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Sobre a suspeição de Moro, Janio de Freitas vai ao ponto

O que já é conhecido na conduta de Moro não suscita suspeita, induz certeza

As duas ações em que Edson Fachin emitiu decisão e Gilmar Mendes proferiu voto, apesar de formalmente separadas, tratam do mesmo tema.

Na aparência, a conduta ilegal e persecutória de Sergio Moro nos processos com que retirou o candidato Lula da Silva (39% das preferências) da disputa pela Presidência em 2018, encaminhando a eleição de Bolsonaro (18%). A rigor, o que está na essência das ações judiciais é uma operação de interferências distorcivas no processo eleitoral que comprometeram, por inteiro, a legitimidade de uma eleição presidencial.

Nem Sergio Moro é “caso de suspeição”, nem a ocupação da Presidência por Bolsonaro, mesmo que vista como legal, tem legitimidade.

O que já é conhecido —e falta muito— das violações do Código de Processo Penal, da Lei Orgânica da Magistratura e da própria Constituição na conduta judicial de Sergio Moro não suscita suspeita, que é dúvida: induz certeza. São fatos. Não retidos em memória, mas em diferentes registros comprovadores e consultáveis, muitos de longo conhecimento em tribunais e em parte da população.

A torrente desses fatos no voto de Gilmar Mendes sufoca qualquer dúvida sobre sua caracterização: são atos deliberados, planejados, combinados, marginais às normas e à moralidade judicial.

Nessa delinquência de cinco anos, do princípio de 2014 ao fim de 2018, a ação julgada por Edson Fachin refere-se à preliminar de quatro inquéritos contra Lula, entre eles os do apartamento de Guarujá e do sítio de Atibaia. Quando se vê a razão de Fachin para anular essas condenações, fica quase impossível acreditar que tais processos tramitassem por anos. Dessem em condenações por Sergio Moro. Até em aumento das penas pelo Tribunal Federal Regional do Rio Grande do Sul, o TRF-4, com base em relatório pouco menos do que ininteligível de um desembargador idem, João Gebran.

Quisesse, ou não, dar uma sentença que preservasse Sergio Moro do processo sobre a suspeição que é certeza, Edson Fachin viu-se com uma constatação indescartável: “não restou provado vínculo” entre os benefícios atribuídos a Lula, tanto na acusação como na condenação, e negócios ou desvios na Petrobras.

Logo, esses processos foram criados e receberam sentença ilegalmente em juízo restrito a desvios na estatal. Convém enfim realçar: a anulação das condenações de Lula por Moro não decorreu, portanto, apenas de incompetência geográfica da 13ª Vara Criminal do Paraná, como tem parecido. Procedeu, também, da violação deliberada de Moro às leis processuais e penais. Com o fim de fazer a prisão de um candidato à Presidência, o que daria a vantagem a outro. Crime, pois não?

Nada se deu sob sigilo nessa delinquência contra as instituições do Estado de Direito e a eleição legal. Muito ao contrário, a construção do escândalo era um componente planejado da operação.

Gilmar falou, a propósito, em conluio e consórcio Lava Jato-“mídia”. Não dispensou nem as orientações de um repórter aos dallagnóis. Incontestável, como mais um capítulo eleitoral da imprensa/TV. Mas uma ressalva é de justiça: em meio à enorme pressão pró-Lava Jato, a Folha pode ter pecado de corpo, mas não renegou a velha alma. Os poucos juristas, advogados e comentaristas da casa que apontaram a delinquência e as arbitrariedades da Lava Jato tiveram espaço e liberdade assegurados nestas páginas.

Não é menos justo, em sentido oposto, dizer que os Conselhos Nacionais do Ministério Público e da Justiça, assim como o Supremo Tribunal Federal, souberam sempre o que se passava na Lava Jato. Por experiência no Judiciário e no MP, por informações, por muitos recursos processuais de advogados e pelos poucos trabalhos da “mídia” fora da moda. Ao seu dever fiscalizador preferiram o silêncio e a inação, traindo-se e traindo a Justiça e o Estado de Direito.

Se tudo precisar de recomeço, que seja. Importante é que a Justiça está se despindo de uma impostura, ao tempo mesmo em que se reergue na defesa dos cidadãos e do país sob ataque da doença e do governo, ambos letais.

*Janio de Freitas/Folha

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Política

A mansão em que vive Pedro Barusco, o maior ladrão da Petrobras, desanca a tese de combate à corrupção de Moro

De 5 em 5 minutos, numa escandalosa campanha da Globo contra a suspeição de Moro, é repetido por um jornalista da GloboNews o que Fachin disse, que se Moro for considerado suspeito, pode anular toda a Lava Jato.

Segundo a grande mídia, a Lava Jato é um divisor de águas do combate à corrupção no país, mesmo assistindo à chegada ao poder não de um corrupto, mas de uma família de corruptos pelas mãos de Moro.

A mídia denuncia todos os casos de corrupção da família Bolsonaro, é verdade,  porém, faz questão de esquecer que quem o levou ao altar foi Moro, o chefe geral da Lava Jato.

Pior, negociou com Bolsonaro a prisão de Lula para ser super ministro e dar o pontapé inicial na sua carreira política rumo à presidência da República. Isso está mais do que cristalino.

Mas como o cinismo é o esporte favorito dos barões da mídia paratatá, não custa nada tentar afastar a figura de Moro do clã ao qual ele serviu como capanga enquanto esteve no governo.

A foto em destaque desse artigo não é da mansão de R$ 6 milhões de Flávio Bolsonaro, o que de cara já derruba a falácia de que a Lava Jato é um divisor de água, ou seja, um grande avanço no combate à corrupção, mas não é. Essa mansão é de Pedro Barusco, tido pela própria operação como o maior ladrão da história da estatal. É aí que ele vive e dorme o sono não simplesmente dos justos, mas dos anjos, arcanjos e outras divindades.

Pedro Barusco vive uma vida de xeique com a ficha absolutamente limpa, gozando as maravilhas que seus anos a fio de corrupção na Petrobras lhe proporcionaram. E é aí que começa a grande armação da história.

Muito antes do início da Lava Jato, em 2009, o Congresso criou uma CPMI da Petrobras em que Barusco foi o ator central, porque foi descoberto um super esquema de corrupção comandado por ele. Ou seja, não foi Moro quem descobriu o maior corrupto da história da Petrobras.

Segundo e mais importante ponto, de boca própria, ao vivo e a cores pela GloboNews, Pedro Barusco confessou que, desde 1997, ainda no primeiro mandato de FHC, ele montou um esquema milionário de corrupção na Petrobras e bancos suíços mandavam seus representantes ao Brasil para levar a grana monumental para os cofres da Suíça.

Pois bem, quando a Lava Jato aparece e apresenta Barusco no Jornal Nacional como seu grande troféu no combate à corrupção da Lava jato, a primeira coisa que fez foi mutilar a própria confissão de Barusco na CPMI da Petrobras no Congresso em que ele afirmou que toda a sua fortuna se deu a partir do governo FHC, e assim operou durante seis anos, dois do primeiro mandato de FHC e quatro do segundo mandato.

Lógico que Moro, com isso, quis trabalhar com duas formas bem objetivas, eximir FHC de qualquer culpa pela corrupção na Petrobras, como já havia denunciado Paulo Francis, no programa Manhatan Conecttion, que lhe custou um processo de FHC via Petrobras e que muitos dizem ter sido o motivo de sua morte e, de bate-pronto colocou Barusco no colo de Lula, como se o PT fosse a pedra inaugural de seu esquema.

Aqui não se pretende discutir a impunidade de Barusco, seus castelos e sua fortuna e muito menos a vida que leva. Isso é um problema da justiça brasileira.

Mas como a mídia brasileira manipula até fatos que ela própria reportou ao vivo e a cores, tratando a todos nós como verdadeiros imbecis, principalmente nesse caso em que é sabido que havia um pacto de sangue entre Moro e os Marinho para fazer da Lava Jato o próprio cadafalso, prender Lula e tirá-lo da eleição de 2018, porque a Globo, que sempre operou politicamente como comitê eleitoral permanente do PSDB, havia sofrido quatro derrotas consecutivas para Lula e, como mostravam as pesquisas, se não fosse impedido pela lei da ficha limpa pela condenação sem provas que Moro lhe impôs, Lula, mesmo preso no calabouço de Curitiba, venceria a quinta eleição de forma humilhante, pois chegaria ao poder já no primeiro turno.

Isso é absolutamente natural, pois Lula saiu do seu segundo mandato com aprovação recorde na história do Brasil, com 87%.

Então, com essa campanha, o que a Globo quer para salvar a cabeça de Moro, é produzir impunidade para um juiz corrupto e ladrão, como bem afirmou o bravíssimo deputado Glauber Braga, do Psol, diante do próprio Moro na Câmara dos deputados, fazendo com que ficasse mudo e saísse corrido pela porta dos fundos da Câmara, uma fuga vergonhosa e desmoralizante.

É disso que falamos quando vemos essa campanha cínica de uma família que tem no DNA o golpe contra qualquer um que queira governar a partir dos pobres, da massa do povo. A Globo sempre foi o cão de guarda da oligarquia brasileira.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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Na ONU, governo Bolsonaro choca o mundo por atacar os direitos da mulher

O governo da França se declarou “chocado” com a postura defendida pela aliança liderada pelo Brasil para impedir o acesso de mulheres à saúde sexual e reprodutiva. Num discurso nesta semana no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, a diplomacia francesa atacou abertamente o bloco no qual a ministra Damares Alves (Direitos Humanos, Mulher e Família) tem um papel predominante.

O discurso ocorreu na terça-feira, um dia depois da data que marca o dia internacional da mulher. Naquele momento, o Brasil se recusou a aderir a uma declaração conjunta realizada por mais de 60 países para defender o direito de meninas e mulheres, inclusive no que se refere ao acesso a direitos reprodutivos e sexuais.

Desde o final do governo de Donald Trump, o Brasil assumiu de uma maneira informal a liderança de uma coalizão de países ultraconservadores que tentam minar qualquer brecha para que a ONU amplie direitos e proteções às mulheres.

O grupo, conhecido como Consenso de Genebra, ainda inclui Hungria, Polônia e países árabes. Se o projeto foi lançado ainda sob a gestão de Trump, a chegada de Joe Biden na Casa Branca representou a ruptura dos EUA com a iniciativa. Emails internos do governo americano revelados pela coluna, porém, deixaram claro que a liderança passou a ser assumida pelo Brasil.

O comportamento da aliança, porém, vem causando mal-estar e mesmo indignação entre democracias. E, nesta semana, pela primeira vez ataques frontais contra o bloco foram feitos.

“Desejo expressar a indignação da França com os ataques aos direitos das mulheres e meninas”, declarou o embaixador francês na ONU, François Rivasseau, diante dos demais governos.

“Ficamos chocados com certas posições públicas aqui reiteradas, em particular pelo auto-intitulado Consenso de Genebra, que questiona a igualdade de gênero e a saúde e direitos sexuais e reprodutivos”, criticou o francês.

Segundo ele, a pandemia contribuiu para restringir o acesso à saúde sexual e reprodutiva.

“Devemos combater todas essas graves violações dos direitos das mulheres e meninas e reafirmar nossa determinação em garantir que os ganhos duramente conquistados não sejam prejudicados”, pediu o francês aos demais países.

“Exortamos todos os estados a reafirmar seu compromisso com os direitos das mulheres e meninas, e com a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos”, defendeu.

Para ele, a ONU “deve abordar esta questão porque não há nenhuma área, nenhuma parte do mundo, onde a desigualdade entre mulheres e homens seja justificada”.

Em meados do ano, europeus e mexicanos vão se unir para promover uma cúpula pela igualdade de gênero, num gesto claramente contrário às propostas apresentadas pelo Brasil e seus aliados. Na Casa Branca, a ordem é também a de contestar a postura da aliança, na esperança de enfraquecer o grupo em fóruns internacionais.

Histórico

Não é a primeira vez que Brasil e França se encontram em lados opostos da mesa, em debates internacionais. O governo de Emmanuel Macron tem sido um dos mais duros críticos do presidente Jair Bolsonaro, atacando a postura ambiental do país e freando qualquer acordo com o Mercosul.

A troca de farpas ainda em 2019 entre os dois líderes foi ampliada diante de ironias de Bolsonaro contra a primeira-dama francesa. Do lado de Paris, o governo Macron passou a receber o cacique Raoní com honras de estado, um símbolo hoje do antibolsonarismo na Europa.

*Jamil Chade/Uol

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Se petistas passaram13 anos comemorando os avanços do PT, bolsonaristas estão há 2 anos justificando fracassos de Bolsonaro

Realmente temos dois polos extremos na disputa de 2022. De um lado, a militância petista que vai relembrar em comemoração todos os avanços que revolucionaram o Brasil nos 13 anos dos governos Lula e Dilma, do outro lado, os muxoxos bolsonaristas que, além de espalhar ódio, farão o que não param de fazer, justificar os fracassos de Bolsonaro.

Ainda hoje, li um inacreditável comentário no twitter de uma dessas figuras ligadas ao gabinete do ódio, dizendo a seguinte pérola: “sabe aquele churrasco que você fazia, o carro e a casa nova que você comprou nos governos Lula e Dilma, a conta chegou agora e você está pagando durante o governo Bolsonaro”.

Bom, vamos lá. De cara, essa figura de inteligência rara já assume que os governos do PT foram um sucesso e que o povo desfrutou de uma vida bem melhor, ao mesmo em que assume que não só não tem o que mostrar do governo Bolsonaro, como escancara que são 2 anos de absoluto fracasso em tudo.

Então pensa-se o que essa gente vai fazer em 2022 para tentar esconder os avanços do PT em 13 anos com Lula e Dilma e o gigantesco fracasso de um governo que, em dois anos, só produziu tragédia econômica e mortes aos milhares.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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Política

Com quase 300 mil mortes, pode-se afirmar que o projeto do clã Bolsonaro e da Lava Jato de Moro deu certo

Pouca gente comenta dois fatos importantes para entender como o Brasil chegou a essa tragédia, além de Moro prender Lula para Bolsonaro ser presidente e ele ser ministro para dar início a sua carreira política rumo à presidência.

Na verdade, Bolsonaro colocou em prática aquilo que ele falou logo no início da pandemia no Brasil quando Moro ainda era ministro do seu governo. O projeto era simples: todos os brasileiros se contaminam, morra quem tiver que morrer, não se gasta um centavo com saúde pública, sobretudo com vacina, e voltamos logo à normalidade econômica.

Por isso nunca se viu Bolsonaro mencionar sequer a higiene das mãos com álcool ou sabão, ele simplesmente não falava absolutamente nada. Sua campanha foi pelo não uso de máscaras e mais do que ser contra o isolamento social, ele estimulou a aglomeração e a contaminação, como acusou um estudo feito pela USP, mostrando que esse era o projeto de Bolsonaro e seus generais.

Não foi por acaso que ele tirou dois médicos da pasta da Saúde para colocar o general da ativa, Eduardo Pazuello, que vem cumprindo um papel criminoso que está lhe custando cada vez mais explicações ao judiciário.

Bolsonaro, ao contrário de se importar com a morte de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos, ele comemora. Primeiro porque disse que quem morre de covid é maricas. Segundo, porque certamente isso significa que, como ele sonhava, houve uma grande disseminação do vírus que hoje se encontra em total descontrole no Brasil como um todo.

Se faltarão leitos, tanto de enfermarias quanto de UTIs, oxigênio, profissionais da saúde, para ele, pouco importa e, por isso, nunca mostrou compaixão com qualquer vítima da covid, “fazer o quê, a vida é assim mesmo, todos vão morrer”.

Dá para imaginar a formação que um sujeito desse teve dentro das escolas militares e que tipo de professor lhe deu essa formação, pior, pagos com dinheiro da sociedade para jogar um monstro no colo da própria. Monstro esse que não é considerado genocida contagioso somente no Brasil, mas no planeta.

Lógico que muito da tragédia porque passamos, será refletido pela sociedade quando tudo isso passar. Como esse sujeito passou pelas Forças Armadas, mergulhou de cabeça na milícia, virou deputado na base da troca de favores corporativos com militares e chegou à presidência da República para dizimar mais de 300 mil brasileiros a partir de um complô jurídico, midiático e militar, depois de golpes de Estado, tendo como centro da operação os mesmos agentes para beneficiar a mesma classe dominante.

Seja como for, do ponto de vista sanitário, o objetivo que carregava o lema “exterminar o povo para voltar a trabalhar”, a parte do extermínio deu 100% certo.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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Por lockdown, prefeita de Juiz de Fora é ameaçada de morte: discurso de ódio de Bolsonaro deu frutos

“O ocorrido em Juiz de Fora mostra bem o que o discurso de ódio que Bolsonaro prega nestes seus pouco mais de dois anos de governo tem disseminado país a dentro”, analisa o jornalista Marcelo Auler sobre as ameaças à prefeita Margarida Salomão (PT).

Mesmo que se considere verdadeira a mudança de posicionamento de Jair Bolsonaro frente às vacinas e às máscaras necessárias ao combate à pandemia – algo que poucos acreditam verdadeiro e quase todos creditam ao efeito da fala do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – o discurso de ódio e de intolerância que o presidente e sua trupe plantaram no país já fincou raízes e vem dando frutos. Podres, é verdade. Mas a reprodução acontece.

Basta verificar-se o que acontece em Juiz de Fora, cidade mineira na Zona da Mata, com uma população em torno de 570 mil habitantes. Nela já faleceram pela Covid-19, até a noite de quarta-feira (10/03), 869 pessoas, entre os 21.502 oficialmente contaminados. Mas o número de juiz-foranos com suspeita da doença ultrapassa os 10% da população. Eram, até a mesma quarta-feira, 63.514. Quantidade que tem aumentado exponencialmente, provocando a ocupação de quase 94% dos leitos de UTI na rede do SUS.

A crescente disseminação da doença pelo município – na quarta-feira, 436 pessoas estavam internadas em enfermarias e leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em hospitais públicos e privados e ocorreram nove novas mortes – levou a prefeita Margarida Salomão (PT), domingo passado (07/03), suspende o funcionamento de todas atividades no município (“lockdown”), por uma semana.

Foi o suficiente para fazer brotar os “frutos podres” do discurso de ódio bolsonarista na cidade. Tal como já revelou Denise Assis, no Brasil247, em Empresários de Juiz de Fora informam que vão romper isolamento e exigem troca por “tratamento precoce”. No próprio domingo, Margarida e o seu vice-prefeito, Kennedy Ribeiro (PV), começaram a ser ameaçados. Inclusive com ameaça de morte, como registrada em Boletim de Ocorrência na delegacia de polícia local, na noite de segunda-feira. Ameaça que falava em utilização de arma de fogo, explicou o secretário Municipal de Segurança Urbana e Cidadania, Fernando Tadeu David, através da página oficial da Prefeitura nas redes sociais.

“Queixa-crime é da Pedagogia da Paz”

“Tomamos conhecimento de uma denúncia de ameaças recebidas nas mídias sociais por uma determinada pessoa, encaminhamos a Inteligência da Guarda Municipal e certificamos da existência dessa denúncia, inclusive envolvendo a utilização de armas e isso a gente não permite de forma alguma”, disse.

Como a própria Margarida explicou em vídeo, o registro da ameaça na polícia fez-se necessário para combater o fascismo que confunde oposição política com ameaças físicas. No cargo, ela se diz obrigada a praticar a “Pedagogia da Paz”. Esta, por sua vez, prega a intolerância contra a retórica do ódio:

“A queixa-crime é pedagógica. Faz parte da Pedagogia da Paz (…) Independentemente de a ameaça ter ou não fundamento, é fato que não se pode aceitar que alguém faça uma disputa de posição política ameaçando a eliminação do outro“, explicou a prefeita no vídeo (ouça abaixo).

*Marcelo Auler/247

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Grupo Globo estaria sendo vendido pelo Pactual para J&S

De acordo com matéria publicada no Correio da Manhã, segundo fontes do mercado financeiro de São Paulo, o Pactual, depois ter se debruçado sobre a venda da Editora Abril, a maior empresa de comunicação especializada em revistas, está, agora, através de André Esteves, coordenando um negócio muito maior: a venda das Organizações Globo.
O Pactual tem o agreement para acessar todos os números da empresa e as negociações andam a passos largos.

Como comprador surge o grupo J&F, com o próprio patriarca, José Batista Sobrinho, cuidando pessoalmente do negócio. Na mesa, o valor é de R$ 25 bilhões.

O negócio envolve todo o grupo, incluindo televisão, impressos e plataforma de streaming.

Segundo as mesmas fontes, um dos entraves que pode atrasar o negócio é o desejo de preservar a soberania jornalística até o processo eleitoral de 2022.

Slim pode ser sócio

O empresário mexicano Carlos Slim também se mantém interessado na compra da Globo. No governo de Michel Temer o assunto esteve bastante adiantado. Os entraves legais que não permitem a um estrangeiro ter o controle de rádio e televisões no Brasil não foram resolvidos.

As concessões da Globo envolvem as emissoras geradoras do Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Recife, que só podem ser transferidas para brasileiros.

Slim, que já possui a Embratel, Net e Claro celular no Brasil, pode se associar em alguns segmentos do negócio com a própria J&F. Já há estudos nesse sentido, especialmente na Globoplay.

Blindagem

Com um faturamento anual de R$ 200 bilhões (o negócio da Globo envolve apenas 10% do valor), a J&F passou a ser dirigida pelo próprio patriarca depois dos escândalos que envolveram os seus dois filhos.

Ser dono da maior empresa de comunicação do país é um desdobramento natural para a reconstrução da imagem. O grupo hoje tem 80% do seu faturamento em negócios no exterior.

Acionistas do Grupo Globo afirmam que nunca houve qualquer intenção de venda

Faz parte da política editorial do Correio da Manhã o espaço para o contraditório.

Recebemos da Diretoria de Relacionamento e Comunicação do Grupo Globo a solicitação para publicação da seguinte nota de esclarecimento, que publicaremos na íntegra, seguindo as nossas normas editoriais:

“São absolutamente falsas as ilações publicadas hoje pelo jornal Correio da Manhã. Não há nem nunca houve qualquer intenção de venda do Grupo Globo por parte de seus acionistas.”

Nota da Redação: O Correio da Manhã reafirma que, de acordo com a apuração realizada e pelas informações validadas com diferentes fontes, existe uma negociação para aquisição do grupo, conforme publicado na edição do dia 13 de março.

As primeiras notícias publicadas foram referente ao interesse do empresário mexicano Carlos Slim, difundidas em vários veículos – e nunca desmentidas. Assunto esse que abordamos na edição do dia 12. O interesse da J&S pelo grupo Globo, o foco da nossa apuração e da nota do dia 13, foi confirmada pelo Correio da Manhã com diferentes fontes.

O Grupo Globo já colocou a venda a Gravadora Som Livre em 2020 e iniciou várias parcerias de conteúdo com parceiros externos, como as duas séries que realiza com a Sony.

A J&S é o maior grupo privado brasileiro, com faturamento anual superior a R$ 200 bilhões, com 80% oriundo do exterior. A negociações para a proposta de aquisição do grupo Globo estão sendo conduzidas pelo próprio patriarca do grupo, o Sr. José Batista Sobrinho. O Banco BTG Pactual, que já possui o controle da Exame e realizou a aquisição da Editora Abril, já teria demonstrado interesse no jornal Valor Econômico, incluído na mesma proposta de aquisição.

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Gabriel Barbosa: O presidente Lula nos faz um favor ao falar adevogado, e não “a*dv*ogado”

Há quem acredite que um idioma em específico, ou a linguagem em geral requer algum tipo de formalidade.

Não me incluo entre estes, que parecem esquecer que os idiomas surgem precisamente das variações de uma formalidade qualquer.

O português, por exemplo, que tanto insistem que é ofendido por Lula, nada mais é que um desvio vulgar, ou plebeius do latim literato ou eruditus.

Em outras palavras, o português que hoje é rei na boca dos doutores, já foi plebeu na boca do povo.

Pessoalmente, me encanto mais pelas vogais do que pelas consoantes.

As vogais são mais suaves e emotivas, ao passo que as consoantes são muito sérias e racionais.

As vogais garantem a expressão dos sentidos, são elas que exclamam e conclamam.

Uma sequência de “aaa(s)” pode transmitir alegria, tristeza ou surpresa; mas pode também passar uma reclamação, ou indignação.

Já as consoantes coitadas, difícil seria primeiramente achar alguma sequência pronunciável. Uma série de “ttt(s)”, por exemplo, não permite uma continuidade, e é preciso pronunciar cada “t” separadamente em uma monotonia interminável.

Misturadas então, sem uma vogalzinha no meio, as consoantes se tornam auditivamente insuportáveis, como a combinação “schl” comum nos idiomas germânicos. Por falar nos germânicos, as palavras são uma fileira de consoantes com uma vogal aqui e outra acolá.

Evidente que nem só de vogais, ou apenas de consoantes se formam palavras. Mas tal composição carece um pouco de harmonia.

Não vejo necessidade em não ter um “e”, senão um “i” em um pneu, num eucalipto, ou num advogado.

Soa melhor aos ouvidos privarmo-nos de mais uma vogal nas palavras?

De fato, a solução encontrada, em alguns casos, foi não de enriquecer uma palavra com mais uma vogal, mas de castrá-la de uma consoante.

O que era facto, passou a ser fato, ou se antes alguém era amnistiado, hoje o é anistiado.

De uma maneira ou de outra, já me parece uma vitória tanto para as línguas que são obrigadas a se embolar na boca para pronunciar, quanto para os ouvidos aos quais são impostos a ouvir.

Como grande conciliador que é, creio que o presidente Lula nos faz um favor ao falar adevogado, e não “a*dv*ogado”.

Não por ele em si como locutor, ou nós como ouvintes, mas por esse “d” com aquele “v” que aparentam tão descompassados mesmo que tão grudados um no outro.

Podia até ser um “i”, em vez do “e”, como em “advogado”, contanto que coloquemos ali uma vogal pra mediar as duas consoantes que normalmente soam tão adversária uma à outra.

Efeitos auditivos à parte, o que guarda essa discussão vai um pouco além de preciosismos gramaticais.

De fato, a própria gramática, ou as normas gramaticais de alguma estrutura de linguagem não surgem com a mesma naturalidade que a própria manifestação linguística humana.

Se a linguagem é um instrumento orgânico que aparece como uma das maneiras pela qual humanos procuram se expressar, isto é, externalizar algo que é interior a nós mesmos para o mundo que dividimos, a gramática surge como uma normatização dessa forma de expressão.

Há, portanto, uma grave distinção entre aquilo que emerge internamente de nosso âmago humano como manifestação de nossa humanidade inerente, e aquilo que nos é imposto externamente como forma de controle sobre o que, e como devemos nos manifestar.

Ou seja, uma coisa é linguagem como forma de exteriorização de nossos modos e formas de ser e viver, enquanto, outra coisa consiste na internalização de como devemos ser, ou como devemos viver.

Não obstante, o mesmo fenômeno pode ser observado quando tratamos do surgimento da concepção de uma lei.

Por um lado, um conjunto de atividades cotidianas se transformam em prática que, por sua vez, se transmutam em hábitos até finalmente serem consagradas como normas dentro de uma comunidade onde tais atividades são internamente utilizadas e vivenciadas.

Por outro lado, quando um conjunto de leis, ou normas institucionalizadas se tornam forçosamente impostas por um ente superiormente e externamente posicionado à comunidade, as atividades comunitárias perdem seu caráter orgânico de surgimento e aplicação, pois não aparecem desde o seio interno de uma comunidade, mas do arbítrio externo de um soberano qualquer, como um Rei, um Imperador, ou um Congresso representativo cada vez menos representante de seus representados.

Quando o plebeu romano utiliza de um latim coloquial, não quer dizer que essa forma de latim esteja “errada”, apenas que não está em conformidade com o latim patrício, uniformemente convencionado desde o Senado Romano.

O modo de falar, escrever, ou comunicar do latim plebeu expressa o cotidiano da atividade e da prática comunitária que, caso houvesse qualquer tipo de unicidade com a prática patrícia, em nada diferiria do modo de falar, de escrever ou de comunicar do latim patrício.

Todavia, se faz necessário demarcar um distanciamento linguístico formal entre patrícios e plebeus não somente para posicionar ambos os grupos como distintos, mas para alertar a ambos sobre aqueles que determinam as leis e aquele que obedecem às leis.

Enquanto tal diferenciação entre manifestação orgânica interior e assimilação impositiva exterior persistir, continuaremos a rir do “dibre” e a aplaudir o “drible”, ou a chacotear do “adevogado” e reverenciar o “advogado”.

*Gabriel F. Barbosa é formado em administração pública. Tem mestrado em política e gestão pública pela Georgetown University, nos EUA/Viomundo

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Comandado por um general da ativa e um capitão da reserva, nada representa melhor o governo militar de Bolsonaro do que o morticínio da covid no Brasil

Para quem tem verdadeira obsessão por esconder todas as tragédias provocadas no Brasil pela ditadura, o governo militar de Bolsonaro é a própria recontagem da história dos desastrosos 21 anos de sucessivos governos militares, um pior do que o outro.

Pazuello e Bolsonaro, juntos, em que o capitão manda e o general obedece, como disse o próprio Pazuello, mostra que tipo de esculhambação é a hierarquia das Forças Armadas nesse país.

Não há como os militares dizerem que não têm nada a ver com o governo Bolsonaro tendo um general da ativa, que se dizia o craque da logística, como o ministro da Saúde que mais produz mortes por covid no mundo nos dias atuais.

Uma pasta da Saúde comandada por um general que, ontem, mais uma vez, mereceu críticas da Organização Mundial da Saúde, pelo comportamento belicista que bate recordes em cima de recordes de mortes no país, pondo em risco o mundo inteiro pela quantidade de novas cepas do coronavírus fabricadas por esse governo.

Isso dá a dimensão de como essa gente trata a vida e a morte dos brasileiros. Não só isso, mostra também o tipo de tragédia que o Brasil vive sob o comando fardado, já que passa de 13 mil o número de militares enxertados no governo que se mostram extremamente inoperantes em todas as áreas, em todas.

O que ainda funciona no Brasil está sendo operado no automático, porque o governo militar de Bolsonaro desmontou o Estado brasileiro para servir aos interesses corporativistas das Forças Armadas e do mercado financeiro. Claro, sem falar da milícia que conseguiu, através da mansão de Flávio, ter um forte apache em Brasília.

Os brasileiros não têm a mínima ideia de quando de fato começará uma campanha de vacinação no país, no mesmo momento em que veem as filas de UTIs se agigantarem com o colapso da saúde e o número de vítimas fatais, como não poderia deixar de ser, batendo todos os dias recordes de média móvel de mortes.

E isso acontece, mesmo com todos os alertas de cientistas, tratados como inimigos por Bolsonaro, de que isso aconteceria e, pior, que ainda vai piorar muito nas próximas semanas. Enquanto isso, a sua família compra mansão de R$ 6 milhões debaixo de denúncias do Ministério Público de Formação de organização criminosa, de peculato e de lavagem de dinheiro do clã.

O Brasil se transformou num quebra-cabeça de um pardieiro em que é fácil juntar as peças e ver com nitidez os interesses que movem as placas tectônicas da tragédia.

De referência mundial em imunização, o Brasil, nas mãos de um governo militar, transformou-se num trapo contagioso do qual o mundo inteiro quer distância tal  o nível de catástrofe que o governo militar de Bolsonaro nos legou, ao mesmo tempo em que mostra a fragilidade institucional do país que viu sua democracia implodida por interesses internos associados a interesses externos contra a nação.

Não há como juntar todas essas peças e tantas outras para que se tenha uma fotografia do quadro atual e aonde se chegará se esse genocida e seus generais não forem destituídos pelos outros poderes da República que, com certeza, teriam maciço apoio do povo brasileiro conforme mostram pesquisas.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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Traindo interesses do povo, governo militar de Bolsonaro trabalha nos bastidores para manter o lucro das farmacêuticas internacionais

Por uma daquelas ironias brasileiras, um dia depois de se saber do combinado entre o general Villas Bôas e o ministro do STF, Dias Toffoli, de manter Lula preso até as eleições para não atrapalhar a vitória de Bolsonaro, sabe-se agora que o governo militar de Bolsonaro trabalha nos bastidores contra o povo para manter intacta a blindagem dos lucros das farmacêuticas internacionais.

Conseguiram realizar o objetivo e, junto com outros que se associaram ao genocida que já matou mais de 275 mil brasileiros, num desses jogos sombrios de bastidores entre militares e STF, sabe-se que o governo militar de Bolsonaro é mais lacaio dos interesses internacionais do que se imagina.

Lembremos sempre que crianças e adolescentes estão sendo vítimas desse genocida preparado pelas Forças Armadas para servir como traidor da pátria que, segundo cientistas, é culpado por pelo menos 95% das mortes que ocorrem no país por conta da covid.

Pior, não se tem ideia de quantas vítimas Bolsonaro e seus generais produzirão no Brasil, ainda mais agora com crianças e adolescentes também vitimados pela política de morticínio do governo Bolsonaro que, muitas vezes se associou a alguns lacaios do STF, como Toffoli, para entregar a cabeça do povo brasileiro aos interesses do grande capital e de uma parcela da sociedade brasileira.

Essa excelente matéria de Jamil Chade revela como esse governo militar sabota o Brasil fazendo continência aos interesses das farmacêuticas multinacionais, enquanto o Brasil é tragado pela covi-19.

Nesta semana, em Genebra, a posição brasileira ficou clara nas negociações para uma resolução que será votada no Conselho de Direitos Humanos da ONU no final de março. Em reuniões fechadas, o Itamaraty fez questão de fazer acenos tanto aos demais países em desenvolvimento como aos interesses das grandes multinacionais.

*Carlos Henrique Machado Freitas

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