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Política

Lula veta redução de penas do 8/1 que beneficiaria Bolsonaro

Veto à flexibilização das penas já era uma intenção declarada do presidente

O presidente Lula (PT) vetou nesta quinta-feira (8) a redução das penas aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023. A proposta, aprovada pelo Congresso, também beneficiaria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena por participar da trama golpista.

Alvo de disputa entre governistas e oposição, a redução das penas acabou sendo aprovada na Câmara e no Senado.

O veto à flexibilização das penas já era uma intenção declarada do presidente, que chegou a afirmar, durante café com jornalistas no dia 18 de dezembro, que vetaria a proposta assim que ela chegasse à sua mesa.

Veto de Lula
Lula tinha até o dia 12 de janeiro para vetar a proposta, mas uma ala do governo defendia que o ato de memória do 8 de Janeiro desta quinta fosse usado como palco para o anúncio.

Os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, faltaram à cerimônia para não se indispor com parlamentares bolsonaristas. Com a ausência dos chefes do Legislativo, Lula optou por ler a lista completa de autoridades presentes no evento, etapa protocolar que não costuma fazer.

Durante a solenidade, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, disse que os crimes do 8 de Janeiro não são passíveis de indulto ou anistia.

“Os crimes cometidos contra o Estado Democrático de Direito, como muitos daqueles praticados naquela época recente do 8 de Janeiro, conforme consta da Constituição Federal e de decisão do STF, são imprescritíveis, impassíveis de indulto, graça ou anistia, sobretudo quando envolvem grupos civis e militares armados”, declarou Lewandowski.

Em 8 de janeiro de 2023, grupos insatisfeitos com a vitória de Lula nas eleições do ano anterior invadiram e destruíram as sedes dos três Poderes em Brasília.

Durante as apurações da trama golpista, Lula reforçou um discurso de defesa de que os participantes fossem penalizados pela Justiça. A tentativa de golpe também mirava assassinar Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Confirmado o veto, a última palavra será do Congresso, que ainda pode derrubar a decisão. Caso isso ocorra, uma das alternativas do Planalto é apostar na judicialização da questão no Supremo.

*ICL


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Trump anuncia suposto acordo com Venezuela por 50 milhões de barris de petróleo; Caracas ainda não se pronunciou

Declaração ocorre após ação militar dos EUA na Venezuela e indica abertura do setor petrolífero ao capital estadunidense

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (6) que o governo da Venezuela aceitou entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo ao país. O anúncio foi feito por meio de uma rede social do estadunidense, sem divulgação de detalhes oficiais do suposto acordo. Os venezuelanos ainda não confirmaram a informação.

A declaração ocorre três dias após uma ação militar dos Estados Unidos em território venezuelano, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro. A operação deixou ao menos 80 mortos, a maioria militares. Entre eles, 32 cubanos.

Trump afirmou que o petróleo venezuelano será vendido a preço de mercado e que o controle dos recursos ficará sob responsabilidade do governo estadunidense. Segundo ele, o objetivo seria garantir que o dinheiro seja usado “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.

De acordo com o presidente, o petróleo será transportado por navios de armazenamento e descarregado diretamente em terminais localizados em território estadunidense. O volume anunciado corresponde a cerca de dois meses da produção atual da Venezuela.

Mais cedo, a agência Reuters informou que autoridades dos dois países discutem a exportação de petróleo bruto venezuelano para refinarias dos Estados Unidos. Segundo fontes ouvidas pela agência, o acordo deve redirecionar cargas que antes tinham como destino a China.

Desde dezembro, a Venezuela acumula milhões de barris de petróleo em navios e tanques, sem conseguir exportá-los devido ao bloqueio imposto por Washington. O embargo faz parte da estratégia de pressão adotada pelos Estados Unidos para sufocar economicamente o país sul-americano.

No sábado (3), logo após o sequestro do presidente venezuelano, Trump afirmou que pretende abrir o setor petrolífero do país à atuação de companhias estadunidenses. Ele declarou que empresas do setor investiriam bilhões de dólares para recuperar a infraestrutura e ampliar a produção.

As refinarias localizadas na Costa do Golfo dos Estados Unidos têm capacidade para processar o petróleo pesado da Venezuela. Antes das primeiras sanções impostas por Washington, o país importava cerca de 500 mil barris diários do produto.

Apesar de concentrar as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz atualmente cerca de 1 milhão de barris por dia. A queda é resultado direto das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.

*BdF


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Mundo

Em abalo global, Trump retira EUA de 66 organizações internacionais

Exclusão afeta agências e pactos que lidam com direitos humanos, clima, violência contra mulheres e racismo

O governo de Donald Trump anunciou a retirada dos EUA de 66 organismos internacionais, incluindo 31 agências da ONU que lidam com racismo, violência contra mulher, clima, direitos humanos e democracia.

A lista prevê, entre outros, o fim da participação americana nos seguintes órgãos:

  • Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, vencedor do Nobel da Paz,
  • Comissão de Direito Internacional
  • Fórum Permanente sobre Afrodescendentes
  • UNCTAD – a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento
  • Fundo das Nações Unidas para a Democracia
  • Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima
  • Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos
  • Fundo de População das Nações Unidas
  • Registro de Armas Convencionais das Nações Unidas e dezenas de outros.

O gesto representa o maior abalo ao sistema multilateral desde sua criação, em 1945. Naquele momento, ato que foi patrocinado e orquestrado pelo próprio governo americano.
No início de seu mandato, Trump havia cortado o repasse para os organismos relacionados com a ONU, alertando que iria avaliar a conveniência de se manter ou não nesses pactos.

Agora, a decisão foi a de se retirar de 66 iniciativas, incluindo a agência de população da ONU e o tratado da ONU que estabelece as negociações climáticas internacionais.

A a decisão inclui agências, comissões e painéis consultivos ligados à ONU que se concentram em clima, direitos humanos e uma agenda considerada como “woke”.

Segundo Washington, elas promovem “políticas climáticas radicais, governança global e programas ideológicos que conflitam com a soberania e a força econômica dos EUA”.

“O governo Trump considerou essas instituições redundantes em seu escopo, mal administradas, desnecessárias, dispendiosas, mal geridas, capturadas pelos interesses de atores que promovem suas próprias agendas contrárias às nossas, ou uma ameaça à soberania, às liberdades e à prosperidade geral de nossa nação”, disse o Departamento de Estado em um comunicado.

“Essas retiradas encerrarão o financiamento e o envolvimento do contribuinte americano em entidades que promovem agendas globalistas em detrimento das prioridades dos EUA, ou que abordam questões importantes de forma ineficiente ou ineficaz, de modo que o dinheiro do contribuinte americano seja melhor alocado de outras maneiras para apoiar as missões relevantes”, disse a Casa Branca.

Desde o início de seu segundo mandato, há um ano, Trump buscou cortar o financiamento dos EUA para a ONU, deixou o Conselho de Direitos Humanos da ONU, rompeu com a agência de ajuda humanitária palestina UNRWA e deixou a UNESCO, OMS e o Acordo de Paris.

A ruptura ainda ocorre num momento em que Trump viola o direito internacional, confiscando barcos em águas internacionais, atacando países estrangeiros, sequestrando um presidente, rompendo acordos comerciais e chantageando líderes pelo mundo.

Veja a lista de todas as entidades afetadas pela saída dos EUA:

i) Pacto para Energia Livre de Carbono 24/7;

(ii) Conselho do Plano Colombo;

(iii) Comissão para a Cooperação Ambiental;

(iv) A Educação Não Pode Esperar;

(v) Centro Europeu de Excelência para o Combate às Ameaças Híbridas;

(vi) Fórum dos Laboratórios Nacionais Europeus de Pesquisa Rodoviária;

(vii) Coligação Liberdade Online;

(viii) Fundo Global para o Envolvimento e a Resiliência da Comunidade;

(ix) Fórum Global de Contraterrorismo;

(x) Fórum Global sobre Especialização em Cibersegurança;

(xi) Fórum Global sobre Migração e Desenvolvimento;

(xii) Instituto Interamericano de Pesquisa sobre Mudanças Globais;

(xiii) Fórum Intergovernamental sobre Mineração, Minerais, Metais e Desenvolvimento Sustentável;

(xiv) Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas;

(xv) Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos;

(xvi) Centro Internacional de Estudos para a Preservação e Restauração de Bens Culturais;

(xvii) Comitê Consultivo Internacional do Algodão;

(xviii) Organização Internacional de Direito do Desenvolvimento;

(xix) Fórum Internacional de Energia;

(xx) Federação Internacional de Conselhos de Artes e Agências de Cultura;

(xxi) Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral;

(xxii) Instituto Internacional para a Justiça e o Estado de Direito;

(xxiii) Grupo Internacional de Estudos sobre Chumbo e Zinco;

(xxiv) Agência Internacional de Energias Renováveis;

(xxv) Aliança Solar Internacional;

(xxvi) Organização Internacional de Madeiras Tropicais;

(xxvii) União Internacional para a Conservação da Natureza;

(xxviii) Instituto Pan-Americano de Geografia e História;

(xxix) Parceria para a Cooperação Atlântica;

(xxx) Acordo de Cooperação Regional para o Combate à Pirataria e ao Roubo Armado contra Navios na Ásia;

(xxxi) Conselho de Cooperação Regional;

(xxxii) Rede de Políticas de Energias Renováveis ​​para o Século XXI;

(xxxiii) Centro de Ciência e Tecnologia da Ucrânia;

(xxxiv) Secretariado do Programa Regional do Meio Ambiente do Pacífico; e

(xxxv) Comissão de Veneza do Conselho da Europa.

Na Organizações das Nações Unidas:
(i) Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais;

(ii) Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC) – Comissão Econômica para a África;

(iii) ECOSOC – Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe;

(iv) ECOSOC – Comissão Econômica e Social para a Ásia e o Pacífico;

(v) ECOSOC – Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental;

(vi) Comissão de Direito Internacional;

(vii) Mecanismo Residual Internacional para Tribunais Penais;

(viii) Centro de Comércio Internacional;

(ix) Gabinete do Conselheiro Especial para a África;

(x) Gabinete do Representante Especial do Secretário-Geral para Crianças em Conflitos Armados;

(xi) Gabinete do Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência Sexual em Conflitos;

(xii) Gabinete do Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência contra Crianças;

(xiii) Comissão de Consolidação da Paz;

(xiv) Fundo para a Consolidação da Paz;

(xv) Fórum Permanente sobre Afrodescendentes;

(xvi) Aliança das Civilizações das Nações Unidas;

(xvii) Programa Colaborativo das Nações Unidas para a Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal em Países em Desenvolvimento;

(xviii) Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento;

(xix) Fundo das Nações Unidas para a Democracia;

(xx) UN Energy;

(xxi) Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres;

(xxii) Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima;

(xxiii) Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos;

(xxiv) Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa;

(xxv) UN Oceans;

(xxvi) Fundo de População das Nações Unidas;

(xxvii) Registro de Armas Convencionais das Nações Unidas;

(xxviii) Conselho de Chefes Executivos do Sistema das Nações Unidas para a Coordenação;

(xxix) Escola de Formação de Pessoal do Sistema das Nações Unidas;

(xxx) UN Water

(xxxi) Universidade das Nações Unidas.

*Jamil Chade/ICL


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Mundo

Vídeo: EUA apreendem petroleiro com bandeira russa ligado à Venezuela

Ação ocorreu em águas internacionais no Atlântico e foi confirmada por fontes americanas e pela imprensa estatal da Rússia

Os Estados Unidos interceptaram e apreenderam nesta quarta-feira (7) o petroleiro Marinera, que transportava óleo de origem venezuelana no Oceano Atlântico. A operação foi confirmada à agência Reuters e divulgada também pela rede estatal russa RT, segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo.

O episódio representa uma potencial escalada da crise entre Washington, Moscou e Caracas, agravada após o governo de Donald Trump ter decretado embargo a todo o transporte de petróleo e derivados para dentro e fora do país caribenho. Ainda não há detalhes oficiais sobre como se deu a abordagem nem sobre a situação da tripulação.

Perseguição durou duas semanas

A perseguição ao navio já durava cerca de duas semanas. Em 10 de dezembro, outra embarcação venezuelana havia sido capturada pelos americanos, o que levou diversos petroleiros que estavam no mar a desligarem sistemas de comunicação e a alterarem rotas para evitar novas apreensões.

O Bella-1, que navegava com bandeira da Guiana, mudou de nome para Marinera e passou a utilizar registro estatal russo baseado em Sochi, no mar Negro, numa tentativa presumida de obter maior proteção jurídica. Mesmo assim, as forças americanas continuaram o cerco e realizaram a interceptação agora divulgada.

Parlamentares russos acusam EUA de pirataria

Imagens veiculadas pela RT mostram um helicóptero dos EUA circulando a embarcação em meio a uma tempestade, além de um navio da Guarda Costeira tentando se aproximar. Parlamentares russos reagiram, acusando Washington de pirataria e de violar a liberdade de navegação prevista no direito internacional.

A Rússia é, ao lado da China, uma das principais fiadoras do regime chavista da Venezuela. O Kremlin manteve operações petrolíferas extensas no país até 2020 e forneceu bilhões em armamentos entre 2005 e 2013, apoio hoje limitado por causa das sanções impostas a Caracas.

O embargo determinado por Trump tem impacto direto também sobre Cuba, dependente do petróleo venezuelano, e ocorre paralelamente às negociações para encerrar a Guerra da Ucrânia. O endurecimento da posição americana coloca em suspenso tratativas que Vladimir Putin vinha conduzindo com Washington e com líderes europeus em Paris.

Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo

Autoridades dos EUA afirmam que o foco da ofensiva contra Caracas é, além de afastar um governo hostil, garantir acesso às maiores reservas de petróleo do mundo. O produto venezuelano é considerado de baixa qualidade, mas Trump já anunciou planos de receber milhões de barris e ficar com os lucros de futura revenda.

Após a apreensão do Marinera, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, declarou que o bloqueio ao petróleo venezuelano alvo de sanções permanece “em pleno vigor em qualquer lugar do mundo”. A Casa Branca não informou se novas interceptações estão programadas, enquanto a chancelaria russa promete contestar o caso em instâncias marítimas internacionais.


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Sem ter combinado com os russos, Trump começa a ver os sonhados investimentos no petróleo da Venezuela fazer água

O clima de insegurança para os investidores que têm que casar pesadamente em infraestrutura na Venezuela, hoje, totalmente precária, é banho de água fria nos palavrórios de Trump.

Ninguém quer colocar o seu na reta e casar dinheiro bom em bases podres.

A realidade, diante das teorias megalomaníacas de Trump, trava os planos dos Estados Unidos na Venezuela.

Quem está assistindo a essa espécie de déja vu e entende do riscado, acha que, no mínimo é tiro no pé colocar centavo para extrair petróleo na Venezuela.

A própria política norte-americana de bloqueio econômico sucateou a infraestrutura petrolífera no país. Diante de um quadro desse, o diabo é muito mais feio do que o pintado por Trump, pois assusta e afasta os supostos investidores sonhados pela Casa Branca, que têm medo de uma expropriação que lhes custe o olho da cara.

Muitos economistas sérios, dentro dos próprios EUA, colocam em xeque essa tática, sobretudo no momento em que sobra oferta de petróleo no mercado mundial..

Para muitos, investir nesse oceano de incertezas, é risco de barrigada, porque a palavra mágica “petróleo”, além de não ser tão mágica assim no momento, ainda falta concretude.

Na verdade, o que se diz é que, em Whasington, a ficha caiu, diferentemente de outras intervenções em países produtores de petróleo, o plano de Trump para a Venezuela reúne uma gigantesca montanha de obstáculos que vão muito além da política de pilhagem dos EUA.

Não é somente a infraestrutura que se apresenta como entrave, maquinários, pontes antigas, ou seja, totalmente obsoletos, tornam o subsolo venezuelano algo bem mais complexo e custoso para qualquer desafio logístico nesse momento.

Sem falar do próprio regime chavista, que se mantém no poder sem hora ou prvisão, mesmo longínqua, de troca de comando no país. Como se diz por aí, ao contrário do que foi “pensado”, de perto, tudo tem defeito, sobretudo, o ouro negro venezuelano.

Por ora, fica a máxima, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.


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Ataque coordenado ao Banco Central

Influenciador de direita e vereador do Partido Liberal (PL) em Erechim (RS), Rony Gabriel afirmou nesta terça-feira (6) que foi abordado por uma empresa com proposta de gravar e divulgar conteúdos nas redes sociais em defesa do Banco Master e com ataques ao Banco Central (BC). A instituição financeira decretou a liquidação do Master no fim de 2025.

Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Rony relatou que a abordagem ocorreu no dia 20 de dezembro do ano passado. Ele conta que a empresa entrou em contato com seu assessor e se apresentou como responsável pelo “gerenciamento de reputação de um grande executivo”. O interlocutor também teria informado que estava contratando influenciadores para fortalecer a estratégia.

Ainda de acordo com o vereador, a proposta incluía o pagamento de uma “boa quantia em dinheiro”, que ele afirma ter recusado. Apesar disso, Rony disse acreditar que outros influenciadores aceitaram a oferta e foram contratados para participar da campanha.

O objetivo da ação, segundo Rony Gabriel, seria responsabilizar o Banco Central pela grave crise de liquidez enfrentada pelo Banco Master, além de passar a impressão de que não havia irregularidades na instituição comandada por Daniel Vorcaro. O influenciador também mencionou que o trabalho exigiria a assinatura de um contrato de confidencialidade. O documento, exibido no vídeo, previa uma multa de R$ 800 mil em caso de descumprimento do acordo.

Além do vereador gaúcho, muitos outros influencers, com muitos seguidores nas redes sociais, receberam proposta semelhante: foram convocados a participar de um ataque coordenado para descredibilizar o Banco Central e defender o Master.

A denúncia foi publicada em primeira mão pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. “Reportagem do Metrópoles foi usada como exemplo de conteúdo que precisava ser difundido, sempre lançando dúvidas sobre a ação do Banco Central que levou à liquidação do Master”, escreveu Malu.

Também a Folha de S. Paulo tratou do assunto, em reportagem dos jornalistas Adriana Fernandes e Lucas Marchesini, mostrando que ao menos 46 perfis da internet fazem ataques ao BC e a investigadores do caso Master.

Um dos principais alvos é o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, Renato Gomes. O setor dele recomendou o veto à compra do BRB pelo Master e deu informações importantes para o trabalho do Ministério Público Federal.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo e até seus familiares também são alvos da campanha, além do diretor de Fiscalização, Aílton de Aquino Santos, banqueiros e associações do setor financeiro que se manifestaram em defesa da autoridade monetária por meio de uma série de notas de apoio à decisão técnica de liquidar o Master em novembro.

Pedindo preservação da autoridade técnica do BC para evitar “cenário gravoso de instabilidade”, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e outras entidades emitiram nota no dia 27 de dezembro sobre o estilo incomum dos ataques sofridos.

“A Febraban está analisando se as postagens identificadas naquele período caracterizariam ou não eventual ataque coordenado à entidade, sendo que já se observou nos últimos dias uma redução significativa daquele volume atípico”, dizia o texto.

Os ataques acontecem em meio a movimentos incomuns no Caso Master, tanto da parte do Supremo Tribunal Federal quanto do Tribunal de Contas da União.

No início de dezembro, o ministro Dias Toffoli, relator do processo no STF, decretou sigilo máximo às investigações contra executivos do Banco Master dias depois de viajar em um jatinho particular para assistir a final da Libertadores da América, em Lima, ao lado do advogado Augusto Arruda Botelho, que representa um dos empresários do banco liquidado.

Pouco depois, o TCU entrou na história.

Como publicou a coluna de Amanda Miranda no ICL Notícias, a análise de documentos do BC que tratam da liquidação do Master pelo relator do TCU, ministro Jhonatan de Jesus, é considerada completamente inadequada.

Na avaliação de Luiz Henrique Cadermatori, professor do Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina, esta é uma situação inédita na história da República. Ele explica que nunca aconteceu de uma espécie de órgão fiscalizador exercer controle sobre outro órgão fiscalizador, em poderes independentes.

Para o professor, o caso cria um conflito político: “Os membros do Tribunal de Contas são escolhas políticas movidas por critérios políticos. O técnico faz a avaliação, mas o ministro é quem decide, então é diferente do Banco Central, onde todos os cargos são eminentemente técnicos. Isso traduz uma certa situação incomum e questionável politicamente”.

Cadermatori reforça que a liquidação de bancos ou definição de critérios sobre sua atuação envolve decisões técnicas. Ele adverte que a repercussão do caso no TCU é moralmente e politicamente questionável, mas que juridicamente não há um impedimento prévio a esse tipo de situação.

Chama atenção o perfil do relator: nos tempos de deputado foi autor de emendas parlamentares que estão na mira do ministro Flávio Dino, parceiro de Arthur Lira e cria do Centrão, grupo que tem muitos políticos defensores do Master.

Não há dúvida: há vários motivos para críticas ao Banco Central. Em especial a manutenção da taxa Selic em patamar altíssimo e inexplicável. Mas a a atuação em relação ao Banco Master tem sido irretocável.

E é justamente quando o BC age de forma correta que surge esse ataque.

As cifras envolvidas e os personagens poderosos ligados ao Master certamente são os motivos dessa ofensiva inédita.

*ICL


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Mundo

Exército israelense abre fogo em universidade e fere dezenas de estudantes na Cisjordânia

Ataque com munição real, gás e granadas em campus da Universidade Birzeit deixa 41 feridos e aprofunda clima de repressão, enquanto Israel avança em assentamentos ilegais

Dezenas de estudantes e funcionários ficaram feridos após forças do exército de Israel invadirem, nesta terça-feira (6), a Universidade Birzeit, uma das mais importantes da Cisjordânia ocupada. Soldados abriram os portões do campus e dispararam munição real, granadas de som e gás lacrimogêneo, enquanto aulas ocorriam e alunos circulavam pelas dependências.

Segundo a Sociedade do Crescente Vermelho da Palestina, três pessoas foram baleadas nas pernas, cinco sofreram inalação de gás e outras três foram atingidas por estilhaços. O Ministério da Saúde palestino informou que 11 feridos precisaram ser encaminhados ao Hospital Árabe Istishari, em Ramallah.

“Violação flagrante da santidade universitária”

Em nota, a Universidade Birzeit classificou a ação como uma “violação flagrante e deliberada da santidade das universidades e instituições educacionais”. Para a instituição, a incursão reflete uma política sistemática de intimidação contra estudantes palestinos e de ataque direto ao direito à educação.

“Invadir o campus em plena luz do dia e transformá-lo em uma zona militar visa minar a consciência palestina e suprimir a vida acadêmica”, afirmou a universidade, em comunicado divulgado pela agência oficial Wafa.

Solidariedade a prisioneiros e repressão armada

O ataque ocorreu após um evento estudantil em solidariedade a milhares de prisioneiros palestinos mantidos em cárceres israelenses e coincidiu com a exibição do filme Hind Rajab, que retrata a morte de uma menina palestina de seis anos durante a ofensiva israelense em Gaza.

Pouco antes da sessão, forças israelenses invadiram o campus. Em resposta, o exército alegou ter como alvo uma “reunião em apoio ao terrorismo”, justificativa rejeitada por autoridades palestinas e organizações de direitos humanos, segundo o Vermelho.

“Nenhum lugar está imune”

A jornalista Nida Ibrahim, da Al Jazeera, que reportava diretamente da universidade, afirmou que 41 pessoas ficaram feridas no total, sendo 11 hospitalizadas. Segundo ela, trata-se de um episódio sem precedentes.

“É a primeira vez que vemos um ataque israelense com munição real dentro de um campus universitário, enquanto estudantes assistiam aulas”, relatou. “Para palestinos que vivem sob ocupação, a educação é uma das poucas ferramentas para garantir futuro e sustento. Hoje, nem esse espaço está protegido.”

Condenação oficial e apelo internacional

O Ministério da Educação e Ensino Superior da Palestina condenou duramente a incursão, afirmando que a ação viola convenções internacionais que protegem instituições educacionais. O órgão apelou a universidades internacionais e entidades de direitos humanos para que denunciem o ataque.

“O uso da força não quebrará a vontade dos estudantes palestinos”, declarou o ministério, em nota.

Assentamentos avançam enquanto repressão se intensifica

No mesmo dia do ataque à universidade, o governo israelense removeu o último obstáculo administrativo para iniciar a construção do controverso projeto de assentamento E1, a leste de Jerusalém. Segundo o grupo Peace Now, a licitação abre caminho para o início das obras já nas próximas semanas.

Considerado ilegal pela comunidade internacional, o projeto E1 é visto por críticos como um passo decisivo para fragmentar a Cisjordânia e inviabilizar um futuro Estado palestino contíguo.

“Outro prego no caixão”

O plano é defendido pelo ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, figura central da extrema-direita no governo. Em agosto, ele afirmou que o objetivo é enterrar definitivamente a ideia de um Estado palestino.

“O Estado palestino está sendo apagado da mesa não com slogans, mas com ações”, disse Smotrich. Para observadores internacionais, o ataque à Universidade Birzeit e a expansão dos assentamentos fazem parte da mesma estratégia de consolidação da ocupação israelense.


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Ninguém sabe qual será o próximo passo de Trump na Venezuela, muito menos ele

O que Trump disse ontem, esquece, hoje já está fora de moda.

Seguindo o padrão de suas tarifas, o balofo se perde na própria língua. Ele deve se inspirar nos napoleões de hospício. Sórdido, burro, é um lambão clássico, daquelas falas esculpidas do mais alto grau de estupidez.

O resultado é singular, porque o que ele disse ontem contrasta com aquilo que ele diz hoje e com o que dirá amanhã. No caso dele, é só uma troca de sardas e pés de galinha.

Sequestra o presidente da Venezuela e esposa e impossa sua vice desqualificando a líder da oposição venezuelana, dizendo que ela não tem graça, não tem voto, não tem popularidade, não tem p… nenhuma.

Esse é Trump, que mantém um romance com seu espelho 24 horas por dia, fazendo o governo dos EUA parecer uma lavanderia de roupa suja.

Com Trump é assim, não tem frescura, a merda que disse ontem se contrapõe ao que dirá hoje. E assim, a de hoje, amanhã vira verruga e a primeira fita que ele encontrar, enfeita um novo pavão.

O golpe que ele bolou para a Venezuela, dizem alguns analistas, foi urdido por muito muito tempo. Mas essa extrema dubiedade logo após o malfeito mostra que essa espécie de criatura vive dividida entre duas personalidades descadeiradas por sua própria falta de capacidade de gestão e de viver na base do improviso espetaculoso.

Tem que ser muito submisso a esse maluco de pedra para aturar suas marmeladas diárias.

Uma coisa é certa, o tal plano mirabolante que ele tramou, é uma escola de trapalhões que parece entrar num beco sem saída logo à frente, na segunda página da história.

Como o sujeito não preparou uma desculpa minimamente decente, tem que inventar um lero-lero a cada 5 minutos para justificar a corda o pescoço de Maduro.

Foi esse imbróglio que ele criou nesse tempo todo de plano de tomada de poder na Venezuela?

Trump vive de frase de efeito, festejando hoje o que expurgará amanhã. Fogueteia o alcance de uma glória e 1 hora depois expurga .

O fato é que, se Trump não sabe o que ele de fato quer, e isso está claro, ceifando todo e qualquer raciocínio lógico, só os tolos tentam reorganizar o discurso para “explicar esse animal”.


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Rússia denuncia tentativa de interceptação de navio russo pelos Estados Unidos

Empresa afirma que embarcação civil foi perseguida pela Guarda Costeira norte-americana em meio a tempestade, com risco extremo à segurança da tripulação

Um navio-tanque russo teria sido alvo de uma tentativa de interceptação por forças dos Estados Unidos no Atlântico Norte, em meio a condições climáticas severas. A denúncia envolve o navio mercante Marinera, que navegava sem carga durante uma forte tempestade, com ventos intensos, ondas elevadas e temperaturas próximas do congelamento.

De acordo com comunicado divulgado nesta terça-feira pela empresa russa BurevestMarin, proprietária da embarcação, o Marinera vem sendo perseguido há um período prolongado pela Guarda Costeira dos Estados Unidos. Segundo o 247, a companhia afirma que, apesar das repetidas tentativas do capitão de informar a identidade do navio e seu caráter estritamente civil, a perseguição teria continuado, inclusive com vigilância aérea realizada por aeronaves de reconhecimento P-8A Poseidon da Marinha norte-americana.

A empresa sustenta que o navio navega em lastro, sem qualquer tipo de carga, e que não representa ameaça. Ainda assim, segundo a BurevestMarin, informações obtidas em fontes públicas indicariam que os Estados Unidos estariam planejando uma interceptação iminente da embarcação. Para a companhia, qualquer tentativa de abordagem por helicópteros ou de desembarque de tropas em alto-mar, nas condições atuais, configuraria um risco extremo.

O alerta se baseia no cenário meteorológico descrito pela empresa: ventos de até 20 metros por segundo, com rajadas fortes, ondas superiores a cinco metros de altura e temperaturas próximas ou abaixo de zero. Nessas circunstâncias, a BurevestMarin classifica uma eventual operação militar como “uma ameaça grave e injustificável” à segurança.


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ONU diz que invasão dos EUA na Venezuela torna o mundo menos seguro

A porta-voz Ravina Shamdasani afirmou que a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, representa uma violação do direito internacional. Ela destacou que a ação prejudica a arquitetura da segurança internacional e torna o mundo menos seguro, enviando a mensagem de que países poderosos podem agir sem limites.

“A comunidade internacional deve deixar claro que a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela é uma violação do direito internacional que torna o mundo menos seguro. Longe de ser uma vitória para os direitos humanos, esta intervenção militar prejudica a estrutura da segurança internacional e torna todos os países menos seguros.”

Os EUA conduziram uma operação militar surpresa em Caracas, com ataques aéreos e uma incursão de forças especiais que capturaram Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Eles foram levados para os EUA para julgamento por acusações de narcoterrorismo.

O presidente Donald Trump justificou a ação como operação de aplicação da lei contra o tráfico de drogas e anunciou interesse no petróleo venezuelano, declarando que os EUA administrariam o país temporariamente.

Reações Internacionais

A declaração do OHCHR reflete preocupações amplas na ONU, incluindo do secretário-geral António Guterres, que chamou a ação de “precedente perigoso”.

Países como Brasil, China, Rússia, Cuba e vários da América Latina condenaram a intervenção como violação da soberania.
Alguns, como Argentina (Javier Milei), celebraram a remoção de Maduro.

Essa posição da ONU enfatiza que, independentemente das críticas ao regime de Maduro, intervenções unilaterais armadas sem autorização do Conselho de Segurança violam a Carta da ONU e enfraquecem a ordem internacional. Fontes como Reuters, Guardian, CNN Brasil e sites brasileiros (Poder360, G1, Infomoney) confirmam a declaração de forma consistente.


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