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Kid preto que monitorou Moraes, tinha acesso à conta bancária de Bolsonaro

Relatório do Coaf revela pagamentos de Jair Bolsonaro a militares.

Por Alice Maciel – Agência Pública

Apontado em denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) como um dos responsáveis por ter monitorado o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em dezembro de 2022, a pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o coronel Marcelo Câmara tinha permissão para movimentar a conta bancária do ex-presidente.

A informação consta no relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Atos Golpistas do Congresso Nacional, em julho de 2023. O documento mostra que o tenente-coronel Mauro Cid também tinha acesso às contas de Bolsonaro.

Militares do Comando de Operações Especiais (Copesp), conhecidos também como kids pretos, Cid e Câmara foram ajudantes de ordens da Presidência e estão entre os denunciados pela PGR de participar da trama golpista que culminou nos ataques do 8 de janeiro. Ambos foram indiciados também pela Polícia Federal, junto ao ex-presidente, no inquérito que apura o desvio de joias do acervo presidencial.

De acordo com o relatório do Coaf, além de representante legal da conta, Câmara recebeu R$ 3,9 mil de Jair Bolsonaro, em seis transações realizadas entre 20 de maio de 2022 e 14 de maio de 2023. Segundo a PGR, Câmara foi responsável por “coordenar as ações de monitoramento e neutralização de autoridades públicas”, em conjunto com o general da reserva Mário Fernandes.

Kid preto monitorava Moraes
Conforme investigação da Polícia Federal (PF), o coronel monitorou o ministro Alexandre de Moraes do dia 15 de dezembro de 2022 até o final do ano. Como prova, a PF apresentou trocas de mensagens entre ele e Mauro Cid sobre a localização do magistrado.

Em delação, Cid afirmou que a ordem para que o Câmara acompanhasse os passos de Moraes teria partido de Jair Bolsonaro, que o encarregava de fazer levantamentos quando “precisava fazer análise de alguma pessoa”, o que, em geral, seria feito para subsidiar suas decisões sobre nomeações. Procurado, o advogado de Marcelo Câmara, Eduardo Kuntz, afirmou que fará seus esclarecimentos nos autos.

Seis militares do Exército receberam um total de R$ 29,2 mil, entre maio de 2022 e julho de 2023, de contas de Jair Bolsonaro, segundo o Coaf. Cinco deles têm vínculo direto com o ex-presidente.

A exceção, o coronel da reserva Sérgio Luiz de Siqueira Vieira, foi quem recebeu o maior repasse, no valor de R$ 10 mil. Foram seis lançamentos, entre janeiro e julho de 2023. Conforme dados do portal da transparência, Vieira entrou para a reserva em 2004. Ele é sócio da agência de viagens e locadora de carros SG Nações. “Os valores que você citou que recebemos referem-se a aluguéis de carros para Jair Bolsonaro e família”, informou.

O primeiro-tenente Osmar Crivelatti, envolvido no caso das joias sauditas, também foi ajudante de ordens de Bolsonaro e recebeu R$ 9,7 mil em 19 lançamentos de maio de 2022 a maio de 2023.

Já o capitão Sandro Daniel Soares, que recebeu R$ 4,6 mil no mesmo período, foi assessor do gabinete presidencial até maio de 2022 e foi para a Secretaria-Geral da Presidência, onde ficou até dezembro daquele ano. Sua exoneração foi assinada pelo então secretário-executivo, o general da reserva Mário Fernandes, preso por suspeita de envolvimento na tentativa de golpe.

Uma reportagem do Brasil de Fato mostrou que Soares teria acessado dados pessoais do chefe da Receita Federal em 2019, em meio às investigações das rachadinhas.

Os outros três militares que receberam recursos do ex-presidente foram o capitão Marcus Antonio Machado Ibiapina (R$ 795), assessor na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência até dezembro de 2022, e os segundos-sargentos Jossandro da Silva (R$ 2,6 mil) e Estácio Leite da Silva Filho (R$ 1,9 mil), nomeados para assessorar Bolsonaro após o fim de seu mandato.

A Agência Pública tentou contato por e-mail com Osmar Crivelatti, Sandro Soares, Marcus Ibiapina, Jossandro da Silva e Estácio Leita, mas não recebeu resposta.

Dinheiro circulou entre membros da caserna

O relatório do Coaf entregue à CPMI traz também informações sobre movimentações bancárias de Mauro Cid consideradas pelo órgão “atípicas e incompatíveis”. Conforme levantou a Pública, ele fez transações com sete militares da caserna.

A maior movimentação registrada foi com o segundo-sargento Luis Marcos dos Reis, preso na operação da PF sobre a suspeita de fraude no cartão de vacina de Bolsonaro. O militar depositou mais de R$ 70 mil na conta de Cid entre julho de 2022 e janeiro de 2023, conforme mostrou a Pública.

Mensagens encontradas pela PF no celular de Mauro Cid apontam que Dos Reis também participou do ato golpista do 8 de janeiro e teria recebido informações de Cid sobre o plano de golpe.

O advogado de Dos Reis, Alexandre Vitorino, ressaltou o segundo-sargento vendeu um carro para Cid e repassou os valores equivalentes. “Ele esclareceu isso na CPI. “O sargento não tem nenhuma relação com essa trama do golpe. O próprio inquérito da Polícia Federal, depois de ser concluído, limitou a responsabilidade dele relacionada a um cartão de vacina, nada mais”, acrescentou.

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Extremista tenta invadir o STF; policiais encontraram artefatos para bomba e bilhetes com ameaças

Um homem de 52 anos de idade tentou invadir o prédio do Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira (26), onde teria “proferido diversas ameaças, ofensas e hostilizações” contra ministros da corte, informou, neste sábado (1º) a Polícia Civil do Distrito Federal.

Identificado e localizado na cidade de Samambaia, região administrativa do DF, o suspeito de “ações extremistas” foi abordado durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão domiciliar.

O homem resistiu à prisão, além de desacatar os policiais, motivo pelo qual foi autuado em flagrante pelos delitos de resistência e desacato.

Artefatos de bomba no STF
O caso ganhou mais relevância após a Polícia Civil ter encontrado na residência dele artefatos para a construção de bomba caseira, além de “bilhetes confirmando as suas intenções violentas”.

“Além disso, foi apreendido um casaco de uso exclusivo da Polícia Militar do DF, utilizado indevidamente pelo acusado, um aparelho celular e um computador”, informou, em nota, a PCDF.

As investigações continuam, segundo a Polícia Civil, na busca por mais informações que corroborem com o crime de apologia ao crime e de ameaças às autoridades, segundo o ICL.

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Em vídeo, Eduardo Bolsonaro dá faniquito por ação que pode cassar seu mandato e, possivelmente ter o passaporte apreendido

Chamar esse mocorongo de vira-lata é a maior ofensa e injustiça que se pode cometer com os cachorrinhos que têm personalidade própria e são muito fieis a seus tutores.

Eduardo é um mandioqueiro deslumbrado e traidor de seu mandato, bancado com muita grana pública saída do suor e do sangue dos trabalhadores brasileiros.

O caburé de bota, borrando-se de medo de ter o mandato cassado por ação que o acusa de crime de lesa-pátria, além de uma possível apreensão do seu passaporte, fez aquele discurso de baba de quiabo em defesa da liberdade esquecendo-se de que é um sonhador e idealizador da volta do AI-5.

Mas a bizarrice do jeca foi ainda mais inacreditável quando no final do faniquito mandou um rastejante “Deus Abençoe a América”.

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Moraes aciona PGR e analisa apreender passaporte de Eduardo Bolsonaro

Petições enviadas pelos deputados Lindbergh Farias e Rogério Correia alegam que Eduardo articulou retaliações ao Brasil nos EUA.

Os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) apresentaram, na última quinta-feira (27), duas notícias-crime contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por articulações com parlamentares americanos para constranger o Supremo Tribunal Federal (STF). As ações pedem que o ministro Alexandre de Moraes mande Eduardo entregar seu passaporte e seja impedido de sair do Brasil. As informações são do jornalista Guilherme Amado, do PlatôBR.

Na sexta-feira (28), Moraes encaminhou as ações para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR), que deve se manifestar dentro do prazo de cinco dias. Os documentos apresentados por Lindbergh e Correia afirmam que Eduardo cometeu os crimes de obstrução de investigação de organização criminosa, coação no curso do processo e atentado à soberania. As petições foram apresentadas no âmbito do inquérito do golpe.

Segundo as notícias-crime, que também foram enviadas diretamente à PGR, Eduardo Bolsonaro articulou retaliações ao Brasil e ao STF em suas recentes idas aos Estados Unidos. Aliados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, articulam na Câmara dos Deputados uma proposta que impede a entrada de “agentes estrangeiros que tenham violado a liberdade de expressão” de cidadãos americanos.

“Um deputado brasileiro não pode ter essa postura conspiratória contra seu próprio país para proteger o pai criminoso e participar do jogo global da ultradireita. É urgente que a justiça brasileira dê a resposta”, escreveu Rogério Correia em suas redes sociais.

Disse o deputado federal Rogério Correia (PT):

No início da semana acionei a PGR e pedi a retenção do passaporte de Eduardo Bolsonaro por seus reincidentes crimes de lesa-pátria no exterior. Um deputado brasileiro não pode ter essa postura conspiratória contra seu próprio país para proteger o pai criminoso e participar do jogo global da ultradireita.

É urgente que a justiça brasileira dê a resposta.

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Provocação do STF aos ‘patriotas’ gera engajamento nas redes

A ofensiva tem um alvo central: Alexandre de Moraes.

As conversações sobre o STF voltaram a registrar volumes extraordinários de menções durante essa semana. Orientada por uma espécie de blitzkrieg da extrema direita amparada por notícias e informações oriundas do EUA, mais especificamente de atores do governo Donald Trump, a ofensiva tem um alvo central: Alexandre de Moraes.

Essa ofensiva teve um capítulo interessante e não menos importante na última quinta-feira (27). A principal discussão girou em torno da reação do governo dos Estados Unidos às decisões do ministro Alexandre de Moraes, especialmente no que diz respeito ao bloqueio de plataformas digitais e à moderação de conteúdo. O Congresso americano aprovou medidas que poderiam, supostamente, barrar a entrada de Moraes nos EUA, além de abrir espaço para sanções. O “ponto de virada” nas redes sociais foi a resposta do ministro, enfatizando a soberania brasileira e reafirmando o papel do STF na defesa da democracia.

A ampla maioria das publicações sobre o STF trata desse tema, com o bolsonarismo perdendo a primazia sobre o debate com o engajamento de antibolsonaristas e outros atores de imprensa com o tema. Assim, o bolsonarismo respondeu por 54% (eram 76% no dia anterior) das interações enquanto a imprensa correspondeu a 27% (eram 14% no dia anterior). Os antibolsonaristas foram 18% (contra 4% do dia anterior) e não-polarizados apenas 1% (eram 6% no dia anterior).

O ponto da virada está na manifestação de Moraes sobre a independência do país. A partir dele, 30% dos comentários enaltecem a defesa da soberania nacional, enquanto 25% exaltam diretamente Alexandre de Moraes. Outros 35% partem diretamente do campo bolsonarista, explorando temas como acusações de autoritarismo por parte do STF e críticas econômicas ao país “apesar da independência”. Por fim, 10% demonstraram algum tipo de apoio às declarações, mas também fortes preocupações com futuras sanções dos EUA, segundo Pedro Barciela, ICL.

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Se os senhores do mercado reagiram mal ao nome de Gleisi, é sinal de que Lula marcou um gol de placa

Se os Pitecantropos Erectos do dinheiro grosso estão contra a Gleisi, eu só posso estar fechadíssimo com ela.

Se os veneráveis donos da terra, que sempre arrastam o país para o abismo, ficaram enfurecidos com sua indicação para a articulação política, é porque Lula escolheu uma pedra polida pra enfrentar os pedras lascadas.

De saída, já deu certo, porque o tal mercado reagiu mal ao nome da ministra da Secretaria de Relações Institucionais, com longo e irretocável histórico de luta em prol do povo brasileiro, sobretudo das camadas mais pobres da população.

Esses trogloditas da agiotagem tropical têm pavor a cheiro de povo.

Então, deixa arder e o mercado relinchar!

Gleisi é olho vivo e faro fino!

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Por arrogância, vaidade e ambição, Zelensky matou milhares de jovens ucranianos numa guerra insana que a Ucrânia entrou derrotada

Espero sinceramente que Zelensky seja julgado e preso por crime de guerra contra o próprio povo.

O que ele fez foi queimar vidas de jovens ucraianos numa guerra absolutamente sem propósitos e, consequentemente, sem sentido.

Uma grande covardia

A friesa sádica desse sujeito contra o próprio povo, causa asco.
Quanta gente foi morta nesse conflito estúpido!

E aqui não se fala de seus cabelos na venta ao desdenhar de Lula que tentou parar essa insanidade.

Zelensky sempre desfilou pelo mundo com um rei na barriga, bancando a celebridade máxima do planeta.

O cara é um lixo humano. Um trapo moral.

O cínico sempre soube que seus soldados e parte da população seriam esmagados pela Rússia, mas como não era ele e nem seus parentes, usou as pessoas como carvão para sua fogueira de vaidades cínicas.

Espera-se que ele pague pela guerra hedionda que cavou para se promover nos escombros da Ucrânia e na montanha de corpos que produziu.
Zel

ensky é um dos piores facínoras da história da humanidade.

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Vaticano informa que Papa teve agravamento repentino no quadro respiratório

Pontífice de 88 anos, após dois dias de aparente melhora, regrediu em sua recuperação. Ele teve também um quadro isolado de broncoespasmo.

O Papa Francisco, após dois dias consecutivos de melhora, apresentou um agravamento sério em seu quadro respiratório nesta sexta-feira (28). A informação é da sala de imprensa do Vaticano, que divulgou ainda o último boletim médico do líder católico.

Internado no Hospital Gemelli, em Roma, na Itália, há algumas semanas, para inicialmente tratar uma bronquite polimicrobiana e uma pneum

O termo “estado crítico” não voltou a ser empregado pelos médicos que tratam o Papa, mas a classificação de “prognóstico reservado” segue aparecendo em todos os comunicados emitidos pela Santa Sé.

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O mito da liberdade de expressão absoluta nos EUA e o ataque de Trump à liberdade de imprensa e ao Brasil

Em razão dos atritos recentes entre o governo Trump, em conluio com as Big Techs desregradas, e a Justiça do Brasil, alguns vêm alegando, em nosso país, que a Primeira Emenda dos EUA protege a liberdade “de forma absoluta”.

Bom, em primeiro lugar, a Primeira Emenda e as decisões da Suprema Corte dos EUA sobre o tema não têm caráter extraterritorial, como parecem crer muitos ignorantes e agressores da soberania do Brasil e da sua justiça.

Em segundo, mesmo nos EUA, a liberdade de expressão não é absoluta. Há várias decisões da Suprema Corte e leis daquele país que estabelecem exceções e limites claros à liberdade de expressão.

Com efeito, mesmo nos Estados Unidos, algumas formas de discurso não são protegidas pela Primeira Emenda, ou o são apenas de forma parcial.

Categorias de discurso que recebem menor ou nenhuma proteção pela Primeira Emenda, e que podem ser objeto de restrições legais, incluem, por exemplo, uso de obscenidade, fraude, pornografia infantil, discurso que incita ação ilegal iminente, discurso que viola a lei de propriedade intelectual, ameaças conducentes a efetivo dano físico, declarações evidentemente falsas etc.

A difamação que cause dano claro à reputação, por exemplo, é um ato ilícito e uma categoria de discurso que não é protegida como liberdade de expressão.

O chamado “discurso de ódio” embora, em si mesmo, não seja uma exceção geral à proteção da Primeira Emenda, pode ser objeto de restrição, se tiver a motivação de causar danos e puder acarretar tais consequências.

A incitação à violência é também objeto de restrições. A Suprema Corte decidiu que “a defesa do uso da força” não é protegida quando é “direcionada para incitar ou produzir ação ilegal iminente”, ou que seja “provável que incite ou produza tal ação”.

No início do século XX, a incitação ilegal era determinada pelo padrão de “perigo claro e presente”, estabelecido em Schenck v. Estados Unidos (1919), no qual o Juiz Oliver Wendell Holmes Jr. observou: “A questão em todos os casos é se as palavras usadas são usadas em tais circunstâncias e são de tal natureza que criam um perigo claro e presente de que elas trarão os males substantivos que o Congresso tem o direito de prevenir”.

Esse entendimento foi limitado, no caso Brandenburg v. Ohio (1969), no qual a Suprema Corte conclui que a incitação seria ilegal somente se estivesse associada a um padrão de “ação ilegal iminente”. Por exemplo, um discurso racista em si mesmo não é crime nos EUA, mas se impuser perigo iminente a qualquer pessoa ou grupo de pessoas, é crime.

De qualquer forma, há limites. Limites que poderiam ser aplicados hipoteticamente a casos no Brasil. As incitações à violência que presidiram imediatamente o 8 de janeiro, por exemplo, poderiam ser enquadradas como ilegais, sob o prisma constitucional dos EUA.

No caso de incitação ao suicídio, as decisões da Suprema Corte são mais duras e inequívocas. Em 2017, um tribunal juvenil em Massachusetts decidiu que encorajar repetidamente alguém a cometer suicídio não era um discurso protegido pela Primeira Emenda, e considerou uma mulher de 20 anos, que tinha 17 na época do crime, culpada de homicídio culposo com base nisso.

Em 6 de fevereiro de 2019, a Suprema Corte Judicial de Massachusetts decidiu que a ré agiu com intenção criminosa, então sua condenação por homicídio culposo involuntário foi mantida. A Suprema Corte dos Estados Unidos se recusou a julgar o caso, em janeiro de 2020, e manteve a condenação da Suprema Corte de Massachusetts.

Enfim, embora as leis e as decisões da Suprema Corte dos EUA sejam mais liberais que as brasileiras, lá também existem limites à liberdade de expressão que visam proteger outros direitos.

Há, porém, uma contradição, que vem sendo denunciada, há algum tempo, por jornalistas dos EUA.

Segundo eles, a liberdade de imprensa encontra, nos EUA, algumas restrições inescusáveis, principalmente após os atentados de 11 de setembro e a emergência de leis autoritárias, como o Patriot Act.

Em 2002, os Estados Unidos foram classificados em 17º lugar entre 167 países, no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa anual da Repórteres Sem Fronteiras.

Naquele ano, a classificação dos Estados Unidos (17º) foi comparativamente ruim, principalmente por causa do número de jornalistas presos ou encarcerados lá. As prisões geralmente ocorreram porque eles se recusaram a revelar suas fontes em tribunais.

Além disso, desde os ataques de 11 de setembro, vários jornalistas foram presos por cruzar “linhas de segurança”, em alguns edifícios oficiais.

Já no índice de 2006, os Estados Unidos caíram ainda mais: 53º entre 168 países.

Com efeito, as relações entre a mídia e o governo Bush se deterioraram drasticamente, pois o governo passou a importunar jornalistas que questionavam a “Guerra ao Terrorismo”.

Os tribunais federais, que se recusam a reconhecer o direito da mídia de não revelar suas fontes, chegaram até mesmo a ameaçar jornalistas cujas investigações não diziam respeito ao terrorismo.

No último relatório (2024), os EUA estão em 55º lugar. Segundo os “Repórteres Sem Fronteira”, “grandes barreiras estruturais à liberdade de imprensa persistem neste país, outrora considerado um modelo de liberdade de expressão.”

O RSF adverte, ainda, que “o primeiro mês do segundo mandato de Donald Trump como presidente tem sido um turbilhão de ataques contra o jornalismo. O presidente recém-eleito, sua administração e seus aliados políticos conduziram uma série rápida de ataques à liberdade de imprensa que equivalem a um ataque monumental à liberdade de informação.”

Ainda segundo o RSF, entre seus primeiros atos oficiais ao retornar à Casa Branca, o presidente Donald Trump emitiu uma ordem executiva sob o enganoso título “restaurando a liberdade de expressão e encerrando a censura federal”.

Está implícito neste documento vagamente escrito: os Estados Unidos de Trump se recusam a lutar contra a desinformação e a informação falsa online.

Enquanto isso, longe de cumprir a letra ou o espírito de sua própria ordem, Trump está travando batalhas contra a mídia americana, em várias frentes, e perdoou pelo menos 13 indivíduos condenados ou acusados ​​por atacar jornalistas, em 6 de janeiro de 2021.

Trump tem sido há muito tempo um dos maiores disseminadores de informações falsas nas mídias sociais, e sua ordem executiva, “Restaurando a liberdade de expressão e encerrando a censura federal”, é a mais recente de uma série de vitórias para os propagadores de desinformação online.

Cedendo à pressão de Trump, Mark Zuckerberg, cujas plataformas Meta são hostis ao jornalismo, acabou com a “verificação de fatos” no Facebook, que o magnata da tecnologia falsamente equiparou à censura, ao mesmo tempo que atacava jornalistas que verificavam fatos em suas redes.

O aliado de Trump, Elon Musk, também desmantelou as escassas salvaguardas de confiança e segurança em vigor, quando assumiu o Twitter e prosseguiu em banir arbitrariamente jornalistas que o criticavam no site.

Em suma, Trump, Musk e Zuckerberg, sob a escusa de defesa da liberdade de expressão e de combate à censura querem acabar com o “fact-cheking” feito por jornalistas sérios e independentes.

Querem manter suas plataformas como um território sem lei e sem regras, um faroeste comunicacional, com o intuito de perseguir seus objetivos políticos, sem serem importunados pela verdade e a factualidade. Ou pela justiça.

A liberdade de expressão não significa que o discurso público tenha que ser livre de fatos verificáveis. Ao contrário, a liberdade tem de estar assentada em fatos e verdades.

Donald Trump e seus comparsas das Big Techs, como Elon Musk e Mark Zuckerberg, estão desmantelando as poucas barreiras que a internet tinha para proteger a integridade das informações.

Explica-se, assim, o ódio de Trump e de seus aliados bolsonaristas a Alexandre de Moraes e a Justiça do Brasil, que querem, de forma soberana, constitucional e legal, impor regras civilizatórias e democráticas à produção e disseminação de informações em nosso país.

Trump fez uma aliança estratégica com as Big Techs. O ponto fulcral é o de que essa aliança entre o MAGA e as Big Techs compõe um poderosíssimo instrumento econômico, financeiro, tecnológico, social, político e cultural, que ameaça frontalmente as democracias e a soberania dos países, e que tem potencial para realizar fortes intervenções na ordem mundial, em favor de uma nova hegemonia dos EUA.

Tal estratégia visa impor o tecnofeudalismo (Varoufakis) estadunidense no mundo e articular a extrema-direita em nível mundial.

Para que tal estratégia funcione, é essencial, porém, que as Big Techs tenham absoluta liberdade de atuação, sem obedecer a regulamentos e leis que possam limitá-las. Tudo, é claro, em nome da “liberdade de expressão”.

Pelo andar da carruagem, poderia não estar longe o dia em que Trump imporia sanções contra Moraes e o Brasil.

*Por Marcelo Zero, sociólogo e especialista em Relações Internacionais/Viomundo

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Ministros do STJ rebatem crítica dos EUA e defendem Alexandre de Moraes

Declaração ocorre em resposta a um órgão vinculado ao Departamento de Estado dos EUA que criticou o bloqueio de redes sociais estadunidenses.

Ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) publicaram, nesta sexta-feira (28), uma nota oficial em defesa das decisões do Judiciário brasileiro e da soberania nacional, após manifestação do governo dos Estados Unidos questionando medidas tomadas pela Justiça do país. O documento enfatiza a importância do respeito à independência dos poderes e reitera a relação harmoniosa entre Brasil e EUA.

“Nenhum juiz brasileiro julga sozinho um litígio, por menor que seja, sem que da sua decisão caiba pelo menos um recurso para órgão colegiado, no mesmo tribunal ou em tribunal superior. Essa é a maior garantia que os cidadãos e as empresas brasileiros e estrangeiros têm de que a lei, sem arbitrariedade ou privilégio, valerá igualmente para todos”, afirma a nota divulgada pelo STJ, de acordo com o g1.

A declaração ocorre em resposta a um órgão vinculado ao Departamento de Estado dos EUA, que, no início desta semana, criticou a decisão das autoridades brasileiras de bloquear redes sociais norte-americanas. O documento publicado pelo governo dos EUA faz alusão à medida imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a suspensão da plataforma Rumble no Brasil por “reiterado descumprimento” de ordens judiciais.

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) também divulgou um comunicado oficial, no qual classifica a posição dos EUA como uma tentativa de politizar decisões judiciais brasileiras. “O governo brasileiro rejeita, com firmeza, qualquer tentativa de politizar decisões judiciais e ressalta a importância do respeito ao princípio republicano da independência dos poderes, contemplado na Constituição Federal brasileira de 1988”, afirma a nota do Itamaraty.


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