Da jornalista Juliana Dal Piva, Uol – O quarto e último episódio do podcast “UOL Investiga – A vida Secreta de Jair” conecta todas as histórias da família Bolsonaro e do esquema ilegal de devolução de salários nos gabinetes. O programa traz bastidores da prisão de Fabrício Queiroz e um resumo das provas contra ele e Flávio Bolsonaro. Também revela o que se descobriu para conectar o presidente Jair Bolsonaro diretamente ao esquema.
Piauí – Com o aval do coronel da reserva Elcio Franco, secretário-executivo do Ministério da Saúde na gestão do general Eduardo Pazuello, as Forças Armadas usaram mais de 110 milhões de reais do dinheiro destinado à vacinação contra a Covid-19 para comprar combustível e peças de aeronaves. Dados do Tesouro Nacional aos quais a Piauí teve acesso mostram que até a última quarta-feira, quando Elcio Franco passou a ser um dos principais alvos da investigação da CPI da Pandemia, havia um total de 94,3 milhões de reais já comprometidos e parcialmente pagos para a manutenção de aeronaves, além de 19 milhões de reais destinados à compra de combustível de aviação – tudo com recursos extraordinários aprovados pelo Congresso Nacional para a vacinação.
A transferência de recursos de enfrentamento à pandemia do Ministério da Saúde para o Ministério da Defesa foi feita por meio de Termo de Execução Descentralizada assinado por Franco em janeiro, quando o governo dispunha de número insuficiente de vacinas. O documento abriu caminho para contratos milionários de manutenção de aeronaves e veículos, gastos com alimentação, operação de inteligência e até serviços de lavanderia de militares. Esses gastos se somaram aos 552 milhões de reais autorizados pelo Congresso Nacional diretamente para o Ministério da Defesa desde o início da pandemia.
O Termo de Execução Descentralizada assinado por Elcio Franco em 19 de janeiro, pouco mais de dois meses antes de deixar o Ministério da Saúde com a demissão de Eduardo Pazuello, determina que o Ministério da Defesa teria 95 milhões de reais para o apoio das Forças Armadas ao Plano Nacional de Imunização. Nessa data, o Ministério da Saúde só havia comprado as primeiras 46 milhões de doses da CoronaVac do Instituto Butantan e outras 2 milhões de doses da AstraZeneca, importadas do laboratório indiano Serum, para o início do programa de imunização. A entrega de doses da AstraZeneca contratadas anteriormente estava atrasada e só começaria em março.
O documento assinado por Franco diz que o dinheiro deveria contribuir para “eliminar ou erradicar a Covid-19 no território nacional”. A contribuição das Forças Armadas se daria por meio da logística de transportes para locais de difícil acesso e segurança das tropas, em apoio à vacinação. Em apenas um dos créditos extraordinários que destinam verbas federais para o programa de imunização, a Medida Provisória 1.032, editada em 24 de fevereiro, a transferência de recursos da Saúde para o Ministério da Defesa já ultrapassou o valor previsto no Termo de Execução Descentralizada, mostra pesquisa nos registros do sistema do Tesouro Nacional.
A uma única empresa instalada em Portugal e contratada pela Comissão da Aeronáutica em Washington foram reservados, no Orçamento da União, 53,4 milhões de reais – recursos sempre oriundos do dinheiro da vacinação contra a Covid-19. Trata-se da OGMA, Indústria Aeronáutica de Portugal, que tem participação acionária da Embraer. Documentos lançados no sistema do Tesouro Nacional registram como destino da verba a manutenção de aviões Hércules C-130.
Reparos em aeronaves lideram os gastos da Defesa com dinheiro da vacinação. A empresa espanhola Construcciones Aeronauticas foi contratada pela comissão da Aeronáutica na Europa para a manutenção de aeronaves C-105 Amazonas, ao custo de 8,2 milhões de reais. Com o dinheiro destinado especificamente para a aquisição de vacinas, por meio da Medida Provisória 1.015, a comissão do Exército em Washington contratou a compra de 2,6 milhões em suprimentos de aviação da americana Airbus Helicopters num único dia, 14 de abril.
O Termo de Execução Descentralizada prevê o gasto de 3,8 milhões com o pagamento de passagens e diárias de militares. Os registros do Tesouro Nacional mostram gastos de caráter sigiloso do Centro de Inteligência do Exército e a contratação de serviços de lavanderia na 4a Brigada de Infantaria Leve, em Juiz de Fora, com o dinheiro das vacinas.
De acordo com o Ministério da Defesa, a maior parte dos custos bancados com recursos do Termo de Execução Descentralizada foi usada “na manutenção de viaturas, aeronaves e equipamentos, horas de voo, combustível e alimentação das tropas, dentre outras, para as atividades de apoio à vacinação e à distribuição de vacinas”. Até o final da tarde desta quinta-feira, o ministério não havia atualizado o total realizado de horas de voo.
Procurados pela piauí, os ministérios da Defesa e da Saúde não informaram sobre a prestação de contas dos recursos da vacinação transferidos para as Forças Armadas. Com a demissão de Pazuello, Elcio Franco foi transferido do Ministério da Saúde para o Palácio do Planalto, onde trabalha como assessor especial da Casa Civil da Presidência. Franco depôs na CPI em junho. Na última quarta-feira, Roberto Dias, ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, afirmou à CPI que era Franco quem coordenava a negociação da vacina indiana Covaxin com o governo brasileiro.
Índice é o maior desde que presidente assumiu e acompanha piora geral na avaliação, segundo pesquisa nacional.
O derretimento generalizado da imagem do presidente Jair Bolsonaro se reflete na percepção do brasileiro da sua capacidade de liderar o país. Para 63%, ele é incapaz disso.
O dado foi aferido pelo Datafolha em pesquisa nacional feita em 7 e 8 de julho, na qual foram ouvidas 2.074 pessoas de forma presencial. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Esta é a sétima vez que tal questionamento é feito pelo instituto. Na primeira, em abril de 2020, Bolsonaro ainda retinha uma confiança maior da população acerca de sua capacidade: 52% achavam ele adequado para a missão de liderar, ante 44% que não acreditavam nisso.
Da pesquisa seguinte em diante, a curva se inverteu, mas com uma distância relativamente curta entre os índices. Tudo mudou a partir de janeiro deste ano, quando começou a subir de forma acentuada a avaliação negativa.
Na rodada de maio passado, pesquisada em 11 e 12 daquele mês, o presidente era visto como capaz de exercer sua liderança por 38% dos ouvidos. Agora, oscilou negativamente para 34%. Já o índice daqueles pensam o contrário subiu de 58% para 63%, acima da margem de erro.
A percepção majoritária de sua falta de condições para estar na cadeira presidencial é bastante homogênea. Num único segmento socioeconômico, o de que quem ganha de 5 a 10 salários mínimos, há um empate técnico na avaliação: 51% o consideram incapaz e 47%, capaz.
Sua avaliação é pior entre mulheres (67% acham que ele não pode liderar), os mais pobres (68%), nordestinos (72%) e pretos (76%).
Já há uma impressão menos ruim do presidente, ainda que a negativa seja prevalente, entre os mais velhos (41% de visão positiva), mais ricos (40%) e entre moradores de trincheiras do bolsonarismo: Sul (42%) e Norte/Centro-Oeste (47%).
A piora neste item de avaliação acompanha o restante coletado pelo Datafolha nesta rodada, assim como a má posição na pesquisa de intenção de voto para a Presidência em 2022 —por ora com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) isolado na ponta.
No período entre esta e a mais recente pesquisa, de maio, Bolsonaro se viu envolvido em acusações de corrupção no Ministério da Saúde, que vieram a se somar às avaliações de incompetência talvez criminosa na condução da crise sanitária da Covid-19.
Houve também o trabalho da CPI da Covid no Senado, amplificando as acusações, e fatos como a abertura de um inquérito contra Bolsonaro por suspeita de prevaricação em relação a uma fraude presumida na aquisição comandada, segundo denúncia, pelo seu líder na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).
Foi protocolado um superpedido de impeachment na Câmara, ocorreram os maiores protestos de rua contra o presidente e a agressividade de Bolsonaro em reação às más notícias tem sido a usual: sobra para outros Poderes, adversários e a imprensa.
Leia a carta de Rodrigo Pilha sobre sua prisão e a greve de fome que começou ontem (9/07).
Por Rodrigo Pilha
Queridos familiares e amigos, Após refletir bastante na última madrugada de cárcere, decidi que inicio a partir de hoje uma greve de fome sem data para acabar. Tendo em vista que o Judiciário segue me proibindo de falar ,conceder entrevistas, e agora me mantém preso , mesmo eu tendo conquistado o direito ao regime aberto, optei por usar meu corpo e a resistência pacífica para protestar contra estes e diversos outros absurdos que seguem ocorrendo no sistema penitenciário do DF,por conta do autoritarismo policial e judicial. Bem mais que não desejar comer aquela lavagem que chamam de comida, entregue aos apenados, lá naquela espécie de campo de concentração contemporâneo chamado de “Galpão” , minha greve de fome tem o intuito de denunciar e chamar a atenção da sociedade para os maus-tratos, as péssimas condições de cumprimento de pena e toda a sorte de violações de direitos humanos que continuam a ocorrer dentro do sistema prisional do DF, sob a vista grossa de um Judiciário que muitas vezes lava as mãos, passa o pano e acaba sendo conivente com tais atrocidades.
Ameaças de castigo e agressão, xingamentos e maus tratos por parte de policiais penais, seguem ocorrendo, e inquirições de apenados SEM a presença da defesa (fato que só comigo , já ocorreu em três oportunidades),são práticas corriqueiras. As celas e alas seguem hiper lotadas, com pessoas dormindo por cima das outras, e até no chão sujo em meio a baratas e escorpiões. O banheiro mais parece uma pocilga e os banhos de sol são de meia hora apenas. Castigos excessivos e por razões banais, com o mero intuito de causar a regressão penal dos presos, acabam por institucionalizar a tortura psicológica por parte do estado no cotidiano dos presídios. A diretoria penitenciária de operações especiais (DPOE) é acusada de espancamentos gratuitos , mutilações e até de ser responsável pela morte de presos após a prática do procedimento chamado de “extração” ou “guindar” apenados. Por fim, sei dos riscos que corro, mas estou convicto de que minha greve de fome é o mais acertado a se fazer neste momento, para trazer luz ao terror existente nos presídios do DF, e , lhes garanto que as mazelas do sistema prisional são bem mais radicais e maléficas à vida das pessoas do que a atitude que hoje adoto como forma de protesto. Ante ao exposto e já que não me deixam falar, peço que FALEM POR MIM e divulguem ao máximo esta carta-denúncia,afim de que o maior número de pessoas saibam da barbárie que hoje impera no sistema prisional do DF. “… podem me prender, podem me bater,podem até me deixar sem comer, que eu não mudo de opinião…” Com os versos de protesto do sambista idealizador da “Voz do morro”, Zé Keti, me despeço agradecendo a todas e todos por todo apoio e carinho recebidos até aqui. Um forte abraço e hasta la Victoria siempre!!! Com carinho, Rodrigo Pilha
Advogado da família Bolsonaro enviou mensagens ameaçando jornalista que revelou conexões do presidente com rachadinhas.
Os ataques da cúpula do governo de Jair Bolsonaro à imprensa, e especialmente às jornalistas mulheres, se tornaram uma das principais marcas da gestão bolsonarista. Nessa sexta-feira (9), a jornalista Juliana Dal Piva, do UOL, recebeu uma mensagem com tom de ameaça do advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef.
A repórter acaba de publicar uma série de reportagens em que traz revelações sobre o esquema de entrega de salários de ex-funcionários (crime conhecido como “rachadinha”), de Bolsonaro, enquanto o presidente ainda era deputado. Wassef afirmou na mensagem enviada por WhatsApp que, se seu trabalho fosse em outro país, “desapareceria e não iriam nem encontrar o corpo”.
Para a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Maria José Braga, Bolsonaro é o protagonista do avanço destes ataques.
“O presidente Jair Bolsonaro é individualmente o principal agressor à categoria dos jornalistas e a veículos de comunicação. Como sua postura não é espontânea e, sim, pensada taticamente para descredibilizar a imprensa, membros do seu governo, seus familiares e pessoas próximas (entre elas o advogado da família), são incentivados a também fazerem o mesmo”, afirmou à reportagem do Brasil de Fato, a presidenta da Fenaj
A postura do presidente nas aparições públicas e nas redes sociais legitimam esse tipo de ataque, que dessa vez foi feito de forma privada pelo advogado, é o que aponta uma nota divulgada pela Fenaj.
“Não aceitaremos que o presidente e seus apoiadores sigam ameaçando jornalistas e colocando suas vidas em risco. Exigimos dos órgãos responsáveis imediata apuração da ameaça e proteção à jornalista. Cobramos também da Comissão de Ética da OAB instauração de procedimento disciplinar contra o referido advogado. Basta de ameaças às jornalistas, à imprensa, ao livre exercício do jornalismo e à liberdade de expressão, pilares de qualquer Estado Democrático.” expõe a nota divulgada pela Federação.
Na manhã deste sábado (10), o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, afirmou que determinará que a corregedoria da entidade “apure o fato ocorrido e tome as medidas necessárias”.
Em mais um episódio recente, durante uma entrevista em Guaratinguetá (SP), Bolsonaro mandou uma jornalista da Rede Vanguarda, afiliada da Rede Globo, “calar a boca” quando foi questionado sobre não usar máscara.
De acordo com o Relatório Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil, produzido pela Fenaj, no ano de 2020, a violência contra esses profissionais cresceu 105,77%. Para a federação, este aumento expressivo dos ataques está ligado à ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência e ao aumento do bolsonarismo no país.
Além de serem contrários à noção de liberdade de imprensa, os ataques também tem uma motivação machista, analisa Maria José. “As agressões têm um caráter misógino quando se trata de jornalistas mulheres. Nesses casos, ele e seus seguidores expressam todo o preconceito, o machismo e o sexismo que cultuam”, aponta.
Não são todas as mentiras de Bolsonaro sobre a pandemia, mas muitas e suficientemente graves para fazer com o Brasil chegasse à catástrofe que chegou, mais de 530 mil mortos pela Covid, sem falar dos inúmeros brasileiros que se infectaram com o coronavírus e sofrem com as sequelas graves deixadas pela doença, pior, sem saber até quando. Basta!
Uma mulher foi presa na tarde deste sábado (10) protestando contra Jair Bolsonaro em Porto Alegre. Testemunhas afirmam que ela foi detida por policiais da Brigada Militar após bater panela contra a motociata que contava com a participação do presidente.
“Se essa cidadã foi presa por simplesmente bater panela contra os fascistas, coloco o nosso mandato à disposição, com apoio jurídico e exigiremos punição dos responsáveis pela prisão arbitrária. Exigimos maiores detalhes”, disse o vereador de Porto Alegre e policial civil Leonel Radde (PT).
O chefe da Comunicação Social da Polícia Militar no Rio Grande do Sul, tenente-coronel Cilon Freitas da Silva, confirmou ao Sul21 que a polícia efetuou a prisão, mas negou que ela tenha sido presa por protestar. “Obviamente que não foi por isso. Se a gente fosse prender todo mundo que bateu panela, tinha que ser uma fila de presos. Não é por isso, ela teve um comportamento desviante e infringiu artigos do Código Penal”, afirmou. Segundo ele, as informações sobre os motivos da detenção serão comunicadas pela Secretaria de Segurança Pública
No encontro, Bolsonaro não usou máscara contra a covid-19 e voltou a atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Luís Roberto Barroso. Cozinheiro preso
Na cidade gaúcha de Bento Gonçalves, o cozinheiro do hotel Spa Vinho, Eduardo Lazzari, foi preso nesta sexta-feira (9) por ter reclamado, no Facebook, que teria que cozinhar para o presidente Jair Bolsonaro. Após depoimento, ele foi liberado.
“Vou ter que cozinhar para este diabo ainda, que raiva”, disse ele, em resposta a uma publicação.
Confira:
ABSURDO!
Em Porto Alegre, manifestante é presa durante "motociata" de Jair Bolsonaro por… bater panela contra o presidente. pic.twitter.com/Dzw91F9dfB
ABUSO POLICIAL! Uma cidadã de Porto Alegre acabou de ser PRESA por bater panela, enquanto acontecia a motociata de Bolsonaro! Isso é um absurdo! É repressão ao direito de manifestação! Acabei de conversar com pessoas que presenciaram o fato e estamos vendo como auxiliar! pic.twitter.com/h2CtL2HBqe
Testemunhas afirmam que ela foi detida por policiais da Brigada Militar após protestar contra a motociata que contava com a participação do presidente.
Bastou Dallagnol dizer que jamais houve qualquer evidência de fraude nas urnas eletrônicas, e que a democracia e as eleições são inegociáveis e que atentar contra elas é crime de responsabilidade, que as hienas, alimentadas pelo próprio Dallagnol na farsa da Lava Jato, voltaram-se contra ele.
Comunista! Gritam os bolsonaristas nas redes sociais contra quem eles tiveram como herói por muito tempo. Para esses cérebros do tamanho de um caroço de mostarda, Dallagnol, agora, tem que ir para Cuba ou para a Venezuela.
Isso mostra que o bolsonarismo é mais que um seita, é um hospício. Essa gente tem uma doença cultural que nem cloroquina resolve.
Isso acontece no dia em que o próprio Bolsonaro deixou o gado mudo ao admitir que cometeu crime de prevaricação por não tomar nenhuma providência sobre a denúncia dos irmãos Miranda de que havia um esquema de corrupção dentro do Ministério da Saúde na compra da vacina Covaxin.
Ou seja, além de tudo o gado é invertebrado, precisa se contorcer de todas as formas para explicar o mito dos tolos.
Bolsonaro admitiu que prevaricou ao tomar providência quando foi informação pelos irmãos Miranda sobre o caso de corrupção no Ministério da Saúde. Bolsonaro disse: “Não posso tomar providência de tudo o que chega a mim”. Com uma justificativa ridícula e absurda como esta, confessa que está enrascado.
Presidente disse ainda que não vai responder a carta de “três bandidos”, ao se referir ao ofício dos senadores Omaz Aziz, Renan Calheiros e Randolfe Rodrigues sobre as suspeitas no contrato da Covaxin.
O Globo – O presidente Jair Bolsonaro afirmou, na manhã deste sábado, que não pode tomar providências sobre tudo que chega para ele ao comentar o encontro com o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) para tratar das irregularidades encontradas no contrato de compra da vacina Covaxin. Em entrevista à rádio Gaúcha, durante viagem ao Rio Grande do Sul, Bolsonaro disse ainda que o governo não gastou “um real” com a vacina e que os fatos narrados na CPI da Covid sobre o superfaturamento do contrato são uma “história fantasiosa”. Atacou os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Omar Aziz (PSD-AM) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), a quem chamou de “bandidos”.
— Eu não me reuni… Ele pediu uma audiência pra conversar comigo sobre várias ações. Eu tenho reunião com mais de 100 pessoas por mês, dos mais variados assuntos. Eu não posso simplesmente, ao chegar qualquer coisa pra mim, tomar providência — afirmou Bolsonaro ao comentar a reunião relatada por Luis Miranda.
Miranda e o irmão dele, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, prestaram depoimento na CPI na semana passada. Eles disseram que houve pressão na pasta para liberar a importação da Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech, e que tiveram um encontro com Bolsonaro relatando o caso.
— A compra seria 400 milhões de doses. A compra seria mil por cento sobre o faturamento. Não é a imprensa, é o que a CPI andou falando. Superfaturamento: mil por cento. Dose 15 dólares, passou para 150 dólares. Você multiplica 400 milhões de doses, vezes 150 dólares, vezes 5 reais. Isso dá 300 bilhões de reais. Isso é um coisa absurda, pelo amor de Deus. Eu assinei uma MP de 20 bilhões para comprar vacina para todo mundo. É uma história fantasiosa. Só serve a Renan Calheiros, só serve a Omar Aziz ou aquele deputado Randolfe lá do Estado dele, não é nada isso aí! — disse Bolsonaro.