Uma aliança política pode se romper por vários motivos e ser desfeita por divergências estratégicas, disputa de espaço ou, como é nitidamente o caso de Tarcísio, mudanças no cenário político.
Nada descreve melhor o debacle do clã Bolsonaro, sobretudo a campanha de Flavio do que a desistência de Tarcísio com seu compromisso firmado diretamente com o chefe dessa falange multicriminosa.
Não é nada ligado à ética, mas sim à movimentação de bastidores da política que envolve complexas teias de interesses e o rompimento se dá rigorosamente na prática.
Na verdade, as revelações envolvendo o filme trash, Dark Horse, que abarca quatro personagens centrais, juntos e misturados, Flavio Bolsonaro, Mario Frias, Vorcaro e Karina da Gama, já é algo suficientemente pesado como fardo para ser carregado em praça pública.
Mas a coisa não para ai. tem um puchadinho de R$ 120 milhões que liga Karina a Ricardo Nunes que faz com que a coisa se torne nitroglicerina pura, principalmente porque a Polícia, comandada por Tarcísio, está indo direto na jugular do prefeito bolsonarista de São Paulo e, por osmose, chegando a Flavio e Mario Frias.
Claro, Tarcísio deve saber de coisas que explodirão que ainda não se sabe, o que se sabe é que, a reclamação de perseguição política alegada por Flavio Bolsonaro e Ricardo Nunes é direcionada a Tarcísio, porque os dois sabem que ele é o maestro dessa orquestra, não o governo federal.
A coisa então pode ter um desenho mais trágico do que se imagina, porque Tarcísio, que também recebeu um qualquer de R$ 2 milhões de Vorcaro, não dá um passo sequer para ir ao banheiro sem a autorização expressa e carimbada pelos caciques da Faria Lima.
As declarações de Tarcísio, de que Flavio tinha muito o que explicar sobre a relação promíscua com o dono do Banco Master e a que deu nesta terça (2), após o anúncio do governo Trump com mais tarifas contra o Brasil, merece nota e acende um alerta sobre os esgarçamento do bolsonarismo diante dos novos fatos.
Tarcísio foi enfático em se posicionar, de forma diametralmente oposta, ao que disse na época das primeiras sanções impostas por Trump com seu tarifaço contra o Brasil, em 2025.
Tarcísio, agora, pontuou críticas, dizendo ser completamente contraditório à nota do governo Trump em retaliação ao Brasil por fatos que os Estados Unidos é quem pratica.
Seja como for, está escancarado o rompimento de Tarcísio com o clã, buscando um afastamento gradual para evitar contaminação da sua imagem pelos escândalos financeiros que envolvem Flavio Bolsonaro.
Logicamente, Tarcísio diz que segue apoiando os Bolsonaro de olho no espólio de Jair.
Afinal, Tarcísio não tem votos, não tem vida própria, depende dos votos bolsonaristas. Em compensação, Flavio precisa do palanque paulista para manter alguma relevânvia na disputa nacional.
Tudo isso, junto, misturado e explodindo publicamente, pode ser uma boa notícia tanto para Lula quanto para Haddad, que disputa com Tarcísio o governo do estado de São Paulo.
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A Prefeitura de São Paulo gastou R$ 3,5 milhões para cobrir despesas da Connect Faith 2025, feira gospel de inovação realizada por Karina Gama, produtora executiva de “Dark Horse”, cinebiografia ficcional sobre Jair Bolsonaro (PL). O evento ocorreu entre 12 e 15 de junho do ano passado, no Expo Center Norte.
O valor saiu da Secretaria Municipal de Turismo, então comandada pelo pastor e deputado estadual Rui Alves (Republicanos), e foi executado pela SPTuris, sob gestão de Gustavo Pires, exonerado depois de denúncias envolvendo a empresa municipal.
A feira foi organizada pela Academia Nacional de Cultura, presidida por Karina, que também se apresenta como “presidente” da Connect Faith. Ela ainda comanda o Instituto Conhecer Brasil, ONG que firmou contrato de R$ 108 milhões com a gestão Ricardo Nunes (MDB) para instalar pontos de wi-fi na cidade e passou a ser investigada pela Polícia Civil.
Segundo a apuração, os gastos não constavam no Diário Oficial e só podiam ser encontrados em pastas zipadas dentro do portal de processos da prefeitura, o que dificultava a localização por buscas de palavras-chave. A planilha de “custo final” da feira mostra que a gestão municipal bancou despesas de pessoal, infraestrutura e materiais.
Karina Gama, produtora de “Dark Horse”. Foto: reprodução Entre os itens pagos estão seguranças, limpeza, produtores, palco, som, painéis de LED, camisetas, café, lanche, água mineral e até locação de ônibus e vans. A MM Quarter, empresa no centro do escândalo da SPTuris, recebeu R$ 183,5 mil para fornecer produtores, recepcionistas e carregadores por seis diárias, embora o evento tenha durado quatro dias.
A Connect Faith cobrou ingressos para shows e palestras e vendeu cotas para patrocinadores e expositores. O modelo usado pela prefeitura é classificado como “apoio”, mecanismo pelo qual secretarias repassam recursos à SPTuris para bancar serviços de eventos escolhidos sem a mesma transparência exigida em patrocínios.
Veja os gastos da SPTuris com o evento:
Ao contrário do patrocínio, que exige solicitação formal, documentação, contrapartidas e prestação de contas, o “apoio” não registra publicamente quem pediu os recursos nem quem aprovou a despesa, segundo o DCM.
No caso da Connect Faith, só após investigações do Tribunal de Contas do Município e do Ministério Público a Secretaria Municipal de Turismo passou a informar alguns solicitantes. Para a feira, aparece a “Academia Nacional de Cultura”.
Ao Metrópoles, a Secretaria Municipal de Turismo informou “que as contratações mencionadas respeitaram todos os trâmites previstos na legislação. O apoio do Município ao The Connect Faith foi concedido com base no Decreto Municipal nº 61.244/2022 e destinado à infraestrutura do evento, que teve público estimado em 60 mil pessoas entre os dias 12 e 15 de junho de 2025. Por fim, a administração repudia qualquer tentativa da imprensa de criar relações entre iniciativas do Município e a produção cinematográfica do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Prefeitura de São Paulo reitera que a obra não recebeu recursos municipais”.
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Decisão dá 15 dias para gestão de Ricardo Nunes apresentar processo sobre filmagem em creche; pedido de suspensão é negado porque conteúdo já foi divulgado
A Justiça de São Paulo determinou que a Prefeitura apresente e justifique o sigilo imposto ao processo administrativo que autorizou a gravação de um documentário da produtora Brasil Paralelo dentro de uma escola municipal de educação infantil (EMEI). A decisão é do juiz Josué Vilela Pimentel, da 8ª Vara da Fazenda Pública, em ação movida por integrantes da Bancada Feminista do PSOL.
O magistrado deu prazo de 15 dias para que o município apresente o processo integralmente e explique por que ele foi mantido sob sigilo.
“A imposição de sigilo a processo administrativo constitui medida excepcional, devendo ser devidamente motivada, à luz do princípio da publicidade consagrado no artigo 37 da Constituição Federal, o qual garante como regra geral a publicidade dos atos administrativos”, destacou.
A ação foi protocolada pelas vereadoras Silvia Ferraro, Letícia Lé, Dafne Sena e Nathalia Santana, que questionam a legalidade da concessão de espaço da EMEI Patrícia Galvão para a gravação do documentário “Pedagogia do abandono”, apontando possível violação aos princípios da administração pública, como moralidade e impessoalidade, e também acionaram o Ministério Público para apurar o caso.
O documentário da Brasil Paralelo defende que creches promovem “ideologia de gênero” e critica o papel do Estado na educação infantil. A produtora é associada à extrema direita e já foi alvo de críticas e reportagens por disseminar desinformação sobre temas como a Lei Maria da Penha, a pandemia e as mudanças climáticas.
Apesar de reconhecer a relevância do pedido de acesso às informações, o juiz negou a principal solicitação das autoras: a suspensão da autorização e a proibição do uso das imagens gravadas. Segundo ele, a medida seria ineficaz, tendo em vista que o documentário já foi gravado e veiculado. A reportagem confirmou que o conteúdo circula na plataforma de streaming da produtora para membros-assinantes.
Na decisão, o magistrado aponta que barrar a exibição da produção — como foi requerido pela bancada — poderia configurar censura prévia, vedada pela Constituição. No canal da empresa no YouTube, é possível assistir ao teaser da produção, com cerca de dois minutos.
O caso segue em análise, e o Ministério Público deverá se manifestar após a resposta do município.
Entenda o caso A controvérsia teve início após denúncias da comunidade escolar da EMEI Patrícia Galvão, na zona sul de São Paulo, sobre a realização de gravações dentro da unidade por uma equipe ligada à produtora Brasil Paralelo.
De acordo com a Bancada Feminista do PSOL, que cita denúncias da comunidade escolar, a unidade teria sido pressionada por órgãos da gestão municipal, como a Secretaria de Educação e a SPCine, a autorizar as gravações.
Em nota, a covereadora Silvia Ferraro afirmou: “É absurdo que a prefeitura ceda espaço para gravação de um documentário que ataca a educação pública infantil. Se houver parceria pública com a Brasil Paralelo, terá que ser desfeita”.
Segundo relatos de professores, funcionários e familiares de alunos, o projeto foi apresentado inicialmente como uma produção genérica sobre educação infantil, sem detalhamento sobre o conteúdo ou a linha editorial do material. Posteriormente, a comunidade identificou que se tratava do documentário “Pedagogia do abandono”, que critica a educação pública e associa políticas educacionais à chamada “ideologia de gênero”.
A falta de transparência sobre o teor da produção e o uso de imagens de crianças geraram reação imediata. Pais, professores e trabalhadores da educação organizaram manifestações e protestos contra a veiculação do material, cobrando explicações da Prefeitura.
O caso também levou o Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep) a acionar o Ministério Público, apontando possíveis violações de direitos de crianças e uso indevido de equipamento público para fins ideológicos.
Em meio à pressão, veio à tona que o processo administrativo que autorizou as gravações foi colocado sob sigilo pela Prefeitura de São Paulo, o que ampliou os questionamentos sobre a legalidade e a transparência da decisão.
Procurada, a gestão do prefeito Ricardo Nunes confirmou que autorizou as gravações e afirmou que a responsabilidade por aspectos legais, como uso de imagem e participação de menores, é dos produtores. A prefeitura, no entanto, não esclareceu se tinha conhecimento prévio do conteúdo do documentário ao conceder a autorização.
Em nota, a administração municipal afirmou que o procedimento segue padrão adotado para esse tipo de solicitação e que centenas de gravações já foram autorizadas em equipamentos públicos nos últimos anos.
*Ana Clara Ferreira/ICL
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Vigilância em serviços especializados de saúde gera temor de evasão de pacientes
O ambiente de acolhimento e sigilo médico das unidades de saúde de São Paulo (SP) está sendo transformado em um braço do monitoramento policial da gestão de Ricardo Nunes (MDB), conforme revelam documentos oficiais do Conselho Municipal de Políticas Públicas de Drogas e Álcool do Município de São Paulo (Comuda), encaminhados ao Brasil de Fato nesta terça-feira (13).
A instalação de câmeras do programa Smart Sampa em áreas internas do Serviço de Assistência Especializada (SAE) Fidelis Ribeiro, na Penha, zona leste da capital paulista, motivou uma denúncia formal do Conselho Estadual de Políticas para a População LGBT+, conforme o documento a que a reportagem teve acesso.
O equipamento é peça central no atendimento de pessoas vivendo com HIV/Aids e outras infecções sexualmente transmissíveis, atendendo a um público que historicamente busca no sigilo a garantia de sua dignidade.
A gravidade dessa estratégia de segurança pública dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) já apresenta desdobramentos perigosos. Em dezembro de 2025, o programa Smart Sampa em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) resultou na prisão por engano de um paciente, evidenciando falhas tecnológicas que podem levar à criminalização indevida de usuários.
Michel Marques, representante da Plataforma Brasileira para uma Nova Política sobre Drogas, reforça que a medida afasta o público. “O conselho LGBT encaminhou para a gente um ofício dizendo sobre os malefícios da instalação do Smart Sampa nos serviços de cuidado para quem tem HIV/Aids, pode afastar as pessoas por medo de quebra do sigilo”.
Marques ainda compara o risco a episódios de exposição pública, como o ocorrido em Feira de Santana (BA). “Há de se lembrar o caso recente da prefeitura de Feira de Santana que divulgou uma lista de pessoas que tinham o HIV, é mais ou menos nesse sentido que aparece aqui nos ofícios.”
Para o Conselheiro Estadual de Políticas para a População LGBT+ Gedilson dos Santos Procópio da Silva, que assina o documento, a captação de imagens em locais de saúde configura tratamento de dados sensíveis e viola a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
“É amplamente reconhecido que pessoas vivendo com HIV/aids — em especial lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais — enfrentam estigmatização histórica, discriminação institucional e violência simbólica, o que leva muitas delas a buscar atendimento fora de seus territórios de moradia como estratégia de autoproteção e preservação de sigilo”, diz o texto.
O ofício diz ainda que nesse contexto, a instalação de câmeras de vigilância vinculadas a um programa de segurança pública em ambiente interno de SAE produz “constrangimento, medo e desconfiança, podendo resultar em evasão, abandono de tratamento e enfraquecimento das políticas públicas de enfrentamento ao HIV/Aids e às ISTs”.
O documento utilizou como base denúncias trazidas pelo Brasil de Fato em reportagem publicada sobre o tema ainda em dezembro e lista uma série de solicitações, entre elas a apreciação formal do ofício denúncia e do dossiê técnico anexo por parte dos Conselhos Municipal e Estadual. Além disso, requerem que sejam solicitadas informações detalhadas à Secretaria Municipal de Saúde e aos órgãos responsáveis pelo programa Smart Sampa.
O texto também demanda que os referidos Conselhos manifestem um posicionamento institucional sobre a inadequação do sistema de vigilância eletrônica nas áreas internas de serviços especializados em HIV e Aids. Por fim, solicita-se a adoção de providências para acompanhamento e recomendação junto aos órgãos competentes, prevendo inclusive a incidência do Ministério Público caso seja necessário.
Mesmo com a pressão da sociedade civil sobre a instalação de câmeras nos Caps, Michel Marques afirma que não houve recuo por parte da Prefeitura. “Os equipamentos continuam com as câmeras instaladas.”
Ele destaca que organizações como o Centro de Convivência É de Lei e a Rede Brasileira de Redução de Danos estão “captando mais denúncias para apresentar na comissão de saúde da Câmara dos Vereadores” para garantir que “o cuidado em saúde mental seja amplo e diverso”.
A denúncia alerta ainda que a integração do Smart Sampa ao sistema estadual Muralha Paulista cria um precedente para que a vigilância interna avance sobre outros equipamentos sensíveis, como os Centros de Integração da Cidadania (CICs).
Durante reunião do Conselho Municipal de Políticas Públicas de Drogas e Álcool do Município de São Paulo (Comuda) realizada nesta terça-feira (13) com órgãos ligados a Prefeitura de São Paulo, como a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Cristiano Maronna, representante da Organização dos Advogados do Brasil (OAB), lembrou da Lei 14.289 de 2022, que torna obrigatória a preservação do sigilo sobre a condição de pessoa portadora de infecção do vírus HIV, hepatites e pessoas com hanseníase e tuberculose.
Segundo ele, o artigo 2° dessa lei afirma “que é vedada a divulgação, por agentes públicos ou privados, de informações que permitam a identificação da condição de pessoa que vive com infecção pelos vírus da imunodeficiência humana, o HIV, e de pessoas com hanseníase e com tuberculose nos seguintes âmbitos: ensino, segurança pública, administração pública e serviços de saúde.”
Diante disso, de acordo com Maronna, já é possível identificar que a instalação dos Smart Sampa no serviço de assistência especializada Fideles Oliveira viola a regra prevista na lei federal que garante a preservação do sigilo às pessoas que são portadoras do vírus HIV. “Instalar esse serviço em equipamento de saúde é um equívoco grave, é uma agressão à dignidade humana.”
Durante a reunião, um dos representantes do Comuda afirmou que houve unidades do Caps que sofreram com cerca de quatro abordagens policiais. “Os usuários não estão indo em vários serviços. Quatro usuários foram levados do Caps AD. No Caps AD Ermelino Matarazzo, na zona leste, haviam 40 usuários que iam almoçar no serviço, hoje não tem 15”, critica.
A representante da SMS, Lindsay Mol de Souza afirmou na mesma reunião que a pasta não faz parte da coordenação e implementação do Smart Sampa, segundo ela, “a saúde em si não consta nas portarias de criação de programa, nem de instalação das câmeras.”
A representante da pasta afirmou que a SMS não foi consultada sobre a instalação de câmeras em equipamentos de saúde. “Não existe uma pessoa que seja membro da do programa do Smart Sampa na Saúde”.
De acordo com o site do programa o Conselho de Gestão e Transparência do Programa Smart Sampa é formado pela Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU), cuja representante é Pâmella Cecarelli Candido, a Controladoria Geral do Município (CGM) e a Secretaria Municipal de Justiça (SMJ).
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Há indícios de favorecimento de empresas pertencentes a pessoas ligadas diretamente ao prefeito.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) determinou a abertura de um inquérito contra a gestão Ricardo Nunes (MDB) à frente da Prefeitura de São Paulo por suspeita de corrupção em uma obra de R$ 18,4 milhões na região do Jardim do Pantanal, no extremo leste da capital paulista.
A ordem judicial se refere a supostas irregularidades em contratos firmados de 2021 a 2022 entre a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) e a empresa Abcon Construção e Engenharia para a execução de uma obra de canalização de córrego no bairro.
A promotoria atende a denúncia feita pelo deputado federal Guilherme Boulos (Psol-SP) em 2023 sobre obras com suspeita de superfaturamento sob a gestão do emedebista, com base em relatório do Tribunal de Contas do Município (TCM). O deputado divulgou nesta terça-feira (11) comunicado sobre a abertura de inquérito, que ocorreu em dezembro do ano passado.
Segundo o MP-SP, há indícios de sobrepreço e superfaturamento; favorecimento de empresas pertencentes a pessoas ligadas diretamente a Nunes; formação de cartel; e uso habitual de justificativa de dispensa de licitação por emergência devido à falta de planejamento da secretaria municipal.
O Jardim Pantanal sofre com alagamentos constantes há décadas. Em fevereiro deste ano, a região, onde vivem cerca de 45 mil pessoas, passou mais de uma semana com pontos de alagamento, após o forte temporal que atingiu a cidade.
Segundo o MP, a Siurb não prestou esclarecimentos solicitados pela promotoria quando o inquérito foi aberto. Na portaria, o MP solicita que a secretaria, no prazo de 20 dias úteis, forneça os seguintes documentos: planilha de contratos firmados com dispensa de licitação, cópia digital do processo de dispensa de licitação e justificativa apresentada ao TCM quanto ao incremento no número de contratações emergenciais da pasta. O órgão solicita a manifestação da construtora no mesmo prazo.
Esse é um dos 223 contratos da gestão Nunes sob suspeita de conluio para combinação de preços. O caso foi noticiado pelo UOL no ano passado. De acordo com a publicação, o esquema consistia em convidar três companhias para participar da licitação, mas apenas uma delas apresentava uma proposta viável, garantindo a vitória no contrato. Apenas na região do Jardim Pantanal, seriam 12 obra com suspeitas de conluio.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que
“as contratações de obras emergenciais seguem todos os ritos legais vigentes, atendendo integralmente aos requisitos exigidos”.
“A intervenção citada, às margens do Córrego Lajeado, foi necessária para conter o processo de erosão que colocou em risco iminente de desabamento mais de 50 casas. A obra foi executada conforme o projeto aprovado, e entregue em abril de 2023. Cabe ressaltar que todos os questionamentos do Ministério Público feitos por meio de Inquérito Civil foram respondidos integralmente pela Secretaria de Infraestrutura Urbana”, declarou a gestão municipal.
Um vídeo que viralizou nas redes em que a guarda municipal paulistana berra “gás de pimenta na cara do vagabundo” e que tem como regente o próprio prefeito de São Paulo, é inacreditável.
A pergunta que fazemos é: será que eles estão entre nós?
A marcha é fúnebre.
O palmeado busca o engajamento de uma guarda fardada em prol da violência praticada pela própria prefeitura sob o comando do próprio prefeito.
Se isso, não é o sinal dos tempos, em que seres humanos se transformam em animais selvagens, eu não sei o que é.
Essa é a grande obra erguida pelo bolsonarista Ricardo Nunes,
Nunes não quer saber de medidas para reduzir a violência em SP, ao contrário, quer aumentar.
É parte de seu regulamento.
Certamente a parte que ele julga ser a mais importante por acreditar que pintar a cara para a guerra contra a população é sua maior tarefa.
Entidades cobram diálogo com o prefeito para manter o mínimo da Assistência Social. Na terça-feira (30) tem manifestação na prefeitura para pressionar.
São Paulo – A cidade de São Paulo vive um cenário de descaso crescente em sua política de assistência social. Com um orçamento total de 112 bilhões de reais, a prefeitura destina apenas 2,45 bilhões para o setor. Uma quantia consideravelmente abaixo dos 3,9 bilhões necessários para garantir a sustentabilidade de toda a rede de serviços sociais da metrópole.
Os dados são do Fórum da Assistência Social da Cidade de São Paulo (FAS). Diante da situação, a entidade convoca uma manifestação para terça-feira (30), em frente ao prédio da Prefeitura, no Centro da capital, às 9h. “Precisamos jogar luz no assunto. Já fizemos um ato neste ano. A Prefeitura não nos recebeu. Temos um coletivo de organizações mobilizado junto com o FAS para pedirmos, minimamente, nossas principais pautas”, explica à RBA Madalena Sodré, da ONG Arco Associação Beneficente, que atua no Sul da capital.
Assistência Social afetada Dentre os serviços afetados estão os Centros para Criança e Adolescente (CCA), o Centro de Desenvolvimento Social e Produtivo (CEDESP), os Serviços para a População Idosa, os Serviços de Atendimento às Famílias (SASF) e os Centros para Juventude. Além disso, outros especializados no apoio a mulheres vítimas de violência, crianças e adolescentes em situação de risco, e pessoas em situação de rua. “Todos equipamentos estão em situações preocupantes sem o devido investimento, pondo em risco o Sistema Único de Assistência Social na Cidade de São Paulo”, informa o FAS, em nota.
O déficit orçamentário tem impactado diretamente a operacionalização desses serviços. As entidades alertam para o sucateamento evidente nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) e Centros Pop, que enfrentam situações preocupantes.
Contrato é suspeito de superfaturamento; sem manutenção, armadilha virou criadouro de mosquito para dengue.
A Prefeitura de São Paulo comprou armadilhas contra o mosquito da dengue com indícios de superfaturamento de uma empresa do diretor da associação presidida pelo próprio prefeito Ricardo Nunes (MDB). Apuração da Agência Pública descobriu que a Biovec Comércio de Saneantes, que vendeu as armadilhas, é de Marco Antônio Manzano Bertussi — ele e o prefeito são fundadores da Associação Brasileira das Empresas de Tratamento Fitossanitário e Quarentenário (Abrafit).
A licitação é investigada pelo Ministério Público de São Paulo por suspeita de superfaturamento — cada unidade foi adquirida por R$ 400, mas custaria apenas R$ 10 se fosse feita pela Fiocruz, segundo mostrou reportagem da Folha de S. Paulo.
Marco Antônio Manzano Bertussi e Nunes têm uma história antiga, que remonta ao passado do prefeito como empresário do ramo de controle de pragas urbanas. Eles fundaram a Abrafit em 2005, que continua ativa até hoje.
A Pública teve acesso à certidão de inteiro teor da constituição da associação, que foi registrada em um cartório de Santos, no litoral paulista. Em seu estatuto, consta que Marco Bertussi era o presidente da entidade e Ricardo Nunes o seu diretor-executivo. Dois anos depois, em 2007, uma nova diretoria foi eleita e os cargos se inverteram: Nunes passou a ser presidente e Bertussi se tornou diretor.
Os números revelam 14% de votos em branco ou nulo, enquanto 6% dos entrevistados ainda não decidiram em quem votar.
Em meio à polarização nacional que se estende ao cenário municipal, Boulos atinge 30%, enquanto Nunes alcança 29%, isolando-se do segundo pelotão de pré-candidatos. Boulos conta com o apoio do presidente Lula (PT), enquanto Nunes recebe o respaldo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo a Folha.
Tabata Amaral (PSB) registra 8%, seguida por Marina Helena (Novo) com 7%, Kim Kataguiri (União Brasil) com 4%, e Altino (PSTU) com 2%.
Os números revelam 14% de votos em branco ou nulo, enquanto 6% dos entrevistados ainda não decidiram em quem votar. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos.
Considerando a possibilidade de a União Brasil não lançar Kim, mantendo-se o apoio de Milton Leite a Nunes, o empate persiste, mas com o emedebista numericamente à frente, registrando 30% contra 29% de Boulos. Tabata aparece com 9%, Marina Helena com 7%, e Altino com 1%. Brancos e nulos somam 16%, e 7% dos entrevistados ainda não têm uma escolha definida.
Em uma hipótese em que Tabata não seja candidata, e Lula trabalhe para unificar as siglas de centro-esquerda em torno de Boulos, a pesquisa indica que ambos os rivais permanecem à frente, ambos com 33%. Marina Helena registra 8%, Altino marca 2%, 17% declaram voto branco ou nulo, e 7% não decidiram.
A pesquisa, realizada nos dias 7 e 8 de março, ouviu 1.090 eleitores e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo SP-08862/2024. O primeiro turno da eleição está marcado para 6 de outubro, com a campanha oficial começando em agosto.
Intercept Brasil – O ombudsman disse que nossa reportagem sobre as publis difarçadas de Ricardo Nunes na Folha não apresentava nada de concreto. Resolvemos mostrar para ele.
DESDE A ÚLTIMA SEXTA-FEIRA, dia 25, os publieditoriais da prefeitura de São Paulo na Folha de S.Paulo estão diferentes. As propagandas disfarçadas agora vêm com um aviso no final, alertando o leitor que elas “não têm relação com o conteúdo jornalístico” do veículo.
A mudança veio dois dias depois de o Intercept publicar uma reportagem que abriu a caixa-preta dos pagamentos da prefeitura de Ricardo Nunes ao jornal – o maior do Brasil e o principal a cobrir o estado e a cidade de São Paulo. Mostramos que, desde o ano passado, foram quase R$ 3 milhões despejados pela prefeitura de Ricardo Nunes na Folha por meio de um contrato com a agência de publicidade Propeg. Como resultado, só nos últimos dois meses, 61 artigos elogiosos à prefeitura foram publicados no jornal, inclusive com tuítes patrocinados.
O ombudsman do veículo, José Henrique Mariante, reconheceu o conflito em sua coluna de sábado. Ele afirmou que, um mês atrás, um leitor já havia avisado que não era possível distinguir o conteúdo pago pela prefeitura das demais reportagens do jornal. “Alertei a Redação de que não havia indicação clara sobre ser um produto patrocinado”, afirmou Mariante. A reportagem do Intercept fez a discussão voltar à tona.
Mas, segundo o ombudsman, a nossa matéria “faz inferências, mas não apresenta nada de concreto além, é claro, da falta de um marcador mais explícito de conteúdo não editorial”.
Só que não existe inferência nenhuma no nosso texto. Nossa afirmação foi baseada em documentos públicos – que, aliás, deveriam estar públicos há muito mais tempo, e só vieram à tona por causa da insistência do repórter Paulo Motoryn diante de sucessivas recusas da administração municipal em divulgá-los. Já que o ombudsman escreveu que “não há nada concreto”, nós publicamos os documentos na íntegra. Assim, qualquer um, inclusive ele, pode checar os detalhes dos pagamentos da prefeitura de Ricardo Nunes ao jornal.
Como se vê, foram 13 pagamentos à empresa Folha da Manhã S/A. Seis deles realizados no ano passado, totalizando R$ 448.064,44, e o restante neste ano, pré-eleitoral, com uma soma de R$ 2.275.858,21. Eles dizem respeito a serviços como “produção de conteúdo”, “inserção de projeto especial”, “matérias diárias no digital” e “página no impresso”.
Difícil ser mais concreto do que isso. É um jornal sendo pago por uma administração municipal para produzir textos elogiosos, disfarçados, em um ano pré-eleitoral. Não tem inferência.
E tem mais. Nesta terça-feira, o repórter Paulo Motoryn recebeu outro documento com detalhes sobre os pagamentos feitos por outra agência, a MWorks. Lá constam mais pagamentos à Folha: R$ 146.722,22 em “projeto especial”, “inserção de banners”, “branded pages” e “mídias de divulgação” em 2022. Neste ano, a MWorks ainda intermediou o pagamento de um anúncio relacionado à Virada Cultural no valor de R$ 213.750,00.
Como se vê, foram 13 pagamentos à empresa Folha da Manhã S/A. Seis deles realizados no ano passado, totalizando R$ 448.064,44, e o restante neste ano, pré-eleitoral, com uma soma de R$ 2.275.858,21. Eles dizem respeito a serviços como “produção de conteúdo”, “inserção de projeto especial”, “matérias diárias no digital” e “página no impresso”.
Difícil ser mais concreto do que isso. É um jornal sendo pago por uma administração municipal para produzir textos elogiosos, disfarçados, em um ano pré-eleitoral. Não tem inferência.
E tem mais. Nesta terça-feira, o repórter Paulo Motoryn recebeu outro documento com detalhes sobre os pagamentos feitos por outra agência, a MWorks. Lá constam mais pagamentos à Folha: R$ 146.722,22 em “projeto especial”, “inserção de banners”, “branded pages” e “mídias de divulgação” em 2022. Neste ano, a MWorks ainda intermediou o pagamento de um anúncio relacionado à Virada Cultural no valor de R$ 213.750,00.