educação, Saúde e Casa Civil.

O proprietário da Astronautas admitiu que realizou os serviços para a empresa de Renan. A Procuradoria chegou a pedir, em apuração preliminar, informações sobre a empresa, como sua composição societária, endereços, possíveis procuradores, contratos firmados com a administração pública ou recebimento de recursos públicos.

Também solicitou pesquisa sobre as pessoas jurídicas nas quais Renan consta como sócio, bem como sobre a existência de eventuais contratos firmados com a administração pública ou recebimento de recursos públicos por parte das mesmas.

Carlos, por sua vez, é investigado pelo Ministério Público do Rio sob a suspeita de ter empregado funcionários fantasmas em seu gabinete em seu primeiro mandato (iniciado em 2001) na Câmara Municipal da capital fluminense.

Também foi interrogado pela PF, no ano passado, no inquérito dos atos antidemocráticos, do STF, investigação que busca identificar os responsáveis por ataques e ofensas à corte.

Um dos alvos, segundo as apurações, é o chamado “gabinete do ódio”, que atua no Palácio do Planalto sob a tutela de Carlos. A existência do gabinete foi revelada pela Folha em 2019.

Eduardo é foco de uma apuração preliminar da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre pagamentos em dinheiro vivo na aquisição de dois imóveis na zona sul do Rio entre 2011 e 2016.

Assim como o irmão Carlos, foi também citado e interrogado no inquérito dos atos antidemocráticos.

Em depoimento prestado à polícia em setembro, o deputado Alexandre Frota (PSDB–SP) levou diversos números de IPs de computadores de Brasília e do Rio de Janeiro que teriam sido identificados como participantes de ações de disseminação de fake news na internet. Segundo o parlamentar, os IPs estão ligados a um email oficial do filho do presidente.

A delegada Denisse Dias Ribeiro, encarregada do inquérito, enviou a Moraes um relatório inconclusivo sobre as investigações. Moraes pediu à PGR um parecer sobre o caso.

Filho mais velho do presidente, Flávio é acusado de liderar um esquema de “rachadinha” em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, levado a cabo por meio de 12 funcionários fantasmas entre 2007 e 2018.

No período, ele exerceu consecutivos mandatos de deputado estadual. Um de seus principais assessores, o ex-PM Fabrício Queiroz foi apontado por investigadores como o operador do esquema.

O esquema consistia na apropriação de parte dos salários pagos aos assessores lotados em seu antigo gabinete da Assembleia Legislativa do Rio

Flávio foi denunciado pelo Ministério Público do Rio em novembro de 2020 sob a acusação dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Uma das ex-mulheres de Bolsonaro, Ana Cristina Valle, também foi citada no inquérito das “rachadinhas”. Ela teve oito parentes empregados no gabinete de Carlos na Câmara do Rio. Os dados financeiros mostraram que eles sacaram, em média, 84% dos salários. A suspeita é de que devolviam parte do valor.

O nome da atual mulher do presidente, Michelle Bolsonaro, também apareceu na quebra de sigilo bancário de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, no mesmo inquérito. O documento do Coaf mostrou que ele depositou R$ 72 mil na conta da primeira-dama entre 2011 e 2018.

A esposa de Queiroz, Márcia de Aguiar, colocou mais R$ 17 mil, somando-se R$ 89 mil.

Dias depois de apresentada a denúncia contra ele no caso das rachadinhas, Flávio iniciou as tratativas da compra de uma mansão por R$ 6 milhões em Brasília.

Partidos de oposição no Congresso protocolaram ofício no último dia 3 solicitando abertura de processo contra o senador no Conselho de Ética do Senado para investigar a transação.

Eles questionam a origem do dinheiro da transação e as taxas praticadas no financiamento. A Folha obteve no cartório de Brazlândia (DF) a íntegra da escritura registrada de compra e venda o imóvel.

Segundo o documento, o parlamentar financiou R$ 3,1 milhões, liberados pelo BRB (Banco de Brasília), comandado por Ibaneis Rocha (MDB), um aliado de Jair Bolsonaro. Já a parcela inicial do financiamento equivale a mais da metade da renda declarada do casal.

A prestação inicial assumida pelo parlamentar e por sua mulher é de R$ 18.744,16. Juntos, segundo o documento, eles comprovaram renda de R$ 36.957,68. Ele declarou ganhar R$ 28.307,68 e ela, R$ 8.650. Flávio nega irregularidades na transação.

No mês passado, Flávio conseguiu uma vitória no STJ (Superior Tribunal de Justiça), que anulou a quebra do sigilos bancário e fiscal do parlamentar no caso das “rachadinhas”, comprometendo parte das provas reunidas pelos investigadores no Rio.

Na última terça-feira (16), porém, o senador foi duplamente derrotado. A mesma corte julgou outros dois recursos de Flávio e manteve o compartilhamento de dados do Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) com a Promotoria, um importante conjunto probatório, e decisões do juiz da primeira instância da Justiça fluminense, questionadas após o Tribunal de Justiça entender que a investigação deveria ter tramitado desde seu início na segunda instância.

Frederick Wassef afirmou que Flávio é inocente. “Meu cliente foi vítima de uma campanha midiática. Poucas vezes tivemos voz para explicar detalhes de tudo o que está acontecendo”, afirmou o advogado.

“Jamais entrou um real [ilícito] em sua conta. Até hoje, dois anos e meio depois, nada ocorreu. Levaram mais de dois anos para apresentar uma denúncia, tamanha a dificuldade por falta de elementos. Agora, com o que decidiu o STJ, essa denúncia não existe. Tem que começar tudo do zero.”

O que há contra cada filho de Bolsonaro

Jair Renan, 23‚ empresário

A Polícia Federal investiga suposto tráfico de influência de Renan por meio de sua empresa Bolsonaro Jr Eventos e Mídia, aberta em novembro.

A medida foi tomada depois de a revista Veja revelar que um grupo de empresários capixabas, que propôs parcerias com Renan, conseguiu apresentar um projeto ao ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.

O grupo doou um carro elétrico para a empresa do filho do presidente. O inquérito também apura revelação da Folha de que a cobertura da inauguração da empresa de Renan foi feita gratuitamente por uma produtora que presta serviços ao governo.

Eduardo Bolsonaro, 36‚ deputado federal (PSL-SP)
É alvo de uma apuração preliminar da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre pagamentos em dinheiro vivo na aquisição de dois imóveis na zona sul do Rio de Janeiro entre 2011 e 2016.

O caso foi revelado em setembro pelo jornal O Globo e envolve duas transações imobiliárias que custaram R$ 150 mil em espécie (R$ 196,5 mil em valores corrigidos pela inflação). Assim como o irmão Carlos, é citado no inquérito dos atos antidemocráticos, do STF e foi interrogado pela Polícia Federal.

Carlos Bolsonaro, 38‚ vereador (Republicanos-RJ)
É investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro sob a suspeita de ter empregado funcionários fantasmas em seu gabinete durante seu primeiro mandato (iniciado em 2001) na Câmara Municipal da capital fluminense.

Também foi interrogado pela Polícia Federal no inquérito dos atos antidemocráticos, do STF (Supremo Tribunal Federal), do qual são alvos assessores do Palácio do Planalto ligados ao vereador.

Flávio Bolsonaro, 39‚ senador (Republicanos-RJ)
Foi denunciado, em novembro de 2020, pelo Ministério Público do Rio sob a acusação de ter praticado os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa no caso das “rachadinhas”.

O esquema consistia na apropriação de parte dos salários pagos aos assessores lotados em seu antigo gabinete da Assembleia Legislativa do Rio. Dias depois de a denúncia ser apresentada pela Promotoria, Flávio iniciou as tratativas da compra de uma mansão por R$ 6 milhões em Brasília, negócio escriturado em janeiro

*Com informações da Folha

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