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Liderado por Alcolumbre, o traíra, Congresso derruba veto da Dosimetria e reduz pena de Bolsonaro

Presidente do Senado operou malabarismo de legalidade duvidosa para evitar que benefício se estendesse a autores de crimes hediondos. Clima no plenário é de triunfo bolsonarista total

Praça dos Três Poderes sequer pode assimilar a ressaca da noite anterior, quando o nome de Jorge Messias foi rejeitado para o Supremo Tribunal Federal, e já amanheceu nesta quinta-feira tendo que ter estômago para um novo absurdo, que se confirmou ao final do dia. Em uma sessão com falatório generalizado, o Congresso Nacional impôs ao Palácio do Planalto mais uma dolorosa, embora previsível, derrota deste terceiro mandato do presidente Lula. Sob o comando implacável do senador Davi Alcolumbre (União-AP), deputados e senadores derrubaram o veto presidencial ao bizarro Projeto de Lei da Dosimetria, uma manobra legislativa desenhada sob medida para aliviar a situação jurídica de Jair Bolsonaro (PL) e dos demais condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

O placar, um acachapante 318 a 144, foi recebido com gritos de euforia pelas bancadas da oposição, que transformaram o plenário em uma extensão das manifestações de extrema direita da Av. Paulista. A queda do veto não é apenas um revés administrativo para o governo Lula, é a consolidação de uma nova correlação de forças em Brasília, onde o poder Legislativo, agindo como um tribunal revisor, decidiu reescrever as regras do jogo penal para beneficiar aliados políticos de primeira grandeza. No Senado Federal, foram 49 votos para a derrubada e outros 24 votos contra.

A manobra“malandra” de Alcolumbre: Desmembramento incomum e sem sentido

O protagonista absoluto da jornada foi, de fato, de Alcolumbre. O senador, que parece ter convertido sua atuação parlamentar em uma cruzada movida por um ódio intestinal contra o atual governo, operou nos bastidores com uma agilidade que assustou até os veteranos da Casa. Para garantir a derrubada do veto sem o desgaste político de libertar criminosos comuns, Alcolumbre recorreu a uma “malandragem” regimental de legalidade duvidosa: o desmembramento de um veto integral.

Na prática, o presidente do Congresso fatiou a decisão de Lula. Ele excluiu da votação os trechos que facilitariam a progressão de regime para condenados por feminicídio, milícias e crimes hediondos, dispositivos que colidiam frontalmente com a recém-aprovada Lei Antifacção (Lei nº 15.358/2026). Ao declarar a “prejudicialidade” desses artigos específicos, Alcolumbre limpou o trilho para a oposição.

O objetivo foi cirúrgico: permitir a redução das penas de Bolsonaro e dos golpistas de 8 de janeiro, sem abrir as portas das cadeias para faccionados, o que seria um suicídio de imagem para o parlamento.

Manobra sob a lente técnica: O “prejulgamento” como escudo
A manobra, embora revestida de um verniz técnico, é considerada altamente incomum. Como o veto do presidente Lula foi sobre a totalidade do projeto, o rito padrão exigiria uma votação em bloco. No entanto, Alcolumbre justificou a exclusão dos incisos 4 a 10 do art. 112 da Lei de Execução Penal alegando uma questão de temporalidade e finalidade.

“Em virtude do prejulgamento da matéria pela aprovação do PL Antifacção, esta Presidência declara a prejudicialidade dos vetos”, sentenciou Alcolumbre do alto da mesa. Segundo sua tese, como o Congresso endureceu as penas contra o crime organizado em março de 2026, restabelecer as regras brandas da Dosimetria para esses crimes seria um contrassenso. Na realidade, o “malabarismo” serviu para isolar o benefício político, blindando-o de contestações sobre segurança pública e focando apenas na “limpeza” jurídica da cúpula golpista bolsonarista.

Caminho da aberração: Entenda o PL da Dosimetria
O PL da Dosimetria, classificado por juristas como uma “aberração jurídica”, altera as balizas para a aplicação de penas em crimes políticos e de atentado contra o Estado Democrático de Direito. A aplicação direta ao caso de Jair Bolsonaro é o cerne da proposta. Com a nova regra, as penas projetadas para o ex-presidente perdem sua força coercitiva, abrindo caminho para que ele se livre do regime fechado e recupere, em tempo recorde, seus direitos políticos.

Lula havia vetado o projeto integralmente, alertando que a medida desidratava o poder de punição do Estado contra quem tenta subverter a ordem democrática. No entanto, o veto serviu apenas como combustível para a oposição, que viu na manobra de Alcolumbre a chance de ouro para entregar a “anistia parcial” que o bolsonarismo tanto ansiava, sob a justificativa de corrigir supostos excessos judiciais.

Metido a “presidente em exercício” no plenário
Enquanto os votos eram computados, a figura central nas galerias e no “cafezinho” do Senado era o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Pré-candidato à Presidência da República e herdeiro político direto do espólio do pai, Flávio estava visivelmente esfuziante. Circulando pelo plenário com um sorriso de quem já se sente vitorioso no pleito que ainda está por vir, o filho mais velho do ex-presidente agia e falava como se o Palácio do Planalto já fosse seu gabinete de direito.

Ao redor de Flávio, o que se via era uma cena de vassalagem explícita. Os sabujos de sempre, parlamentares de menor expressão e aspirantes a cargos em algum futuro governo, o paparicavam o tempo todo, disputando um espaço em selfies e cochichando estratégias em seu ouvido. A atmosfera alimentada por Alcolumbre permitiu que Flávio se tornasse o mestre de cerimônias de um velório institucional, onde a democracia era ferida sob os aplausos de quem a atacou há três anos.

Rescaldo de uma noite para se esquecer
O clima de triunfo hoje é o prolongamento direto da “noite trágica” vivida na quarta (29), quando o nome de Jorge Messias, indicado por Lula para o STF, foi rejeitado de forma humilhante. O episódio quebrou um jejum de 132 anos e foi um recado político sangrento enviado diretamente da mesa de Alcolumbre. Ao barrar o nome de confiança de Lula e, poucas horas depois, liderar a derrubada do veto da Dosimetria, Alcolumbre se posiciona como o verdadeiro “primeiro-ministro” de uma oposição que decidiu paralisar o país.

Instituições em rota de colisão
A derrubada do veto coloca o Brasil em uma encruzilhada perigosa. Se de um lado o Congresso afirma sua autonomia, de outro, sinaliza que crimes contra a democracia são passíveis de perdão político, desde que haja maioria parlamentar. De acordo com a Forum, o foco agora se volta inteiramente para o STF. A Corte terá o desafio hercúleo de decidir se aceita essa nova regra de dosimetria ou se a declara inconstitucional por vício de finalidade e desvio de poder.

A matéria agora segue para promulgação imediata por Alcolumbre. Para o Planalto, resta o gosto amargo de uma derrota dupla e a constatação de que o diálogo com o Legislativo, sob a batuta rancorosa do senador amapaense, tornou-se uma via de mão única rumo ao confronto direto. A vitória de hoje é a largada antecipada de uma campanha eleitoral belicosa, onde a oposição descobriu que pode reescrever o Código Penal ao sabor de suas conveniências.


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Opinião

O traíra que vive mendigando lealdade

Uma das maiores características de Bolsonaro é trair seus comparsas, que o diga Bebianno, Adriano da Nóbrega e tantos que lhe serviram de mola para chegar ao topo do poder. No entanto, como vimos, publicamente, Flávio Bolsonaro cobrando lealdade de Wassef, essa é a segunda maior característica dele no quesito lealdade.

O mesmo parece ter sido feito para fechar a boca de seu comparsa Mauro Cid, cobrando-lhe lealdade.

Quantos comparsas de Bolsonaro estão presos ou foragidos sem que ao menos declare algo em defesa deles.

Bolsonaro só se preocupa com ele próprio, os outros ele usou como bucha de canhão ao longo de sua história. Muita gente está presa por conta do 8 de janeiro por atos terroristas que todos sabem de quem veio o comando.

Não há nada nisso que espante, afinal aqui se fala de um sujeito sem classificação que provocou a morte de 700 mil pessoas sem qualquer sentimento de pesar, entre eles fervorosos bolsonaristas, ou somente eleitores do monstro. Bolsonaro, além de não comprar vacinas a tempo, estimulou a contaminação generalizada do coronavírus.

Por isso é cada vez mais difícil entender a cabeça de um bolsonarista, até porque, além de todos esses atributos de Bolsonaro, seus fanáticos seguidores, não conseguem elencar um único feito de Bolsonaro não só como presidente, como deputado, mas também como militar.

Bolsonaro foi expulso das Forças Armadas por uma penca de práticas criminosas, fez o mesmo como deputado com esquema de peculato e formação de quadrilha, sem falar que, em 28 anos de legislativo, não teve um único projeto aprovado e, na presidência da República, transformou sua cadeira num eldorado de benesses, privilégios, corrupção e roubos, a ponto de comprar quatro mansões na cara do povo, como quem compra um saquinho de balas no cinema.

Ou seja, não há qualquer virtude nesse sujeito que ninguém entende por que ainda não está na cadeia, já que ele despreza tudo e todos que não são parte dos seus interesses.

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Vídeo: Que o casamento de Bolsonaro com o PP, é de conveniência, todos sabem. Mas dura até 2022?

Dificilmente um casamento como este dura. Bolsonaro não confia no Ciro Nogueira que não confia em Bolsonaro. O PP emplacou Ciro na Casa Civil, agora o Brasil tem um primeiro-ministro e Bolsonaro é uma espécie de rainha da Inglaterra. Um é traidor, o outro é traíra. Alguém acredita que o centrão vai salvar Bolsonaro? Não né. E Bolsonaro sabe muito bem que está pela letra “R”, se cai da cadeira, entra na cadeia. Aguardemos.

Assista:

*Da redação

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Nota de repúdio vale tanto quanto nota de três reais. Bolsonaro tem que sofrer impeachment

O que Bolsonaro fez neste domingo é crime contra a Constituição. E ele sabe disso, tanto que declarou que quem se manifestou pedindo AI-5 é gente infiltrada. Ou seja, o camarada, além de mau-caráter que aglomera pessoas na rua para se contaminar com o coronavírus, é um covarde, um traíra com seu próprio gado.

E nada adianta ele vir agora a público, no chiqueirinho do Planalto Alvorada, dar passa-moleque em seus devotos. Ele próprio, além de transmitir, ao vivo, em seu twitter, a sua participação no ato pró-AI-5, mostra faixas carregadas pelos manifestantes que o ovacionavam em meio ao pedido de ditadura militar.

Dizer agora que quer o STF e o Congresso transparentes serve pra quê? O embuste fez questão de caminhar e saudar a turma do pró-AI-5.

Esse estímulo sistemático de Bolsonaro ao ataque à Constituição passou a ser rotina numa insistente testagem para ver se cola e, no dia seguinte, vendo que não colou, aparece aparvalhado, como hoje, “semeando a paz e a harmonia” entre os poderes da República.

E quem pensa que Bolsonaro desistiu de sua ideia fixa de ser o comandante de uma nova ditadura no país, engana-se. Ele voltará exatamente no ponto de onde partiu ontem depois que saudou uma manifestação pró-ditadura militar.

Não se pode esperar que Bolsonaro fique no “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, enquanto chefes de outros poderes emitem notas com um ora veja. Bolsonaro não está acima da constituição como nenhum cidadão brasileiro que, se desrespeitá-la, paga o preço, e, com ele, não pode ser diferente, tem que sofrer um impeachment por atentar contra a Constituição, está na lei. O que se precisa fazer agora, é respeitá-la e não relativizá-la.

O que vale para qualquer brasileiro tem que valer para o presidente da República, do contrário, para que serve a Constituição?

 

*Carlos Henrique Machado Freitas